Eu provavelmente estava ficando louca. Era a única explicação coerente para o que estava acontecendo. Além dos sonhos esquisitos que eu tenho, ainda começo a acreditar que eles podem ser reais. Você sabe o que é andar na rua, procurando encontrar alguém que nem o rosto você conhece direito? Ou melhor, que você nem sabe se existe?

Haviam se passado três dias, e eu não tivera mais nenhum sonho com Daniel. Talvez fosse melhor assim, quem sabe eu não me esquecesse disso tudo, e voltasse a ser uma pessoa normal? Claro, como se fosse possível.

Eu e Anne estávamos cada vez mais ligadas. Eu sentia como se nós fossemos irmãs, e nos conhecessemos a realmente muito tempo. Acho que nossa ligação é uma daquelas coisas que você simplesmente não pode explicar.

Nós andávamos pelas ruas da cidade, eu havia pedido permissão para a Irmã Mary para poder levar Anne ao cinema, e agora estávamos voltando para casa. Era por volta de 6 horas da tarde, e já começava a escurecer.

– Alice? — chamou Anne.

– Sim?

– Você... poderia me comprar um sorvete, por favor? — perguntou ela, com a cabeça baixa.

Eu sorri, e fui em direção à sorveteria.

– Um sorvete de morango, por favor. — pedi à balconista.

Eu peguei o sorvete de Anne, e quando me virei para ir embora, eu o vi. Não pode ser, não poderia ser ele. Eu estava louca, sabia disso, mas ver Daniel no meio da cidade, já era loucura até demais.

O menino que eu via, estava de costas, e tinha os mesmos cabelos loiros e lisos de Daniel, e aparentemente a mesma altura. Mas... será?

Fiquei congelada no lugar, pensando se deveria ou não falar com ele.

– Lucca! Venha, vamos embora! — ouvi um outro rapaz gritar para o menino que eu achava ser Daniel. E quando ele se virou, eu pude ver com certeza, que não era ele.

"Olhos castanhos", pensei. Eu definitivamente precisava parar com isso, parar de imaginar que encontraria um garoto que só existia nos meus sonhos, parar de pensar que aquilo poderia ser realidade, e ter alguma coisa a ver com o que aconteceu comigo quando meus pais morreram. Talvez, parar de procurar respostas.

Não é real. Não tem como ser.