Quando a professora Rosali anunciou a sétima edição do Saint Peter’s Annual Art Festival, Dean chegou a se empolgar por um segundo. Mas ele não pretendia continuar naquele colégio tempo suficiente para participar do evento... Uma pena... Gostava de artes. Sempre gostara...

Dean Ross apresentava talentos artísticos desde criancinha. Além disso, fora incentivado a desenvolvê-los cedo. O pai, vendo a disposição que o filho tinha para a pintura e a música, não custou a matriculá-lo em diversos cursos. Faziam viagens culturais para visitar museus e apreciar arte em geral. Com quinze anos, Dean tocava piano e violão muito bem. Além disso tinha uma enorme habilidade e técnica em desenho e pintura. Ultimamente andava interessado e se desenvolvendo bastante em arte digital.

Uma pena mesmo... Dean suspirou. Se ele ficasse naquela escola poderia fazer uma animação digital para o festival, ou quem sabe compor algumas canções... Por que um colégio tão bacana como o Saint Peter precisava ter regime semi fechado? Ele definitivamente não iria continuar ali. Era uma semana a mais, e só...

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Ao final do dia, os alunos estavam em polvorosa. Só falavam nisso: a apresentação que fariam no final do ano (que nos E.U.A corresponde ao meio do ano letivo). Justin, Misha, Jo e Ruby estavam pipocando de ideias. Queriam fazer algum trabalho juntos, pois assim, além de sentirem-se mais seguros, se divertiriam mais também.

– Que tal formarmos uma banda de rock? – sugeriu Justin empolgado.

– Só se eu for a vocalista, porque não sei tocar instrumento nenhum... – suspirou Jo.

– Jo, você desafina que é um horror... – criticou Ruby em seguida, fazendo os meninos rirem.

A ruiva ficou sem graça, mas logo descobriram que Jo não era exceção... Além de Justin, que sabia tocar bateria, apenas Dean tinha algum talento para a música. Tiveram que desistir da ideia.

Misha sugeriu que fizessem uma escultura gigante à cinco mãos, mas a ideia não empolgou. Ruby era sempre a primeira a colocar defeito em todas as sugestões, até que, finalmente, botou para fora o que estava matutando em sua cabeça fazia tempo.

– Vamos fazer uma apresentação teatral então... – sugeriu a morena com o sorriso aberto.

Justin, Misha e Jo pareceram adorar a ideia. Representar não devia ser assim tão complicado... Dean, entretanto, que nunca havia se imaginado representando na frente de um teatro lotado, estremeceu. Principalmente depois que começaram a falar no professor Winchester, o nome mais indicado para tutorá-los.

O professor Winchester era estranho... Ele era um homem ainda jovem, e enorme... Muito grande mesmo... Dean tinha certeza que escondia algum segredo sórdido... Seu olhar era profundo , de uma maneira perturbadora. O garoto sentia-se trêmulo quando o homem se aproximava dele na aula. Tinha vontade de fugir para bem longe... Imagina então ter que ser tutorado por aquele esquisitão? Nem morto...

O louro ia abrir a boca para protestar, mas seus colegas pareciam decididos e felizes... E, além do mais, ele não iria participar mesmo... Só teria mais uma semana naquela escola e iria embora... Então deixou para lá. Não queria dizer nada sobre sua saída do colégio por enquanto. Tinha medo que seus amigos, e especialmente Jo, fossem reclamar. Poderiam tentar fazer pressão para que ele ficasse, e Dean preferia ser deixado em paz...

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Ruby estava especialmente animada. Não havia contado aos garotos, mas Jo sabia muito bem o que se passava com ela... Tudo o que a menina queria era ser notada pelo belo professor de teatro, e ser tutorada por ele já seria o primeiro passo...

Na sexta-feira os amigos se juntaram para formalizar o pedido. Avistaram o professor, sentado sozinho, bebericando um café, e se aproximaram. Após um breve diálogo com Jared, estava tudo acertado. Ruby sentia-se a pessoa mais feliz do mundo. Teriam não apenas um, mas dois encontros extraclasse com o tutor por semana! Era sorte demais para uma garota só...

– Ruby está com uma cara de boba... – comentou Justin para Misha e Dean, assim que as meninas se afastaram um pouco.

– Você ainda não notou que ela está caidinha pelo professor Sam? – perguntou então Misha, divertindo-se. Para ele estava óbvio... Já havia percebido fazia tempo.

Dean arregalou-se. A menina estava apaixonada pelo professor Winchester? Não podia ser...

– Logo por ele? — perguntou por fim, incrédulo. O homem era assustador... Não podia acreditar que a amiga pudesse estar interessada logo nele.

– Ouvi dizer que a metade das meninas dessa escola são gamadas por ele... Não sei porque tanto espanto... – respondeu Misha displicente.

– É que ele é esquisito! – protestou Dean. O louro ia confessar que Jared lhe dava até medo, mas se conteve.

– Esquisito como? Moreno, alto, bonito e sensual? – brincou Misha. Sabia que Justin não ficaria satisfeito com a nova paixão de Ruby. Mas Dean? Essa era nova para ele...

Justin fechou a cara. Não era justo que as garotas de sua idade se apaixonassem por homens mais velhos. Desse jeito ele só ia conseguir uma namorada dali a cinco anos...

– Dean, você que tem sorte... – suspirou – Pelo menos tem a Jo, que parece estar a fim...

– Pois é... Esse namoro sai ou não sai? – quis saber Misha.

Dean corou. Quem sabe? Ele ficava sem graça em se aproximar muito dela... Mas Jo era bonita, e ele nunca tinha beijado uma garota antes... Bem, já tinha... Mas não um beijo de verdade, com língua e tudo mais... Queria experimentar! Pena que agora tinha pouco tempo. Uma semana apenas...

Logo depois que as meninas voltaram para perto deles, já estava na hora de se despedirem. Iriam para casa finalmente, após uma longa primeira semana de aulas.

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Dean chegou correndo em casa e jogou a mochila em cima da sofá. Laercio, o motorista, o havia buscado na escola. Era tão bom estar de volta...

– Pai! Mãe! Cheguei! – anunciou com alegria.

Roger foi logo de encontro ao filho, abraçando-o com força.

– Como foi no colégio, meu filho?

Não havia sido tão ruim assim... Mas Dean fez doce. Afinal não podia demonstrar fraqueza em sua decisão de sair do Saint Peter.

– A comida é ruim e eu fiquei com saudade... – reclamou o louro.

A mãe, Sarah, apareceu em seguida, e abraçou o menino também.

– Pois hoje você vai comer direito. Vamos sair para jantar... Que tal? – convidou a mulher.

Dean sorriu animado. Saiu correndo para tomar um bom banho e se trocar. Adorava sair com os pais.

Sarah e Roger olharam para o filho e sorriram. Como estava bonito e crescido... Era o menino dos olhos de Roger, e, por conseguinte, ganhara também um lugarzinho especial no coração da Sarah.

Quando o primeiro Dean, o mais velho, adoecera, Roger largou a família. Sarah nunca havia sido uma mãe carinhosa. O amor de sua vida era Roger, e era apenas ele que amava... É claro que gostava do filho também... Mas Roger sempre viera em primeiro lugar. Quando o marido saiu de casa, culpou o menino. A partir daí sua relação com o filho só piorou. Era difícil para ela amar aquele que foi responsável por separá-la de seu grande amor.

Sem o marido e com o filho no hospital, Sarah tentou recomeçar. Conheceu outro homem e teve uma menina: Mackenzie. Quase não ficou ao lado de Dean durante o seu tratamento. Não tinha amor para lhe oferecer... Depois que o garoto se curou, tentou desempenhar suas obrigações para com ele: deu casa, comida e educação de qualidade. E era só o que podia fazer...

Ao reencontrar Roger, anos mais tarde, o coração de Sarah começou a se abrir novamente. Nunca gostara de verdade do segundo marido, e logo separou-se dele. Estava feliz ao lado de seu grande amor quando o filho adoeceu novamente. A diferença foi, que dessa vez, Roger ficou ao seu lado. Com o marido, Sarah aprendeu a apreciar um pouco mais a companhia do menino. Ao final, sentia-se próxima a ele, e chorou sua morte. Ele era fruto de seu grande amor...

O casal estava em luto quanto o milagre aconteceu: Sarah, com quarenta e dois anos de idade, engravidara de novo. Roger chorou de felicidade com nascimento do seu segundo filhinho, que foi, em homenagem ao primeiro, batizado de Dean. Dean Ross, por escolha do pai.

Dean Ross cresceu lindo e saudável. Era idêntico ao menino que morrera, não só na aparência. Seu jeito e personalidade eram também bastante similares ao do primeiro Dean. Roger o amava loucamente. A frustração de não ter visto seu primeiro filho crescer foi superada pela felicidade de seguir todos os passos do segundo de perto.

Sarah por vezes sentia-se enciumada, pois Roger amava Dean Ross como a ninguém mais. Reclamava pelo menino ser mimado demais: e era! Ao mesmo tempo, orgulhava-se por ter dado ao marido seu bem mais precioso. Ela própria preocupa-se com a saúde e bem estar do menino. O pavor de ambos era que algo de ruim pudesse acontecer a ele.

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– Vamos então? – perguntou a mãe.

Dean já estava pronto. Encaminhou-se feliz da vida para sair quando avistou Mackenzie. Era azar demais... Logo agora a irmã resolvia visitá-los?

A loura, com um namorado novo e mais esquisito que o anterior a tiracolo, cumprimentou o irmão com pouco entusiasmo. Ela queria mesmo era falar com a mãe e conseguir algum dinheiro. Era só isso que a interessava...

Mackenzie morava sozinha, não muito longe dali. Vivia endividada e cheia de namorados e amigos esquisitos. Dean achava que eram todos drogados e marginais... O pai não gostava que ele se aproximasse muito. Puxou o menino para mais perto de si.

Sarah abriu a carteira e deu algumas notas para a filha. Era o jeito mais fácil que tinha de se livrar dela. Em menos de cinco minutos a moça já havia se despedido.

– Vamos então? – perguntou Sarah novamente como se nada tivesse acontecido.