Dez Anos
6 Capítulo Cinco
Notas iniciais
Capítulo Cinco
Isabella Swan
Como prometido eu levei meus sobrinhos a praia na manhã de sábado, o que me surpreendeu foi Ângela não estragar nosso passeio, já que na mente dela eu não era nada mais do que uma vadia que tinha largado o meu marido para ir estudar na Inglaterra. Mas, eu não criei mais caos, queria mesmo um tempo de qualidade com as crianças.
Nós três entramos em uma missão de catar conchinhas pela areia, o que parecia ser muito divertido para Peter no auge de seus seis anos, mas não tão animador para Dakota com oito, então nós duas estávamos conversando sobre o tempo dela na escola, enquanto o mais novo distraia-se com sua seleção por conchinhas perfeitas. Eu amava os dois, muito, nem mesmo minha raiva pelo pai deles extraia de mim o quanto aquelas crianças eram especiais em minha vida.
— Olha essa, tia Bella, não é linda? — Dakota estendeu em minha direção uma conchinha verde.
— É linda, querida. — Sorri para ela.
— Fica com ela, tia! — Dakota guardou a conchinha no pote de vidro que eu tinha pegado para guardar as minhas.
Dakota logo estava correndo junto de Peter pela praia, que estava praticamente vazia aquela manhã. Eu os admirei, sentindo meu coração doloroso e feliz ao mesmo tempo. Feliz por amar aquelas crianças e, doloroso por não ter as minhas.
Eu queria ser uma mãe, sempre quis ser. Tive uma mãe maravilhosa, Renée era toda a luz e alegria de nossa casa, até que ela faleceu cinco anos antes.
Pouco antes de receber o convite de Oxford para uma especialização de um ano lá, com grande parte das despesas pagas, Mike e eu estávamos começando a trabalhar em conceber um bebê. Eu estava extremamente empolgada com aquilo, esperando que logo acontecesse, porque eu queria ser uma mãe, mas aparentemente eu também queria muito ir para Oxford e conseguir uma linha a mais no meu currículo.
Então, era isso. Eu tinha aceitado o convite e, dito a Mike que podíamos esperar um ano para voltar a pensar em nosso primogênito enquanto eu ia estudar, ele não concordou, não aceitou minhas escolhas e, detestou a ideia de me ter longe por um ano inteiro.
Talvez eu tenha sido uma vadia com ele, no fim das contas, mas eu era tão errada assim? Tão egoísta que meu pai e minha irmã preferiram ficar ao lado do meu ex marido do que ao meu lado que era parte de sua família?
O curso em Oxford era importante para minha carreira, era um grande aprendizado e, isso só se confirmou quando eu fui chamada para dar aulas na Universidade. Eu sequer tinha mandado um currículo, achando que seria pretensioso demais fazer isso tão cedo, eles me chamaram, eles me queriam.
Isso tudo era realmente errado?
***
Voltei para casa logo depois de almoçar com Dakota e Peter, eu poderia ter prolongado minha estadia em Forks até o domingo, mas não era algo que realmente queria depois de me desentender com Charlie e ter Ângela me criticando a cada olhar. Então, me despedi de todos e dirigi de volta para Seattle.
Seattle que eu amava, meu lugar preferido no mundo. Era fácil saber o porquê disso, ninguém me julgava lá.
— Rose, atenda essa porta, eu estou dirigindo por três horas, quero fazer xixi! — gritei enquanto tocava desesperadamente a campainha. Tinha ido direto a casa dela e de Emmett, já que eu precisava resgatar Lady e levá-la de volta para meu apartamento.
— Calma, você nem espera eu absorver a ideia de que a campainha está tocando — Rosalie reclamou quando abriu a porta, comendo o que parecia ser torta de frango.
— São cinco da tarde e você está comendo isso? — indaguei enquanto entrava na casa e corria até o banheiro de convidados no corredor.
— Eu estou grávida, mereço comer. — A ouvi falar do outro lado da porta.
— Você vai ficar gorda que nem uma vaca. Ah meu Deus, é tão bom fazer xixi. — Escutei ela rindo.
— Como foi em Forks? — Rose perguntou quando deixei o banheiro.
Rosalie era a mulher mais bonita do mundo, se Afrodite fosse real estaria arrancando seus cabelos por conta da minha amiga. Ela era alta, dona de longos cabelos loiros cacheados, olhos azuis escuros e tinha um corpo de dar inveja a todos as modelos do mundo. Mas, sua barriga antes negativa estava começando a crescer por conta da gravidez e, ela ficava mais bonita assim.
— Você está gordinha! — eu cantei emocionada, esticando minha mão até sua barriga.
— Isso não é um elogio! — ela guinchou revoltada. — Você está me chamando de gorda, Isabella Marie Swan.
— De um jeito bom. — Ri, seguindo até sua cozinha, vi Lady empoleirada em sua caminha na sala, dormindo confortavelmente. — Vou comer um pedaço da sua torta — anunciei, pegando o salgado na geladeira e localizando um prato e talher. Eu era folgada, mas também era de casa, Rosalie e eu nos conhecíamos desde que fomos obrigadas a dividir o quarto na faculdade, nós sabíamos tudo uma sobre a outra e tínhamos liberdades entre a gente.
— Claro, engorde junto comigo. — Ela sentou em um dos bancos ao redor do balcão. — Então, como foi em Forks?
— Uma droga — confessei. — Ângela, papai, todos eles parecem que pararam no tempo, mas eu realmente não quero falar sobre isso. — Enchi minha boca de comida.
— Okay. — Voltou a comer também.
— Onde está o Emm?
Eu aprendi logo que conheci Rosalie que ela e Emmett eram praticamente um só. Namorados desde o começo do colegial, onde se conheceram, eles estavam sempre juntos e, me adotaram ao par que faziam, nos transformando em um trio. Ele era como um irmão e, ela uma irmã. Deus que me perdoe, mas eu preferiria Rosalie a Ângela, seria mais fácil.
— Foi ajudar a mãe dele com a mudança de uns moveis na casa dela — respondeu. — Nós estamos pensando em começar a trabalhar no quarto do bebê, alias, você como madrinha deve participar.
— Sim! — exclamei empolgada, parecendo muito com Dakota. — Sim, sim. O que eu devo fazer? Vocês não acham melhor esperar até termos ideia do sexo? Ou vão seguir algo mais neutro?
— Devemos descobrir em um mês, mais ou menos. — Rose deu de ombros. — Até lá queremos começar a pensar em ideias e, pesquisar os melhores produtos.
— Eu estou tão animada, eu mal posso acreditar que em alguns meses teremos um bebê entre a gente. Irei mimá-lo tanto.
— Não estrague meu filho, Bella — pediu brincando, todos nós sabíamos que aquele bebê mal sairia da barriga de Rose e já seria a criança mais mimada de todas.
— Tarde demais, eu o estragarei absurdamente — afirmei. — É filho, ou filha, dos meus melhores amigos. Impossível não mimá-lo. Quem sabe eu procure um advogado para discutirmos dividir a guarda do bebê ser compartilhada entre vocês dois e eu.
Rosalie riu alto.
— Você será a melhor madrinha para esse bebê.
— Pode apostar que sim — disse em tom de promessa. — Mas, até lá sou a madrinha de casamento, então estava pensando em agradar o casal que eu vi casar e ir com eles em um bar, o que acha?
O rosto dela se iluminou imediatamente.
— Sério? Vamos sair e nos divertir? Eu não aguento mais só sair para o trabalho e consultas.
— Bom, hoje será sua grande noite de diversão, coloque um vestido sexy e saltos e vamos cair na noite. — Pisquei para ela.
— Eu não posso usar salto — ela reclamou.
— Sua melhor sapatilha, pouco importa. Emmett e eu vamos beber e, você irá exibi-lo para todas no bar.
— Ah, eu te amo! — Rosalie comemorou, saindo do seu banco e vindo se afundar nos meus braços.
— Oh Deus, esse bebê está mexendo com sua cabeça! — murmurei perplexa. — Rosalie Hale-McCarty não dá abraços.
— Cala a boca! — Ela fungou, afastando-se de mim com os olhos molhados. — Mas, sim, eu estou fodidamente sentimental com a gravidez, é o pior de tudo, Emm tem usado isso constantemente para me provocar.
— Maldito Emmett! — brinquei, vendo a voltar a sorrir. — Okay. — Enchi minha boca com mais comida. — Eu adoraria ficar aqui por mais tempo, mas preciso mesmo descansar da viagem um pouco antes de irmos para o bar.
— Claro, você tem algum em mente?
— Não, apenas decida isso com Emm e me mande uma mensagem avisando da escolha de vocês.
— Okay — ela concordou. — Vamos pegar as coisas da Lady.
Nós duas rapidamente recolhemos tudo da gatinha persa, que não gostou muito de ser acordada, mas acabou aceitando, então levamos toda sua tralha para o carro. Colocando tudo no banco de trás, incluindo uma inquieta Lady em sua casinha de transporte.
— Nossa, Bella, quantas vezes você já leu Laranja Mecânica? — Rose perguntou vendo o livro sobre minha bolsa no banco do carona. Enquanto eu era a garota das letras, Rose era a garota dos números, sendo engenheira e tudo mais.
— Ei, eu não li tanto assim — resmunguei. — Essa edição foi um presente, por isso estou relendo.
— Ora, ora, de quem você tem ganhado presentes, Bella? — Sorriu maliciosamente.
— Credo, Rosalie, você sempre leva tudo a questões sexuais?
— Foi assim que acabei grávida. — Afagou gentilmente sua barriga.
— Não é nada disso, eu ganhei o livro de um aluno.
— Ai, ninguém merece — Rosalie resmungou. — Eu já estava quase propondo que você levasse o cara do presente para o bar com a gente. Mas, tudo bem, agora que está estabelecida em Seattle por completo, iremos cuidar de arranjar um cara para você.
— Isso realmente não me parece má ideia, mas não leve ninguém de surpresa para o bar hoje, okay? Quero realmente me divertir, não ir a um encontro que pode acabar sendo uma grande furada.
— Pode deixar, será apenas nós três. Dirija com cuidado.
— É tão bom saber que você se preocupa comigo. — Contornei o carro e entrei no banco do motorista.
— Na verdade eu me preocupo com Lady — ela falou debruçada sobre a janela do carona.
— Vá se foder.
— De novo, foi assim que terminei grávida.
Gargalhei, ligando o carro.
— Adeus Rose.
— Até mais tarde! — Ela se afastou acenando.
***
Emmett escolheu um bar que íamos quando estávamos na faculdade, alegando que queria se sentir jovem depois de sua mãe encontrar um cabelo branco em sua cabeça naquela tarde. Eu concordei, mesmo que fosse perto demais do campus, não seria como se eu estivesse indo cometer algum crime, então depois de me certificar de que Lady tinha tudo que precisaria enquanto eu estivesse fora, sai.
Estava usando um vestido verde com estampa de onça que tinha ganhado de Rosalie no último natal e, saltos altos, os maiores que encontrei em meu armário, pretos. Meu cabelo tinha sido devidamente lavado e escovado, então acentuei as ondas naturais com um pouco de babyliss, os deixando soltos.
Peguei meu carro, porque era isso, eu era contra as leis de vez em quando e, dirigi até o bar. Cheguei logo depois de Emmett e Rosalie, ele estava usando jeans e camiseta preta grudada aos seus músculos conquistados com horas e horas de academia e, Rose um vestido preto que disfarçava um pouco sua barriga já saliente de fim do terceiro semestre de gestação.
— Você veio para matar! — Ela aprovou quando me uni a eles na mesa que tinham escolhido, no canto do bar, onde tínhamos um pouco mais de privacidade e bancos estofados para sentar.
— Sempre. — Sorri, tomando um lugar. — Olá Emmett, fiquei sabendo que você está ficando grisalho.
— Eu não estou ficando grisalho — ele reclamou, mexendo-se desconfortavelmente, parecendo uma criança emburrada, sua covinha aparecendo enquanto fazia careta.
— Acho que ele ficará careca, então não terá tempo de ter cabelo grisalho — Rosalie disse, rindo alto quando viu a cara indignada do marido em sua direção. — Foi uma brincadeira, amor. — Beijou a bochecha dele.
— Vou buscar as bebidas — falei ficando de pé, sentindo minha boca seca. — Rose você tomará água, mas e você, careca? — perguntei a Emmett, que revirou os olhos castanhos, passando a mão pelo cabelo escuro curto para se certificar de que eles estavam ali.
— Cerveja.
— Vejo vocês em breve. — Segui meu caminho até o balcão do bar, que estava cercado, mas foi fácil furar caminho até mais perto.
Parei quando vi um amontoado bagunçado de cabelos cobres em um cara alto demais, mesmo de costas era fácil reconhecê-lo.
— Olá Edward! — chamei por ele.
Vi o garoto girar para ficar de frente para mim, seu rosto preso em uma expressão surpresa e, ele podia estar um pouco corado, era difícil de ver com precisão com a luz fraca do bar. Mas, não foi difícil ver seus olhos percorrendo meu corpo e, fui eu quem se surpreendeu com a ousadia dele.
— Senhorita Swan, ei, oi — falou nervoso quando seus olhos voltaram para meu rosto.
— Você não deveria estar aqui, não é? Já tem 21? — perguntei.
— Não até junho do ano que vem — resmungou, seus lábios se apertando em uma linha fina.
— Ah, identidade falsa? Eu não sinto falta disso. — Roubei o que era o lugar dele antes perto do balcão. — Hey, o que eu preciso para você me atender? — falei com um barmen loiro ali, sentindo os olhos do cara focados em minha boca.
— Olá gatinha, com o que posso ajudá-la? — Ele sorria maliciosamente, mas aquilo não me atingiu em nada.
— Você pode começar me dando uma garrafa de água e duas cervejas, que tal? — Pedi, incluindo uma piscadela para fazê-lo ser rápido, eu precisava beber e ir me divertir um pouco.
Ele rapidamente foi buscar minhas bebidas, enquanto Edward continuava ao meu lado, começou a falar algo, mas logo o barmen voltou com meus pedidos, o que fez ele se interromper.
— Precisa de ajuda até sua mesa, gatinha? — o barmen perguntou.
— Eu dou conta. — Peguei tudo sem problemas, eu já tinha segurado muito mais garrafas do que aquilo, ele realmente pensava que eu era uma inexperiente? — Você pode ajudá-lo, agora, que tal? — Apontei com a cabeça para Edward, que antes parecia estar tendo problemas para ser atendido. — Aceite isso como a troca pelo livro, você morreria esperando. — Sorri brevemente para o Cullen, não esperei ele falar nada, então voltei para Emm e Rose.
— Finalmente, eu estava morrendo de sede. — Rosalie pegou sua água, tomando metade da garrafa de uma só vez.
— Sua boca faz um bom trabalho, não é, querida? — Emmett perguntou a ela, fazendo com que eu revirasse os olhos para o inicio do flerte dos dois.
— Espere mais tarde para ver melhor. — Ela sorriu para ele, lhe dando um beijo rápido. — Eu preciso ir ao banheiro, o bebê usa minha bexiga como trampolim. — Rose deixou seu lugar.
— Quer que eu vá com você? — indaguei.
— Não, fique de olho em Emmett para nenhuma vagabunda tentar tocar nele. — Ela me empurrou para o lado de Emmett, fazendo com que eu me sentasse ali. Não sabia como Rosalie podia ser insegura consigo mesma, Emm nunca tinha olhos para nenhuma outra mulher, mas ela sempre me mandava ficar de olho nele.
— Ela é louca. — Emmett riu quando Rosalie se afastou.
— Só descobriu isso agora? Lamento muito.
Emmett gargalhou, batucando os dedos atrás de mim, uma vez que seu braço estava sobre o estofado acima do lugar antigo de Rose.
— Hey, olhe ali, ela claramente não sabe que o cara é gay — sussurrou para mim, apontando discretamente para algumas mesas a nossa frente. Um grupo de quatro pessoas bebiam e, tinha essa garota morena que estava rindo demasiadamente para um garoto e, passando a mão no braço dele a todo instante, mas ele não podia estar ignorando-a mais, conversando com entusiasmo com o outro garoto ali.
— Coitadinha. — Sorri, bebendo um pouco de minha bebida. — Não ria, Emm, ela terminará a noite chorando e se perguntando porque ele não deu bola para ela.
— Ai que está, ela não tem bolas, ele não ligaria para ela. — Eu ri de sua piada ridícula e, ele riu também, bebendo sua cerveja.
Rosalie apareceu logo depois, reclamando que teve que empurrar um par de garotas para poder conseguir pegar um lugar no banheiro. Deslizei de volta ao meu lugar, deixando-a se encaixar sobre o braço do marido.
Emmett calou Rosalie, que ainda reclamava, com um beijo. Se ele não tivesse feito isso eu iria enfiar minha mão na boca dela, então a alternativa dele foi muito menos agressiva.
Senti alguém me observando, então varri meus olhos sobre o bar, deparando-me com Edward do outro lado do salão, seu olhar preso em mim. Sorri e acenei para ele, rapidamente ele devolveu os gestos.
Observei sua mesa, Tanya estava sentada ao lado dele e, conversava com outra garota e, havia mais um casal junto, que como Emmett e Rose estavam se agarrando. Ele continuava me olhando, mais do que eu achava normal, quando desviei meus olhos para minha cerveja.
— Quem é aquele? — Ouvi a voz de Rosalie em meu ouvido.
Rapidamente vi que ela tinha seus olhos voltados para Edward também.
— É um aluno, acho que não foi boa ideia ter vindo aqui, esse lugar deve estar cheio deles — resmunguei. — Mas, espero que esteja se sentindo mais jovem, Emm — o provoquei.
— Ele é quente! — Rosalie exclamou, ainda olhando para Edward, mas ele tinha desviado o olhar para Tanya e ria com ela de qualquer coisa.
— Ei! — Emmett exclamou.
— Rosalie, ele tem vinte anos, deixe de ser uma pervertida — falei incrédula.
— Estou apenas constatando os fatos — respondeu de Emmett para mim. — Esses garotos de faculdade continuam muito bons. Vai dizer que não o acha quente? — me questionou.
— Não, ele é meu aluno.
— Bom, do modo que ele estava te olhando eu posso dizer que o garoto está pouco se importando com isso — falou, um sorriso travesso crescendo em seu rosto.
— Rose, você não tem limites. — Passei a mão pelo cabelo.
— Foi ele quem te deu o livro, não é?
— Foi, mas só porque ele trabalha em uma livraria e descobriu que meu aniversário tinha acontecido alguns dias antes. É apenas isso, pare de ser uma viciada que vê sexo em tudo — pedi séria.
— Eu não sei se concordo com esse pedido — Emmett se intrometeu. — Realmente gosto de Rosalie ser uma viciada em sexo.
Nós duas rimos, deixando o assunto anterior para trás com facilidade.
***
Foi uma boa noite, pudemos conversar e nos divertir, cumprindo meu propósito de deixar para lá toda a merda que foi em Forks. Eu não precisava me preocupar com tudo que meu pai e Ângela disseram, eles algum dia iriam perceber o quanto me machucavam, até lá eu iria continuar minha vida.
— Você tem certeza de que consegue dirigir? — Emmett me perguntou quando saímos do bar.
— Claro — respondi animada. — Eu só bebi cerveja, não estou porre.
Eu realmente não estava, não muito, apenas empolgada demais, o que sabia que iria me fazer ficar sem sono pelo resto da noite e, prejudicar minha manhã no dia seguinte. Mas, eu não podia me importar menos.
— Como se você não soubesse que Bella dirige melhor bêbada — Rosalie falou, lançando um olhar de nojo a uma mulher que passou por nós olhando para a bunda de Emmett. — Vamos cair fora, McCarty, essas vadias não tem respeito algum por homens acompanhados.
— Você não precisa proteger minha pureza — ele falou. — Até mais Bella, nós estacionamos na rua da frente.
Fiz um sinal positivo para eles, indo em direção a rua paralela a que o bar ficava, onde tinha largado meu carro. Entrei nele, jogando o livro que tinha ganhado de Edward sobre o painel, enquanto vasculhava minha bolsa atrás de qualquer coisa comestível, estava morrendo de fome.
Não encontrei nada ali além de uma barra de cereal velha, então comecei a dirigir, querendo chegar de uma vez em casa e poder comer algo.
Estava passando na frente do bar, quando avistei Edward parado na frente, sozinho e, parecendo irritado, enquanto desligava seu celular, o enfiando no bolso da calça. Antes que eu pudesse me deter, ou pensar no que estava fazendo, parei meu carro na entrada do bar, bem onde ele estava, abaixando a janela do carona para que ele pudesse me ver.
— Hey, você está com problemas, Cullen? — perguntei, enquanto seu rosto surpreso aparecia na janela.
— É, mais ou menos — falou baixo, mas fui capaz de ouvi-lo. — Estou sem carro e, dinheiro, vou ter que esperar um amigo vir me buscar.
— Vamos, eu te deixo em casa. — Estiquei minha mão, abrindo a porta do carona.
— Você está falando sério? — perguntou em choque, agarrando a porta, olhando de mim para o banco do meu carro de olhos arregalados.
— Claro que estou. — Joguei minha bolsa para o banco de trás. — Entre logo! — ordenei.
Ele engoliu em seco, enquanto se colocava no banco do carona, fechando a porta e com agilidade colocando o cinto.
— Qual seu endereço? — perguntei, já botando o carro em movimento, mas logo ficando presa atrás de uma fila de carros que deixavam a área do bar, que era cercado por outros bares e restaurantes.
— Edifício Tower — respondeu, pigarreando. — Fica perto da faculdade.
— Ah, eu sei onde fica. — Meti a mão na buzina, para que um grupo de garotas se apressassem a entrar no carro a minha frente, uma vez que estavam retardando a fila mais ainda. — Eu quase morei lá, mas o aluguel era um grande absurdo na época.
— É em conta agora — ele murmurou, virei para Edward, vendo seu olhar preso no livro que tinha me dado sobre o painel.
— É um grande livro, muito obrigada pelo presente, Edward — agradeci mais uma vez.
Seu rosto virou para mim e, ele tinha um sorriso de lado estampado ali.
— Fico feliz que tenha gostado, senhorita Swan.
— Bella, não estamos na universidade. — Dei de ombros.
— Okay, Bella. — Sua voz tinha um tom estranho ali, mas eu tinha voltado minha atenção para a fila de carros, buzinando mais uma vez, antes do trânsito finalmente andar. — Gostei do seu carro. — O ouvi dizer.
— Eu amo meu Audi. Foi um roubo, mas nós nos apaixonamos no momento que o vi na concessionária. — Edward riu baixinho. — Você pode ligar o som? Já, tem um cd ai dentro.
— Você ainda usa cd? — Ouvi sua voz confusa, enquanto ligava o som como pedi.
— Eu sou uma garota antiga.
Ele bufou, mas não disse nada, curiosa olhei para ele, enquanto lidava com o som de cabeça baixa. Logo a voz de Frank Sinatra soava por todo o carro.
— Viu? Eu disse, uma garota antiga — brinquei.
— Sinatra não é antigo, é um clássico, isso é diferente.
Aproveitei o sinal vermelho em meu caminho para olhá-lo mais uma vez, estava de volta a sua posição inicial, as costas eretas grudadas ao banco, enquanto sua cabeça apoiada no encosto, olhos muito bem fechados. Usava uma camiseta branca sem estampa, com a mesma jaqueta de couro preta da primeira aula, jeans escuros que se agarravam as suas coxas grossas.
Amaldiçoei Rosalie por ter dito que Edward era quente, porém tive de concordar com ela. Mas, prometi a mim mesma que era apenas o álcool todo da noite falando mais alto do que minha consciência.
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