Diário de um inocente.
2 Lindce
Lindce
Olhando por esse lado vou me tornar uma pessoa melhor.
Sete anos enganando o cara que no altar da igreja jurei a minha própria vida, que jurei estar com ele na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza até que a morte nos separasse.
Pela primeira vez nesta miserável vida serei fiel ao homem a que fiz votos para vida toda. Estou decidida, sei que a dor que sentirei será maior que uma cratera deixada por um grande meteoro, farei isso pelo Robert. Ele não merece ser enganado de tal forma.
A poucas horas atrás aconteceu algo que mudou o meu modo de ver a vida. Para mim tudo não passava de prazer, e por isso quis me deleitar ao lado do David. A conversa que tive com o Robert mudou completamente minha história. A proza mexeu tanto comigo que temo que nunca sairá de minha memória.
– Leila. – disse ele olhando fixamente no fundo dos meus olhos. Nunca tinha o visto assim, dessa forma. A não ser no altar quando o “SIM” ele pronunciou impondo-me este mesmo olhar; mais para falar a verdade nunca tinha realmente prestado atenção nele. Seus grande olhos castanhos mel eram semelhantes aos os dos seus dois filhos: Chris e Mick. – estamos casados a oito anos. – continuou. – quero que não haja segredos ou mentiras entre nós.
Pobre Robert se soubesse a quantos anos eu o traio não teria nem iniciado esta conversa.
Me surpreendi com a temática da conversa, do como ele falou parecia até que ele já estava por dentro de tudo que estava acontecendo, que já sabia da traição, mas mesmo assim não queria acabar o casamente por tal motivo. Fico tão emotiva por nunca pensar em como ele iria se sentir ao descobri, sempre tão egoísta com as pessoas ao me redor.
– Robert eu... eu... – não contenho as lagrimas, choro de verdade. – não quero mais levar uma vida de segredo com você. – lagrimas continuam a fluir, realmente quero ter uma vida seria com meu esposo.
– sinto que o nosso relacionamento é era como o Titanic grande e forte e der repente um Iceberg. – que Iceberg é esse que está impedindo nossa felicidade?
Um grande silêncio ecoa entre nós nada falo, mais em minha mente a resposta e certa “David”
Quando éramos recém-casados tínhamos tantos para falar e tanto para rir. Alegria constante. E conforto nas horas mais tristes era encontrado no outro. O verdadeiro amor.
Menos na parte dos garotos. O Chris sempre foi o mais sapeca, sempre aprontando alguma, sempre comigo. Parece que sua alegria era me ver triste. Recordo-me como se fosse ontem, foi a mais ou menos sete anos atrás e deveria ter uns onze anos, ele cortou metade dos meus cabelos enquanto eu dormia, apenas deixou algumas madeixas de misericórdia.
Já o Mick, ah o Mick era um exemplo de filho. Não cheguei a gerar em meu ventre, mas se tivesse gostaria que meu filho fosse como tal garoto.
Mesmo assim éramos felizes. Não tradicionalmente. Mais sempre felizes.
“Nem sempre pode se ter tudo que se deseja; querida.”
Toda vez que reclamávamos de alguma coisa, Robert tratava de lembrar-nos disso. As vezes nem precisava ele falar, eu já tinha preenchimento automático para quando ele tratasse de nos lembrar. E acabara que aquela frase se tornou um bordão da família... ah família...nem percebemos, mais éramos uma.
Esperei que todos dormissem e liguei para o David.
“Alô?”
“Quem é?”
“David sou eu a Leila me encontra daqui a uma hora no hotel Montenegro”
“Certo, tchau.”
Ainda meio indecisa vou até a sala e pego minha bolsa, dou uma olhada nos quartos e está tudo ok!
Tiro as sapatilhas ponho-as na não e com cuidado abro e fecho a porta... são mais ou menos uma hora da manhã Robert está no íntimo do íntimo do mais profundo sono... como sempre ligo para o mesmo taxista de quase todos os dias. Nem preciso dizer-lhe para onde ir já possui o destino em sua mente desde que comecei a ir ao Montenegro a uns quatro anos atrás.
– para o mesmo lugar de sempre rodrigo. – digo ao taxista ao entrar no taxi.
– é pra já dona Leila.
Finalmente chagamos o Hotel levou uns trinta minutos.
E lá está o David com uma camisa cor sim cor não Azul e branca uma calça jeans seus belos olhos verdes esmeralda estavam radiantes como sempre alto e bastante forte cabelos penteados para cima e barba por fazer.
Ele tenta me beijar, mais logo desvio e o beijo vai na bochecha.
A recepção era enorme com um enorme balcão para informações, várias cadeiras de espera do tipo cinema. Belas plantas em grandes jarros brancos feitos de húngaro.
Robert trata de pegar a chave do quarto e vamos a ele em seguida. Pegamos o elevador e paramos do decimo terceiro andar.
“Acho que não teremos sorte hoje” diz ele brincando.
“Eu que o diga” falo em baixa voz, mais tenho a impressão de que ele ouvira tudo.
Como sempre ele abre a porta do quarto, uma suíte linda é revelada atrás da porta, com uma cama de casal forrada de um edredom vermelho e grandes almofadas brancas, um belo lustre, e uma janela que dá vista para o mar, tudo muito lindo, pena que será a ultima vez. Entro e David fecha a porta, e por impulso digo:
– está tudo acabado entre nós. – falo repentinamente, posso ver espanto no olhar do meu amante.
– como assim não Leila, vamos conversar. – ele diz tentando que houvesse uma reconciliação.
– não dá mais, não dá mais para trair o Robert com você. Eu... eu... tive uma conversa séria com ele hoje. A tempos que não éramos aquele casal que estava sempre se amando, mais iremos tentar.
– deixe ele, venha morar comigo. – ele diz. – você vai ser feliz ao meu lado.
– Oh David, adeus.
Ele me puxa com força e levanta a mão como se fosse me bater.
– eu não vou aceitar. Nós vamos ficar juntos, quer você queira quer não.
– me solte seu bruto, por longos quatro anos dormi com você e não imaginava que você fosse assim.
– eu acabarei com sua família, um a um. Primeiro matarei você de uma maneira que sangre, sangre e sangre sem cessar. Após o chifrudo depois os dois garotinhos idiotas.
Como muita raiva me solto de seus braços e vou ando até a porta e digo:
– não ouse tocar em minha família.
Nunca pude pensar que ele agiria de tal forma. Ele não era o homem que eu pensava.
Chego em casa vou para a cama, Robert está dormindo, quando deito ele acorda.
– acordada a essa hora querida.
– fui tomar um copo de leite. – respondo. Mas na verdade fui me desfazer de minha antiga vida.
O dia tardou a chegar. Fui até a cozinha preparar o café da manhã. Meia hora depois Robert chegou todo alegre e cantarolando. Me deu um beijo e se sentou à mesa. Agora estou me sentindo feliz como antes. Logo depois vem o Mick.
– bom dia Mick! – o complemento
– bom dia Leila. – ele responde.
– onde está o Chris? – pergunta o pai.
– ele acabou de entrar no banheiro.
Demora um pouco mais logo ele chega.
– O que acha de tomarmos café da manhã eu você e sua mãe. – diz o Robert ao Chris, na esperança que ele pelo menos fosse gentil.
– Acho que não é recomendável tomar café da manhã em um cemitério. – ele responde com um tom sarcástico.
– Não estou me referindo a Lindce. – falou o pai se referindo a falecida. (Que Deus a tenha em bom lugar) – estou falando da Leila, ela também é sua mãe, viu você crescer desde os seus dez anos.
Ela não é minha mãe! – responde muito bravo e vai direto a geladeira e de lá tira um desses sucos em caixinhas e vai embora para o colégio com uma expressão nada amigável no rosto.
– pobre Chris, ainda não consegui superar a morte da mãe.
O Robert me olha abaixa a cabeça e sai da cozinha. Mick está lendo Harry Potter.
O tempo logo passa já são uma hora da tarde e de repente Din din. Vou atender a porta.
– ahh. – Chris grita. – se assustou?
– garoto quer me matar do coração.
Ele vai pro quarto e cinco horas depois já está saindo novamente.
– vai para onde garoto? – pergunto curiosa.
– não te entenreça – responde
As sete Robert chega cansado do trabalho. Ele me complementa com seu velho sorriso de sempre.
– o Chris saio a duas horas, e não me falou onde ia.
– esta fase é muito difícil. Ele acha que já é livre só porque tem dezoito anos.
– “Pobre criança iludida com a vida, pensando que os dezoito é a fase mais divertida.” – diz ele com tom de ironia.
Dou um leve sorriso, mais por dentro estou rolando de rir, amo quando ele usa essa frase.
Já se passaram de duas horas, e o Chris não deu noticia, fico muito preocupada, o Robert anda para lá e para cá dentro de casa. Nenhum telefonema. Nada. Poucos minutos depois a porta se abre, o Chris saí de lá completamente, bêbado.
– você saí sem nem dar notícias e chega em casa completamente embriagado.
Nada muda em sua expressão facial, ele fingi que não escutou e vai direto ao quarto. Mick aparece ainda com cara sono e com um copo de suco nas mãos.
– o que aconteceu? Acordei com o barulho. – ele diz pausadamente e bocejando. – de qualquer forma trouxe este suco de maracujá para você, espero que se acalme.
Robert vai para o quarto, ele se tranca e quero deixa-lo sozinho.
– vá dormir querido. – digo ao Mick e ele me obedece sem pestanejar.
Me debruço no fofo sofá adormeço. Sinto uma dor imensa em minha barriga, outra em meu peito. Facadas. Simplesmente facadas. Abro meus olhos e não acredito no que vejo ele está segurando uma grande faca e enfiando em mim, não posso gritar. Não consigo. Não tenho forças para isso apenas durmo em sono profundo sem volta.
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