Diário
16 Capítulo XV - Caminhos
Notas iniciais
Esses dias eu tinha uma decisão importante a tomar e uma parte minha não queria porque era abrir mão de algo, mas outra parte almeja uma liberdade. Nesse momento de insegurança meu porto seguro me segurou e disse que iria estar comigo, mas eu precisava saber o que iria fazer. Sussurrou em meu ouvido me acalentando até o momento certo. Em um momento sábio ela disse:
O caminho é de cada um e ele se faz ao caminhar.
Eu irei caminhar de cabeça erguida sentindo as pancadas da vida se você estiver ao meu lado.
Rachel se mantinha com as costas voltadas para Hiram que a abraçava enquanto acariciava os cabelos da filha, sussurrando palavras calmas em seu ouvido.
- Mais calma? – Olhou no relógio do quarto, já se passava duas horas que estavam naquele ritual. – Quer falar?
- Ela disse que me ama. – Fungou levemente.
- Mas eu não sabia que isso era um problema. – Murmurou com uma nota de riso.
- Eu me assustei. – Fechou os olhos bem apertados. – Não parecia tão…
- Real. – Hiram completou. – Até que ela falasse as palavrinhas mágicas você vivia num mundo só de vocês e quando ela disse se tornou real.
- É.
- Você percebeu as dificuldades que vão passar.
- É.
- Os compromissos que você está assumindo.
- É.
Hiram beijou os cabelos da filha. – Você não a ama?
- É claro que a amo. – Se sentou na cama, limpou o rosto. – É que… eu não sei… foi uma sensação tão poderosa.
- Rachel você está com medo, é normal quando vai iniciar uma nova vida. – A puxou pelo ombro gentilmente. – Ainda mais uma vida assim com tantos compromissos e tão na mídia. Você sabe o que é isso, você viveu um noivado assim com o Finn.
- É, mas é diferente. – Suspirou. – É mais forte, tem o Ethan…
- Sempre vai ter um monte de coisas Rachel. – Falou firme. – Sempre vai ter alguém torcendo a cara, alguém que faz parte do passado de uma das duas, responsabilidades, confiança… sempre vai ter tudo isso entre vocês. Basta você saber o que você vai deixar interferir entre vocês duas.
Quinn organizava as caixas de papelão que estavam espalhadas pelo jardim da frente, ouviu o interfone do portão e correu para o monstro de ferro preto. Sam estava dentro de seu carro, retirou os oculos escuros e sorriu para ela abaixando o vidro do carro.
- Preciso falar com você.
- Entra. – Abriu o portão.
Sam estacionou em uma das duas vagas da garagem enquanto a loira voltava para as caixas as empilhando em alguma ordem.
- Cadê o Ethan? – Sam perguntou trancando o carro.
- Lá dentro com a Britt. – Quinn respondeu olhando uma lista.
- O que é tudo isso?
- Donna mandou minhas coisas de São Francisco. – Franziu a testa. – Estas são as ultimas caixas, as do escritório.
- Ou seja. – Sam levantou uma tampa vendo cadernos de couro. – Aqui está a mina de ouro?
- Exatamente. – Esfregou a testa, tinha uma leve dor de cabeça.
- Posso te ajudar? – Pediu já puxando o terno pra fora do corpo. – Acabamos mais rápido e eu preciso falar com você.
- Sobre? – Começaram a entrar na casa carregando algumas das caixas.
- Coisas. – Respondeu evasivo.
- Não quero falar sobre ontem. – Empurrou a porta do escritório.
Sam analisou o escritório, o tom pastel nas paredes, janelas altas deixando entrar bastante luz. A mesa de madeira pesada e rústica perto de uma parede onde outra mesa em uma linha mais leve estava apoiada na parede sustentando o computador já montado. Algumas caixas de livros espalahadas pelo tapete próximas a estante que subia até o teto, do outro lado do escritório uma estante baixa guardava os vinis já em ordem de preferencia e o toca disco. O violão encostado em uma das poltronas de couro.
- Belo escritório. – Sam comentou.
- É. – Pegou um arquivo de mesa e o pousou ao lado do computador. – Posso te pedir para pegar as outras caixas?
- Claro.
Quinn começou a etiquetar cada gavta antes de pegar outro arquivo e colocar encima do primeiro. Foi até uma das caixas a repousando encima da mesa rústica, puxou a primeira gaveta guardando uma caixa nova de canetas, uma de lápis e outra de borrachas. Três blocos de anotações e duas caixas de alfinetes coloridos.
Na segunda gaveta guardou novos exemplares de diários com a capa de couro. A terceira gaveta ficaria vazia por um tempo.
Olhou para os dois arquivos de madeira escura entre as janelas. Sam entrou carregando duas caixas.
- Por que tem um quadro de cortiça lá embaixo?
- Hn? – Olhou para o loiro. – Você pode subi-lo?
- Coloquei tudo na sala. – Se sentou na poltrona pegando o violão. – Precisamos conversar.
- Sobre?
- Donna. – Se distraiu treinando algumas notas. – Ela não pode continuar a ser sua agente.
- Por quê?
- Os chefes dela não estão satisfeitos com as suas aparições. – Levantou os olhos. – Então ela passou o seu cantrato pra mim.
- Então você é o meu novo agente Evans? – Arqueou uma sobrancelha.
- Não te falamos nada porque você já estava ocupada com o Ethan. – Encolheu os ombros. – Mas é temporário, Donna vai ver se consegue alguns artistas e vai entrar de sócia comigo e o Blaine.
- E os tramistes legal para minha mudança de agentes?
- Tudo resolvido, você acha que eu brinco em serviço Fabray? – Sorriu sarcástico. – Você quer conversar sobre a Rachel?
- Não.
- Quinn.
- Eu disse que a amava e ela entrou em pânico. – Voltou seu olhar para o computador, dando as costas para Sam. – Simples assim.
- Na verdade acho que é um pouco mais complicado. – Murmurou parando o dedilhado fraco que tinha iniciado. – Finn chegou a New York essa manhã, pelo que Kurt me disse ele decidiu que precisava de férias e abandonou os treinos com o time.
Quinn girou na cadeira para enfrentar o homem.
- E pelo o que eu sei ele já está atrás dela.
Rachel se mexeu incomodada no sofá ao lado daquele grande homem. Os cabelos loiros escuros continuavam no mesmo estilo de quando adolescentes, alguns fios de barba pelo queixo. Os olhos tinham perdido aquele ar inocente e os lábios agora eram quase sempre enfeitados pelo sorriso irônico. Sentiu a mão pesada em seu joelho o apertando.
— Por que você não se arruma? — Sua intenção era perguntar, mas acabou inquirindo irritado. — Tenho reservas para o jantar, passamos o dia com os seus pais.
Rachel suspirou apertando a ponte do nariz.
— Eu não pedi para você ficar aqui. — Resmungou em resposta. — Nem sei o que você está fazendo aqui.
— Fiquei com saudades. — Sorriu bobamente com um leve toque de ironia. — Não posso querer ver minha noiva?
— Noiva? — Olhou para ele com descrença. — Terminamos tem mais de um ano.
Leroy se levantou indo para a cozinha deixando os dois conversando a sós.
— Eu quero voltar Rach. — A acariciou na bochecha. — Quero fazer certo agora.
— Por quê? — Arqueou as sobrancelhas. — Por quê agora?
— Me preocupo com o que você está fazendo com a sua vida. — Falou sério fechando a expressão. — Você é muito inocente e não está percebendo que está desvinculando a sua imagem de um homem que cuida de você que quer o teu bem para se juntar a uma mulher que sempre quis a tua infelicidade.
— Você está falando da Quinn? — Bufou se levantando. — Por que se for eu espero que dobre a sua língua.
— Está vendo? A Fabray virou a sua cabeça Rach. — Se levantou acariciando o rosto dela. — Mas eu estou aqui pra cuidar de você ok? Conversei com o seu pai e ele nos abençoa é mais seguro. Podemos ir morar na minha casa, você não vai mais precisar trabalhar.
— Como é?
— Rachel você já provou o seu ponto. — Deu seu famoso sorriso torto. — Já provou que pode cantar e atuar, mas agora já chega. Vamos casar e ter os nossos filhos, você cuida da casa e eu o sustendo como deve ser.
Hiram olhava furioso para Leroy, estavam quietos ouvindo a conversa dos mais novos na sala.
— Você está ouvindo isso? — Rosnou baixo para o marido. — É isso que você quer? É isso que você prefere?
— Estou cuidando dela. — Respondeu preocupado. — Eles podem resolver isso conversando.
— Você é inacreditavel. — Rolou os olhos negando com a cabeça.
— Ela tomou a decisão de se afastar da Fabray.
— Sua filha só quer o seu apoio. — Se levantou da mesa.
Entrou na sala encontrando Finn sentado no sofá com os dedos entrelaçados atrás da cabeça e um sorrisinho nos lábios. Passou pisando duro.
— Hiram a Rachel está se arrumando. — Seu tom de voz era leve. — Não precisa nos esperar acordado.
— É Sr. Berry para você. — Respondeu em voz fria rumando para o quarto da filha.
Rachel estava arrumando uma pequena bolsa enquanto jogava o celular sobre a cama.
— Você vai sair com ele? — Hiram fechou a porta sem esconder o descontentamento.
— O senhor não precisa me esperar acordado. — Rachel respondeu pegando uma camisola quase transparente de tão fina. — Estou indo dormir na casa da minha namorada.
Hiram sorriu de leve. — Essa lingerie não combina com a camisola.
Rachel parou observando o que o pai falava antes de bufar jogando a dita lingerie sobre a cama.
Quinn estava deitada no sofá uma taça de vinho e um livro, às vezes se contorcia para olhar Ethan que brincava quietinho em um tapete cercado de seus brinquedos. Observou o menino abrir a boca bocejando sem soltar o carrinho que examinava intrigado.
— Sono meu amor? — Perguntou pousando a taça no chão e se levantando. — Vamos pra cama?
— Não. — Sorriu ainda investigando o brinquedo com seus dedinhos. — Binca.
— Brincamos mais amanhã. — O beijou na testa passando as mãos por baixo dos braços do menino. — Prometo.
Uma batida incerta na porta atraiu sua atenção, parou no meio da sala segurando o garoto. Não tinham ligado da portaria e nem interfonado. Ou Santana tinha deixado o portão aberto ou seria...
Se adiantou com Ethan agarrado ao seu pescoço brincando com os fios claros, abriu a porta de maneira firme.
— Boa noite. — Olhou para os dois Berry na sua frente.
— Oi. — Rachel murmurou, sua mão foi automaticamente para os cabelos de Ethan. — Oi meu lindo.
— Rach. — Sorriu procurando a voz da mulher nas suas costas.
— Entrem. — Deu passagem deixando Rachel pegar Ethan no colo. — Eu ajudo.
Pegou uma das bolsas que Hiram segurava. — Aconteceu algo?
— Sim. — Hiram murmurou olhando a filha se sentar no sofá aconchegando o menino em seu colo. — Eu poderia te pedir um chá?
— Apenas se o senhor me acompanhar a cozinha e me explicar o que está acontecendo. — Pousou a bolsa no chão indicando o corredor.
— Quinn. — Rachel a chamou assim que a loira deu dois passos para longe.
— Eu te espero lá. — Hiram saiu da sala
Quinn secou a palma das mãos na calça se aproximando da morena, sentou-se ao lado dela olhando para o garoto que tinha os olhos quase fechados.
— Eu ia coloca-lo na cama, você pode fazer isso por mim?
— Sim. — A segurou pelo queixo colocando um beijo pequeno na depressão abaixo dos lábios. — Podemos dormir aqui?
— O que aconteceu? — Perguntou de olhos fechados, seu rosto se mexeu arrastando o nariz pela maçã do rosto.
— Eu te conto mais tarde. — Sussurrou a beijando no canto dos lábios.
Quinn soltou um grunhido a segurando pela nuca e lhe colocando um beijo nos lábios que se mexeram calmos e em sincronia.
— Vou ver o seu pai. — Murmurou a beijando mais uma vez na boca e colocando um na testa de Ethan. — Boa noite pequenpo principe.
Quinn entrou na cozinha que Hiram já havia colocado a chaleira no fogo.
— Rachel foi colocar o Ethan na cama. — Limpou a garganta pegando canecas de porcelana no armário e as colocando no balcão. — O que aconteceu?
— Em resumo? — O homem cruzou os braços com uma expressão séria. — Meu marido passou o dia jogando nossa filha para cima do Hudson, que disse o plano de vida que ele queria com a minha estrelinha que incluia ela sendo uma dona de casa sustentada. Eu me irritei, fui atrás da Rachel e ela estava se arrumando para vir para cá com o Hudson achando que eles iriam sair para jantar, quando saimos na sala os dois não ficaram muito satisfeitos.
Quinn estava apoiada no balcão com o corpo tenso e rígido, seus olhos lampejaram frios e a boca se crispou.
— E?
— Minha filha me encheu de orgulho. — Sorriu de leve fechando os olhos. — Mas isso ela deve te contar, só vou te pedir uma coisa.
— O que?
— Não a magoe, ela está abrindo mão de algo muito importante.
Ficaram em silencio ouvindo o chiado da chaleira ir aumentando até Hiram a puxar para fora do fogo e despejar a água no bule com uma peneira para separar a mistura de ervas. Coou o chá e serviu nas canecas com cuidado para não se queimar.
— O senhor também está abrindo mão de algo? — Perguntou com a voz rouca.
— Pela minha filha? — Arqueou uma sobrancelha assoprando o chá quente. — Abro mão de qualquer coisa, você vai me dizer que não entende? Pela felicidade da sua filha você abriu mão dela.
Quinn acenou com a cabeça acariciou a alça da caneca com a ponta dos dedos se deixando afundar em pensamentos. Sentiu as mãos afagarem sua cintura e o beijo em seu ombro.
— Ele dormiu rápido, não precisei nem cantar muito. — Murmurou com um sorriso leve.
— Quinn sou obrigado a lhe fazer um pedido. — Hiram abaixou a caneca. — Estou tentado a tocar aquele piano desde que o vi, eu poderia?
— É claro. — Sorriu leve para o homem. — Sinta-se em casa.
Hiram piscou para a filha saindo da cozinha, Rachel observou Quinn voltar a olhar para a caneca.
— O que o papai te disse? — Murmurou a beijando no pescoço pálido.
— Que o seu pai e o Finn ficaram encima de você o dia todo. — Murmurou deslizando o dedo por dentro da alça da caneca e a levando até os lábios tomando um gole. — E me pediu para não te magoar. Do que você está abrindo mão Rachel?
A Berry suspirou dando outro beijo no pescoço de Quinn antes de apertar seu rosto contra a pele perfumada.
— Vamos lá para fora? — Pediu baixo, se afastou pegando a própria caneca de chá.
Quinn entrelaçou os dedos a puxando para a varanda, ouviram ao longe o som suave do piano. Se sentaram no sofá, Quinn apoiou uma almofada grande em sua perna e no braço do sofá para que Rachel se recostasse. A morena lhe deu um beijinho de agradecimento.
— Então? — Insistiu tomando um gole de chá.
Rachel suspirou apoiando a cabeça no ombro de Quinn ganhando um afago.
Rachel apareceu na sala com a bolsa nos ombros, Hiram vinha logo atrás mantendo um semblante calmo.
— Rachel eu fiz reservas em um restaurante fino, não da para você ir de jeans e moletom. — Finn resmungou irritado. — Vai trocar de roupa.
— Não vou jantar com você. — O olhou sem emoção. — Vou dormir em outro lugar.
— Você não vai dormir com aquela mulher. — Leroy rosnou de repente. — Volte para o seu quarto e coloque um vestido bonito.
— O senhor não tem mais poder para mandar sobre com quem eu durmo ou deixo de dormir. — Disse entre dentes. — Se não está satisfeito com as minhas decisões pode ir embora.
— Está me expulsando? — Arqueou uma sobrancelha.
— Estou te dando uma escolha. — Sentiu Hiram pousar a mão em seu ombro.
— Vamos. — Leroy olhou o marido. — Nesse caso não ficamos aqui.
— Não. — Hiram falou firme. — Você pode ir eu vou ficar e apoiar minha filha.
— Hiram. — Leroy vacilou.
— Você só sabe atacar sem ouvir e eu cansei. — Respirou fundo. — Volte pra casa e quando eu voltar conversamos.
— Papai o senhor pode pegar algumas coisas suas e ir comigo?
— Claro meu amor. — A beijou na testa.
As duas se entreolharam por alguns segundos se estudando atentamente. Quinn pegou as taças as colocando na mesinha lateral, a segurou pelo rosto.
— Tem certeza?
— Você não? — Mordeu o lábio inferior.
— Rach eu nunca iria pedir para você se afastar do seu pai por minha causa. — Sussurrou calmamente.
— Ele que escolheu se afastar de mim. — Retornou no mesmo tom. — Estou segura do que quero e o que eu quero é você e o Ethan. Eu te amo.
Se curvou a beijando na testa e em seguida a apertou contra o seu corpo.
— Se importa de eu ter pedido pro meu pai vir junto?
— Claro que não. — Cheirou os cabelos escuros. — Porque não usou sua chave?
— Fiquei com medo que você achasse muita pretenção minha. — Brincou com uma mexa de cabelos.
— Bobinha. — A mordeu gentilmente no nariz. — Passei o dia agoniada pensando em você e naquele animal do Hudson.
— Como você soube que ele estava aqui?
— Sam. — Suspirou. — Ele é meu novo agente, mas eu te explico isso depois.
Rachel arqueou uma sobrancelha, mas deixou passar iriam conversar sobre isso mais tarde. Se aconchegou contra a loira com um suspiro.
— Se te incomodou por que não me procurou?
— Você me pediu um tempo e disse que não estava terminando comigo. — Brincou com a barra do moleton, o subiu um pouco revelando um pedaço de pele morena, passou os dedos por ali vendo a pele se arrepiar. — Eu achei que deveria demonstrar que confio em você e te dar espaço para se resolver com ele.
— Ele me pediu uma chance. — Fechou os olhos com a expressão séria. — Disse que eu não posso vincular a minha imagem a sua.
Sentiu o corpo da loira ficar tenso e tratou de colocar um beijo no pescoço pálido arranhando a pele com os dentes em seguida. Subiu o beijo pelo maxilar mordendo o osso saltado, deslizando a lingua entre os lábios para brincar com a ponta pele pele.
Quinn soltou um suspiro baixo puxando o rosto para longee.
— O que? — Perguntou franzindo as sobrancelhas, Quinn apertava ainda mais os dentes juntos.
— Seu pai está na sala. — Respondeu soltando a respiração de uma vez, tomou o resto do chá morno.
Rachel amuou o rosto correndo as unhas pelos braços desprotegidos de Quinn.
— Terminei de montar o escritório, as coisas que a Donna me mandou chegaram hoje cedo. — Tirou uns fios de cabelo do rosto dela.
— Ja guardou as coisas? — Entrelaçou os dedos. — Queria te ajudar.
— Desculpa é que eu tinha que ocupar a cabeça.
— Meninas. — Hiram apareceu na porta. — Perdoem esse velho, mas ele precisa descansar.
— O senhor não está com fome? — Quinn ameaçou levantar, mas ele ergueu as mãos.
— Comemos no caminho para cá. — Explicou. — Se não se importa eu gostaria de deitar.
— Claro, vou levar o senhor até o quarto de hóspedes.
— Primeiro. — Pousou a mão no ombro de Quinn. — Já disse para parar com o senhor e segundo que eu me lembro onde é, não precisa me acompanhar fiquem ai e namorem um pouco.
— Boa noite papai. — Rachel sorriu recebendo um beijo na testa.
— Boa noite estrelinha. — Acariciou o rosto da filha, se virou dando um beijo na testa de Quinn. — Boa noite Quinn.
Pega de surpresa olhou para Hiram antes de sorrir de leve.
— Boa noite.
Rachel sorriu vendo o pai sair, se afastou de Quinn sentando-se ao lado dela.
— Quero conversar com você um assunto sério. — Falou fechando os olhos.
— E o que seria. — Estranhou a mudança.
Rachel respirou fundo antes de falar rápido. — Como estão as suas finanças?
— O que? — Quinn se sentou de lado para ela. — Minhas finanças estão ótimas.
— É sério Quinn. — Abriu os olhos encarando o teto. — Você comprou essa casa, moveis novos, o processo de adoção também não foi tão barato, as roupas e os brinquedos dele e o aluguel do aparte.
— Rachel eu estou bem. — A segurou pelo rosto. — Mesmo. Durante esses anos eu só gastava o essencial das rendas dos livros e dos produtos que lançavam, eu tenho um bom dinheiro guardado. E no final do mês vai cair a renda mensal do livro o que aliviaria se eu estivesse apertada financeiramente.
— Não é certo você pagando por tudo isso. — Rachel argumentou. — Me deixa ajudar com as contas do Ethan.
— Não precisa. — Acariciou o rosto com as costas dos dedos.
— Você disse que eu sou mãe dele, mas se você não me deixar ajudar com as contas eu não vou me sentir mãe. — Empurrou a mão que lhe acariciava para longe. — Eu quero participar em todos os sentidos. E não só cuidar dele.
— Mas isso é ser mãe. — Franziu o cenho.
— Eu sei, mas não quero ter a impressão que você está me sustentando.
— Rachel não me compare ao Hudson. — Seu tom se tornou perigoso. — Eu nunca faria isso. Quero que você tenha a sua liberdade, que você faça o que ama, quero te apoiar no seu trabalho.
— Então me deixa ajudar com o Ethan. — Segurou as mãos da loira.
— Ok nós podemos dividir as contas. — Acenou com a cabeça.
Rachel soltou a respiração se aproximando rápidamente e a beijando furiosamente, Quinn sentiu seu corpo ser imprensado conta o encosto do sofá enquanto Rachel montava em seu colo. Arqueou as sobrancelhas claras pela surpresa do movimento, a afastou gentilmente pela cintura.
— O que foi isso? — Perguntou ofegante.
— Paixão, saudades, tesão... — Pausou as palavras com pequenos beijos. — Pode escolher.
— Gosto de todos eles. — A puxou de volta passando a mão por dentro da roupa acariciando a pele quente.
Rachel suspirou dentro da boca de Quinn a puxando pela nuca, mordendo os lábios rosados já um pouco inchados. Seus quadris se movimentaram sutilmente tentando achar o osso do quadril para criar mais atrito.
— Rach... — Escapou por alguns instantes. — Vamos entrar.
— Esta bom aqui. — Respondeu se movendo para o pescoço, empurrou a gola da blusa para longe podendo sugar o osso da clavícula.
— Rachel é sério vamos subir. — A empurrou engolindo saliva. — Está ficando frio.
A empurrou contra a parede no meio da escada. Rachel gemeu baixinho sentindo a perna de Quinn encaixada entre as suas exercendo uma deliciosa pressão. A língua ia lhe provocando, saindo da boca para ficar apenas brincando passando a ponta na entrada dos lábios. Sempre que Rachel tentava avançar no beijo Quinn puxava o rosto para longe com um sorrisinho de canto, suas mãos a puxaram pelo quadril movendo suavemente a perna.
- Vem vamos dormir. – Sussurrou abocanhando a orelha de Rachel. – Você precisa de um banho frio.
- O que? – Abriu os olhos, sua respiração acelerada e seu rosto quente. — Você vai me deixar só na vontade? — As pupilas dilatadas e a boca vermelha e mole. — Quinn.
O gemido que a Berry soltou foi uma prova de fogo, Quinn respirou fundo a beijou suavemente e se afastou subindo a escada.
— Você veio dormir e é isso que vamos fazer.
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