Dez Anos

32 Capítulo Trinta e Um


Notas iniciais
Olá pessoas, tem duas músicas no capítulo, se quiserem escutar aqui estão elas na ordem que serão inseridas no capítulo. Something: https://www.youtube.com/watch?v=DaFK69YEdpk Essa terá duas frases no capítulo, a tradução estará nas notas finais. The Way You Look Tonight: https://www.youtube.com/watch?v=h9ZGKALMMuc Boa leitura ♥

Capítulo Trinta e Um

Isabella Swan

Caminhei hesitante pelos corredores da universidade na segunda-feira, podia sentir alguns olhares sobre mim e, como Tanya tinha nos dito, os boatos estavam correndo incessantemente por lá. Aparentemente todos sabiam sobre Edward batendo em Jacob, como também sabiam e alguns tinham visto, eu muito próxima a ele quando foi levado preso.

Quando estava abrindo meu escritório aquela manhã, vi duas professoras que conhecia passarem por mim com olhares julgadores, medindo-me dos pés a cabeça. Eu as encarei de volta, querendo xingá-las, mas contendo-me, não iria ajudar em nada surtar com todo mundo que fosse me olhar feio dali em diante.

Pelo menos, eu sabia que aquelas pessoas eram só meros conhecidos, não eram um real problema. Imaginava como seria quando minha família descobrisse sobre Edward, isso sim seria um caos a mais em nossa cota de problemas já muito grande.

Trancar-me no meu escritório foi ótimo, longe dos olhares curiosos e repreendedores. Aquelas pessoas poderiam julgar o quanto quisessem, mas eu ainda precisava de um pouco de paz que seria abalada a qualquer momento.

Carlisle não sabia falar o que Esme tinha em mente, durante o resto da semana anterior ela se manteve calada e distante, sequer falando com o próprio marido. Ele tentou ser otimista quando encontrou-se com Edward, dizendo que talvez Esme estivesse digerindo tudo aquilo e esquecesse a ideia de me processar. Edward e eu não conseguíamos ser positivos quanto a isso, por mais que tentássemos compartilhar do pensamento de Carlisle, ainda tínhamos certeza de que Esme, mais cedo ou mais tarde, iria me acusar de assédio sexual.

Meu celular tocou, o tirei de dentro da bolsa, vendo o nome de Edward ali. Não mais as inicias, o nome. Nós estávamos assumindo aquilo, eu não estava mais o escondendo.

— Oi. — Atendi a ligação de Edward, quando sentei em minha cadeira.

— Tudo bem? — ele perguntou preocupado, mas além de sua preocupação seu tom de voz era triste.

Odiava como ele estava triste nos últimos dias, toda a confusão com Jacob, Esme e Jasper estavam o desgastando.

— Sim, ninguém me atirou em uma fogueira, ou me tacou pedras ainda — brinquei, ele não riu. — Não se preocupe comigo, Baby, eu sei me cuidar — garanti. — Como está na livraria? — Com Edward afastado da universidade, Nelly lhe deu um trabalho de tempo integral na livraria, pelo que ele me disse quando foi contar tudo a ela, a mulher tinha ficado surpresa, mas não de forma negativa, sobre nós dois.

— Meu pai quer almoçar com a gente, tudo bem por você? — ele questionou.

— Claro, eu posso te encontrar na livraria e saímos daí para ir até ele.

— Certo. — Senti o sorriso em sua voz naquele momento. — A vejo em algumas horas, amo você.

— Também te amo, até depois. — Desligamos juntos, então alguém bateu em minha porta. Mandei que a pessoa entrasse, então Carmen Denali, a minha coordenadora apareceu.

— Olá Isabella, tudo bem? — perguntou, seus olhos me analisando atentamente.

— Sim — respondi, forçando um sorriso para a mulher a minha frente. — Trouxe o nome dos alunos pré-selecionados para a monitoria que eu ficarei responsável? — Apontei para a pasta em sua mão.

— Sim, sim — Carmen confirmou rapidamente, sentando na cadeira do outro lado da mesa. — Selecionei cinco deles para que escolha quem deve se tornar seu monitor, iria trazer a relação na segunda-feira passada, mas você esteve ausente. — Abriu a pasta, estendendo-me um documento com o nome dos alunos, meus olhos rapidamente captaram o de Edward ali no meio. — Mas, como já deve saber. — Carmen limpou a garganta, fazendo com que eu voltasse a olhá-la. — Edward Cullen está afastado temporariamente da instituição.

— Eu tenho conhecimento — limitei-me a falar, não cedendo às investidas dela de obter informações sobre o caso. Aquele Edward Cullen na folha de selecionados não era o meu namorado, era meu aluno, eu o trataria daquela forma. — Mas, não entendo, você disse que tinha os selecionado antes mesmo do afastamento do senhor Cullen, certo? — Ela assentiu. Liguei meu notebook, entrando nas notas da turma de Edward no sistema e selecionando o nome dele. — Edward Cullen tirou notas baixas em minha classe, você não deveria pré-selecionar os alunos com melhores notas?

Ela ficou vermelha, limpando a garganta novamente.

— É que este é o primeiro ano que o senhor Cullen poderia participar de uma monitoria — começou a falar, constrangida. — Eu achava que o reitor iria gostar de ter o filho dele como monitor.

— Bom, eu não acho que o reitor gostaria de qualquer benéfico ao filho só por ser seu pai — a desafiei.

Risquei o nome de Edward da lista, chequei as notas dos outros alunos e marquei o selecionado. Devolvi a folha a Carmen, que ainda estava constrangida.

— David McGuire é o melhor da turma, será um excelente monitor.

— Com toda certeza. — Carmen guardou a folha em sua pasta. — Que tal sairmos para almoçar juntas hoje, Bella? — sugeriu, podia ver a curiosidade queimando em seus olhos castanhos.

— Desculpe, não vai ser possível. — Lancei um sorriso sarcástico a ela. — Eu irei almoçar com meu namorado.

***

Os olhares não foram tão frequentes quando me desloquei do prédio onde dava aulas até a livraria, mas ainda estavam lá, eu só tentei os ignorar o mais bravamente possível. Quando entrei na livraria, Edward estava terminando de empacotar alguns livros para um garoto, enquanto Nelly estava no caixa.

Edward foi em minha direção quando o cliente deixou a loja.

— Oi Baby! — Sorri para ele, ganhando um de seus melhores sorrisos de volta.

— Oi. — Ele se limitou a beijar minha bochecha, afagando meu rosto quando se afastou. — Pronta para ir?

— Só um minuto — pedi, indo até Nelly que nos olhava com carinho atrás do balcão. — Obrigada — agradeci aos sussurros para ela, Edward poderia estar ouvindo, mas eu ficaria menos envergonhada se pensasse que não estava. — Por ter sugerido que eu lesse o livro de Edward — continuei. — Foi onde tudo realmente começou para mim, nós não estaríamos juntos sem sua ajudinha especial.

Nelly sorriu para mim, então olhou para Edward por cima de meu ombro.

— Ele esteve triste durante o dia inteiro, mas quando falou com você pelo telefone e agora que está aqui, voltou a sorrir. Você faz bem a ele, não dê ouvidos aos julgadores.

Ouvi o toque do celular de Edward, então ele atender e falar para o pai que estávamos a caminho.

— Bella?

— Estou indo — falei para ele. — Mais uma vez, obrigada por tudo Nelly! — Afaguei sua mão.

Voltei-me para Edward, que não podia esconder em seu sorriso que tinha escutado a conversa.

— Tão apaixonada! — ele zombou quando parei a sua frente, tomando minha mão na sua.

Acenamos para Nelly, deixando a livraria em seguida. O caminho até o carro dele foi curto, mas caminhar ao lado de Edward de mãos dadas, em um local público era algo novo e impressionante. Se alguém nos notou eu não dei a mínima, a sensação de andar de mãos dadas com ele superava tudo.

— Isso foi bom pra você também? — questionei quando entramos em seu carro, depois de Edward fazer todo o show de abrir a porta para mim, ajudando-me a entrar no Ford.

— Maravilhoso. — Ele se inclinou na minha direção antes de colocar o cinto, beijando meus lábios. — É sempre a melhor coisa do mundo estar com você, em qualquer lugar, a qualquer hora.

— Tão apaixonado! — zombei de volta, ele riu, beijando-me mais uma vez. — Vamos, dirija, meu sogro me chamou para um almoço, não quero o deixar esperando.

— Que legal que a primeira vez que vamos comer em um restaurante será meu pai pagando — Edward reclamou, começando a dirigir.

— Edward, eu amo você, mas se continuar sendo tão idiota quanto a dinheiro, eu juro que irei lhe jogar para fora do carro.

Ele suspirou, mas não disse nada sobre aquilo, seguindo por um novo assunto.

— Papai me deu noticias sobre Jacob mais cedo.

— Como ele está indo? — indaguei.

Jacob tinha sido tirado do coma induzido no sábado. Ele tinha sofrido um traumatismo craniano, que foi o grande responsável pelo coma induzido, fora isso duas costelas quebradas e o tornozelo esquerdo torcido.

— Está se recuperando bem, a estimativa é de que saia do hospital em duas semanas.

— Ótimo, bem antes da ceia de natal. — Rolei os olhos. — Mas, pelo menos isso é bom para você. Sinal de que Jacob não está tão ferrado assim.

— É, estamos contando com a gravação para tentar minimizar o caso. Quem sabe diminuir a pena. — Seu maxilar travou.

— Baby, vai ficar tudo bem. — Acariciei seus cabelos. — Você não será preso.

Edward pegou minha mão na sua, puxando-a para seus lábios, depositando um beijo nela.

Logo chegamos ao restaurante escolhido por Carlisle, ele já estava lá, parecendo ansioso. Edward e eu sentamos lado a lado, de frente para seu pai.

— Tenho novidades do advogado, ele me ligou no meio da manhã dando mais informações sobre o caso — Carlisle começou a falar depois dos cumprimentos e do garçom tomar nota de nossos pedidos. — O julgamento foi marcado, ele acontecerá no dia quinze deste mês.

— Tão rápido assim? — perguntei surpresa. — Isso é daqui a dez dias!

— Billy Black tem pressa, quer que o julgamento aconteça bem a tempo de Jacob poder ir dar seu testemunho, logo depois de deixar o hospital. Isso irá aumentar a carga da coisa toda.

— O que o advogado acha que podemos conseguir? — Edward perguntou, tomando um pouco de sua água.

— Jenks esta confiante, você também deveria! — Carlisle exclamou para o filho. — Ele é o melhor advogado da cidade, depois de... — Carlisle se calou, olhando para mim receoso.

— Depois de Esme — completei sua frase.

— Como ela está? — Edward perguntou, seus olhos brilhando por conta das lágrimas que se proibia de derramar.

— Ela viajou hoje de madrugada, tem um congresso em New York, isso dará tempo a ela pensar longe de tudo isso.

— Ela não vai mudar de ideia — Edward afirmou, Carlisle abriu a boca para protestar, mas Edward repetiu. — Ela não vai mudar de ideia, eu tenho certeza disso, pai.

— Tudo bem, vamos falar sobre o motivo que realmente os trouxe aqui — Carlisle pediu, Edward e eu o olhamos confusos.

— Pensei que queria nos dar as novas informações sobre o caso de Edward — falei.

— Não, eu poderia ter feito isso por ligação. — Carlisle mexeu no bolso do seu terno, tirando de lá dois envelopes de presente, estendendo um para mim e outro para Edward.

— O que é isso? — Edward perguntou hesitante, encarando o embrulho como se tivesse uma bomba lá dentro.

— Vamos, abram! — Carlisle mandou, mal contendo um sorriso entusiasmado.

Edward e eu nos entreolhamos, então abrimos os envelopes, revelando ingressos para um show. Mas, não qualquer show, um show de Paul McCartney, que aconteceria dali a cinco dias.

— Meu Deus! — arfei, me dando conta de que Carlisle estava nos dando ingressos para o show de Paul McCartney, Paul McCartney! — Isso é de verdade? Eu não fiquei sabendo que ele estaria fazendo um show em Seattle, nem sabia que ele estava em turnê.

— É um show privativo, poucas pessoas na cidade tem estes ingressos em mãos. Eu os comprei como presente de natal antecipado para vocês, pensei que iriam gostar de se distraírem de tudo isso por uma noite. E, Edward é um grande fã dos Beatles e de Paul e algo me diz que você também é.

— Sim, muito! — exclamei, ainda em choque pelo presente. — Carlisle, muito obrigada. Eu terei de comprar uns cem presentes para lhe recompensar esse, sério, cem no mínimo.

— Não posso aceitar o meu — Edward falou, chamando minha atenção para ele.

— O que? Por que não? — Carlisle e eu indagamos juntos.

— Porque eu terei um julgamento cinco dias depois disso e posso ser preso, não acho que me divertir e ganhar um presente obviamente caro é o que uma pessoa prestes a ser presa por agressão merece ganhar — ele disse e foi a primeira vez que pensei em esganá-lo.

— Edward... — Carlisle começou, mas eu o interrompi.

— Tudo bem, se você não aceita eu pego os dois ingressos. — Tirei o de Edward de sua mão.

— Sim, você pode levar Emm ou Rose, tanto faz. — Deu de ombros.

— Não eu levarei meu namorado! — exclamei, ganhando um olhar sério de Edward. — Sim, meu namorado, porque esse cara sentado aqui comigo todo resmungão não é o cara por quem me apaixonei. O Edward que amo estaria surtando como eu por estar prestes a ir assistir Paul McCartney.

Edward respirou fundo, recuperando seu ingresso da minha mão.

— Diga ao seu namorado, que eu a levarei.

— Eu direi. — Pisquei para ele, então não me contive e o beijei ali mesmo no salão de um restaurante lotado.

***

O show aconteceria em uma casa de festas na marina de Seattle, Edward — que logo se rendeu ao show como eu — e eu fomos praticamente os primeiros a chegar lá no sábado, empolgados demais para esperarmos por mais qualquer quantidade de tempo para irmos.

Eu estava usando um vestido branco que parava pouco antes de meus joelhos, mangas compridas em renda, um maxi colar dourado e meus cabelos estavam modelados e presos de lado. Edward, que provavelmente continuaria lindo até mesmo usando roupas femininas, usava calça jeans escuras, sapatos marrons e um suéter azul escuro por cima de uma camisa social branca, deixando amostra apenas a gola e a ponta das mangas.

— Okay, você estava certa, eu fui um resmungão querendo rejeitar o ingresso antes — falou, abraçando-me por trás, enquanto tomávamos nossos lugares, esperando o show começar. — Você é maravilhosa, obrigado por ter insistido, teria sido horrível perder isso e te ouvi-la falar sobre tudo que deixei escapar.

— Eu não viria sem você, Baby — falei, enrolando meus braços nos dele.

Edward se moveu para beijar meu pescoço e vi um casal nos olhar chocados com aquilo, com as luzes ainda acessas, eles podiam ver a diferença de idade em nossos rostos.

— Tudo bem? — ele perguntou em meu ouvido. — Você está tensa.

— O casal a direita está nos encarando como se tivéssemos alguma doença contagiosa e incurável, expondo os outros ao risco.

— Bom, eles que se fodam. — Edward voltou a beijar meu pescoço, parando para falar mais algo. — Eu amo minha namorada, irei fazer isso sem nunca mais precisar esconder.

Sorri para suas palavras, voltei a olhar para o casal, acenando para eles, que desviaram o olhar, envergonhados.

Quando o show começou, a ideia de Carlisle foi confirmada. Edward e eu precisávamos de algo para nos distrair e Pau McCartney era um excelente músico capaz de fazer isso muito bem. Entre músicas e conversas dele com o público, Edward e eu trocávamos beijos, sem ligar para quem pudesse estar vendo.

Na hora que começou a tocar Something, Edward me colocou de frente para ele, de costas para o palco, segurando em meu rosto enquanto cantava para mim.

— Somewhere in her smile she knows¹. — Eu logo me lembrei de que em nossa primeira conversa, quando o questionei sobre a sua música dos Beatles preferida, ele disse que Something era a que ele mais ouvia, então poderia ser a que ele consideraria a preferida. — That I don't need no other lover². — Ele beijou minha testa, então falou em meu ouvido. — Sempre será só você, Bella, eu a amarei para sempre, não se esqueça disso.

***

Após o show Edward e eu concordamos em uma caminhada pela marina, já que não era tão tarde assim e o local continuava movimentado por conta do fim de semana. Andando de mãos dadas, mais uma vez na mesma noite, ele e eu mantínhamos sorrisos em nossos rostos enquanto passeávamos por lá.

Paramos para ver um artista de rua que tocava piano e cantava Bob Dylan. Quando a música de Dylan terminou e uma senhora pediu que ele cantasse The Way You Look Tonight, eu tentei afastar Edward de lá, sem querer pensar justamente naquela noite perfeita em Mike, ou como eu tinha estragado a música mais incrível do universo em um casamento fracassado.

— O que foi? Você gosta de Sinatra, esta é sua preferida — Edward disse, quando voltei a tentar puxá-lo para longe. — E nós ouvimos essa música no carro naquela sua carona, lembra? O que está acontecendo? — Tocou em meu rosto.

— Foi a música que dancei com Mike no casamento, não quero associá-la a essa noite — expliquei rapidamente.

— Ou, nós podemos tirar de sua mente aquela noite e fazer a música ganhar um significado muito melhor. — Ele sorriu de forma travessa. — Grande coincidência o fato de que você está usando branco hoje também, não?

Então, ele segurou em minha mão, enquanto levava sua mão livre para minha cintura, como se fossemos dançar...

— Edward, não, nem pense nisso — implorei baixinho, morrendo de vergonha das pessoas próximas.

— Apenas me siga, Baby — ele ordenou, ainda sorridente, conduzindo-me para o meio da rodinha formada pelos telespectadores do artista, que já estava tocando e cantando.

Minhas bochechas queimavam, enquanto todos soltavam exclamações positivas sobre a atitude de Edward.

Ouvi alguém dizer algo como:

— Oh, que romântico, você deveria ter feito isso comigo, Adam!

Edward tinha dito alguma vez que teve aulas de dança para dançar com Tanya no aniversário de dezesseis anos dela, eu comprovei aquilo quando ele me guiou com muita facilidade, sendo um dançarino muito bom. Eu não era a pior dançarina do mundo, tive minhas aulas também, mas ele era ainda melhor.

Depois que peguei o ritmo e, consegui me concentrar apenas nele e na música, a vergonha passou e tudo que eu tinha era um sorriso pelo nosso momento. Ele me amava tanto para fazer aquilo por mim, era incrível como podia sentir o amor nos seus gestos, Edward nem precisaria verbalizá-lo.

Edward girou-me, então me levou de volta ao seu corpo, beijando minha testa, antes de nos rodar mais algumas vezes. Nós finalizamos a música com ele segurando na base das minhas costas, inclinando meu corpo para trás junto.

Quando me colocou de volta em postura certa, ele me beijou e as pessoas ao redor aplaudiram nossa dança.

— Podemos ir para casa agora? — pedi a Edward, querendo que a noite perfeita terminasse conosco rolando em minha cama, nus e nos amando ainda mais.

— Sim — confirmou, seus olhos queimando sobre mim como sabia que os meus estavam sobre ele.

Edward, que não tinha bebido nada no show graças ao fato de ter só vinte, voltou para meu prédio dirigindo. Logo estávamos no meu apartamento, comigo tirando os saltos e ele os sapatos no momento que cruzamos a porta de entrada.

— Pode ver algo para eu beber? — pediu, estranhei o fato dele mesmo não ir buscar, já que conhecia meu apartamento tão bem quanto eu conhecia, mas ainda assim fui buscar vinho para mim e uma garrafa de cerveja para ele. — Edward? — o chamei na sala, então em meu quarto, mas ele não estava em nenhum dos dois cômodos.

— Na biblioteca.

Segui até lá, o encontrando em pé, recostado em uma estante, segurando algo em suas mãos.

— O que foi? — perguntei notando a ansiedade em seu rosto, repousando nossas bebidas na mesa. — O que é isso? — Apontei para o papel, aproximando-me lentamente dele.

— Algo que gostaria que lesse, então achei que seria certo que você fizesse isso na biblioteca. — Engoliu em seco, visivelmente nervoso.

— Algo sobre seu livro novo? Aquele dos imigrantes? — perguntei.

Okay, eu o amava e podia ler um pouco do seu livro antes de partimos para o sexo.

— Leia. — Estendeu o papel para mim, eu o tomei em mãos, vendo rapidamente que o texto ali estava escrito com a própria letra de Edward, não uma impressão.

Olhei curiosa para Edward, antes de ir começar a leitura do texto ali.

Seu título era: Dez Anos.

“Seus lábios nos meus mostram-me que encontrei algo que sequer sabia que estava procurando, você surgiu e me fez perceber a necessidade de tê-la ao meu lado. Isto me deixou um pouco tonto, não sabia lidar com a vontade de tê-la, mas ao mesmo tempo não conseguia lutar contra os sentimentos em meu peito e abafa-los.

Sabe que a amo, que serei eternamente apaixonado por você. Mas, o que não sabe é que na primeira vez que acordei ao seu lado, já me sentia completamente seu, assim como sei que hoje é completamente minha.

A amo de todas as formas possíveis. Amo como pode ser doce e letal em um mesmo segundo. Amo a forma que dirigi como uma maluca buzinando. Amo sua mania de morder o lábio inferior. Amo como você consegue gostar de Lady. Amo como é louca por livros como eu. Amo como se sente a vontade e conversa sobre sua mãe comigo. Amo que confie em mim, amo que faça com que eu confie em mim mesmo. Amo você por ter me mostrado seu refúgio e fazer dele o nosso.

Eu amo você e talvez minhas palavras não sejam suficientes para mostrar isso, mas prometo que irei lhe dar mais e mais palavras ao longo dos anos.

Em nossa primeira noite, eu perguntei:

— Isso tudo, você não vai se arrepender amanhã, não é?

E, você respondeu:

— Eu não vou me arrepender, prometo.

Hoje eu prometo que nós nunca nos arrependeremos, que todas as vezes que olharmos para trás teremos apenas orgulho por termos persistido juntos a tudo.

Lembra-se da minha outra pergunta aquela noite? Eu lhe questionei sobre algo que gostava em mim, esquecendo sua primeira resposta e todo seu amor por meus dedos, você respondeu:

— Sua escrita.

Por isso hoje estou lhe dando isto, estou lhe dando algo que gosta em mim. Espero receber em troca algo que gosto em você, seu sorriso apaixonado, que combina tanto com o meu, aqueles sorrisos que apenas os lábios que se encaixam com perfeição são capazes de dar.

Eu sempre serei grato por meu atraso na sua primeira aula e não ter passado despercebido aos seus olhos. Desculpe-me pela interrupção, mas ela foi o começo de nossa história de amor, antes mesmo que pudéssemos prever onde ela iria chegar. Eu me desculparia pelo atraso de dez anos também, mas acho que isso tornou tudo mais especial.

Especial como você é em minha vida, amo você. Continuarei a amando daqui a dez, vinte, trinta, quarenta, cinquenta e quantos mais anos tivermos juntos.

ps: Apesar de ser um escritor, nunca tinha escrito nada em primeira pessoa, muito menos dirigida diretamente a alguém. Você é a primeira e única.

Edward A. Cullen”

As lágrimas já corriam por meu rosto muito antes que tivesse terminado o texto, então quando cheguei ao fim, eu apenas levantei o olhar para Edward. Sorri como era seu pedido no texto, antes de esticar-me em meus pés para beijá-lo.

— Obrigada, eu amo você — consegui falar, mesmo sufocada por minhas lágrimas.

Edward as limpou, sorrindo para mim.

— Eu posso ser mal interpretado, mas autores gostam de quando causam reações físicas em seus leitores por conta dos sentimentos em seus textos, isso quer dizer que fizemos um bom trabalho.

Ele apenas me abraçou por um minuto.

— Você fez, Baby! — Apertei o texto em meu peito. — Eu nunca poderia escrever algo assim.

— Agora, nós podemos fazer o que nos fez voltar para casa.

— O que nos fez voltar para casa? — perguntei fazendo-me de desentendida.

Edward tirou seu texto de mim, o colocou dentro da minha cópia preferida de Orgulho e Preconceito, aquela antiga que um dia pertenceu a minha mãe, então voltou para perto de mim, pegando sua carteira do bolso da calça, tirando uma camisinha de lá.

— Convencido, senhor Cullen.

— Um pouco, senhorita Swan.

Ele apoiou a camisinha em uma prateleira da estante mais próxima a nós, jogando sua carteira para o sofá. Suas mãos alcançaram a barra do meu vestido, o puxando para cima, eu tirei o colar, então Edward soltou meu cabelo.

— Eu fiquei sabendo que sou muito, muito bom em sexo oral — falou, colocando minhas costas contra a estante, livrando-se do sutiã, começando a beijar minha pele quente.

— Eu não sei se isso é verdade — provoquei.

— Bom, vamos tirar a prova.

Seus lábios deixaram uma trilha queimante dos meus lábios até meu umbigo, ele tirou minha calcinha, distribuindo beijos por minhas pernas e coxas. Livrou-se de seu suéter e camisa antes de colocar sua boca em meu sexo.

Eu arfei no primeiro momento do contato, sendo extremamente fraca a Edward. Ele penetrou dois dedos em mim, minha boceta já molhada devido a toda sua provocação anterior. Edward masturbava-me com rapidez, enquanto sua língua fazia um estrago em meu clitóris.

Porra, sim, eu estava certa, ele era o melhor em sexo oral.

— Baby, você é maravilhoso com sexo oral — eu falei eletrizada, muito perto de gozar, então no instante seguinte Edward se afastou, deixando-me ali em pé agoniada por o alivio que não chegou.

Ele sorriu maliciosamente para mim, enquanto tirava suas calças e cueca. Seu pau já duro fez com que eu lambesse os lábios, querendo chupá-lo, mas ele não estava merecendo recompensas naquele momento.

— Não vai terminar o que começou? — indaguei irritada, levando uma mão a minha boceta, mas não era a mesma coisa que os dedos de Edward, ele era muito melhor.

— Vou, eu nunca a deixaria na mão. — Ele colocou o preservativo, então suspendeu meu corpo, minhas pernas entrelaçando o seu, enquanto entrava de uma só vez em mim.

Foi quando gemi de prazer intenso, tão alto que quase foi um grito. Me pressionando contra a estante, Edward se movia com rapidez, ele querendo aquilo tanto quanto eu, mas não conseguia fazer qualquer coisa além de gemer de prazer, me vendo totalmente entregue a ele.

— Eu te amo! — exclamei, agarrando seus cabelos, enquanto Edward beijava minha clavícula.

— Ama? — perguntou, mesmo sabendo a resposta muito bem, indo fundo, ganhando um puxão em seus cabelos como meu reflexo por conta do prazer.

— Amo, amo tanto.

Ergui seu rosto, o beijando lascivamente.

Edward tirou as mãos de meu corpo, as plantando na estante, enquanto continuava a ir fundo. Nossos olhos estavam focados um no outro quando aconteceu, Edward tombou a cabeça para trás quando gozou, eu gritei alto ao alcançar meu orgasmo.

Me dei conta daquilo rapidamente, Edward tinha me feito gritar. Eu entendi Rosalie ali, não era apenas algo sexual, parecia que com o grito eu estava gritando para o mundo inteiro sobre nós dois.

— Você também — sussurrei, ainda com Edward me pressionando contra a estante, nossos rostos se tocando. — Sempre será apenas você, te amarei para sempre, não se esqueça disso.

Notas finais
1. Frase original: Somewhere in her smile she knows. Tradução: Alguma coisa em seu sorriso, ela sabe. 2. Frase original: That I don't need no other lover. Tradução: Que eu não preciso de outro amor. Esse foi meu capítulo preferido? Foi sim! :3 Beijos! Lola Royal. 14.11.16