Depois da escola eu e mais algumas pessoas fomos para uma lanchonete; eu me sentia completamente um peixe fora d'água.
Eu tentava me entrosar com eles, mas não era uma missão muito fácil; nós conversamos – Nos não na verdade eles – de vários assunto. Eu ficava apenas no meu canto ouvindo e sorrindo.

— Ontem eu ouvi um uivo de lobo – Disse uma menina morena dos cabelos cacheados.

— Deveria ser um cachorro amor – disse ele Taylor.

Eu continuei a encarar meu lanche que já havia comido a metade dele.

— Talvez seja alguma matilha de lobos migrando pela fronteira – disse bem baixinho ainda olhando meu lanche. Posso ter certeza que agora todos estavam olhando para mim.

— E quem é você? – Perguntou a menina.

— O nome dela é Ewellin... – respondeu Taylor e todos olharam para ele – Ela faz aula de história de comigo...

— De onde você vem? – Perguntou a menina.

— Arizona – respondi sem graça.

— Por que você acha isso Lin? – Perguntou Angelina.

Então levantei meu olhar e encarei a plateia me olhando.

— Faz 60 anos que não tem lobos na Califórnia..., mas muitos lobos migram de outros estados atrás de alimentos, moradias ou porque tem memórias de seu passado... – Respondi e já fui interrompida por um menino que estava sentando ao meu lado, se não me engano o nome dele era Dylan.

— Lobos tem memórias?

— Claro que tem... as vezes uma lembrança forte o suficiente pode trazê– lo de volta..., mas com o aumento da caça de lobos, eles acabaram indo para um estado mais longe dos humanos...

Agora todos me achariam a estranha do ano. Porém estavam me olhando com atenção como se fosse uma professora explicando algo que a classe toda não entendeu... Sempre me dei com Biologia e assistia aqueles canais fechados de documentários no estilo Discovery e NAT GEO. Então acabei pegando conhecimento sobre esses assuntos de matéria de escola que tenho certeza que nenhum adolescente da minha idade se interessaria.

— OK então... Bióloga – Disse Yanca todos riram de mim, me deixando mais constrangida ainda...

E todos voltaram ao assunto do uivo como se eu nunca tivesse mencionado isso...
Às vezes Yanca me mandava indiretas pra mim e aquilo me deixava mais irritada ainda. Meu coração vacilava, batendo forte entre minha cavidade peitoral. Parecia que estava fazendo uma escola de samba do Rio de Janeiro. Senti alguém tocar minha mão por baixo da mesa e então olhei para a pessoa era Taylor com seus olhos castanhos me examinando com atenção. Sorri para ele e Taylor sorriu de volta para mim. Mas claro que foi quebrado com Yanca me zoando mais uma vez...

— Me fale um pouco de você nerdzinha, talvez você tenha outra teoria patética...

— Yanca... – Disse Taylor fechando a cara.

— Não tudo bem eu respondo... – Falei encarando Yanca – Na verdade eu tenho uma teoria tão patética que todos dessa mesa vão dar risada... ou não – sorri de lado – Bom eu sou uma pessoa que se interessa por coisas, que são úteis. Que talvez me ajude em uma prova escolar... Ao invés de você, que talvez goste de comentar sobre a roupa da chefe de líder de torcida, a cor do cabelo da Angel, o jeito que novata se veste... Que são coisas fúteis, namorar o capitão do time da escola... Ou comprar uma revista teen e torcer pra que o status de relacionamento do Justin Bieber esteja solteiro... – Segurei um pouco o riso – E sonhar que um dia, você possa estar ao lado dele como namorada e ganhar mais seguidores no instagram... Ter vários acesos a entrada VIP em uma festa e fazer várias outras coisas que soam tão pateticamente inútil... E o que você vai ser chamada pelas pessoa de interessa, chupa fama, vadia... Isso seria nada legal para uma menina de 17 anos...

Por incrível que parecesse a Yanca não falou mais nada, simplesmente calou a boca.

– Você poderia passar o ano sem essa – Disse Rafael rindo.

Eu deveria estar enlouquecendo, mas eu jurava que ouvia murmúrios em minha mente. Chamando meu nome, ou as vezes gritos, olhei em volta e vi que todos estavam rindo, bagunçando menos a Yanca que me encarava com a cara fechada. Olhei para o Rafael e vi ele fazendo lutinha com as facas junto com Harry se não me engano, eu já estava vendo a hora dele se cortar com aquela faca.

– Meninos cuidado para não se cortar – Disse parecendo uma mãe.

– Ai meu Deus estou vendo alguém ficar sem dedo – Riu Angel me fazendo rir junto.

A conversa estava rendendo mais do que devia, eu já me sentia uma adolescente normal. Rindo, conhecendo pessoas novas... Yanca anuncia que iria comprar alguma coisa para beber e só suas duas amigas se levantaram e foram junto com ela.

– Então Ewellin – Disse Taylor – Me fala um pouco de você?

– O que você quer saber? – Olhei em seus olhos sorrindo.

– Por que se mudou para cá? – Perguntou.

— Boa pergunta – falei olhando para ele e tentando achar uma resposta para sua pergunta – Eu realmente não se...

De repente um líquido gelado cair sobre mim, eu me assustei e olhei para minha camiseta azul que estava toda suja de algo vermelho.

— Ai meu Deus me desculpa Ewellin... – disse Yanca.

Eu me mantive parada, sentindo minha cabeça girar, segurei o copo de refrigerante com a minha mão tremula. E alguém tocar em meu ombro...

-Lin você está bem? – perguntou Angel, eu acho – Você fez isso de proposito não foi...a visão

— Não claro que não – ouvi Yanca responder.

Me levantei irritada, sentindo algo diferente. Não sei o que realmente era, mas sabia que não conseguia me acalmar ou menos controlar, minha visão ficou vermelha, eu via vultos passando por toda porta e as vozes gritavam em minha mente.

-Ewellin se acalma – disse alguém que não conseguia identificar a voz.

Sai de perto dessa pessoa cambaleando até a saída da lanchonete, eu não sabia o que estava vendo havia uma luz forte em meu rosto que não conseguia me fazer enxergar direito.

-Ewellin – sinto alguém me segurando pelos meus braços.

-Me deixa em paz... – falo assustada.

-Calma Ewellin sou o Rafa...

Eu não ouvia mais nada, não via mais nada.... Eu simplesmente perdi a consciência.

Ewellin... Ewellin... Ewellin...

Acordei em um lugar completamente escuro, eu só ouvia a voz de fundo me chamando.

-Quem está aí? – perguntei apertando os olhos para ver se conseguia enxergar alguma coisa, e fui dando passos para atrás.

— Morte.... Venha para morte.... Venha....

Senti sendo obrigada andar para a frente, meu corpo começou a criar vida própria literalmente e fui caminhando no meio da escuridão indo até a porta vermelha, quando eu abri a mesma. Veio várias imagens em minha mente, de pessoas morrendo, sangue, gritos, grunhido. Era algo assustador...

Acordo me sentando na cama, olho em volta e vejo que estou em meu quarto. Respiro aliviada, me deito novamente e olho para o relógio era 06:30 AM.

Então em pulo me levanto, pois quando sai da escola era três da tarde; depois sai da lanchonete era cinco alguma coisa... – OK Ewellin não pira que é pior – arrumei meu cabelo em um coque e desci para a sala e vejo Rafael e Angel dormindo no sofá e o Taylor encolhido na poltrona.

-Galera – chamei eles. Então um por um foram abrindo os olhos então olharam para mim.

-Olha ela acordou – disse Rafael espreguiçando.

-Oi – sorri sem graça – Para que tanta gente?

— Queríamos certificar que você não daria outro surto e saísse como uma doida pela rua – disse Angel.

— Desculpa eu não sei por que fiz isso... foi tudo tão confuso – falo sentindo uma tontura me fazendo desequilibrar no último degrau. Taylor correu até em mim e pegou.

— Você está bem? – perguntou ele. Faço que sim com a cabeça – Talvez seja o susto que você tomou. – falou Taylor me levando até a poltrona, me sentei nela e sorri para ele e logo recebi um sorriso fofo dele de volta.

— Isso foi tão constrangedor – falo olhando para o chão.

— Foi só um susto, não precisa se preocupar – disse Taylor olhando para mim.

—Yanca assumiu logo depois que fez de propósito – disse Angel. – Por causa do fora que você deu nela.

— Mas ela que começou – falo olhando pra Angel.

—Ela precisava dessa verdade – disse Rafael – Mas agora que passou vamos dormir?

—Eu vou para minha casa – disse Taylor se esticando.

Olho para ele se levantando e a sua camiseta subindo com seu movimento; começando a aparecer o começo de seu abdômen.

—Ewellin – sinto alguém me cutucando – EWELLIN?!

—O que? – olho pra Angel.

—Nada só queria ver se você estava prestando atenção... – riu Angel

—E porque não estaria? – perguntei,

— Nada depois a gente conversa – disse ela dando uma piscadela pra mim.

—Aham... Sei... – ri baixinho.

Horas mais tarde eu estava sendo acordada novamente; então me arrumei e fui para a escola.... Desejando para que não aconteça nada de estranho de novo.

Mas quando cheguei na escola; todos alunos olharam diretamente para mim. Fazendo-me arrepiar toda.

-Por que eles estão olhando pra mim?

— Talvez porque você esteja bonita – disse Rafael. Então eu olhei para ele.

—Ou talvez do ataque que você teve ontem – disse Angel.

—Eu estou preste a ter um outro ataque se todos continuarem olhando para mim desse jeito. – falo sentindo meu coração espancar minha cavidade peitoral.

-O que vocês estão olhando nunca viram ela não?! – gritou Rafael – Por que não tira uma foto dela talvez dure mais...

—Isso mesmo.... Então vão cuidar da vida de vocês – gritou Angel me puxando para dentro da escola.

Eu passava pelas pessoas e sentia seus olhos curiosos atras de mim, aquilo não estava nada reconfortante.

-Olha, olha o que temos aqui... – disse Yanca – A bióloga transtornada...

— Hoje não Yanca... – falou Rafael.

—O que a doidinha tem para a gente? – disse Yanca tocando em meu braço...

Não sei o que realmente aconteceu; mas quando dei– me conta, eu estava com uma mão torcendo o braço dela e a outra segurando seu pescoço fazendo com que ela ficasse curvada para baixo.

-SOCORRO.... ALGUÉM TIRA ESSA LOUCA DE CIMA DE MIM – gritou Yanca.

Solto ela assustada e dou um passo para atrás; meu coração bate muito forte. Então minha visão fica vermelha, vejo vultos por toda parte e as vozes voltaram; saio correndo da escola sem ter consciência para onde estava indo...

Quando eu "acordo” vejo que estou no meio de uma clareira, deitada no gramado. Me levanto e tento me localizar onde estava pelo meu celular, mas o sinal não estava lá aquelas coisas..., mas me ajudou bastante então fui andando por uma trilha até chegar na cidade. Cheguei em casa não tinha ninguém graças a Deus e então tiro meu sapato que estava sujo de lama e vou direto para o meu quarto, quando chego lá pego meu diário em cima da escrivaninha e começo a escrever...

" Querido Diário...

Eu ainda não entendo o que está acontecendo comigo, tive outro ataque.... Mas pelo menos eu sei o que aconteceu, eu acho.... Mas pelo que eu me lembro estava aplicando algum golpe na Yanca.

Foi ela apenas me tocar e logo em seguida ela estava gritando por socorro. Depois começo a ver tudo vermelho e só lembro que acordo em uma clareira...

Agora eu estou aqui, no meu novo quarto sem saber que horas são e por que estou tendo esses ataques sem explicações... Só quero uma resposta para exatamente o que eu sou!"