Dez Anos
5 Capítulo Quatro
Notas iniciais
Capítulo Quatro
Edward Cullen
Tanya e eu nos conhecíamos desde sempre, meus pais foram colegas do pai dela na faculdade de direito e, com nós dois sendo filhos únicos, ela era como uma irmã. Eu estava lá quando a avó preferida dela morreu, quando T tinha apenas 14 anos, ela estava lá quando eu tive minha primeira decepção amorosa, com a destruidora de corações Suzana Beck, aos 15.
Passamos por tudo junto e, sempre cuidávamos um do outro. E, eu fui a primeira pessoa que Tanya contou que era homossexual. Tínhamos 16 anos e, era festa de ano novo na casa dos meus pais, nós roubamos bebidas e, fugimos para meu quarto para nos livrarmos de todas as pessoas insuportáveis no andar inferior.
Eu estava alto, rindo com todo o efeito do álcool, quando ela começou a chorar e, contou:
— Edward, eu gosto de meninas.
— Quem não gosta, T? Elas são maravilhosas! — Gargalhei, me apaixonado por vodca ali.
— Não, Edward, é sério. — Tanya soluçou, fazendo com que eu a olhasse, o rosto tomado por lágrimas. — Eu realmente gosto de meninas, sou lésbica.
O olhar dela ao dizer aquilo era tão sério, que eu finalmente me toquei que o assunto era de fato importante.
— Você tem nojo de mim agora? — ela perguntou com a voz rouca e sofrida.
— Por que eu teria? — perguntei confuso.
— Porque isso é tão errado! — Limpou o rosto com as costas da mão.
— Não parece errado para mim. — Bebi mais um pouco, o álcool rasgando minha garganta. — Eu super te entendo, meninas são apaixonantes. Ei! — gritei empolgado. — Isso na verdade é maravilhoso, T. Nós poderemos dar em cima das meninas juntos, agora.
Ela riu, rastejando no chão até se enfiar em meus braços.
— Obrigada por ser o melhor amigo do mundo, Edward. — Então, ela começou a chorar novamente.
— Não chore, T. Eu prometo que irei sempre estar ao seu lado. — Beijei a cabeça dela.
No outro dia, com a ressaca me atingindo em cheio, eu fui tomado por duas verdades:
1ª Vodca era uma maldição;
2ª Eu odiava ver Tanya chorando.
***
Nós saímos da livraria onde eu trabalhava, para um café ali perto. Eu estava exalando felicidade sobre minha professora ter aparecido e, aceitado meu presente, mesmo depois de muita luta. Mas, ao ver os olhos vermelhos de Tanya e, sua expressão magoada, a felicidade foi para segundo plano.
— Aqui. — Entreguei o café a minha amiga, Tanya era maluca, ela bebia café puro e, eu não tinha ideia de como a garota não tinha uma gastrite, ou qualquer merda dessas, com todo o café amargo e forte demais que tomava diariamente.
— Obrigada — agradeceu, desviando o olhar para a xícara onde o líquido preto fumegava.
A deixei encontrar seu tempo, enquanto olhava pela janela da cafeteria, vendo as pessoas irem e virem de diversos lugares da Universidade naquela tarde de setembro. Eu podia avistar o prédio da reitoria dali, então me perguntei o que papai estava fazendo, provavelmente recebendo congratulações por sua grande administração, ou tramando como me convencer a ir trabalhar com ele.
— Leah terminou comigo — Tanya murmurou por fim, então voltei-me para ela. Seu dedo percorria a borda da xícara, seus cabelos loiros estavam sobre seus ombros, cobrindo parcialmente seu rosto.
— Por quê? Vocês pareciam estar indo bem — murmurei também, evitando que alguém nos ouvisse.
Odiava aquilo, mas Tanya preferia manter sua sexualidade em segredo para o grande público. Seu pai, Caius Martin, era um juiz importante em Seattle e, a mãe dela era diretamente ligada a grupos religiosos, coordenando uma porção deles. A família inteira dela era estupidamente antiquada e preconceituosa, T morria de medo de como eles reagiriam se contasse a verdade.
— Ela não queria mais ficar escondido. — Tanya bebeu um pouco de seu café, passando a mão pelo rosto rapidamente, limpando lágrimas traiçoeiras. — E-Eu a amava, Edward.
— T, sei de toda a merda que isso vai ser quando sua família descobrir, mas isso realmente precisa acontecer de uma vez — aconselhei. — Essa verdade toda que você esconde alguma hora vai vir à tona e, quando isso acontecer será pior.
Ela suspirou, pegando alguns lencinhos e limpando o rosto.
— Edward, eu não posso. Meus pais iam ficar malucos, você sabe que papai está querendo se candidatar a governador, isso tudo é errado.
— T, ei! — Segurei em sua mão, fazendo com que os olhos dela se encontrassem com os meus. — Não há nada de errado em você, acredite em mim. É uma das pessoas mais incríveis que conheço. Não se sinta errada por amar, isso não é um erro.
— Você é doce demais para esse mundo de merda, Edward! — Bufou, fazendo com que eu risse.
— Talvez. — Bebi meu expresso. — O que Leah disse? Talvez eu possa conversar com ela, talvez possamos mandar Alice, Deus sabe como aquela Anã capaz de ter o que quer.
— Não. — Tanya negou com um aceno de cabeça. — Não há nada para conversar com Leah, Edward. Ela não está sendo uma vaca comigo, pelo menos isso foi bom. Eu a amo, não quero que ela sofra presa a um relacionamento sem futuro. S-Só estou sentindo muito a falta dela, sou completamente apaixonada por aquela garota.
— Um grande motivo para você mandar todos se foderem e contar a verdade — insisti.
— Não, ainda não. — Engoliu em seco. — Podemos mudar de assunto?
Apenas assenti concordando, sabendo que eu não ia mudar anos de segredos em uma única tarde.
— O que senhorita Swan estava fazendo na livraria? — ela perguntou, arrancando-me dos meus pensamentos.
— É uma livraria, o que você acha que as pessoas fazem lá? — perguntei rolando os olhos. — Eu tento te amar, T, mas você e sua grande cabeça não ajudam com tanta falta de inteligência — zombei.
Ela amassou o lencinho em suas mãos, inclinando-se sobre a mesa para tentar enfiar a bola de papel em minha boca, com um sorriso demoníaco no rosto.
— Me solte, Martin! — Afastei a mão dela de mim, suas unhas grandes como garras quase cortando meus lábios. — Você é a própria filha do capeta. — Ela riu alto e, foi bom ouvi-la rir, mesmo no meio de sua tristeza pelo rompimento do seu namoro.
— É o que eles dizem de papai. — Deu de ombros, ainda rindo. — Então, você declamou um poema para nossa professora? — foi a vez dela de zombar.
— Não, mas eu dei um livro a ela — contei, vendo os olhos de Tanya arregalarem.
— Oh, isso é algo interessante. — Ela se remexeu na cadeira, aproximando-se mais de mim. — Algum romance sujo que irá revelar a ela seus pensamentos proibidos?
— Você é quem lê esse tipo de livro — rebati. — E, pare com essa merda, ela é minha professora.
— Ela é quente! — Tanya exclamou, recuperando sua xícara. — Sabe, Alice tem total razão, a bunda dela ficou muito boa naquela saia.
Passei a mão pelos cabelos, conseguindo os bagunçar mais do que nunca. Tanya e Alice estavam certas, a bunda da senhorita Swan foi potencialmente valorizada naquela roupa.
— Pare com isso, T — pedi.
— Qual é? Eu vi como você olhava para ela, Romeu. — Sorriu maliciosamente. — Você não tirou os olhos dela durante toda a aula e, não deve ter percebido, mas vez ou outra suspirava.
— Eu não estava suspirando! — Joguei a bola de papel nela, mas Tanya não se abalou com aquilo.
— Estava sim e, hoje se Alice não estivesse na livraria você certamente teria dado um jeito de levá-la para o estoque.
— Ela é nossa professora — falei pausadamente, esperando que aquilo entrasse na cabeça de Tanya.
— Isso é proibido? — perguntou confusa.
— Tanya...
— Não, é uma pergunta real — disse. — Há alguma norma no regimento que proíbe professores de se relacionarem com alunos? Pois, é sério, já soube de um milhão de garotas chupando professores para conseguirem créditos extras e tudo mais que é possível. Tem uma que ganhou até um carro, deve ter sido o melhor boquete dá história.
Engasguei com meu café, fazendo Tanya voltar a rir.
— Talvez você possa realizar seus sonhos eróticos com a professora.
— Eu nunca dormiria com ela. — Eu não podia.
— Se você não dormir eu durmo — Tanya brincou. — Falando nisso, que tal irmos encher a cara amanhã? Eu tenho que fazer uma droga de um trabalho hoje, mas amanhã estou disposta a encher a cara até domingo.
— Parece uma boa ideia — confessei.
— Posso arranjar sexo para nós dois, preciso começar a trabalhar em tirar Leah da minha mente.
— Está me propondo um ménage, T? — a provoquei, recebendo uma careta de Tanya.
— Eu prefiro me jogar do Space Needle a transar com você.
— Isso doeu.
— Eu disse, você é doce demais para esse mundo, pobre Cullen.
***
Jasper e eu acordamos cedo no dia seguinte para correr, nós dois tínhamos sido da equipe de atletismo durante nossos anos de colegial em nossas respectivas escolas, então sempre que conseguíamos um tempo pulávamos da cama e íamos gastar nossos tênis. Corremos por cerca de duas horas, até que eu precisei voltar para casa e ir de lá para o trabalho.
Nelly Taylor, a dona da livraria, era uma senhora de quase sessenta anos. Eu estava trabalhando com ela a bastante tempo e, a amava. Foi na livraria que Alice e Jasper se conheceram, enquanto ele foi um dia usar meu desconto de funcionário e conheceu a nova garota do caixa.
— Bom dia, Nelly! — exclamei quando me aproximei da livraria, a vendo abrir a porta.
— Edward, querido, é bom vê-lo. — Seu sorriso gentil surgiu em seu rosto. — Foi tudo bem por aqui, ontem? — perguntou, enquanto ligava as luzes.
— Sim, Alice e eu não colocamos fogo no lugar — brinquei, ganhando uma risada dela. — Ah, na verdade, veio alguém aqui te procurando ontem — contei ao pensar em minha professora.
— Quem? — Ela virou a placa na porta, indicando que estávamos abertos naquele sábado.
— Isabella Swan — respondi e, pude ver o rosto de Nelly ganhar um brilho empolgado.
— Isabella Swan? Isso é realmente sério?
— Sim — confirmei. — Ela está dando aulas na universidade, é minha professora — acrescentei.
— Oh, eu não acredito que perdi Bella — Nelly lamentou. — Ela é adorável, não é?
— É — sussurrei, tentando não pensar em quanto minha professora era adorável. — É uma boa professora — completei rapidamente.
— Você tem o número dela? — Nelly perguntou, prendendo seus cabelos pretos, com alguns fios brancos no topo de sua cabeça.
— Hum, não?
— Ah, você deveria ter pego o número dela, é um péssimo secretário.
— Não sou seu secretário — fingi indignação.
— Não, mas pode ser meu faxineiro, pegue uma vassoura e limpe essa poeira toda.
— Isso é exploração — falei indo em direção a parte de trás da livraria pegar a droga da vassoura. — Você declaradamente prefere Alice.
— Você só descobriu isso agora? — Nelly folheava um livro que estava sobre o balcão. — Eu gostaria tanto de poder ver Bella.
— Eu também — murmurei para mim mesmo.
— Disse algo? — Nelly me olhou.
— Disse que preciso de um aumento.
— Coitadinho, você está muito iludido hoje, querido.
***
Tanya e eu fomos para um bar aquela noite, apenas para começar a esquentar a noite que ela tanto queria para tentar tirar Leah de sua cabeça. Eu sabia que isso não adiantaria de verdade na manhã seguinte, mas eu não estava disposto a brigar com ela fragilizada após um termino como aquele.
— Onde está sua identidade, Jack? — ela me perguntou quando o táxi estacionou na frente do bar.
— Aqui, Rose.
Titanic era o filme preferido dela e, quando fomos atrás de identidades falsas para poder comprar bebidas, ela escolheu os nomes dos protagonistas. Jack e Rose nunca nos deixaram na mão e, estávamos quase deixando eles em definitivo para trás já com nossos aniversários de 21 anos se aproximando.
Não foi um problema entrar no bar, nem pegar uma mesa. Tínhamos ido para um próximo a universidade, para que talvez conseguíssemos angariar mais companhia para irmos a boate que Tanya queria ir depois dali. Alice e Jasper tinham ido para algum jantar com os pais dela e, nos imploraram para que nos divertíssemos por eles aquela noite, Tanya estava decidida a se divertir por nós quatro e por mais quem quisesse.
— Eu vou querer uma tequila...
— Nem fodendo — cortei o pedido dela. — A última vez que você pediu tequila quase foi parar no hospital, não quero lidar com nenhuma merda dessas hoje, T.
— Edward, por favor. — Fez biquinho.
— Isso não adianta comigo. Você terá no máximo algum coquetel de frutas com vodca. — Sai de perto da nossa mesa, indo até o bar fazer pegar nossas bebidas.
O local estava absurdamente cheio, o que era normal para um sábado. Eu já estava impaciente esperando que a droga de um barmen me atendesse, já que eles davam prioridade a todas as garotas ali esperando conseguir algum sexo no fim do expediente, quando ouvi a voz soar perto demais.
— Olá Edward! — Meu corpo todo pareceu esquentar e, girei em meus pés, deparando-me com a senhorita Swan atrás de mim.
Ela usava um vestido verde com estampa de onça, sem decotes e com mangas até seus cotovelos, mas era malditamente curto, parando muito antes de seus joelhos. Os cabelos estavam soltos, eu ainda não tinha a visto sem ser com um coque, então ali pude ver as ondas caindo por seus ombros. E, o pior/melhor de tudo, sua boca pintada em um tom de vermelho escuro.
Porra.
— Senhorita Swan, ei, oi. — Soei pateticamente.
— Você não deveria estar aqui, não é? Já tem 21? — perguntou curiosa.
— Não até junho do ano que vem — resmunguei.
— Ah, identidade falsa? Eu não sinto falta disso. — Ela passou por mim, indo até o balcão. Desviei o olhar de suas coxas e bunda, aquilo era errado demais. — Hey, o que eu preciso para você me atender? — chamou a atenção de um dos barmens, que imediatamente convergiu até ela, os olhos dele centrados na boca vermelha dela, eu o entendia, era difícil demais desviar.
— Olá gatinha, com o que posso ajudá-la? — Sorriu maliciosamente para ela.
— Você pode começar me dando uma garrafa de água e duas cervejas, que tal? — Piscou para ele.
O cara assentiu, indo buscar as bebidas dela. Eu continuei ao lado dela, sem saber o que falar ou fazer.
— Ne... — Comecei a falar sobre Nelly, mas o cara voltou com as bebidas dela, me interrompendo bruscamente.
— Precisa de ajuda até sua mesa, gatinha?
— Eu dou conta. — Ela dava, pegou as três garrafas eficientemente em suas mãos. — Você pode ajudá-lo, agora, que tal? — Gesticulou com a cabeça em minha direção. — Aceite isso como a troca pelo livro, você morreria esperando. — Sorriu para mim, antes de se afastar do balcão.
As coxas, as pernas, a bunda. Merda, eu repetia em minha mente freneticamente que ela era minha professora e que vê-la daquele jeito não era certo.
O barmen acatou o pedido dela, fazendo a bebida de Tanya e me entregando uma cerveja também. Quando voltei para minha mesa, Tanya já estava na companhia de um casal, que não se importava em se beijar simulando sexo com suas línguas bem na nossa frente e, de uma garota que eu já tinha visto ela ficando em alguma festa. O casal era amigo da garota, então os três foram convidados a participar da nossa comemoração.
Meus olhos buscaram por Isabella Swan naquele bar, mas o local estava malditamente cheio. Eu estava quase desistindo de conseguir vê-la outra vez, quando a encontrei do outro lado do salão.
Ela estava junto com um homem imenso, os dois riam e bebiam suas cervejas. Só pude deduzir que aquele era seu namorado, ela sorria demais para ele e, o cara tinha o braço por cima do encosto do sofá que eles estavam sentados, pairando sobre os ombros dela e, sussurrando em seu ouvido.
Suspirei, querendo quebrar a garrafa da minha cerveja na cabeça. O que diabos eu estava pensando? Que ela era solteira e que se interessaria por mim? Isso era ridículo, Alice, Tanya e Jasper tinham enchido minha cabeça com provocações nos últimos dias, eu só estava sendo um completo idiota.
Tanya, pelo menos ela, estava aparentando estar se divertindo. Ela poderia curtir aquela noite com a garota ali e, se arrepender na manhã seguinte. Provavelmente ligaria para Leah e, imploraria para que reatasse o namoro.
Antes que eu pudesse me conter, voltei a buscar por Isabella no bar. Mas, daquela vez sendo muito mais fácil de localizá-la. Tomei um susto quando vi que o cara de antes estava beijando uma garota loira, que tinha assumido o lugar da minha professora ao lado dele.
Okay, ou ela teria um ménage, ou o cara não era seu namorado. Preferi acreditar na segunda opção.
Então, os olhos dela se voltaram para os meus e, mesmo a distância era exatamente como estar sob o olhar daquela primeira aula, capaz de me confundir por inteiro. Ela sorriu e, acenou para mim e, retribui os gestos, tentando não morrer com aquilo.
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