Dez Anos
21 Capítulo Vinte
Notas iniciais
Capítulo Vinte
Edward Cullen
Nem mesmo Bella era capaz de me fazer gostar de provas, eu odiava fazê-las, mesmo que em noventa e nove por cento dos casos me saísse muito bem nelas, ainda detestava prestar qualquer tipo de teste. Então, lá estava eu, entediado mordendo a tampa da caneta, enquanto tentava entender como a mente de Isabella queria que eu respondesse dez questões absurdamente complexas em uma hora.
Foda-se, ela era o demônio como professora. Talvez eu odiasse a versão senhorita Swan um pouco, gostava das roupas e do fetiche em cima disso, mas ainda preferia a Bella de camiseta e shorts que não me torturava com provas.
Nós estávamos juntos por mais de três semanas, quase no fim de outubro. Mantendo nossos encontros no apartamento dela depois que eu consegui o de Tanya por uma noite no começo daquele mês, ela tinha sido extremamente prestativa me emprestando sua casa quando aleguei estar surtando com a ideia de ficar trancado com Isabella apenas no seu apartamento, por mais divertido que isso poderia ser e era no fim das contas.
Ainda queria poder sair com ela por ai, levá-la para qualquer lugar público e não me importar em segurar sua mão enquanto andávamos juntos, mas nós dois sabíamos que não podíamos fazer isso, pelo menos não ainda. E, com Tanya saindo de seu celibatário depois do termino com Leah, começando a levar outras garotas para seu apartamento, Bella e eu tínhamos de nos contentar com as paredes do dela.
Era foda saber que nem ao meu apartamento podia levá-la, primeiro porque Alice estava sempre lá com Jasper e eu não queria que ela soubesse sobre Bella e eu, segundo porque o prédio estava cheio de alunos da universidade. Seria absurdamente fácil que um reconhecesse Isabella passeando pelas escadas.
Quando a hora de aula de Bella acabou, faltava finalizar duas questões. Maravilhoso, a mulher com que eu estava ficando me consideraria um estúpido, tudo que eu queria.
Joguei minha mochila sobre o ombro, enquanto via Tanya nada contente com a prova também, entregando a sua para Bella, enquanto marchava para fora da sala sem se importar em me esperar.
— Senhorita Swan, espero que seja boazinha na correção da minha prova. — Vi Jacob Black entregar sua prova a Bella. Infelizmente eu o conhecia por meio dos meus pais, o pai dele, Billy Black, era um grande figurão de exportação de Seattle e um generoso doador a universidade pelo que Carlisle dizia.
— Você terá a nota que merecer por suas respostas, senhor Black — Bella disse de forma entediada para ele, enquanto esticava sua mão para mim, passei minha prova a ela, que imediatamente viu as duas questões em branco na primeira folha. — Aparentemente você também, senhor Cullen. Agora, movam-se! — ordenou a mim e ao Black, apontando para a saída.
— Pense com carinho em mim quando for corrigir minha prova, senhorita Swan — Jacob disse em um tom que me enojou, enquanto apertava meu ombro, guiando-me para fora da sala. Rapidamente me soltei de seu toque. — Ela é fodidamente gostosa, não? — Jacob perguntou em um tom conspiratório para mim quando chegamos ao corredor, lançando um olhar malicioso para o interior da sala, onde Bella arrumava seus pertences, alheia ao fodido Black comendo-a com os olhos. — Já imaginou como são os peitos dela? Ou a boceta dela, deve ser rosada e...
— Cale-se! — o interrompi, irritado demais para continuar a ouvir aquilo.
— Qual é, Cullen? — Ele riu. — Não banque o virgem, você certamente já se imaginou fodendo a senhorita Swan. Todos os caras dessa universidade que já colocaram os olhos sobre ela já devem ter imaginado isso.
— Mas só eu fodi! — gritei em minha mente, enciumado e puto da vida.
— Eu tenho que ir, Jacob — foi tudo que me permiti falar, o deixando para trás, enquanto seguia até o fim do corredor, onde Tanya esperava por mim, encarando Jacob que tomava a direção oposta.
— Ele estava sendo um imbecil? — perguntou, unindo seu braço ao meu, nós dois saindo do prédio para o ar livre frio do fim de outubro.
— Sim, sobre ela — falei, sabendo que Tanya entenderia sobre quem eu me referia, não podia correr riscos de dizer o nome de Isabella em público e deixar que qualquer um escutasse e associasse a Isabella que eu estava falando a minha professora. — Sobre o corpo dela, sobre transar com ele, é um babaca de marca maior. — Bufei.
— Não ligue para ele, é só mais um playboy idiota da faculdade... — Tanya se calou, segui o olhar dela, vendo Leah não muito longe de onde estávamos, beijando uma garota loira. — Aparentemente ela tem preferências — Tanya disse, a voz com um tom venenoso. — Edward, tire-me daqui, por favor — pediu, eu a olhei, vendo seus olhos começarem a marejar.
Apenas suspirei, puxando-a de volta ao prédio. Bella estava saindo de sua sala, podendo ver quando passamos por ela, Tanya de cabeça baixa e chorando o mais discretamente possível que podia em público.
— Senhorita Martin? — Bella a chamou, fazendo com que parássemos no meio do corredor.
— Sim? — Tanya fungou, olhando para Bella.
— Eu gostaria de conversar com você por um momento, será que pode vir até mim? — indicou o interior de seu escritório ali ao lado.
Tanya me olhou apreensiva, mas apenas concordei com um aceno de cabeça.
— Claro — Tanya murmurou, seguindo para o escritório de Bella junto a ela.
Parte de mim odiou o fato de ser deixado de fora, mas a outra sentiu-se muito grata por saber o que Bella estava fazendo. A única garota, que não era uma ex de Tanya, que sabia sobre sua sexualidade era Alice, que estava fora do caminho, então Bella estava ali pronta para ajudá-la no momento que claramente era pesado demais, mesmo que não soubesse o que tínhamos visto do lado de fora.
Eu me senti feliz por ela se importar com minha melhor amiga, isso significava muito para mim e para nós dois.
Na hora do almoço eu me encontrei com T em uma das lanchonetes do campus, ela parecia muito melhor e sorria abertamente, como se sequer tivesse visto a garota por quem era apaixonada beijando outra. Não que Tanya estivesse se guardando para Leah, ela já tinha mencionado pelo menos cinco garotas nas últimas semanas, mas ainda era diferente estar frente a Leah e vê-la com outra.
— Sua namorada é a melhor, eu totalmente a aprovo! — Tanya disse quando sentei junto dela, já com minha comida em mãos.
— Tecnicamente ela não é minha namorada — falei. — Não aconteceu qualquer pedido ou coisa do tipo. — Dei de ombros.
— Dane-se! — Tanya se remexeu inquieta na cadeira, ainda sorrindo. — Ela foi um doce, deixou-me em seu escritório, pegou café para mim do jeito que gosto, direto da sala dos professores e me ouviu chorar e falar sobre Leah por quase uma hora durante essa manhã. Eu a amo, se você a perdê-la, eu a tomarei para mim.
— Ela não é bissexual — falei, mordendo meu sanduíche.
— Você já perguntou isso a ela? Ela pode ter tido experiências com garotas quando tinha nossa idade. Antes de Leah. — Rolou os olhos. — Estive com duas garotas que só queriam saber como era dormir com uma garota.
— Emocionante — debochei, ganhando um gesto obsceno de Tanya.
— Agora, sério. — Ela se curvou sobre a mesa, aproximando-se de mim. — Bella é maravilhosa, não apenas fisicamente, apesar disso ser algo inegável. Mas, ela é muito gentil, doce e até mesmo divertida, espero que tudo entre vocês nunca acabe.
— Eu também — sussurrei.
— Mas eu posso ver em seus olhos que ainda tem medo disso. — Tanya tocou em meu rosto, apenas assenti. — Vai ficar tudo bem, Edward, talvez vocês enfrentem uma tempestade longa demais até que a calmaria os encontre, mas ela irá os encontrar.
— Uma hora com Bella e você está falando cheia de pompa? Deveriam passar mais tempo juntas — brinquei, tentando não pensar na carga de suas palavras, Bella e eu ainda estávamos em uma calmaria pré-tempestade, queria me deleitar mais um pouco com isso antes dos tempos difíceis começarem.
***
Alice estava ficando maluca, eu podia dizer isso pelo modo que ela me olhava parecendo que podia explodir minha cabeça com a força do pensamento. Por semanas me vendo fora por quase todo fim de semana, trancado em meu quarto em ligações noturnas, ou evitando qualquer encontro que ela quisesse marcar com uma de suas amigas, a garota já devia saber que eu tinha alguém, só não sabia que era Bella.
— Oi. — Atendi meu celular enquanto entrava no meu carro com Alice no fim do nosso dia de trabalho na sexta-feira.
Era o começo de um fim de semana sem Bella, ela mandou uma mensagem dizendo que tinha algumas coisas para fazer com Rosalie e que não poderíamos nos ver aquela noite. No dia seguinte eu teria de me unir a Tanya para aguentar o jantar de aniversário de casamento dos seus pais, então não poderia estar com Bella. E, meus domingos eram reservados a dar conta de tudo que podia estar acumulado da universidade.
— Edward Cullen? — a voz feminina perguntou do outro lado da linha, eu forcei um pouco a mente querendo me lembrar de onde a conhecia, então minha mente explodiu em compreensão.
— Oi Rosalie! — a cumprimentei com entusiasmo, vendo Alice tentar parecer concentrada em seu celular, enquanto na verdade estava prestando atenção em cada palavra minha.
— Ótimo, eu estava caçando seu número na internet, apareceram alguns Cullen, mas você era o único Edward. — Rosalie parecia aliviada. — Teria sido um caos ligar para a pessoa errada. Bella disse que estaria comigo hoje, certo?
— Sim, vocês não tinham algo para resolver? — perguntei confuso.
— Não, eu estou viajando com Emmett. — Rosalie suspirou. — Eu tive de vir a Portland a trabalho ele insistiu em me acompanhar pela gravidez. Enfim, você tem ideia de que dia é hoje?
— Vinte e oito de outubro? — Alice me olhou mais interessada ainda.
— Sim, mas o que este dia representa.
— Não — confessei. — Isso é você testando meu conhecimento sobre história?
— Não, escute, hoje é o dia do aniversário da mãe da Bella. Eu falei com ela mais cedo, disse que estava tudo bem, mas conheço Bella tem muito tempo, Edward, sei que não está. Ela e Renée eram absurdamente unidas, o dia de hoje não é fácil de forma alguma para Bella.
— Sim, eu entendo. — Apoiei minha cabeça no volante, aquilo explicava Bella mentindo por mensagens durante aquele dia inteiro sobre não poder atender minhas ligações por estar ocupada com o trabalho, ela sabia que ia notar algo em sua voz.
— Apenas esteja lá por ela, tudo bem, Edward? — Rosalie pediu em um tom sofrido. — Eu estou me odiando muito por não estar com ela, você é a única pessoa em Seattle agora que pode confortá-la.
— Eu estarei lá — prometi, já ligando o carro. — Obrigado por isso, Rosalie.
— Você é bom para ela — Rosalie falou, parecendo perdida em suas palavras. — Ligue-me se precisarem de algo, até mais, Edward.
— Até.
Nós desligamos, então joguei meu celular sobre o painel do carro, já dirigindo para fora da vaga.
— Rosalie? É sua namorada secreta? — Alice indagou, sua voz exalando curiosidade.
— Não — respondi, dirigindo mais rápido que podia, quanto antes me certificasse de que Bella estava bem seria melhor para minha cabeça.
— Eu pensei que éramos amigos, Edward. Se a tal Rosalie é sua namorada o que custa me dizer?
— Alice, sim, eu tenho uma namorada — falei.
Eu tinha? Era aquilo que Bella e eu éramos um para o outro?
— Eu sei disso, ou você estava sendo abduzido todo fim de semana, ou está com alguma garota, só quero saber quem é! — ela quicou no banco.
— Você não a conhece, ela não estuda na nossa universidade.
Estudou uns dez anos atrás.
— Quando Jazz e eu vamos conhecê-la? Ele obviamente sabe mais do que eu, mas não quer compartilhar informações.
— Assim que possível — disse. — Você pode parar de me encher de perguntas agora? Ela não está em um dia bom, isso me preocupa.
— Tudo bem — Alice concordou, parecendo aliviada em ter coletado informações.
Ela se manteve em silêncio pelo resto do caminho, mas voltou a falar no momento que encontramos com Jazz no apartamento.
— Edward me contou um pouco sobre a namorada dele, Rosalie.
Jasper me olhou confuso, eu apenas dei de ombros, que ela pensasse que era Rosalie. Isso a manteria longe do nome real.
Assim que foi humanamente possível eu estava fora do apartamento, dirigindo até Bella. Subi as escadas do prédio dela rapidamente, chegando até a porta do seu apartamento, tocando a campainha rapidamente.
A imagem de Bella diante de mim era de completa vulnerabilidade, muito diferente da professora linha dura na quinta-feira. Seu rosto estava inchado e vermelho pelo choro, usava uma camiseta minha que roubou no fim de semana passado, com calça moletom que pareciam ter três vezes maior o seu tamanho.
— Edward, eu estou gripada, não quero que fique doente, vá para casa — pediu, quase sem conter as lágrimas, tentando fechar a porta, mas segurei impedindo-a de se trancar lá dentro.
— Rosalie ligou para mim, Bella, eu sei sobre sua mãe. — Entrei no apartamento, trancando a porta atrás de mim.
— Ela estaria fazendo cinquenta e três hoje. — Bella escondeu o rosto entre as mãos, chorando alto.
— Estou aqui, Bella, estou aqui. — A envolvi em meus braços, carregando-a no colo até seu quarto, com ela escondendo o rosto na curva do meu pescoço. — Você quer algo? — perguntei, deitando-a em sua cama.
— Não, apenas vá curtir sua noite, eu estou bem — Bella pediu, mas seus gestos a traíram enquanto seu corpo se aconchegava ao redor do meu, continuando a chorar.
Apenas fiquei ali para segurá-la durante seu choro, sabendo que isso seria de muito mais valia do que ficar falando qualquer coisa que fosse. Em menos de meia-hora Bella estava dormindo sobre meu peito, ainda agarrada a mim, a camiseta cinza que eu usava manchada por suas lágrimas, o que me fez sentir péssimo.
Não gostava de vê-la mal, não era algo que me fazia sentir um pouco que fosse bem.
Fiquei ao lado dela, afagando seus cabelos e rosto, enquanto ela tinha um sono conturbado em meus braços, chamando o nome da mãe constantemente. Rosalie não precisava ter me dito nada sobre a ligação de Bella com Renée, eu sabia disso só por ouvi-la falando com tanta admiração e carinho da mãe.
Eu tomei sua mão esquerda, entrelaçando nossos dedos. Querendo que, mesmo em seus sonhos ela soubesse que eu estava ali.
Uma hora depois, Bella acordou, parecendo assustada a me ver.
— Você não deveria estar aqui — ela falou, sentando-se na cama, mas sua mão nunca separando-se da minha.
— Por que não?
— Porque... — Ela não tinha uma resposta. — Desculpe ter mentido sobre sair com Rosalie — falou por fim.
— Tudo bem, eu entendo o que te levou a mentir — falei, sentando também, varrendo uma mecha de seus cabelos de seu rosto.
— Não, nunca queira entender isso. — Bella voltou a chorar, mas daquela vez apenas com as lágrimas rolando silenciosamente por sua face. — Isso dói demais, Edward. Eu já o ouvi falando sobre sua mãe antes, você nunca vai querer perdê-la, como nunca quis perder Renée. — Sua voz vacilou ao dizer o nome da mãe. — Queria que ela estivesse aqui, queria poder contar com o apoio dela, com as palavras dela. Ela era sempre tão otimista e bondosa, ela me amava mesmo quando eu estava errada.
— Eu tenho certeza de que alguma forma ela está com você, Bella. — Beijei seu rosto, meus lábios encontrando-se com as lágrimas dela.
— Obrigada por estar aqui, Edward. — Bella me encarou no escuro de seu quarto.
— Eu não vou deixá-la.
Bella deu um sorriso triste, assentindo.
— Você diz isso agora, em algum momento irá se cansar — murmurou.
— Bella, não, é sério, eu não vou deixá-la! — exclamei prometendo. — Nem agora, nem depois. Nunca me cansarei de você.
Ela me abraçou com força, então me beijou com urgência.
— Dorme comigo — ela pediu, afagando meu rosto.
— Não acho que esteja em condições disso.
Ela riu baixinho.
— Apenas dormir, Baby — ela especificou, olhando novamente para mim. — Eu pensei que conseguiria passar por isso tudo só, mas não consigo, preciso de você. Mas, eu vou entender se quiser ir para casa, provavelmente tinha algum plano depois que o dispensei e não vai querer passar sua sexta-feira à noite trancado aqui dentro me ouvindo chorar...
Eu a calei fazendo-a deitar novamente na cama, a pegando de surpresa.
— Eu disse que não irei deixá-la, Isabella. Não até você pedir por isso.
Ainda podia sentir o medo dela sobre nós dois, aquilo me matava lentamente, mas eu estava disposto a fazê-la vencê-lo, a fazer Bella entender que podíamos ser maiores do que qualquer obstáculo. Mas, se ela me pedisse para ir, eu iria, não lutaria contra uma causa perdida.
— Fique — ela pediu.
***
Eu odiava os pais de Tanya, eles eram mais irritantes do que os meus. Na verdade, eu me sentia muito idiota por brigar com meus pais quando estava na presença do senhor e da senhora Martin, eles eram intolerantes, preconceituosos e intragáveis.
Não sabia como meus pais podiam ser tão amigos deles.
O jantar para comemorar o aniversário deles estava acontecendo apenas com eles dois, T, meus pais e eu. Na semana seguinte aconteceria uma grande festa para toda Seattle, eu estava tentando não pensar em mais um sábado perdido com Bella por ser arrastado para aquilo.
Foi difícil demais ter de deixar seu apartamento aquela manhã para ir trabalhar, sabendo que não voltaria de noite para estar com ela. Ela estava melhor aquela manhã, sorrindo e brincando de novo, até mesmo foi a pessoa trazendo cereal para a cama, mas ainda me preocupava com ela.
— Então, Edward — o pai de Tanya começou a falar. — Como vai na universidade?
— Muito bem — respondi distraidamente. — Mas, cansativo na maior parte do tempo — confessei, papai assentiu para mim.
— Você é incrível, filho, irá tirar tudo isso de letra — ele disse em um tom de incentivo. — É capaz de muito mais. — Eu não precisava de muito para saber que ele estava dizendo com aquilo que eu devia seguir seus passos.
— E você está namorando agora? — a mãe de Tanya indagou, olhando sugestivamente de mim para sua filha sentada ao meu lado.
— Não — respondi mecanicamente.
— Edward tem de se concentrar nos estudos agora — mamãe disse. — Quem sabe assim ele não vem para o direito comigo. — Piscou para mim.
Não, eu não iria!
— Oh Esme, não seja tão rígida, o jovem Edward é um rapaz muito inteligente, ele saberia lidar com os estudos e uma namorada. — O pai de Tanya falou, então se voltou para a filha. — Assim como nossa garota modelo. — Tanya prendeu a respiração ao meu lado. — Eles não formariam um belo casal? — Caius perguntou ao meu pai.
— Bom, nisso eu tenho de concordar — foi minha mãe quem respondeu. — Você e Tanya seriam um casal fantástico. — Me lançou um sorriso aprovador.
— Não, nós não seriamos — Tanya falou, meio furiosa, mas seu olhar era dirigido ao pai dela.
— T, acalme-se — pedi, estranhando a forma como ela falou com o pai, nunca a vi levantar a voz para eles.
— Garota, não grite comigo, o que deu em você?
Tanya se levantou, espalmando as mãos na mesa.
— Eu sou lésbica — falou em alto e bom som no meio da sala de jantar dos Martin, ouvi os garfos caindo sobre pratos. — Edward e eu nunca seriamos um casal, porque ele é um garoto e eu gosto de beijar garotas.
Porra!
O pai dela parecia que teria um AVC ali mesmo, enquanto a mãe estava horrorizada.
— Retire agora mesmo o que disse, nós não vamos te aceitar sendo uma aberração! — a mãe dela gritou. — Você é uma garota decente...
— Que transa com outras garotas! — Tanya exclamou. — E não a nada de errado nisso. Há algo de errado nisso, Edward?
— Não — respondi prontamente.
— Senhor e Senhora Cullen, vocês tem algo a falar sobre minha revelação? — Confrontou meus pais.
— Você tem certeza? — papai perguntou, ainda em choque, mas eu notei o olhar de mamãe, conservadora até a alma ela não achava aquilo algo normal. Entretanto, ela se manteve calada, eu agradeci por isso, não estava com intuito algum de confrontá-la aquela noite também.
— Isso é insanidade! — Caius explodiu de uma vez, levantando-se e batendo na mesa, seu olhar era mortal para Tanya. — Você está louca, retire tudo que disse agora mesmo, ou vá embora da minha casa.
— Bom, se vocês não me aceitam como eu sou, acho que isso acabou para todos nós — Tanya disse magoada. — Eu menti para mim mesma por muito tempo, então perdi a garota que amo por medo de vocês, não quero mais viver assim. Se vocês quiserem conversar civilizadamente sabem onde me encontrar.
— Iremos tirar tudo de você!
— Meu apartamento, meu carro e minha anuidade escolar são pagos pela minha parte na herança dos meus avós. Eu já sou maior de idade e controlo tudo, vocês não estão tirando mais nada de mim, já tiraram por anos o meu direito de ser quem realmente sou por medo de como iriam agir. Isso acabou aqui. — Ela parecia incrivelmente forte, eu não sabia o que tinha lhe motivado aquilo, mas estava impressionado. — Edward, você vem comigo?
— Sim. — Levantei da cadeira rapidamente.
— Edward Cullen! — mamãe praticamente rosnou para mim, tentando segurar em meu braço uma vez que estava sentada ao meu outro lado.
Eu só pude imaginar como ela ficaria ao descobrir sobre Bella.
— Amo você, mãe. — Inclinei-me para beijar sua cabeça. — Espero que entenda isso tudo em algum momento.
Não apenas Tanya, mas Bella e eu quando — se — contássemos.
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