Dez Anos

7 Capítulo Seis


Notas iniciais
Capítulo super dedicado a doll que recomendou, fiquei tão feliz com a primeira recomendação de Dez Anos e me senti muito honrada em ser a sua primeira recomendação, muito obrigada mesmo! :D Boa leitura ♥

Capítulo Seis

Edward Cullen

Nunca me senti tão nervoso, nem mesmo quando mamãe quase me pegou vendo um filme pornô quando eu tinha 13 anos, ou quando papai descobriu as revistas playboys escondidas sob uma tábua solta no meu armário, pouco tempo depois do filme de conteúdo impróprio. Eu não estava nervoso daquele jeito nem mesmo quando as cartas das faculdades começaram a chegar, devo ter sido o único da escola que não teve crises de insônia ou qualquer coisa dessas.

Deus, não estive tão nervoso nem mesmo quando perdi minha virgindade com Laila Wilson, logo depois de me esgueirar pela janela do quarto dela no meio da madrugada. Na verdade, eu estava bem animado aquele dia, então todo o medo foi jogado de lado.

Porém, naquela noite de setembro, eu estava absurdamente nervoso.

Eu não estava pretendendo terminar minha noite daquela forma. O plano inicial era ir beber em um bar com Tanya por algum tempo, então estender a festa até uma boate qualquer para que ela pudesse dançar, mas eu estava morrendo de dor de cabeça quando ela e seus novos melhores amigos, que ficaram com a gente no bar, anunciaram que iriam para a boate.

Não queria, minha vontade era ir para casa e dormir pelo resto da noite e por todo o domingo. Era a forma mais segura de tirar senhorita Swan da minha mente, já que todo meu tempo na porra daquele bar foi controlando a vontade de ficar a olhando como a droga de um perseguidor.

Por que diabos ela tinha que ser tão bonita? E, o que era aquele batom vermelho? Ou o sorriso e aceno dela? E, a loira sussurrando em seu ouvido, enquanto me lançava um olhar avaliador, que parecia que podia ver toda minha alma? Que droga toda era aquela?

Eu estava surtando.

Amaldiçoei Tanya por ter ido a boate sem mim, mesmo que eu tenha insistido que ela fosse e, me amaldiçoei por ter preferido sair de táxi, não em meu carro e, amaldiçoei o mundo por ter esquecido de pegar minha carteira na bolsa de Tanya. Posso ter amaldiçoado Jasper e Alice por estarem presos no jantar chato com os pais dela, mesmo que eu soubesse que todo meu azar daquela noite não era realmente culpa deles.

Não queria estar ali, não era seguro, minha cabeça só parecia que ia explodir mais. Por que eu tinha aceitado aquela carona? Eu devia ter esperado Jasper retornar minha ligação, ter ligado para Tanya e a mandado arrastar sua bunda magra de volta para mim e devolver minha carteira para que eu pudesse pegar um maldito táxi.

O carro dela tinha cheiro de morangos, era curioso, eu não sabia que morangos podia ter uma fragrância tão poderosa, mas ali tinha. Eu estava perdido, nunca mais ia deixar de vê-la em cada morango.

Mantive-me quieto no meu canto pelos primeiros minutos, desejando poder chegar logo ao meu prédio, agradecer a carona e só vê-la nas aulas, mas o trânsito estava infernal aquele sábado e, tudo parecia estar parado. O destino era uma merda, ele me odiava.

— Edward, você está bem? — A ouvi perguntar, um tom de preocupação em sua voz.

Abri meus olhos, que eu inteligentemente mantive fechado desde que Sinatra começou a cantar em meus ouvidos, para evitar a olhar.

— Claro, apenas com dor de cabeça — murmurei.

— Você está pálido. — Ela me olhou por um momento, antes de voltar sua atenção para a rua, seus dedos batucando impacientemente no volante.

Por Deus, estava mesmo com dor de cabeça e, ela não tinha dó em tocar a buzina, se fizesse isso de novo eu morreria.

— Tem certeza de que está bem?

— Sim, só devo ter bebido demais. — Apoiei minha cabeça na janela do Audi, amaldiçoando todos os motoristas presos com a gente naquele engarrafamento também, eles deveriam ter seus carros em suas garagens, liberando espaço na rua para pessoas desesperadas como eu.

— Comeu algo? É uma boa ideia, sabe, se alimentar antes de beber.

Por que ela falava como uma mãe comigo? Eu não era a droga do seu filho precisando de conselhos. E, eu não era mesmo um garotinho entrando no mundo do álcool.

— Claro — continuei murmurando, nem me importando mais com que saia da minha boca, cogitando quanto tempo levaria para chegar ao meu apartamento andando se eu simplesmente me atirasse para fora do seu carro.

— Quer ligar para sua namorada? Talvez ela possa lhe levar algum remédio — ela sugeriu, me deixando confuso, então tirei a cabeça da janela, olhando em sua direção, mas seu rosto perfeito estava voltado para a frente, totalmente inexpressiva.

— Namorada?

— Sim, Tanya.

Então, o nervosismo inteiro pareceu desaparecer e, eu ri. Era sempre engraçado quando as pessoas achavam que Tanya e eu éramos namorados, nós tínhamos fingindo isso algumas vezes para fugir de pretendentes que não queríamos, mas nós definitivamente não seriamos um casal.

— Ela é apenas minha amiga — expliquei para Bella quando ela me olhou séria, como se eu fosse um retardado. — Nós somos quase irmãos — acrescentei rapidamente, a vendo assentir para minhas palavras. — Crescemos juntos e tudo isso. — Abanei a mão com um gesto despretensioso. — Mas, ela é uma péssima amiga, já que me largou para trás para ir a uma boate.

— Ela parecia mal naquele dia na livraria. — O tom preocupado estava de volta ao seu rosto e, eu não conseguia acreditar que com dois minutos de conversa foi suficiente para ela prestar atenção em Tanya mal na quinta-feira e, lembrar disso dias depois e se importar.

— Sim, ela estava tendo um dia difícil, mas está melhor agora.

Bella deu um grande sorriso.

— Isso é bom, ela parece ser alguém legal.

— Ela é. Quem eram as pessoas com você na mesa? — perguntei sem poder conter minha língua, Bella me olhou pelo canto do olho por um segundo antes de responder.

— Um casal de amigos, nós nos conhecemos desde a faculdade.

— Ah claro.

Nada de ménage, pensei, me sentindo ridículo com tudo isso.

— Sua cabeça está melhor?

— Sim, muito melhor. — Realmente estava, a tensão ainda estava ali em cada nervo meu, mas parecia mais fácil controlá-la. E, conversar com ela, mesmo nervoso, era bom.

— Ah, você pode aumentar? É minha preferida — ela disse em um tom de voz doce, quando Sinatra começa a cantar The Way You Look Tonight.

Eu aumentei o volume do som, deixando a música ser tudo que podia ser ouvido dentro do carro pelos próximos minutos. Observei os lábios dela, ainda mantendo a cor vermelha escura, que contrastava muito bem com sua pele branca, sussurrando para si mesma a letra da música.

Aquilo só me deixou mais confuso sobre aquela mulher, eu nunca tinha me sentindo tão...Perdido sobre alguém. Ela era incrível, inalcançável para mim, mas ainda assim a mulher mais fantástica sobre qual eu tinha colocado meus olhos.

Ela se calou com o fim da música, então a voz do Sinatra foi tudo que me restou ouvir pelo fim do caminho. E, a viagem pareceu ser muito mais rápida depois daquilo, logo seu carro parando na frente do meu prédio.

— Obrigado pela carona — agradeci, livrando-me do cinto, tentando prolongar aquilo o máximo que podia.

— Não por isso — ela sussurrou, seus olhos castanhos se fixando nos meus. — Tenha uma boa noite, Edward.

— Nelly. — Praticamente cantei o nome da minha chefe, agarrando-me aquilo para ter mais tempo perto dela.

— O que tem ela? — Seu olhar era sério sobre mim.

— Ela queria falar com você, eu disse que esteve lá outro dia e...

— Eu vou até ela na segunda-feira. — Bella me interrompeu, fechando os olhos por um instante e, quando os abriu seu rosto parecia ainda mais sério. — Melhor você subir e ir cuidar da sua dor de cabeça, senhor Cullen.

Eu murchei a ouvi-la me chamando daquele jeito.

— Boa noite. — Foi tudo que consegui falar antes de deixar seu carro, ainda nervoso, irritado, bêbado e com cheiro de morango enlouquecendo-me.

Porém, ela tinha dito que apareceria na segunda, eu esperaria por isso.

***

No dia seguinte fui convidado para um almoço com papai, mamãe estava fora da cidade, em Boston ou Chicago, em algum congresso, então seria apenas nós dois e, eu estava tudo, menos animado. Não tinha dormido quase nada na noite anterior e, estava irritadiço e sonolento, querendo apenas passar o resto do dia da cama, mas ele estava determinado.

— Olá, você parece cansado — ele disse assim que entrei no banco do carona do seu carro, depois dele insistir em ir me buscar, um claro aviso de que ele não me deixaria fugir.

— Eu estou. — Coloquei o cinto, agradecendo por ele estar ouvindo Jazz, não Sinatra.

Papai era um grande fã, talvez ele fosse se dar bem com Bella...Senhorita Swan. Porra, como eu devia chamá-la, afinal?

— Isso é uma grande ressaca, você tomou algum remédio? — Apenas concordei com um aceno de cabeça para sua pergunta. — Bom, então vamos apenas agradecer por sua mãe não estar aqui, ou ela lhe daria mais uma palestra sobre os efeitos negativos do álcool em mentes jovens.

— Que bom — zombei, fechando os olhos e massageando minhas têmporas.

— Sabe que eu não acho que você deva não beber, todos sabemos que o lance de 21 anos é totalmente surreal, mas talvez tenha ido muito além do seu limite noite passada, Edward — comentou, enquanto dirigia calmamente, sem buzinas a cada dois minutos.

Por que minha mente sempre acabava me levando a ela? Isso estava ficando ridículo.

Não respondi papai, me mantendo quieto e fingindo estar dormindo, pois era a única forma dele parar de falar. Nós fomos para um restaurante de frutos do mar na Marina e, estava agradável ali, mesmo com a porra toda na minha cabeça.

Para minha sorte, papai não falou sobre trabalho, ou assuntos muito importantes, ele apenas conversou sobre assuntos banais, como o jogo de baseball sendo transmitido no telão do restaurante aquela tarde. Eu o agradeci mentalmente por estar sendo solidário a minha ressaca, não precisava de mais estresse.

— Nós devíamos ir esquiar esse ano no natal, o que acha?

— Aspen? — perguntei revirando a comida em meu prato.

— Claro, não acho que teríamos tempo de ir para a Suíça, mesmo com sua mãe implorando por isso. — Ele sorriu. — Talvez eu a leve em nosso aniversário de casamento em Junho, o que acha? Será que ela gostaria de um cruzeiro até a Europa?

— Ela ama a Europa, você pode levá-la para lá até de barco a remo — brinquei.

— Mas, isso coincidiria com seu aniversário, então talvez nós pudéssemos ir todos juntos. Há espaço suficiente no barquinho. Quem sabe você estará levando uma garota consigo.

Quando ele disse isso a única pessoa em minha mente era minha professora e, a comida perdeu toda a graça.

— Pai, como você sabia que estava apaixonado pela minha mãe? — questionei, o que pareceu o pegar de surpresa.

— De onde veio isso? — Um sorriso grande rompeu em seu rosto. — Você está apaixonado, filho? Quem é ela?

— Não estou apaixonado. — Eu estava maluco, era isso, nada de paixão.

— Bom — ele voltou a falar, com um tom confiante em sua voz. — Você sabe, sua mãe e eu nos conhecemos na faculdade, estávamos na mesma turma de direitos humanos e, estávamos tendo um debate aquele dia. Ela estava lá, toda raivosa, o rosto vermelho e uma expressão assassina no rosto, enquanto debatia com um cara que estava sendo extremamente irracional e intolerante, foi quando eu soube que precisava daquela garota ao meu lado. — Ele tinha em seu rosto o sorriso que sempre era dirigido a mamãe.

— Por que ficar contra ela era extremamente perigoso para sua integridade física? — brinquei.

— Isso também. — Ele riu. — Mas, era diferente sabe? Ela era tão delicada e doce fisicamente, mas quando abria a boca era uma fera e, eu estava totalmente caído por ela. E no meio do debate eu cometi o grande erro de interrompê-la e, mesmo que tenha sido para concordar com o ponto de vista dela, o olhar que recebi foi o mais assustador de todos, mas ainda assim meu coração nunca bateu tão forte quanto naquele momento. Aquela foi a primeira vez que ela me notou na sala, eu era completamente invisível para ela até então, mesmo com a gente quase no fim do semestre, ai depois da aula ela veio até mim dizendo que eu nunca mais deveria interrompê-la, eu a interrompi, a convidando para um café, foi a primeira vez que Esme ficou sem palavras.

Eu não sabia o que dizer, não quando eu parecia completamente atraído por Bella como papai esteve por mamãe naquela aula de direitos humanos. Desejei que tivesse sido simples para mim, uma colega de turma mexendo com a minha cabeça, não minha professora.

— Acho que podemos começar a pensar na viagem para Aspen, que tal? — sugeri a papai, querendo mudar de assunto mais do que tudo, querendo tirá-la da minha mente, pois eu não achava nada daquilo certo.

***

Bella não apareceu na segunda-feira, o que no fim eu acabei gostando, ficar longe dela devolveu muito da minha sanidade e me convenci de que estava apenas sendo idiota por todo o fim de semana. Aquilo não era paixão, eu já tinha estado apaixonado antes e, não era algo assim, eu só estava bêbado no dia do bar e, com ressaca na manhã seguinte, tudo aquilo tinha sido apenas um catalisador de sentimentos. Eu sequer tinha a tocado, não podia estar tendo sentimentos sobre ela.

Na quinta-feira eu consegui chegar a aula dela cedo, antes mesmo da senhorita Swan aparecer, peguei meu lugar ao lado de Tanya a ouvindo reclamar sobre Leah estar evitando suas ligações e mensagens. Eu ignorei, porque era só o que ela estava falando nos últimos dias e, Tanya sabia muito bem qual era meu ponto de vista sobre tudo aquilo.

Quando a professora entrou na sala, dando um bom dia a todos, eu ignorei também a batida descompassada do meu coração. Olhando para cada canto da sala, menos para ela, mas não era tão simples ignorá-la.

Usava um vestido branco social, com um blazer azul escuro por cima e, tinha os cabelos novamente puxados em um coque e usava seus óculos de grau. Ela passou a aula inteira com ele em seu rosto, ou o tirando e girando-o em suas mãos pela haste, totalmente inconsciente de seus próprios gestos.

No fim da aula, eu não fiquei para trás, sequer esperei Tanya arrumar toda sua tralha, apenas peguei metade de suas coisas e rompi porta a fora sem olhar para a professora, com a loira pedindo que fosse mais devagar, mas não fui. Quanto maior a distância entre Bella e eu, mais seguro minha cabeça estaria e, meu coração também.

Notas finais
Coitadinho todo confuso. haha Beijos! Lola Royal. 25.09.16