Dez Anos
20 Capítulo Dezenove
Notas iniciais
Capítulo Dezenove
Isabella Swan
Eu usei meu horário de almoço na segunda-feira para corrigir alguns trabalhos, tentando não xingar uma aluna que tinha erros grotescos de gramática, perguntando-me como ela sequer tinha sido aceita na universidade com uma redação tão fraca. Aquilo era doloroso para meu coração, ela iria receber uma bela anotação em seu trabalho.
Tomei mais um gole de café, questionando a mim mesma por que todos não podiam ser como Edward. No caso referindo-me a escrita, só o que me faltava era ter mais alunos e alunas em minha cama.
Pensar nele me fez checar meu celular mais uma vez aquele dia, eu tinha ligado para ele no fim do dia anterior, para zombar e dizer que tinha sido muito paciente não levando minha mão para o interior da minha calcinha, mas Edward não tinha ligado de volta. Eu me preocupei com isso, mas percebi que estava sendo tola, Edward tinha uma vida, não podia estar cem por cento do tempo disponível para mim.
— Entre! — exclamei para a pessoa do outro lado da porta, que interrompia minha anotação irritada para a aluna ruim, muito ruim.
— Ei, estou te atrapalhando?
Tirei os olhos da folha a minha frente quando ouvi sua voz, voltei minha atenção para a porta, vendo Edward parado ali. Os cabelos encontrando-se na bagunça de sempre, algo que já estava acostumada.
— Não, entre. — Repousei a caneta sobre a mesa, ele colocou o corpo inteiro dentro do meu escritório, encostando a porta. — Tranque — sugeri, nós já tínhamos tido muitas surpresas sobre portas abertas, não queria mais correr aquele tipo de risco.
Edward trancou a porta, então contornou minha mesa, com um sorriso doce em seus lábios.
— Eu tenho um presente! — Se recostou a mesa, nossas pernas se tocando, enquanto ele abria sua mochila e tirava uma maçã de lá de dentro. — O que acha?
— Você não vale absolutamente nada, Edward Cullen. — Eu ri, pegando a maçã extremamente vermelha em mãos, dando uma bela mordida, meus olhos nunca deixando os seus. — Obrigada, eu estava mesmo com fome.
— De nada. — Ainda sorrindo olhou para minha mesa cheia. — Muito trabalho?
— Sim, estava no meio da leitura de um trabalho que parecia ter sido escrito por uma criança de cinco anos de idade.
Edward fez uma careta.
— Tão ruim assim?
— Péssimo. — Fiquei de pé, colocando-me entre suas pernas, vendo-o jogar a mochila no chão, suas mãos automaticamente envolvendo minha cintura. — Oi! — Beijei seus lábios.
— Oi. — Ele beijou minha bochecha. — Desculpe não ter te atendido ontem, eu tinha muito trabalho e estava um pouco irritado.
— Aconteceu algo? — Continuei comendo minha maçã.
— Jasper descobriu sobre nós dois.
Eu paralisei, um pedaço da maçã ainda preso em meus dentes com uma parte para fora da minha boca. Edward se inclinou, mordendo o pedaço, seus lábios raspando nos meus.
— Ele sabe? — perguntei após engolir.
— Sim, não se preocupe, ele não contará a ninguém — afirmou.
Eu tentei confiar naquilo, mas ainda era incomodo saber que alguém fora do meu ciclo de confiança sabia. Rosalie e Emmett nunca diriam uma palavra a alguém, Tanya tinha se mostrado bastante confiável, mas eu não sabia nada sobre Jasper.
— Bella?
— Desculpe. — Me afastei de Edward. — Você tem certeza que Jasper é confiável?
— Eu tenho. — Edward suspirou. — Ele esteve surpreso e todo realista quanto a nós dois, mas ele é meu melhor amigo, nunca me trairia dessa forma.
— Claro, claro. Desculpe ter desconfiado dele.
— Não, eu entendo. — Edward deu de ombros. — Você está preocupada com o que pode acontecer. — Ele desviou o olhar para meu computador sobre a mesa. — Na verdade, eu acho que nós dois temos uma grande duvida a tirar, certo?
— O que quer dizer?
— O regulamento da universidade, sobre relacionamentos entre alunos e professores.
Engoli em seco.
— Okay — foi tudo que consegui falar.
Edward não precisou de muito mais para sentar-se a minha cadeira, conectando o computador ao site da universidade. Eu permaneci recostada a parede atrás da mesa, sem conseguir olhar de verdade para a tela, mesmo de óculos. Não era uma questão de vista, sim por medo do que ele encontraria ali.
— Não. — Encarei a cabeça de Edward ao ouvi-lo falar. — Não há nada sobre isso, nenhum campo especificando sobre relacionamento de quaisquer espécies entre discentes e docentes.
— Isso quer dizer que não é proibido?
— Não há nada no regulamento dizendo que seja, eu realmente não encontrei nada, mas se você quiser ler.
Ele mal tinha acabado de falar e eu me reclinava sobre seu ombro para ler o que tinha ali, tinha lido aquele mesmo documento quando fui contratada, mas nada em minha mente fazia pensar em um ponto especifico sobre aluno e professor.
— Você tem uma boa vaga de estacionamento, não?
Eu ri no ouvido de Edward, sentindo parte de mim aliviar com a confirmação de que nosso relacionamento — de qualquer tipo que seja —, não era proibido no regulamento. Não em linhas claras, ele ainda seria julgado, menosprezado e poderia causar uma porra de um caos na minha carreira até ali perfeita, aquilo fez o riso sumir.
— Edward, eu...
— Não quis ler isso para te arrastar lá para fora e gritar aos quatro ventos que estamos...saindo — ele respondeu, seu rosto endurecendo. — Eu não seria um filho da puta nesse nível, nem um idiota, sei quantas implicações ainda há no meio disso tudo, principalmente para você.
— Obrigada por entender — agradeci.
Ele se levantou, recolhendo sua mochila a jogando sobre seu ombro.
— Eu lhe darei o tempo necessário, para tudo isso, Bella. — Edward afagou meu rosto. — Se algum dia você quiser que isso se torne público. — Os olhos dele tinham um brilho de medo. — Bom, se algum dia você quiser isso, nós iremos assumir e passar por toda a confusão que nos espera do lado de fora dessas paredes, juntos.
Assenti, ganhando um beijo dele na testa.
— Eu preciso ir trabalhar, boa sorte com sua aluna ruim.
— Obrigada. — O deixei ir.
Voltei a minha cadeira, lendo novamente todo o documento de regulamento. Nada ali proibia, mas eu seria capaz de superar os obstáculos que não estavam presos em uma folha, mas aqueles reais, somente por Edward?
***
Na quarta-feira eu seguiria direto da universidade para a clínica onde Rosalie fazia seu pré-natal, ela finalmente poderia descobrir o sexo do bebê e queria que eu estivesse com ela e Emmett naquele momento.
— É o seu papel como madrinha — disse quando me ligou na terça-feira.
Eu estava completamente atrapalhada com bolsa, pastas e livros, quando tudo por fim foi ao chão.
— Merda! — praguejei, indo ao chão para juntar tudo.
— Precisa de alguma ajuda?
Eu gelei ao ouvir a voz, levantei meu rosto, vendo Carlisle Cullen agachar junto a mim no chão.
— Senhor Cullen, não, eu... — comecei a falar, mas ele já estava me ajudando com toda a papelada espalhada, concentrei na bagunça que saiu da minha bolsa, antes que ele visse tampões ou as camisinhas que estavam embaixo da maleta de maquiagem.
Camisinhas que eu pretendia usar com o filho dele, porra!
— Como está indo seu tempo na universidade? É tão bom quanto imaginava? — Ele sorriu para mim, um sorriso muito parecido com o do filho.
— Sim, muito bem.
Meu celular, ainda no chão, começou a tocar. Eu quase entrei em pânico ao ver o nome de Edward aparecendo ali, o sobrenome dele parecendo maior do que a tela, como se gritasse para que o pai dele visse aquilo. Mais rápido que pude desliguei a chamada, apertando o celular contra mim.
— Você pode atender, eu continuo a arrumar tudo isso — Carlisle disse, continuando a arrumar minha bagunça. Pelo menos eu sabia de onde Edward tinha tirado toda sua gentileza.
— Não, eu retorno a ligação depois. — Desliguei a próxima chamada de Edward. — Deixe de ser insistente! — sussurrei para o aparelho, o colocando dentro da bolsa, longe dos olhos azuis de Carlisle Cullen.
— Seu namorado?
— É, mais ou menos.
— É seu filho! — minha mente gritou. — O cara que eu penso em quanto me masturbo nas últimas semanas.
— Pronto! — Carlisle entregou as pastas para mim, enquanto eu terminava de arrumar outras. — Espero que não tenha saído tudo de ordem.
— Obrigada, senhor Cullen. — Ele me ajudou a levantar. — Desculpe ter lhe colocado no meio da minha bagunça.
Como Carlisle reagiria se soubesse que eu estava fodendo seu precioso filho?
— Eu estava indo tomar um café, você aceita ir comigo? — perguntou educadamente.
— Na verdade estou atrasada para um ultrassom — falei, sentindo os olhos de Carlisle voarem para minha barriga. — Não, não! — neguei rapidamente. — Não estou grávida, minha melhor amiga está, eu sou a madrinha e aparentemente devo estar lá.
— Claro, eu entendo. — Carlisle voltou a sorrir. — Eu vou agora, senhorita Swan, tenha uma boa tarde.
— Você também — desejei. — Obrigada novamente pela ajuda.
— Ah, você pode me dizer como Edward está indo em sua aula? É professora dele, não é mesmo?
— Sou — confirmei, tentando não parecer histérica com aquilo. — Ele está indo bem, é inteligente.
— Eu acredito. — Carlisle assentiu, mas parecia decepcionado. — Eu a vejo outra hora, senhorita Swan. — Acenou, dirigindo-se para uma Mercedes que devia custar mais que meu apartamento.
Entrei em meu carro, jogando tudo no banco do carona e pegando meu celular que voltava a tocar.
— Oi...
— Eu acabei de topar com seu pai! — Cortei Edward.
— Sim, vocês trabalham no mesmo lugar, eu tenho certeza de que isso deve ser bem comum — falou. — Você parece à beira de um ataque de pânico, acalme-se — pediu.
Respirei fundo, percebendo que estava mesmo nervosa com tudo aquilo.
— Como você está? — perguntei a Edward, tentando distrair minha mente do outro Cullen.
Não via Edward desde a visita dele a minha sala na segunda-feira, nós estávamos ocupados naqueles dias e apenas trocávamos mensagens ou ligávamos. Não precisamos de muito para perceber que dias da semana eram intensos demais para que nós dois nos encontrássemos, devíamos manter aquilo somente para os fins de semana.
Eu também percebi que já sentia a falta dele.
— Bem. — O ouvi fungar.
— Você está chorando?
— Não. — Riu. — É apenas culpa da poeira, estou arrumando o estoque na loja.
— Pobre menino doente — zombei, ligando o carro. — Eu preciso desligar agora, Baby, tenho a ultra de Rose para ir acompanhar.
— Conte-me o resultado quando souber.
— Claro — concordei. — Vejo você amanhã, não esqueça seu trabalho, senhor Cullen.
— Eu não seria maluco, minha professora gosta de pegar pesado, em todos os sentidos.
— Arg, nojento. — Gargalhei. — Eu preciso desligar antes que você volte com a ideia de sexo por telefone.
Nós tínhamos tentado aquilo na noite passada, mas eu comecei a rir no meio da coisa toda, constrangida demais. O clima nunca foi tão cortado quanto naquela hora.
— É uma excelente ideia, você que é péssima com descrições. Ah, estou de moletom e suéter, muito descritivo — debochou.
— O escritor aqui é você, Baby. Eu só leio as palavras, não sei dizê-las para envolver ninguém. Agora é sério, preciso mesmo desligar antes que me atrase mais e Rose coma minha cabeça no jantar.
— Falo com você depois. — Ele espirrou. — Merda de alergia.
— Cuide-se! — Desliguei.
Para minha sorte, Rosalie ainda não tinha sido atendida quando cheguei lá. Ela estava folheando uma revista, enquanto Emmett parecia incrivelmente entediado.
— Cougar, você chegou! — ele exclamou, atraindo uma dúzia de olhares de mulheres grávidas para nós dois.
Sério que ele estava me chamando de Cougar? Elas não deviam ter mais de quarenta anos? Além do mais, não era como se eu fosse como uma puma perseguindo Edward, ele que tinha começado tudo aquilo.
— Oh, esse é o melhor apelido de todos! — Rose riu, tapando a boca.
— Muito original, alguém deveria lhe dar um prêmio. — Sentei ao lado deles.
— Como o jovem Edward está? — Emmett perguntou. — Nós temos de marcar outro jantar, estou com saudades do garoto, é divertido.
— Claro, vocês dois tem a mesma idade mental — Rose falou, voltando a sua revista.
— Edward é mais inteligente — afirmei.
— É, não vou negar que isso pode ser um fato. — Rosalie me analisou. — Você parece meio pálida, tudo bem?
— Eu topei com o pai dele enquanto deixava a universidade, fiquei aflita depois disso.
— Oh, você e o sogrão se dão bem?
— Suma Emmett! — Rosalie mandou.
— Mas, eu...
— Suma, vá conversar com as outras grávidas, pergunte como elas se sentem sem parecer um psicopata.
— Tudo bem, vou deixá-las sozinhas. — Ele seguiu a ordem da esposa, afastando-se até um casal, a mulher parecia estar grávida de pelo menos cinco bebês.
— Como isso entre você e o jovem Edward está indo?
— Não o chame assim — pedi resmungando.
— Ele é mais jovem, apenas aceite. — Rose deu de ombros, jogando sua revista de lado. — Escute Bella, o garoto está apaixonado, você sabe o que é estar apaixonada, certo?
— Sim, eu estive apaixonada por Mike e uma meia dúzia de caras no passado.
— E não está por Edward? — Os olhos dela me avaliaram.
— Edward é um cara maravilhoso, eu disse a ele que pode me fazer sentir o mesmo que ele já sente.
— Mas? Eu sei que há um mas por ai.
— Eu tenho muito medo de como isso pode acabar — sussurrei. — Nós checamos o regulamento, não há nada sobre relação professor aluno, mas se o que nos temos vier à tona, muita coisa pode acontecer. Seria um escândalo.
— Isso é patético, o que mais tem por ai é professor fodendo alunas, o contrário é escândalo.
— Você não acha isso errado? — perguntei a Rose. — Quer dizer, não acha que eu devia estar saindo com um cara da minha idade? Que estivesse no mesmo nível que eu, por exemplo.
Rosalie suspirou.
— Acho, principalmente por ter medo de como isso tudo pode acabar. — Ela afagou meus cabelos gentilmente. — Mas quando vi você e Edward no sábado durante o jantar, a forma como vocês agiam um com o outro. Aquilo, sei lá, pareceu certo, mesmo que de mil formas não devesse.
— Rosalie Hale-McCarty. — Ela foi chamada.
— Oh Deus, vamos lá descobrir o sexo do bebê! — falou ansiosa, então Emm se juntou a nós duas e seguimos para o consultório.
Depois de toda a preparação, o som do coração do bebê soou pela sala. Meus olhos marejaram imediatamente, pensando em como aquilo era bonito.
Um pensamento de mim deitada em uma cama hospitalar, ouvindo o coração do meu próprio bebê tomou conta de mim, mas tranquei rapidamente no fundo da minha mente. Eu não ia ter um filho tão cedo, isso parecia claro de qualquer ângulo por qual olhasse minha vida.
— Prontos para saber o sexo? — A médica perguntou.
— Sim. — Emmett e Rosalie, parecendo em puro êxtase, responderam.
Continuei levemente afastada, deixando-os ter um primeiro momento sozinhos.
— Bom, ai vamos nós. — A médica fez seu devido suspense. — Vocês tem alguma preferência?
— Não — responderam juntos novamente, Rosalie já ficando irritada com a demora completou. — Apenas diga logo — pediu.
— Certo — a médica concordou, então sorrindo anunciou. — Vocês vão ter um menino!
As lágrimas deslizaram por meu rosto, no mesmo instante que Rose começava a chorar e Emmett a exclamar que ele ia ensinar todos os esportes no mundo para o filho.
Emocionada, eu peguei meu celular, mandando uma mensagem para Edward com a novidade. Querendo que ele participasse daquilo, mesmo com todo o temor nos cercando dia após dia.
Bella: É um garoto, Rose estava certa, é claro!
Vi Rosalie sorrindo para mim, então fui até ela.
— Estou tão feliz por você, Rose. — A abracei, beijando sua cabeça.
— Eu estou muito feliz. — Rose segurou minha mão, olhando para mim também. — Quero que seja feliz também, Bella, é tudo que me importa.
***
A sexta-feira começou muito bem, não apenas por Ângela, ter me enviado uma foto dos meus sobrinhos, mas por Edward e eu termos combinado de nos encontrar aquele dia.
Eu mal podia esperar para tê-lo em meu apartamento de novo, ainda tínhamos muitas camisinhas na caixa para serem usadas. Então, estranhei uma mensagem dele no fim da tarde, quando tinha acabado de chegar em casa.
Edward: Vista-se para sair.
Bella: O que? Edward, que diabos está tramando?
Edward: Não surte, Baby, confie em mim. Estarei ai às sete.
Obviamente o pedido dele para que eu não surtasse não adiantou de nada, nós dois sabíamos muito bem as implicações de deixar meu apartamento. Não poderíamos simplesmente ter um encontro, ir a um restaurante, cinema, ou qualquer lugar público que pessoas erradas pudessem nos ver juntos.
Ainda assim, eu acabei me vestindo para sair, talvez ele apenas estivesse cansado de me ver apenas em camiseta e calcinha. Homens eram visuais, talvez ele precisasse de um estimulo.
Olhei para meu corpo nu quando sai do banho, o que Edward via nele? Eu era tão magra, tão reta e devidamente sem peitos grandes e velha. Ele era novo, podia ter qualquer uma, por que eu?
As perguntas já estavam fora da minha mente quanto a campainha tocou, calcei meu salto, caminhando até a porta. Eu sorri ao ver Edward em vermelho como eu, se tivéssemos combinado não poderíamos ser mais óbvios.
Enquanto eu usava um vestido vermelho até o meio de minhas coxas, com mangas compridas, decote e de tecido fino. Edward ostentava toda sua beleza em um suéter vermelho que agarrava-se em seu peito e ombros, uma calça jeans e os sapatos da festa da universidade.
— Obrigado por ter atendido meu pedido, você está incrível, por falar nisso — ele disse, estendendo uma rosa para mim, que só ali notei.
— Você me trouxe uma flor? — perguntei surpresa, tomando a única rosa em minha mão.
— Eu queria fazer isso certo. — Edward sorriu, mas parecia nervoso.
— O que é isso? — indaguei.
— Isabella Swan, nós estamos saindo em um encontro.
Foda-se, ele tinha enlouquecido.
— Edward...
— Não se preocupe, ninguém irá nos ver, eu prometo.
— Está pretendendo usar disfarces? — Tentei brincar.
— Apenas confie em mim. — Ele tomou minha mão que não estava segurando a rosa, levando-a a seus lábios. — Você pode fazer isso?
— Posso — cedi, rapidamente fui até a cozinha colocar a rosa em um vaso, chequei se Lady tinha comida e água, então peguei uma bolsa, socando meu celular e camisinhas lá, pois não sabia como aquilo podia acabar, e voltei para Edward. — Para onde estamos indo? — questionei, ele já segurava meu casaco, me ajudando a vesti-lo.
— É uma surpresa.
— Não sou fã de surpresas.
— Ótimo, isso é parte da programação da noite, nos conhecermos melhor.
Eu deixei ele me levar para baixo, então para seu carro estacionado diante meu prédio. Edward claramente fez tudo de abrir e fechar portas para mim, ajudando-me a entrar no carro e regular o aquecedor ao meu gosto.
O caminho foi curto, sem me dar tempo de voltar a questioná-lo sobre nosso destino. Logo estávamos entrando na garagem de um prédio residencial não muito afastado do que eu morava.
— O que há aqui? — perguntei quando Edward e eu seguimos pelo elevador da garagem.
— O apartamento de Tanya.
— Deus, os pais dela são mesmo ricos! — Não me contive de dizer, eu tive de esperar ter trinta anos e um cargo alto para um apartamento caro, a garota nem tinha vinte e um e já morava em um daqueles.
— Ela estará fora essa noite — Edward falou, afagando meu rosto, minhas costas apoiadas contra a parede.
Eu não disse nada, logo o elevador parava no andar de nosso destino e Edward me conduzia para um dos apartamentos.
— Tanya está bem sobre você usando o apartamento dela? — perguntei enquanto ele abria a porta.
— Sim — Edward respondeu. — Não se preocupe, está tudo certo.
Nós entramos no apartamento, então depois de nos livrarmos de nossos casacos, Edward me guiou até a varanda. Eu estanquei na porta ao ver o que tinha ali.
A mesa da varanda estava coberta por uma toalha branca, pratos e taças já postos ali, como até mesmo uma vela ainda apagada no centro.
— Sei que é pouco, eu definitivamente não cozinhei esta noite, apenas comprei comida...
Eu me virei para trás, onde Edward estava, interrompendo suas desculpas.
— Você é maravilhoso — sussurrei, meio sufocada com a surpresa.
Ele tinha nos preparado um encontro, nós não podíamos ir a rua ter um, então ele tinha planejado tudo aquilo.
Tomei o rosto de Edward em minhas mãos, levando meus lábios aos seus. Trocamos um beijo arrastado, mais explorador do que devastador. Eu tinha estado a semana inteira querendo mais dele, finalmente estava tendo.
— Senhorita, tome seu lugar. — Com um sorriso brincalhão Edward puxou minha cadeira, deixando com que eu sentasse. Estávamos quase no topo do prédio, então as luzes da cidade ali pareciam quase borrões.
— O que temos no cardápio hoje, chefe Edward? — indaguei, colocando o guardanapo em meu colo, enquanto ele usava o isqueiro para acender a vela.
— Dois pratos mais refinados possíveis, senhorita. — Ele cruzou as mãos atrás de seu corpo. — Lasanha ou strogonoff congelados. — Eu ri, sendo acompanhada por ele.
— Diga-me, chef Edward, você tem alguma preferência alimentar?
— Não, senhorita, eu posso comer de tudo.
— Okay, então escolho o strogonoff, não acho que conseguiria comer uma lasanha sozinha.
— E para beber, senhorita? Temos cerveja cara de Tanya, ou vinho. Nós infelizmente acabamos a vodca algumas semanas atrás. — Torceu o nariz.
— Vinho parece ótimo.
— Eu volto em um instante.
Ainda sorria quando ele se afastou, prometendo que pelo menos aquela noite os temores e receios não estariam em conversa.
— Senhorita. — Edward voltou com meu vinho e uma garrafa de cerveja para si, sentando-se no outro lado da mesa.
— Você tem algum problema com vinho? — perguntei, se estávamos ali para conhecer um ao outro melhor, que o jogo começasse de uma vez.
— Sim, eu sou extremamente fraco para vinho — Edward respondeu, dando um sorriso torto. — Se lembra que eu joguei toda minhas verdades sobre você quando tomei pela última vez, certo? — Assenti. — Nossos pratos principais estão esquentando, alias.
— E o que teremos de sobremesa? Cereal?
— Seria uma excelente ideia. — Edward gargalhou, repousando sua garrafa de cerveja sobre a mesa.
Logo estávamos conversando sobre nossas vidas, até o momento que nos encontramos. O jantar, mesmo sendo comida congelada, não foi ruim. E, conversar com Edward era muito bom.
—Então, quando mamãe morreu, eu me senti estranhamente sozinha — contei, sentindo minha voz enrouquecida pelo choro contido, já estávamos na sobremesa, sorvete, quando entrei naquele assunto. — Eu tinha Rosalie, Emmett, meu pai, minha irmã e os filhos dela, mas sem mamãe tudo parecia muito, muito ruim. Não muito depois eu estava aceitando casar com Mike. — Edward parecia me avaliar atentamente.
— E ele se aproveitou, você estava fragilizada. — Edward bufou.
— Eu não fui forçada. — Tomei mais um pouco de sorvete.
— Não se arrepende de ter casado com ele?
Olhei em seus olhos verdes, Edward parecia incrivelmente sério.
— Não — admiti. — Eu amei Mike, ele foi meu melhor amigo e um bom namorado, mas acabou entre a gente.
— Por que exatamente acabou?
Suspirei, passando a mão pelos cabelos.
— Antes de eu receber a proposta de ir estudar em Oxford, por um ano inteiro, Mike e eu estávamos tentando ter um bebê. — Edward engoliu em seco. — Ele não soube lidar com minha necessidade de esperar por aquilo por mais um tempo para que eu pudesse voar até a Inglaterra e passar apenas um ano estudando, me colocou contra a parede, mandando-me escolher entre nosso casamento ou Oxford, algo que seria de extrema importância para minha carreira.
— Sua carreira é extremamente importante para você — Edward murmurou, parecendo perdido em pensamentos.
Não disse nada, eu não podia dizer que mesmo com tão pouco tempo ele também era importante. Porém, que as prioridades em minha vida não podiam mudar tão rápido.
Levantei, sentindo o olhar de Edward preso em mim. Eu indiquei que ele afastasse um pouco sua cadeira da mesa, quando fez isso sentei em seu colo. Contornei seu pescoço com um braço, enquanto repousava minha testa na sua, a mão livre levei a sua, entrelaçando nossos dedos.
— Obrigada pela noite incrível, Edward — sussurrei, sentindo sua outra mão afagar minhas costas. — Eu gostaria de ter mais noites assim no futuro.
Edward se remexeu embaixo de mim, nossos olhos se encontrando na luz da vela.
— Eu também gostaria, Bella.
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