Notas iniciais
Mais uma "What if" fic. E se..?
Essa fanfic é um pedido das nossas leitoras fiéis do grupo Zelão e Juliana no facebook. O pedido foi "Zelão dá um banho no Quarta-Feira, com bônus que ele esteja molhado e sem camisa e outras coisitas mais!"

O título da fic é baseado na música "Devil's backbone" do The Civil Wars.


Oh, Lord, oh, Lord, what have I done?
I’ve fallen in love with a man on the run
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Após descobrir o autor de suas cartas e a declaração do mesmo, ficou mais difícil para Juliana frequentar a fazenda do coronel. Ela temia encontra-lo por lá, as chances eram grandes, afinal era onde ele trabalhava e vivia. Ela não saberia como agir diante dele, não saberia o que dizer. Ela nunca imaginou que os sentimentos de Zelão fossem assim tão fortes. Tudo parecia uma loucura. Aquelas cartas, aquelas palavras tão bonitas vindas de um lugar onde ela menos esperava. Zelão tinha algo, que ela não sabia bem explicar, mas esse algo era como um imã a atraindo para ele. O que era estranho, afinal, ela deveria estar sentindo isso em relação ao médico. Era o convencional, o que todos esperavam, não era? Um médico e uma professora. Perfeito. Mas a cada dia ela via a verdadeira personalidade de Renato, e a cada dia se sentia menos atraída por ele. O que estava acontecendo com ela?

Zelão avistou de longe a professorinha andando, perdida em pensamentos, em direção à casa dos Napoleão. Seu coração doía só de olhar pra ela e um sentimento de vergonha e frustração o consumia. Por que ele teve que se apaixonar logo por ela? Por que não por Rosinha ou outra cabocla? Seria tão mais fácil. Então ele percebeu que os olhos dela também estavam sobre ele. Os olhares se conectaram. Juliana apertava o caderninho contra o peito como se se protegesse da intensidade dos olhos do capataz. Já ele, quebrou o contato, olhando para o chão, envergonhado de si mesmo. Andou apressado, desaparecendo no celeiro, longe da vista da professorinha. E esta, tratou logo de entrar na casa de sua aluna. Precisava focar no seu trabalho.
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Oh, Lord, oh, Lord, I’m begging you, please
Don’t take that sinner from me
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Era engraçado, como simples ato de escrever cartas causou tanta confusão e mágoa, em todas as partes envolvidas. Juliana havia atendido os pedidos de Rodapé, e escreveu uma carta-resposta para Zelão. Ela esperava que agora as coisas se acalmassem. E que o clima entre ela e o capataz ficasse menos estranho. Ela sorriu, observando o celeiro a distância. Qual teria sido a reação de Zelão ao ouvir o que ela escreveu para ele? Um misto de pena, ternura e talvez, desejo? Invadiam o coração da professora quando pensava nele. Ele era um bom homem, apesar de tudo. E parecia gostar dela de verdade, ao contrário de seus outros pretendentes, que a tratavam, no fundo, como um objeto para se possuir e exibir.

Aproveitou que ainda faltava meia-hora para começar a aula de Pituca para observar o jardim da fazenda, ficou encantada por algumas flores trepadeiras que subiam os muros do estábulo, aproximou-se parar colher uma delas, porém ela era muito baixa para alcançar. Foi então que ela sentiu uma presença forte contra as suas costas. Um calor familiar, o barulho das esporas, um cheiro inconfundível que mais parecia uma mistura de capim, sol e couro. Zelão.

- Aqui está, prefessora. – falou entregando a flor que Juliana havia tentando colher.

- Obrigada... Zelão. – respondeu, corando um pouco. Virou-se para encarar o capataz e sorriu.

Ele tinha um olhar terno, as feições rudes estavam calmas, parecia bem mais tranquilo. Juliana levou a flor até o nariz e inalou o cheiro suave.

- Sete-léguas.

- Você conhece? – perguntou, admirada.

- Cada tipo, cada espécie.

- Que surpreendente!

- Ieu sempre gostei de frores... – correu o olhar pelo corpo até chegar no rosto da professorinha, que estremeceu. – E do fedor de chêro bom que elas tem.

Juliana sabia que aquele comentário se referia a ela, e não as flores de fato, e por causa disso não sabia o que responder. Se deveria encorajá-lo ou se não, se deveria cortar de vez, e evitar tudo aquilo. Então resolveu mudar de assunto.

- Você é mais alto que a média das pessoas daqui. – não era bem o que ela queria falar, mas foi a primeira coisa que conseguiu formular.

- É... – ele concordou com um certo de desapontamento. – A família toda do meu pai é assim, de acordo com a mêa mãe.

Por que ela estava se esquivando tanto mesmo depois de ter admitido gostar dele também na carta que Ferdinando leu? Será que o patrão tinha lido todas as palavras certinhas? Ou poderia ter ele exagerado, como numa brincadeira de mau gosto?

- Zelão... eu... – Juliana ia falar algo referente a situação dos dois mas não conseguia encontrar forças.

- Ocê o que? – perguntou, ansioso.

- Dona Juliana! – uma voz estridente chamou da sacada. Era Dona Catarina.

- Oh, céus! Quase perdi a hora. A Pituca já está me esperando.
Zelão olhou para a professora, que parecia nervosa, algo atípico nela e depois para a patroa na sacada.

- Eu tenho que ir. Até mais ver, Zelão. – disse rápido, ele concordou com a cabeça.

Juliana caminhou apressada até as escadas, sem olhar para trás. Deixando um Zelão cheio de perguntas na cabeça para trás.

-x-

No final da tarde, Pituca terminava sua atividade. Enquanto isso, Juliana observava os trigais da fazenda de Epaminondas pela janela. De longe, avistou uma figura bem conhecida dela. Era Zelão, com seu chapéu negro e botas de cano longo. Ele vinha puxado o cavalo, que transportava lenha em sua cela. Passou um longo tempo observando o capataz, até ele se aproximar do casarão, onde parou o animal e começou a tirar a lenha de seu lombo. Zelão carregava os pedaços de madeira em direção ao estábulo. Juliana suspirou, ele era realmente forte. Podia ver mesmo de longe, os músculos se contraindo na camisa amarela, já molhada de suor. Os troncos que ele carregava no ombro também eram grossos e aparentavam ser pesados. Pituquinha chamou a professora, a tirando de seus devaneios.
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Oh, Lord, oh, Lord, what do I do?
I’ve fallen for someone who’s nothing like you
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Zelão terminou de transportar a lenha para dentro do estábulo como seu patrão havia pedido. Ergueu o rosto, observando o céu. Nuvens escuras haviam se formado durante a tarde. Ele fechou os olhos e sentiu gotas finas caírem contra sua pele. Uma sensação de alivio, ele pensou. Levou o seu cavalo em direção ao estábulo, Quarta-Feira havia se sujado todo com a lama de um riacho próximo onde foram colher a lenha. A cada passo que ele dava até o celeiro, as gotas aumentavam.

- Fica aí, Quarta. Cô vô banhar ocê! – falou para o animal, que relinchou como resposta.

Ele coletou alguns baldes e um escovão grosso para pentear o pelo do animal. Aproveitou para remover o colete, o cinto e as perneiras de couro, deixando os mesmos pendurados em ganchos do celeiro.

- Ê, Quarta-Feira! Fazia tempo que ocê num tomava um bom banho, num é amigão? – perguntou o animal. – E iu também tô precisando.

Ergueu um dos braços, inalando o cheiro de suor que vinha do corpo, em seguida fez uma careta.
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He’s raised on the edge of the devil’s backbone
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Juliana tinha acabado de corrigir a tarefa de Pituquinha, enquanto o capataz tinha terminado seu serviço. Madame Catarina a prendeu um pouco na sala contando uma história antiga da época que Pituca era bebê e os costumes estranhos de seu marido. Simpática como era, ouviu atentamente mas logo se despediu, falando que precisava sair logo para resolver uns assuntos pendentes. Ao fechar a porta atrás de si, estranhou as nuvens aglomeradas e a chuva de verão que encharcava o chão da fazenda. Sem muito alternativa, resolveu esperar ali mesmo. Não queria entrar e ficar presa em mais outra conversa longa da Madame, pois já era fim de tarde. Os poucos trabalhadores que caminhavam no trigal pareciam ir embora para suas casas. Juliana aproximou-se de um dos pilares da varanda ao fundo, avistando o cavalo de Zelão do celeiro.

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Notas finais
Comentários são sempre bons. ;)