Dezesseis Luas
4 Um dia e tanto- Parte II
Notas iniciais
Ao entramos, Ethan parecia animado.
– Sente-se fique a vontade- disse meu tio.
– Ah, desculpe ter entrado sem convite antes.
– Não tem problema. É tão raro termos convidados na nossa querida Gatlin.
– Não seja esnobe tio. Eles não têm culpa de você não falar com ninguém.
– E não é minha culpa se tenho predileção por boas maneiras, inteligência razoável e higiene pessoal satisfatória. – Ethan deu um riso meio se graça. — mas como minha família fundou essa cidade, não tenho alternativa a não ser chamar de lar. Então, aqui estamos nós. — disse olhando para Ethan que estava sem graça.
– A esse piano é lindo- eu apenas olhava Ethan.
– Ah, e. Você toca?-disse meu tio apontando o piano logo atrás.
– Não.
– Lena porque não toca para o nosso convidado?
– Porque não estamos no livro de Jane Austen.
– Então porque não faz um chá- ele disse me olhando e vendo um sorriso estampado em meu rosto.
– Século errado tio.
– Então eu não perturbaria vocês dois se eu dedilhasse alguma coisa? Acho isso bem terapêutico. — disse se levantando e indo em direção ao piano.
– O meu tio tá chateado- disse olhando para Ethan. — a escola ligou, me colocaram em observação até o caso das janelas ser investigado.
– Isso é loucura!- disse Ethan. Meu tio começou a tocar- aquilo não foi culpa sua.
– A voz da razão, numa cidade de humanos com cérebro de algodão. Lena posso gostar do seu amigo.
– Isso seria o mesmo que culpar a Lena pelo raio que caía.
– Ah é- meu tio disse rindo enquanto tocava piano-eu ouvi falar do raio. Na verdade uma coisa semelhante ao que aconteceu na Venezuela por anos em um lago. Pode procurar no google.
– Meu tio adora o google- disse sem graça.
– De qualquer jeito, resolva isso com a escola, mas entendo sua indignação. Observação significa ter alguma autoridade. O que acham disso? Um bando de donas de casa sexualmente frustradas com mentes minúsculas e traseiros enormes. –ele e Ethan riram. — não. Só tem dois tipos de pessoas em Gatlin. Os muito burros para ir embora e os que estão condenados a ficar.
– Minha mãe costumava falar a mesma coisa. — disse Ethan surpreso.
– Ah e mesmo? Era uma mulher adorável. Senti muito quando soube que tinha falecido. — Ethan parecia um pouco triste. — Claro, só a conhecia através dos livros. Li tudo o que ela escreveu sobra às plantações. Planeja ser escritor?
– Eu ainda não sei. Talvez.
– E se eu tivesse uma varinha de condão.
– Macon- eu sabia o que ele queria fazer.
– E deixasse que visse todo o seu futuro? O que encontraria lá? E não me poupe dos detalhes sórdidos.
– Bom senhor eu não sei ainda. A única coisa que eu tenho certeza por enquanto é a faculdade. Eu definitivamente pretendo ir.
– É mesmo. Em qual se inscreveu?
– Em todas elas. Desde que não seja muito longe de casa- ele começou a parecer confuso. — aliás, desde que seja uma faculdade local. Ah, ah, assim posso ficar com meu pai. — vi que meu tio estava querendo manipular Ethan.- Eu vou pegar meu diploma de professor e vou dar aula no colégio. Ou eu posso assumir a biblioteca da Amma. – eu sabia que era meu tio que estava agindo ali. – eu provavelmente vou estar casado com Emily e vamos ter dois filhos, mas não vou conseguir sustentar ela e vou começar a beber. Vou levar três multas por isso e vou perder o meu emprego. E vou ter um caso com a amiga de Emily até ter 49 e as crianças vão morar com a mãe depois do divórcio e quando eu tiver 52 vou ter meu primeiro infarto- eu estava totalmente surpresa. Meu tio precisava parar- E depois outro com 63. Vou me mudar para um apartamento e ajudar os vizinhos que tem uma loja a varrer o chão quando eles fecharem, em troca de bebias de graça. Aí quando eu tiver 64 eu vou-me enforcar. E, mas eles não vão achar o corpo logo, só quando feder.
– É, já tem tudo planejado. –disse meu tio com um sorriso vencedor. — bom pra você.
– Ethan, você tá legal? – disse preocupada.
– To, é vocês podem me dar licença, eu não tenho dormido muito bem.
A única coisa que eu podia dizer depois daquilo era droga. Fui em direção ao meu tio.
– O que fez com ele Macon?- estava muito preocupada.
– Eu fiz com que frequentasse a escola para que fosse normal, mas não que fizesse amigos.
– Não podia me deixar pelo menos até meu aniversário?
– Lembra o que aconteceu na última escola, a janela estilhaçada é só o começo. — eu saí de perto dele chorando. – esse garoto é um perigo pra você- eu subia as escadas chorando. — não o convide para cá de novo.
– Não se preocupe, garanto que ele não vai voltar- e continuei a subir a escada chorando.
Fui para meu quarto e me deitei na cama. Senti que Ethan estava perto. Levantei-me e olhei pela janela. Ele estava em passos fortes. Corri para outra janela, de onde era possível vê-lo melhor. Ele olhou para a janela e apontou para sua frente. Eu apenas consenti e fui ao seu encontro. Fomos até o jardim onde estávamos anteriormente.
– Você voltou- estava muito feliz com isso.
– Ah, desculpe eu não sei o que deu em mim lá dentro.
– Ah, você não tem culpa. – eu não conseguia parar de olhar para seus olhos e soltar um sorriso foi inevitável.
Ele passou a mão por meus cabelos, e colocou-os para frente, tampando um pouco do meu rosto.
– Tomara que não pareça muito estranho, mas eu tenho sonhado com você todas as noites. Isso não parecia tão bizarro na minha cabeça. Pode esquecer que eu disse isso- ele sorriu
– Claro.
– Eh, seu presente.
–Ah, legal. Presente- eu sorri.
– Ele abre olha só- abriu o amuleto.
No amuleto estava escrito ECW & GKD.
– 21 de dezembro. 1863. — ele me disse
– 21 de dezembro?
– É. Qual o problema?
– É meu aniversário. Vou fazer dezesseis.
– Nossa isso é incrível. Eu não acredito em sinais normalmente, mas esse aqui parece um sinal e tanto.
– É- eu disse meio confusa.
–Você tem quinze e tá no segundo ano? Puxa, você deve ser um crânio. Você pulou algum ano?
– Pulei. — estava meio sem graça.
– Então, considere isso como um presente de aniversário adiantado.
Ele pegou minha mãe e colocou a sua mão com o amuleto por cima. Algo aconteceu. Eu comecei a ver cenas de algo que aconteceu. Uma mulher, guerra. O que era aquilo? Um homem se encontrou com essa mulher e a beijou. Eles pareciam estar com pressa . Havia uma casa pegando fogo, gritos. E a mulher se separou do homem e começou a correr. Ela gritava e o homem correu atrás. Alguém atirou e atingiu o homem. Alguém gritou: Ethan!!!.
Depois disso, eu não vi nada. Acordei em minha cama.
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