Dez Anos

11 Capítulo Dez


Notas iniciais
Boa leitura ♥

Capítulo Dez

Edward Cullen

O nome dela era Isabella Swan, ela tinha 30 anos. Seus cabelos tinham um tom de castanho avermelhado, os olhos pareciam chocolates derretidos, pele branca que corava e a deixava adorável. Professora, filha caçula, dona de uma gata e amante de livros.

E, eu estava estupidamente apaixonado por ela. Da forma que nunca estive por ninguém.

Comprovando minhas suspeitas, naquela noite na sua biblioteca, depois dela nada discretamente deslizar sua mão por minhas costas, confirmei que a pele dela era incrivelmente macia. Mas, tão rápido eu tive o prazer de tocá-la, Bella já estava marchando para fora da biblioteca, me deixando perturbado para trás.

Bebi um longo gole da cerveja que ela tinha me trazido, incapaz de segui-la. Ela não queria aquilo, eu também não. Nós dois éramos inteligentes o suficiente para entender o quão errado aquela merda toda era, não precisávamos piorar tudo.

Saquei meu celular do bolso da calça, amaldiçoando a tempestade por tudo de errado que estava acontecendo, eu precisava de sinal para ligar e saber onde Tanya estava. O apartamento dela não era muito longe do de Bella, eu podia dirigir até lá sem a chuva me matar e, fugir da morena.

Me remexi dentro daquele moletom idiota do Mariners, que nem era meu time de Baseball uma vez que eu torcia pro Red Sox por conta do meu pai, a roupa estava apertando meus ombros. Além disso, era um moletom masculino, então algum ex namorado de Bella, ou quem sabe o atual namorado dela, era o dono daquilo.

Porra, ela tinha um namorado. Claro que ela tinha, alguém tão boa como ela não ficaria sozinha. Pensei em rasgar toda a droga daquele moletom em uma birra infantil para prejudicar o cara de alguma forma.

— Eu vou cozinhar algo para comer, você tem alguma alergia?

Olhei em direção a porta da biblioteca, a vendo recostada no batente, braços cruzados e olhos vacilantes.

— Não — consegui responder.

— Ótimo — murmurou, voltando a se afastar.

Passei a mão desesperadamente pelos meus cabelos, os puxando no processo, enquanto bebia mais da cerveja. Eu precisava ir embora, estava a um passo de enlouquecer, ou de ir atrás de Bella e fazer o que tanto queria que era beijá-la.

Arrastei meu corpo até o sofá que tinha ali, girando a garrafa de cerveja em minha mão. Fechei os olhos, me permitindo lembrar da mão dela tocando em mim, então de como foi perfeito tocar no rosto dela logo depois e, de ouvi-la gemer baixinho quando encostei nela. Eu queria mais daquilo, mais dos sons de prazer dela, queria assumir o lugar do vinho tinto e esquentá-la naquela noite fria.

Abri os olhos quando senti algo se mexer no sofá ao meu lado, então vi a gata branca se esticando no sofá. Ela miou, tentou chegar até mim, mas fui mais rápido deixando o sofá.

— Não hoje, coisinha. — Gesticulei para ela, com uma careta no rosto.

Bella não podia ter um cachorro? Um seguro, fiel e brincalhão cachorro? Gatos eram maquiavélicos, assustadores e tinham aquelas garras. Fofinho tinha desgraçado minha pele uma porção de vezes, a cicatriz de anos em meu antebraço comprovava isso.

Lady pulou do sofá, tentando chegar até mim, então fui obrigado a fugir dela para fora da biblioteca. Segui até a sala, ainda com a coisinha me perseguindo, mas ela se distraiu com um brinquedo de gato que tinha por ali, então acabei entrando na porta que presumi levar a cozinha.

— Por que não um cachorro? — perguntei a Bella, que acabava de colocar uma panela no fogão.

Ela tinha algumas lâmpadas de emergência ali também, então pude a ver surpresa com minha aparição, então confusa com minha pergunta. Eu devia me afastar de Bella, mas Lady estava por ali com suas garras e, eu preservava muito meu sangue para vê-lo jorrando no carpete. Ao menos a hemorragia provocada por Isabella era interna, bem no meio do meu peito.

— Ela foi um presente — respondeu. — Minha melhor amiga achou que eu ia gostar de ter um bichinho quando me mudei para cá. — Deu de ombros. — Você realmente tem medo, em, isso é ruim, procure ajuda médica. — Não pude deixar de notar o tom provocador em sua voz, assim como sua fala mais arrastada, olhei para sua taça de vinho, a vendo completamente cheia, então ela já tinha bebido a outra.

— Seu apartamento é tão grande — cuspi, notando o tamanho daquela cozinha.

— Oh sim, eu precisava de espaço, odeio apartamentos em que tudo é conjugado e sem portas, pois tudo é um cômodo só — resmungou, mexendo nos armários e geladeira, pegando ingredientes para o que seja que estivesse cozinhando.

— Obrigado, fico contente que despreza meu apartamento e sua arquitetura barata.

Ela sorriu um pouco, pegando sua taça e bebendo um grande gole. A imitei, bebendo mais da minha cerveja.

— Já estive em um desses, Edward, era uma droga. Paredes finas — murmurou o final.

— O que você está cozinhando? — perguntei, terminando minha cerveja.

— Espaguete, eu não tenho uma dispensa cheia para elaborar nada além disso, realmente devia ter ido fazer compras esta manhã, mas fiquei entretida demais com seu livro. — Começou a se movimentar pela cozinha, fazendo o que tinha de fazer ali. — De onde tirou inspiração para a história?

— Minha mãe.

Ela me olhou espantada.

— Não, eu não baseei Ellen nela — neguei rapidamente. — É que minha mãe é advogada como meu pai, nós dois somos completos viciados em séries policiais, um dia no começo do verão estávamos vendo uma e, mamãe estava fazendo suposições de todo o caso nos três primeiros minutos do episódio. Ela errou tudo, o que foi surpreendente, pois Esme Cullen nunca erra, mas minha cabeça estava fervilhando de ideias em cima de todas as suposições dela.

— Ela é bacana? — Bella indagou, bebendo o resto do vinho em sua taça. — Você quer um pouco disso, ou outra cerveja?

— Vinho, pode ser. — Concordei. — Sim, ela é bacana. Mas, pode ser extremamente irritante quando quer. Já falei que sou filho único, né? Isso é uma droga, Esme me colocou em uma redoma de vidro durante bons anos.

— Você vai se formar em direito como ela e seu pai? — Bella colocou minha taça sobre a mesa, evitando qualquer contato direto comigo.

— Arg, não — resmunguei. — Eu odeio isso — afirmei. — É o que eles querem, no entanto. Vou pegar um diploma em inglês.

Bella me lançou um grande sorriso.

— Você quer ser um professor, também?

— Não. — O sorriso desapareceu. — Não realmente, isso é uma segunda opção que eu quero nunca ter de seguir, minha primeira ideia é virar um escritor, mas acho que isso não pagará todas minhas contas — sussurrei o final.

— Você é novo, vai se sair bem.

— Eu tenho 20, não é como se eu fosse um adolescente, você sabe. — Enfiei a mão em meus cabelos outra vez, odiando a forma como ela dizia que eu era novo, como se isso significasse que a vida e os problemas eram mais simples.

— Entendeu o que quis dizer. — Voltou a se concentrar no preparo da comida. — Seu pai parece alguém muito legal, ele foi bem receptivo comigo.

— Posso apostar que foi.

Eu só me perguntava a reação de Carlisle se eu fosse até ele e falasse:

— Ei, pai, tudo bem? Então, eu gostaria muito de beijar minha professora, isso ainda te faz ser bacana com ela?

Nem queria imaginar a reação de Esme com algo assim.

— Você é de Seattle? — perguntei.

— Não, Forks. Você provavelmente não conhece, fica há três horas daqui. E você?

— Nascido e criado. — Bebi um pouco do vinho, arrependido de não ter pedido a cerveja, eu não era um bom bebedor de vinho, era forte demais.

— Pretende ir para algum lugar depois da faculdade? Eu voltei para Forks quando me formei, mas retornei para Seattle quanto antes — disse empolgada, mexendo o macarrão na panela. — É a melhor cidade do mundo.

— Não tenho grandes planos — confessei.

A verdade era que estava incrivelmente ferrado depois da faculdade, pois minhas opções seriam trabalhar para meus pais, virar professor, ou procurar algum outro emprego, pois o emprego na livraria de Nelly não seria mais suficiente.

Vi Bella tirar uma tira de macarrão da panela para provar, o levando até sua boca. Engoli em seco ao ver os lábios dela sugando o macarrão, então lambendo a ponta dos dedos. Ela sequer se dava conta do que aquilo causava nos homens? Ela na verdade parecia inconsciente demais de quão bonita era.

Mas, ela tinha um namorado, o cara do moletom, então ele devia se esperto suficiente para fazê-la saber que era linda.

Bebi mais do vinho, a vendo cozinhar perdida demais em seus próprios pensamentos. Enquanto eu estava perdido demais no corpo dela, no pescoço exposto graças ao coque, na curva da sua cintura que podia se ver por debaixo do moletom, no modo que os jeans moldava-se a bunda dela, em suas coxas.

Eu queria me afundar no corpo dela, seus lábios sendo apenas uma parte do todo que eu queria provar.

Quando ela se virou para pegar algo no balcão, me viu a olhando sem pudor nenhum. Suas bochechas coraram e, desviou o olhar rapidamente. Eu larguei a taça de vinho sobre a mesa, frustrado demais com tudo aquilo, prometendo a mim mesmo que no momento que visse Alice pediria o número da tal de Amber, precisando arranjar um meio alternativo de tirar Bella da minha mente.

Sentei em uma das cadeiras, pegando novamente meu celular e checando o sinal, ainda nada. Evitando voltar a olhar para Bella, me distrai com o bloco de notas cheios de escritos que eu acabava fazendo quando estava entediado, odiei tudo ali, frustrado com aquilo também.

Fui despertado algum tempo depois, com Bella colocando um prato na minha frente, murmurei um agradecimento, pegando o garfo que tinha vindo junto e passando a comer. Ainda que enjoado, tive de aprovar que ela cozinhava muito bem.

Mantive meus olhos no prato enquanto comia, apenas ouvindo Bella do outro lado da mesa comer também. Eu podia pegar a tensão em minhas mãos de tão palpável que era.

— Você tem um namorado? — a pergunta saiu da minha boca antes que eu pudesse detê-la, então o silêncio se tornou tão profundo, que pude escutar o som da chuva do lado de fora.

Levantei o olhar para Bella, vendo a segurando seu garfo com um pouco de macarrão ali, seus olhos fixos em minha direção.

— Não — respondeu.

— Eu pensei que tivesse um. — Apontei para o moletom que usava.

— É do meu pai — disse rapidamente. — Ele é um grande torcedor do Mariners — falou em um tom de pouco caso, pegando sua taça novamente cheia e bebendo mais.

— Por que você não tem um namorado? — insisti, largando de mão meu prato de espaguete.

— Eu acho que isso não é de sua conta, senhor Cullen. — Seus olhos se estreitaram.

— Só estou sendo curioso, senhorita Swan. — Apoiei meus braços na mesa, inclinando-me sobre a mesma, mas era larga demais para ficar perto de Bella. — Você é bonita demais para não ter um namorado, isso não faz sentido. — Ela voltou a corar, com mais intensidade do que quando falei sobre as cenas de sexo em meu livro na cafeteria mais cedo.

— Então, se uma pessoa é bonita ela não pode estar só? — Arqueou uma sobrancelha. — Isso também não faz sentido, as pessoas não precisam de outra para serem completas, o lance de almas gêmeas é uma completa mentira. — Deu o sorrisinho que sempre dava em sala quando alguém dizia algo que ela iria prontamente desconstruir. — E, até onde eu sei você também não tem uma namorada, não é?

Eu paralisei, aquilo queria dizer que ela me achava bonito?

— Então, você me acha bonito? — Verbalizei meus pensamentos.

— Você sabe minha resposta, Edward, por que insiste em perguntar?

— Você me acha bonito? — Repeti.

— Sim! — ela exclamou em um tom de voz alto, um brilho de raiva passando em seus olhos. — Você sabe que é bonito, não banque o surpreso.

— E você sabe que é bonita? — rebati.

— Sei, eu não sou mais uma adolescente insegura com meu corpo, isso já morreu há anos, acredite. — Bufou.

— E você sabe o que causa em mim, não sabe? — A confrontei.

Ela expirou, desviando os olhos de mim.

— Isabella?! — a chamei, vendo-a me olhar em choque e, sabia que meu tom tinha saído de uma forma que nunca falei com ninguém. — Você sabe, não é? — Bella mordeu o lábio inferior, dando a mim a vontade de mordê-lo por ela. — Eu vou embora. — Levantei.

— Ainda está chovendo — disse da mesma forma que tinha dito na cafeteria quando insisti em ir embora.

— Não posso ficar perto de você, isso está me deixando maluco — sussurrei.

— Não vou deixá-lo enfrentar uma tempestade, Edward. — Se levantou também, pegando os pratos e taças, indo até a pia, ficando de costas para mim. — Você pode ficar na biblioteca até a chuva passar, eu estarei em meu quarto. — Jogou a comida fora, quando passou por mim segurei em seu braço.

— Você sabe, certo? E, estou delirando, ou eu causo o mesmo em você?

Bella me encarou, sem dizer nada. Eu deslizei minha mão do seu braço até sua mão, sentindo um arrepio ao tocá-la, era pequena, quente e macia.

— Sim — ela sussurrou, olhando para nossos dedos entrelaçados. — Sim para ambas as respostas.

Senti meu coração bater mais rápido com a resposta positiva dela.

Eu me inclinei em sua direção, deixando meu rosto próximo aos seus cabelos, podendo sentir ali o cheiro de morangos que sempre parecia estar envolta dela. Bella apertou minha mão na sua quando deslizei meu nariz por sua bochecha, então ela me soltou, sua mão infiltrando-se por debaixo do moletom em minhas costas.

Os dedos dela traçaram linhas imaginárias até a altura dos meus ombros. Eu já respirava com dificuldade graças ao toque dela, principalmente com meu rosto tão perto do seu, ela era toda morangos e vinho, uma combinação quente e atrativa demais para meu próprio bem.

Girei meu rosto, podendo ver seus olhos castanhos fixos em mim, morangos, vinho e chocolates, tentadora. Ela tirou as mãos de minhas costas, trazendo uma até meu rosto, traçando minha mandíbula com a ponta do dedo.

— Você é tão bonito — ela sussurrou com a voz rouca.

Por fim toquei nela, afundando minhas mãos em sua cintura e a puxando para mim, seu corpo chocando-se contra o meu. Vi surpresa em seu rosto devido ao meu ato e, por um momento quis me chutar por estar agindo como um babaca, mas logo vi que ela não estava me repudiando por aquilo.

Sua mão ainda em minha mandíbula foi até meus lábios, enquanto eu a sentia por todo o lugar ao redor de mim, seu corpo moldando-se ao meu. Eu beijei a ponta de seus dedos, vendo-a suspirar com aquilo, gemendo mais uma vez por minha causa aquela noite.

Já sem aguentar aquilo tudo, eu me inclinei em sua direção, a beijando como queria. Foi como ir do céu ao inferno em uma fração de segundos, era tão bom e errado ao mesmo tempo.

Segurei na base de suas costas, a trazendo para cima, enquanto colocava meus lábios nos seus, suas mãos fixas na frente do moletom que tinha me emprestado. Ela tinha um gosto forte de vinho, mas aquilo só pareceu tornar tudo ainda melhor.

Seus lábios eram urgentes contra os meus, eu logo pude sentir sua língua deslizando por minha boca, fazendo com que fosse minha vez de gemer. Ela era tão boa naquilo, sabia tão bem o que fazer, eu estava jogado aos pés daquela mulher.

Suas mãos agarraram o cabelo da minha nuca, fazendo com que eu me despertasse de toda a admiração e correspondesse o beijo a altura. Ainda segurando em suas costas, eu a guiei até sua mesa na cozinha.

A ergui, fazendo sentar sobre o móvel. A boca dela saiu da minha e, vi suas pupilas dilatadas.

Eu abri suas pernas, encaixando-me entre elas, percorrendo suas coxas com minhas mãos. Bella gemeu alto quando cheguei ao interior de suas coxas, amaldiçoando a existência dos jeans, sua cabeça jogada para trás, olhos fechados e boca entreaberta, os cabelos caindo do coque.

Me perdi nela, continuando a tocar em suas coxas, vendo-o o prazer em seu rosto. Beijei sua garganta, descendo meus beijos para sua clavícula, então para o pequeno decote de seu moletom.

Ela puxou meus cabelos, fazendo com que erguesse meu rosto, antes eu que pudesse fazer qualquer coisa, Bella já estava me beijando. Suas pernas se enrolaram ao redor do meu corpo, nossos jeans se encontrando onde eu desejava não ter nenhuma peça de roupa, já estava ficando duro por ela e, sabia que ela era capaz de sentir isso.

Abaixei seu corpo sobre a mesa, a deitando ali, ficando por cima dela. Podia sentir seus seios contra meu peito, pressionados em mim. Querendo mais deles, mais de Bella, foi minha vez de infiltrar minhas mãos no interior de sua roupa, podendo senti-los sobre o tecido fino do sutiã.

Bella mordeu meu lábio quando a toquei ali, seu quadril remexendo-se inquieto embaixo de mim. Eu tirei uma mão de seus seios, que não eram exageradamente grandes, mas ainda assim perfeitos, levando-a até o meio de suas coxas, tocando sua boceta por cima de sua calça.

Então, tudo depois aconteceu muito rápido, ela empurrou meus ombros afastando-me e sentou novamente na mesa. Seus cabelos estavam completamente despenteados, seus lábios inchados dos meus, seu rosto vermelho e sua respiração irregular.

Sabia que tinha ido longe demais a tocando, mas não conseguia me controlar. Eu a queria, como nunca quis ninguém.

— Nós não podemos fazer isso, Edward — murmurou aflita.

Eu quis contestá-la, jogar em sua cara que ela queria aquilo tanto quanto eu, devido a forma que seu corpo estava reagindo instantes antes, mas sabia o que ela queria dizer. Então, apenas a olhei uma última vez, toda bagunçada e adorável sentada sobre sua mesa, tão perto de mim fisicamente, mas com uma distância entre nós que não podíamos atravessar.

Sai de sua cozinha, indo até o banheiro de hospedes onde deixei meus tênis. Ela não estava na sala, ou em meu caminho quando segui em direção a saída de seu apartamento, bati a porta, prometendo nunca mais pisar ali.

A chuva ainda era forte quando cheguei a portaria do prédio dela, olhando mais uma vez para as escadas na esperança de que ela teria ido atrás de mim, mas era apenas silêncio e escuridão vindo de lá.

— A chuva está muito forte, rapaz, tem certeza de que vai enfrentá-la? — O porteiro me perguntou.

Apenas confirmei com um aceno de cabeça, abrindo a porta e sendo engolido pela chuva. Caminhei a passos rápidos até onde tinha estacionado meu carro, no meio de toda aquela escuridão e frio, meu corpo ainda desejando estar enrolado ao corpo quente de Bella.

Entrei em meu carro a amaldiçoando por ter aparecido em minha vida, por ter me chamado para aquele maldito café, por ter me arrastado até seu apartamento. Estávamos sendo estúpidos, descuidados, nós dois sabíamos que nada daquilo podia acontecer, ainda assim insistíamos em ficar perto.

Dirigi até o apartamento de Tanya, pois ir até o meu naquela chuva só me causaria mais transtorno. O porteiro do prédio dela já me conhecia muito bem, então já que estava sem energia elétrica para avisar T pelo interfone que eu estava ali, ele me deixou subir.

Durante os quinze lances de escada que fui obrigado a subir aquela noite, Bella não deixou minha mente. Eu pensava em sua pele, em seus lábios, em suas coxas, seus seios, o modo como o corpo dela parecia se encaixar ao meu.

Bati na porta de Tanya desesperadamente, já sentindo as lágrimas em meus olhos, pois estava embriagado, confuso e apaixonado. Quando ela abriu a porta, não parecia muito melhor do que eu, os olhos estavam inchados de choro e usava seu pijama que sabia ser destinado aos dias ruins de seu mês.

— Você teve uma noite tão ruim quanto a minha? — ela perguntou, puxando-me para dentro, fazendo uma careta para meu estado molhado.

O choro rompeu em meu peito, me fazendo sentir como uma criança tola. Meu pai sempre dizia que eu era sensível demais, algo que ele culpava todos os cuidados extremos de mamãe e, minha veia literária de escritor que sempre tendia a maximizar tudo.

— T, eu estou apaixonado por ela — consegui falar, deslizando até o chão do corredor de entrada do apartamento de Tanya, apoiando minha cabeça na parede atrás de mim.

Tanya deu um longo suspiro, ajoelhando-se ao meu lado, suas mãos deslizando por meus cabelos em um gesto carinhoso.

— Edward, ela é sua professora — murmurou.

Era por isso que ela era minha melhor amiga, ela me conhecia, eu não precisava citar nomes, Tanya sabia sobre quem eu me referia.

— Eu estive com ela hoje — contei, vendo o rosto embaçado de Tanya através dos meus olhos cheios de lágrimas. — Nós nos beijamos, se ela não tivesse interrompido nós teríamos feito muito mais.

Tanya continuou afagando minha cabeça, muda, eu sabia que ela não tinha o que dizer. Pois de uma forma estranha, nós dois estávamos no mesmo barco. Nós dois queríamos pessoas que não devíamos querer, pois todo o resto do mundo nos julgaria por isso.

— Eu sei como você se sente sobre Leah — sussurrei, Tanya assentiu, começando a chorar também, ignorando meu estado ela me abraçou.

— Eu sinto muito, Edward.

Notas finais
FINALMENTE O// Ai que vontade de pegar o Edward pra cuidar :( Beijos! Lola Royal. 06.10.16