Diário

12 Capítulo XI - Pais


Notas iniciais
Boa madrugada meu povo. Espero que gostem.

Pais. É estranho quando você deixa de ser o filinho do papai e da mamãe para se tornar um adulto que toma as suas próprias decisões e tem a sua própria vida. É mais estranho ainda quando os seus pais não percebem isso e insistem em decidir pelos filhos.

Dói quando você sabe que uma decisão que te faz feliz pode acabar com a relação que você tem com os seus pais, ou apenas com um deles. Quando você deixa de ser a garotinha que ele pegava no colo para aquela que ele olha com indiferença. Dói. Mas o que custa mesmo a felicidade?

Rachel abriu a porta e sem nem ao menos falar nada puxou Quinn pelo braço para um beijo faminto. A loira ficou surpresa com a ação e quase não conseguiu acompanhar o ritmo da diva que a puxava para dentro do apartamento.

- Rach calma. – Murmurou se afastando. – Desse jeito você arranca a minha alma pela boca.

- Desculpa. – Fechou os olhos respirando pesado. – É que estou com saudades.

- Saudades? – Sorriu de lado a puxando pela mão para dentro do apartamento. – Ou insegurança?

Rachel mordeu o lábio enquanto observava Quinn descarregar o que havia comprado para elas comerem na cozinha.

- Você já sabe então? – Murmurou.

- Sim. – Começou a lavar as frutas com cuidado. – E devo dizer que fiquei surpresa.

- Por quê? Ficou zangada? – Se aproximou com cautela.

- Não, apenas não imaginei que você fosse rebater dessa forma. – Soltou uma gargalhada, olhou para Rachel e se aproximou sem se importar em secar as mãos antes de aninhar o rosto moreno entre elas. – Mais uma vez você está me mostrando uma nova Rachel Berry e eu devo dizer que estou adorando.

Sorriu fraco sentindo os lábios macios sobre os seus em um beijo casto, suas mãos se prenderam na cintura fina de Quinn a puxando um pouco mais para o seu corpo.

- Vamos ver um filme? – Rachel sussurrou de olhos fechados.

- Nem pensar que você vai me forçar a ver musicais. – Soltou uma pequena gargalhada vendo o rosto moreno se amuar, a beijou na bochecha.

- Falando em filmes o que você decidiu? – Suspirou sentindo o corpo quente se afastar do seu. – Vai aceitar fazer o filme?

- Bem é complicado. – Olhou para ela lavando as uvas. – Quantos livros que já viraram filmes você viu fazerem realmente justiça a história?

- Poucos quase nenhum na verdade. – Apoiou na bancada ao lado da loira. – Isso te da medo?

- Claro, quer dizer a história é importante pra mim. – Deu de ombros. – Não quero que estraguem a história ou que ela perca a sua escencia apenas para faturar dinheiro. A história é mais que isso.

- Você já sabe o que fazer com o próximo livro? – Passou a mão pelo trapézio o livrando dos fios para depositar um beijo enquanto enlaçava a cintura dela absorvendo daquele cheiro gostoso.

- Ainda não. – Fechou a água. – Preciso ver minhas caixas de anotações que estão em São Francisco.

- Quando você vai lá pegar suas coisas? – Mordeu o maxilar carinhosamente.

- Assim que encaminharmos tudo na casa. – Se virou nos braços de Rachel para poder enfrenta-la. – Ai eu vou pra lá, empacoto as minhas coisas, coloco a casa a venda e volto.

- Eu estava pensando que talvez você não deva colocar a casa a venda, mantenha a casa e podemos levar o Ethan para lá passar férias.

- Hn… — Se virou pegando uma maçã. – Se você acha que é uma boa ideia.

- É uma ótima ideia, vamos poder fugir e ficarmos juntas com o garoto. – Passou os braços pelo pescoço de Quinn.

- Amanhã eu devo ir na prefeitura pegar as plantas com a Andrea. – Abafou a risada quando Rachel lhe soltou. – Por que você não me encontra na casa para dizer a ela as mudanças que você quer fazer?

Rachel olhou para ela por cima do ombro com um pequeno sorriso.

- Como é?

- Vem cá. – A abraçou pelos ombros a guiando para a sala. – Estou dizendo que eu quero que você participe da remodelagem da casa.

- É a sua casa Quinn. – Se sentou no sofá a olhando calmamente.

- Sim é a minha casa, mas… — Quinn rumou de volta para a cozinha para pegar sua bolsa. – Eu tenho algo para você.

Se sentou ao lado da morena deixando a bolsa repousada em seu colo.

- Bem, você não me respondeu se aceitava namorar comigo, então. – Encolheu os ombros retirando uma caixinha de veludo de dentro da bolsa.

- Então você decidiu me pedir em casamento? – Sorriu nervosa.

- Engraçadinha. – Bufou jogando a bolsa no chão. – Não estou te pedindo em casamento, apenas quero que você saiba que mesmo você não querendo namorar comigo eu quero que você tenha passe livre pra minha vida.

Estendeu a caixinha e Rachel a segurou sem puxar seus olhos para longe dos olhos verdes que lhe miravam tão intensamente. Beliscou a tampa revelando as duas chaves prateadas.

- São as chaves do portão e das portas. – Quinn mordeu o lábio. – Não estou pedindo para você vir morar comigo é apenas para você saber que eu quero você perto.

Rachel levantou o rosto para poder olhar os olhos agora um tanto inseguros, colocou a caixinha sobre o braço do sofá e se ajoelhou no mesmo.

- Quem disse que eu não quero namorar com você? – Brincou com os fios dourados com um pequeno sorriso.

Quinn suspirou fechando os olhos relaxando contra o sofá.

- Você não disse nada. – Murmurou ainda de olhos fechados.

Rachel começou a destribuir beijos por todo o rosto da autora que tinha começado a corar, sentou em seu colo ainda sorrindo largamente.

- E precisava falar? Depois de tudo o que o Charlie fez. – Fingiu se abanar arrancando outra risada de Quinn.

- Ele te deu trabalho é? – O sorriso divertido nos lábios enquanto a abraçava possessivamente.

Rachel se aproximou vagarosamente dos lábios pronta para ataca-los quando uma batida na porta lhe interrompeu.

- O que? – A morena olhou para o corredor. – O porteiro não interfonou, será que é a Mercedes ou o Kurt?

Quinn soltou um gemido frustrado sentindo a morena se afastar, mordeu a maçã que ainda segurava com uma força exagerada. Rachel se afastou indo para a porta.

- Pai? Papai? – Sua voz subiu pelo menos duas oitavas diante da surpresa dos dois homens parados na porta com expressões sérias e as malas em seus péis.

Quinn se ajeitou no sofá e logo ficou em pé, observou o homem de pele queimada entrar no apartamento sem ao menos falar com a filha. Os cabelos com pequenos cachos escuros alguns já apresentando fios brancos, sua postura estava rígida a barba bem feita com o cavanhaque bem aparado. Os olhos escuros e penetrantes pararam em Quinn a estudando calmamente.

- Então é verdade? – Sua voz era forte e grossa.

- Pai? – Rachel surgiu com outro homem a abraçando pelos ombros.

Quinn se manteve firme encarando o homem sem piscar, sentiu seu coração acelerar não era bem assim que pretendia conhecer os pais da diva.

- Leroy. – Ouviu o tom mais calmo e gentil. – Nossa filha está lhe chamando.

Leroy cruzou os braços sobre o peito da jaqueta de couro que usava, seus lábios se crisparam.

- Leroy. – Chamou mais firme. – Pare com isso.

O homem pareu ceder aos pedidos do marido. Bufou impaciente indo se sentar no sofá ao lado de Quinn, seus olhos pararam na caixinha de joias.

- O que é isso. – Tomou a caixinha nas mãos e se levantou rugindo.

Quinn viu Rachel se encolher ligeiramente, o homem que a abraçava era alto e tinha os cabelos curtos e grisalhos, usava óculos redondos com uma armação simples. Seu nariz praticamente identido ao de Rachel que nesse instante tinhas as narinas estreitas e os olhos castanhos esverdeados se apertaram com raiva.

Quinn limpou a garganta se voltando para Leroy. – É um prazer conhece-lo Sr Berry.

O homem olhou para mão que lhe era estendida antes de sorrir irônico, fechou a caixinha com um estalo alto e a colocou na mão de Quinn.

- Não posso dizer o mesmo senhorita Fabray.

Rachel pareceu acordar de seu estupor e saiu do abraço que recebia de seu outro pai se aproximando de Quinn, envolveu a loira pela cintura puxando o braço da loira por sobre os seus ombros, olhou firmemente para Leroy.

- Bem essa é uma visita inesperada, mas já que os senhores se adiantaram eu gostaria de apresentar a minha namorada. – Rachel sorriu para Quinn. – Quinn Fabray.

Leroy bufou se afastando para a parede onde estava a estante, o outro se aproximou sorrindo, estendeu a mão.

- Prazer eu sou Hiram Berry e este ser amavel e gentil é o meu marido Leroy Berry. – Quinn apertou a mão de Hiram.

- É um prazer senhor.

- Me chame de Hiram. – Piscou para a filha.

- Me chame de senhor Berry. – Leroy rosnou ainda de costas para eles.

Rachel se aproximou mais de Quinn tentando se sentir segura, não esperava aquela reação do pai.

- Então… — Hiram bateu as palmas. – Eu li os seus livros e devo dizer que você é uma ótima escritora e que eu fiquei emocionado com a Beth.

- Bem, sua filha é emocionante. – Sorriu de lado para Rachel, mas o sorriso morreu diante da risada de escárnio de Leroy.

- Mesmo? – Olhou para a loira. – Não parecia sempre que você a maltratava.

- Pai. – Rachel respirou fundo. – Isso é passado.

- Mesmo? – Começou a se aproximar. – Por que não foi se apresentar hoje? É a segunda que você falta desde que ela apareceu.

- Eu não faltei. – Rachel se soltou de Quinn. – Ouve um incidente no teatro, um cano estorou.

- E por isso cancelaram a peça? – Cruzou os braços descrente.

- Não, pai, acharam melhor fazerem uma revisão em todo o encanamento e na fiação. – Sentiu uma veia saltar em seu pescoço. – O prédio é antigo e mesmo as revisões estando em ordem acharam que seria melhor por precaução.

- E quanto tempo vai demorar tanta precaução? – Ironizou.

- Alguns dias. – Resmungou. – Agora não é que eu não adore ter vocês aqui, mas o que vocês estão fazendo aqui?

- Seu pai resolver ser um homem das cavernas que não respeita a decisão que a própria filha de 28 anos tomou para a vida que ela tem. – Hiram respondeu com a voz e o olhar duros na direção do marido. – Quando começaram a sair esses boatos meu querido marido resolveu que tinha que vir.

- Bem, por que não colocamos as coisas dos senhores no quarto de hóspedes. – Rachel resmungou suspirando.

- Claro. – Hirram sorriu para a filha indo pegar as malas. – Leroy me ajude sim? Rachel fique ai com a Quinn eu quero falar com o seu pai.

Quinn observou os dois homens sumirem no corredor para os quartos e se sentou soltando um suspiro, Rachel se sentou ao seu lado com a expressão triste.

- Hey. – Quinn a puxou pelo queixo. – Vai melhorar, é só você me deixar conversar com ele.

- Meu pai não é tão fácil assim de lidar. – Murmurou se aconchegando em Quinn. – Desculpa, perdemos a nossa noite.

- Não tem problemas. – Sorriu de lado a abraçando forte. – Adoro ser ofendida pelos pais da minha namorada.

- Você teve esses problemas com os pais da Andrea? – Murmurou fechando os olhos.

- Não, até por que eu já frequentava a casa deles antes de começar a namorar com ela. – A beijou na testa. – Então que horas seus pais vão me expulsar para você poder dormir?

- E quem disse que você vai sair daqui hoje? – Arqueou uma sobrancelha se afastando dela. – Você vai dormir comigo.

- Rachel eu não acho prudente empurrarmos a paciencia do seu pai agora. – Olhou para o corredor. – Eu sei que você é maior de idade e se sustenta e tudo mais, mas ele é teu pai.

- E você minha namorada. – Resmungou se pondo em pé. – Vem vamos fazer algo para comer.

Rachel estava tirando os legumes do vapor os colocando debaixo da água gelada enquanto Quinn cortava algumas coisas para a salada.

- Hn… eu tenho que conversar algo com você. – Quinn começou apoiando a ponta da faca na tabua que estava usando. – É sobre o Ethan.

- Ele está bem? – Levantou a cabeça secando as mãos.

- Sim ele está se recuperando muito bem. – Assegurou calma. – Os médicos acham que mais uma semana e ele vai poder ter alta.

- Isso é ótimo. – Sorriu se voltando para o fogão. – Então nós temos que apressar as obras na casa, para poder recebe-lo o mais rápido possível.

- É, mas tem outra coisa. – Suspirou.

- O que? – Levantou a cabeça se esquecendo do molho que fazia. – O que aconteceu?

- Um dos médicos me procurou para me dar uma notícia. – Se afastou da bancada se aproximando dela. – Existe a possibilidade do Ethan fazer uma cirurgia que pode recuperar cerca de 80% da visão dele, mas o problema de coração dele é um fator de rísco.

- Espera… — Abaixou o fogo para poder dar mais atenção a loira. – Como assim?

- Existe uma cirurgia…

- Isso eu entendi. – A interrompeu bufando impaciente. – Estou perguntando se a cirurgia é mesmo uma opção.

- Eu não sei. – Suspirou se apoiando na bancada e cruzando os braços. – O problema de coração dele é um fator de rísco, mas ao mesmo tempo eu daria tudo para que ele pudesse enchergar.

- Vamos fazer assim. – Se colocou na frente dela, esfregou seus ombros. – Vamos esperar para conversarmos com o especialista ok? E dependendo do risco cirurgico você…

- Nós. – A interrompeu séria. – Nós temos que pensar se vamos ou não autorizar.

- Nós. – Concordou a beijando suavemente. – Nosso garoto vai ter todas as chances que pudermos dar a ele.

Quinn afundou o rosto para poder beija-la com carinho. Ouviram o pigarro na porta, Leroy estava parado no portal com os braços cruzados.

- Interrompo algo? – Perguntou irritado.

Rachel olhou para o pai tentando reprimir a resposta malcriada.

- Estavamos apenas terminando o jantar senhor. – Quinn respondeu rapidamente.

- Estou vendo. – Arqueou uma sobrancelha.

- Querido. – Hiram entrou na cozinha. – Deixe- as sozinhas.

Quinn se recostou na cadeira passando o braço pelo encosto da de Rachel que ria conversando com Hiram sobre a peça. Estava perdida em pensamentos olhando o perfil da morena quando seu celular vibrou encima da mesa.

- Desculpa. – Pediu pegando o aparelho, atraiu a atenção de Rachel. – Santana.

- Atende. – Falou repousando a mão na perna da loira sem se importar com o olhar do pai.

- Fala Satã. – Sufocou a própria risada.

- Para de comer a Berry e vem pro hospital. – Sua voz era agitada. — Eu já falei com o Sam. É o Ethan.

Quinn sentiu seu sangue gelar e seu rosto ficou inexpressivo.

- O que foi? – Rachel apertou os dedos na coxa de Quinn. – Baby?

- Santana nos mandou ir para o hospital. – Sua voz veio rouca. – Aconteceu alguma coisa com o Ethan.

Notas finais
O que acharam?
Até a próxima.