Diário
34 Capítulo XXXIII - Distância
Notas iniciais
Alguma vez me disseram que distância faz bem a um relacionamento. Ultimamente tenho tido vontade de mandar a pessoa que me disse isso para o inferno, mas mamãe ensinou que não pode. Existem vários tipos de distância entre elas a física que deve ser a mais fácil de suportar. Não me entendam mal, distância é distância e ela machuca de qualquer forma, mas entre distância física e a emocional eu continuo com a distância física que vem me torturando. Uma distância emocional tendo a pessoa ao seu lado ou estando longe, tanto faz, vai doer muito mais e quando você se encontrar na posição de dar um basta nessa distância a dormência irá tomar o seu corpo e você se sentira insensível ao mundo.
Distância por distância as duas são horríveis. Distância por distância as duas impõe desafios. Basta saber se vale a pena, basta saber se está pronto para isso. Você aguenta? Você se segura? Você está tão confiante e seguro assim? É claro que sim, apenas respire.
Pegou um táxi e rapidamente ligou o celular apertando a têmpora esquerda, deu o endereço para o homem.
Fez uma conta rápida e digitou o número da namorada.
– Já chegou? – A voz de Rachel veio pelo aparelho.
– Eu odeio voar. – Retrucou com os dentes cerrados. – Uma dor de cabeça de matar e uma turbulência infernal.
– Calma. – Ouviu o suspiro da morena. – Já está indo para casa?
– Não. – Deu um meio sorriso. – Minha casa é onde você está eu achei que você soubesse disso.
– Quinn… — O murmúrio nervoso.
– Estou indo para a casa daqui e vou ver se almoço com a Andrea hoje. – Vincou as sobrancelhas grossas sentindo uma leve pontada.
– É bom, mande um beijo. – Ouviu que ela se afastou um segundo. – Ethan quer falar com você.
– Me deixe falar com ele. – Pediu com um pequeno sorriso. – Oi meu príncipe.
– Mamãe volta logo ta? – Pediu com a voz enrolada.
– A mamãe volta logo. – Reprimiu a risada. – Você está lanchando?
– Sim. – Respondeu rápido. – Cookie vovó fez.
– Cookie que a vovó fez? – Sorriu sentindo a cabeça ir aliviando. – Que bom filho, Ethan você vai cuidar da mamãe Rachel?
– Vou.
– É o meu garoto. – Murmurou vendo os carros passarem. – Mamãe te ama.
– Amo.
Dave parou enfrente a porta respirando fundo, levantou a mão tocando a campainha daquela casa tão familiar. O homem abriu a porta secando as mãos no pano de prato.
– Dave. – Ele arqueou as sobrancelhas. – Achei que estivesse em New York.
– Eu estava, mas preciso pegar alguns documentos que ficaram aqui. – Dave deu um sorriso de lábios. – Como você está?
– Bem, entra. – O homem deu o espaço, tinha os cabelos escuros levemente cacheados e os olhos castanhos.
A pele pálida em contraste com a barba cheia, o sorriso nos lábios grossos era satisfeito.
– Senti sua falta. – Sua voz era grossa e macia.
– Também senti a sua Richard. – Dave acenou com a cabeça. – Como estão as coisas no escritório?
– Ótimas. – Indicou a cozinha. – Eu vou terminar a louça veja os seus documentos e venha tomar um café.
Dave andou pelo corredor até o escritório que tinham na casa. Mexeu nos papeis encima da mesa por alguns minutos, anotou algumas coisas em uma caderneta. Guardou tudo antes de ir para a cozinha.
Kurt entrou no escritório que Blaine havia alugado, o rapaz estava falando no celular quando viu o noivo.
– Nos falamos essa noite então? – Acenou com a mão para o Hummel. – Jantamos então? Maravilha.
Kurt se sentou na cadeira brincando com uma caneta observou o Anderson jogar o celular na mesa e puxar sua cadeira se curvando para lhe beijar.
– Jantamos hoje com um casal de amigos. – Sorriu com o canto dos lábios, mas Kurt não viu seus olhos estavam presos em uma papelada na mesa.
– O que é isso? – Puxou com os dedos. – Porque o seu contratado com o Sam está aqui?
– Ah isso. – Se endireitou e se afastou. – Vou quebrar a nossa sociedade, New York não tem mais nada pra mim.
– Eu estou em New York. – Kurt ainda olhava as palavras dos papéis. – Você não pode fazer isso com o Sam.
– New York não tem mais nada para você também, por favor, se você quer ter uma produtora de sucesso é aqui e não lá. Esquece essa porcaria de sonho infantil. – Blaine pegou uma garrafa tomando um gole da água. – Além do mais são apenas negócios.
– Sonho infantil? – Kurt se mexeu encarando o noivo. Negócios?
– Sim. – Blaine suspirou olhando o Hummel. – Sonho infantil você sempre sonhou com New York e nunca considerou nada além disso.
– É talvez seja realmente um sonho infantil, assim como um dia eu sonhei me casar com você. – Inclinou a cabeça para o lado, rodou a aliança de noivado em seu dedo.
– Como é? – Blaine arqueou as sobrancelhas, um pequeno sorriso. – Está brincando não é?
Kurt puxou a aliança para fora do dedo anelar e a deixou sobre a mesa, se levantou arrumando a roupa e logo rumou para a saída.
– Você está me abandonando? – Blaine ainda olhava a aliança.
– Estou seguindo os meus sonhos e você não está mais neles Blaine, espero que seja feliz. – Pousou a mão na maçaneta.
– E o Karofsky está neles? – Riu com desdém.
– Eu espero que sim. – Saiu porta afora.
Andrea virou a ultima página, manteve seu olhar no pequeno monte de folhas brancas soltando a respiração.
– Você é louca. – Murmurou com a voz embargada. – Isso é loucura Quinn, você vai descaracterizar a personagem inteira.
– Não vou, estou apenas dando o final da história. – Retrucou com um sorriso, estava sentada na poltrona enfrente a Phillips.
– Quinn. – Andrea entrelaçou os dedos na frente do rosto. – Olha o que você fez com a personagem.
– Dei o final dela.
– Você a matou e a transformou no vilão da história. – Arqueou as duas sobrancelhas claras. – Vão te matar, te trucidar.
– Ela foi usada como um peão. – Ergueu o dedo com um pequeno sorriso. – Qual é Andy ficou tão ruim assim o final?
– O final é ótimo. – Abriu os braços. – É poético, é intrigante, te deixa com um gosto de eu quero mais é perfeito.
– Era isso que eu queria. – Apoiou a cabeça com uma das mãos. – Mas ainda tenho que mexer esse é só o esqueleto do final do livro.
– Idiota. – Retrucou com um sorriso pequeno nos lábios rosados. – Rachel já leu isso?
– Rachel só vai ler quando ele estiver encapado. – Colocou a mão na bolsa tirando o diário.
– Por quê? – Franziu a testa.
Deslizou o diário para ela por cima da mesa. – É por isso que Rachel só irá ler quando estiver encapado.
Andy deslizou os olhos pelas palavras escritas deixando uma lágrima escapar pelo canto dos olhos.
Kurt sentiu as lágrimas caírem pelo seu rosto enquanto Mercedes esfregava suas costas.
– Volta para New York eu cuido de tudo aqui. – Sussurrou para ele.
– Não, você também acabou de terminar um relacionamento não é justo. – Limpou o rosto com raiva. – Vamos fazer isso juntos.
– Já ligou para o Dave? – Apoiou o queixo no ombro magro.
– O celular está desligado. – Suspirou olhando sua mão vazia. – Você acha que ele me perdoa?
– Eu acho que você precisa de um tempo para poder pensar e se redescobrir, não corre direto para os braços do Dave. – Acariciou o rosto pálido. – Da um tempo pra você pensa direito e se for o que você realmente quer então você vai até ele e vocês conversam.
– Eu sei. – Escondeu o rosto entre as mãos. – Sabe o que está me apavorando?
– O que?
– É que não está doendo, eu estou simplesmente aliviado de não ter que me casar com ele. – Kurt olhou para Mercedes. – Sou tão ruim assim?
– Não claro que não. – Limpou o rosto do homem. – Eu sei o que você está sentindo e acredite vai melhorar.
– Temos que avisar ao Sam se não ele vai ser pego de surpresa. – Pegou o celular que estava ao seu lado.
– Deixa que eu faço isso. – Mercedes tomou o aparelho dele. – Beba um pouco d’água e se recomponha, temos um estúdio para impressionar.
Dave suspirou pela terceira vez olhando o seu ex-namorado que lhe sorria tão serenamente.
– Já sabe se vai ficar aqui? – Richard pediu ansioso.
– Estou indo para Minnesota. – Negou com a cabeça. – Um novo goleiro está despontando na liga estudantil e eu quero…
– Garantir que ele tenha um bom agente. – Soltou uma risada baixa. – Eu sei disso.
Karofsky suspirou mais uma vez passando a mão pelos cabelos ralos.
– Está ficando calvo. – Richard sorriu carinhoso. – Tem usado o shampoo que eu te comprei?
– Sim, tenho sim, obrigado. – Dave sorriu sem jeito. – Hn… posso pegar algumas coisas minhas?
Richard o segurou pela mão.
– Eu queria conversar com você antes de você ir. – Engoliu um pouco de saliva. – Eu quero voltar Dave.
– Richard…
– Eu sei você quer filhos e quer ter um relacionamento mais sério. – Entrelaçou seus dedos nos dele. – E eu quero isso tudo, tenho medo, mas se você estiver seguro eu vou me sentir seguro. Quero começar uma família com você.
Dave olhou para as mãos entrelaçadas, soltou um suspiro pesado antes de olhar para os olhos castanhos.
– Richard eu não sei. – Balbuciou. – Olha eu não acho uma ideia muito boa.
– Por que não? – Apertou a mão de Dave. – Tem outro cara?
Dave puxou a mão para longe esfregando a testa suavemente, se levantou com um suspiro pesado.
– Olha não estou com ninguém. – Falou colocando as mãos nos bolsos da calça. – Apenas não acho que voltarmos seja algo bom.
– Por quê?
– Porque eu não quero. – Encolheu os ombros. – Não posso te fazer feliz não querendo estar nesse relacionamento. Te adoro Richard, mas nosso momento já passou.
Quinn pagou a conta vendo Andrea olhar distraída para o celular.
– Em que está pensando? – Assinou o recibo do cartão de crédito.
Andrea levantou o rosto soltando um suspiro, brincou com os dedos sobre a mesa por alguns segundos.
– Não vai ser surpresa se eu te contar que estou tendo um caso com a minha chefe. – Começou calmamente, Quinn arqueou uma sobrancelha. — Certo?
– Considerando que a sua chefe sempre deixou claro ter uma queda por você enquanto estávamos juntas? – Se levantou da mesa calmamente. – Não, nenhuma surpresa.
– Ela quer que eu passe um final de semana com ela em um lago. – Saíram para a rua pouco movimentada até onde o carro estava as esperando.
– E qual o problema?
– Não sei se devo ir, na verdade não quero ficar sozinha com ela. – Confidenciou antes de entrarem no veículo, jogou a bolsa no banco de trás. – Um final de semana romântico, acho que me deixaria pouco a vontade.
– Não estou te entendendo. – Quinn suspirou prendendo o cinto.
– Não sei se quero firmar um relacionamento com ela. – Colocou o carro em movimento. – Ela é linda, maravilhosa, mas…
– Mas…
– Não sei. – Suspirou. – Você e a Rachel poderiam vir né?
– Não, pode parando com a graça. – Soltou uma risada baixa. – Tem noção de como a sua chefe iria ficar desconfortável com isso?
– Um final de semana para você e a Rachel sozinhas sem o Ethan sem nada nem ninguém? – Provocou com um sorriso. – Vamos Quinnie, tenho certeza que a Rachel iria adorar um final de semana só com você e além do mais eu quero conhecer melhor a Rachel.
– Hn… — Olhou pela janela.
Rachel ajeitou a toca em Ethan com um pequeno sorriso, estavam no Central Park. Judy havia se afastado para comprar pipoca enquanto Rachel estava com ele deitados no lençol.
– Saudade mamãe Q. – Ethan amuou os lábios.
– Eu sei amor eu também estou com saudades. – Rachel sorriu passando um carrinho para ele. – Nós queremos a mamãe Q com a gente não é?
– É.
Rachel soltou uma risada, viu uma senhora de postura rígida encarando os dois. A mulher se aproximou com passos decididos, os olhos azuis faiscavam severos. Rachel olhou para o segurança que rapidamente começou a se aproximar dela.
– Rachel Berry? – A voz fria lhe alcançou.
– Sim, em que posso ajudar? – Pegou Ethan o colocando em seu colo, passou os braços por ele protetoramente.
– Pode ajudar soltando o meu sobrinho. – Apertou os lábios que estavam brancos. – Sou Mary Kuster.
Rachel se sentiu enrijecer com o sobrenome, apertou Ethan sutilmente. O segurança parou ao seu lado encarando a senhora Kuster.
– Senhora Kuster. – Rachel se levantou com um pouco de dificuldade, recebeu ajuda do homem. – Eu imaginei que fossemos nos encontrar.
Ethan se agarrou a Rachel quando ouviu o sobrenome, sussurrou para a morena.
– Mamãe não quer mais brincar aqui. – Ele se agarrava a Rachel como se tentasse evitar a mulher.
– Vamos embora. – Rachel olhou para o segurança que imediatamente tratou de recolher os pertences.
Judy se aproximou com o outro segurança, franziu as sobrancelhas claras vendo a movimentação da nora.
– Rachel. – Chamou atraindo o olhar de Mary.
– Vovó. – Ethan se inclinou para ela esticando os braços.
Judy o pegou vendo a mulher crispar os lábios parecendo não gostar de algo.
– Hn… Judy… — Rachel correu a mão pelos cabelos. – Você pode levar o Ethan para o carro? Eu já estou indo.
A Fabray encarou a Kuster com uma leve frieza, aquela mulher deixava sua nora e seu neto nervosos isso não era um bom sinal.
Judy se afastou com Ethan sendo seguida por um segurança, Rachel fez um sinal para o que estava ao seu lado e ele se afastou para uma distancia segura.
– Posso saber o que a senhora quer? – Respirou fundo tentando manter a calma.
– Quero o menino. – Manteve a calma e a postura austera. – Quero dar uma família de verdade para ele.
– Ele tem uma família de verdade. – Rachel estreitou os olhos.
– Não é por que ele te chama de mãe que você é a mãe dele. – O sorriso amargo surgiu nos lábios pálidos da senhora Kuster. – Ele tem mãe e ela está se curando com a graça de Deus.
– Mãe? A mãe que se omitiu enquanto ele era espancado pelo padrasto traficante estamos falando dessa mãe? – Franziu as sobrancelhas escuras dando um passo para frente. – Ethan é meu filho. Meu e de minha namorada. E ele tem uma família.
– Isso não é uma família. – Mary apertou os lábios bem juntos. – Vocês estão corrompendo meu sobrinho.
– Sobrinho que você nunca quis.
– Sobrinho que não posso deixar a mercê do pecado e da perdição que você está o levando. – A veia grossa saltou no pescoço pálido enquanto os olhos claros se arregalavam. – Conseguirei a guarda de Ethan e você nunca mais irá vê-lo.
– Não se preocupe em tentar. – Rachel rosnou de volta.
– Onde está sua… — Soltou uma risada irônica acrescentando de mal grado. — Namorada?
– Viajou a trabalho, mas não se preocupe você terá notícias dela assim que ela souber que você veio até aqui me ameaçar. – Seu sorriso aumentou. – Você não tem ideia de quão sexy ela fica protegendo nosso filho.
Deu as costas para a mulher que perdia a pouca cor que tem, se afastou com o segurança que mantinha a expressão calma.
Fale com o autor