Diário de Sobrevivência
16 Diário 4 - Jimmy
– Giovanna, corre! — gritei enquanto corríamos pelos corredores da empresa. — Não pare!
Corremos até o final do corredor e entramos à direita, passamos por duas portas de vidro com o símbolo da empresa e chegamos até uma sala de recepção.– Cadê o Everthon? Canni? — perguntei.– Não sei, perdi eles de vista faz um tempo. — respondeu Giovanna ofegante. – Droga! Precisamos achá-los rápido.– Onde estamos? – Uma das salas de recepção.Fui até um mapa do andar na parede observei: "VOCÊ ESTÁ AQUI — 3º ANDAR" e uma seta vermelha apontando para um sala no meio do mapa, é onde estamos. Observei o resto do andar, havia algumas sala menores, um refeitório e banheiros. Ouvi vozes na escada e então saquei o revólver e mirei na porta. Vi pelo vidro da porta um cara com um rifle se aproximando até a sala.– Xiu, eles ainda podem estar aq... — antes que ele terminasse a sua frase, atirei na cabeça dele e ele caiu para trás. O segundo atirou em minha direção mas o tiro acertou em uma das poucas luzes acesas na sala, e tudo ficou escuro. – Hum, alguém precisa de mais aulas de tiro. — fiz chantagem enquanto me escondia atrás do balcão da recepção junto com Giovanna.– CALE A DROGA DA BOCA INÚTIL! — o cara gritou. – Uou uou amigo, cuidado com as palavras parceiro. — eu ri. — Quer saber? Cansei. – Já? Mas só estou começando. — o cara disse no meio da escuridão. Sai de fininho e me escondi atrás das cadeiras da recepção. Ele veio em minha direção, mas não havia me visto ali. Quando ele passou ao meu lado, chutei a canela dele, ele perdeu o equilíbrio e cedeu. Apoiei o joelho no pescoço dele e o deixei sem fôlego, saquei o revólver e dei dois tiros na cabeça dele. Consegui ficar em pé e fui até Giovanna.– Você está bem? — a encarei.Ela suspirou.– Acho que sim. – Precisamos ir atrás dos outros, vem. — ajudei ela a levantar e voltamos ao corredor. Tomamos as escadas e descemos até o nível térro: o nível de cargas e descargas. Ouvi três tiros vindos do galpão 1, e corremos até lá. – Fiquei aqui, e não saia daqui, eu volto logo. — beijei Giovanna e entrei no galpão por uma porta dupla azul.Me abaixei atrás de uma caixa e observei o que estava havendo: Canni e Everthon estavam escondidos atrás de duas caixas empilhadas enquanto trocavam tiros com um cara. O cara usava jeans e uma camiseta preta com mangas rasgadas, ele fumava. Observei ao meu redor: tinha que ter um jeito de acabar com ele sem que ele me avistasse. Observei que ao lado do bandido havia uma empilhadeira pequena e então sussurrei:– Supimpa!Andei me arrastando até a empilhadeira que tinha sua garra erguida com uma caixa em cima. Torci para que houvesse algo pesado dentro daquela caixa e que o matasse instantaneamente. Subi na empilhadeira e por sorte ele não me viu, então, liguei a empilhadeira e coloquei a velocidade no máximo e soltei a caixa em cima dele. Ele foi esmagado e não tentou lutar, o que achei muito bom. Corri e peguei a metralhadora dele, estava com bastante munição e dava para usar por um bom tempo. – Estão bem? — perguntei enquanto os dois vinham até mim.– Valeu por isso, mas eu dava conta. — Canni disse. Eu apenas ri.– Por nada, carinha. – Isso foi demais. — Everthon sorriu.Saímos do galpão e nos encontramos com Giovanna que estava lendo um painel de avisos.– Estão bem? Eu ouvi tiros mas não sabia o que estava acontecendo. — Giovanna disse aflita.– Estamos sim. Vem, vamos até lá em cima. — segurei a mão de Giovanna enquanto saímos todos em direção ao topo da indústria. ***25 MINUTOS ATRÁS.*** Adentramos no corredor principal da empresa, haviam alguns elevadores e sofás espalhados por lá. Uma porta de vidro no final do corredor tinha o triângulo da empresa desenhado, e alguns quadros antigos no alto das paredes. – Estou com um mau pressentimento. — Giovanna segurou a minha mão. Passamos pela porta de vidro e chegamos até uma outra sala pequena com sofás e uma fonte de bolhas. Haviam dois corredores: um que seguia direito para a escuridão e outro que ficava à nossa esquerda. No momento em que eu ia em direção ao corredor da frente, ouvi algumas vozes e avistei luzes vindas do corredor da esquerda. – Corram. — eu sussurrei.Porém, era tarde demais, dois caras apareceram. Um com metralhadora e outro com revólver, mas conseguimos fugir pelo outro corredor e subimos as escadas até o terceiro andar. Corríamos agora em zigue-zague pelos corredores da empresa, e eu não conseguia mais ver Canni nem Everthon.– Giovanna, corre! — gritei. Entramos na sala da recepção, os dois caras nos seguiram até lá e eu matei o primeiro com um tiro na cabeça, e o segundo com um chute na canela e dois tiros na cabeça. Voltamos até o corredor e sai correndo na frente.– Calma, preciso dizer algo. — Giovanna me fez parar e observá-la. ***25 MINUTOS DEPOIS*** Ventava demais ali em cima. Estávamos em cima do telhado agora e tínhamos uma visão ótima ali em cima. Consegui observar bem longe no horizonte, a cidade de São Paulo, havia muita fumaça saindo do topo do prédio mais alto da cidade. Cheguei até a beirada e observei o estacionamento lá de cima: e, por incrível que pareça, foi tomado por zumbis. Haviam no mínimo uns sessenta zumbis ali em baixo, aposto que foram atraídos pelos tiros que trocamos lá em baixo.
– Pessoal, tenho más notícias. — olhei para eles. — Há cerca de sessenta zumbis lá na entrada, devem ter diso atraídos pelos tiros. – Droga, droga. — Canni chutou uma caixa próxima e foi até a beirada observar. — Estamos cercados, não há saída. Giovanna caminhou até a beirada dos fundos do telhado e ficou de joelhos. – Não há saídas de emergência? Que tipo de empresa gigantecas é essa? — perguntou Everthon.Observei a imensa chaminé que jorrava fumaça preta. De onde aquela fumaça toda estava vindo? – Pessoal? Nossa... Vejam isso aqui. — Giovanna nos chamou.Caminhamos até ela e olhamos o horizonte.– Pois é... — ela disse boquiabertaHavia uma malha ferroviária giganteca nos fundos da empresa. Mas é claro! A maioria dessas empresas grandes tinham transportes ferroviários. – Deveríamos? Aqui não é muito seguro assim. É grande, não conseguíriamos barricar tudo e temos aqueles zumbis tentando entrar. — Giovanna entristeceu.– Vamos passar essa noite aqui, que tal? — perguntei. — Vamos nos isolar em algum lugar lá em baixo e fazer turnos de vigia, amanhã damos um jeito de fugir pelos trens.– Sou bom em mecânica, qualquer coisa. — Everthon observava o horizonte. — O trem que pegarmos, nos levará para aonde? – Não sei, mas espero que para bem longe. ****Descemos até o pequeno refeitório no terceiro andar, no qual tinha vista para os trens.– Eu ficarei de vigia por umas horas, depois acordo você Everthon e você fica, pode ser? — perguntei enquanto empurrava uma máquina de refrigerantes para a porta. – Eu ficarei de vigia por umas horas. — Canni disse com firmeza.– Não, não precisa, cara. — rebati.Ele me encarou.– Eu disse que fico, algum problema?– Ok, hã... Então, me acorde quando estiver cansado e eu ficarei o resto do turno.– É, pode ser. – Posso ficar no turno também, se precisarem. — Everthon se ofereceu.– Não é preciso. — respondi. — Me dá uma mãozinha aqui com esta máquina?– Ah, claro. — ele me ajudou a empurrar a máquina até a porta. — Valeu! Giovanna foi até uns sacos de dormir que estavam no chão.– Pelo menos temos lugares para dormir. — ela disse aliviada. — Temos um pouco de comida também. — ela se ajoelhou em frente a uma pequena fogueira que ali estava instalada e observou o que estava assando.– Você poderia cuidar da comida? Se quiser, claro... Estou com fome. — passei a mão na barriga.– Claro, besta. — ela sorriu.Canni sacou a machadinha e sentou numa cadeira com vista para os trens. Everthon começou a conversar com Canni e eu fui falar com Giovanna. – Como vai ai o lanche?– Bem. — ela respondeu. — Eu acho.– Entendi... Não está cansada? – Não. Na verdade, estou um pouco mas posso aguentar. – Vá dormir, eu termino. – Não precisa gato, vou daqui a pouquinho. — ela sorriu. Fui até Canni e Everthon que estavam falando sobre zumbis. – Eaí, como estão? – Estou legal. — disse Canni que observava o sol se pôr.– Estou bem, eu acho... — Everthon disse. – Cara, o frio está chegando. E vocês sabem como é, né? O frio sempre vem com força. Precisamos de agasalhos e tudo mais. – O trem que pegaremos amanhã deve passar em alguma cidade, vamos ver isso quando chegarmos lá. — Canni respondeu.– É, pode ser. — eu disse.– Rapazes, comida! — chamou Giovanna. Comemos todos juntos ali, em cima dos nossos sacos de dormir. Conversamos bastante e trocamos ideias. Falamos sobre o inverno que viria, e como faríamos para sobreviver. Rimos um pouco para descontrair, e estávamos precisando mesmo. Ultimamente nós estávamos sérios demais, e com motivos, claro. Giovanna foi deitar em um saco e Everthon em outro, Canni ficou de vigia e eu apenas sentei no meu saco e fiquei observando a Lua lá fora. Não queria dormir, a gente estava vivendo um pesadelo na vida real e se eu dormisse, teria pesadelos em outro mundo.
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