Diário de Ammy

2 Nem sempre é apenas um sonho


E

ra exatamente 23 h e eu estava muito cansada, deitei para descansar um pouco, e acabei dormindo, quando a droga do telefone atrapalhou meu doce sono- deveria ter tirado da tomada – e foi quando eu atendi:

- Alô- falei com voz de sono quase dormindo sobre o telefone

- Alô, eu gostaria de falar com minha filha – era Freddie, conhecido como meu pai, só ele tinha uma filha aqui em casa, por que meu avô morreu.

- É ela

- Aqui é Freddie, seu Pai – desliguei na “cara” dele, mas pelo pouco que ouvi, não sei se eu não me lembrava da sua voz, ou ela havia mudado muito.

E o telefone toca novamente

- O quê que você quer?

- venha me visitar, já vai acabar suas férias e eu estou com muitas saudades de você

- Freddie, se você estivesse mesmo com saudades nunca teria nos abandonado, e nem se eu quisesse ir, amanhã é o meu primeiro dia de aula!

- Por favor, filha, foi preciso eu te deixar – correção, abandonar – veja bem, é só um dia de aula que você vai perder afinal você nem estuda tanto assim pra se preocupar excessivamente com suas aulas

- Você fala como se me conhecesse- murmurei

- Se você vier e eu nunca mais irei te incomodar.

- Por que iria? Você é tão bom em deixar de “incomodar”.

- Isso é um “sim”?

- Não falei essa palavra em momento algum

- amanhã de manhã você me liga dizendo se quer ou não vir, de qualquer forma me ligue!

- Ta bom Freddie, estou com sono demais pra perder meu tempo!

- Eu sou seu pai, ta?

- Não me diga... É mesmo? — falei com ironia

- Filha, por favor, venha, eu estarei bem aqui te esperando

- Ta bom Freddie, eu vou, mais é pela a única, e última vez, nunca mais me chame!

- Querida eu te amo, venha pra cá agora mesmo! — “Querida eu te amo”? Freddie nunca me chamou de querida, apesar de antigamente nos darmos muito bem.

- Sem ser meloso, por favor, Freddie.

- Claro mais você não sabe o quanto eu estou feliz

- Ta vai dormir, vai- eu ignorei a tamanha felicidade dele.

Não sei se foi coisa da minha cabeça, mas parece que Freddie não disse o meu nome por nem um segundo, deve ter sido...

Mas se eu não desligasse o telefone, ele nunca iria desligar então tive que desligar na cara dele de novo, peguei meu suéter branco – que eu ficava totalmente apagada nele devido minha cor extremamente branca- uma calça qualquer, e coloquei a minha pensão inteira no bolso, mas eu queria mesmo era vestir uma saia, mais estava frio demais para isso, e não é toda saia que tem bolsos. Deixei um recado, e colei na geladeira avisando aonde eu iria justamente para minha mãe ler, pois ela estava ocupada demais pra eu poder me despedir dela – desde que Freddie foi embora, ela trabalha feito louca, coitada para poder nos sustentar, mais o sustento que temos é de muita qualidade, não é querendo me gabar, mais eu acho minha casa linda, graças ao esforço da minha mãe, e a pensão farta do meu pai — ela é gerente de uma grande loja de música no centro de Washington D.C que funciona 24h, e na maioria das vezes ela fica com a parte noturna.

Então, eu fui para o Aeroporto na maior infelicidade do mundo, não queria ver meu pai, mais eu só vou, por que quero que ele se arrependa de ter nos abandonado.

O vôo foi tranqüilo, quando eu cheguei ao aeroporto de Nova York, e de cara eu vi um homem de calça marrom, a camisa branca, e o terno combinando com a calça, a barba mal feita- devia está com pressa demais para poder caprichar na barba, pelo que eu o conhecia, ele sempre fazia a barba com concentração, e ficava ótimo, apesar de não lembrar perfeitamente do rosto dele-, ele estava acenando pra mim, aquele deveria ser o Freddie – e pelo jeito ele estava cheio da grana, ele estava dentro de uma HILLUX 2009 novinha, mais saiu do carro ao me ver.

-Nossa Ammy, como você cresceu! – disse Freddie olhando para o meu cordão escrito meu nome, como se tivesse esquecido, lembrei do telefonema — Venha querida entre

Ele me chamou querida de novo? Por que ele está fazendo isso?

-Olá Freddie – dei um abraço totalmente seco nele, devolvendo o que ele me deu, cheio de entusiasmo.

- venha, entre – ele me convidou pra entrar no carro que ainda tinha cheiro de novo.

Ao sair do aeroporto conversávamos:

— Vai passar o verão aqui comigo?

— Pai, qual é o seu problema?- eu o chamei de pai ou foi impressão minha?- Você sempre disse que quem chama de “Verão” são apenas pessoas muito pobres, que dizem isso para se sentirem ricas, imitando filmes- eu o lembrei de sua própria teoria, apesar de não concordar com nada dessa tolice.

- Você não respondeu a minha pergunta: Vai passar as férias aqui comigo? – percebi a mudança de “Verão” para “férias”

- Por acaso você perdeu a sua memória? Eu não falei ao telefone que amanhã começa minhas aulas?

- Andry eu não perdi a memória, apenas me esqueci disso, eu acho bom você me respeitar!

- Respeitar? Você está louco? – por mais que eu seja grossa muitas vezes com o verdadeiro Freddie, eu não tenho coragem de perguntar se ele está louco, eu só perguntei por que percebi que esse homem não é o Freddie, ele não é o meu Pai- E você esqueceu meu nome seu idiota? Ou você nunca soube?

- É eu acho que eu nunca soube

- Ta, eu já sei que você não é meu pai, mais afinal, quem é você?

- há, me desculpe à grosseria, prazer, eu sou Mike, sou seu seqüestrador, disfarçado de seu pai- ele começou a rir querendo me fazer medo, e eu odeio confessar, mas eu fiquei mesmo com medo, como eu fui seqüestrada tão fácil? Nossa como eu sou burra!

- Há, eu sou Andry, espere “Andry” não é o nome que você me colocou? – falei com ironia — Seu seqüestrador burro. — comecei a gritar – Já chega, ABRE LOGO ESSE CARRO, ABRE- o carro estava trancado, e foi insuportável ver Mike rindo do meu desespero.

- Claro que não- ele riu

- Mais como você sabia quem era eu?

- Eu só sabia que era super branca, tinha cabelos escuros e ondulados e também olhos claros, esqueci de perguntar seu nome... — ele falou cada característica como se estivesse tentando lembrar perfeitamente.

- Quem te contou isso? – deveria ter sido meu pai.

- Está perguntando demais mocinha.

Foi quando ele parou o carro, num lugar escuro e destrancou o carro para descer, e eu aproveitei a situação e sai correndo, quando Mike e mais três homens altos, fortes e bronzeados — ao contrário de Mike – se atrapalhavam para entrar na HILLUX 2009, e eu corri a uma lojinha por lá, mais não tão perto

- Aqui tem telefone? – Perguntei para a moça que estava na porta

- Tem sim quer usar? – não só quero ver se é bonito, é claro que eu quero usar!

- sim eu posso?

- Claro, Claro!

Polícia 190, este foi o número em que eu disquei:

- Oi, aqui é a Ammy eu... – comecei a falar tudo muito rápido

- Calma Ammy, respira, aqui é a tenente Stwart – ela se apresentou na maior calma do mundo como se eu não tivesse motivo para o desespero

— Tinha um homem falando que era meu pai – contei tudo a ela, tentando ser o mais breve possível, a lojinha não era tão perto, nem tão longe, os homens já deveriam está se aproximando, e enquanto eu contava as pessoas da loja se espantavam ao fim do “breve” telefonema. Eu dei o endereço a ela, que disse que já estava a caminho.

Mas ao olhar para traz percebi que minha companhia não estava sendo apenas os funcionários e clientes da lojinha, mas também os seqüestradores, eles já estavam a uns 5 metros de mim.

- Aqui, Aqui- Disse o lindo balconista (se eu não tivesse fugindo de seqüestradores, eu iria parar só pra olhá-lo pelo menos por uns 3 minutos), apontando para uma cortina que havia atrás do comércio, e quando eu atravessei, passei por uma porta que levava diretamente para outra rua, com praticamente nenhuma casa e sem asfalto, colocando a vista a terra e várias pedras, foi quando eu percebi que os três homens e o meu suposto pai, já estavam nessa rua- nossa como eles são rápidos.

- Pra onde ela foi? – disse o homem do meio

- Temos que encontrá-la, agente fala pro pai dela que só devolveremos com, a recompensa de um milhão, enfim, conseguiremos tirar dinheiro daquele velho rico – rico? Então Freddie é tão rico assim pra dar um milhão, POR MIM?

- Mais agente vai devolver a garota, ou agente mata?

- Não, Mata, ela só vai ser perca de tempo, e nos atrapalhar – me matar? Então não vai adiantar nada ficar fugindo, acho melhor eu me entregar e acabar logo com isso!

- Ta gente, eu já ouvi tudo, agora, acabem logo com isso e me peguem logo, matem logo... – eu falei me atirando na frente deles, mas eles parecem que eles são meio cegos, por que continuaram conversando como se eu não estivesse lá.

- Ta bom, precisamos de concentração para pegar a menina – Isso é uma brincadeira, por acaso é um “pega-pega”? Ou eles estão me ignorando? Eu odeio ser ignorada, até mesmo por seqüestradores.

- Mike, e se ela tiver herdado algo do pai? – disse o mais alto

- O quer dizer com “herdado”?

- Se ela tiver o poder do pai, de velocidade extrema?- eu ri

- Não é bem um “poder”, como nos desenhos animados, é mais pra um dom, August, e você pode ter razão, ela já deve está em outro lugar com o mesmo dom do pai. — Ele falou assustado.

- Ta, então vamos atrás dela- que Ótimo, mais um chance pra eu fugir

- Ainda bem que prendemos Freddie, e fizemo-lo falar tudo, senão nunca acharíamos a garota. — o quê? Então eles prenderam o meu pai, vão tirar dinheiro dele e ainda vão me matar?

- Cala boca ela pode está correndo como louca por aqui, e está nos escutando- correndo como louca eu não estou, mais escutando... Com certeza.

Nesse exato momento, eu, como sou tão idiota tropecei em uma pedra e esbarrei no “tal de August”.

- Mike, Willian, Charlie, esperem- August gritou- alguém tropeçou em mim, quem foi?

- Eu não fui- disse Willian

- Nem eu – concordou o Charlie

- Nem vem por culpa em mim que eu to do outro lado — Mike insistiu

- Ta ok gente, não foi vocês, então deve ter sido a garota – ops, ferrou

- Quem disse que Andry, deve ter o mesmo poder do Pai? – meu nome é Ammy, Mike – talvez ela esteja bem aqui, invisível – A não, velocidade extrema até que vai mais INVISÍVEL? Mas eu acho bom sair correndo.

De repente começou a chuviscar

- Ótimo, com a água poderemos ver a sombra dela

- Olha ela ali, corram – gritou Willian, apontando para mim

- Peguem um balde d’água, e joguem nela, depois prendam-na – ordenou Mike

E então, cada um pegou um balde e jogaram em cima de mim:

- AAAAAAAAAAAHH, socorro, me solta, me solta

- Acorda menina!!

Acordei toda molhada, eu estava no meu quarto, foi então que eu entendi, que isso tudo foi só um sonho eu só estava cansada demais, deitei e acordei só agora. Não ouve nenhum telefonema de Mike fingindo ser meu pai, nenhuma lojinha, nenhum balconista lindo, nenhuma menina Invisível, e ninguém prendeu o Freddie.

- Mãe pra quê me molhar?

- Ta louca, hoje é o primeiro dia de aula Ammy, levanta vai tomar banho e se arrumar.

- Banho? Você já acabou de dar um banho!

- Não enche, ta?

- Essa fala tinha que ser da filha!- murmurei

Hoje é o meu primeiro dia de Aula, em uma escola monótona, que já faz quatro anos que estudo em Archbishop Carroll High School – o nome é muito grande, prefiro chamar de Carroll High school-, e até hoje todos os anos foram a mesma coisa de sempre, então não tinha como meu dia ficar pior, mais se eu soubesse o que iria acontecer eu diria- Ah sim, tem como com certeza, meu dia ficar pior!

Notas finais
Gente, por favor, comentem *----*