Eu devia imaginar, Liz não estava bem o suficiente pra pegar um telefone e digitar meu número, porém sua mãe estava, e muito bem na verdade, tirando o fato que ela estava extremamente nervosa, e que me culpava por sua filha estar agora, em coma alcóolico, e ter sido largada no partão da mansão deles.

Como explicar pra uma mãe, que sua única filha, não estava em coma por sua culpa quando você deveria ter sido a única pessoa a passar a tarde com ela? Eu não sei. Por isso tive muito problema, eu tentei de todas as formas, mas não funcionou, afinal, Liz era a menina exemplar, da cidade. Ela estava diretamente ligada ao trabalho voluntário e as melhores notas tirando as minhas e a de um menino asiático.

De qualquer forma, lá estava eu e a senhora Pérez, mãe de Liz, ela gritava comigo e não me dava chances de me defender, depois de gritar bastante, ela disse que levaria Liz ao hospital, e para que eu não procurasse a filha dela por muito tempo e depois desligou. Se considerar que Liz e eu só nos veriámos na escola, em duas semanas, parecia ser tempo o suficiente. Tomei banho e escovei meus dentes, desabei na cama, e logo dormi, tive um sonho muito interessante com Tyrese, o que teria acontecido se nós continuassemos.

Foi simplesmente o sonho mais herótico que eu já tive. Depois de bebermos bastante, Tyrese tinha me jogado em seu conversível, e nos levado pra um área privada, onde as pessoas costumavam, hum... passar o tempo como casais. Bem, continuando o sonho, nós começamos a nos beijar, desesperadamente, eu fui para cima dele, literalmente, sem parar de beijá-lo, eu estava de frente a ele, quando decidi tirar sua camisa, ele passava suas mãos nas minhas coxas, já estava abaixando minhas calças — você deve pensar, mas não estava frio? Não sei como, não sei como eu sei disso, só que, tudo aquilo não me dava o menor frio, nem a ele — não paravamos nem pra respirar, porém agora eu beijava seu pescoço, e ele tirava minha camisa.

Mesmo sendo um sonho, eu conseguia sentir sua mão no meu corpo, então, senti um beijo, mas não era isso que imaginava, quando abri meus olhos, deitado na minha cama, me beijando, estava um homem que eu nunca tinha visto, talvez o que minha mãe levara lá pra casa. Eu estava sem camisa e ele tirando as calças. Gritei.

– O... que... quem... fazendo... saí! — eu gaguejei

O cara estava perplexo, mas percebeu que eu não estava brincando, se levantou da minha cama, e saiu do quarto ainda vestindo as calças, e esbarrou com minha mãe.

- O que você tava fazendo, com aquele cara? — minha mãe perguntou como se a culpa fosse minha.

- É tudo sua culpa! — me levantei e fechei a porta na cara dela, passei a chave, eu não sabia o que queria, mas não queria falar com minha mãe, e talvez, eu quisesse aquele cara de volta na minha cama. Mesmo sem querer, imaginando outra pessoa no lugar dele, eu queria aquilo.

Tentei voltar a dormir, não pareceu funcionar muito bem, então liguei meu iPod e comecei a me arrumar, afinal eu tinha que viajar, talvez fosse bom pra clarear minha mente, eu estava tão perdida, depois do que Liz havia me dito, e aqueles caras. Eu não sabia que ficar com caras, daquela forma poderia ser tão prazeroso. Eu não via a hora de entender melhor, e claro, experimentar coisa novas.

Tomei um banho de banheira, mais longo de todos os tempos, não queria encarar minha mãe, então estava esperando ela voltar a dormir. Umas duas horas depois do acontecido eu saí, e fui tomar o café. Chamei um táxi e fui direto pro aeroporto, sem falar nada com minha mãe. Depois que embarquei me perguntei se aquela tinha sido a coisa certa, muito tarde.