Diário de Sobrevivência
17 Diário 5 - Jimmy
– Acorda desgraça. — Canni me empurrava com o pé enquanto colocava a machadinha nas costas. — Temos mais o que fazer.
Dei um pulo e fiquei em pé.– Estamos bem? – Sim, por enquanto. — Canni observava o horizonte. O sol estava começando a raiar na janela agora, presumo que seja umas seis e meia da manhã. — O clima mudou. Está mais frio.Fui até a minha mochila que estava em cima do balcão e tirei minha blusa de frio e a coloquei, uma jaqueta azul escura com mangas cinzas compridas e a letra na "B" no peito direito. Everthon estava acordado e usava roupas de frio também. Caminhei até Giovanna e a acordei, ela ficou confusa por alguns segundos e então, sorriu ao me ver.– Bom dia. — ela disse.– Ei, dormiu bem? — perguntei. – Sim, eu acho.Ela levantou-se e guardou os sacos de dormir na minha mochila.– Está frio lá fora, se aqueça. — avisei e dei a ela uma moletom cinza de capuz minha, que eu tinha na mochila. — Vista isso. – Obrigada. — ela agradeceu e colocou o moletom.– Ei, vejam isso. — Canni nos chamou até a janela. — Parece que eles desistiram de tentar entrar, ou coisa do tipo. Agora passaram pelos trilhos e estão cruzando o rio através daquela ponte férrea. Aonde estão indo?– Não sei, mas espero que não nos vejam saindo. — Everthon disse.Everthon e eu empurramos a máquina de refrigerante da porta e chamamos os outros: saimos até o corredor e seguimos silenciosamente até a escada mais próxima. Havia um zumbi no piso inferior da escada, Giovanna atirou na cabeça dele com o arco, que morreu instantaneamente. Ela pegou a sua flecha de volta e a guardou.– Vamos sair pelos fundos. — ela sussurrou quando chegamos ao primeiro subsolo. – Certo, assim já estaremos na malha ferroviária. — sussurrei de volta. Saimos das escadas e adentramos em um corredor escuro, haviam muitas caixas no caminho e luzes vermelhas piscavam no final do corredor. Fomos até o final do corredor e abri uma porta dupla cinza para os outros passarem, nesse momento uns cinco zumbis sairam da área da escada também e correram em nossa direção. Entrei e coloquei uma vassoura no trinco da porta para que eles não entrassem, eles ficaram batendo na porta e gritando loucamente. – Certo. — eu disse enquanto observava o galpão. O teto era muito alto e as janelas eram apenas no alto, haviam containers para todos os lados, inclusive, em cima de um trem de cargas que estava estacionado ali dentro. Uma escada levava até algumas passarelas no andar superior e havia uma sala de câmera lá. O trem era extenso e a sua frente ficava lá fora, resolvemos subir em uma parte do trem de cargas que não haviam containers e saimos do galpão. A parte da frente terminava numa plataforma fechada com uma sala de controle, alguns bancos e máquinas de refrigerantes. Descemos do trem e continuamos seguindo a linha férra até chegar no pátio de trens a céu aberto.– Eai, o que faremos? — perguntei.Canni se aproximou dos trens. – Esse parece funcionar. Jimmy, vá até a sala de controles e veja se esse trem está na linha certa. Há apenas uma saída certa, então, verifique se outro trem não está no caminho. – Sim. — corri até a plataforma enquanto os outros subiam em um container vermelho que estava aberto na parte da frente do trem. Entrei na sala escura e fui até o painel digital na parede: haviam as linhas desenhadas em branco, e os trens em vermelho e amarelo. O trem que eles subiram estava na linha A3, e o trem da linha A1 estava com a chave virada para a saída. Então, eu tinha que mudar lá na linha, o curso do nosso trem para a saída. Me virei para sair da sala no momento em que esbarrei com um zumbi, ele caiu em cima de mim e o empurrei com as mãos para que ele não me pegasse. O segurei com uma mão e com a outra saquei o revólver e atirei na cabeça dele, respirei fundo e o tirei de cima de mim. Sai da sala de controles e fui em direção à chave da linha, Canni havia ligado o trem e ele estava começando a se movimentar.– Então? — perguntou ele.– Vou ir até a chave e mudar o curso para a saída, já volto. — respondi.– Você está bem?– Acho que sim, um zumbi tentou me atacar lá na sala. Mas consegui o matar, relaxa. — eu disse ofegante enquanto corria até a chave da linha.Cheguei na chave da linha e observei a tela, estava escrito "A1" e haviam duas alavancas: a primeira estava levantada e a segunda abaixada. Abaixei a primeira e levantei a segunda, e então, a tela estava mostrando "A3". O trem passou por mim, pulei dentro do container e fiz sinal de "joinha" com o dedo para Canni. Sentei no chão e observei os outros trens.– Nossa, fui atacado lá trás. — eu disse. — Mas estou bem, ele não me mordeu. Giovanna veio até mim e me examinou, estava nervosa.– Hum, você o matou?– Sim, ele morreu. – Isso explica o tiro que ouvimos. — disse Everthon que estava sentando num fardo de feno. — vou lá para frente, ok?– Vai lá. — respondi enquanto sentava na borda do trem com as pernas para fora.
Everthon saiu do container e foi até a cabine, onde Canni estava. Giovanna se aproximou ao meu lado e sentou-se. Neste momento, o trem estava passando sob o rio e podíamos ver o sol daqui. – Você sente falta dele, né? — ela perguntou.– O que? — perguntei confuso. – Willian, besta. – Ah... Sim, claro. Bastante, ele era retardado mas era meu melhor amigo, cara.– Sei como é. — ela passou o braço por trás de mim. — Vai ficar tudo bem, eu acho. — ela me beijou. Ela deitou no meu colo e ficamos observando a paisagem: árvores, verde, algumas estradas e casas passavam. Ela acabou adormecendo então a deitei mais para dentro por precaução e voltei a observar a paisagem. *** Estávamos no meio de uma floretsa agora. Senti o trem reduzir a velocidade e dei uma olhada no porquê, observei que havia um carro na linha e uma pessoa ensaguentada na linha.– O que houve? — Giovanna acordou.– Já vamos descobrir. Descemos do trem e encontramos Everthon e Canni próximos ao corpo no trilho. – Quem é você? — perguntou Canni para a mulher que chorava.– Oi, vocês podem me ajudar? Me chamo Júlia, um infectado me atacou quando parei o carro para ver se o trem estava vindo. — ela tossiu.– Está sozinha? Cadê seu grupo? — perguntei.– Estou sozinha, não moro muito longe. Me ajudem , por favor!Eu, Giovanna e Everthon caminhamos em direção a uma placa grande e alta que informava "BROOKSVILLE 12KM", Canni ficou conversando com ela por uns minutos.– Deveríamos confiar nela? — perguntou Everthon.– Não. — Giovanna disse firme — Não mesmo. – Não vamos, vamos falar para o Canni tirá-la do caminho e voltaremos ao trem, ok? — perguntei.Eles assentiram.– Canni, seguinte... — no momento em que eu ia avisá-lo, um cara negro que usava capuz levantou do outro lado do carro e sacou um revólver preto, deu dois tiros que por sorte, não acertaram Canni.– CANNI, CUIDADO! — Everthon gritou.Canni se jogou no chão e tirou a 12 que levava nas costas, e deu dois tiros no homem que morreu na hora. Ele virou para nós. – Estão bem?– CANNI, ATRÁS! — gritei. Antes que Canni pudesse ver o que estava acontecendo, um outro cara moreno com capuz preto apareceu e deu uma coronhada na cabeça de Canni com um fuzil militar, que desmaiou. Olhei para trás assim que ouvi Giovanna gritar, e levei uma coronhada na testa. Apaguei na mesma hora, também. *** Eu não conseguia enxargar direito. Abri os olhos e percebi que eu e Canni, que estava desmaiado e com as mãos amarradas, estávamos sentandos no banco de trás de um carro. Estávamos com fita na boca. Na frente, o cara moreno dirigia e um outro careca ia ao lado. – Puta merda, eles mataram o Kenny! — o motorista parecia nervoso.– Calma Jeremy, daremos um jeito neles. Não acredito que eles não tinham nada no trem, nem um tábaco! – Que tábaco o que! Precisamos de remédios e munição para ontem! Giovana não estava conosco, nem Everthon. Abaixei a cabeça e fingi que ainda estava desmaiado. Minha cabeça latejava demais agora.– O chefe fará o que com eles? — perguntou o careca.– Pouco me importo, só quero a minha parte. — Jeremy disse.Chegamos até um prédio cinza de dois andares, eles estacionaram o carro na frente. Fechei os olhos e eles colocaram uma touca na minha cabeça. Me colocaram no colo e levaram para dentro do prédio. – Argh! — gritou Jeremy que me carregava.Tiraram a minha touca e me puseram numa cadeira de madeira.– Deixe-os aí, Gomes saberá o que fazer. — Jeremy disse. Os dois sairam e fecharam a porta, abri os olhos e olhei ao redor: estávamos numa espécie de laboratório com espelhos e balcões brancos. Havia sangue na pia e perto da porta. Minhas mãos estavam amarradas, abaixe-as até o bolso e me esforcei para pegar uma faquinha que estava comigo. Girei a faca na mão e cortei as cordas devagar até elas caírem, tirei a fita da boca e cortei as cordas do pé. – Canni! — sussurrei. — Acorda! Fui até Canni e cortei a mordaça e as cordas dele. Ele continuava desmaiado. – Acorda, porra. — chamei.Dei um tapa na cara dele, e ele deu um pulo. – Onde estamos, o que?– Xiu! — segurei-o. — Nos pegaram, estamos em algum lugar fora do mapa.– Esses filhos da.... Cadê os outros?– Não sei, não vieram conosco no carro. Canni passou a mão no braço, no local que estava a corda.– Droga, minhas armas! Vamos sair daqui. — ele ficou furioso.Me aproximei da janela e olhei através da cortina: Everthon estava deitado no chão lá fora, próximo a estrada enquanto era chutado por dois homens que também usavam preto. Eles riam e continuavam a chutá-lo. – Eu vou acabar com esses filhos da puta! — Canni disse vendo aquilo.– Quer ajuda? — perguntei.
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