Dez Anos

8 Capítulo Sete


Notas iniciais
Olá, estamos de volta! A história ficou parada na última semana por conta da finalização de A Intocável, mas aqui está o capítulo novo, dedicado a rack_chan que recomendou, muito obrigada, linda! Boa leitura ♥

Capítulo Sete

Isabella Swan

Lady me recepcionou no instante que cruzei a porta do meu apartamento, sorri para a gatinha, agachando-me no chão e voltando a ficar em pé com ela em meu colo, enquanto a bolinha de pelo miava para o afago da minha mão em sua orelha. Eu nos levei até o sofá, tirando os saltos e colocando os pés na mesinha de centro, Lady se acomodando em cima de mim, prometendo dormir ali mesmo.

Apoiei minha cabeça no encosto do sofá, morrendo de dor e com a boca muito seca. Eu tinha bebido mais do que o imaginado e, estava claramente bêbada. Isso não era bom, de jeito nenhum.

Meu celular tocou dentro da bolsa que eu tinha pendurada em meu ombro, então acariciando Lady com apenas uma mão, eu o tirei de lá e vi o nome de Rosalie na tela. Respirando fundo, atendi sua ligação, colocando no viva voz e deixando o aparelho no lugar vago ao meu lado.

— Olá, você chegou bem? — ela perguntou assim que atendi.

— Sim, acabei de chegar — respondi.

— Só agora? — Soou muito confusa. — Pegou muito trânsito?

Isso também, mas eu tinha demorado mais por ter desviado um pouco do meu caminho para deixar Edward no apartamento dele. O que eu estava me arrependendo muito, aquela carona nunca devia ter acontecido.

Eu era a professora dele, não devia ter lhe dado uma carona enquanto bêbada e, principalmente quando estava o achando quente. Era absurdamente errado.

— Sim — foi tudo que respondi a Rose.

— O que você está escondendo?

— Nada, apenas estou cansada — murmurei, ela me conhecia muito bem, isso era inegável.

— Okay — Rose murmurou de volta. — Vamos almoçar amanhã? Só nós duas. — Obviamente ela não sairia sem respostas precisas. — Emmett vai assistir a um jogo com os amigos do trabalho, nós podemos ter um dia de merdas femininas.

Eu ri, Rosalie mesmo sendo o símbolo da beleza encarnada, era tudo menos amante de merdas femininas como chamávamos. Não que ela precisasse de qualquer coisa para ficar bonita, isso era natural em seu DNA.

— Claro, compras e salão depois? — perguntei.

— É, isso ai. — Ela suspirou. — Você está mesmo bem?

— Estou bem, Rose — garanti. — Vá dormir, você tem de descansar para o bem do bebê.

— Vou fazer isso, eu passo ai amanhã para te buscar.

— Até amanhã. — Rose disse seu adeus, então nós duas desligamos juntas.

Mesmo com fome, sendo tarde e sabendo que eu precisava de um banho e dormir, permaneci no sofá, distraída em pensamentos. De fato, ainda pensando na carona que não devia ter ocorrido, mesmo comigo sóbria.

Edward, mesmo quieto pela maior parte do percurso, tinha algo que me intimidava, o que eu não sabia explicar. Mas, ele em meu carro me fazia sentir estranha e, eu estava me agarrando a ideia de que era apenas meu corpo sendo louco por conta da cerveja.

Eu tinha praticamente expulsado o menino do meu carro quando chegamos ao seu prédio, mas a questão era que eu não conseguia mais ficar um segundo perto dele sem acabar falando alguma besteira. E, depois de ter ouvido The Way You Look Tonight, a música que dancei em meu casamento, Mike era outro povoando minha mente, eu estava uma bagunça.

Deitei no sofá, ainda mantendo Lady em meu colo. Enquanto encarava o teto, tentando decidir se deveria comprar um lustre maior para a sala, querendo afastar Edward e Mike dos meus pensamentos, acabei adormecendo e, eu só podia me lembrar de sonhar com olhos verdes.

***

Rosalie e eu fomos almoçar como combinado, me surpreendi como ela conseguia comer tanto, se não tivesse a acompanhado na última ultrassonografia, suspeitaria que minha amiga estava grávida de trigêmeos, pois só isso explicaria a quantidade de comida que ela estava ingerindo. Eu sorria a cada momento que ela dava mais uma garfada e, mal tinha terminado de mastigar e já estava preparando a próxima.

— Eu sei, estou comendo demais, mas é que não tenho vomitado nos dois últimos dias, finalmente posso comer sem ir abraçar o vaso logo em seguida — falou, tomando um longo gole de água.

— Fico feliz com isso, o segundo semestre é o melhor, é o que dizem.

— Sim! — Rose abriu um grande sorriso. — A médica disse que eu terei minha libido aumentada.

Eu ri, tentando manter minha risada em um tom baixo para não assustar ninguém.

— Rose, poupe-me, por favor. Você não precisa estar grávida para ter sua libido alta, isso é parte de você.

— E sua libido como vai?

— Muito bem, obrigada.

— Você sequer esteve com alguém depois daquele francês?

— Ah Pierre, eu sinto falta dele. — Me abanei com o guardanapo, a fazendo rir. Pierre tinha sido um francês que conheci na Inglaterra durante meu tempo lá, nós transamos algumas vezes, mas foi apenas sexo, nada de sentimentos envolvidos. — Mas, não, os últimos meses em Oxford foram cheios demais de trabalho e estudo, eu não estava em condições de prestar atenção em cara algum.

— Você parecia estranha ontem no telefone. — Rose comeu mais um pouco antes de voltar a falar. — Estava pensando em Mike?

— É, um pouco. — Dei de ombros. — Eu estava no carro ouvindo música, então tocou a que dançamos no nosso casamento, minha mente só me traiu e me fez pensar nele. Ele me propôs um jantar — murmurei a última parte, prevendo o surto de Rosalie.

— Eu não posso mandar em você, Isabella, mas saiba que se eu tivesse esse poder, te trancaria em um quarto escuro se passasse em sua cabeça a ideia de ir se encontrar com Mike. O que vai fazer?

— Não sei. — Remexi a comida em meu prato. — Foi tudo tão ridículo em Forks com minha família agindo como se eu fosse uma bruxa por ter largado Mike, mas ao mesmo tempo eu me pergunto se nós dois não poderíamos funcionar juntos agora.

— Eu voto em não, vocês não funcionariam juntos novamente. — Rosalie afastou seu prato, seu almoço já finalizado, ela pegou um dos pãezinhos da mesa, começando a comê-lo. — Acho que precisa de um novo cara, alguém que te faça gritar, quando você gritar saberá que é ele.

— Que me faça gritar? — perguntei rindo, levando mais um pouco de massa a boca.

— Sim, sabe por que eu sei que Emmett é meu cara certo?

— Por que ele te faz gritar? Acredite, eu sei, nós já dividimos um apartamento, as paredes eram finas. — Revirei os olhos. — Mas, amor não é só sobre sexo e me fazer gritar como uma louca ao atingir um orgasmo.

— Sim, nós sabemos que você é uma romântica de corpo e alma. Mas analise meu ponto — Rosalie pediu parecendo empolgada demais com aquilo. — Um cara certo não vai apenas fazer o melhor sexo do mundo com você, ele vai te deixar tão na dele, que fará com que perca o controle da coisa toda, pois estar com ele vai ser tão, mas tão bom que todo o resto do mundo terá de saber disso.

— Ai eu grito? — Ri mais.

— Ai você grita, alto! — Rose piscou para mim, dando mais uma mordida em seu pãozinho. — Mike te fazia gritar? Eu aposto que não, então ele não é o cara certo e, voltar com ele seria um retrocesso.

— Eu sinto falta dele — confessei.

— E, você sentia falta de Forks quando chegou aqui, mas nem por isso está lá agora, pois sabe que é muito mais feliz em Seattle. Então, nesse caso Mike é Forks e, você só precisa encontrar sua Seattle.

— Você é péssima com metáforas, estou agradecida que é boa com números, ou sua carreira de motivadora seria arruinada muito antes de começar — falei, Rosalie apenas riu, assentindo.

— Sabemos disso, B, as palavras são suas, os números meus. Por isso nós nos atraímos, somos opostos.

— Não, nós só fomos jogadas em um mesmo dormitório porque fomos lentas em preencher nossos dados na faculdade.

— E nossa procrastinação nos uniu, viva nós! — Ela bateu seu copo no meu em um brinde. — Então, nós podemos começar agora a pensar em uma relação de caras que podem te fazer gritar — falou. — Tipo aquele loiro atrás de você, não olhe agora, mas acho que o relógio dele custa mais do que meu carro.

— Alto?

— Nah, não muito — Rosalie lamentou. — Mas na horizontal isso não é relevante.

— Você é casada — lembrei.

— Eu tenho permissão de olhar.

— Emmett tem? — provoquei, vendo a expressão dela passar de divertida para irritada.

— Se ele criar um terceiro olho poderá olhar, enquanto isso os dois que ele tem devem ser mantidos apenas para mim. — Ela começou a comer outro pãozinho. — Ah, falando sobre olhar, teve noticiais de seu aluno preferido? Ele te deu algo a mais que um livro? — Mexeu as sobrancelhas sugestivamente.

Larguei o garfo, desistindo de terminar meu almoço, encarando o pequeno arranjo de flores sobre a mesa.

— Bella, o que foi?

— Eu fui uma completa idiota ontem.

— Foi? Quando? — perguntou confusa. — Não me lembro de você dançando sobre a mesa do bar, isso seria divertido.

— Eu dei uma carona a Edward. — Olhei para Rose, vendo-a abrir a boca.

— Uou, você fez sexo com ele no carro?

— Por que tudo acaba em sexo para você?

— Não enrole, fale sobre essa carona!

— Foi apenas uma carona, nada demais, mas...Você estava certa — sussurrei. — Ou eu acho que estava, sei lá. — Suspirei, passando a mão pela cabeça. — Ele estava tão bonito ontem no meu banco do carona, foi revoltante.

Rosalie sorriu, indicando com um gesto de mão que eu deveria continuar a falar.

— Ele tem olhos verdes muito bonitos e, merda, o jeans estava agarrado nas coxas dele. — Esfreguei a mão no meu rosto, agradecendo por não estar de maquiagem. — Ele é uma reencarnação de Apolo. — Rosalie me olhou confusa. — Um deus grego, Rose, o considerado mais bonito de todos. — Entendimento tomou conta de sua face.

— Futuramente use referências que eu possa entender.

— Você estudou mitologia na faculdade.

— E eu reprovei, não espere muito de mim, as aulas eram entediantes. Mas, então, você é professora de um cara quente, sim?

— Um cara quente de 20 anos.

— Grande coisa, ele não é menor de idade, você não vai ser presa se transar com ele.

— O que? Você acha que Edward é o cara que me fará gritar? — debochei.

— Oh não, ele é gostoso para um cara de 20 anos, mas ainda é um cara de 20 anos, não acho que ele possa assumir um cargo tão alto como o seu cara certo. Mas, isso não quer dizer que você tem de fazer um voto celibatário até o cara em questão aparecer e, se divertir com o garoto quente não é uma má ideia.

— Isso não está em questão, ele é apenas meu aluno. Não vou levá-lo para uma sala vazia e foder com ele.

— Pelo jeito que ele te olhava ontem, não acho que reclamaria se você fizesse exatamente isso.

— Você é pervertida — declarei.

— Sim e, serei uma pervertida gorda se você não pedir a conta em cinco minutos. — Pegou um terceiro pãozinho. — Vamos lá fazer as unhas e ouvir fofoca barata de salão, mal posso esperar para saber com quem os atores estão se esfregando.

— Oh, imperdível — debochei de volta, chamando a garçonete com um rápido acenar. — E o cara do relógio? — perguntei.

— Esqueça, ele tem uma namorada, está enfiando a língua na garganta dela agora. Edward não tem namorada, não é?

— Não — respondi, querendo ignorar a sensação de algo queimando em meu peito.

***

Eu tive uma longa semana cheia de trabalho para fazer, fora usar meu tempo livre entre reorganizar minha biblioteca por ordem alfabética e começar a trabalhar em ideias para o quarto do bebê com Rosalie. Então, eu me vi impossibilitada de ir até Nelly como tinha dito que iria na segunda-feira, o que não foi de todo mal, uma vez que eu sabia que Edward estaria ali.

Mas, na quinta-feira, ele estava em minha aula e, não chegou atrasado daquela vez. Eu pude sentir os olhos dele sobre mim algumas vezes, enquanto eu evitava a todo custo olhá-lo, em algum momento precisaria trazê-lo para aula e fazê-lo participar para avaliá-lo, porém não queria isso ainda, não depois da carona no sábado passado.

Quando a aula acabou pude ver Edward deixando a sala apressadamente, enquanto Tanya o seguia chamando pelo amigo. Ela me olhou por um instante antes de cruzar a porta, confusão pairando em seus olhos claros, então saiu e continuou chamando por ele.

Na sexta-feira decidi que estava sendo ridícula, que me esconder de Edward, ou ignorá-lo era idiota. Ele era meu aluno e, isso era tudo.

Então, com meu trabalho finalizado, segui pelo campus até a livraria de Nelly.

Assim que entrei lá pude ouvir alguma música desconhecida tocando, o que abafou o som da porta. Edward estava de costas para mim, debruçado sobre o balcão, conversando com Alice, a garota do caixa do outro dia. Eles riam, enquanto viam algo no computador, até que ela me viu e, um sorriso travesso nasceu em seus lábios.

— Olá, senhorita Swan!

Vi Edward girar em seus pés, virando se para ficar de frente para mim. O rosto dele estava preso em surpresa, lhe ofereci um sorriso pequeno, enquanto me aproximava do balcão.

— Olá, será que eu perdi Nelly outra vez? — perguntei, mantendo uma distância segura entre mim e o garoto de cabelos acobreados.

— Ah não, ela está lá no estoque. — Alice saiu de trás do balcão, desligando a música no computador antes disso. — Eu vou chamá-la. — Edward a encarou por um minuto, mas Alice já estava sumindo entre as estantes para o fundo da loja.

— Como você está? — perguntei a Edward.

— Bem — ele respondeu, a voz soando irritada, enquanto assumia o lugar de Alice atrás do balcão, concentrando-se no computador. — E você, senhorita Swan?

— Bem também — respondi confusa com o tom de voz dele.

— Eu não posso acreditar em meus olhos, Bella Swan! — Minha atenção fugiu de Edward, então olhei para o lado e vi Alice retornando a frente da livraria com Nelly. — Oh menina, você está tão, tão linda!

— É tão bom vê-la, Nelly. — Fui até ela, a abraçando. — Gostaria de ter vindo antes, mas minha semana esteve cheia demais.

— Claro, eu entendo. — Nelly me afastou para poder me olhar melhor. — Eu sabia que você conseguiria se tornar uma professora aqui como sempre sonhou, você deve estar nas nuvens, não?

— Ainda parece um sonho — confessei.

— Onde está aquela sua amiga? A loirinha que dizia um palavrão a cada frase? — perguntou, arrastando-me até um sofá no outro lado da loja.

— Rosalie. — Ri em reconhecimento. — Ainda mora em Seattle com o marido.

— E você? Por onde esteve nos últimos anos?

— Oh, eu fui para Forks por um tempo lecionar na escola de lá depois de me formar, mas voltei quase que imediatamente para Seattle. Então trabalhei em escolas de ensino médio por aqui e, fui para Oxford no último ano para um curso de especialização, então estou aqui agora. — Gesticulei ao redor, evitando falar sobre Mike e meu casamento fracassado.

— Edward me disse que é seu aluno — Nelly falou, olhando em direção a ele e fazendo com que eu olhasse também, Alice tinha reassumido seu lugar atrás do balcão, mas ele continuava ali atrás junto dela, batucando seus dedos sobre a madeira. — Espero que ele não esteja lhe dando muito trabalho — disse alto suficiente para Edward ouvir, ele deu um sorriso de lado com aquilo, levantando o rosto.

— Você sempre faz um mau julgamento de mim, não Nelly? — ele perguntou.

— Força do hábito, querido — Nelly brincou. — Mas Edward é maravilhoso, você vai amar tê-lo em sua classe — Nelly disse apenas para mim. — Agora, me conte, por onde anda Mike? — perguntou.

Claro que ela se lembrava dele, eu estive para cima e para baixo com Mike no meu último ano na faculdade.

— Ele está bem — foi tudo que disse. — Nós podemos sair para beber um café outro dia, que tal? — ofereci, me levantando. — Por minha conta. Eu realmente preciso ir agora, minha casa está uma bagunça desde que decidi arrumar minha biblioteca, tenho de colocar tudo em ordem.

— Claro — Nelly concordou, ficando de pé também, então vi seus olhos escuros brilharem. — Ah Bella, querida, eu acabei de pensar em algo. Edward, venha até aqui! — ordenou alto.

Ele a olhou confuso, mas caminhou em nossa direção.

— Sim? — perguntou a Nelly.

— Edward é um excelente, escritor, Bella! — Nelly anunciou, eu o olhei, vendo-o balançar a cabeça em negação, parecendo que iria desmaiar a qualquer momento.

— Ele é? — perguntei. — Bom, ainda não tive tempo de ver nenhum trabalho dele, vamos ver quando chegar a hora.

— Não, não estou me referindo a trabalhos acadêmicos — Nelly disse.

— Nelly, não, por favor — Edward implorou.

— Deixe disso, menino, você não é tímido sobre isso — Nelly falou. — Ele é um escritor de ficção muito, muito bom, Bella. É uma pena que nenhuma editora tenha se dado conta disso.

Ouvi Edward suspirar.

— Eu poderia ler algo seu? — perguntei a ele curiosa. Eu era uma leitora no fim das contas, ler sempre iria me atrair.

— Não, eu não acho que isso seja possível — Edward falou, os olhos verdes aflitos.

— Eu gostaria de ler, isso seria interessante — disse, sorrindo para ele, vendo seus ombros caírem e, seus olhos focarem em minha boca.

Merda, isso não estava saindo bem!

— Quer dizer, tudo bem se você não quiser que eu leia. Eu entendo, de verdade. — Voltei-me para Nelly rapidamente. — Eu apareço qualquer dia para roubá-la para nosso café, certo?

— Estarei esperando. — Ela me abraçou mais uma vez.

— Até mais — falei para todos, evitando o olhar de Edward, então sai da livraria, eu estava chegando a esquina, quando ouvi me chamarem.

— Senhorita Swan?

Virei para trás, vendo Edward andando rapidamente até mim.

— Sim? — perguntei quando ele parou a minha frente.

— Nelly disse que me demitiria se eu não deixasse você ler meu livro. — Ele bufou. — Então, estou sendo obrigado a isso.

— Você tem certeza?

— Eu acredito em cada ameaça daquela mulher. — Ele sorriu por um instante, colocando suas mãos nos bolsos da calça jeans, para onde eu definitivamente não poderia olhar. — Meu carro está no estacionamento aqui perto, você acha que podemos ir até lá? Eu tenho uma cópia do livro nele, eu ia enviá-la para uma editora, mas acabei decidindo adiar isso mais um pouco, não é como se estivessem se matando para ler o que escrevo.

— Claro, podemos ir até lá.

Ele assentiu, parecendo nervoso demais, enquanto andava do meu lado até o estacionamento mais perto.

— Seu livro é sobre o que? — decidi perguntar.

— É um romance policial — Edward disse com pouco caso. — Nada que já não tenha visto aos montes por ai, Nelly é exagerada, não há nada tão grandioso sobre.

— Vamos ver — murmurei, seguimos em silêncio pelo resto do caminho até o estacionamento. — Uou, esse é seu carro? E você ficou impressionado com meu Audi comum? — perguntei boquiaberta quando paramos perto de um Ford Mustang 67.

— Você entende de carros? — ele perguntou boquiaberto, abrindo a porta do motorista.

— Sim! — exclamei ofendida. — Isso soou machista, você sabe — afirmei. — Não é por ser mulher que não posso entender de carros, aliás, minha melhor amiga é engenheira mecânica em uma montadora, devo saber mais que você sobre carros — desafiei.

Ele sorriu, um sorriso tão grande que tomou conta de todo seu rosto, ao mesmo tempo em que seus olhos pareceram se iluminar.

— Desculpe-me, eu não estava querendo soar preconceituoso, apenas fui pego de surpresa. — Manteve a porta aberta, inclinando-se para dentro para pegar uma encadernação, que parecia bem grande. — Pouco mais de trezentas páginas, eu me empolguei um pouco nesse — disse ao notar meu olhar sobre o livro. — Senhorita Swan, é sério, você não precisa mesmo ler isso.

— Não, eu lerei. — Peguei o livro de suas mãos. — Não sei quanto tempo levarei para isso, no entanto, pode ser que demore até um mês, eu estou lendo outros cinco livros ao mesmo tempo para o trabalho e...

— Eu sei, eu entendo, de verdade — me interrompeu. — Não se preocupe quanto a isso, não estou mesmo com pressa do seu retorno quanto ao que achou do livro, você irá me massacrar. — Fechou a porta do carro.

— Por que você acha isso?

— Porque você falou mal até de C.S Lewis na última aula — falou como se eu tivesse xingado sua mãe.

— Eu só disse que ele não era tão merecedor de tanta idolatria assim. — Dei de ombros.

— Ele escreveu As Crônicas de Nárnia. — Edward expos seu ponto.

— O que é bom, mas eu não acho a obra tão grandiosa assim. Que seja, não estamos no momento de aula, traga suas defesas para Lewis na próxima quinta e discutiremos sobre, eu irei ler seu livro e te dar um retorno sobre assim que possível.

— Claro, espero que não me ache patético.

— Prometo pegar leve — brinquei. — Eu tenho de ir. — Apontei a direção contrária a que tínhamos visto. — O vejo na quinta, Edward.

— Até lá, senhorita Swan. — O vi sorrir uma última vez antes de eu me afastar.

***

Quando cheguei ao meu apartamento aquela noite me concentrei em terminar de arrumar minha bagunça na biblioteca, então preparei algo para jantar e me joguei na frente da televisão assistindo E o Vento Levou, enquanto trocava mensagens com Rosalie.

Rose: Emmett tem um amigo no trabalho, Mark, ele é loiro e alto, como você gosta. Posso marcar um encontro?

Bella: Eu não gosto de caras loiros e altos.

Rose: Mike, Pierre, David, John...Você tem um padrão, querida, assuma!

Bella: *revirando os olhos* isso é apenas coincidência.

Rose: Como você se sente mentindo para si mesma?

Bella: Muito bem, obrigada. Vou pensar sobre o encontro. Agora vou realmente dormir, estou exausta.

Rose: Avise-me quando estiver pronta para se jogar nos braços de mais um loiro alto, pelo que vi de Mark quando fui visitar Emmett hoje, o cara pode ser quem vai te fazer gritar, ele tem dedos longos.

Eu ri, jogando minha cabeça para trás com a total falta de vergonha na cara de Rosalie.

Bella: Boa noite!!!

Bella: E pare de ficar checando os dedos de caras por ai, você é casada.

Rose: Sonhe com o senhor dedos longos.

A ignorei, indo para meu quarto. Deitei em minha cama, minha mão esbarrou em algo enquanto tentei desligar o abajur e, me inclinei para ver o que tinha caído no chão.

Era o livro de Edward, eu tinha o deixado na mesinha ao lado da cama quando cheguei junto do meu celular, mas sequer tinha prestado atenção no livro. O peguei do chão, então sentei na cama, mantendo a luz do abajur ligada.

A COLINA,

por Edward Anthony Cullen

Logo abaixo estava seu email e número de telefone para contato, uma vez que a ideia dele era enviar aquela cópia para uma editora. Eu mordi o lábio, curiosa demais sobre o livro para adiar mais a leitura. Peguei meus óculos de leitura na mesinha do outro lado da cama, então abri o livro na primeira página.

Notas finais
Ai que vontade de botar esses dois se agarrando logo hahah Vejo vocês nos comentários, beijos! Lola Royal. 03.10.16