Dezesseis Luas
5 Um invasor
Notas iniciais
Desci para tomar um café. Chamei por meu tio, mas nada respondeu. Procurei-o em seu quarto, mas ele não estava lá. Devia ter saído. Após tomar café, decidi voltar para meu quarto. Procurei meu livro e fui deitar na cama para ler. Senti que a casa estava protegida. Paranoia do meu tio, toda vez que ele sai ele faz isso.
Do nada tive um pressentimento. Ao me concentrar, senti que alguém entrara na casa e estava a ser pego pelos feitiços que protegiam a casa. Ao olhar pela janela, a surpresa. Era Ethan, corri para ajudá-lo. Destruí o que o segurava. Ethan olhou para mim assustado e caiu. Ao se levantar novamente ficou olhando para mim, enquanto eu estava ali tremendo e deixando o cabelo a frente do meu rosto por causa do vento. O levei pra dentro e aqueci.
– Minha família é...diferente.
– Diferente como?- ele me olhou desconfiado.
– nós fazemos coisas...coisas diferentes.
– Ah como assim. Vocês são da Europa?
– Sabe quando algumas famílias tem o dom da músicas, outras são ricas?- disse indo em sua direção, e lhe dando chá. – pois é, nós temos poderes.
– Poderes?- ele me olhava com o olho arregalado.
– É.- me sentei em uma poltrona de frente para a cama onde ele estava.
– O que foi aquilo lá fora?- disse ele se sentando na cama.
– Aquilo foi Macon. Ele tem a casa protegida. É um conjuro pra me proteger quando ele tá fora.
– Conjuro?- ele me olhou assustado.
– É e não vai acontecer de novo.
– Tá. Lena-ele deixou a caneca com chá em cima de uma mesa.- você é uma bruxa?
– Não. – ele suspirou aliviado- quer dizer chamar a gente de bruxa, tipo chamar o inteligente de nerd, ou o atleta de marombeiro, nós preferimos conjuradores. – ele levantou a cabeça que antes estava baixa- eu não queria quebrar aquelas janelas. Meus poderes estão ficando mais fortes, ne sempre consigo controlar. – ele me olhou meio pasmo- você tá meio verde. – ele se deitou novamente- quer um biscoito? Açucar vai ajudar.- cheguei com a bandeja de biscoitos perto dele- fiz eles ontem a noite- ele me olhou desconfiado.- usando massa pronta. – ele pensou e pegou um biscoito.
– tá, mas e isso?- ele me perguntou mostrando aquele mesmo amuleto.
– Eu não sei.
– Você não sabe?-disse ele se sentando novamente.
– Não, não fui eu.- disse me sentando novamente na poltrona.- foi alguma outra coisa. Uma coisa aconteceu quando seguramos ele.
– Ta pera aí um minuto. Vocês não tem nada a ver com satanás. Tem?- eu o olhei com um olhar desapontado e de raiva ao mesmo tempo.
– É o tipo da coisa que só um mortal diria. – disse me levantando e indo em direção ao meu guarda roupas. – droga.
– O mal existe Lena.
– Claro, existem conjuradores das trevas Ethan. Vem cá, ta tentando dizer que não existem mortais das trevas? A única diferença é que vocês acham outra pessoa pra colocar a culpa. – disse me sentando na minha cama e retirando os sapatos, cruzando as pernas em cima da cama.
Ethan veio em minha direção enquanto eu me cobria.
– Só to tentando entender tudo isso. — disse ele parando e minha frente.- você tem poderes né, o que mais pode fazer?
Eu o olhei e revelei um de meus poderes. Várias de minhas poesias que coleciono apareceram por todos os cantos do quarto. Ele olhou surpreso.
– Coleciono poesia. – ele olhava surpreso.
Ao olhá-lo, algo me fazia bem. Ele finalmente me conhecia, do jeito que eu era. E não me rejeitou. Decidi que era hora de parar.
– Eu não devia mostrar nada disso pra um mortal- disse olhando para um lado.
Ethan se sentou ao meu lado sorrindo.
– Tudo bem.
– Não, eu não devia. – ele me olhava- é que eu odeio me esconder o tempo todo. Sentindo que todo mundo tá falando de mim, com medo de que as pessoas descubram que eu sou uma aberração. Tudo o que eu queria era ser normal – ele começou a me acariciar e sorrir.
Aquele sorriso me deixava encantada.
– Do que você tá rindo?- podia sentir seu perfume de tão perto que estávamos.
– Lena, você é um milagre. Porque que você quer ser normal?
Eu apenas o olhava diante daquelas palavras. Aquele olhar me hipnotizou e nos beijamos. De repente, vi que eu esperava tanto por aquele beijo, aquele momento. Seu beijo me trazia paz, e ele sabia quem eu era, como eu era.
– Você não é como eu esperava.
– Como assim?
– Não surta, mas também tenho sonhado com você. – ele me olhou surpreso.- só que eu achava que não era real. – disse acariciando seu rosto.
– Lena!- era Macon, que havia chegado.
– É o Macon. Você tem que ir.
– Porque não me contou?
– Eu fico com medo. Você não sente medo?
– Você quer sair comigo?-disse sorrindo e me beijando.
Corri e me levantei da cama, com ele logo atrás. Abrimos a janela.
– Pera aí, eu vou sair pela janela?
Olhei para baixo e usando meus poderes, fiz sipós que estão grudados a parede da casa crescerem, facilitando sua descida.
– Uau. Faz qualquer coisa crescer.
– Lena!
– Vai logo. – disse o empurrando e fazendo com que saísse para fora.
Ele jogou sua jaqueta.
– Tá sexta feira no cinema?
– Sexta eu não posso é um feriado.
– Que feriado?
– É dia de reunião. A família tá toda vindo de fora.
– Sábado então.
– Lena!- A voz de Macon estava mais próxima do quarto.
– Eu não sei anda logo- disse sussurrando.
– diz que sim- ele se aproximou do meu rosto.
– sim- ele me beijou.
– posso te ver amanhã?
– Eu não sei. Sai logo daqui.- ele começou a descer.
Ele olhou pra mim e continuou a descida que parecia difícil.
– Ethan.
– Oi.
– Promete que vai ser um encontro normal e descomportado de adolescentes?
– Prometo. Eu nem vou te ligar depois.
– Palhaço.
– Bruxa.
– Marombado.
– te vejo amanhã. Você podia ter feito uma escada sabia?
Eu apenas sorri enquanto escutava ele descer. Como eu relembrei o momento. Ele havia me aceitado. Eu gostava dele.
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