Dez Anos

23 Capítulo Vinte e Dois


Notas iniciais
Boa prova para quem for fazer o Enem amanhã e boa leitura agora ♥

Capítulo Vinte e Dois

Edward Cullen

Eu estava começando a odiar meu livro, ficar revisando, reescrevendo e trabalhando nele estava me deixando desgastado com a história. Por vezes disse a Bella que iria simplesmente mudar o final e matar todos os personagens, de tão exausto que estava deles. Isso sempre terminava comigo ganhando um olhar sombrio dela, eu desconfiava que ela gostava mais do livro do que eu, o autor.

— Baby, eu posso sentir sua irritação daqui, relaxe — Bella pediu, continuando a sua leitura de O Menino do Pijama Listrado, anotando algo em seu fiel bloco de notas.

Era uma sexta-feira, mais de dez da noite, não surpreendentemente, estávamos alojados em seu apartamento. Como eu realmente queria adiantar um pouco do livro e Bella precisava reler O Menino do Pijama Listrado para uma de suas classes, nós nos trancamos em sua biblioteca, nos jogando no sofá ali para pormos nossas atividades em andamento.

— Eu detesto esse livro.

Ela me encarou quando falei aquilo, por cima de seus óculos de grau, enquanto os dedos de seus pés continuavam travando uma batalha com os meus.

— Você está estressado, descanse sua mente — sugeriu. — Ficar forçando no livro não te fará ser produtivo.

— Sim, você está certa. — Fechei o notebook o colocando no chão, estralando o pescoço. — Eu estou entediado. — Inclinei meu corpo na direção do seu, afagando suas pernas.

— Eu estou muito bem entretida lendo — ela falou tentando soar séria, mas seu sorriso a traiu.

— Vamos fazer algo — insisti, tirando o livro de sua mão, jogando no chão junto com o meu notebook, assim como o bloquinho de notas e o lápis.

— Edward?! — O sorriso alargou-se em seu rosto.

— Isabella?! — Abri suas pernas, acomodando-me entre suas coxas, capturando seus lábios nos meus. Ela já estava gemendo no momento que nosso beijo começou, mas rapidamente interrompeu, me lançando um sorriso travesso. — O que há em sua mente? — indaguei curioso.

— O que acha de um passeio?

— Até seu quarto? Eu acho perfeito. — No instante seguinte minha camiseta já estava fora de meu corpo e Bella começou a rir.

— Não, seu pervertido — ela falou, mas se remexeu embaixo de mim, distribuindo beijos por meu peito nu. — Nós faremos o passeio até meu quarto depois, quero algo antes disso.

— Passeio é como você está chamando sexo agora? — perguntei ainda confuso. — Porra! — exclamei quando ela se esfregou contra mim, sua mão apalpando minha bunda por cima da calça jeans.

— Vista sua camiseta, Baby — ela mandou, ainda beijando meu corpo com dedicação. — Nós estamos deixando o apartamento e não quero que fique doente por sair seminu no frio.

Eu me afastei dela, pois só assim conseguiria pensar com clareza. Bella continuava sorrindo para mim, então ou ela estava ficando maluca, ou eu estava.

— Você quer dizer que nós vamos sair do apartamento? Juntos?

— Sim. — Ela deixou o sofá, jogando minha camiseta de volta para mim. Tirando seus óculos e soltando seus cabelos que estavam presos em um coque, os bagunçando um pouco com os dedos. — Eu quero te mostrar um lugar.

— E isso não é arriscado? — perguntei ainda perplexo com tudo aquilo.

— Não de noite, confie em mim.

Eu confiava.

— Onde estamos indo? — questionei, vestindo minha roupa, seguindo Bella para fora da biblioteca. Pegamos nossos casacos, então saímos do apartamento.

— É uma surpresa — falou quando entramos no elevador, sua mão se unindo a minha.

***

Bella pediu para dirigir meu carro aquela noite, até mesmo mandou-me tirar uma foto dela ao volante em seu celular para que pudesse mostrar a Rosalie que tinha dirigido um carro clássico. Nós mantivemos as janelas abertas, o som alto e íamos rindo e cantando desafinadamente por todo o caminho do local secreto escolhido por ela.

Era como se nós dois finalmente estivéssemos livres, parecia um sonho do qual não queria acordar.

— O carro foi tudo que quis da herança do meu avô quando fiz dezoito — expliquei a Bella, quando ela me perguntou o motivo de eu ter aquele carro em especifico. — Ele faleceu antes de eu nascer, então não tenho qualquer lembrança dele, mas em todas as fotos do vovô Sam ele parecia um grande homem ao lado de seu Ford Mustang 67. — Dei uma batidinha no painel do carro.

— Era pai de Carlisle? — ela perguntou.

— Esme — esclareci. — Ele a criou sozinho quando ficou viúvo, minha mãe tinha pouco mais de seis anos.

Bella me olhou em choque.

— Isso deve ter sido bem difícil a ela.

— Eu tenho certeza de que foi. Pelo pouco que sei de vovô Sam ele era um cara exemplar em todos os aspectos de sua vida, militar, religioso. Isso realmente explica minha mãe ser tão conservadora. — Bella mordeu o lábio, parecendo concordar com aquilo, mas na dizer nada sobre.

— Você cresceu em um lar conservador e não é assim.

— Eu sou um rebelde, Bella, você dorme ao lado da ovelha negra da família.

— Suas notas são altas.

— Eu disse rebelde, não burro — a corrigi, ouvindo-a rir alto do que disse. — Meus pais ainda querem que eu os siga no direito, que vire um administrador como Carlisle, ou que pelo menos me torne um professor. Eles estão ficando menos exigentes, só não acreditam em meus livros, ou no fato de que quero ser escritor.

— Eles já leram qualquer coisa que você escreveu?

— Apenas trabalhos acadêmicos e artigos, eles realmente não tem tempo para sentar e ler meus manuscritos. — Dei de ombros. — Na verdade, meu pai leu um dos contos de terror que escrevi, ele disse que gostou, mas não sei se foi realmente sincero quanto a isso. Minha mãe tirou algumas duvidas sobre leis minha no último verão, mas eu acho que ela não percebeu que estava me ajudando com um livro, sim que eu estava querendo saber mais sobre direito para quem sabe seguir seus passos.

— Seus pais se conheceram na faculdade de direito, certo? — Bella perguntou, seguindo um caminho por Seattle que nunca tinha visto antes.

— Sim, eu perguntei sobre isso algum tempo atrás. — Sorri. — Eles estavam em uma aula de debate e papai cometeu o erro de interrompê-la, mamãe ficou puta com ele, mas acabaram se entendendo depois.

— Como você acha que isso teria sido para nós dois? — Bella perguntou, me confundindo. — Se tivéssemos nos conhecido com nós dois sendo estudantes de inglês — explicou, olhando-me por um instante, antes de voltar a se concentrar na estrada.

— Eu não sei — murmurei. — Gosto de como somos, eu não mudaria isso.

— Sério? Não mudaria nós estarmos juntos por semanas trancados em meu apartamento, ou o fato de que seus pais me odiarão quando souberem que eu estou com o filho deles? Ou que a sociedade pensará da gente? Nada disso?

Ela tinha parado o carro, mas eu não desviei meu olhar dela para saber onde estávamos.

— Teria sido mais fácil, Edward — continuou falando. — Nós provavelmente teríamos nos conhecido em sala de aula como seus pais, eu ficaria absurdamente chocada com sua beleza e você não me notaria.

— Acredite, eu te notaria — afirmei. — Nem mesmo nesse mundo paralelo você passaria despercebida por mim.

— Então, em algum momento nós teríamos de conversar sobre alguma matéria e fazer um trabalho, ou grupo de estudos juntos — ela não se interrompeu com minha fala. — Você me falaria sobre seu livro, eu ficaria chocada, pois depois de vê-lo chegar atrasado as aulas, usando jaqueta de couro, coturno e camisetas de banda eu apostaria que era algum garoto de banda. Mas, ai você se revelaria um gênio com as palavras e porra, eu iria implorar para que me levasse para seu dormitório e me tivesse em seu quarto, enquanto seu colega de quarto não voltasse.

— Eu pensei que você seguiria a linha tímida difícil de conquistar — confessei, entrando no jogo da realidade alternativa. — Muita insistência para que aceitasse sair comigo.

— Não, não faz meu tipo. — Bella sorriu. — Você não precisou de muito para me ter em nossa realidade, não precisaria nem da metade do tempo para ter algo comigo com o mundo conspirando ao nosso favor se tivéssemos a mesma idade. Seria fácil, nós dois não teríamos grande problemas e ficar juntos seria como acordar tarde em um domingo, maravilhoso.

— Okay, mundo paralelo novo. — Tirei o cinto, Bella também, nós dois ficando de frente um para o outro. — E se você não fosse minha professora, se fosse, sei lá uma editora.

— Eu poderia ser isso facilmente — ela se gabou.

— Claro, você é incrível criticando livros e despedaçando pobres autores. — Fingi enfiar uma faca em meu peito. — Mas, foque no mundo que estou construindo aqui. Você continuaria tendo trinta e eu vinte, mas não teríamos o joguinho aluno e professora. Eu te conheceria em uma livraria, nós dois pegaríamos o mesmo título, que coincidentemente era o último do local e travaríamos uma briga por ele. Então, iríamos resolver aquilo com um café. Eu ficaria surpreso quando me contasse sua idade, pois você não tem cara de trinta e, você me acharia muito inteligente para um garoto de vinte.

— Você é. — Ela afagou meu rosto.

— Acha que sem o lance aluno e professora, mas com as idades distantes ainda seria difícil?

— Nós dois ainda estaríamos em fases diferentes da vida. O mundo paralelo mais seguro seria se ambos estivéssemos na casa dos trinta, eu seria uma professora, você um escritor já publicado. Eu iria ao lançamento do seu livro, nós iríamos flertar enquanto você autografava meu exemplar e depois me pagaria um drink no bar mais próximo. Te levaria para meu apartamento naquela mesma noite e faríamos sexo, você me faria gritar. — Vi um vislumbre de lágrimas em seus olhos. — Tudo seria perfeito depois disso.

— Sei que não é perfeito agora, Bella, mas eu mantenho o que disse, não mudaria nada. Sei que não tenho muito a oferecer, sequer posso lhe pagar um drink, ou ser o cara quente da faculdade que te levaria para um dormitório, mas eu ainda estou apaixonado por você em nosso mundo real. Em dez anos você terá quarenta e eu trinta, a diferença não será mais tão grande e tudo cairá por terra.

— Está disposto a esperar por dez anos para que todos aceitem isso com naturalidade? Além do mais, eu teria quarenta, isso significa bunda e peitos caídos, rugas, cabelos brancos aparecendo, menopausa se aproximando, provavelmente em terapia e mais ranzinza do que nunca.

— E eu continuaria apaixonado por você, de qualquer forma que esteja em seus quarenta. Seu exterior, sua terapia, seus hormônios, nada disso mudará a Bella que eu conheço e que estou apaixonado.

Que eu amo.

Pensei, mas que seria forte demais para dizer a ela. Eu já amava, eu soube disso no instante que ela me deu sua chave, que tivemos aquela noite em plena segunda-feira.

— Olhe! — Ela apontou pelo para brisas do carro, desviei meu olhar para o local indicado.

Eu podia ver o Lake Union dali, mas não era do local de costume que turistas, ou a própria população de Seattle via. Na verdade, estávamos em uma encosta perto de uma estrada, tudo a nossa volta era deserto e silencioso. Parecia um esconderijo.

— Você me trouxe ao lago? Pretendendo me afogar como afogaram Ellen no meu livro? — brinquei.

— Desça. — Bella sugeriu, saindo do meu carro, eu logo a segui e a encontrei na frente do Mustang. — Venha! — Segurou em minhas mãos, puxando-me para mais perto, enquanto me conduzia até a beira da encosta.

Nós sentamos em uma pedra grande que tinha ali, a uma distancia segura para que não corrêssemos risco de rolar para o lago.

— Por que estamos aqui? — Virei meu olhar para Bella, que mantinha seus olhos presos na parte iluminada da cidade do outro lado do lago.

— Eu descobri esse lugar quando estava no primeiro ano da faculdade — começou a contar, em um tom de respeito. — Alguns dias eram simplesmente difíceis demais de lidar, provas, trabalhos, a distância da família, a pressão de estar virando uma adulta. — Suspirou. — Rose matava todos seus dias ruins com Emmett, eles sempre tiveram uma ligação muito forte, eles sabem quando algo de errado está acontecendo com o outro. Ela sempre corria para ele quando algo estava errado, ele sempre ia até ela. Eu tive namorados, eu podia ligar para minha mãe, ou desabafar com Rosalie, mas nada realmente me acalmava como dirigir e espairecer. Um dia, eu me perdi, não conhecia Seattle tão bem ainda, acabei aqui. — Olhou ao redor. — Era de noite, estava perdida, tinha tirado nota baixa em uma prova importante, briguei com um cara que estava ficando e Rosalie estava irritada comigo por qualquer coisa que nem faria sentido hoje em dia. E, mesmo com minha cabeça em desordem, mesmo que devesse ter ficado apavorada com a ideia de estar perdida nesse lugar deserto, quando deixei o carro e caminhei até aqui, vi as luzes do outro lado, eu me senti bem.

Olhei para as luzes novamente, era lindo, eu conseguia entendê-la. Lá estava toda a movimentação e caos, ali estava toda a paz e tranquilidade.

— Eu me mantive vindo para cá por todo o tempo da universidade — Bella voltou a falar. — Algumas vezes depois de formada, com a vida adulta me apavorando, eu conseguia fugir para cá e superar os dias ruins. A última vez que estive aqui foi quando Mike e eu assinamos o divórcio, três dias antes de eu embarcar para Inglaterra. Prometi nunca voltar a esse lugar aquele dia. — A encarei, seus olhos estavam sobre mim. — Prometi a mim mesma que não teria mais dias ruins, que minha vida seguiria um rumo controlado e que poderia enterrar esse lugar.

— Por que estamos aqui então? — perguntei assustado com a ideia dela voltando ali, comigo.

— Eu estava errada, eu não posso controlar tudo, Edward. Principalmente minha vida. — Bella puxou suas pernas para cima da pedra, se abraçando. — Mas, esse lugar não precisa ser apenas meu, ele pode ser nosso refúgio. Ele foi palco de dias ruins, eu já chorei muito aqui, eu corri para cá no momento que soube da morte da minha mãe, provavelmente é a imagem mais dolorosa e forte que passei aqui que esta em minha mente. Não quero substituí-la, chorar aquele dia por minha mãe foi importante, eu teria sofrido muito mais se tivesse simplesmente ignorado a dor e fingido ser fria quanto a morte dela. Porém, eu posso agregar momentos bons aqui, quero que um deles seja ao seu lado.

Bella sorriu, movendo-se para mais perto de mim, segurou meu rosto entre suas mãos. Eu tentei beijá-la, mas ela não deixou com que eu me movimentasse para isso.

Sua fala seguinte me fez compreender o porquê dela precisar ter seus olhos fixos nos meus.

— Estou apaixonada por você, Edward Cullen.

Bella parecia nervosa, mas eu também podia notar a veracidade em cada uma de suas palavras no meio daquela noite gelada de novembro, com o Lake Union de testemunha. Ela estava apaixonada, por mim.

— Você está? — consegui perguntar, ainda em choque.

— Eu estou. — Ela começou a chorar. — Isso não deveria estar acontecendo — murmurou frustrada, tirando suas mãos de mim para limpar seu rosto.

— Você está apaixonada por mim? — perguntei magoado.

— Não, não, estava falando de chorar depois da declaração. — Bella ainda chorava ao dizer aquilo, aliviando meu coração. — Essa é uma das coisas que não posso controlar, não posso controlar o que sinto por você, Baby. — Chocou seus lábios nos meus, nós dois nos beijando pela primeira vez em um local sem paredes, ainda que vazio, era como gritar a cidade sobre o que sentíamos. — Eu me sinto sobre você da mesma forma que se sente sobre mim, isso é incontrolável, mas real.

Notas finais
Morri depois desse capítulo hahaha Beijos! Lola Royal. 04.11.16