Dezesseis Anos e Meio
5 Capítulo 5
Sam estava entusiasmado com mais uma segunda-feira. Passara o fim de semana todo pensando em Dean e em como seria maravilhoso quando finalmente pudessem ficar juntos. Morariam em uma casinha simples porém confortável, com um jardim grande e florido. Longe da poluição da cidade grande... Um lugar perfeito para verem as crianças crescendo. O moreno sorriu. Era um homem de sorte... Tudo o que precisava era um pouquinho de paciência agora... Dean ainda era muito jovem e inocente. Provavelmente nem pensava em namoro ainda...
O dia estava tão lindo... E o ar parecia mais leve. Sam respirou fundo e seguiu para a sala de aula. Dean provavelmente já estaria por lá... Por enquanto isso já era o suficiente para deixá-lo com o astral lá em cima: ver seu lourinho naquela ensolarada manhã de segunda-feira. E no dia seguinte... Ahhh, Sam mal podia esperar... Terça-feira finalmente poderia se aproximar mais do garoto e trocar algumas palavras com ele. Teria sua primeira reunião com Dean e seu grupinho de amigos.
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Quando Dean chegou ao colégio segunda-feira pela manhã, não estava nada entusiasmado. Passara um ótimo final de semana com a família, e não gostava da ideia de ter que ficar a semana toda trancado naquele Castelo longe de seus pais.
O menino foi um dos primeiros a chegar na sala de aula. Sentou-se quieto em seu canto, esperando que seus amigos aparecessem. Logo teriam mais uma aula de teatro, com o assustador professor Winchester... Dean sentiu um calafrio percorrer seu corpo só em lembrar do olhar do homem. Aqueles cabelos esvoaçantes e o tamanho descomunal também não ajudavam... O sujeito metia medo! Como seus amigos podiam querer ser tutorados logo por ele?
– Dean?
O louro estava com o pensamento tão longe que quase morreu de susto. Jo sorriu ao ver o menino dar um pulinho na cadeira, arregalar os olhos e abrir a boca com assombro.
– Te assustei? – perguntou a ruiva. – Coitadinho...
Dean sorriu sem graça. Ele obviamente tinha se assustado de maneira patética.
Mas aquele menino era mesmo um charme... Além do rostinho perfeito, ainda era fofo! Tudo nele era lindo... Estava na hora de Jo dar o bote.
– Deixa eu ver se te assustei mesmo... – falou a menina encostando a mão direita no peito de Dean. – Nossa, está batendo depressa... – ela exclamou em seguida. – Mas sei um jeito de te acalmar...
Jo então chegou mais perto e começou a massagear os ombros de Dean. Depois passou para os cabelos. A sensação era gostosa, e o perfume que a ruiva exalava, também. O louro relaxou a princípio. Depois assustou-se ao notar o rosto da menina aproximar-se do seu perigosamente. Estava rolando um clima entre eles, não estava? Dean teve certeza que sim quando viu Ruby, Misha e Justin chegarem e se sentarem afastados dos dois.
Jo segurou o rosto de Dean de leve e colou seus lábios aos dele. O louro fechou os olhos. Estavam finalmente se beijando! Dean sentiu a língua de Jo invadir sua boca. Era um beijo de verdade! Um tanto nojento... Mas não importava. Ele estava feliz por finalmente estar beijando uma garota.
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– Bom dia! – Cumprimentou o professor Winchester ao entrar na sala de aula.
O professor exibia um enorme sorriso no rosto. Enorme e com dua covinhas bem marcadas. Ruby suspirou. Que gato! Era sorte demais ter aula com um homem daqueles...
– Cuidado para não molhar seu caderno com tanta baba! – advertiu Justin.
A menina deu um tapinha no amigo. Ela não estava sendo tão óbvia assim... Ou estava? Bem, talvez estivesse... Misha e Justin já haviam deixado bem claro, minutos mais cedo, que sabiam de sua paixonite pelo professor de teatro. Agora, pelo jeito, iam começar a implicar com ela... Problema... Não deixaria que aqueles pirralhos bobos atrapalhassem seus planos.
Ruby olhou para sua amiga. Ela havia conseguido o que queria... A ruiva beijava Dean naquele exato momento. Devia estar feliz da vida... Mas beijar um garotinho bobo daqueles não era vantagem. Parecia fácil demais... Seu desafio seria maior, assim como seu prêmio. Conquistar 1,95m de homem talvez não fosse ser fácil... Mas ela conseguiria! Podia ser jovem, mas era madura e sabia jogar seu charme.
A morena suspirou, enebriada pelo doce sorriso de sua presa. Ele ficava ainda mais lindo quando estava de bom humor... Até que, de repente, a morena notou as bochechas do professor murcharem.
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Como assim o seu neném estava aos beijos com uma garota dentro da sala de aula? Ele era uma criança ainda! O sorriso de Sam se desfez. Ele estava chocado.
O homem logo percebeu que quem beijava o seu amado era Jo. Claro... Só podia ser ela... A ruiva sem vergonha! Franziu o cenho.
Quando Dean abriu os olhos, foi logo surpreendido pelo olhar intenso e perturbador que o professor lhe lançava. O menino se ajeitou na cadeira, com o coração aos pulos. Sentiu como se tivesse sido pego em flagrante, fazendo algo errado. Bem... E ele estava mesmo... Era falta de respeito ficar se beijando dentro da sala... Ou não era? O professor certamente achava que sim, pois não parecia nada feliz... O louro se afastou um pouco de Jo. Era melhor se comportar e prestar atenção à aula. Não queria uma detenção.
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Sam mal conseguiu se concentrar. Seu lindo bebê, tão novinho... Será que ele estava namorando com Jo? Que droga! Ele prometera a si mesmo ser paciente. Esperaria o menino crescer para poder tê-lo, finalmente, para si. Mas aturar ver seu lourinho trocando saliva com uma garotinha qualquer já era provação demais...
Sam, mesmo tentando disfarçar, não pôde deixar de prestar atenção no comportamento de Dean e Jo durante a aula. A menina olhava para o louro constantemente, e em um certo momento passou um bilhetinho para ele.
Dean leu: Você quer namorar comigo? Como possíveis respostas, ela tinha deixado algumas opções: “sim”, “não”, e “não sei”. Dean marcou depressa e devolveu o bilhete. Sam olhava em sua direção, mais uma vez. Aquele olhar o deixava desconcertado.
Jo sorriu ao ler a resposta. Estavam agora namorando oficialmente! Mal podia esperar para contar a Ruby.
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Assim que a aula terminou, Jo beijou Dean de novo. Depois foi correndo contar a novidade para Ruby e para os meninos.
– Estamos namorando! – anunciou cheia de entusiasmo.
Dean estava satisfeito. Jo era sua primeira namorada, e isso era legal. Talvez pudesse vê-la, as vezes, nos fins de semana. Afinal, sairia da escola em breve... O menino decidiu que apenas contaria aos amigos sobre a sua saída do Saint Peter quando já estivesse longe dali. Mandaria uma mensagem pelo facebook. Assim seria mais fácil... Principalmente agora que, mais do que nunca, Jo ficaria chateada com a sua decisão de sair do colégio.
Enquanto Dean aproveitava os primeiros momentos de seu namoro, Sam sentia-se o mais infeliz dos mortais. Passado o choque inicial, a sensação em seu peito era cada vez pior. Antes pensava que tudo se resolveria por si só. Dean era uma criança, muito novinho para namorar. Assim que estivesse pronto, se jogaria em seus braços. Agora, tinha suas dúvidas...
Na hora do almoço, sentou-se sozinho, observando o movimento dos alunos. Ver Dean de mãos dadas com Jo era ruim demais... Ele estava com ciúmes, mas, acima disso, sentia-se injustiçado. Ele esperara tantos anos... Quase um século para falar a verdade... E Dean voltara para ficar ao seu lado, de ninguém mais! Sam sentiu seus olhos umedecerem.
Quanto tempo mais ele teria de esperar? E se esperar apenas não fosse o suficiente? Ao mesmo tempo, como poderia tentar conquistar um aluno, menor de idade? No mínimo ia acabar na cadeia... E enquanto ele não sabia que passo tomar, seria obrigado a presenciar o menino que tanto amava sendo beijado por uma boca qualquer...
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As horas passaram devagar, mas, eventualmente a terça-feira chegou. As 16h, Sam, ainda sentindo-se miserável, arrastou-se para o auditório onde encontraria o casal de pombinhos e seus amigos.
– Olá! – disse ao ver que os garotos já estavam lá, esperando por ele. Dean e Jo, bem no centro do grupo, estavam de mãos dadas. Sam estremeceu.
– Oi, Sam! – respondeu Ruby entusiasmada. Fazia questão agora de chamar o professor, e seu futuro esposo, pelo primeiro nome. Já era uma forma de sentir-se mais íntima dele.
Os demais alunos cumprimentaram o professor em seguida, mais comedidos.
Apesar de incomodado com o namoro do louro, Sam não pode deixar de sentir certa euforia ao finalmente aproximar-se do menino. Só de poderem conversar um pouco já seria um começo para uma aproximação...
O professor então respirou fundo e começou a falar sobre o projeto. Já havia pensado mais ou menos em como conduzir a reunião para planejar o trabalho de forma eficiente.
– Vocês vão escolher uma peça já conhecida? Ou preferem escrever a sua própria?
A decisão foi unânime. Misha e Justin queriam escrever uma história, e, sendo assim, foram nomeados os autores. Caso fosse necessário, fariam também papéis secundários. Dean, Jo e Gevenieve seriam os atores principais, por escolha das meninas. Dean não opinou. Estava se sentindo culpado por ter que deixar seus amigos na mão... Mas com certeza poderiam arranjar, sem dificuldade, alguém para substituí-lo. Teriam tempo de sobra para isso...
– Sam, você aceita participar da nossa peça também como ator? Acho que seria importante para a gente ter alguém mais experiente no palco... – pediu Ruby com docilidade.
O homem assentiu. Era comum que os professores participassem ativamente das apresentações para dar maior segurança aos alunos. Ruby não se conteve, comemorando com um gritinho animado.
– Bem... – concluiu Sam – Vocês podem começar a escrever então. Tragam um rascunho, pelo menos das ideias iniciais, para a nossa próxima reunião...
O professor suspirou. Queria poder puxar algum assunto diferente com Dean, mas a tarefa parecia impossível. O louro era sem dúvida o mais quieto do grupo. Não abriu a boca para se dirigir a ele um momento sequer, e evitava encará-lo de frente. Sam já estava ficando demasiado frustrado com isso.
Quando Jo segurou Dean pela cintura e tascou-lhe um beijo no pescoço, Sam pensou que talvez fosse o momento ideal para terminar a reunião. O encontro fora rápido, mas não havia mais nada a se discutir por enquanto. Talvez fosse melhor até que se encontrassem apenas na semana seguinte para que Justin e Misha tivessem um pouco mais de tempo para escrever alguma coisa, e foi isso que sugeriu.
– Se quiserem mais tempo, podemos nos encontrar só na semana que vem... – completou então prontamente, e de forma brusca. Só assim ele, Sam, também teria um pouco mais de tempo para digerir as cenas desagradáveis que haveria de presenciar.
Os meninos estavam prestes a concordar, satisfeitos, mas Ruby protestou com veemencia. Ela fazia questão de ver Sam na quinta-feira.
– Amanhã não temos aula a tarde! Eles vão ter tempo de sobra para se preparar para nossa próxima reunião... – prometeu a menina.
Dean estremeceu. Ruby era mesmo muito sem noção. Não estava óbvio que o professor não tinha nem tempo nem paciência para tutorá-los naquela atividade? Ele mal podia esperar para se livrar dos alunos... Mas dada a insistência da menina, acabaram marcando na quinta-feira mesmo. No mesmo local e mesmo horário... O louro suspirou. Teve pena de seus colegas que teriam que se encontrar com o aquele homem assustador por meses a fio. Mas pelo menos ele não precisaria passar por isso. Muito em breve estaria longe dali!
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