Devoção Doentia

4 CAPÍTULO IV - A ingenuidade da inocência


Notas iniciais
Heey, bom dia gente, então atrasei um dia, mas prometo que isso não vai voltar a acontecer. Espero que gostem. Boa leitura!

Os dias se tornaram incrivelmente normais, se é que se pode chamar viver em harmonia com seu sequestrador de algo normal, quando o dia amanhecia lá estava ele, sentado em uma das poltronas acabadas, lendo o jornal do dia, sempre impassível, uma xícara de café sempre me esperava, e palavras quase não eram ditas quando ele saia pela porta, me deixando só, e livre pelo apartamento.

Eu estava lendo as paginas que me eram permitidas do jornal, aquelas com as noticias não importantes, sentada de forma despojada no sofá, as pernas cruzas, os cabeços presos num coque improvisado com um lápis, e desta vez, eu vestia uma camisa branca larga demais para meu corpo esguio, e uma calça jeans rasgada. Até mesmo os vestidos pararam de ser pendurados no espelho rachado.

O que me assustava em tudo isso era que ele, de uma hora para outra passou a me deixar tão só, que certas vezes a noite chegava e ele ainda não havia passado pela porta, o que estaria fazendo lá fora?

Teria alguma coisa haver com aqueles homens, ou as coisas estariam ficando feias, teria a policia chegado perto, logo eu estaria livre?

Meus dias passavam se arrastando, e as poucas vezes em que o vi, ele mal me tocou, me observava certas vezes, mas não acontecia nada além disso, nada mais do que o peso de seu olhar sob mim. O que me intimidava e me intrigava; o que passava por sua mente nebulosa?

Certo dia, onde eu decidira passar presa naquele quarto com uma disposição de me erguer que beirava ao zero, pude ouvir a porta abrir, passos serem dados para dentro, e a voz, não tão familiar, mas que me trouxe um arrepio se expandir na sala.

Era a voz altiva de um dos homens daquele pavoroso dia, ele havia discutido, e pelo visto apartado a possível tragédia que aconteceria se a arma não tivesse sido tirada das mãos dele.

— E então... A menina que fez com que Matthew perdesse alguns de seus dentes ainda vive?— Ouvi a voz do homem indagar, ergui-me do colchão e andei até a porta, conseguindo abrir uma pequena fresta, para poder ficar realmente ciente do que ocorria.

Ele não respondeu, o encarou pelo que pude perceber, e de modo frio, pois o rosto do homem se contraiu em uma careta antes de rir debochado, ele coçou a cabeça avaliando o apartamento com os olhos.

— Os tiras não param, cara.— Começou ele, levando as mãos aos bolsos enquanto andava alguns passos á frente, ele o seguiu, virando-se logo em seguida, pude enfim observar seu rosto, impassível, as expressões duras e os olhos severos.— Sabe, a sua sorte foi não terem descoberto a sua cara, mas estão perto, e quanto souberem será uma questão de tempo para você ir parar no xadrez.

— Eu sei o que faço, venho me esforçando tão bem que as investigações se afastam daqui a cada dia, tudo como planejado...— informou ele, sorrindo de forma convencida.

— Tudo bem.— falou o homem, erguendo as mãos a sua frente.— Só estou avisando que o tempo esta passando e restará apenas duas opções, irmão; ou acaba com ela ou se manda daqui com sua cadelinha de estimação.

Naquele momento ele se irritou, avançou como um animal, com uma das fortes mãos no pescoço do homem, o encarando com uma fúria enorme enquanto chegava perto de seu ouvido.

— Não preciso de seus conselhos, seu drogado de merda!

— Hey, vai com calma, Marcus, Estou apenas dando um conselho, de mano para mano.— O homem disse entre dentes, enquanto tentava retirar as mãos dele de seu pescoço.

Marcus, aquele era seu nome? O nome do homem que fizera de mim o seu brinquedo, ou como o tal homem citara; sua cadelinha de estimação.

Naquele mesmo dia quando o sol se escondeu no horizonte e a lua subiu aos céus, ele permanecera lá, sentando na poltrona encarando algum ponto fixo com uma garrafa de cerveja em mãos, a postura estava rígida, como se ainda estivesse com a raiva em seu sangue.

E então eu resolvi sair, resolvi tomar coragem, a solidão, por mais acolhedora que fosse, me incomodava, e a interação humana se tornava cada vez mais precisa, eu estava cansada de falar comigo mesma, de ler e reler as páginas dos jornais, cujas informações eu já sabia de cor.

Abri a porta com a intenção de fazer algum barulho para que ele notasse minha presença ali, e assim foi, ele moveu-se, virando a cabeça em minha direção, olhando-me pela primeira vez naquele dia, permaneci ali, me permitindo ser observada por seus olhos que me analisaram, cada centímetro, até que seus lábios curvaram-se em um sorriso, novamente livre de intenções maldosas, e meus lábios desobedientes traíram-me ao acompanharem os movimentos dos lábios dele, formando em minha face um tímido sorriso, o primeiro que eu dera desde que todo meu pesadelo começara.

Ele largou a garrafa ao se erguer da poltrona, a passos largos e lentos ele cessou a distancia que havia entre nós, senti minha respiração pesar e meu peito se proteger com o tão conhecido medo, uma de suas mãos foi ao meu rosto e o acariciou, lenta e delicadamente.

— Senti falta da sua pele, Sienna... Do seu corpo, do seu doce gosto.— Ele ia dizendo conforme acariciava cada parte, deslizando os dedos de forma que arrancou-me um leve suspiro e fez com que os pelos de meu corpo se arrepiassem, olhei para cima, fitando seus olhos com uma coragem imbecil.

— Vai se livrar de mim?— questionei involuntariamente, minha voz saiu como um lamento, arrastada por quase nunca usa-la, ele franziu o cenho e me encarou por longos segundos antes de segurar meu rosto entre as mãos.

— O que? Não.— Ele aproximou o rosto do meu, ficando a centímetros de meus lábios, fazendo-me tragar o seu hálito que cheirava a álcool.— Nunca mais quero ouvir tais palavras saírem de sua boca, minha pequena.— Selou seus lábios nos meus com certa pressa, suas mãos desceram para minhas coxas enquanto com agilidade ele erguia-me para seu colo, e eu, na tentativa de não me estatelar inteira no chão agarrei-me em seu pescoço, sentindo meu corpo inteiro envolvido por seus braços.

Enquanto sua língua explorava todos os cantos de minha boca minha mente nublou, sendo preenchida por um sentimento de incerteza, que droga eu estava fazendo? Sendo conduzida, deixando-me ser usada, ou talvez apenas recebendo um doentio amor, ou o que ele achava ser e vivia dizendo que era amor...

Aquilo não passava de obsessão, não passava de uma doença, e eu não passava de uma vitima. Sim era o que eu realmente era, e sempre fui, um alvo, a escolhida.

— Sienna...— Ele gemeu entre meus lábios sessando o beijo com um leve mordida, ainda me segurava em seu colo, com as pernas em volta de seu corpo, assim como meus braços, podia sentir sua ereção sobressaltar abaixo de mim, me causando desconforto, não apenas fisicamente, mas mentalmente, pois eu sabia o que estava por vir, meu corpo já não conhecia a dor há um bom tempo, e agora, a receberia de novo.

Ele carregou-me até a poltrona, sentando-se nela, me deixando sentada sobre sua virilidade, tentei me manter o mais elevada possível, querendo não encosta-lo, mas seus braços me puxavam para si, como se quisesse tornar nossos corpos em um. Enquanto suas mãos exploravam meu corpo por baixo da grande camisa seus lábios quentes se prendiam em meu pescoço, onde ele depositava vezes beijos, vezes chupões que me causavam dor, mas não tão insuportável se comparado a do que estava á caminho.

Suas mãos correram pelo meu corpo até os toques terem fim, ele abraçou-me e permaneceu assim por um tempo.

— Vamos embora daqui pela manhã, Jason tem razão, estão perto, e você é minha, somente minha.— Sua voz sussurrou em meu ouvido de modo rouco, eu permanecia quieta, respirando fundo enquanto assimilava cada palavra, estavam perto, a chance estava perto, e lá estava ele, contando que me levaria para longe dela.

Ter esperança era inútil.

Então, com certa rispidez ele retirou minha blusa enquanto me beijava, sugando meu lábio inferior e me causando dor, estranhei aquilo tudo, a mudança repentina, seu olhar mudara e ele adotara uma abordagem animalesca. Com uma das mãos ele massageava meu seio, apertando com força meu mamilo, eu tentava não expressar meu incomodo, mas estava se tornando difícil com sua selvageria.

— Ninguém mais a terá assim como eu, sua pele jamais conhecera outro toque se não o meu, seus olhos jamais irão ver qualquer outra face, apenas a minha, eu prometo isso a você, minha pequena...— informou ele enquanto beija-me a cada palavra, dando pausas demoradas, suspirando sempre que seus lábios encostavam em minha pele, eu estava assustada, queria poder trancar-me naquele quarto novamente.

Maldita a ideia de minha cabeça em procurar interação humana, eu já não era mais dona de mim mesma.

Ele então me tirou de seu colo, me fazendo ficar de pé á sua frente, eu tinha agora somente a jeans em meu corpo, sequer me preocupei em esconder meus seios desnudos, tamanhas as vezes que já havia sido forçada a ficar exposta aos seus olhos.

Ele se ergueu e retirou a blusa, logo depois me pegou pelos braços e virou-me de costas para ele, enquanto corria as mãos por minhas costas ele respirava de maneira profunda, logo depois me pediu para retirar minhas calças e eu queria correr, gritar e espernear como das primeiras vezes me que ele me violentou. Ele me levaria para longe, acabaria com o ultimo fiozinho de esperança que ainda insistia em rodear meu peito. E não queria cooperar.

Como se eu fosse nada mais do que uma vadia ele fez com que eu ficasse de quatro sobre a poltrona, como um animal selvagem ele me penetrou ali mesmo, sem dó, sem aviso, apenas me invadiu, levando uma das mãos ao meu cabelo e logo após ao meu pescoço, ele estava bêbado, estava mostrando sua verdadeira face, sendo o monstro que sempre fora.

E eu me culpei por ser tão imbecil, por ser tão inocente ao ponto de achar que ele mudara, ele não passava de um homem perturbado, e lá estava eu; em seus braços, sendo possuída como uma cadela, o que eu começara a acreditar que realmente era.

Maldita Sienna inocente, coração puro e mente livre de maldade, tentou enxergar em um coração de trevas uma luz que nunca existiu, e agora estava provando o gosto de sua ingenuidade.

Notas finais
E ai, o que acharam? Não tenham medo fantasminhas eu não mordo euheue Beijinhos e até ♥