Dez Anos
22 Capítulo Vinte e Um
Notas iniciais
Capítulo Vinte e Um
Isabella Swan
Eu adorava Lady, mas apenas a companhia dela não estava sendo suficiente para mim naquela noite de sábado. Com Rosalie e Emmett fora da cidade, Edward ocupado e nenhum outro amigo que eu realmente quisesse ver, tudo que me restou foi me refugiar em minha biblioteca e divertir-me com meus livros.
Porém, assim como Lady, Mr. Darcy entre outros não estavam sendo de muita ajuda. E, no fundo eu sabia que mesmo se Emm e Rose não estivessem em Portland, nem eles iriam ser suficiente, eu queria estar com Edward.
Depois que ele rompeu por minha porta na noite passada, ficando ao meu lado naquele momento tenebroso, ter ele por perto conseguiu me dar um pouco de paz para passar pelo resto do aniversário de Renée sem desmoronar. Eu não me sentia calma naquela data após a morte dela nem mesmo quando Mike e eu estávamos juntos, nem quando estive na Inglaterra e Rosalie foi me visitar no dia para que não ficasse sozinha e fomos a vários pubs.
Edward acalmou a dor em meu peito, a dor que iria voltar em alguns meses quando fosse aniversário de morte dela. Eu não estava mesmo esperando pelo próximo verão, mas talvez se ainda tivesse Edward por perto eu poderia passar pelo 23 de julho como passei pelo 28 de outubro.
Larguei O Morro dos Ventos Uivantes de lado, sem vontade até mesmo de ler aquele livro. Apenas continuei sentada no sofá da biblioteca, afagando o pelo branco de Lady, que já dormia em meu colo.
Por um momento minha mente desviou de Edward para Tanya, não que um fosse muito distante do outro. Na verdade, conhecendo mais dele e por tabela mais dela, eu podia notar as linhas invisíveis que os uniam. O que me fazia sentir estúpida por antes pensar que eles podiam estar envolvidos de qualquer forma sexual, ou romântica. Tinha todo tipo de proteção e cuidado ali que tinha entre Rose e eu.
Na quinta-feira, no momento que vi Tanya chorando ao cruzar o corredor da minha sala eu soube que algo sério tinha acontecido. Então, foi como ver a própria Rosalie mal e todos meus sentidos de amiga gritaram para trazê-la até meu escritório e confortá-la um pouco que fosse.
Eu a mantive por um tempo comigo, a ouvindo contar toda sua história, entre lágrimas e dor. E, quando ficou mais calma, a pergunta surgiu.
— É errado ser gay, Bella?
Fiquei feliz por ela não ter me tratado ali como a senhorita Swan, reforçou que ela confiava em mim como já confiava nela.
— Tanya. — Eu me aproximei dela, segurando em suas mãos. — Não há nada de errado em ser gay. Minha mãe me disse uma vez que nós devemos nos amar do jeito que somos. Então, se você se ama do jeito que é, Tanya, isso é o que verdadeiramente importa.
Eu despertei dos meus pensamentos ao ouvir a campainha tocando, sabendo que não era possível Emm e Rose já terem voltado de Portland sendo que nem duas horas atrás eles disseram estar saindo para jantar em algum lugar da cidade, presumi que fosse Edward. O que também me confundiu, pois pelo horário ele devia estar jantando com a família de Tanya, mas ele ainda era a única pessoa além dos meus amigos que tinham passe livre para meu apartamento.
Deitei Lady no sofá, varri seus pelos da camiseta que usava, então segui até a porta. Com uma rápida espiada no olho mágico vi não apenas Edward, mas Tanya também e, droga, ela estava com um aspecto péssimo.
— Olá, eu...
— Tanya, o que aconteceu? — ignorei a fala de Edward, segurando-a pelo braço e a puxando para dentro, deixando que ele cuidasse da porta.
— Eu contei aos meus pais minha orientação sexual, eles me consideram uma aberração.
— Bebida? — Edward cantou se dirigindo a porta da cozinha.
— Vodca pura — Tanya pediu, deixando com que eu a sentasse em um sofá da sala.
— Desculpe, querida. — Estalei a língua. — Só tenho vinho e cerveja.
— Oh Deus, fica cada vez pior — Tanya choramingou. — Vinho, taça cheia — respondeu a Edward, que entrou na cozinha para buscar a bebida. — Desculpe vir até aqui atrapalhá-la, mas não queria ir para casa e, Jasper e Alice estão no apartamento de Edward, eles me encheriam de perguntas que ainda não quero responder. Nós iríamos a um bar, pois eu definitivamente tenho de encher a cara, mas estávamos sem nossas identidades falsas, então ele me trouxe aqui. Culpe-o.
— Não vou, você pode vir aqui, Tanya. — Sentei ao lado dela, Edward voltou da cozinha segurando uma garrafa de cerveja, uma de vinho e apenas uma taça já abastecida. — Eu fui excluída? Muito obrigada — dramatizei.
— Não, isso é seu — Edward falou, entregando-me a taça, passando a garrafa de vinho para Tanya, que imediatamente levou o gargalo a boca. — Não se preocupe — disse ao ver meu olhar chocado diante a cena. — Ela vai ficar bem depois que encher a cara e chorar por um par de horas. Vou levá-la para casa depois.
— Tudo bem. — Bebi um pouco do vinho na taça, ouvindo o choro de Tanya começar. — Ah querida, não, não chore. — A puxei para meus braços, afagando suas costas.
Edward sentou sobre minha mesinha de centro, segurando nos joelhos de Tanya.
— O que mais eles falaram? — perguntei aos dois, Edward engoliu em seco.
— Acho que os olhares foram piores do que tudo que disseram — murmurou, enquanto Tanya continuava chorando em meu colo. — Vai ficar tudo bem, T — falou para ela carinhosamente. — Eles irão se acalmar e repensar tudo isso, vocês irão se acertar com o tempo.
Eu nem precisava conhecer muito de Edward para saber que nem mesmo ele acreditava em sua própria afirmação, estava claro.
Tanya apenas voltou a beber, tomando muito do vinho de uma só vez que a fez engasgar.
— Okay, chega para você! — ordenei tirando a garrafa da mão dela. — Vocês chegaram a comer algo no jantar? — Os dois assentiram. — Ótimo, acho que precisa descansar um pouco, Tanya. — Levantei, a colocando sobre seus pés.
— Sim, eu vou levá-la, desculpe ter aparecido do nada, Bella — Edward disse, deixando a mesinha.
— Não, ela fica e você também.
— Eu fico? — Tanya perguntou chocada, parecendo sair de um transe.
— Sim, há um quarto de hospedes. Busque alguma roupa minha para ela usar — pedi a Edward.
— Isso é quente — Tanya cantarolou.
— E você está alta. — Eu ri, ajudando-a chegar até o quarto de hospedes.
— Você precisa de ajuda? — Edward perguntou quando chegou lá com as roupas.
— Não, saia! — Tanya respondeu por mim.
Edward bufou, saindo.
— Sou toda sua, senhorita Swan.
— Desculpe, Tanya, eu só posso transar com um aluno por vez — brinquei, fazendo com que ela gargalhasse.
A ajudei a se livrar do vestido, das joias e sapatos, a colocando nos shorts e regata que Edward trouxe. Obviamente minhas roupas ficaram apertadas em Tanya e em seu corpo completamente curvado e delineado.
Maldito seja os vinte anos.
Ela já estava apagada quando a deitei na cama, sem me cansar um pouco que fosse com a tarefa noturna. Por vezes tinha feito aquilo com Rosalie durante algum porre mais sério do lado dela, ela comigo, provavelmente nós conhecíamos o corpo da outra tão bem quanto os nossos.
— Ela dormiu. — Encontrei Edward na sala, sentando ao seu lado no sofá. — Você está aqui? — perguntei quando ele continuou encarando o chão.
— Sim, estou apenas pensando em minha mãe.
— Por que exatamente?
— Ela era uma das pessoas de olhares sombrios naquela mesa, Isabella.
Foi a primeira vez que meu nome completo em sua voz saiu assustador, não sexy ou provocativo.
— A forma como ela olhava para Tanya, eu pude sentir toda a reprovação e desprezo. — Suspirou, sem tirar os olhos do chão.
— Você está pensando nela te olhar assim — murmurei, ele por fim me olhou, concordando com um aceno de cabeça. — Ela provavelmente vai, você sabe. — Senti as lágrimas em meus olhos.
— Ela vai? Isso é você dizendo que realmente vamos assumir isso ao mundo algum dia?
Toquei em seu rosto, pensando em como ele tinha ficado ao meu lado no dia anterior.
— Acho que sim.
— Acha? Bella, por favor...
— Não vamos ter essa conversa agora — pedi, tocando em seus lábios. — Foi uma noite complicada para você por conta de Tanya, não perturbe ainda mais sua cabeça.
Ele fechou os olhos, assentindo.
— Sim, presumo que esteja certa quanto a isso, eu realmente posso ficar?
Seus olhos voltaram a se abrir e o tom intenso de verde invadiu minha visão.
— Sim, não só para dormir. Sabe, meu apartamento tem paredes grossas, nem mesmo sóbria Tanya seria capaz de ouvir qualquer coisa.
Ele riu, apertando seus lábios na minha testa.
— Ah não ser que eu a faça gritar.
Engasguei-me ao pensar na conversa que tive com Rosalie em setembro sobre gritos e cara certo.
— Tudo bem? — ele perguntou.
— Apenas me beije — exigi.
***
Tanya e Edward deixaram meu apartamento no domingo de manhã, ela ainda estava mal, mas me agradeceu por tudo, mesmo que eu tenha dito que não fiz nada além de lhe ceder meu vinho e deixá-la dormir em minha cama de hospedes por uma noite. Eu a deixei saber que podia contar comigo para o que fosse preciso, sabendo que aquela fase em sua vida não seria a das mais fáceis com o visível repúdio dos próprios pais.
Eu estava corrigindo a prova de Edward mais tarde naquele dia, um teste que ele certamente não tiraria uma pontuação tão boa por questões em branco, quando meu celular tocou. O atendi rapidamente e distraidamente.
— Oi.
— Bella.
— Por Deus, Mike — falei irritada. — O que você quer?
— Conversar, Bella, eu te liguei na sexta-feira pois sabia que era um dia importante para você, mas recusou todas minhas ligações — ele disse.
— Obrigada por ter se importado e ligado para mim todas as cem vezes na sexta-feira, Mike — não contive o deboche em minha voz. — Mas, eu realmente não preciso de sua piedade, ajuda ou qualquer coisa dessas.
— Bella, por favor. Um almoço que seja entre nós dois, é tudo que peço. Eu posso levar comida até seu apartamento.
Agradeci aos céus por nunca ter compartilhado com ele minha nova localização, sendo sincera agradeci por nunca ter dito sequer a minha família onde era meu novo endereço. Meu pai provavelmente não diria, mas Ângela não hesitaria em contar a Mike onde ele poderia me encontrar, a visita dele ao meu escritório na universidade ainda era algo que me atormentava.
— Eu estou com alguém, Mike — falei, lendo o nome de Edward sobre sua prova. — Eu segui em frente, siga você também — aconselhei. — Nós fomos amigos, namorados e casados, lamento tudo ter acabado da forma que acabou, mas esta é nossa realidade agora e devemos respeitá-la. Talvez em circunstâncias completamente diferente pudéssemos retomar ao posto de amigos, mas eu não acho que seja uma boa ideia.
— Nunca vou deixar de amá-la, Bella. Todos meus votos foram sinceros.
— E ainda assim você deixou com que Oxford fosse maior que nós dois.
Me dei conta de minhas palavras, eu nunca tinha dito a Mike que ir para Inglaterra significava o nosso fim. Era só um ano longe, eu voltaria e tudo ficaria normal novamente. Não fui eu escolhendo entre ele e minha carreira, ele escolheu primeiro por mim me dando ultimatos egoístas.
— Nós podíamos ter dado certo, Mike, eu realmente te amava.
— Você ainda ama?
— Não, não amo — afirmei, certa das minhas palavras.
— Ama o novo cara?
Prendi minha respiração.
— Eu gosto dele.
— Isso não quer dizer que o ama. — Mike rosnou. — Você sabe onde me achar quando parar de foder com quem quer que seja seu cara. — Ele desligou antes que eu pudesse dizer qualquer coisa.
Tentei retornar a correção da prova, mas a cada palavra de Edward ali só conseguia pensar nele. Recuperando meu celular lhe enviei uma mensagem.
Bella: Eu gosto de você, Edward.
Sua resposta não demorou muito a vir.
Edward: Eu gosto de você também, Bella.
Sabia que não era o suficiente para ele, não ainda. Mas, sendo justa com todos seus esforços, eu tinha de confessar estar mais perto do que ele realmente queria ouvir.
***
Minha primeira reação ao vê-lo ali foi de choque, sendo substituída em seguida por felicidade. Era uma segunda-feira e eu não esperava vê-lo aquele dia. Nós tínhamos ficado juntos no último sábado, até mesmo jantamos com Tanya em meu apartamento para que ela se distraísse da festa que seus pais estavam dando aquela noite como se nada estivesse acontecendo.
Ela dizia que estava indo bem durante aquela semana que sucedeu sua revelação, mas eu podia ver em seus olhos a magoa por não ser aceita por aqueles que deveriam estar sempre a apoiando.
— O que está fazendo aqui? — perguntei a Edward, que estava sentado no corredor, diante a porta do meu apartamento, rabiscando no que eu sabia ser seu livro.
— Ei, eu não te vi chegar — falou, sorrindo a levantar o olhar para mim, recolhendo sua mochila do chão e ficando de pé. — Eu pensei em fazer uma surpresa, não vou ter aula amanhã, meu professor quebrou a perna, coitado. — Não tinha qualquer pena em sua voz, o que me fez rir, enquanto remexia em minha bolsa atrás das minhas chaves. — Então, dirigi até aqui para saber se me aceitaria por uma noite. — Piscou para mim. — Mas, obviamente cheguei mais cedo do que você.
— Eu me prolonguei com algumas orientações — falei exausta. — Jacob Black estava muito interessado em literatura hoje — resmunguei, indo ao chão para apoiar minha bolsa lá e caçar por minhas chaves na bagunça que minha bolsa se encontrava.
— Jacob é desprezível. — Edward se agachou comigo, me ajudando, rindo quando viu as camisinhas ali. — Isso é interessante.
— Isso se chama ser precavida — o corrigi, rindo também.
— Olá Bella! — Segui a voz doce, vendo minha vizinha da frente caminhando pelo corredor. Era uma senhora de mais de sessenta anos, que morava sozinha.
— Olá senhorita Pritcher! — Sorri para ela, Edward balançou o chaveiro diante minha cara, nos deixando ficar de pé novamente.
— Este é seu irmão, querida? — ela me perguntou, olhado rapidamente para Edward ao meu lado.
— Não — nós dois respondemos juntos. — Eu sou um amigo da família de Bella.— Notei a melancolia em sua voz quando Edward completou, o que realmente me fez sentir terrível. Não apenas por ele, mas por nós dois.
— Boa noite, nós precisamos entrar agora — falei para ela, abrindo a porta para que Edward e eu entrássemos. — Desculpe por isso — pedi quando ficamos sozinhos no interior do meu apartamento.
— Não é sua culpa — Edward disse, sequer me olhando enquanto tirávamos nossos casacos e colocávamos nossas bolsas no armário ali.
— É sim. — Parei suas mãos, fazendo com que ele me olhasse. — É minha culpa não podermos sair desse apartamento e dizer as pessoas que estamos juntos, você já teria contado a todos caso não fosse por mim. Desculpe-me por isso, por nos esconder, eu não gosto disso também, mas ainda não estou pronta para deixar isso vir à tona.
— Bella, eu sei disso tudo, realmente não quero me desgastar agora. Vamos só passar por isso e ficar um tempo juntos.
Tirei minhas mãos dele, pegando o chaveiro na porta. Eu tinha uma chave extra ali, então a saquei do meio de todas as outras.
— O que isso significa? — perguntou quando estendi a peça de cobre a ele.
— Não significa que eu estou querendo que tenha uma chave para quando me visitar não espere no corredor e levante quaisquer suspeitas — esclareci, vendo em seus olhos que era exatamente aquilo que ele pensava. — Significa que eu quero que você possa estar aqui comigo quando quiser. Que eu o quero comigo, Edward. Não posso lidar mais nada além disso agora, eu lamento. — As lágrimas estavam em meus olhos no instante seguinte. — Mas espero que aceite o mínimo que estou lhe dando, significa muito para mim, espero que signifique para você também.
Ele envolveu seus dedos ao redor da chave, tirando seu próprio chaveiro do bolso e colocando-a ali.
— Eu estou sempre perdendo minhas chaves — sussurrou, seus olhos voltando aos meus. — O que nos faremos quanto a isso?
— Eu lhe darei uma cópia nova a cada chave perdida — prometi, Edward se aproximou mais de mim, colocando-me entre a porta e seu corpo.
— Faça amor comigo, Bella — pediu, seus lábios chocando-se contra os meus. — Seja minha.
Eu o guiei até o meu quarto, nossas roupas deixando nossos corpos o mais rápido foi possível, espalhando-se pelo piso. Então, nós estávamos sobre a cama, nos entregando a todo o desejo.
Foi diferente, eu realmente não fiz apenas sexo ali. Foi lento, silencioso e barulhento ao mesmo tempo.
A cada olhar que trocávamos eu podia ouvir as minhas palavras e as dele não ditas soando no silêncio. A cada toque eu o queria mais, mas nos refreava o máximo para aproveitar o momento e prolongá-lo, querendo mais e mais de Edward.
Quando acabou nós nos mantivemos em silêncio, apenas deitados de frente para o outro na cama. Edward dormiu primeiro, comigo percorrendo meus dedos por seus cabelos mais bagunçados do que nunca.
Eu me aproveitei do silêncio para finalmente dizer:
— Eu já sou sua, Edward.
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