Diário 2.0

22 Capítulo XXII - Opinião


Esses dias eu percebi que me enfiei numa enrascada. O livro que Quinn quer publicar ele de fato é uma história minha, se chama Acrab e você o encontra em um certo outro site de fanfics… um verde com símbolo de fogo, que tem aplicativo e é um espirito sabe… mas voltando ao assunto… eu percebi que estava em um ponto complicado de Acrab. Eu percebi que criei duas personagens fortes, que odeiam ceder, mas que são apaixonadas uma pela outra e que elas apenas conversam quando o mundo está desabando. Eu percebi quão opostas elas são para Quinn e Rachel… Quinn e Rachel conversam, cedem, se entendem elas funcionam de fato. Carter e Rosalinda por outro lado até funcionam, mas aos trancos e barrancos…são explosivas, sensuais, dominantes e conflitantes… eu percebi uma coisa neste capítulo… algo tão poderoso que Quinn e Rachel estariam dispostas a dar uma a outra que eu não acredito que Rosalinda e Carter sequer cogitariam… bem…elas pensariam após muito vinho e brigas… Q&R estão dispostas a dar liberdade uma a outra. Decida o que é melhor para você. Seja a sua prioridade. Eu estarei aqui…

Ele se inclinou sobre o piano e riscou uma das músicas na lista.

— Oi. – A voz tímida e insegura o fez aprumar os ombros e se virar rapidamente, era tão estranho ouvir aquela insegurança. E assim que ele olhou para a figura pequena meio encolhida na porta com os grandes olhos castanhos marejados e uma mala aos seus pés, ele suspirou. – Eu meio que preciso do meu professor… do meu mentor… do meu pai emprestado…

Ele abriu os braços e ela se atirou para frente deixando-o lhe acolher e pousar a bochecha contra o alto de sua cabeça.

— Eu não consigo… está tudo uma bagunça. – Gaguejou molhando a camisa dele.

— Está tudo bem… — Ele murmurou acariciando os cabelos escuros dela. – Está tudo bem… você está aqui… você está em casa… eu estou aqui… vamos resolver.

E Rachel realmente acreditou nele.

*Diário*

Eles estavam sentados no auditório, ela encarava o palco sentindo o arrepio correr por sua pele.

— Não consegue? – Ele inclinou a cabeça.

— Só de estar aqui olhando para ele… — Ela fechou os olhos e balançou a cabeça. – Eu estive nesse palco por tanto tempo… ele foi o meu refúgio por tantos anos.

Ele entrelaçou seus dedos aos de Rachel e ela repousou a cabeça no ombro dele.

— O que você vê quando olha para o palco? – Will perguntou suavemente.

— Fogo, dor… eu me vejo perdendo. – Ela murmurou.

— Sabe o que eu vejo quando olho para esse palco? – Ele continuou no mesmo tom de voz. – Eu vejo seis jovens que estavam um pouco perdidos, mas se encontraram nesse palco. Eu vejo um garoto popular enfrentando todos que conhecia porque ele simplesmente descobriu que gostava de cantar. Eu vejo um garoto que estava tentando se descobrir e apavorado demais para falar o que sentia, mas encontrou coragem na música. Eu vejo um garoto paraplégico que não tinha amigos os encontrando. Eu vejo uma garota com tanto medo de socializar que fingia uma gagueira para se esconder. Eu vejo uma garota negra com uma voz poderosa que não sabia como deixar sua diva interior sair. E principalmente… eu vejo uma garota de grandes sonhos que reuniu os outros cinco, com muita determinação e um talento enorme. É isso que eu vejo… — Ele suspirou. – Cada vez que olho para esse palco vazio… eu vejo vocês seis naquele dia cantando Don’t stop believin e eu lembro de pensar que vocês só precisavam de alguém que acreditasse em vocês e seriam maiores do que imaginavam.

Will se levantou e estendeu a mão para ela, Rachel hesitou e ele lhe sorriu.

— Eu estou com você Rachel… estou com você e Tina em cada noite que vocês sobem ao palco. Estou com Finn todas as vezes que ele pisa no campo. – Ele se sentou outra vez e tirou os cabelos da mulher de seu rosto. – Estou com Mercedes toda vez que ela alcança a nota mais alta em um show… estou com Artie sempre que ele liga a câmera… estou com Santana cada vez que ela entra em um tribunal. – Apertou a mão da mulher. – Com Brittany sempre que ela entra em uma sala de aula… com Puck em cada uma das vezes que ele sai em missão… com Mike em cada coreografia nova… com Kurt em cada revista que sai, inclusive eu assinei a Vogue… — Ela soltou uma risada baixa e ele limpou a lágrima que escorreu. – Com Sam sempre que ele consegue um novo contrato… estou com Blaine do outro lado do Atlântico toda vez que ele pisa no palco… — Ele a pegou pelo queixo. – Com Quinn a cada palavra escrita. Eu estou sempre lá. — Ele se levantou e estendeu a mão para ela. – Eu sempre vou estar lá.

Ela aceitou a mão dele e deixou que ele lhe levantasse… lentamente desceram as escadas se aproximando do palco e a cada passo ela sentia o corpo tremer e ele lhe apertar. Eles pararam na escada de acesso e ela podia sentir o olhar de seu professor atrás de si. Ela recuou e olhou firmemente para o seu peito.

— Eu não posso. – Ela murmurou negando com a cabeça. – Eu não quero te decepcionar.

— Você nunca poderia. – Ele falou no mesmo tom calmo. – Mesmo em todas as vezes que eu fui obrigado a te dizer “não”, mesmo em todas as vezes que você me enfrentou, em cada ataque diva… você nunca conseguiu.

— E se eu não puder mais pisar em um palco? – Ela murmurou.

— Eu ainda estarei lá qualquer que seja o caminho que você seguir. – Ele a fez erguer a cabeça e a observou atentamente. – Mas eu acho que a pergunta que você quer fazer é se você se sentiria decepcionada consigo mesmo se nunca mais puder pisar no palco.

Rachel fechou os olhos.

— Olha… eu preciso de ajuda aqui. – Ele falou lentamente a fazendo abrir os olhos. – As portas estão sempre abertas.

— Está me convidando a vir ajudar a treinar o Glee Club? – Ela perguntou arqueando as sobrancelhas.

— Estou te oferecendo a chance de se reencontrar se assim você quiser. – Ele inclinou a cabeça ainda sorrindo. – De ver alguns jovens desajustados e perceber como o mundo deles muda quando alguém acredita e luta por eles. Talvez assim você se reencontre, se cure com a música deles, aprenda com as dores deles… agora vamos… Emma vai adorar te receber para o jantar e eu tenho certeza que Daniel vai amar te ouvir cantar, mas antes… precisamos arranjar um lugar para você ficar.

Rachel deu um pequeno sorriso deixando-o passar as mãos pelos seus ombros e a guiar para fora do auditório. Ela soltou uma risada enquanto ele falava do amor do filho mais velho por musicais, seu sorriso aumentou quando viu a mulher loira vindo pelo corredor. Will parou de falar quando viu o sorriso sonhador de Rachel e olhou para onde vinha os passos.

— O que está fazendo aqui? – Rachel se soltou do professor e avançou interceptando Quinn no meio do corredor, seus braços circulando a cintura da mulher. – Eu achei que estivesse em LA negociando o livro.

— Sam me ligou e contou o que aconteceu. – Quinn a segurou pelo rosto, seus olhos verdes a examinando com preocupação. – Me disse que você veio para cá. Alex sabe o que eu quero e ela pode negociar.

— Quinn… — A morena murmurou deixando o sorriso morrer. – Você deveria estar lá.

— Não quando seu pai faz o que fez. – A loira franziu as sobrancelhas. – Me desculpa por isso, de verdade. Não queria ser um…

— Para. – Rachel apoiou o polegar sobre os lábios da loira. – Não ouse se culpar porque o meu pai é um imbecil.

Uma garganta foi limpa e as duas olharam para um Will Schuester que sorria para elas.

— Acredito que mais um prato na mesa não fará mal. – Ele se aproximou. – Você está bem?

Rachel soltou Quinn para que a loira pudesse abraçar o antigo professor plantando um beijo em sua bochecha.

— Estou. – Ela sorriu para ele. – Como está Emma? E Danny? E o pequeno Dylan?

— Estão ótimos. – Will sorriu para Quinn, seus olhos percorrendo o rosto da loira. – Tem se cuidado?

— Sim, todos os exames em ordem. – Quinn piscou para ele. – Tudo está indo bem.

Rachel franziu as sobrancelhas e Quinn soltou uma risada.

— Sim, ele sabe… a treinadora também sabe. – Quinn encolheu os ombros. – Santana ligou para o Mr Schue e ele acompanhou minha mãe até Cambridge, ela meio que precisou de ajuda para colocar um pouco de juízo na minha cabeça.

— Um pouco? – Will arqueou as sobrancelhas. – Eu confesso… quero saber desse namoro e quero saber as novidades de Beth. Já sabem onde vão ficar?

— Eu estou com as chaves do apartamento de Puck. – Quinn explicou para ele. – Não se preocupe.

— Então eu espero as duas para o jantar hoje a noite, ok? – Ele arqueou as sobrancelhas.

— Estaremos lá. – Quinn pegou a mala de Rachel e passou a mão pela cintura da mulher. – Apenas… precisamos conversar.

Will concordou com a cabeça e acariciou os cabelos escuros de Rachel, viu as duas se afastarem e seu coração estava dividido entre pesado pela preocupação e felicidade pelas suas duas meninas.

*Diário*

Quinn fechou a porta enquanto Rachel olhava pela pequena sala e cozinha. A loira pendurou as chaves no gancho ao lado da porta e retirou seu casaco. Deixou a mala da mulher perto da porta e permaneceu parada olhando para Rachel.

— Por que Puck tem um apartamento em Lima? – A morena perguntou e Quinn se adiantou sentando no sofá, apoiando as costas no braço do objeto – Achei que ele ficasse na Califórnia com Shelby.

— E ele fica, mas quando vem a Lima prefere ter um lugar dele ao invés de ficar na mãe. – Quinn respondeu calmamente, seus olhos analisando Rachel. – Como você está?

— Com muitas opções. – Rachel respondeu fechando os olhos e escondendo o rosto entre as mãos. – Carmen Tibideaux me ofereceu alguns cursos… eu posso dar aula de interpretação ou eu posso voltar e conseguir habilitação para ensinar canto e dança.

— É uma opção. – Quinn retirou os sapatos e passou uma perna por baixo da outra, olhava Rachel andar de um lado para o outro.

— Mrs Schue acabou de me oferecer a possibilidade de vir ajudar a treinar o Glee Club. – Rachel ainda evitava olhar na direção da loira.

— É outra opção. – A autora concordou.

— E eu tenho certeza… — Rachel parou e finalmente olhou para Quinn. – Que você vai me oferecer a Califórnia.

— A ideia me passou na cabeça. – Quinn concordou sorrindo. – Mas na minha opinião eu acho que você está errada.

— Estou? – A morena se abraçou.

— Sim, você não tem opções de mais. – Quinn meneou com a cabeça. – A verdade é que você só tem uma, mas essa é a minha opinião.

— E qual é a sua opinião. – Rachel perguntou sem se mover.

— Bem…pelo que Sam me disse sobre a sua conversa com Kurt… — Quinn entrelaçou seus dedos. – Você disse que não consegue respirar em New York, você disse que queria distância de New York.

A morena desviou os olhos.

— E quando ele perguntou se você queria ir para a Califórnia você respondeu que precisava de espaço. – Quinn inclinou um pouco a própria cabeça. – Isso me diz que no final das contas você só tem uma opção, mas isso é a minha opinião. A verdade é que a decisão é sua e eu quero que você a tome quando estiver pronta para tomar.

Ela esperou, mas Rachel não respondeu, então Quinn suspirou.

— A verdade é que se sua decisão for ir para lá… — Ela usou a mão para apontar para a esquerda. – Escolher a Califórnia e Quinn. – Apontou para si mesma. – Eu vou estar lá para te apoiar… e se você decidir por cá… — Apontou para a direita. – New York e a Broadway… eu vou estar lá para te apoiar. – A morena lhe olhou. – E se você escolher aqui… eu ainda vou estar aqui para te apoiar. A decisão é sua Rachel, faça a escolha que você achar que deve, a que for melhor para você.

— Como você pode me falar isso? – Rachel passou as mãos pelo rosto limpando as lágrimas. – Depois de provavelmente ouvir tudo o que o meu pai disse sobre você.

— Bem… talvez seja porque eu me importo mais com o que você pensa. – Quinn deu um pequeno sorriso. – Eu acredito que Ellen disse algo semelhante.

— É… — Rachel mordeu o lábio e apoiou as mãos no encosto da poltrona que estava na sua frente. – Me desculpa, só… me desculpa.

— Por? – A loira franziu as sobrancelhas.

— Pelo meu pai e por Ellen. – A morena a olhou e viu Quinn arquear as sobrancelhas.

— Bem… você podia impedir Ellen de te encontrar na frente do teatro?

— Não.

— Podia impedi-la de falar o que ela disse? Mesmo que eu não saiba o que é?

— Não.

— Ok… então você podia impedir o seu pai de surtar porque eu sou HIV positiva e ele descobriu a PREP?

— Não.

— Então por que você está me pedindo desculpas por algo que você não podia evitar? – A loira franziu as sobrancelhas. – Rachel… você não pode evitar as pessoas de pensarem ou falarem as coisas… você só pode se desculpar pelo que você fala, faz ou pensa se assim achar que deve.

— Então por que você me pediu desculpas quando nos vimos? – Rachel perguntou confusa.

— Porque a minha condição causou um problema entre você e o seu pai. – Quinn explicou calmamente. – E a minha condição foi causada por um erro meu.

— Quando você se tornou essa pessoa? – Rachel a olhou ainda mais confusa. – Quando você se tornou a pessoa que aceita o que as pessoas falam sem lutar contra.

— Eu não sei, talvez em algum momento entre estar grávida aos 16 sem uma casa para lutar e estar lutando contra a própria sexualidade e contrair HIV. – A loira soltou uma risada fraca, mas logo ficou séria e sustentou o olhar de Rachel. – A verdade é que eu aprendi a não me importar com pessoas que não me conhecem, mas acham que sim. Eu aprendi a me importar mais com o que pessoas que me conhecem de verdade pensam. Então… se o seu pai acha que eu estou te usando ou que eu estou brincando com a sua saúde é um problema dele, se eu fico chateada? Sim, porque ele é seu pai e eu sei que por mais zangada que você esteja com ele, você ainda o ama. O que me interessa saber é se você acredita que eu estou te usando ou brincando com você.

Rachel suspirou e fechou os olhos negando com a cabeça.

— Eu não acredito que você esteja brincando comigo ou me usando. – Respondeu se sentando na poltrona, se inclinou apoiando os braços no joelho e segurando suas mãos firmemente. – Mas estou perdida… confesso que estou.

— Eu sei. – A loira falou atraindo a atenção da morena, soltou outra risada fraca. – Rachel você realmente acha que eu achei que seria fácil? Que iriamos ter algumas conversas, alguns beijos e tudo estaria resolvido? Por mais que tenhamos acertado de certa forma as coisas quando éramos mais novas, estamos falando de outro tipo de relacionamento. Eu não sou ingênua Rach…eu só peço uma chance. – Quinn suspirou desviando os olhos. – Mas eu tenho outra opinião…

— E qual seria essa?

— Eu tenho a opinião de que eu gosto de você e que você gosta de mim. – Quinn começou lentamente, lambeu os lábios e olhou para a morena. – Mas eu escuto você falar que não consegue respirar e que precisa de espaço. E eu entendo quão perdida você está se sentindo porque convenhamos… o lado de cá… — Quinn apontou para a direita. – Sempre foi o sonho, o desejo, o objetivo e agora você tem que achar um novo… me pergunto se este é o momento certo para nós.

Rachel abaixou os olhos e suspirou. – Você está terminando?

— Não… — Quinn deu um pequeno sorriso. – Eu nunca poderia terminar com você, Rachel. Quando eu fecho meus olhos eu vejo o meu futuro e você está nele, é por isso que eu disse… seja lá, seja cá ou seja aqui… eu vou estar com você. – A loira lambeu os lábios. – Eu só preciso saber se isso é o que você quer, se você está pronta…

Rachel voltou a olhar para seus dedos, suas sobrancelhas franzidas.

— A decisão é sua, mas é claro… esta é apenas a minha opinião.

Notas finais
@just_someone13