Diário
17 Capítulo XVI - Cortejar
Notas iniciais
Ralph Waldo Emerson uma vez escreveu: "A sociedade é uma festa a fantasia onde todos escondem sua verdadeira personalidade. E ao esconder, a revelam."
Sempre que leio essa frase me sinto confusa. Já não sei mais quem é a máscara e quem é a verdade. Tenho a impressão que as duas se fundiram em uma mistura bizarra onde não me encontro mais. Antes a máscara me protegia, agora ela me expõe. É estranho e ao mesmo tempo em que me amedronta me instiga a querer saber mais dessa nova pessoa que está surgindo.
Quinn estava arrumando os travesseiros, já havia trocado de roupa e esperava Rachel sair de dentro do banheiro. Sorriu imaginando a morena tentando se afogar em água gelada. Olhou para a caixa ao lado da cama e mordeu o lábio, se sentou na beirada e abriu a caixa com cuidado, nem queria saber como Donna havia conseguido passar aquilo pelo sistema de segurança do aeroporto.
— Eu não tinha uma lingerie que combina-se. — Ouviu a voz de Rachel, se virou e sentiu o coração parar.
A morena estava parada próxima a cama apenas com uma camisola curta e fina, seus olhos subiram pelas coxas roliças, a boca secou quando percebeu os seios desprotegidos e o sorriso presunçoso que Rachel exibia.
— Vamos dormir? — Puxou as cobertas e se deitou, desligou a luz do abajur ao seu lado. — Vem amor deita.
Quinn fechou os olhos, empurrou a caixa para baixo da cama.
— O que é isso? — Perguntou se deitando de lado, olhando as costas de Quinn.
— Algumas coisas. — Respondeu se enfiando embaixo das cobertas, mal tinha se ajeitado sentiu Rachel se acomodar contra o seu corpo se agarrando a sua cintura.
— Que tipo de coisas? — Sussurrou em seu ouvido.
— Brinquedos. — Fechou os olhos.
— Aqueles que o Ethan não brinca? — Acomodou o rosto na curva do pescoço pálido dando um pequeno beijo.
— É. — Sentiu o beijo em sua garganta e engoliu a saliva. — Esses brinquedos de adultos.
— Boa noite. — Sorriu contra os lábios da loira. — Bons sonhos.
— Rach... — Quinn murmurou sentindo os seios pressionados aos seus. — Você pode colocar alguma lingerie, pode ser sem combinar.
— Não gosto de usar lingeries que não combinem. — Respondeu calma, entrelaçou suas pernas nas de Quinn as roçando.
Sentiu algo quente contra sua coxa e estremeceu com o contato.
— Rachel é sério. — Sua voz baixou o tom.
— O que foi? — Levantou o rosto apoiando o queixo contra o peito dela.
A puxou pelo pescoço para um beijo faminto, mudou a posição ficando entre as pernas de Rachel, prendendo os pulsos da morena acima de sua cabeça. Sentiu seu quadril ser abraçado pelas pernas morenas que a puxavam mais, o gemido em sua boca. Prendeu os pulsos de Rachel com uma das mãos e com a mão livre a desceu até um dos seios apertando suavemente. Afastou-se de olhos fechados, Rachel tentou se mover a puxando de volta, mas não conseguiu.
— Vou dormir no quarto do Ethan. — Quinn murmurou tentando se levantar.
— O que? — Apertou seu domínio contra os quadris de Quinn. — Para com os joguinhos vai.
— Baby. — Soltou os pulsos e tentou mais uma vez se levantar. — Não estou jogando.
— Então vem cá. — A puxou pelo pescoço arranhando a nuca.
— Rachel. — Abriu os olhos de um verde tão intenso que calou a morena e a fez parar qualquer tentativa. — Não é assim que eu quero a nossa próxima vez.
— Assim como?
— No desespero. — Empurrou as pernas que caíram frouxas sobre a cama, se sentou no colchão cruzando as pernas uma sobre a outra. — Quero que seja romântica e calma eu quero poder te dar atenção te amar com cuidado.
— E porque não agora. — Também se sentou abraçando as pernas tentando aliviar a pressão em seu centro.
— Seu pai está no final do corredor. — Apontou para a porta. — E o Ethan pode acordar. Eu também quero, quero muito.
— Quinn. — Gemeu de frustração, fechou os olhos batendo levemente a testa nos joelhos. — Podemos fazer em silencio.
Esfregou a própria testa, olhou para o lado que sabia estar a caixa.
— Eu quero fazer direito. — Puxou os cabelos da própria nuca. — Não me olha assim.
Rachel respirou fundo, se levantou.
— Vou tomar outro banho e vou dormir com o meu pai. — Falou tentando realmente acreditar que seria mais fácil.
Quinn olhou mais uma vez na direção do lugar da caixa.
— Espera. — Se ajoelhou na cama a puxando pelo braço. — Tem uma coisa.
Rachel sentiu Quinn a puxando para a cama, a loira pulou para o chão e puxou a caixa para fora. Rachel viu um brilho metálico enquanto Quinn procurava alguma coisa, observou o pequeno sorriso da loira. Um objeto roxo parou encima dos lençóis, Rachel se curvou para pega-lo, era pequeno com relevos em todo o seu comprimento.
— Esse é um dos meus favoritos. — A voz rouca de Quinn em seu ouvido. — Eu tenho uma pequena coleção.
A loira pegou o objeto e o vestiu em seu dedo indicador ficando um pouco curvo, sorriu para Rachel antes de se acomodar contra os travesseiros abrindo as pernas batendo sutilmente no local.
— O que é isso? — Perguntou se acomodando contra o corpo de Quinn.
— Você vai ver. — Começou a beija-la no pescoço acariciando os seios com carinho.
— Hnnn... — Jogou o peso para trás imprensando os seios de Quinn ganhando um gemido baixo. — Silencio.
Subiu a boca quente pelo pescoço até sua orelha a sugando, beliscou os mamilos soltando uma risadinha na orelha de Rachel quando sentiu o corpo da morena se arrepiar.
Suas mãos desceram pela barriga até chegarem as pernas as puxando para cima de suas próprias pernas deixando o seu interesse completamente exposto.
Rachel virou o rosto a procurando, sua respiração estava tão superficial e sua boca completamente seca, os lábios se chocaram. Sentiu uma das mãos lhe abandonarem e logo um distinto barulho de algo vibrando, engasgou quando sentiu o contato com sua carne sensível.
— Shhh...suave... — Quinn murmurou a beijando calmamente, sugou o lábio superior.
Rachel gemeu, suas mãos apertaram as coxas de Quinn para tentar se acalmar. Apertou bem os olhos controlando a respiração, sentiu o choramingo no fundo da garganta quando sentiu o passear do dedo.
— Bom? — Pediu afundando o rosto no pescoço moreno e já suado.
— Sim. — Gemeu a palavra, seus quadris se mexiam moendo contra os de Quinn que por sua vez mordia a pele reprimindo qualquer som.
Mergulhou para dentro de Rachel sentindo o local quente e apertado, soltou um gemido abafado contra a orelha dela, pegou um ritmo lento aumentando aos poucos a intensidade do estimulador até o máximo. Rachel arqueou as costas, suas unhas se cravando nas pernas de Quinn deixando vergões vermelhos e tirando até um pouco de sangue.
Quinn estava apoiada na bancada da cozinha esperando a cafeteira terminar o bendito café, passou a mão pela nuca aspirando o aroma gostoso. Sentiu o beijo em seus lábios e o sorriso se espalhou por sua boca.
— Bom dia. — Rachel murmurou se afastando para a geladeira, queria um pouco de suco.
— Bom dia. — Inclinou a cabeça pegando uma boa visão das pernas morenas enquanto Rachel procurava o que queria.
— Pare com isso. — Falou ainda olhando para a geladeira.
— Não estou fazendo nada. — Se defendeu arqueando uma sobrancelha.
Rachel se afastou da geladeira carregando uma jarra de suco de abacaxi. Deixou no balcão ao lado de Quinn e se afastou para pegar um copo, a loira sorriu antes de correr os dedos pelas coxas ganhando uma tapa no ombro.
— O que? — Pegou o copo para ela.
— Meu pai. — Resmungou.
— Ah, mas isso não te impediu de me atacar ontem. — Pegou uma caneca e se serviu do café fresco.
— Achei que seu autocontrole fosse bom. — Escondeu o sorriso atrás do copo.
— Você se deitou apenas de camisola do meu lado e ficou me provocando. — Bufou revirando os olhos. — E eu não te ouvi reclamar.
— Idiota. — Balançou a cabeça.
— Hoje eu tenho umas coisas para resolver com o Sam, você se importa de ficar com o Ethan o dia todo?
— Você está mesmo me perguntando isso? — Se voltou para a geladeira pegando uma tigelinha de salada de frutas.
Quinn deu de ombros, viu Hiram entrar na cozinha ajeitando os cabelos.
— Bom dia meninas. — Sorriu para elas. — O pequeno príncipe ainda não acordou?
Rachel abaixou a colher, foi até o pai o beijando no rosto. — Vou pega-lo.
— Toma café. — Quinn não conseguiu falar antes da morena sair da cozinha como um furacão. — Hiram.
— Sim. — O homem se serviu de café.
— Você me ajudaria em uma coisa? — Sorriu travessa.
Sam olhava a tela do computador com um pequeno sorriso, acenou com a cabeça.
— Perfeito, vocês fizeram um trabalho incrível com esse site. — Sorriu para as duas garotas.
— As montagens, foi a parte mais trabalhosa. — Lisa olhou por cima do ombro dele. — E como ninguém podia fazer tivemos que virar noites.
— Vocês serão recompensadas. — Quinn estava parada na porta. — Coloquem no ar, temos trabalho a fazer hoje e um site para encher de noticias.
— Alguém acordou bem disposta. — Sam soltou uma risadinha. — Você já viu o site da sua fã numero 1?
— Não e não quero saber dessa praga. — Se serviu de um copo d'água do bebedouro. — Garotas a ideia vocês já sabem. Quero saber se me ajudam a por em prática?
Lizz se curvou sobre Sam e bateu um comando.
— O site está no ar. — Sorriu com um ar superior. — Está na hora de certa pessoa aprender como é ser fã de um casal de verdade.
— Ok eu fiquei com um pouco de medo. — Arqueou uma sobrancelha. — É eu gostei de você.
O Evans soltou uma risada alta. — Falou com o Hiram?
— Falei e ele topou. — Terminou o copo. — Vamos fazer isso.
Rachel permaneceu atenta a ''brincadeira'' de Ethan com a fisioterapeuta, o menino parecia um pouco arredio, mas deixou ser tocado sentindo o carinho de Rachel em seus cabelos.
— Ele precisa cortar os cabelos. — Hiram falou sorrindo, estava observando a cena da porta.
— É, mas estamos pensando em esperar mais um pouco. — Observou a mulher esticar a perninha dele e a colocar para descansar. — Chega por hoje?
— Sim, ele precisa descansar. — Sorriu para o menino.
— Eu lhe acompanho até a porta. — Hiram se prontificou.
— Vou dar banho nele. — Rachel avisou ao pai.
Hiram caminhou até o portão, pegou o celular passando uma mensagem para a nora. Tinham combinado que ele iria avisar todos os passos que Rachel desse durante o dia, mas Quinn havia se recusado a lhe falar os motivos.
— Senhor. — Um garoto franzino parou na frente do portão. — A Senhorita Rachel Berry se encontra?
— Perdão?
— Tenho uma entrega para a senhorita Rachel Berry, o endereço de entrega é este. — Conferiu em sua prancheta. — O senhor pode receber?
— Claro. — Assinou rapidamente, recebeu uma caixa azul com um T bordado em fio de ouro.
Entrou em casa trancando o portão e a porta, foi direto para o quarto de Ethan ouvindo a farra no banheiro.
— Querida chegou uma encomenda para você.
— Encomenda? — A confusão pontoou a frase. — Que encomenda?
— Aqui. — Entrou no banheiro. — Me deixa fazer isso.
Rachel limpou e secou as mãos deixando o pai assumir a função de ensaboar o garoto, segurou a caixa pequena de papelão. A colocou sobre a bancada a abrindo, se deparou com pétalas de rosas vermelhas, um cartão branco estava por cima:
Procure bem entre as rosas e depois entre no site do seu fã-clube. Q
— O que essa louca fez? — Murmurou sorrindo, com cuidado pousou o cartão de lado e começou a procurar entre as pétalas, derrubou algumas durante o processo até se deparar com um delicado cordão de ouro em que o pingente era um coração de diamantes rodeado por uma teia fina de ouro.
— Meu deus. — Abriu minimamente a boca.
— Que lindo. — Hiram sorriu para a filha. — Quinn?
— É. — Sorriu, guardou tudo. — Vem meu lindo, vamos sair dessa água e ver o que a mamãe está aprontando.
Se sentou na mesa do escritório e tratou de logo ligar o computador, Hiram estava sentado em uma das poltronas deixando Ethan explorar seu rosto com as mãozinhas.
— Ela tem bom gosto. — O Sr. Berry falou sentindo o garoto puxar seus lábios.
— É tem. — Entrou no site que queria. — Ai meu Deus.
É ISSO QUE VOCÊ PROCURA QUERIDA RACHEL!
Era o post inicial do site, embaixo vinha uma breve explicação aos visitantes do que se tratava aquela área.
— Ativaram o site de nós duas. — Murmurou, sentiu o pai se apoiar na mesa ainda segurando Ethan.
Clicou no link e esperou a tela abrir, o layout eram várias fotos individuais das duas em fundo preto com o R e o Q em rosa se entrelaçando no meio, rolou a barra e sorriu.
Uma foto da caixa azul com as pétalas espalhadas por uma mesa e a caixa preenchida apenas até a metade com o colar repousado ali no meio. Olhou para o texto e começou a ler.
“Querida, ontem eu lhe disse que queria fazer as coisas direito entre nós, então a minha maneira de fazer isso é esta. Meu coração não é puro, não é inquebrável e muito menos livre de cicatrizes nós bem sabemos disso, mas neste instante eu estou o oferecendo a você se você vai aceita-lo ou não é apenas contigo. Apenas me deixe provar neste dia que posso ser digna do teu carinho e da tua admiração, que posso conquista-la todos os dias e que você aceita ser a rede que vai manter meus pedaços unidos. Não me procure hoje, deixe que eu vá até você. Quinn Fabray.”
— Decididamente ela leva jeito com as palavras. — Hiram sentiu uma lágrima lhe escapar. — Você está bem meu amor?
— Ela é louca. — Soltou uma risada chorosa. — O que essa louca vai fazer?
— Posso chutar? — Colocou Ethan no colo de Rachel, o menino imediatamente segurou o pingente o estudando. — Acho que ela quer mostrar ao mundo como se deve tratar a mulher que ama.
Elizabeth sorriu vendo as respostas dos fãs, estavam sentadas em um café esperando algum sinal de Hiram.
— Estão achando fofo. — Comentou observando Quinn escrever algo em um livro de couro. – Algumas fãs de Finchel estão comentando, mas eu estou apagando.
— Deixe os comentários. — Respondeu sem erguer os olhos. — Eles não vão parar e se você ficar apagando só vai aumentar a quantidade e a raiva.
— Certeza?
— Absoluta. — Tampou a caneta e fechou o diário. — Sam e Lissa já devem estar chegando.
— Onde eles foram?
— Broadway. — Respondeu se recostando na cadeira. — Hiram convenceu Rachel a levar o Ethan lá.
- Você me parece bem calma com tudo o que estamos fazendo. – Lizz bebeu um gole de café.
- E por que eu não estaria? – Parou olhando em volta.
- Bem, você está dizendo ao mundo que está em um relacionamento com ela.
- Não, eu estou dizendo ao mundo que quero estar com ela. – A corrigiu, deu um meio sorriso observando um rapaz.
- Mas vocês estão namorando.
- Mas ninguém sabe disso. – Voltou sua atenção para o diário. – Eles só sabem que eu quero estar com ela.
- O que você está fazendo? – Franziu as sobrancelhas.
- Observando. – Fechou o diário podendo prestar atenção na garota.
- O que?
- Tudo. – Deu de ombros, tomou um gole de café. – Me inspira.
- Como assim? – Fechou o portátil direcionando sua atenção toda a ela.
- Fácil. – Suspirou baixo. – Sabe quando conhecemos alguém e aos poucos vamos fazendo perguntas? Como o nome, a idade, onde mora, o que faz da vida?
- Sei.
- Pra mim essas perguntas são irrelevantes. – Indicou o rapaz que observava antes. – O que elas me dizem não significa nada, o que me interessa é o que elas não me falam. É o que eu entendo pelo olhar, gestos, maneira de falar e de escrever. Por mais fechada e reservada que a pessoa seja é assim que você vai conhece-la. Por exemplo, aquele rapaz, ele está lendo o jornal na parte de economia então podemos supor que ele trabalha em Wal Street, mas não está usando roupas de marca o que me diz que ele não tem um emprego tão elevado. Ele usava até pouco tempo uma aliança de noivado, o fato de estar bebendo o segundo expresso me diz que ele teve uma noitada, o arroxeado no maxilar que ele provavelmente mexeu com uma pessoa acompanhada. Ele consulta toda hora o celular está esperando uma ligação importante, as olheiras podem dizer que ou ele ficou acordado a noite toda ou passou umas boas horas chorando. Com tudo isso eu diria que ele brigou com a noiva acabou terminando o noivado e saiu para a noite querendo encher a cara e esquecer o que aconteceu, tomou uma surra, ligou para ela chorando e ela concordou em encontrar com ele aqui.
A porta se abriu e por ela entrou uma mulher, o rapaz se levantou de um salto com um sorriso fraco.
- Ok, isso foi interessante. – Lizz observou a interação hesitante entre os dois, a maneira como a mulher tocou o queixo do rapaz. – O que mais?
- Fácil. – Terminou o seu café. – Quando eu te conheci, sua mão estava suada, seus olhos tranquilos, você evitou contato visual comigo e digitava muito rápido.
- O que isso te disse?
- Você não estava nervosa por me encontrar, na verdade o jeito como você digitava indica que você estava irritada com o site da Nathalie, seus olhos estavam tranquilos e um pouco avermelhados o que me diz que provavelmente você virou a noite.
- Sério que você entendeu tudo isso por que me observou?
- Sim. – Coçou a nuca um pouco sem graça. – O que você pode falar sobre mim? Esquece que você me conheceu pessoalmente, diz o que você achava quando apenas conhecia a minha escrita.
Lizz permaneceu em silêncio a observando.
- O que você pode dizer sobre mim senhorita? – Um pequeno sorriso.
Desceram do táxi, Rachel sorriu vendo a multidão que passava pelos teatros, segurou Ethan bem firme contra seu corpo.
— Eu vou te trazer muito aqui. — Sussurrou para ele.
— Pu quê? — Murmurou se apertando ao pescoço dela.
— Eu trabalho aqui. — Andaram com cuidado pelas calçadas. — Você vai vir me ouvir ensaiando não é? E o certo é POR quê, com O e R.
— Música?
— É, música. — Acariciou os cabelos loiros.
Um rapaz se aproximou sorrindo, parou enfrente a Rachel estendendo um papelzinho dobrado ao meio. Rachel o segurou sem entender.
OLHE PARA CIMA.
Ergueu os olhos encontrando um dos cartazes de sua peça, mas era diferente. Era uma foto sua de roupas normais e um sorriso tímido, tinha um pequeno texto ao lado da foto.
”Sonhos. Esse sempre foi o seu sonho, o palco. Não posso dizer que irei realizar todos os seus sonhos, mas posso prometer que estarei ao seu lado quando cada um se realizar. Que sonharei junto com você e que um dia nós poderemos ter os nossos próprios sonhos. Se depender de mim eu irei subir as cortinas todas as noites para que você continue com a sua paixão. Quinn Fabray”
Hiram soltou uma gargalhada antes de abraçar a filha pelos ombros. Algumas pessoas já estavam começando a olhar para cima e a apontar o cartaz.
— Seu pai deveria ver isso. — Apontou para cima. — Assim como o Hudson deveria ver.
— Papai. — Murmurou abaixando o rosto, sentindo a pele esquentar.
— Vergonha?
— Não é uma vergonha ruim, é que...
— Você nunca ganhou um romance assim. — Completou pela filha. — Ethan, você tem que aprender isso.
— Ta. — Bocejou apoiando em Rachel. — PAQUE!
Rachel soltou uma risada.
— Você quer ir ao parque? — Começaram a andar passando pelas pessoas. — Mas você está com sono.
— Paque. — Repetiu sorrindo.
— Ok, vamos para o Central Park.
Lissa se sentou ao lado de Quinn passando o cartão de memória para a Gillies. Sam estava sentado de frente para a loira correndo a mão pelos cabelos loiros.
— Tem fotos dela com o garoto. — Elizabeth passeava pelas fotos. — O que você quer fazer?
Quinn se curvou olhando as fotos, selecionou uma que Rachel estava de lado para a camera com Ethan escondendo o rosto em seu pescoço, pelo angulo da foto pegava um pedaço do cartaz.
Digitou uma frase rápida e empurrou de volta para a garota.
“ É pelos dois que eu abandono tudo o que é certo e me lanço na incerteza do que sinto em meu peito. Quinn Fabray”
Entraram por uma das trilhas do parque, Hiram havia desdobrado o carrinho de bebê que tinham carregado por todo o caminho. Caminhavam calmamente pelos caminhos de terra batida com os braços entrelaçados.
- Da onde será a próxima surpresa? – Rachel perguntou com um sorriso bobo. – Ela é impossível.
- Romântica incorrigível. – Hiram concordou, viu um rapaz se aproximando com uma dúzia de balões de diferentes formas e cores. – Próxima surpresa.
O rapaz se curvou com uma pequena gargalhada e entregou os balões para Rachel, ouviu uma pequena batida conhecida.
- Ela não fez isso. – Girou no lugar encontrando um grupo de homens cantando a capela.
Pretty woman, walkin' down the street
Pretty woman, the kind I like to meet
Soltou uma gargalhada quando sentiu alguém bater levemente em seu ombro se virou deparando-se com um buque de Begônias e Cravos.
- Aqui. – Hiram se prontificou a segurar os balões para que ela pudesse ler o cartão.
“Begônias e Cravos são as flores que simbolizam o amor fiel e a inocência. Não posso escalar a escada de incêndio do seu prédio enfrentando um medo de altura, mas posso demonstrar até que o dia termine o quanto te amo. Cada balão representa o que sinto quando estou com você. Fico leve e descontraída, me sinto calma e deixo a brisa me levar. Quinn Fabray”
Levou o cartão aos lábios podendo aspirar o perfume adocicado e singelo, um sorriso apaixonado em sua boca, os olhos fechados tentando gravar o momento. Soltou uma gargalhada girando no lugar.
Quinn suspirou observando Andrea se afastar pelo portão de embarque, Lizz estava mais afastada. Havia observado a despedida entre as duas mulheres, o abraço trocado, um beijo no rosto e palavras balbuciadas. A loira se aproximou da garota bagunçou os fios da nuca com um pequeno sorriso triste.
- Despedidas nunca são fáceis. – Resmungou, limpou uma lágrima no canto dos olhos.
- Era alguém importante? – Começaram a caminhar pelo aeroporto.
- Muito. – A olhou de rabo de olho. – Minha ex-noiva.
- Sua… — Parou encarando as costas de Quinn. – Você está chorando por que ela está indo embora?
- Sim. – Se virou para ela. – Vou sentir falta.
- E a Rachel? – Franziu as sobrancelhas. – Quer dizer você está chorando por outra.
- Eu amo a Rachel, mas eu também amo a Andrea. – Se aproximou. – São tipos de amor diferentes.
- O que? Você sente amizade pela mulher com quem você quase casou e com a Rachel você quer passar o resto da sua vida?
- Sim e não. – Cruzou os braços, olhou rapidamente em volta. – Sim eu tenho uma amizade muito forte e muito sólida com a Andrea, mas não eu não sei se vou passar o resto da minha vida com a Rachel.
- Então pra que é tudo isso?
- Vem. – A puxou sutilmente, começaram a andar. – Sabe aquelas histórias em que a mocinha pergunta se eles vão ficar juntos para sempre? E o mocinho responde que sim, eles vão ficar.
- Sei.
- Eu não acredito nisso. – Deu de ombros. – Sou apaixonada, quero estar com ela, quero construir uma vida com ela, mas não posso dizer que será eterno. Eu não tenho esse poder, ela me perguntou se estaríamos juntas para sempre e eu respondi que ia estar com ela enquanto ela quisesse. Não posso dizer que daqui a 10 anos nós ainda vamos estar juntas, eu quero muito que isso aconteça, eu vou fazer de tudo para que isso aconteça, mas não posso dar a certeza.
- Você não tem a certeza.
- Se depender apenas de mim, sim nós estaremos juntas. – Sorriu de lado. – Mas não depende, depende dela, do que vamos enfrentar. Um relacionamento é complicado, ela pode acordar um dia e perceber que o Hudson era na verdade o amor da vida dela.
- Então você duvida do que ela sente?
- Não, de maneira alguma. – Soltou uma risadinha. – Eu sei que ela me ama, de verdade, mas ela também amou o Finn de verdade. Amores verdadeiros acontecem há todos os instantes, mas eles acabam, se transformam.
- Você amou a Andrea?
- Eu amo a Andrea, esse é um amor verdadeiro que se transformou.
Sentaram-se em um restaurante calmo, Rachel alisava hora ou outra o cartão. Havia distribuído os balões pelas crianças do parque prendendo apenas um no carrinho de Ethan.
— Romântica, bem educada, compreensiva, talentosa... — Ia falando baixinho. — Pai ela existe?
— Sim querida ela existe. — Ele respondeu com uma risadinha, colocou uma garfada na boca.
— Não, é que pessoas assim...
— São difíceis de se encontrar, mas não são inexistentes. — Completou a filha, colocou a mão na frente da boca. — Quinn tem os seus defeitos, isso é um fato, agora se as qualidades vão sobressair aos defeitos ainda vamos descobrir.
Rachel tomou um gole de suco, olhou para Ethan que já estava dormindo em seu carrinho. Ajeitou o ursinho que ele segurava e rapidamente a manta que o cobria.
— Boa tarde. — O atendente se aproximou com uma cesta de peras dos mais variados tipos. — Senhorita Berry enviaram esta cesta, com licença.
Olhou para a cesta um pouco surpresa, puxou o cartão.
“Não posso voltar da morte, não posso me tornar humana me jogando de um lugar alto. Posso te oferecer essas peras e lhe perguntar qual o gosto delas para você, posso me empenhar para descobrir o que te agrada e o que você detesta. Posso não, eu QUERO fazer tudo isso. Quinn Fabray”
— Ela esta citando filmes românticos. — Hiram pegou o cartão o lendo com um ar satisfeito. — Está dando a você a sua própria dose de drama e comédia romântica.
Rachel fechou os olhos escondendo o rosto entre as mãos.
— O que foi? — Hiram estranhou a atitude. — Você não está gostando?
— Estou. — Levantou o rosto com um suspiro. — É que Quinn gosta de privacidade e agora ela está fazendo essas coisas fofas em público e expondo a nossa vida. Ela tinha me pedido para sairmos com calma sem pressa e agora ela faz tudo isso?
— Esta chateada porque ela não te consultou?
— Não, quer dizer seria bom termos falado sobre isso. — Tomou um gole de suco. — Estou começando a me preocupar que ela esteja fazendo isso exclusivamente porque quer me agradar e depois se arrependa.
— Eu acho que ela quer te agradar e ''marcar território''. — Fez as aspas com os dedos. — Você comentou que ela ficou um pouco enciumada por causa do Finn.
— Sim, mas ela não falou nada porque queria demonstrar confiança.
— E agora ela está demonstrando que faz qualquer coisa por você. — Continuou sua linha de raciocínio. — Mostrando a ele e a todos esses que estão criticando vocês.
— Deus.
— Relacionamentos são complicados. — Deu de ombros. — Mais complicado ainda é se relacionar com uma mulher nem com outras mulheres vocês se entendem.
Quinn estava terminando de dar os últimos retoques na suíte, já tinha passado as coordenadas para Hiram arrumar um vestido bonito para Rachel e ele já havia concordado em passar a noite com Ethan.
— Não acha que exagerou um pouco? — Sam perguntou assoprando o incenso. — Os sites de fofocas estão pipocando sobre vocês.
— É eu imaginei, mas fazer o que ela está feliz. — Deu de ombros conferindo mais uma vez tudo no quarto. — Perfeito.
— Já contratou a limusine? — Saíram do quarto, Quinn passou o cartão e digitou a senha para tranca-lo.
— Já. — Acenou, havia reservado o andar inteiro do hotel. — Deve chegar lá em meia hora.
— E o jantar? — Apertou o botão do térreo. — Aqui no restaurante do hotel mesmo?
— Reservei a mesa no meio do salão. — Fechou os olhos se recostando na parede fria. – Do melhor restaurante da cidade.
— Por que não reservou o restaurante todo ou uma sala reservada. — Cruzou os braços.
— Minha mulher é muito linda para ser escondida Evans. — Seu tom de voz superior. — Não quero esconde-la nunca.
Santana resmungou sentada no sofá de seu apartamento junto com Sam. As duas loiras se trancaram no quarto para arrumar Quinn para o encontro.
— Me explica de novo porque te expulsaram do quarto. — O Evans pediu estalando o pescoço antes de alongar os braços.
— Eu estava perguntando por que raios ela esta fazendo tudo isso pela Berry. — Deu de ombros cruzando os braços. — Rachel já está afim dela não precisava de tudo isso.
— Seu romantismo é invejável Santana. — Quinn apareceu na sala olhando dentro de uma carteira de mão.
— Está linda. — Sam sorriu para ela. — Tenho uma duvida.
— Qual? — Ergueu os olhos marcados pela maquiagem pesada.
— Você não reservou o restaurante porque queria exibir a Rachel. — Esticou o braço por cima do encosto do sofá. — Então por que reservou um andar inteiro?
Santana revirou os olhos soltando uma risadinha debochada.
— Você é mesmo um idiota às vezes. — Sorriu maliciosa. — Nunca ouviu como Rachel sustenta uma nota? Imagina o fôlego na hora do orgasmo? Deve gritar até estourar os tímpanos da nossa querida Q.
- Santana serei grata se você parar de falar dos atributos vocais da minha namorada. – Esticou a mão para Sam.
O Evans jogou as chaves para a loira. – Sua nova criança, acabou de sair da concessionaria.
Rachel andava incomodada pela noite do Central Park, o motorista estava a acompanhando até a fonte em que tinham ido na primeira visita a New York a anos atrás. Não tinha ideia do porque Quinn queria lhe encontrar ali, o homem lhe deixou sentada na fonte e se afastou sua voz queria sair pedindo para que ele ficasse, mas não conseguiu produzir um único som.
Quinn apareceu por trás da fonte se equilibrando com cuidado para não cair na água, abaixou-se atrás de Rachel a surpreendendo com uma caixinha preta.
- Boa noite linda. – Sussurrou, sorriu vendo Rachel pular de susto.
- Nunca mais faça isso. – Rosnou lhe dando uma tapa, seus lábios não conseguiram conter o sorriso. – Levanta que eu quero te abraçar.
Quinn pulou para o chão a puxando pelas mãos, seus braços lhe envolveram a cintura com força sentindo ela o rosto em seu peito.
- Gostou das surpresas? – Sussurrou no ouvido dela, sentiu o corpo se arrepiar, mas não soube se foi o contato ou a brisa fria.
- Você é insana Fabray. – Murmurou correndo as mãos pelas costas protegidas. – Eu amei tudo.
- Me deixa ver o colar. – A fez se afastar olhando bem para o pingente. – Perfeita, como tudo o que eu queria pra hoje e para a nossa noite.
- E o que vamos fazer? – Suspirou se perdendo nos olhos verdes.
- Jantar e depois eu tenho um quarto reservado para nós, mas se você quiser nós voltamos para casa.
- E o Ethan?
- Seu pai foi meu cumplice hoje. – Soltou uma risadinha. – Concordou em ficar com ele.
- Ah o meu pai. — Passou os braços pelo pescoço de Quinn. — Explicado porque você sempre sabia onde eu estava.
— Isso e o fato da Lissa ter ficado te seguindo por um tempo tirando fotos. — Esfregou os narizes em um carinho singelo. — E eu também quero te amostrar o meu novo brinquedo.
— Tem haver com o brinquedo de ontem. — Arranhou a nuca de Quinn.
— Não. — Sorriu a puxando pela base da coluna. — É outro brinquedo, que vai nos ajudar, mas nós vamos poder brincar nele.
— Hn... — Olhou para uma das mãos de Quinn que ainda segurava uma caixinha de joia.
— É pra você. — Sorriu erguendo para ela.
Rachel abriu o presente encontrando um par de brincos de rubis.
— Lindos. — Murmurou com um sorriso. — Duas joias no mesmo dia Fabray. Você quer se dar bem hoje?
— Me deixa ver, duas joias, flores, um carro novo, um jantar romântico e um andar inteiro em um dos melhores hotéis da cidade? — Colocou uma mexa de cabelo atrás da orelha de Rachel. — Eu tenho que me dar bem Berry.
— Carro novo? — Arqueou as sobrancelhas. — Andar inteiro?
— Era necessário os dois. — A puxou pela cintura para fora do carro. — Dispensei a sua limusine.
— Ah. — Apoiou-se no ombro da loira.
Quinn a conduziu com calma até o carro prata com o símbolo da Audi em sua grade, o sedã tinha linhas limpas e modernas o interior creme era todo em couro com seu painel moderno.
— Gostei. — Sorriu para a loira assim que ela entrou no lado do motorista. — Podemos levar o Ethan para os lugares, o taxista odiou ter que carregar o carrinho dele.
— A mala é espaçosa. — Respondeu saindo da vaga. — Carrega o carrinho e a cadeira de rodas se for preciso.
— Você realmente quer coloca-lo em uma cadeira de rodas? — Suspirou, pousou sua mão sobre a coxa da outra. — A fisioterapeuta está animada com a recuperação dele.
— Só estou tentando me acostumar com a ideia de que talvez a recuperação não seja tão rápida. — Não desviou sua atenção da estrada. — Aproposito nossos fãs querem saber quem é ele.
— Eu amei aquela foto. — Sorriu vendo as luzes passarem.
— Vamos com calma na apresentação dele ok? — Inclinou a cabeça para ela.
— Claro. — Rachel a olhou antes de suspirar e se inclinar para lhe beijar o rosto. — Você não me deu um beijo.
— Eu vou te encher de beijos hoje. — Falou de volta sentindo a mordidinha no maxilar.
Sentiu a mão atrevida deslizar para dentro de sua coxa e sem nenhum esforço um dedo lhe acariciar a virilha.
— Rach... — Suspirou sentindo o coração acelerar. — Dirigindo.
— Você disse que poderíamos brincar nele. — Fez um biquinho mimoso. — E por mais que eu adore os seus carinhos. — Lhe mordeu sutilmente o pescoço. — Eu quero o controle esta noite.
— Amo o jeito como nossas mentes se comunicam. — Tinha os olhos quase fechados, pisou no freio desacelerando o carro. — Agora é sério espera um pouco.
Rachel resmungou voltando sua mão comportadamente para o joelho.
— Boa menina. — Sorriu de lado. — Chegamos.
Quinn entregou a chave para o manobrista e abraçou Rachel pela cintura enquanto andavam até o gerente.
— Boa noite. — Ele sorriu para as duas. — Sua mesa já está pronta Senhorita Fabray.
Ele indicou a porta as acompanhando, Rachel deslizou do abraço mantendo os dedos entrelaçados. A loira puxou a cadeira para Rachel que sorriu agradecida.
— Já vou providenciar o vinho que a senhorita escolheu. — Fez uma curvatura com a cabeça, chamou uma atendente com as mãos. — Com licença.
A mulher se aproximou entregando a carta para as duas e se afastou. Rachel se permitiu observar o lugar, clássico e refinado, estavam em um lugar privilegiado da casa era elevado dois degraus e possuía pouquíssimas mesas ele era cercado por balaústres de mármore deixando quatro entradas para o acesso a área.
Quinn a segurou pela mão a beijando com cuidado.
— Você planejou tudo não foi? — A morena sentiu alguns olhares nas duas e ficou um pouco desconfortável.
— Por que eu tenho a impressão de que exagerei e você não está gostando. — Soltou a mão de Rachel com cuidado sobre a mesa.
— Não. — Murmurou entrelaçando os dedos. — Eu estou adorando. É que você me surpreende.
— Hn… — Se afastou observando a atendente servir o vinho e deixar a garrafa em um pedestal próximo, rapidamente tomou um gole de vinho.
- Quinn. – A puxou pelo pulso. – Está tudo perfeito, eu estou amando tudo. Eu amo você.
Se entreolharam dentro do elevador, diferente da ultima vez o ar não era pesado pelo tesão. Estava sim com uma pintada de tesão, mas também tinha um toque de romance. Percorriam o corpo uma da outra com olhares devotos e quentes.
As portas se abriram e Quinn esticou a mão para ela. Andaram pelo corredor com a loira brincando com o cartão da porta.
- Se você quiser podemos ir para casa. – Falou calmamente parando enfrente a porta.
- Eu quero ficar. – Lhe beijou os lábios.
Quinn acenou passando o cartão a luz vermelha ficou imediatamente verde, empurrou a porta e gentilmente conduziu Rachel para dentro do quarto. Sentiu a respiração estagnar vendo tudo aquilo, todas as superfícies do quarto estavam cobertos por pétalas de rosas, o incenso aguçando seu olfato, a meia luz tomando o quarto lançando sombras sensuais sobre as paredes, a cama arrumada de forma convidativa. Aproximou-se das janelas que iam do chão ao teto, escurecidas para que não vissem o interior do quarto não que isso fosse necessário aquela altura, tinha uma pequena varanda. A cidade brilhava e se mexia naquela sincronia gostosa, New York a cidade que nunca para, era o que diziam. A cidade dos sonhos e do romance, era o que ela significava para a morena naquele instante.
A introdução à flauta daquela épica canção, se virou encontrando Quinn parada no meio do quarto lhe encarando, a autora lhe ofereceu a mão a convidando para dançar.
Quando esperou que a voz marcante entrasse se surpreendeu ouvindo o saxofone, Quinn lhe tomou o quadril com uma mão iniciando os passos lentos. Embrenhou seus dedos aos cabelos loiros e seus olhos se fixaram nos verdes.
— Por que você fez tudo isso? — Sua voz saiu baixa, com medo de quebrar o momento.
— Não tem motivo. — Acariciou a base da coluna. — Eu apenas queria que você se sentisse amada e cortejada.
Rachel suspirou apoiando a cabeça no ombro da loira. Rodaram pelo quarto, seus braços apertados envolta uma da outra.
— Eu não sou quem pareço ser. — Quinn murmurou apertando Rachel ainda mais contra o seu corpo. — Não tenho toda essa segurança que aparento, o Charlie é todas as coisas que eu não consigo ser. É totalmente seguro de si, sabe que quando entra no jogo não tem pra ninguém, sabe que vai ganhar.
Rachel se acomodou ao corpo de Quinn deixando a musica embalar seus movimentos e a voz insegura entrar pelos seus ouvidos.
Puxou Quinn pelo pescoço fazendo com que ela apoia-se o rosto em seu próprio pescoço.
— Eu gosto do Charlie. — Murmurou a beijando no ombro pálido. — Mas eu prefiro você, eu vejo a segurança que eu preciso em você e não no Charlie. Porque você se sente insegura em ser quem você é? Eu amei o dia de hoje e sei que foi você a minha Quinn.
— Essa é a questão. — Aspirou o cheiro. — Eu posso ser os dois com você. Ontem eu percebi isso enquanto você dormia, posso ser as duas faces da mesma moeda.
Rachel sorriu se afastando um pouco, se perdeu no brilho verde intenso.
— Quero te perguntar uma coisa. — Largou a mão de Quinn a abraçando com os dois braços pelo pescoço.
— O que você quiser saber. — A beijou na ponta do queixo.
— Por que você começou a escrever? — Inclinou a cabeça, observou Quinn jogar a cabeça para trás com uma gargalhada. — É sério Quinn, porque escrever?
A loira parou, olhou para a janela e a puxou para lá. O vento frio cortou as duas, Quinn a apoiou na varanda abraçando o corpo pequeno.
— Olha lá embaixo. — Apontou para a rua. — Imagina que tem uma pessoa lá embaixo que se sente mal, essa pessoa está desiludida com a vida. Sente que nada tem dado certo, o emprego vai mal, a vida sentimental está uma porcaria. Então por qualquer motivo que seja ela pega em um livro ou em uma história e começa a ler, ela entra no personagem. Ela sente, ela vibra, ela compreende e sente naqueles poucos momentos que ela é outra pessoa e que essa pessoa consegue se sair bem aos trancos e quebrando a cara, mas consegue. E isso da uma esperança, por breves momentos mais ela sente que pode ser feliz.
— É por isso? — Sussurrou com um pequeno sorriso e os olhos fechados.
— Em parte. — Continuou com aquele tom de voz calmo e baixo. — Também é o meu pedido mudo de socorro por vezes no desespero do personagem, é a minha declaração de amor nas descrições, é a minha raiva na ação, é a minha prece silenciosa que tudo acabe bem no final. Eu controlo aquelas pessoas, mas em momentos eu sinto que elas me controlam. Eu as criei, eu sei do que elas são capazes, eu sofro com elas, me apaixono, me machuco. Eu me torno elas e elas se tornam os autores da história. É por isso que eu escrevo. É mais forte que eu. — Apoiou o queixo no ombro de Rachel com um murmurio fraco. — É a única coisa que eu sinto fazer direito, entre tudo o que eu faço.
O som do asfalto chegando aos seus ouvidos, os passos das pessoas lá embaixo junto com suas vozes e as buzinas dos carros.
— É oficial. — Rachel forçou os braços para poder se virar e encarar Quinn. — Eu sou perdidamente apaixonada por você.
A loira abriu um sorriso. — E você ainda duvidava?
Rachel rolou os olhos lhe beijando, mordeu delicadamente o lábio inferior.
— Eu me pergunto uma coisa agora. — Se afastou, mas com o corpo empurrou Quinn para dentro do quarto. — Se uma pessoa estivesse escrevendo a nossa história agora e pessoas estivessem lendo. O que será que elas iriam querer a seguir?
— Hn... não sei. — Sorriu.
— Eu acho que eles iriam querer o mesmo que eu. — Encostou as duas testas. — Conhecer a verdadeira Quinn Fabray.
Os lábios se tocaram macios e suaves, com calma se reconhecendo como se fosse a primeira vez. A cada peça de roupa que era descartada um suspiro, a cada pedaço de pele que era descoberto um brilho diferente nos olhos. Sussurros apaixonados, gemidos de prazer, a pele brilhando pelo suor compartilhado.
Rachel se mexia em um ritmo preguiçoso querendo prolongar o momento, seus gemidos eram sufocados pelos de Quinn que se agarrava aos lençóis da cama como podia. Esfregava sua feminilidade na coxa bem torneada da loira enquanto batia com precisão seus dedos dentro e fora da carne rosada, girou a mão de maneira que a palma estocasse nos nervos sensíveis. Quinn arqueou as costas tentando fundir a cabeça com o travesseiro de plumas, sua boca aberta em um esgar com o grito mudo tentando sair. O choque percorria seu corpo, seus pulmões não inflavam e a garganta estava seca. Estremeceu mais uma vez antes de desabar contra os lençóis tentando pegar o ar que lhe escapava. Rachel puxou seus dedos para fora, os secou no lençol antes de se aconchegar no corpo suado e ainda tremulo de Quinn.
Se ocupou em distribuir pequenos beijos pela linha da mandíbula ignorando o cansaço de seu corpo. Teria muito tempo para dormir depois, primeiro iria satisfazer suas necessidades de carinho. Ouviu o grunhido baixo vindo da garganta pálida e rapidamente a beijou ali, saboreando o gosto salgado da pele.
— Posso descansar? — Quinn pediu com um murmúrio rouco.
Rachel soltou uma risada se arrumando contra os travesseiros, puxou o corpo mole para cima do seu ajeitando a loira contra seu peito. A beijou nos cabelos loiros desarrumados.
— Preciso contar isso pra Satã. — Murmurou divertida. — Você pediu para parar.
Ouviu mais um grunhido e um apertão em sua cintura, reprimiu a risada. Começou a cantarolar uma canção calma enquanto deslizava seus dedos pela coluna de Quinn, aos poucos sentiu a mulher relaxada ir adormecendo.
— Fabray. — Murmurou com um pequeno sorriso.
Se contorceu para olhar a face relaxada. — Como você consegue ser tão linda depois de tudo o que fizemos?
Soltou uma risadinha afastando os fios claros do rosto, observou o nariz perfeito se mexer pela cosquinha.
— Fabray. — Murmurou de novo. — Rachel Berry-Fabray, eu gosto do som.
Apoiou no travesseiro esperando a mulher acordar, mas acabou adormecendo.
Sentiu algo quente e molhado contra seu centro, soltou um gemido baixo sentindo os nervos serem empurrados com o meio da língua.
Ergueu os lençóis para poder olhar para baixo, a cabeleira loira se mexia conforme o beijo que ganhava ia aumentando a intensidade.
— Hn...baby...- Murmurou afastando os cabelos, queria poder ver o rosto de Quinn.
Estremeceu sentindo seu ponto ser sugado, se agarrou aos fios a pressionando contra seu meio. Sentiu a língua deslizar procurando sua entrada com cuidado, quase sentiu o sorriso safado.
— Assim. — Pediu num fio de voz, sentiu o musculo entrando. — Meu Deus, Fabray.
Ritmou rápido, com o polegar afagava o clitóris com movimentos circulares. Suas coxas se retesaram e no mesmo instante sentiu Quinn desacelerar dando uma pequena lambida por toda sua abertura e subir com um sorriso de canto. Beijou seu abdômen, o vale entre os seios que subiam e desciam desesperados, a garganta e finalmente os lábios escorregando a língua para dentro da boca entreaberta deixando Rachel provar seu sabor misturado ao gosto de seus lábios.
— Não...não... — Gemeu baixo. — Continua.
— Shh... — A beijou com calma. — Você vai gostar.
— Eu sei. — Suspirou sentindo as mãos explorarem suas pernas enquanto os lábios brincavam com seu pescoço.
Quinn afastou o quadril, entrando com dois dedos de uma vez, Rachel arregalou os olhos soltando um gemido alto. A beijou nos lábios encostando suas testas sentiu Rachel escovar seu abdômen e ir descendo, os dedos encontraram sua umidade e rapidamente sua abertura. Gemeu sentindo os dedos começarem a brincar, caiu o corpo para o lado aplicando mais força nos movimentos que fazia em Rachel.
— Tão...bom... — Rachel gemeu fechando os olhos, seus quadris se mexiam sobre os dedos de Quinn.
— Vamos Rach. — Arfou colando sua boca ao ouvido da diva. — Vamos.
Sua mente se nublou e a vista escureceu.
Estacionou o carro na única entrada vaga.
— Santana? — Puxou o freio de mão, Rachel abriu os olhos encarando o carro preto.
— Ela deve ter vindo com a Britt ver o Ethan. — Murmurou entrelaçando os dedos. — Quero o Ethan e a nossa cama.
— Cansada? — Se curvou a beijando na testa.
— Sim e a culpa é sua. — Sorriu erguendo o queixo exigindo um beijo. — Agora me leva lá pra cima e pega o nosso bebê, porque eu quero descansar.
— Vem. — Abriu a própria porta antes de dar a volta no carro e abrir a do carona. — Vem cá.
Rachel a rodeou com os braços, afundou o rosto no pescoço de Quinn soltando um muxoxo.
— Não quero ver a Santana. — Resmungou sentindo seu corpo deslocar. — Não estávamos aqui, porque ela tem que estar aqui?
— É a Santana. — Deu de ombros. — Ela não precisa de convite.
Abriu a porta vendo a sala cheia, Ethan estava sentado no chão brincando com um homem forte, de olhos verdes e o sorriso charmoso. No sofá Brittany e Santana estavam ladeando uma mulher loira, baixinha e rechonchuda, seu olho estava levemente inchado com uma coloração esverdeada.
— Noah? — Rachel chamou sem acreditar.
— Mãe? — Quinn se soltou da Berry. — O que aconteceu com o seu rosto?
Notas finais
É isso meu povo, beijos e até qualquer dia.
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