Dez Anos

31 Capítulo Trinta


Notas iniciais
Boa leitura ♥

Capítulo Trinta

Edward Cullen

Eu não conseguia dormir, queria, mas era impossível. Pensar que minha própria mãe estava querendo prejudicar a mulher que eu amava era terrível. Não sabia até onde ela seria capaz de ir depois que conversássemos, mas não tinha mais expectativas de nada.

Esme iria levar Bella a um processo, eu sabia disso, o caso no conselho estudantil seria apenas o começo até a verdadeira justiça entrar em ação. Bella poderia ser presa, minha mãe jogaria por si só Isabella em uma cela se fosse possível.

Afaguei o rosto de Bella, que estava dormindo ao meu lado na cama do quarto de hospedes de Tanya. Já estávamos no meio da tarde, ela tinha seu descanso merecido após uma noite em claro, então em minha agonia eu pelo menos podia vê-la tendo um repouso necessário.

Rosalie tinha ligado em algum momento, entre a transição da manhã para a tarde, para Bella e tomei a liberdade de atender e acalmá-la assegurando que estávamos bem. Que Bella e eu, pelo menos por enquanto, continuávamos seguros.

— Ninguém te obrigou a nada da cadeia, certo? — Rosalie brincou, eu sorri.

— Não, estou com minha pureza intacta.

— Certo, eu estava para te levar cigarros ai você teria de trocá-los por segurança lá dentro.

Quem sabe no futuro, foi o que pensei.

Eu ainda podia ser preso novamente, assim como Bella podia também. Minha mente explodia com isso e meu coração se apertava, era um futuro que não queria para nenhum de nós dois. Mas, eu aceitaria minha prisão de bom grado, mereceria aquilo por ter colocado Jacob em risco, porém, Bella não tinha feito nada além de me amar.

Não tinha usado a posição dela como professora para beneficio meu diante as notas da universidade, nem ela usou seu lugar na hierarquia escolar para me coagir. Nós não tínhamos errado, nós sabíamos disso, mas as outras pessoas não, elas nos julgariam até o fim.

E, minha mãe seria a primeira a apontar e atirar pedras.

Beijei a testa de Bella, que ainda estava dormindo profundamente, deixei a cama pondo as roupas minhas que ela tinha trazido consigo de seu apartamento. Sai do quarto, encontrando com T na sala, ela estava sentada no chão, usava seu notebook sobre a mesinha de centro e o fechou rapidamente a me ver.

— O que está escondendo? — indaguei.

— Você e Bella se entenderam, certo? — ela me ignorou, tomando um gole do café na xícara ao seu lado.

— Sim, obrigada por ter ficado ao lado dela. — Sentei no sofá.

— Lamento por tudo, por sua mãe, Jasper...

— Jasper? — questionei confuso. — O que tem ele?

Tanya arregalou os olhos, parecendo ter acabado de cometer um crime.

— Isabella não te contou?

— O que ela tinha para contar a mim sobre Jazz?

— Ela provavelmente estava querendo te poupar de mais desgaste. Entretanto, por mais que eu ainda nutra sentimentos bons por aquele loiro, o que ele fez foi ridículo. Edward, Jasper disse coisas horríveis a ela, falou que Bella estava te mudando de forma negativa, que o relacionamento de vocês era tóxico. — Tanya suspirou. — Bella já estava péssima, isso não ajudou nada.

— Quem mais tratou Bella e eu como um crime? Uma doença? — perguntei indignado. — T, eu...

— Você a ama, eu sei disso. — Tanya afagou minha mão. — E eu nunca irei julgá-los, prometi a Bella, então prometerei a você também. Ficarei ao lado dos dois até o último momento, eu testemunharei a favor dela quando chegar a hora.

— O que você estava vendo? — Apontei para o notebook.

— A página do Jacob no Facebook. — Levantou a tela. — As pessoas estão postando a cada segundo melhoras a ele e dizendo que você é um louco.

— Isso nunca vai acabar? — Deslizei no chão até o lado Tanya, repousando minha cabeça em seu ombro. — Eu queria que a vida fosse simples.

— Ela é, nós apenas a complicamos.

***

Quando Bella acordou no inicio da noite, nós pegamos um táxi — uma vez que nossos carros continuavam nos estacionamentos da universidade — e fomos para seu apartamento. Ela ainda precisava manter Lady viva e, eu não queria mais abusar da hospitalidade de Tanya.

— Por que você não me contou sobre o que Jasper disse? — perguntei a Bella, quando ela se uniu a mim no sofá da biblioteca.

— O que?

— Tanya me disse, Bella, você deveria ter me dito que além da minha mãe, Jasper disse tudo aquilo a você.

— Eu não poderia, ele é seu melhor amigo, você já está em uma situação difícil, não quero que se afaste do seu amigo porque ele me acha uma péssima influencia.

— Tarde demais, Jasper e minha mãe já te machucaram, eu não vou ficar perto de pessoas que...

— Edward, não! — Bella exclamou. — Absolutamente não, você não vai se afastar de sua mãe e do seu melhor amigo por minha culpa. Nós continuaremos juntos, mas você também continuará sendo filho e amigo.

— Como você sequer consegue ser boa sobre Esme? — perguntei incrédulo. — Ela abrirá um processo, a acusará de assédio!

— E ela é sua mãe mesmo assim. — Bella se remexeu no sofá. — Edward, eu perdi minha mãe, sei como é ruim não tê-la por perto. Obviamente as coisas entre você e Esme não ficarão fáceis com tudo isso, mas não o farei escolher entre ela e eu, escolhas podem ferir e nós dois sabemos disso. Ela é sua mãe, ela te ama apesar de tudo, não ignore isso.

— E eu a amo também, mas ela está ferindo a pessoa que mais amo no mundo. — Beijei o rosto de Bella, sentindo uma lágrima solitária em sua bochecha. — Nós vamos juntos falar com meus pais amanhã.

— O que, você perdeu a cabeça? — Bella me empurrou, seus olhos cheios de medo. — Isso não ajudará em nada, Edward. Esme ficará revoltada em me ver com você, ainda mais na casa dela, será uma afronta. Nós não precisamos confrontá-la com mais nada, ela já ficará bem raivosa só de saber que não nos separamos, esfregar isso na cara dela será suicídio.

— Eu quero que ela veja — falei sério. — Quero que ela veja como eu te amo, como eu não estou sendo assediado ou qualquer coisa dessas, quero que ela perceba o nosso amor. Bella. — Segurei em seu rosto. — Se nós dois estamos trazendo isso à tona, minha mãe é a primeira pessoa fora dessas paredes que tem de ver como somos.

Ela expirou, assentindo, finalmente compreendendo meu ponto.

— Isso será um caos.

— Tudo já está sendo um caos. — Beijei sua testa. — Um a mais não fará diferença.

— Vamos transar! — ela exclamou, pulando do sofá.

— Sério? Você está no clima?

Ela riu, assentindo, estendendo a mão para mim.

— Sexo para esquecer os problemas, eu vou fazê-lo delirar, Baby — prometeu.

— É tão bom estar livre da prisão! — comemorei, levantando-me também. — Por falar nisso, algemas são incomodas, eu não sei como as pessoas as usam no sexo.

Bella me lançou um sorriso malicioso.

— Eu não tenho algemas, mas você está proibido de usar as mãos enquanto te chupo.

— Porra, eu te amo! — Comecei a beijá-la.

***

A mão de Bella na minha estava suada, ela mordia o lábio inferior sem parar e sua respiração estava totalmente desregular. Eu beijei sua tempora por um minuto inteiro, então toquei a campainha da casa onde cresci e vivi até ir para a Universidade, a casa que foi meu lar por anos e de onde eu provavelmente seria expulso por minhas escolhas.

Não acreditava que Esme fosse ter qualquer tipo de epífania e voltar atrás em suas ameaças, mas queria que ela ficasse de frente com a verdade e que aquilo cravasse em sua mente enquanto ela levaria aquele joguinho sujo à frente.

Uma das empregadas abriu a porta, então conduzi Bella até a sala de estar, pedindo que a mulher, que eu não conseguia lembrar o nome, chamasse por meus pais.

— Sua mãe saiu, senhor Cullen — a mulher falou, Bella soltou um ruído de alivio. — Seu pai está no escritório, irei chamá-lo. — Subiu as escadas rapidamente.

— Você cresceu nesta casa? — Bella perguntou, olhando ao redor da sala.

— Sim, a piscina é incrível, nós deveríamos...

— Não vou ser convidada para uma festa na piscina — ela disse, tentando soar divertida.

— Edward, eu estava quase indo atrás de você. — Ouvi a voz de meu pai, virei-me para a escada, o vendo descer com minha mochila em mãos, que tinha ficado para trás no prédio da reitoria durante minha briga com Jacob e um papel que lia atentamente. — Temos de começar a trabalhar na sua defesa para o julgamento e na defesa da universidade... — Ele se calou quando levantou os olhos da folha em sua mão, vendo Bella ao meu lado. — O que está fazendo aqui? O que ela está fazendo aqui? — Seus olhos correram de Bella para mim.

— Você sabia que minha mãe deu um ultimato a Bella? — questionei, ignorando seus questionamentos. — Diga! — ordenei quando ele ficou calado.

— Edward, você mesmo pediu que eu mandasse Isabella embora — ele falou por fim, jogando minha mochila sobre uma das poltronas brancas, depositando o papel sobre uma mesinha de canto.

— Isso é diferente, ela e eu somos as pessoas num relacionamento, nós escolhemos a hora que ele acabará ou não, o que para sua informação não acabará — afirmei. — O que minha mãe fez foi totalmente errado, ela chantageou Isabella, ameaçou processá-la por assédio caso não terminasse nosso namoro. — Respirei fundo, ainda encarando a face preocupada do meu pai, enquanto sentia a mão gelada e tremula de Bella na minha. — Eu não posso acreditar que vocês dois estão agindo dessa forma, sou filho de vocês! — gritei.

— Edward, acalme-se — Bella murmurou, afagando meu braço com a mão livre.

— Filho, vocês precisam entender que nem tudo é simples, que o relacionamento de vocês não é fácil.

— Você está enganado, nosso relacionamento é muito fácil — Bella foi a pessoa a dizer aquilo, encarando meu pai com olhos severos. — Edward nunca foi um brinquedinho sexual para mim. — Ela corou levemente. — Eu nunca fui uma forma que ele usou de alcançar notas maiores. Nós nos apaixonamos, nos amamos e nosso namoro é muito simples. Ele e eu conversamos sobre nossos dias, discutimos sobre assuntos banais, eu o incentivo a cada dia sobre seu maior sonho que é ser escritor e Edward sempre entendeu o quão importante minha carreira é. Então, senhor Cullen, não diga que nosso relacionamento não é fácil, pois é absurdamente simples como qualquer outro namoro, é a sociedade que o considera difícil por não conseguir ver através do preconceito.

Palmas soaram pela sala, então nós três seguimos o som, vendo minha mãe parada na entrada lateral da sala. Uma expressão séria tomava conta de seu rosto, seus olhos focados em Isabella, que agarrou-se mais a mim a vê-la ali.

— Lindo! — mamãe exclamou com ironia para Bella. — Eu irei amar ver o espetáculo que você encenará no tribunal. O que teremos como bônus para o julgamento? Lágrimas? Um poema?

— Esme, pare — meu pai pediu. — Vamos conversar.

— Conversar? — Ela o encarou. — A única coisa que eu tenho a dizer aqui é mandar esta mulher tirar suas mãos sujas do meu filho!

— Pare com isso — mandei, falando pausadamente.

Esme me ignorou, entrando na sala em definitivo, chegando mais perto de onde estávamos, seus olhos voltando-se para Bella.

— Eu mandei se afastar, espero que esteja com o número de seu advogado na discagem rápida. Aliás, você contratará um advogado novo? Ou irá usar o que teve para seu divórcio? Ou, ainda melhor, contratará seu próprio ex-marido? O juiz iria amar algo assim!

Bella deu um passo para trás, afastando-se de Esme, sua mão soltando-se da minha.

— Como sabe sobre Mike? — perguntou baixinho.

— Eu sei de tudo sobre sua vida, Isabella. Trinta anos, nascida no dia 13 de setembro de 1986, em uma cidade chamada Forks. Filha caçula de Charlie e Renée Swan, órfã de mãe. Formada em inglês. Ex-esposa de Mike Newton. Passou um ano em Oxford, voltou para Seattle para lecionar na Universidade de Washington, local onde conheceu meu filho e o amarrou em suas teias perigosas, onde mexeu com a cabeça dele e o fez arriscar toda sua vida. — Mamãe lançou um sorriso triunfante para Bella. — E, de bônus, ainda sei que você será presa antes do próximo verão por assédio sexual.

— Isabella, não me assediou! — gritei. — Eu a amo, mãe, mas acabei de perceber que é totalmente possível odiar e amar uma pessoa ao mesmo tempo. É exatamente isso que sinto sobre você agora. — A expressão vitoriosa sumiu de seu rosto.

— Eu sou sua mãe, garoto! — gritou de volta, mas sua voz era vacilante.

— Não sou mais um garoto, sou um adulto e você deve perceber isso de uma vez por todas. Eu sei tomar minhas próprias decisões agora, isso vale tanto para minha vida profissional a escolher com quem eu quero me relacionar. E, escute essa: eu quero estar com Isabella.

— Ela está mexendo com sua mente, isso é loucura, você precisa de um psicólogo!

— Você procurou por um psicólogo quando se apaixonou por Carlisle, Esme? — Bella a confrontou, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa.

— Não tente virar o jogo, sabe muito bem que a relação de vocês dois não é nada normal, em qualquer aspecto. A diferença de idade, seu posto como professora. Sequer quero imaginar o que mais você deve ter feito a esse garoto...

— Chega, chega, vamos embora. — Peguei minha mochila, tomei a mão de Bella na minha novamente e antes que pudesse tirá-la de lá, voltei-me para minha mãe. — Eu espero que um dia abra os olhos e perceba o que está fazendo, no momento que cruzar aquela porta, nunca mais entrarei aqui e a culpa é sua. Você não precisa continuar me defendendo no caso da agressão, nem ser minha representante na audiência sobre minha permanência ou não na universidade. A verei no tribunal se levar o processo contra Bella adiante, eu estarei ao lado dela, provando a cada palavra para juiz, júri e quem mais estiver lá que nós não estamos em um relacionamento doentio. Você pode voltar atrás e nos pedir desculpas sobre todo esse circo a qualquer momento, mas se Isabella for intimada, esqueça que tem um filho.

— Edward, Edward — Bella falou em desespero, mas não podia fazer nada, não podia ficar ao lado de Esme quando ela estava ficando não apenas contra Isabella, mas contra mim também.

— Ela destruiu sua vida! — Esme gritou, lágrimas correndo por seu rosto.

— Ela não destruiu nada, ela me deu muita coisa, você poderia enxergar isso, mas prefere se manter cega.

Virei às costas para ela, puxando Bella para longe daquela casa, nós praticamente corremos até a saída. Mas, ela nos fez parar, quando já no jardim frontal, ouvimos a voz de meu pai nos chamando.

— Edward...

— Não, eu não vou mais me justificar, se você está apoiando minha mãe nisso eu não tenho nada para falar com o senhor! — gritei.

— Não, não estou — ele disse, me pegando de surpresa.

Carlisle suspirou, olhando de mim para Bella mais uma vez, então para nossas mãos unidas.

— Eu contratarei um advogado para defendê-lo no que for preciso, Edward — começou a falar, seus olhos encontrando-se com os meus. Podia ver as lágrimas neles, era estranho vê-lo sensível a algo, primeiro na delegacia, depois ali, nunca tinha o visto chorando antes de tudo aquilo. — Você e eu iremos lutar até o fim para mantê-lo longe da cadeia, então lutar para preservar sua permanência na universidade. Está afastado provisoriamente, o caso será totalmente resolvido após o julgamento judicial, que deve ocorrer antes dos feriados de fim de ano.

— Não precisa fazer isso, eu buscarei por um advogado por conta própria.

— Cale-se! — Carlisle ordenou. — Sou seu pai, não vou deixá-lo sozinho agora. — Respirou fundo, voltando-se para Isabella. — Eu farei o possível para impedir que Esme desista da ideia de mover um processo contra você, mas, se ela fizer isso, testemunharei a favor de vocês.

— Isso pode levá-lo a ter problemas na universidade também — Bella sussurrou receosa.

— Você está em risco maior aqui e está preocupada comigo? — Papai riu. — Eu também amo, Edward, Isabella. Não se preocupe, enquanto nada novo acontece, seu emprego está seguro, soube sobre seu e-mail pedindo licença pelo resto da semana, isso foi concedido, mas volte na segunda-feira e mantenha-se firme.

Ela concordou com um aceno de cabeça.

— Obrigado — agradeci meu pai. — Por não ser como minha mãe. — Bella soltou minha mão no tempo perfeito, deixando com que eu abraçasse Carlisle.

— Ela ama você, Edward. Isso tudo é confuso para ela, mas com o tempo irá entender.

— E antes disso ela colocará Bella na cadeia? — rebati, ele não tinha nada a dizer sobre isso.

Papai nos separou, falando novamente com Bella.

— Cuide dele, okay? Eu estava falando a verdade sobre ele ser nosso bem mais precioso. — Quando ele disse aquilo?

— Eu cuidarei. — Bella entrelaçou nossos dedos, sorrindo para mim. — Obrigada pelo apoio, Carlisle.

Papai deu de ombros.

— Edward e você se amam, eu posso ver onde isso irá parar no futuro. Seja bem-vinda à família, Cullen, Isabella.

***

Naquela noite, enquanto Bella se distraia com a leitura de um livro brasileiro, provando que sabia muito bem ler e falar português, eu usava o notebook dela para pesquisar apartamentos que poderia alugar. Iria até o de Jasper no dia seguinte, então nós teríamos nossa conversa final.

— Escute — Bella pediu, chamando minha atenção. Ela continuava concentrada em seu livro, lendo em voz alta algo ali para mim. — Dizem por ai, mas não tenho certeza, que meu sorriso fica mais feliz quando te vejo, dizem também que meus olhos brilham, dizem também que é amor, mas isso sim é certeza!

Sorri, abaixando a tela do notebook para olhá-la melhor.

— Qual esse livro? — perguntei, sem entender o título.

— Dom Casmurro. — Os olhos castanhos dela se voltaram para mim, brilhantes, a medida que ela aprofundava seu sorriso, como na citação. — É excelente, eu já li outros do autor, Machado de Assis é considerado um grande autor brasileiro. Eu buscarei por uma versão em inglês para que você possa ler.

— Ou, você pode me ensinar português — sugeri. — Nós podemos fugir para o Brasil.

Bella riu suavemente.

— Estou ficando preocupada, você levou a sério demais a conversa com os imigrantes.

— E eu começarei a escrever a nova história o quanto antes.

— Pensei que era isso que estava fazendo. — Apontou para o notebook em meu colo.

— Não, eu estava buscando por um apartamento.

O sorriso morreu em seu rosto.

— Edward...

— Não adianta, Bella, eu vou deixar o apartamento que divido com Jasper. De qualquer forma isso teria de acontecer, ele e Alice vão passar a morar juntos no começo do ano que vem, vou só adiantar as coisas para ambos os lados.

— Você não precisa deixar de ser amigo dele por minha conta, não quero isso.

Revirei os olhos.

— Eu não estou deixando de ser amigo de Jasper, ele que agiu como um babaca sobre nós dois, isso não é apenas sobre você, é sobre mim também.

— Okay, o que vai fazer agora? Nós podemos abrir espaço aqui e...

— Não vou morar aqui — a interrompi. — Por isso estou buscando um apartamento, eu não vou me mudar para cá e viver sendo sustentado por você, Bella. Nem sei como meu trabalho na livraria está no meio disso tudo, mas ainda assim não irei ser sustentado pela minha namorada, no apartamento dela.

Bella respirou fundo, encarando-me como se pensasse qual seria a melhor forma de me matar. Ela pegou o celular do bolso de sua calça, discou um número, então colocou a chamada no viva-voz quando a pessoa atendeu.

— Tanya?

— Já está com saudades de mim, senhorita Swan? — Tanya perguntou divertida.

— Convença seu amigo a não deixar o apartamento que divide com Jasper, a aceitar vir morar comigo, ou até a passar um tempo com você.

Tanya gargalhou.

— Você está fodido, Edward. Mexa sua bunda até meu apartamento, pode ficar comigo até conseguir algo, ou deixe seu maldito orgulho de lado e fique na casa de Bella de uma vez.

— Eu ficarei no seu apartamento, mas irei conseguir um local o quanto antes — cedi.

— Obrigada, Tanya, você é a melhor — Bella agradeceu.

— Sempre às ordens, agora deixem de arrumar mais confusão e vão fazer algo produtivo, como sexo.

***

Na manhã seguinte, depois de ter recuperado meu carro na universidade, segui até meu apartamento. Jasper e Alice não estavam lá, então aproveitei aquilo para começar a empacotar as coisas mais imediatas, moveis e coisas muito pesadas precisariam ficar lá até que eu pudesse pagar um transporte para levá-las até o apartamento de T.

— Edward, onde você esteve desde que saiu da delegacia? — Jasper perguntou alarmado quando chegou ao apartamento, eu estava pegando meus livros mais necessários na estante da sala.

— Por que você se importa? — questionei, evitando olhá-lo. — Ah sim, porque você acha que pode dar palpites em minha vida, principalmente no meu relacionamento.

— Claro, claro que ela correu e contou tudo para você!

Foi o suficiente para que eu me virasse para olhá-lo.

— Bella não me contou nada, ela sequer mencionou que tinha te conhecido, para evitar qualquer desgaste em nossa amizade. Tanya foi quem disse sobre as babaquices que você disse. Eu pensei que você tinha entendido antes, mas não, você não entende. Duvido muito que um dia entenda! — Enfiei os livros em minha mão na mala que Bella tinha me emprestado.

— Edward, me desculpe — Jasper pediu, só que não parecia verdadeiramente arrependido. — Mas, quando soube que você foi preso, que espancou um cara...Você nunca faria isso antes dela.

Eu o encarei, respirando fundo uma vez antes de falar:

— Você também perderia o controle se estivesse em meu lugar, Jasper. Bella tinha sido denunciada por Jacob, estava completamente nervosa na sala do meu pai implorando que ele a acusasse de assédio para que eu não sofresse qualquer tipo de represália. Consegue entender a gravidade disso? Ela preferiria se condenar a me deixar ser punido. Então, Jacob cruzou meu caminho, me provocou mais uma vez e eu perdi minha mente. Minha mãe e você pensam que Bella é a culpada dessa merda toda, mas não, eu sou. Fui eu quem bateu nele e quase o matei. E ela não distorceu minha mente para que eu caísse aos seus pés, eu a amo e amor não é sobre submissão. Se você e Alice estivessem no meu lugar entenderiam, você entenderia porque é tão difícil ser julgado apenas por amar.

— Desculpa — Jasper pediu mais uma vez, encarando seus pés.

— Você foi meu melhor amigo, Jasper, eu continuarei sendo grato a você por um milhão de coisas. Mas, eu não vou deixar mais ninguém julgar Isabella e eu. Nós já temos pessoas suficiente nos condenando.

Notas finais
Beijos! Lola Royal. 12.11.16