Diário 2.0

39 Capítulo XXXIX - On my way


Notas iniciais
Baby Boleyn considere este o seu presente de aniversário antecipado..

Estou fazendo uma pequena reparação histórica neste capítulo. O que aconteceu após o acidente de Quinn? Bem, eu fiz a minha versão em forma de flashbacks. Mas não é sobre isso que eu quero falar, não. Eu me inspirei em uma cena de Rise nesse capítulo, se você nunca viu Rise… vá atrás, infelizmente tem apenas uma temporada. É a história de um grupo de teatro escolar que é assumido pelo professor de inglês chamado Mr Mazzu e ele quer usar a arte para inspirar e mudar a vida dos alunos. Sim, tem muitos pontos parecidos com Glee, mas eu diria que mesmo com uma temporada foi melhor em tratar de certos assuntos em outros fracassou retumbantemente. Para mim o ponto algo é que Mr Mazzu é tudo aquilo que Mr Schue deveria ter sido, ele apoia os seus alunos e os incentiva a ser melhor, ele é um professor e age como um, mesmo que a linha fique turva em alguns pontos. A minha inspiração é a última cena do eps 2 em que ele tem uma conversa com Gwen onde ele diz que ela é boa, mas tem potencial para mais. Eu não quero que Rachel seja o Mr Schue eu quero que ela seja como Mr Mazzu.

Rachel escrevia lentamente enquanto reorganizava as partituras, ouviu os passos tímidos e ergueu o rosto.

— Professora. – Leighton se aproximava sem jeito.

Rachel se encostou e a olhou com um sorriso leve.

— Posso ajudar?

— Eu queria fazer uma pergunta. – A menina se apoiou na barra de proteção e olhou para Rachel.

— Você quer saber por que eu não te dei o solo para as seccionais, não é? – Rachel deixou a caneta em cima das partituras.

— É… eu acho a voz da Jenny ótima, mas… — A menina franziu as sobrancelhas. – Eu fui melhor.

— Tecnicamente? Foi. – Rachel se levantou e andou até a menina se apoiando ao lado dela. – Tecnicamente você é impecável, Leighton. Você respira quando tem que respirar, você abre a voz da maneira certa, você sobe quando precisa, você desce quando necessário… ouvir você é exatamente o que você esperaria de uma menina que treinou a vida inteira para cantar.

— Então? – Ela franziu as sobrancelhas demonstrando a frustração.

— Você ouviu o que eu disse? – Rachel sorriu para ela. – Eu falei da sua técnica, mas não é só de técnica que sobrevivemos. O que eu estou tentando ensinar vocês? A sentir a música, a se conectar com a letra, com a melodia, com o sentimento. Tecnicamente você pode encantar uma plateia, mas quando chega na parte do sentimento você se desconecta.

A menina apertou as mãos e Rachel suspirou.

— Eu quero que você consiga se conectar com a sua dor, Leighton. – Ela inclinou a cabeça. – Com o seu amor. Com a sua alegria. Eu acredito que quando você conseguir fazer isso… você será extraordinária e é o que eu quero. Você é muito boa, mas não explora tudo o que pode.

— E como eu faço isso? – Ela olhou para Rachel.

— É… — Rachel parou tentando se explicar. – É difícil. É assustador se deixar vulnerável para pessoas que você nunca viu. Então… você tem que ter coragem para descobrir quem você realmente é e o que está te travando.

A menina desviou os olhos e Rachel ofereceu um pequeno sorriso.

— A senhora acha que eu posso ser extraordinária?

— Eu tenho certeza que pode. – A morena inclinou a cabeça. – Mas você precisa saber disso também. Eu só posso te levar até parte do caminho, o resto tem que ser esforço seu.

Rachel se afastou e começou a arrumar suas coisas enquanto a menina permanecia apoiada na barra de proteção olhando para o alto.

— Eu… — A menina parou e mordeu o lábio, Rachel a olhou por um instante antes de continuar guardando suas coisas.

Ela estava muito ciente da menina loira, usando o uniforme das cheerios como uma armadura. Leighton era a head cheerio, estava em um suposto relacionamento com Benjamin se Rachel não estava enganada, tinha notas perfeitas e o mesmo olhar que lhe lembrou de outra head cheerio.

— Eu não quero ficar presa aqui. – Leighton deixou escapar com um suspiro, era um murmúrio tão baixo que se a audição de Rachel fosse menos do que perfeita ela teria perdido. – Eu não quero ficar presa em Lima.

Rachel parou de se mover e respirou fundo, se apoiou ao lado da menina e olhou para cima, na mesma direção que ela olhava.

— Você não precisa ficar. – Falou lentamente. – Existem opções.

Leighton abaixou os olhos apertando a barra de proteção com força.

— Quando… — A menina parou e lambeu os lábios. – Quando você soube?

— Quando eu soube o que? – Rachel inclinou a cabeça. – Que não queria permanecer em Lima? Querida, eu sabia disso desde que entrei no jardim de infância.

— Quando soube que amava a senhorita Fabray. – Outro murmúrio quase inaudível.

Rachel respirou fundo e continuou olhando para a menina.

— Eu não sei. – Respondeu atraindo a atenção da mais nova. – Mesmo, alguns amigos me fizeram essa pergunta há alguns meses. E eu simplesmente não tenho ideia do exato momento, eu só acordei um dia e percebi que estava perdida em Quinn.

— Então vocês deram uma chance?

— Ah não, eu ainda fiquei algum tempo remoendo se deveria ou não ir até ela. – Rachel soltou uma risada baixa, passou as mãos pelo vestido. – Quinn era noiva pelo que eu sabia, por mais que o fim do noivado já fosse especulado pelos fãs. Em uma noite ela estava em um talk show em NY e confirmou que estava solteira, no dia seguinte eu sabia que ela tinha uma noite de autógrafos… então eu fui atrás dela.

— Simples assim? – Leighton lambeu os lábios outra vez.

— Eu queria muito dizer “sim, simples assim”, mas eu estaria mentindo. – Rachel cruzou os braços. – Amar é simples, Leighton… é muito simples na verdade. Na maioria das vezes nem sabemos que estamos amando, amamos tantas coisas e tantas pessoas que é intrínseco a nós mesmos. O que é difícil é estar em um relacionamento.

— Vocês parecem se dar bem… — A menina brincou com a barra da saia.

— E nos damos, mas isso não significa que é sempre tão fácil. – Rachel encolheu os ombros. – Às vezes eu quero arrancar aquela bela cabeça daquele lindo pescoço, então eu respiro fundo e me lembro que não posso gastar meu réu primário assim.

A menina soltou uma risada fraca.

— Eu poderia te perguntar se é um problema no âmbito Fabray ou… — Ela parou deixando a dúvida no ar, viu o rosto da menina ficar mais rosado.

— Ou… — Leighton mal moveu os lábios, apertou a grade com mais força. – Eu gosto do Ben, e por mais que falem que estamos namorando… por mais que Amber acredite nisso… ele é só meu amigo. Eu… eu estou apavorada.

— Bom. – Rachel esticou a mão e suavemente a pousou sobre a da menina sentindo a força com a qual ela segurava a barra. – É bom ter medo, sabe? Encontrar esse lugar em que você está com muito medo de entrar… é onde você vai se encontrar. E nós podemos trabalhar com isso.

— Você não é exatamente a professora que esperávamos. – Leighton fechou os olhos e levou a mão livre ao rosto para limpar as poucas lágrimas que escaparam, fungou.

— Schue também não era. – Rachel encolheu os ombros. – Na maior parte do tempo ele não tinha ideia de como nos ajudar, ele tentava, mas errava tanto quanto nós… mas ele nos ensinou algumas coisas. É nisso que eu prefiro focar… em você e em como eu posso ajudar você e seus colegas. Eu quero que todos vocês sejam extraordinários, quando esse dia chegar então eu vou saber que fiz o meu trabalho.

— Você não quer saber quem é? – Leighton lambeu os lábios.

— Você quer me falar quem é?

A menina negou com a cabeça balançando o rabo de cavalo.

— Então não. – Rachel apertou a mão da menina mais uma vez atraindo sua atenção, sorriu para ela. – Mas quando você estiver pronta, então eu vou saber.

Rachel se afastou da menina e pegou suas coisas já arrumadas sobre a mesa. A professora começou a subir as escadas e a mais nova se moveu descendo em direção ao palco.

— Say something, I'm giving up on you I'll be the one, if you want me to… — A voz da menina fez com que Rachel parasse no meio das escadas, era baixa e emocional. — Anywhere, I would've followed you say something, I'm giving up on you…

Rachel se virou lentamente e desceu um degrau em direção a ela ao mesmo tempo que Leighton deixava a voz subir lentamente, a menina estava parada apertando o encosto de uma das cadeiras enquanto olhava fixamente para o palco.

— And I am feeling so small it was over my head I know nothing at all… — Parou respirando, seus olhos se fecharam e ela lambeu os lábios. — And I will stumble and fall I'm still learning to love…

Ela parou respirando mais profundamente. Rachel bateu palmas trazendo o olhar da menina de volta para ela, um rosto úmido pelas lágrimas que ela prontamente tentou limpar.

— Extraordinária. – A professora deu um pequeno sorriso antes de se virar e sair do auditório.

*Diário*

Sua mão estava esticada para o lado acariciando os pelos curtos de Arthur que mordia feliz um osso de borracha. Estava rolando pelo feed quando viu a postagem que Schue havia feito no perfil do New Directions. Engoliu em seco quando a primeira música começou, Rachel fazendo a introdução do mashup sempre lhe tirava o ar e então viria Santana, Brittany e Mercedes com what doens’t kill you e por fim…

A loira lambeu os lábios enquanto seus olhos encaravam a pequena tela em sua mão, quase podia ignorar o fato de que Rachel estava dançando com Finn. Quando a voz de Santana chegou aos seus ouvidos, Quinn mordeu o lábio e de repente ela se viu dentro do carro outra vez. Com o celular tocando no banco do passageiro.

— …so let's give em hell wish everybody well here's to us… — A voz de Rachel lhe trouxe de volta e um sorriso triste lhe tomou a boca.

Compartilhou a apresentação e começou um pequeno texto.

Se alguém me perguntar sobre esse dia, eu irei lhe contar tudo ou pelo menos quase tudo. Irei lhe contar do nervosismo antes de subirmos ao palco, irei lhe contar como eu não conseguia tirar meus olhos da solista, irei lhe contar de como fora maravilhoso ganhar. Eu me lembro dessa semana, um antigo colega havia tentado o suicídio, não é uma história fácil e também não é minha para ser contada, mas isso nos afetou. Me lembro de ter brigado com Kurt pelas minhas opiniões idiotas, que agora eu tenho que admitir que era apenas o meu medo de que alguém percebesse quão fundo eu estava no armário, tão fundo que nem eu mesma admitia isso… pelo menos não até esse dia.

A questão é que estávamos todos muito emotivos naquela semana. Adolescentes querendo desesperadamente viver como se o mundo fosse acabar no dia seguinte. Bem, esse dia quase foi o meu ultimo dia viva. Eu estava dirigindo, tentando chegar a um lugar em que eu era esperada e meu celular estava tocando. Eu desviei a minha atenção por um momento. Um único momento e meu carro foi arremessado pela estrada, me disseram que eu capotei quatro vezes antes de parar, a verdade é que eu só lembro do mundo girando e uma dor vinda do inferno, com o perdão da expressão. Me disseram que Mr Schue ficou conversando comigo tentando me manter acordada enquanto os bombeiros me tiravam de dentro das ferragens. Me disseram que meu coração parou na ambulância. Me disseram que eu cheguei no hospital e fui direto para a cirurgia. Eu tive um traumatismo craniano e uma compressão na medula espinhal entre a L1 e a L2. Precisei de uma operação para iniciar a descompressão, fiquei em uma cadeira de rodas por três meses, fiz terapia e tive que lidar com todos os desafios de não sentir as minhas pernas temporariamente. Eu tive sorte. Então se nos próximos vídeos vocês me verem em uma cadeira de rodas saibam, não mandem mensagens e dirijam ao mesmo tempo.

Enviou o texto e suspirou olhando para o teto, seus dedos ainda acariciando Arthur.

*Diário*

Santana piscou tentando afastar o sono enquanto escrevia furiosamente em um papel.

— Lopez. – Ouviu a voz de uma colega que se aproximava da mesa que ela havia espalhado seus documentos. – Você realmente tem uma boa voz.

Santana ergueu a cabeça com as sobrancelhas franzidas.

— What doens’t kill you… — A mulher ergueu o celular onde estava a apresentação tocando silenciosamente. – Você arrasou, eu realmente não tinha ideia que você conhecia tanta gente famosa.

Santana sentiu a língua grossa ao olhar para o vídeo, um peso se assentando em seu estomago ao lembrar daquele dia.

— E eu também não sabia que a Fabray tinha ficado na cadeira de rodas, quer dizer… alguma coisa de ruim não aconteceu com ela? – A mulher voltou a atenção para o celular com as sobrancelhas franzidas.

— O que você disse? – Santana perguntou arqueando uma sobrancelha.

— O texto que a Fabray postou falando do acidente… — A mulher parou de falar assim que Santana começou a remexer os papéis atrás do próprio celular. – O que foi?

— Berry vai matar Q. – Santana resmungou desbloqueando o celular, achou a postagem e começou a ler. – Ah sim, Rachel vai chutar a bunda branca de Quinn.

Seu coração acelerado enquanto lia as palavras da melhor amiga, um gosto amargo lhe tomando a boca.

Finn e Rachel entraram pela sala apressados, os amigos erguendo a cabeça para eles. Mercedes murmurando de como dava azar eles estarem juntos antes da cerimônia.

— Um homem entrou falando que um new beetle vermelho foi arremessado por uma caminhonete. – Finn soltou de uma vez, olhou para Santana. – Quinn não está atendendo.

Santana sentiu o gelo se espalhar pelas suas mãos enquanto seus dedos digitavam furiosamente o numero que havia decorado quase dois anos antes. Direto para a caixa postal. Seu peito não inflava o suficiente. Sentiu as mãos de Brittany lhe segurarem e conseguiu ouvir o choro da namorada. Ela estava vagamente ciente dos homens que se mexiam apressados para ir até o local, duas quadras de distância. E então algo estalou dentro dela.

Ela se levantou ignorando o gemido de Brittany e andou até as portas pronta para segui-los.

— Você não vai. – Puck entrou na sua frente.

Ela o encarou, vagamente ciente da confusão que se instalava na sala… o ruído branco. Ela o encarou. Os olhos verdes dele tentando se manter firmes. Ela o encarou. Os olhos escuros dela cheios de pavor.

— Puck… — Ela falou em voz baixa.

— Se for ela… — Ele parou e pigarreou. – Mr Schue vai ligar. Mas não é ela, Quinn deve estar apenas pirraçando Rachel, apenas deu o jeito dela de atrapalhar o casamento. Tenho certeza que é isso.

— Puck… — Ela queria argumentar quantos new beetles vermelhos existiam em Lima, pelo amor de Deus… eles sabiam que era Quinn apenas estavam tentando adiar o fato de terem que aceitar isso.

Ela tentou passar por ele, mas ele continuou na sua frente. Ela o empurrou e ele a segurou. Ela o bateu e ele a segurou. Ela se jogou contra ele e um par de braços a segurou por trás. Ela lutou contra os dois enquanto Puck continuava afirmando que Quinn estava apenas atrapalhando o casamento e Sam murmurava que Quinn ficaria bem.

Santana respirava com força enquanto Sam apertava o domínio sobre ela, ergueu a cabeça vendo Mercedes e Tina levavem uma Rachel atônita para o banheiro na tentativa de tirar o vestido de noiva.

— William? – A voz de Sue era forte e silenciou a sala inteira, Santana se virou tão rápido que sentiu o pescoço estalar. O olhar de Sue encontrou com o de sua capitã e Santana se jogou na direção da porta pegando os braços frouxos de Sam de surpresa enquanto a treinadora falava. – Estamos indo.

Ela não parou para ouvir Sue dizer que era o carro de Quinn. Ela não parou para pegar seu carro. Ela apenas correu, o vestido rosa dificultando o processo até que ela agarrou a barra do vestido e o rasgou com um puxão, com outro movimento rápido arrancou as sandálias as deixando na rua. E então ela correu. Santana correu.

*Diário*

Will suspirou olhando para a tela do celular, seu dedo pairando sobre a tela. Engoliu a saliva em sua boca.

— Papai. – Daniel veio correndo em sua direção se jogando ao seu lado no sofá. – Podemos andar de bicicleta no parque esse final de semana? Depois de seccionais?

Will fungou e passou a mão pelo rosto antes de limpar a garganta e olhar para o filho, ergueu a mão acariciando os cabelos ruivos do menino que estreitou os olhos castanhos com um pouco de curiosidade.

— Claro, vamos sim. – Will forçou um sorriso.

— Está tudo bem, papai? – Daniel perguntou inclinando a cabeça.

— Está sim. – Ele continuou acariciando os cabelos do menino. – Está tudo bem, vá conferir se o capacete e as cotoveleiras estão boas. Se não estiverem eu vou passar na loja amanhã e comprar novas.

O menino concordou com a cabeça e saiu correndo, Will se deixou olhar para o local onde o filho havia sumido por mais um minuto antes de olhar para o celular apagado na sua mão.

Ele correu antes mesmo de Burt terminar de estacionar o carro. A placa do carro grava em seus olhos e principalmente o fichário com o logo das cheerios no meio da pista. Ele correu. O carro estava com as rodas para cima e as pessoas começavam a se aproximar.

— Quinn. – O grito rasgou sua garganta. – Quinn!

Ele se abaixou perto da janela do motorista. Quinn piscava lentamente o sangue escorrendo pelos cabelos loiros, o rosto e o braço com pequenos cortes do vidro estilhaçado.

— Quinn, sou eu Mr Schue. – Ele retirou o paletó e o colocou o chão sobre o vidro para poder se sentar. – Você está me ouvindo?

— Pernas… — Quinn soltou um som entre murmúrio e grunhido era tão baixo e tão cheio de dor que ele mal conseguiu ouvir. – Pernas.

Ele se contorceu para olhar, as pernas estavam presas.

— Quinn eu preciso que você fique acordada, está bem? – Ele pediu e esticou a mão cuidadosamente para segurar as mãos de Quinn, a adolescente ainda segurava o volante com uma força sub-humana. – Os bombeiros já estão chegando.

— Rach… — Outra vez o mesmo tom de voz tão dolorosamente quebrado.

— Eu vou avisar a eles. – Will concordou com a cabeça vendo Burt e os Berry se aproximarem. – Burt descubra porque diabos os bombeiros estão demorando tanto.

Hiram se aproximou tomando o lugar de Will, começou a sutilmente fazer os primeiros exames em Quinn. Mandou o marido pegar sua maleta que estava no carro.

Will agarrou o celular com as mãos tremendo.

— Sue… — Sua voz rouca, ele passou a mão pelos cabelos. – É ela. É ela Sue, ela não está bem.

Ele desligou o telefone e se aproximou do carro outra vez.

— Quinn eu preciso que você fique consciente. – Hiram falava gentilmente com ela. – Você pode fazer isso para mim?

— Beth… — Quinn tentou falar outra vez.

— Beth está bem. – Will falou suavemente, suas mãos fechadas se impedindo de tremer. – Beth está com Shelby, elas estão em NY, lembra?

— Sinto… — Quinn piscou lentamente. – Muito.

— Quinn, você tem que ficar acordada. – Will pediu ouvindo a sirene dos bombeiros. – Eles estão aqui Quinn, eu preciso que você fique acordada para ver Beth outra vez. Quinn, eu preciso que você fique acordada.

Hiram se levantou assim que o caminhão de bombeiros e a ambulância parou, agarrou Will pelo ombro.

— Não a deixe dormir. – Seu tom de voz era sério. – E não a mexa, por tudo que é mais sagrado.

Will sentiu o estômago despencar a primeira coisa que Quinn havia lhe dito tinha sido “pernas”. Ele se agachou perto dela.

— Eu preciso que você fique acordada, eu sei que está doendo, mas eu preciso que você fique acordada Quinn Fabray. – Ele latiu com a voz mais firme que conseguiu, viu a aluna abrir os olhos e eles estavam nublados. – Eu preciso que você fique acordada porque você tem que ir para Yale. Eu preciso que você fique acordada porque você precisa se formar como primeira da turma. – Ele viu a veia do pescoço inchada e sua mão se fechou em um punho mais cerrado. – Quinn, eu preciso que você fique acordada porque eu sei que Beth vai precisar de um modelo e você será esse modelo. – Ele a viu piscar mais alerta. – Eu preciso que você fique acordada porque eu preciso te ver ser grande, Quinn Fabray, eu sei que você vai ser grande.

O grito de Santana chegou até eles e Will fechou os olhos se inclinando um pouco para o chão.

— Rach…

Ele ergueu a cabeça e se virou vendo Burt segurar Santana com força.

— Santana está aqui. – Will falou vendo Quinn fechar os olhos. – Rachel e os outros devem estar chegando, então fique de olhos abertos, ok?

Quinn piscou lentamente e não abriu mais os olhos, Will sentiu o pânico lhe invadir e antes que pudesse processar enfiou a mão pela janela e apertou a buzina com força.

— Quinn. – Ele gritou junto da buzina.

— Senhor. – O bombeiro o agarrou pelos ombros o jogando para trás contra o vídeo quebrado.

Quinn acordou no susto.

— Não… não… — Ela engoliu sentindo o gosto de sangue. – Me deixe…

Will lutou contra o bombeiro quando ouviu a voz fraca dela. Ele agarrou a gola da roupa contra incêndio e encarou o homem.

— Eu não vou te atrapalhar, mas eu não vou deixa-la sozinha. – Ele grunhiu com o rosto vermelho e os olhos azuis cheios de lágrimas. – Eu só vou ficar aqui falando com ela. E você não me impedir.

O capitão dos bombeiros olhou para Quinn que começava a tentar se mexer, as palavras do senhor Berry voltaram aos seus ouvidos. Possível fratura na coluna.

— A mantenha calma. – O bombeiro concordou com a cabeça. – Vamos estabilizar o carro o airbag não estourou, e então vamos tira-la.

— Ok. – Will concordou com a cabeça e voltou para o lado de Quinn, um pouco mais afastado. – Estou aqui Q, estou aqui com você e não vou a lugar algum.

Ela respirou o mais fundo que conseguiu.

— Rach… — Ela falou outra vez.

— Rachel está vindo, todos estão vindo. – Ele garantiu. – Estamos todos aqui Q, todos aqui e precisamos que você fique acordada.

*Diário*

Rachel jogou o celular encima da cama e bateu a porta do banheiro com força. Suas mãos tremendo quando ela agarrou a bancada da pia, os nós dos dedos brancos.

Ela lutava contra a vontade de vomitar pela terceira vez, jogou água gelada no rosto e molhou a nuca. Respirou fundo algumas vezes enquanto Tina esfregava seu ombro tentando lhe dar algum conforto.

— Talvez fosse melhor você ir para casa. – A Chang falou em voz baixa. – Rachel você não está bem.

— Eu não vou sair daqui até termos notícias. – Rachel jogou mais água no rosto antes de se erguer, seu reflexo pálido lhe encarou de volta. – Vamos voltar.

Tina lhe deu um sorriso simpático estendendo algumas folhas de papel para se secar. A Berry passou pelo rosto antes de joga-las no lixo, sem se importar em recolocar qualquer tipo de maquiagem. Elas saíram para o corredor do hospital até a sala de espera onde os amigos estavam amontoados. Mike abriu os braços para Tina que prontamente aceitou o conforto do namorado. Finn estava sentado ao lado de Puck com a mão no ombro do amigo como se para impedi-lo de sair quebrando tudo o que visse pela frente. Então Rachel escolheu se sentar junto de Kurt que estava apoiado em Blaine.

— Nada ainda. – O Hummel murmurou para a judia.

Rachel concordou com a cabeça, olhou para as próprias mãos tentando acalmar o tremor. Ela tinha ouvido os “adultos” conversando, seu pai Hiram falando em voz baixa que algo não estava certo com a coluna de Quinn… ela não havia entendido muito bem, mas guardara aquela informação dos outros. O sentimento de culpa estava lhe consumindo aos poucos. Se ela não tivesse insistido. Se ela não tivesse falado que todos mereciam ser felizes. Ela conseguia ver o rosto de Quinn, a felicidade pelo uniforme, mas a tristeza nos olhos verdes. A forma como ela perguntou sobre Finn e a música. A forma como ela sorriu falando do casamento, mas parecia estar segurando o choro e então o abraço trocado, tão apertado. Aquele olhar no rosto de Quinn estava lhe consumindo, a forma como elas se separaram e Quinn falou que iria correr em casa para pegar o vestido e elas se veriam no tribunal. Rachel mexeu na bolsa pegando seu celular, entrou nas mensagens relendo sua ultima conversa. A ultima mensagem de Quinn, provavelmente a última coisa que fez antes do carro ser arremessado.

Kurt esticou a mão e tomou o celular de seus dedos dormentes, se soltando de Blaine e se inclinando para ela.

— Pare. – Ele a segurou pelo queixo. – Ela vai ficar bem.

— Você viu o sangue. – Rachel falou sentindo a língua grossa. – Ela estava me mandando uma mensagem e não viu a caminhonete.

— Rachel…

— É minha culpa. – Rachel estourou atraindo os olhares dos amigos. – Eu sabia que ela não queria estar lá e eu insisti. Eu sabia que ela não queria estar lá, eu vi isso nos olhos dela antes dela sair do colégio, mas ela concordou. Concordou porque queria demonstrar apoio, porque eu disse a ela que todos nós merecíamos ser felizes, então agora ela está sendo operada. É minha culpa, Kurt. Minha culpa.

Rachel se levantou e saiu ignorando os chamados de Finn. Ela vagou pelo hospital sem saber para onde ir, acabou saindo para o pátio interno perto da cafeteria, se sentou em um banco. Esfregou o rosto tentando se livras das lágrimas teimosas, seus olhos pousaram em um dos arbustos do canteiro. Gardênias.

Fungou olhando para a aliança de noivado na sua mão. Sentiu o pai se sentar ao seu lado e imediatamente apoiou a cabeça contra o braço dele.

— É ruim, não é? – Ela perguntou.

— É, é ruim sim. – Hiram respondeu passando o braço pelos ombros da filha a puxando para o peito. – Eu consegui algumas informações para Judith, ela está na capela com o Schuster e Carol. Você quer saber?

Rachel fungou e concordou com a cabeça.

— Ela está com uma compressão entre as vértebras L1 e L2, a cirurgia é para tentar aliviar essa pressão. – Hiram explicou lentamente. – Uma das vértebras está enfraquecida, não se sabe se será necessário fortalecer com titânio ou não.

— Ela vai poder andar?

— Ainda não sabemos querida. – Hiram esfregou o ombro da filha. – Existe uma boa chance que sim, ela possa andar.

— Quinn ama dançar. – Rachel apertou o terno do pai.

— Eu sei. – Hiram suspirou. – Mas no momento é mais importante garantir que a lesão não se agrave, também estão monitorando o traumatismo craniano que ela teve.

Rachel apertou mais o terno do pai.

— Ela vai ficar bem, querida, Quinn é uma garota forte que vai ficar bem. – Hiram murmurou beijando os cabelos escuros da filha.

A culpa estava consumindo Rachel.

Se encarou vendo o rosto pálido lhe encarar de volta. Rachel ligou a torneira e juntou um pouco de água morna na mão antes de molhar o rosto deixando a maquiagem escorrer um pouco. Juntou um pouco mais de água e molhou o rosto outra vez. Pegou algumas toalhas de papel e limpou a maquiagem que escorria, juntou um pouco mais de água e molhou o rosto pela terceira vez. Pegou uma toalha limpa para se secar enquanto voltava para o quarto, se sentou na cama pegando o celular e rapidamente iniciou a chamada de vídeo.

— Hey babe. – Quinn sorriu, um sorriso cansado.

— Oi amor. – Rachel deu um pequeno sorriso triste. – Não gostei do seu texto.

— Santana me ligou para me xingar. – Quinn tomou um gole de água. – Você também quer gritar?

— Não, na verdade eu quero me enrolar nos teus braços e sentir o teu cheiro. – Rachel murmurou se recostando nos travesseiros, abraçou os próprios joelhos apoiando o queixo encima. – O texto me fez lembrar do dia. E eu preciso de você aqui, preciso te abraçar e saber que você está aqui e estamos bem.

— Amor… — Quinn suspirou. – Desculpa, eu só quis evitar as perguntas que surgiriam de qualquer forma quando começarem os vídeos em que eu estou na cadeira. Eu tentei não falar sobre…

— Eu sei, mas ainda sinto que foi minha culpa. – Rachel encolheu os ombros. – Se eu tivesse…

— Rachel, não vamos entrar nessa toca de coelho. – Quinn falou lentamente. – As coisas aconteceram, mas agora eu estou bem. Estou andando e correndo inclusive, lembra? Eu corro todos os dias cerca de 8kms por dia.

— Eu sei, eu sei… apenas… me dói ter quase te tirado algo que você ama tanto.

— Eu tenho outras coisas que amo. – Quinn inclinou a cabeça. – Escrever é uma delas e convenhamos, tecnicamente, você me deu isso. Você me deu tanta coisa Rach, que a verdade é que se anos atrás me dessem a escolha de desistir de andar e ter tudo o que eu tenho ou continuar a andar e não ter nem metade disso… eu desistiria de andar.

— Quinn…

— O que eu quero dizer é que sou grata por não ter que fazer a escolha, mas se eu tivesse que fazer. Faria. – Quinn sorriu para ela. – Por que uma vida com você é muito melhor do que andar ou correr.

Rachel fungou. – Viu, você fala todas essas coisas perfeitas e eu não posso nem ao menos te agradar com um bom sexo.

Quinn soltou uma risada antes de arquear a sobrancelha.

— Bem, podemos negociar isso. – Sua voz descendo alguns tons causando um arrepio na pele de Rachel e uma contração no estômago. – O que você está usando, babe?

Notas finais
@just_someone13