Dez Anos
30 Capítulo Vinte e Nove
Notas iniciais
Capítulo Vinte e Nove
Isabella Swan
Ainda estava naquela cafeteria, no começo da madrugada de terça-feira, quando eu soube qual seria minha escolha para a proposta descabida de Esme. Como se ela pudesse dar as cartas em minha vida, minhas decisões, ela poderia me ferrar o quanto quisesse, mas eu não me deixaria ser chantageada por aquela mulher, por mais que no fim nós duas estivéssemos em busca de algo, a segurança de Edward, não desceria tão fundo.
Peguei minha bolsa na cadeira ao lado, levantando abruptamente da mesa, a xícara de café que foi abastecida durante aquele dia inteiro bateu contra o porta lenços, metal e porcelana chocando-se, emitindo um som alto no meio da cafeteria silenciosa devido o horário.
— Senhora, senhora, senhora espere! — um grito apressado soou quando cheguei a porta do estabelecimento, virei-me em direção ao som, vendo uma garçonete correr até mim com um pedaço de papel em mãos. — Desculpe — ela pediu sem fôlego devido sua breve corrida. — Você não pagou.
— Claro, desculpe-me — falei constrangida, buscando por dinheiro em minha bolsa, entregando algumas notas a mais do que eu achava que seria realmente necessário para pagar só meu café diário. — Escute, você tem namorado?
Ela me olhou confusa, mas assentiu.
— Sim, Dylan.
— Você o ama?
A garota, que devia ter menos de vinte e cinco, olhou ao redor como se pudesse encontrar câmeras de uma pegadinha lhe gravando ali.
— Amo?
— Se você o ama, não deixe que ninguém interfira nisso — declarei. — Pode ser um caos se as outras pessoas se colocarem no caminho de vocês, mas se vocês se amam isso é maior. — Respirei fundo, eu sabia, desde o momento que Esme deu suas opções eu sabia que nunca poderia deixar Edward ir.
Ele não era Mike, a situação não estava se repetindo como antes, era completamente diferente.
Escolher entre Mike e minha carreira foi fácil. Mas, eu não podia priorizar minha carreira daquela vez, não queria. Edward era minha escolha e seria até o fim.
— Okay — a garçonete murmurou ainda confusa com meu papo de pessoa cansada, com grande cafeína no corpo e que tinha tomado a decisão mais importante de sua vida.
Assenti para ela, deixando a cafeteria. Pulei no banco de trás do primeiro táxi que passou por mim, lançando um último olhar a delegacia onde Edward estava. Eu queria vê-lo, queria poder passar aquela noite com ele, mas no dia seguinte ele sairia e então esperaria que mesmo depois de tudo aquilo, ele quisesse continuar junto a mim por mais e mais noites.
***
Foi necessário apertar a campainha apenas uma vez, então a garota loira abriu a porta. Ela não parecia muito feliz em me ver, sendo sincera eu também não estaria se estivesse no lugar dela. Nossa última conversa não tinha sido a das melhores e entendia a raiva dela, eu mesma me odiava por ter duvidado dos sentimentos dele.
— O que quer aqui, Isabella? — Tanya questionou, cruzando os braços.
— Quero que me ajude — sussurrei, jogando a bolsa por cima do ombro.
Já era quase três da manhã, eu tinha passado em minha casa, tomado um banho, cuidado de Lady, enviado um e-mail a faculdade dizendo que me ausentaria por uma semana por problemas familiares, comido qualquer coisa para que não desmaiasse, então peguei outro táxi até o apartamento da Martin para lhe implorar por apoio.
— Diga!
— Você não vai me deixar entrar? — perguntei, eu realmente estava exausta, precisava de um lugar para sentar antes que minhas pernas não aguentassem mais meu corpo pesando.
— Que seja. — Tanya escancarou a porta, deixando-me passar.
Segui até sua sala, já familiarizada com seu apartamento, uma vez que Edward e eu estivemos ali para nosso primeiro encontro. Nós tínhamos até mesmo feito sexo no quarto dela, mas eu não achava que devia compartilhar aquilo e deixá-la mais irritada comigo.
— Vamos, sou toda ouvidos. — Tanya permaneceu de pé, os braços cruzados em defensiva na frente de seu corpo, enquanto eu sentava em seu sofá macio.
— Eu preciso que me ajude a encontrar Edward.
Ela arqueou uma sobrancelha, os braços caindo ao lado do corpo.
— Desde quando vocês precisam de ajuda para se encontrarem? Basta estar do lado de fora daquela delegacia amanhã quando ele for solto.
— Não posso...
— Por quê? Tudo está vindo à tona agora, senhorita Swan — disse brava. — Sério que acha que depois de tudo que aconteceu vocês podem continuar mantendo o namoro de vocês entre quatro paredes? Bom, deixe-me responder, não pode!
— Eu sei que não — levantei a voz para ela, que se encolheu um pouco. — Mas, eu preciso encontrar Edward em segredo, nós dois temos muito o que conversar antes de. — Inspirei fundo algumas vezes. — Antes de Esme descobrir que eu não escolhi desistir de Edward, antes de ela abrir um processo contra mim.
Tanya arregalou os olhos, caindo sentada sobre a mesinha de centro.
— Esme te fez escolher? — perguntou boquiaberta.
— Sim — confirmei. — Entre Edward e minha carreira. Se eu o deixasse ela não abriria um processo contra mim.
— E você o escolheu?!
— Sim, eu o amo!
— Mas você estava tão idiota durante o dia inteiro, questionando se ele te amava de verdade e...O que mudou?
— Nada, eu o amo tanto quanto o amava antes disso tudo, provavelmente um pouquinho mais. Tanya, sei que fui uma péssima namorada durante o dia inteiro duvidando de Edward e dos sentimentos dele, principalmente depois de tudo que ele provou para mim, depois de tudo que ele me fez sentir. — Esfreguei meu rosto repetidamente, lembranças invadindo minha mente. — Mas, foi um dia complicado para mim também. Eu o vi sendo preso, então teve Jasper, Carlisle e Esme, todos são de extrema importância para Edward e na vida dele, eles falaram sempre os pontos em comum, sobre eu estar arruinando tudo. — Solucei. — Eu provavelmente estou mesmo arruinando a vida dele. — Engoli em seco. — Mas não irei sair dela até que ele peça, até que ele queira que eu saia. Não vou desistir, ele não desistiu de mim antes.
— Vou ajudá-la. — Tanya deu um largo sorriso. — Tenho uma divida com você, senão fosse o que disse para mim em sua sala quando vi Leah e a outra garota, eu nunca teria me aceitado de verdade, muito menos contado aos meus pais. Então, sim, eu a ajudarei com Edward até o fim.
***
Não foi a pior noite da minha vida, esta sempre seria quando mamãe morreu. Ainda assim, foi terrível. Passei o resto da madrugada no sofá da sala de Tanya, nós duas preocupadas demais sobre Edward para dormimos. Pela manhã ela foi até ele, buscá-lo como tinha planejado.
Então, ele veio. Parecia tão cansado quanto eu estava, provavelmente mais. Usava calça jeans escura, uma camisa quadricula em tons de azul e all star. Seu rosto estava abatido, os olhos quase se fechando e meio avermelhados, olheiras muito escuras e os lábios sem cor.
Vê-lo, finalmente depois de todo o caos, foi bom, apenas bom. Eu deveria me sentir ansiosa, assustada e nervosa sobre nosso reencontro e tudo que ele traria consigo. Porém, eu só conseguia olhar para Edward e agradecer por finalmente ele estar apenas alguns passos de mim, em segurança.
— O que está fazendo aqui? — perguntou com a voz abafada.
Eu odiei a forma como ele parecia triste.
— Eu te amo, não vou a lugar algum sem você ao meu lado, Edward. Se tenho de escolher, escolherei você todas as vezes.
Ele franziu o cenho, aproximando-se lentamente de mim, confusão tomando seu rosto.
— Eu pedi que meu pai te mandasse sair disso, Bella, não era uma opção entre várias, era a única alternativa.
Foi a vez de sua fala me confundir, mas ele estava tão perto naquele momento que tudo que consegui fazer foi tocar em seu rosto. Ele fechou os olhos, afaguei sua face, sentindo sua barba pinicar a palma da minha mão. Porém, ele estava ali, nada mais importava, apenas que estávamos juntos de novo.
— Bella, você precisa ir — ele murmurou, ouvi o som de choro em sua voz, então vi as lágrimas em seus olhos verdes quando os tornou a abri-los.
— Do que está falando? Por que está me mandando ir embora? — perguntei magoada.
Ele tinha desistido de nós? Ele tinha chegado à conclusão de que não valeria à pena ficar comigo? Que eu era apenas um atraso em sua vida?
Edward tocou gentilmente em minha mão sobre seu rosto, a beijando por um segundo, antes de soltar meu braço no ar.
— Bella, eu preciso que fique segura, que você não tenha sua vida alterada por minha culpa. Você tem sua carreira, é uma mulher fantástica e terá um futuro com tudo que sempre quis, mas eu não poderei te fornecer nada disso. Não passo de um garoto perdido, Bella. — Soluçou. — Estou perdendo tudo.
— Você não está me perdendo! — gritei.
— Bella, eu vou ser julgado em alguns dias, poderei ser preso de novo. Sabe-se lá por quanto tempo, o filho da puta do Black pode não resistir e morrer isso só me dará mais tempo de prisão. Vou acabar sendo expulso da universidade, nunca terei um diploma...
— Vai ficar tudo bem, pense positivo.
— Não posso pensar positivo sobre isso. — Ele expirou alto. — Vá Bella, vá enquanto você ainda pode ser poupada. Eu te amo, eu sempre te amarei, mas não posso deixá-la viver no inferno comigo.
Ele foi até a porta, abrindo-a para mim. Eu apenas segui até ali, batendo a porta com força, fazendo com que ela se fechasse.
— Não!
— Isabella...
— Você não se lembra das palavras de Rosalie quando aceitou ser o padrinho de Noah? Pois, então, deixe-me lembrá-lo, ela disse que você sempre estaria por perto e sei que não é burro, que sabe que ela não estava falando apenas sobre o bebê, como por mim também.
— Como você pode querer qualquer coisa comigo? Eu arruinei minha própria vida!
— E no meu escritório — continuei, sem lhe dar ouvidos. — Depois de lermos a droga daquele regulamento, você disse que passaríamos por tudo isso, juntos, então honre suas promessas, Edward Cullen!
Ele piscou, parecendo acordar de um transe com minhas palavras.
— Nós nos amamos, nós estamos no inferno agora, mas eu prefiro ser expulsa do paraíso ao seu lado do que ficar nele sem você.
Edward segurou em meu rosto com ambas as mãos, então seus lábios chocaram-se contra os meus. Um sentimento gigantesco de felicidade explodiu dentro de mim por ele estar de volta, agarrei-me a ele, prometendo que nunca o perderia, por mais difíceis que as coisas pudessem ficar para ambos.
— Eu posso ser preso de novo — ele disse, mantendo-me contra a parede, sua mão esquerda brincando com a barra da minha camiseta, enquanto a outra mantinha-se em meu rosto, sua testa apoiada na minha.
— Baby, eu também posso. — Ri do humor negro da situação. — Senão formos presos os dois ao mesmo tempo, pelo menos poderemos contar com visita intima. — Edward riu também.
— Você não será presa, isso...
Afastei seu rosto, olhando em seus olhos.
— Sua mãe me fez escolher, Edward. — Ele se afastou abruptamente, choque tomando seu rosto.
— O que quer dizer com isso?
— Precisamos conversar. — Indiquei a sala.
Ainda chocado, ele seguiu até lá, nos sentamos no sofá de Tanya, lado a lado.
— Ela falou comigo ontem, me deu duas opções, escolher preservar minha carreira. — Edward suspirou, percorrendo os dedos pelo cabelo. — Ou continuar com você. Esme irá me processar porque eu o escolhi, ela levará o caso ao conselho e as pessoas irão achar que eu usei minha posição de professora para assediá-lo.
Edward continuou a encarar suas mãos.
— Ela é minha mãe, Bella.
— Eu sei, desculpe-me, mas não estou inventando nada disso.
— Sei que não está. — Ele escondeu o rosto entre as mãos. — Apenas não consigo acreditar que Esme é capaz de prejudicá-la, mesmo sabendo que isso me afetará também. — Olhou para mim. — Não me escolha, você ainda pode mudar, eu sei quanto sua carreira é importante, tudo que largou por ela.
— Está se comparando a Mike? — indaguei perplexa.
— Não, Mike é um advogado que não tem uma ficha policial, ele está em um patamar muito acima de mim agora.
— Eu não vou mudar minha escolha, espero que pare de pedir por isso — falei aborrecida. — Sei que isso só nos trará mais problemas, mas o que nos resta agora é enfrentá-los.
— Isso tudo é muito pior do que planejávamos passar, Bella — Edward sussurrou. — Minha própria mãe vai abrir um processo contra você, ela vai te acusar de assédio, ouviu Carlisle, eles não se importarão em ouvir sobre o que sentimos, verão apenas o que Esme vai querer que eles vejam. Ela é muito boa no que faz, ela já mandou políticos para a cadeia, já tirou empresas de situação de risco, você não quer a ter voltada contra si. Bella, eu te amo, não posso ver sua vida se arruinando por minha culpa, eu nos trouxe a isso, estou pedindo que saia.
— Se você pedir isso mais uma vez, eu vou realmente sair, Edward. — Os olhos dele se alarmaram. — Viu? Você não quer que eu saia. Além do mais, eu pensava que você ficaria ao meu lado até que eu pedisse que fosse, não o contrário.
Seus ombros caíram, então ele me colocou em seus braços.
— Desculpe estar agindo assim, eu não sou minimamente forte como você é.
— Eu também tive meus receios, Edward. — Me aconcheguei ao seu corpo quente. — Mas, sei que nos amamos e que isso não pode acabar assim. Nem quero esperar por um, dois anos para que as coisas se acalmem, nós ficaremos juntos. Eu passarei por todo o processo, contaremos nossa verdade e o conselho irá julgar, só precisamos ser sinceros.
— Se tudo der errado podemos fugir para o México — falou contra a pele do meu pescoço.
— Desculpe?
— Eu estava preso com quatro mexicanos que imigraram ilegalmente, sei sobre os meios que usaram para cruzar a fronteira, podemos fazer o caminho inverso.
Eu gargalhei, sem poder me conter. Nos afastei rapidamente, capturando seu olhar no meu.
— Você parece que teve ao menos algumas aulas interessantes na cadeia.
— Eu tive! — Seu rosto assumiu um tom animado, ainda que seus olhos estivessem tristes. — Minha mente está fervilhando com ideias sobre um livro novo voltado para imigração ilegal, talvez algo menos policial, mais suspense.
— Adorarei lê-lo.
Capturei seus lábios nos meus, trocamos um beijo longo, calmo. Ao tempo que abria os botões de sua camisa, livrando-o dela.
— Estou exausto — ele disse, enquanto eu beijava seu pescoço.
— Eu também estou, Baby, quero apenas lhe livrar dessas roupas e levá-lo para um banho, você merece cuidados especiais depois do último dia.
Edward enrolou minhas pernas ao redor de seu corpo, nos erguendo do sofá.
— Amo você — falou sério, seus olhos fixos nos meus. — Lamento ter piorado tudo, lamento tudo que pode nos acontecer. Mas, sim, eu honrarei minhas promessas. Se você quiser que continue ao seu lado, eu continuarei.
— É o que mais quero.
— Vai ser difícil de mil formas diferentes — lembrou.
— E nós tornaremos tudo fácil no final, não desistirei de nós dois, espero que não desista. Você está lutando por nós dois desde aquele trinta de setembro Edward, provavelmente desde antes, teremos dois meses juntos amanhã, não jogue tudo fora agora, poderemos ter muito mais.
— Você casará comigo um dia? — Sua pergunta me pegou de surpresa, mas eu apenas sorri, inclinando-me para beijar seu rosto.
— Eu me casaria com você agora, mas nós precisamos dormir antes disso. E, eu não trocarei meu nome.
— Não quero que troque. — Ele sorriu de lado, de forma perigosa, nos colocando muito perto de abdicar do sono por algo que terminaria com as nossas reservas de energia. — Isso fará que sempre seja minha senhorita Swan.
Eu seria, sabia disso.
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