Dez Anos
26 Capítulo Vinte e Cinco
Notas iniciais
Capítulo Vinte e Cinco
Isabella Swan
Eu não ficava animada com os feriados familiares desde a morte de minha mãe, mas excepcionalmente aquele ano eu estava odiando a ideia de ter que passar por qualquer que fosse o feriado. Principalmente por isso significar não estar perto de Edward por quatro dias inteiros, nós já tínhamos passado mais tempo afastados, mas ainda assim era chato.
Fora não ter mais minha mãe, que sempre foi a alma de cada feriado, como ter deixado Edward em Seattle, ter de confraternizar com o meu cunhado traidor parecia um pesadelo. Eu sempre detestei Eric, ainda mais quando descobri sobre suas traições, sentar a uma mesa com ele e repartir a comida me enojava.
Dirigi o mais rápido possível para Forks naquela manhã de quinta-feira, ainda me sentindo cansada da noite passada com Edward. Eu estava tão chateada por ter que passar o feriado inteiro longe dele, que o ataquei no momento que ele entrou no meu apartamento, o máximo que conseguimos chegar foi ao sofá. Então, tive de expulsá-lo do apartamento para poder terminar a arrumação de toda minha bagagem.
— Olá, você ligou para a maior inimiga dos feriados! — Atendi o celular enquanto passava pela placa de boas vindas de Forks, Rosalie riu do outro lado da linha.
— Então, você já está em casa?
— Perto — respondi, já entrando na rua da casa onde cresci.
— Você deveria ter ficado em Seattle, sentimos sua falta aqui. — Ouvi o miado de Lady ao fundo, me sentindo grata por eles terem ficado com ela.
— Minha falta, ou a da minha comida?
— Um pouco dos dois — Rosalie confessou, então foi minha vez de rir. Mas, o riso logo morreu quando vi a pessoa descendo de um carro prata ali na frente.
— Rosalie! — Eu frei o carro bruscamente, nem o cinto foi capaz de conter que eu batesse minha cabeça, senti a dor em algum ponto do meu rosto.
— Bella? Tudo bem? Você sofreu um acidente? — perguntou preocupada, apenas permaneci em estado de choque, vendo-o seguir até meu carro correndo.
Filho da puta!
— Mike está aqui, ele é quem vai sofrer um acidente. Eu te mando uma mensagem depois. — Desliguei, pulei para fora do Audi, batendo a porta, enquanto Mike sorria para mim.
— Oi querida, você me deu um susto com essa freada — falou, tocando em minha sobrancelha, o que doeu. — Está machucada, vamos cuidar disso.
— Tire sua mão de mim, sua praga! — Bati na mão dele, que ficou vermelho de raiva. — O que diabos está fazendo em Forks?
— Sua irmã me convidou. — Ele deu de ombros, voltando a sorrir. — Ângela não achava certo que eu ficasse sozinho em Seattle já que minha família mora na Carolina do Norte e não pude viajar até lá, além do mais, eu passo o feriado com os Swan desde que começamos a namorar, Bella.
— Você não é mais parte dessa família.
Ignorei a dor na minha cabeça, abrindo a porta de trás do Audi e tirando de lá minha bolsa e a mala para aqueles quatro dias.
— Eu passei a Ação de Graças aqui quando você estava na Inglaterra.
— Você passou? — eu gritei, sentindo o embrulho no meu estômago. Filho da puta era pouco para Mike, mas eu sabia que aquilo também era parte culpa da minha irmã, do cretino do marido dela e até mesmo de Charlie.
Mike tentou pegar minha bolsa, por pouco não pegando o celular que estava naquela mesma mão.
— Vamos Bella, não seja...
— Tire suas mãos de mim!
— Que seja, vamos entrar?
Eu controlei a vontade de cuspir na cara dele, apenas lhe dando as costas e andando até a casa que cresci. Sendo franca aquele lugar não era mesmo mais minha casa, não sem mamãe lá, não com Eric ali e Mike prestes a entrar. Senti mais do que nunca falta de Seattle.
Ângela estava com meu pai na sala de estar, eu apenas cuspi um oi para eles, subindo rapidamente até meu quarto. Joguei minhas bagagens lá, então fui até o banheiro colocar um band-aid no corte, por sorte pequeno, na parte superior da minha sobrancelha. Desci de volta para o primeiro andar, Mike já estava ali confraternizando com o que deveria ser minha família.
— O que deu na porra da sua cabeça para convidar esse infeliz para cá? — gritei com Ângela, que se encolheu diante meu grito, parecendo verdadeiramente assustada. Era sempre ela ganhando as discussões, desde sempre, ver-me reagindo devia ter sido um golpe novo em seu costume.
— Isabella...
— E você, papai? — Me voltei para Charlie. — Você prefere Mike a sua própria filha? Eu me divorciei de Mike, ele não deveria estar aqui na porra dessa maldição de feriado!
— Olhe como fala, mocinha!
— Eu não sou a merda de uma mocinha! — Não me importei em gritar com Charlie. — Eu tenho trinta anos, um trabalho, carro e apartamento próprios. Eu me divorciei dessa praga. — Apontei para Mike. — Vocês não deveriam estar o puxando para a família, quando até mesmo a ex-esposa dele não o quis.
A porta da frente se abriu, então vi Eric entrar com meus sobrinhos. Tudo que faltava, mas eu não pude deixar de sorrir rapidamente para as crianças quando elas correram para meus braços.
— Tia Bella, senti sua falta! — Dakota cantarolou.
— Eu também, eu também — Peter ecoou.
— Eu também senti, meus amores! — Me agachei para abraçá-los e beijá-los, não podia odiá-los, eram inocentes no meio de todo o resto daquela família.
— Olá Isabella! — Eric falou, eu o fuzilei com os olhos, desejando ter uma arma para dar um fim naquele traidor de merda.
— Oi Eric, eu vou sair com as crianças, volto na hora do jantar. — Enfiei meu celular no bolso, tomando as mãos de Dakota e Peter.
— Pensa que pode...
— Eu posso — cortei Ângela. — Enquanto isso aproveite Mike. — Lancei um último olhar de desprezo a ele.
— Onde está seu namoradinho, Bella? — ele perguntou rebatendo. — Já o abandonou também.
— Ele está muito bem longe de você.
— Está namorando, quem é ele, Isabella? — Charlie indagou.
— É um cara maravilhoso, muito mais do que qualquer um que esteja nessa sala — afirmei. — Vamos, crianças.
***
Não foi nada surpreendente quando voltei para casa no horário do jantar e, o único lugar vago a mesa era ao lado de Mike. Eu quase fui comer com as crianças na sala, mas não queria mais me estressar.
Charlie fez as preces, então cada um agradeceu o que tinha para agradecer.
— Eu agradeço termos comida na mesa todo dia — meu pai disse.
— Eu agradeço ter minha bela esposa e meus lindos filhos — Eric disse, eu bufei ao ouvir aquilo, ainda mais quando ele beijou a mão de Ângela.
— Agradeço por ter um marido — minha irmã falou.
Sério, ela agradecia apenas ter um marido? Não ser feliz ao lado dele, ou qualquer coisa assim? O agradecimento dela era apenas o marido? Em qual século Forks tinha parado?
— Eu sou muito agradecido por Bella. — Mike tentou pegar minha mão, mas não permiti.
— Eu agradeço ter me divorciado.
— Isabella... — Charlie começou, mas foi interrompido por Eric.
— Nos conte sobre seu namorado, Bella, estamos todos curiosos sobre ele.
— Sim, todos estamos bastante curiosos sobre isso. — Mike me lançou um olhar irritado.
— Não devo qualquer explicação sobre isso.
— Bom, então podemos imaginar que é só mais um caso, certo? — Ângela riu, enquanto servia o marido, praticamente dando comida na boca dele. — Você era cheia deles antes de conhecer Mike, acalme-se Mike, quando minha irmã deixar de ser infantil voltará para você.
— Ele não é apenas um caso — disse entredentes.
— Ele sequer tem um nome? — Charlie indagou.
Tinha, mas eu não podia dizer na frente de Mike que já conhecia Edward, então apenas falei o segundo nome dele. Esperando que Mike não fosse tão fã de Esme a ponto de saber o segundo nome do filho da mulher.
— Anthony.
— E no que Anthony trabalha? — Ângela insistiu.
— Ele é escritor, mas trabalha em uma livraria também.
— Um gerente?
— Vendedor.
Mike riu.
— Grande Bella, você está pegando um vendedor, muito, muito promissor.
— Pelo menos ele sabe fazer sexo oral, diferente de você.
O local ficou em silêncio, Ângela e Eric me olhavam em choque, enquanto Charlie parecia que tinha visto um fantasma e Mike estava absurdamente irritado.
— Eu perdi o apetite. — Levantei. — Tenham um bom jantar.
Meu celular começou a tocar no momento que cheguei ao segundo andar, as iniciais de Edward aparecendo ali. Eu tinha trocado o nome dele em meu celular logo após o dia no estacionamento que Carlisle quase viu o filho me ligando, queria estar preparada caso aquilo acontecesse novamente.
— Oi — atendi, entrando no quarto, batendo a porta e jogando-me sobre a antiga cama ali.
— Tudo bem? — Edward indagou preocupado.
— Não, Mike está aqui em Forks!
— O que? — ele gritou. — Isso é sério? O que esse filho da puta está fazendo ai? Ele está na casa do seu pai?
— Sim, minha irmã o convidou para o feriado — falei, chutando meus sapatos para longe, enrolando-me no cobertor. Tudo que mais queria era poder estar no meu apartamento, na minha cama, com Edward me aquecendo.
— Bella, eu sequer conheço sua irmã, mas...
— Eu sei, está com raiva dela, não é único. Ângela é uma...Eu amo minha irmã, mas isso foi a gota d’água — resmunguei. — Voltarei para Seattle assim que amanhecer, não há porque ficar aqui me martirizando.
— Sinto muito por tudo isso — ele falou gentilmente.
— Não é sua culpa, Baby.
— Isso não importa, eu me sinto impotente aqui em Seattle enquanto você passa por todo esse furacão ai só.
— Gostaria que estivesse aqui. — Me proibi de chorar.
— Gostaria de estar ai.
— Contei a minha família sobre você.
— Contou? — perguntou alarmado.
— Não os dois detalhes principais — falei, sabendo que ele sabia que era sobre a diferença de idade e o fato de ser meu aluno. — Isso só tornaria tudo pior agora, mas eles sabem que tenho um namorado e que ele é bom em sexo oral.
Edward não conteve uma risada.
— Ele é?
— Muito. — Minhas bochechas coraram.
— Bom saber, o cara deve ser um Deus do sexo.
— Eu sinto sua falta, isso é cruel — choraminguei, ouvindo o primeiro trovão da noite. — Ah não.
— O que foi agora? Apenas se tranque em seu quarto e deixe esse merdinha do seu ex-marido de fora.
— Eu já fiz isso, começou a chover, eu odeio trovões.
— Isso explica muita coisa.
— Explica?
— Sim, naquela primeira noite na cafeteria, durante a tempestade, você estava morrendo de medo. Era sobre os trovões.
— Era sobre você também — admiti. — Tê-lo ali tão perto, mas ao mesmo tempo não poder tê-lo como queria estava me enlouquecendo.
— Eu amo você, Bella — ele disse em um suspiro, fazendo com que eu congelasse em meu lugar. — Desculpe, não devia ter dito isso assim.
— Isso é sério? — consegui perguntar.
— Sim — confirmou prontamente. — Bella, você sabe que desde o começo nunca menti sobre o que sinto por você.
— Eu s-sei — gaguejei, puxando a coberta para cima de mim tentando abafar o som da chuva. — Edward?
— Sim?
— Eu também te amo — sussurrei sobre o som de um novo trovão. — Estou com medo. — Comecei a chorar apavorada, não apenas pela chuva e Edward sabia disso.
***
Sai de Forks assim que possível, deixando minha família para trás com Mike. Despedindo-me o mais rapidamente de todos, sendo apenas gentil verdadeiramente com meus sobrinhos, lhes entregando presentes, prometendo voltar a vê-los o quanto antes.
Edward já estava em meu apartamento quando cheguei lá na sexta-feira de tarde, eu tinha o mandado continuar na casa de seus pais, mas ele foi insistente em fazer o contrário. Ele me pegou em seus braços assim que entrei no apartamento, beijando todo meu rosto, parando em meus lábios.
— O que aconteceu com seu rosto? — Tocou no curativo na minha testa. — Isabella, Mike tocou em você? — indagou alarmado.
— Não, eu o mataria antes dele me agredir — afirmei. — Apenas bati no carro, é só um corte pequeno.
— Sinto muito por ter tido seu feriado estragado. — Beijou sobre o curativo.
— Eu não posso acreditar que minha família prefere manter Mike por perto, mesmo sabendo que isso me faz mal. E que minha irmã continua perto de um cara que só faz traí-la e usá-la como uma empregada. Amor não devia ser sobre fazer bem ao outro? — Edward assentiu. — É como me sinto com você, Baby. — Me agarrei a ele. — Mike não me fazia bem, por isso o amor acabou, Eric é péssimo para minha irmã, mas você me faz tão bem.
— Você me faz bem também, Bella, não faz ideia de o quanto. — Me carregou, colocando-me contra a parede, afagando meu rosto gentilmente. — Eu te amo, amo muito, você é a pessoa mais especial da minha vida. — Seus lábios se encontraram novamente com os meus, em um beijo urgente.
Eu agradeci por ter Edward, mesmo no meio de toda aquela confusão, enquanto nós dois continuássemos nos fazendo bem eu saberia que aquilo era certo.
— Amo você, Edward — falei contra seus lábios. — Leve-me para a cama, Baby, eu preciso ter você.
***
Minha cabeça estava a um ponto de explodir na segunda-feira. Edward e eu tínhamos passado o fim de semana trancados em meu apartamento, o que foi ótimo, tivemos até um jantar com Tanya no sábado, mas eu tinha acordado aquela manhã com a pior dor de cabeça do mundo.
Estava falando sobre Laranja Mecânica para aquela turma, em mãos com o livro que Edward tinha me presenteado logo que nos conhecemos, quando a porta da sala foi aberta. Vi a secretária de Carlisle, senhora Madison.
— Senhorita Swan — ela começou. — O senhor Cullen deseja falar com a senhorita na reitoria.
Eu paralisei, agarrando com força as bordas do livro.
— Cla-Claro — gaguejei, tentando me convencer de que Carlisle queria falar comigo apenas por conta de algo envolvendo meu trabalho. Ele não podia saber de Edward, isso não parecia ser possível. — Vocês estão dispensados, continuamos isso semana que vem — falei para a turma, recolhendo minha bolsa, seguindo a senhora Madison até o prédio da reitoria. — Sabe me dizer o assunto em questão? — indaguei a mulher quando entramos na sala de espera acoplada a de Carlisle.
— Não, senhorita Swan — respondeu educadamente.
— Senhora Madison? — Eu virei-me abruptamente para trás ao ouvir a voz de Edward.
Então, soube que ali o mundo estava desabando.
Ele parecia tão nervoso quanto eu, pálido e respirando de forma desregular.
— O seu pai tem uma reunião agora com a senhorita Swan, Edward, volte mais tarde — falou para ele.
— Meu pai me mandou uma mensagem, ele disse que queria me ver imediatamente — Edward sussurrou a resposta para a senhora próxima a nós, mas seus olhos não deixavam os meus.
— Eu quero — a voz de Carlisle soou atrás de mim, eu vi primeiro a face de Edward endurecer, então girei em meus pés, vendo que Carlisle não estava sozinho. A pessoa ao seu lado sustentava um grande sorriso debochado.
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