Deusa das estrelas
3 Black no Samhain
Outubro já estava quase acabando e eu já estava vivendo numa rotina. Quando não estava nas aulas, passava meu tempo pesquisando na biblioteca ou meditando no meu quarto, tentando aperfeiçoar a minha oclumência, tinha começado a praticar nas férias com meu pai. Ele falava que era algo importante para se saber nestes tempos, mesmo que eu não entendesse o porquê agora.
Percebi que estava começando a ter dor de cabeça de tanto meditar, realizei o feitiço tempus para saber as horas e a temperatura. Percebi que tinha passado muito tempo treinando trancada no quarto desde depois do almoço. Já passava da hora de esticar as pernas e aproveitar para relaxar e curtir o resto do final de semana.
Assim que saí de dentro do castelo, notei que o sol postava-se baixo, mostrando a chegada do final da tarde. Estava tão distraída, apreciando aquele momento, que me assustei quando alguém colocou a mão no meu ombro. Se papai estivesse aqui, me repreenderia por estar desatenta. Olhei para trás e descobri que quem me surpreendeu era minha prima Andrômeda.
— Finalmente saiu do quarto. Você não se isolava tanto assim nos outros anos. Fobia social ou sono desenfreado?
— Realmente eu não era assim. Eu andava sempre acompanhada da Brenda, no entanto agora que conseguiu entrar no time de quadribol, está obstinada em ser a artilheira com maior número de pontos marcadas, então não para de treinar. Enquanto isso me dedico aos meus estudos.
– Vamos dar uma caminhada para aproveitar que ainda tem sol e um calorzinho para conversarmos um pouco aqui fora.
— Claro, faz tempo que não conversamos sozinhas. Conte-me como foram suas férias, a única vez que te vi foi durante o casamento da Bellatrix.
— Foi um tédio, Narcisa tava tão empolgada em ajudar com o casamento da Bella, que parecia ela a noiva. Fiquei mais tempo no quarto para adiantar meus estudos para os NIEMs. Isso é melhor do que ficar ouvindo o discurso de ódio aos trouxas da Bella. Ela ta ficando obcecada com isso. Já era meio louquinha antes de terminar a escola, agora esta a caminho da loucura total. Queria ver a reação dela se soubesse que eu andava trocando cartas com um nascido trouxa.
— Como é essa história? Quem é esse garoto que tu nunca me falo e de que casa ele é?
— É o Ted Tonks, da lufa lufa. Ele é do meu ano, mas só no final do ano letivo passado que começamos a conversar e durante as férias trocamos cartas. Hoje ele me pediu em namoro.
— Sério? Por Merlin, o que você disse? A família não vai perdoar isso, tu sabes. Vão te queimar da tapeçaria. Você gosta realmente desse garoto? Por que vai vir uma tempestade dessa tua relação.
— Eu sei disso tudo. Eu gosto dele. Você é muito nova pra entende, mas quando to com ele eu sinto que posso mandar as besteiras da nossa família para longe, ele é o apoio para me afastar deles. Um lufano desastrado que me da coragem para me liberta. Eu não vou perder essa oportunidade. Até terminarmos Hogwarts vamos namorar escondidos e após a formatura vou morar na casa dos pais do Ted por um período até conseguir um emprego. Sei que assim que me tirarem da tapeçaria não receberei nem um nuque dos Black.
— Tenho certeza que tu vai tirar boas notas nas provas e vai conseguir um ótimo emprego. Você é uma Black, sendo queimada da tapeçaria ou não. Eu vou te apoiar nessa tua empreitada prima, se é isso que você quer. Agora vamos voltar para o castelo, escureceu rápido.
O jantar passou barulhento como sempre, os elfos tinham caprichado na comida e acabei por comer além dos limites. A caminho do salão comunal fui interceptada pela Brenda, convidando-me para dar uma volta nas vassouras, no entanto mudou de ideia, ao me ver indisposta.
Resolvemos ir caminhando até a torre de astronomia, ao chegarmos nos sentamos na borda da janela. No ano passado sempre víamos aqui para ficamos longe dos outros e jogar xadrez em paz. Agora estamos apenas para sentirmos a presença uma da outra e matar a saudade do tempo que ficávamos a sós, o que já não acontecia há muito tempo.
Noto que ela começa a mexer em suas veste e tira de um bolso interno um maço de cigarros trouxa. Retira um e ascende com a varinha. Após soltar a fumaça, da uma risadinha achando graça da minha cara. Esse ano, ela tava deixando emergir a personalidade diferente dela, primeiro pintar os cabelos de vermelho e agora fumar. Esse estilo mais rebelde combina realmente mais com ela. Da força e fogo que ela trás dentro dela.
— Desde quando você começou a fumar?
— Nas férias, fui a um show de rock no mundo trouxa. Deixa-me mais tranqüila. Sabe como eu sou agitada. E o bom é que, como é uma droga trouxa, não vicia quem tem magia correndo nas veias.
Fiz um gesto para que me passasse um cigarro para experimentar. Nas primeiras tragadas quase me afoguei com a fumaça, mas no fim já estava aproveitando. Ficamos lá até quase o horário limite e voltamos para o salão comunal das sonserina.
Ao chegarmos ao salão, encontro Severus sentado em uma das poltronas com um livro na mão. Assim que me viu, trouxe até a mim um relatório assinado pelos professores relatando o seu bom desenvolvimento durante as aulas. Perguntei como Sirius e ele estavam se entendendo, antes de me responder, puxa um raro sorriso nos lábios.
— Quando ele vem me perturbar, eu resolvo isso da forma que tem que ser com magia. No entanto, ao contrario dele que faz abertamente e é pego pelos professores, eu tomo mais cuidado.
— Como um verdadeiro sonserino.
A semana passou rápido, finalmente chegou o dia que muitos estudantes esperavam, ocorreria à festa do dia das bruxas. Durante todo o dia era possível sentir a empolgação deles para verem o salão principal enfeitado com abóboras, com as mesas repletas de maçãs, bolo de cenoura, morcegos comestíveis e taças de doces coloridos. E o melhor de tudo para eles era que depois de um banquete com doces haveria algum entretenimento no final.
Estava sentada numa das poltronas do salão comunal lendo um livro, quando avisto Severus entrando. Faço um sinal com a mão para que ele sentasse ao meu lado para conversarmos.
— Severus, como sabe hoje a escola comemora o dia das bruxas. Você esta com muita vontade de participar dessa festa?
— Não me importo. Não sou muito fã de doces.
— Ótimo. Como sua madrinha, preciso te ensinar sobre as antigas tradições bruxas, se você não conhecer. Tu sabes o que é o Samhain?
— Não sei. Não conheço muito as antigas tradições, minha mãe sempre fez o possível para não deixar meu pai zangado. E tudo sobre o mundo bruxo o deixava.
— É uma antiga tradição bruxa comemorar o Samhain no dia de hoje. É a festa na qual honramos nossos ancestrais e aqueles que já morreram. Essa é a noite em que o véu que separa o mundo material do mundo espiritual encontra-se mais fino e o contato torna-se mais fácil.
— E por que essa tradição não é festejada aqui em Hogwarts?
— Para ficar mais fácil para os nascidos-trouxas, que estão acostumados com o dia das bruxas, não se sentirem tão longe de casa. Em vez de apresentar nossa cultura para eles, traz a cultura dos trouxas para cá. Muitas das nossas antigas tradições já estão esquecidas. Só as famílias mais tradicionais e antigas comemoram o Samhain, pois muito das nossas tradições são taxados de magia negra e nos empurram as tradições trouxas.
— E o que acontece no Samhain?
—Primeiramente nos reuníamos em família ou em grupos com pessoas com vínculo, sem nossas roupas fazemos um circulo e deixamos o caldeirão no meio com ervas dentro e coloca-se fogo. O mais velho chama os ancestrais, após colocamos no fogo um papel com os seus pedidos e agradecimento, enquanto os outros movimentam a varinha mandando energia e magia, depois é fechado o circulo.
— Apenas isso?
—Essa é a primeira parte, depois ocorre a festa em celebração aos antepassados e por último o momento que sozinho se faz uma reflexão mentalizando boas vibrações. Não precisa se preocupar, eu vou estar lá.
—Eu não estou nervoso, só quero saber por que temos que ficar sem roupa.
— Temos que ficar como viemos ao mundo, representando o espírito puro e a liberdade. Não seja tão pudico Severus, é apenas corpo, tu não tens nada do que já não vimos. E é uma tradição antiga a prática de rituais sem roupa. Esse é outro motivo que querem enterrar nossas tradições, os trouxas são muito conservadores e ainda por cima, saem vendo pecado em tudo. Um bando de hipócritas aos meus olhos. Vá tomar um banho e me espere aqui usando apenas um robe.
Após tomar um relaxante banho, encontro com Severus de pé ao lado da lareira usando um robe preto, tendo as bochechas levemente rosadas. Não consegui segurar meu riso, era algo inusitado ver ele dessa forma. Percebendo o motivo da minha risada, me deu apenas uma careta, que me fez rir ainda mais. Aceno com a cabeça e fomos até o quarto especial dos monitores chefes da sonserina, que atualmente pertencia ao Rabastan Lestrange, o quarto era acompanhado de uma sala particular, onde realizaríamos o ritual.
Ao chegarmos à porta, o retrato de um homem utilizando vestes verdes compridas e um chapéu pontudo de aparência envelhecida, mexendo um caldeirão que não parava de soltar fumaça, perguntou de maneira lenta qual era a senha.
— Rei serpente.
Assim que disse a senha, a porta abriu-se sozinha. A sala estava quase às escuras, contendo apenas algumas velas acesas, percebi sentado em um sofá preto no canto da sala, ao seu lado estava uma mesinha, que claramente tinha sido retirada para dar espaço para ser colocado o caldeirão que Rabastan colocava no centro da sala. Dei uma olhada mais duradoura no caldeirão, que era circundada de runas, que representavam imortalidade e destino.
— Boa noite Rabastan. Lucius. Onde estão os outros?
— Boa noite Hidra. Lucius disse que Narcisa ia demorar um pouco porque estaria fazendo sua limpeza especial no corpo. Já Andrômeda eu não sei. Pensei que ia trazer seu primo hoje, quem é esse?
—Este é Severus Prince Snape, meu afilhado. O Sirius me falou hoje mais cedo que não iria vir que preferia comer doces no salão principal junto com os seus amigos.
— Mal se tornou um leão e já esta abandonando as tradições.
— O que tu esperavas Lucius? Ele sempre desprezou nossas tradições, tudo que o ligasse a família. Não foi grande a surpresa dele não estar aqui.
Mal tinha terminado de falar e Narcisa passou pela porta, vestida com um robe rosa claro e usando um coque, deixando poucos fios soltos. Postou-se ao lado de Lucius no sofá, dando um sorriso como cumprimento.
Rabastan foi até a mesinha no canto da sala e trouxe as ervas que seriam utilizadas no ritual. Começou colocando a seiva extraída do fruto de Acácia, utilizado normalmente para a poção da paz. Atirou no caldeirão cinco folhas de Artemísia, para estimular a sensações. Por fim colocou uma mistura de noz-moscada, sálvia, menta e louro picado e misturou tudo colocando um cálice de vinho junto.
Enquanto ele preparava as ervas, Andrômeda chegou à sala com o rosto levemente rosado e os cabelos volumosos. Devia estar com Tonks, para chegar nesse estado aqui. Com a chegada dela retiramos os robes e nos posicionamos ao redor do caldeirão. Olhei para o Severus, que me olhou com o rosto sem passar emoção nenhuma, mas eu sabia que ele estava nervoso. Seria o primeiro ritual dele, isso era normal.
— Preparado Severus? Estou aqui junto de ti, do teu lado.
Permitiu soltar um pequeno sorriso e os olhos se aqueceram um pouco. Voltou a olhar para o caldeirão e imergir em seus pensamentos.
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