Diário de Ammy
3 Pior impossível
Q
uando cheguei na escola, estava a mesma coisa dos outros 4 anos, quando Jane me encontrou no corredor:
- Oi Ammy- ela me deu um abraço – senti tanta saudade amiga
- Eu também Jane – menti devolvendo o abraço a ela
Enquanto eu arrumava minhas coisas no armário, andava pela escola,
Cumprimentava os amigos, em fim, o tempo todo tive que aturar, não aturar não é a palavra certa, tive que IGNORAR minha amiga Jane falando das emocionantes férias dela coitada, eu não ouvi nenhuma palavra do que ela disse, eu estava apenas pensando no meu sonho, muito esquisito, mas de repente alguém atrapalhou meu pensamento, alguém que me parecia comum demais:
- Jane!!
- Calma, agora é a parte mais emocionante...
- Não Jane, escuta!! – ela franziu o cenho
- Fala o que é tão importante pra você atrapalhar nossa conversa? – conversa? Pra mim só ela que estava falando o tempo todo!
- De onde agente conhece aquele garoto?
- Agente conhece? Como agente conhece se ele é novo aqui na escola?
- Não, agente pode ter conhecido, ou apenas ter visto ele, em algum lugar, numa festa, no Shopping, sei lá... – contestei
- Não Ammy, ele veio de Nova York
Nova York? Eu já estive lá, pelo menos no meu sonho, Meu Deus, como eu sou burra, é claro ele era o “lindo balconista” do meu sonho... Do meu “bendito” sonho, mais isso não é Possível, por que como eu dizia anteriormente, foi um sonho, apenas um sonho.
- Jane, essa noite eu tive um sonho muito, estranho, e aquele garoto estava nele.
- Por favor, Ammy, acha mesmo que vou acreditar que você sonhou com o garoto só por que se encantou com ele?- ela balançou a cabeça, e pelo que conheço Jane, ela estava dizendo através do gesto dela que eu estava mentindo, eu odeio quando ela faz isso.
- Você não estava no meu sonho pra falar se estou mentindo ou não – fui infantil- aliás, eu nem deveria ter te contado!!! –fui mais ainda.
- Eu participar do seu sonho é? – ela começou a gargalhar, zombando de mim, eu fiquei morrendo de raiva- de qualquer forma, conta o que você quiser, eu não vou te obrigar a contar nada, e nem vou te obrigar a ser minha amiga.
- Como se eu estivesse sendo sua amiga até agora por obrigação.
- Claro que não era por obrigação, você me ama querida, e tem medo de perder minha amizade.
- Ah é, que medinho de perder você, se toca garota, eu sempre senti pena de você, agora se não importa, quer dizer, importando ou não vou falar com o garoto do meu sonho.
Eu sai explodindo de ódio e fui falar com o balconista, que agora, ele estava rodeado de meninas.
- Oi, você é novo aqui na escola?
- Quê que você acha? Já tinha me visto aqui antes?- ele, e as meninas assanhadas riram
- Não aqui, mais acho que já te vi- fui educada, apesar dele não.
- Aonde, na sua favela? Sinto muito então, eu não freqüento esses lugares- riram mais ainda.
- Não queridinho, em Nova York!
- Eu também nunca morei na favela de lá... – fiquei com vergonha.
- Você não era balconista de uma lojinha de lá?- ele franziu a sobrancelha.
- Balconista? Você ta louca? Acha que sou pobre como você? — o que eu estava pensando sobre conhecer ele? Nossa como eu fui idiota em vir perguntar algo de um sonho infeliz pra esse garoto que se acha a última coca-cola do deserto.
Enquanto discutíamos, eu nem percebi, que a maioria da escola estava lá, me olhando, rindo de mim, nessa hora, eu queria estar no meu sonho, por que lá eu era invisível, queria viver em um mundo de ilusões, de fantasias, queria estar onde ninguém mais esteja eu queria estar sozinha, só não queria estar onde eu estou, por que cada minuto da minha vida são apenas minutos, por que cada dia da minha vida é apenas dia, por que cada frustração, vergonha, infelicidade, não são apenas frustração, vergonha e infelicidade, são coisas e situações, que quando eu mais quero que eles não durem, quando eu mais quero que passem totalmente acelerados, eles duram uma eternidade.
- Nossa cadê a favelada? – disse o “balconista”, e todos riram.
- Deve ter fugido de tanta vergonha- saído? Quando eu estava no auge da infelicidade, eles conseguem me deixar mais para cima ainda, eu estava bem ali, do lado deles, e eles me ignorando, assim como no meu sonho que não foge da minha cabeça.
Fui correndo para o meu armário, pois de qualquer forma, eu queria sair dali, peguei meu espelho, eu deveria estar vermelha de tanta vergonha e de raiva, mas quando eu me olhei...
- MEU DEUS, CADÊ EU? PRA ONDE EU FUI? EU ESTOU INVISÍVEL? – eu gritei mais minha suposição estava totalmente correta, sim, eu estava mesmo invisível, então ninguém me veria, ou ouviria.
Mas isso não pode ser verdade, ou deve ser outro sonho, mais não, eu estava inteiramente acordada, infelizmente, ou eu deveria dizer felizmente? Ah, sei lá, se isso é bom ou ruim, e agora... Como eu faço pra poder voltar ao normal? Será se vou ter que jogar água em mim pra poder ver minha sombra? Não, não iria adiantar nada! É melhor eu ir ao banheiro, pra poder descobrir isso, não quero que ninguém me veja tentando voltar ao normal- ah é, que bom, as pessoas não podem me ver, mais pra quando eu fosse voltar ao normal, às pessoas com certeza iriam achar estranho, eu aparecendo do nada.
Então, eu entrei no banheiro, que por sorte estava vazio, e fiquei tentando por força nos meus braços pra voltar ao normal – eu sei uma loucura – e além de loucura, tentativa fracassada, não consegui de nenhuma forma que eu tentei, e de repente a porta se abriu, e pulei longe, tinha levado um susto.
- Tentando voltar ao normal? – perguntou
- Quem é você, e como pode me ouvir? – perguntei, ignorando a pergunta óbvia dela.
Foi ai que a pessoa voltou à forma normal, ela me fez perceber que ela também era invisível, deixando de me tornar única.
- Prazer, eu sou Katye, e qual é mesmo a outra pergunta?
- Como pode me ouvir?- lembrei-a
- Ah sim, nós somos telu’s e podemos ouvir umas as outras – franzi o cenho
- Então eu sou uma Telu’s? O que significa?
- Não, “Telu’s” é Telu no plural, que é o que você é, uma Telu, e isso significa transparente, que é o mesmo que invisível originado da língua Malaio.
- Ah sim, mais existe mais de nós, quer dizer, da nossa espécie? – ela começou a rir.
- Mais é claro, você achou que era única?
- Na verdade sim, eu achei.
- Ta ok, agora vamos fazer você voltar ao normal, que eu quero te ver, e não só te ouvir- eu ri.
- Eu também quero me ver, vamos logo com isso – me entusiasmei.
- Primeiro você vai por toda a sua força concentrada na sua mente.
- Ta bom.
AARRGHHH
- Mais um pouco – ela fez uma careta, mais não tinha como ela ficar feia.
AAAAAARRRGHH
Quando me vi enfrente o espelho, me percebi piscando, do invisível para o normal, eu sabia que deveria me concentrar mais, só não sabia como.
- Ammy, o que você sentiu quando se transformou pela primeira vez?
Eu me lembrei dos meus pensamentos e os segui quando, me levaram a parte em que eu pensava “eu deveria estar vermelha de tanta vergonha e de raiva”.
- Vergonha e raiva!
- Então pense em algo que lhe traga esses sentimentos.
Tentei me lembrar algo que me trouxesse esses sentimentos como Katye havia me pedido, mais eu não queria me lembrar da situação que tive que enfrentar hoje, aqui na Carroll High School, mais eu queria enfrentar algo mais profundo, então me imaginei na situação mais intrigante da minha vida, e me encontrei aonde meu pai nos deixou, eu senti tanta raiva, tanto ódio naquele momento, queria me matar, queria matar todos que estavam a minha volta, queria gritar, chorar, bater em alguém, em algo, queria me expressar, encontrar maneiras das pessoas saber como eu me sinto, queria correr, queria rasgar minhas roupas, queria fazer qualquer coisa pra me livrar daquela raiva infernal, logo em seguida me lembrei da vergonha que era estar com meu Pai, eu não queria estar com ele, não só pela a raiva, o ódio... Mas eu não queria nem chegar perto dele, pela tamanha vergonha que eu sentia dele, eu não queria que ninguém soubesse que aquele homem era meu Pai.
- Ammy – Katye gritou – já está ótimo, parabéns, perfeito pra quem nunca tinha voltado para a forma humana.
- Obrigada – eu agradeci
Olhei-me no espelho, e já estava normal, quando eu e Katye percebemos que o sinal havia batido.
- Pra que sala você vai? – perguntei
- Trigonometria, e você?
Peguei meu horário, e conferi: (segunda-feira) Trigonometria.
- Trigonometria. – falei com felicidade.
- Ótimo – ela riu, e eu ri junto, sem saber o motivo da graça, e eu senti nossa amizade aproximando, apesar de não conhecê-la muito bem, ou melhor, apesar de acabar de conhecê-la.
Quando chegamos lá vimos a minha ami... Não, vimos a Jane na mesma sala, e eu fiquei com raiva por isso, e fiquei com mais raiva ainda quando ela olhou Katye de cima a baixo e pela a cara dela, ela deveria estar pensando “aonde Ammy achou essa garota só pra me fazer inveja?” – Jane achava que eu poderia até me matar, só pra ter a amizade dela, eu só não sabia de onde ela havia tirado essa idéia imbecil.
Mas eu pensei tanto sobre como Jane se achava a superamiga, e não valorizava a minha amizade, que a aula passou voando, também percebi que Katye também estava prestativa, e não estava prestando atenção.
- Meu Deus, a aula acabou de começar e já bateu o sinal do almoço – disse Katye, de um jeito preocupado.
- Isso é bom! — sorri
- Não, isso é ótimo – ela falou com entusiasmo.
- O que vamos fazer agora? Eu estou morrendo de fome!- falei com a mão na barriga
- Não, não vamos almoçar, temos mais o que fazer. – ela me advertiu
- Ta bom Mãe, como você quiser!!! – brinquei, e ela riu junto comigo.
- Ta ótimo Ammy, agente não vai fazer nada de interessante, não temos mais o que fazer, mais você não acha que a escola ta um tédio?
- Nossa Katye, eu ainda tenho muito que te conhecer, mais sim, eu acho – fui sincera
- E então... Está com todas as suas coisas ai? – ela me ignorou e perguntou.
- estou sim, por quê? Espero que não seja pensando o que eu acho que está pensando – embolei nas palavras.
- O que acha que estou pensando? – ela perguntou sorrindo, e eu fiquei impressionada, como minha nova amiga é linda, o sorriso, os olhos, e fiquei feliz por isso.
- Em fugir da escola? – tentei adivinhar
- Sim, eu estou pensando o que acha que está pensando – ela também se embolou, sorri por ter acertado.
- Mais Katye, eu nunca fiz isso antes, e se alguém descobrir, eu sou uma ótima aluna aqui na escola.
- Relaxa Ammy, tudo tem sua primeira vez, e se você já está no 1º ano do ensino Médio e nunca fugiu da escola, está passando da hora – ela me convenceu.
- Está bem sua louca, como agente vai fazer isso? – perguntei com sarcasmo
- esqueceu dos nossos dons?
- Que bom, eles estão começando a ficar úteis.
Corremos para o banheiro, o mais próximo da portaria, quando ela disse:
- Tente ficar invisível, rápido! – ela me alertou.
Eu tentei mais eu estava nervosa demais para me concentrar, mais não sabia o porquê, afinal, eu só tinha que ficar invisível para fugir da escola, e eu achava, não, eu tinha CERTEZA que eles não me pegariam na forma “tule”, então eu achava que a Katye estava medrosa demais para matar aula, ela deveria estar plenamente confiante... Se foi ela quem deu a idéia...
- Vamos Ammy... – Katye me apressou
- Calma Katye, eu estou tentando me concentrar.
- Claro! – ela fez uma careta impaciente. No momento me senti mal por ter que deixá-la esperando, e não me compreendi com isso, eu não sou assim, tão sentimentalista, normalmente pensaria “que morra esperando, nunca que eu vou deixar de me concentrar pra atender os desejos dela”, mais não, fui prestativa, e logo apressei em passar para o meu outro estado – invisível- usei tanto minha concentração, e nem precisou eu sentir raiva e vergonha, e já consegui passar pra forma tule — invisível.
- Pronto – gritei
- É, percebi – ela me olhou rindo
O que achei mais fantástico e incrível, foi o fato de mesmo nós duas invisíveis, poderíamos nos enxergar, era como se eu pudesse ver a sombra dela, mas não era bem uma sombra, era como se fosse uma marca d’água, uma transparência de 90% — agora eu entendo por que a tradução telu, significa transparente, ao invés de ser outra palavra com o significado invisível, por que para as pessoas que tem o mesmo “dom” podem ver umas as outras, mais não na totalidade humana normalmente, mais sim na transparência invisível, e, além disso, nos podemos ouvir umas as outras, não é como ler mentes igual os lobos fazem com os outros na saga crepúsculo, eu posso ouvi-la normalmente, enquanto as pessoas idiotas e normais, nem podem ao menos nos ver. Enquanto eu completava o meu raciocínio, Katye o interrompeu:
- Aonde quer ir Ammy, no nosso primeiro aniversário de amizade – e ainda tem isso? — 14 de fevereiro de 2010? – ela falou a data com clareza.
- O.k, no nosso primeiro dia Juntas, vamos comemorar, no Shopping, ou em um Parque, ou...
-... Ou vamos ao Mc Donald, já que está com tanta fome.
- exatamente o que pensei – assenti
- então vamos – ela me puxou.
E voltamos ao normal, dessa vez não tive nenhum problema em voltar à forma normal, e claro que ela também não. Paramos em frente a minha lanchonete preferida.
- Nossa, eu amo o Mc Donald, pra mim, é a minha lanchonete mais perfeita!!- exagerei
- Sério? – ela esbugalhou o olhar – pra mim também, é incrível como agente se parece, até nisso! – ela sorriu.
Fomos nos sentar nas cadeiras, e pegar o cardápio.
- Um hambúrguer caprichado, acompanhado com batatas fritas, coca- cola, e de sobremesa um mouse de Maracujá, com chocolate, e depois me traz um ovomaltine. – caprichei no pedido.
- Meu Deus Ammy, você come demais- falou Katye sorrindo (como ela é feliz) e ao mesmo tempo assustada pela fartura do meu pedido.
- E você moça? O que gostaria? – falou a garçonete.
- O mesmo pedido dela, só que não quero o mouse, o chocolate, e ovomaltine.
Enquanto a garçonete saía, eu falava:
- “O mesmo pedido só que sem o Hambúrguer, as batatas, a coca, o mouse e o ovomaltine”- falei imitando- a com exagero e sarcasmo, e ela deu um sorriso forçado.
Quando o seu celular toca, ela atende com desespero.
- Alô – ela diz
- Não, é justamente o que você quer, não vou te entregar o jogo! – ela se enfureceu
- O que? Está louco? Mais é claro que não!
- Está bem, ok, mais não me espere, eu não vou pra aí até que você cumpra a sua promessa.
- Tchau? Eu não vou te dar tchau... – e ela desligou na “cara” dele.
- Katye? Eu não sabia que estava namorando... Por que não me contou antes?
— perguntei.
- Eu só não te contei por que eu não estou.
- Então quem era no celular?
- Não, não era ninguém.
- Quem era Katye? – alterei o meu tom de voz
- Não era ninguém Ammy!- ela também alterou
- Está bem, quando estiver calma você me fala – Falei com calma, tentando evitar a briga.
- Sim, eu falo. –ela falou com frieza.
- fala se quiser.
- De acordo com os pedidos eu trouxe Dois Hambúrgueres, duas porções de batata frita, duas latas de coca-cola, um mouse de maracujá com chocolate, e um ovomaltine – a garçonete falou atrapalhando a discussão, e colocando os pedidos sobre a Mesa.
Eu não consegui falar uma palavra enquanto devorava aquele delicioso Hambúrguer, Katye comia muito devagar, eu acho que ela já deveria ter esquecido a discussão, porque pelo menos eu enquanto mordia cada pedaço não passava mais nada pela minha cabeça, mais só enquanto eu comia.
- Nossa... Você já terminou?
- Não, ainda estou comendo! Se você ta vendo que já acabei por que ainda pergunta?
- Ammy, por favor, me desculpe – ela estava mais calma que eu, BEM mais calma...
- Katye, eu só queria saber quem era no telefone celular, mais se é tão privado assim pra você, eu não quero saber.
- Ammy, logo-logo você vai saber muito mais do que imagina, mais agora não é o momento certo – ela falou com sabedoria, e eu fiquei com tanta raiva, que fechei minha mão enfrente o rosto dela, pra dar um murro nela, mais eu abaixei depois de alguns segundos e falei;
- Por que você não vai procurar alguém pra ensinar um pouco mais da sua sabedoria? Ah sim, eu lembrei, é por que você quer uma amiga invisível como você pra ensinar tudo o que sabe, mas eu não sou sua boneca.
- Ammy – ela começou a rir – você acha que estou andando com você só porque é invisível? Mais é claro que não... É como eu te disse antes “você não é a única”, eu também não sou a única, NÓS não somos as únicas, existem várias pessoas com esse dom, inclusive eu conheço algumas, e poderia ensiná-las também, mais eu quis TE ensinar, não por que quero ser melhor que você, mais é por que eu quero sua amizade Ammy, eu quero ser sua amiga, e não sua professora, como você se refere em relação a eu te ensinar algumas coisas, eu só te ensino por que eu gosto de você, e eu estou aprendendo desde o primeiro dia que nos conhecemos, á valorizar a sua amizade, a te amar como amiga – aquelas palavras doces que saíam da boca dela me marcaram, e fiquei feliz por tê-la conhecido, e limpei meu coração da raiva dela, quando ela me abraçou e eu devolvi o abraço.
- Está bem, eu te perdôo – eu sorri pra ela.
- E então? Aonde é a sua casa, vou te deixa — lá logo!
Andei com ela até minha casa, e ela prestou bastante atenção no caminho, como se quisesse ir lá muitas vezes, nos despedimos ao chegar em casa.
- Nossa Ammy, sua casa é linda – ela disse olhando para a casa.
- Obrigado – assenti – até amanhã Katye
E vi-a sumir subindo sozinha na minha bicicleta que eu havia emprestado a ela. Abri o portão de casa, e minha mãe estava lá – quando eu quero que ela esteja ela nunca está, mais as poucas vezes em no qual eu quero que ela não esteja, são justamente às vezes no qual está. Entrei pela sala joguei minha mochila grande no sofá, me livrando de um peso em minhas costas – literalmente – olhei no relógio digital ao lado da televisão, e ainda era meio-dia – eu não acredito agente só passou uma hora no Mc Donald? E eu saio da escola 13 h, o que minha mãe iria pensar? – sai correndo em direção a escada me preparando para subir as escadas correndo pra minha mãe não falar nada, mais antes que eu subisse, ela não deixou de perguntar:
- Aonde vai com tanta pressa menina? – ela foi rude
- Não mãe, eu só vou pro meu quarto – Não olhei pra traz enquanto falava, e suei gelado
- venha cá – eu fui – por que chegou tão cedo?
- Por que na escola não tava tendo aula, eu decidi vim embora logo – menti
- Se não estava tendo aula, por que eu vi a SUA professora, eu vi a JANE, e eu vi vários dos seus amigos, dentro da sala de aula?
- Não mãe, é por que o conteúdo era exatamente o mesmo do ano passado, e hoje também foi o primeiro dia de aula, e pra mim aquilo não é aula, e eu já estava com dor de cabeça então vim pra casa logo – menti novamente.
- Ammy, não minta pra mim, já chega de desculpas, eu fui a sua escola, hoje a loja fechou mais cedo, e eu fui te buscar no seu primeiro dia de aula pra te levar pra sair, eu ia te levar no Mc Donald, mais parece que você já foi não é?
- Mãe eu...
- Não me interrompa, passei lá enfrente e ti vi quase batendo em uma garota, você está de castigo por um mês, não sairá pra rua, só vai pra escola e nada mais, o castigo é de um mês por que além de ter fugido da escola, arranjou encrenca na rua.
- Um mês?
- E o castigo não é só esse, até lá eu penso em algo pior.
- Mas mãe, não é nada disso que está pensando, quer dizer só um pouco.
- Qual a parte do “chega de desculpas” você não entendeu?
- Mas...
- Nem, mas nem menos, apenas saia da minha frente e vá pro seu quarto.
Ao subir as escadas indo em direção ao me quarto fiquei pensando:
Meu dia está horrível, primeiro eu sou brigo com minha ex- melhor amiga, depois eu sou envergonhada em frente de toda a escola, logo em seguida descubro que sou invisível – mais do que já pensava – conheço uma garota superliga que me influencia a fugir da escola, brigo com ela, e quase dou um soco em seu rosto, depois chego em casa, e minha mãe descobre tudo só que ela acha que eu bati em alguém na rua, e me deixar de castigo por um mês, não posso nem se quer ir pra rua, e ainda não basta?
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