– Giovanna, corre! — gritei enquanto corríamos pelos corredores da empresa. — Não pare!

Corremos até o final do corredor e entramos à direita, passamos por duas portas de vidro com o símbolo da empresa e chegamos até uma sala de recepção.

– Cadê o Everthon? Canni? — perguntei.

– Não sei, perdi eles de vista faz um tempo. — respondeu Giovanna ofegante.

– Droga! Precisamos achá-los rápido.

– Onde estamos?

– Uma das salas de recepção.

Fui até um mapa do andar na parede observei: "VOCÊ ESTÁ AQUI — 3º ANDAR" e uma seta vermelha apontando para um sala no meio do mapa, é onde estamos. Observei o resto do andar, havia algumas sala menores, um refeitório e banheiros. Ouvi vozes na escada e então saquei o revólver e mirei na porta. Vi pelo vidro da porta um cara com um rifle se aproximando até a sala.

– Xiu, eles ainda podem estar aq... — antes que ele terminasse a sua frase, atirei na cabeça dele e ele caiu para trás. O segundo atirou em minha direção mas o tiro acertou em uma das poucas luzes acesas na sala, e tudo ficou escuro.

– Hum, alguém precisa de mais aulas de tiro. — fiz chantagem enquanto me escondia atrás do balcão da recepção junto com Giovanna.

– CALE A DROGA DA BOCA INÚTIL! — o cara gritou.

– Uou uou amigo, cuidado com as palavras parceiro. — eu ri. — Quer saber? Cansei.

– Já? Mas só estou começando. — o cara disse no meio da escuridão.

Sai de fininho e me escondi atrás das cadeiras da recepção. Ele veio em minha direção, mas não havia me visto ali. Quando ele passou ao meu lado, chutei a canela dele, ele perdeu o equilíbrio e cedeu. Apoiei o joelho no pescoço dele e o deixei sem fôlego, saquei o revólver e dei dois tiros na cabeça dele. Consegui ficar em pé e fui até Giovanna.

– Você está bem? — a encarei.

Ela suspirou.

– Acho que sim.

– Precisamos ir atrás dos outros, vem. — ajudei ela a levantar e voltamos ao corredor. Tomamos as escadas e descemos até o nível térro: o nível de cargas e descargas. Ouvi três tiros vindos do galpão 1, e corremos até lá.

– Fiquei aqui, e não saia daqui, eu volto logo. — beijei Giovanna e entrei no galpão por uma porta dupla azul.

Me abaixei atrás de uma caixa e observei o que estava havendo: Canni e Everthon estavam escondidos atrás de duas caixas empilhadas enquanto trocavam tiros com um cara. O cara usava jeans e uma camiseta preta com mangas rasgadas, ele fumava. Observei ao meu redor: tinha que ter um jeito de acabar com ele sem que ele me avistasse. Observei que ao lado do bandido havia uma empilhadeira pequena e então sussurrei:

– Supimpa!

Andei me arrastando até a empilhadeira que tinha sua garra erguida com uma caixa em cima. Torci para que houvesse algo pesado dentro daquela caixa e que o matasse instantaneamente. Subi na empilhadeira e por sorte ele não me viu, então, liguei a empilhadeira e coloquei a velocidade no máximo e soltei a caixa em cima dele. Ele foi esmagado e não tentou lutar, o que achei muito bom. Corri e peguei a metralhadora dele, estava com bastante munição e dava para usar por um bom tempo.

– Estão bem? — perguntei enquanto os dois vinham até mim.

– Valeu por isso, mas eu dava conta. — Canni disse.

Eu apenas ri.

– Por nada, carinha.

– Isso foi demais. — Everthon sorriu.

Saímos do galpão e nos encontramos com Giovanna que estava lendo um painel de avisos.

– Estão bem? Eu ouvi tiros mas não sabia o que estava acontecendo. — Giovanna disse aflita.

– Estamos sim. Vem, vamos até lá em cima. — segurei a mão de Giovanna enquanto saímos todos em direção ao topo da indústria.

***25 MINUTOS ATRÁS.***

Adentramos no corredor principal da empresa, haviam alguns elevadores e sofás espalhados por lá. Uma porta de vidro no final do corredor tinha o triângulo da empresa desenhado, e alguns quadros antigos no alto das paredes.

– Estou com um mau pressentimento. — Giovanna segurou a minha mão.

Passamos pela porta de vidro e chegamos até uma outra sala pequena com sofás e uma fonte de bolhas. Haviam dois corredores: um que seguia direito para a escuridão e outro que ficava à nossa esquerda. No momento em que eu ia em direção ao corredor da frente, ouvi algumas vozes e avistei luzes vindas do corredor da esquerda.

– Corram. — eu sussurrei.

Porém, era tarde demais, dois caras apareceram. Um com metralhadora e outro com revólver, mas conseguimos fugir pelo outro corredor e subimos as escadas até o terceiro andar. Corríamos agora em zigue-zague pelos corredores da empresa, e eu não conseguia mais ver Canni nem Everthon.

– Giovanna, corre! — gritei.

Entramos na sala da recepção, os dois caras nos seguiram até lá e eu matei o primeiro com um tiro na cabeça, e o segundo com um chute na canela e dois tiros na cabeça. Voltamos até o corredor e sai correndo na frente.

– Calma, preciso dizer algo. — Giovanna me fez parar e observá-la.

***25 MINUTOS DEPOIS***

Ventava demais ali em cima. Estávamos em cima do telhado agora e tínhamos uma visão ótima ali em cima. Consegui observar bem longe no horizonte, a cidade de São Paulo, havia muita fumaça saindo do topo do prédio mais alto da cidade. Cheguei até a beirada e observei o estacionamento lá de cima: e, por incrível que pareça, foi tomado por zumbis. Haviam no mínimo uns sessenta zumbis ali em baixo, aposto que foram atraídos pelos tiros que trocamos lá em baixo.

– Pessoal, tenho más notícias. — olhei para eles. — Há cerca de sessenta zumbis lá na entrada, devem ter diso atraídos pelos tiros.

– Droga, droga. — Canni chutou uma caixa próxima e foi até a beirada observar. — Estamos cercados, não há saída.

Giovanna caminhou até a beirada dos fundos do telhado e ficou de joelhos.

– Não há saídas de emergência? Que tipo de empresa gigantecas é essa? — perguntou Everthon.

Observei a imensa chaminé que jorrava fumaça preta. De onde aquela fumaça toda estava vindo?

– Pessoal? Nossa... Vejam isso aqui. — Giovanna nos chamou.

Caminhamos até ela e olhamos o horizonte.

– Pois é... — ela disse boquiaberta

Havia uma malha ferroviária giganteca nos fundos da empresa. Mas é claro! A maioria dessas empresas grandes tinham transportes ferroviários.

– Deveríamos? Aqui não é muito seguro assim. É grande, não conseguíriamos barricar tudo e temos aqueles zumbis tentando entrar. — Giovanna entristeceu.

– Vamos passar essa noite aqui, que tal? — perguntei. — Vamos nos isolar em algum lugar lá em baixo e fazer turnos de vigia, amanhã damos um jeito de fugir pelos trens.

– Sou bom em mecânica, qualquer coisa. — Everthon observava o horizonte. — O trem que pegarmos, nos levará para aonde?

– Não sei, mas espero que para bem longe.

****

Descemos até o pequeno refeitório no terceiro andar, no qual tinha vista para os trens.

– Eu ficarei de vigia por umas horas, depois acordo você Everthon e você fica, pode ser? — perguntei enquanto empurrava uma máquina de refrigerantes para a porta.

– Eu ficarei de vigia por umas horas. — Canni disse com firmeza.

– Não, não precisa, cara. — rebati.

Ele me encarou.

– Eu disse que fico, algum problema?

– Ok, hã... Então, me acorde quando estiver cansado e eu ficarei o resto do turno.

– É, pode ser.

– Posso ficar no turno também, se precisarem. — Everthon se ofereceu.

– Não é preciso. — respondi. — Me dá uma mãozinha aqui com esta máquina?

– Ah, claro. — ele me ajudou a empurrar a máquina até a porta. — Valeu!

Giovanna foi até uns sacos de dormir que estavam no chão.

– Pelo menos temos lugares para dormir. — ela disse aliviada. — Temos um pouco de comida também. — ela se ajoelhou em frente a uma pequena fogueira que ali estava instalada e observou o que estava assando.

– Você poderia cuidar da comida? Se quiser, claro... Estou com fome. — passei a mão na barriga.

– Claro, besta. — ela sorriu.

Canni sacou a machadinha e sentou numa cadeira com vista para os trens. Everthon começou a conversar com Canni e eu fui falar com Giovanna.

– Como vai ai o lanche?

– Bem. — ela respondeu. — Eu acho.

– Entendi... Não está cansada?

– Não. Na verdade, estou um pouco mas posso aguentar.

– Vá dormir, eu termino.

– Não precisa gato, vou daqui a pouquinho. — ela sorriu.

Fui até Canni e Everthon que estavam falando sobre zumbis.

– Eaí, como estão?

– Estou legal. — disse Canni que observava o sol se pôr.

– Estou bem, eu acho... — Everthon disse.

– Cara, o frio está chegando. E vocês sabem como é, né? O frio sempre vem com força. Precisamos de agasalhos e tudo mais.

– O trem que pegaremos amanhã deve passar em alguma cidade, vamos ver isso quando chegarmos lá. — Canni respondeu.

– É, pode ser. — eu disse.

– Rapazes, comida! — chamou Giovanna.

Comemos todos juntos ali, em cima dos nossos sacos de dormir. Conversamos bastante e trocamos ideias. Falamos sobre o inverno que viria, e como faríamos para sobreviver. Rimos um pouco para descontrair, e estávamos precisando mesmo. Ultimamente nós estávamos sérios demais, e com motivos, claro. Giovanna foi deitar em um saco e Everthon em outro, Canni ficou de vigia e eu apenas sentei no meu saco e fiquei observando a Lua lá fora. Não queria dormir, a gente estava vivendo um pesadelo na vida real e se eu dormisse, teria pesadelos em outro mundo.