Deusa das estrelas
4 Black na festa de Samhain
Quando se cresce em uma família tradicional, realizando os rituais dos nossos ancestrais, você acaba tendo pouca vergonha para alguns atos, como a nudez. Quando se nasce Black, diminui ainda mais a vergonha para quase zero, temos um talento especial para deixarmos as pessoas desconfortáveis e adoramos isso. Achamos graça quando ficam sem jeito. Então, estar realizando um ritual sem roupa era natural para nós. Estava totalmente focada nele.
Assim que Rabastan colocou fogo no caldeirão e começou o cântico, já podia sentir a magia iniciando a se juntar sobre nós. Unimo-nos a Rabastan falando as palavras que davam início ao ritual, tornando aos poucos, nossas vozes em uma só e com movimentos de nossas varinhas para cima e para baixo, aumentamos a quantidade de magia ao ponto de nos deixar arrepiados.
— O passado é passado, mas é referência para o futuro. Passado, presente e futuro, somos todos correntes do tempo. Magia que vem, magia que vai. Que nossos ancestrais sejam honrados. Que suas bênçãos recaiam sobre nós.
Sentia a sala começar a esquentar, um calor agradável aquecendo o ambiente, as velas colocadas em volta do caldeirão se iluminaram trazendo maior luminosidade ao local. Após repetir a frase sete vezes, um por vez colocou no caldeirão uma maçã, como uma oferenda e o pedaço de papel com seus pedidos e agradecimentos. Depois de todos fizeram isso, passou alguns segundo em silêncio absoluto, até que um vento percorreu a sala, esvoaçando nossos cabelos e apagando as velas. Eram nossos antepassados aceitando o ritual oferecido a eles.
— Que nossos ancestrais sejam honrados. Que suas bênçãos recaiam sobre nós. Que assim seja.
Rabastan finalizando o ritual, a sala voltou a temperatura normal e o circulo foi quebrado e todos recolocaram seus robes. Com dois movimentos da varinha de Lucius, a luz retornou e o caldeirão foi colocado ao lado da mesinha. A primeira parte do ritual tinha sido realizado.
Aos poucos fomos saindo para nos arrumar para a festa que seria em uma das salas do castelo. Apesar de todos os alunos não celebrarem o Samhain, Dumbledore permitia ocuparmos uma sala para realizar a festa.
Ao chegar ao meu quarto, retirei meu robe e coloquei meu vestido e salto não muito alto. Olhei no espelho e admirei o vestido que papai tinha me dado de presente. Era fabuloso, era um vestido tomara que caia, que ia até os joelhos, com uma fita grossa que cobria toda cintura, tendo flores na lateral, todo preto. Todo ano ele me dava um vestido de sua loja de alta costura para bruxos e bruxas. Sempre me surpreendia com uma roupa mais linda que a outra. O smoking que Severus estaria usando, tinha sido dado por meu pai também. Sendo ele meu afilhado deveria estar bem apresentável.
Severus acompanhou-me até a festa, que já estava repleta de bruxos e bruxas de diferentes idades, não apenas estudantes. Todos muito bem vestidos.
— Pensei que a festa seria apenas dos alunos da nossa casa.
— Pensou errado Severus. Apesar de serem os sonserinos que mais cultivam as antigas tradições, há bruxos de outras casas, que têm familiares que as praticam também. Além disso, temos professores que realizam e convidam outras pessoas para festejar conosco.
— O seu pai não vai vir?
— O meu pai, desde que eu entrei em Hogwarts, faz a primeira parte do ritual sozinho. E depois realiza uma festa na nossa casa e no ano novo a festa é realizada na mansão Malfoy. Como somos duas das famílias tradicionais mais ricas, poderosas e influentes, essas duas festas importantes são realizadas por nós.
Após circularmos na festa por uma hora fomos até Lucius que estava ladeado por Rabastan, que segurava uma taça de champanhe. Logo depois que nos juntamos aos rapazes, o professor Slughorn aproximou-se, soltando uma baforada de seu charuto. Assim que cumprimentou os meninos, virou-se para mim e sorriu.
— Você está encantadora, senhorita Black. Muito parecida com sua mãe. Seus olhos são idênticos, os dela sempre brilhavam quando inventava uma nova poção. Era muito talentosa.
—Sim, realmente ela era.
—Soube que você herdou o talento para defesa contra as artes das trevas de seu pai, sujeito muito habilidoso com a varinha. Dê lembranças minhas a ele.
Despediu-se e foi ao encontro de um jovem homem tão loiro quanto Lucius com longos cabelos que caiam até os ombros. Se não fosse pelo termo excessivamente amarelo chamativo e pela falta da postura esnobe e arrogante dos Malfoy, teria pensado que ela era irmão mais velho de Lucius. Rabastan chama minha atenção ao começar uma conversa comigo.
— Cuidado Hidra! É bem capaz do Slughorn começar a babar em cima de você. Será um belo diamante para a coleção dele. Vi escolhendo uma foto bem bonita para ele colocar na estante.
Mostrei a língua para ele de maneira boba e infantil, seguido de uma risada dele. Severus me encarava não entendendo a piada e resolvi explicar.
— O professor Slughorn tem um grupo especial, que costuma convidar para participar de jantares e festas que ele promove. Pessoas com parentes importantes ou se o próprio aluno tem algum talento especial. Reuni as estrelas para ficarem em volta dele.
— No caso da Hidra, ela tem os dois pontos que ele mais admira. Uma família importante que tem uma enorme fortuna e um talento incrível em DCAT e relativamente boa transfiguração. Isso o faz praticamente a venerar.
– Bem perto disso Rabastan.
Falei sem falsa modéstia, dando uma piscada para Severus que sorriu. A festa apesar de fazer parte do ritual, era uma festa social. Divertimo-nos um pouco, mas tinha como principal função fazer e reafirmar contatos. Muitas alianças que duravam a vida toda, eram formadas nessas festas sociais na escola.
Andei com Severus ao meu lado a noite toda. Circulamos entre os convidados com dois motivos principais em mente. O primeiro era o apresentar para as pessoas importantes e o segundo, mostrar que estava sob a minha proteção e dos Black. Algumas vezes Lucius nos acompanhava para expandir a proteção de Severus, demonstrando que a família Malfoy também o apoiava.
Depois de uma longa noite de afirmação de posição, estratégia e diplomacia, a festa terminou e pude voltar para o quarto e realizar a última parte do ritual. Na minha reflexão, além de agradecer todas as coisas boas da vida e pensar sobre o futuro, algo que não saía da minha mente era a minha mãe. Tinha morrido no ano que entrei em Hogwarts por causa de uma poção que tinha dado errado. Procurei mandar boas vibrações para ela e agradecer aos nossos antepassados pela nossa vida. Apenas quando estava quase amanhecendo que consegui dormi.
Após o Samhain, os meses passaram voando e o feriado de final do ano aproximava-se. Papai estava viajando a negócios e só voltaria algumas horas antes do final de ano. Então passaria a maior parte do feriado na escola.
No início de dezembro, estava sentada perto da lareira junto com Severus quando Lucius se uniu a nós perguntando sobre nosso feriado. Não insistiu muito para que eu passasse todo o feriado com eles na mansão, porque sabia que nesse período eu preferia ficar mais isolada.
— Severus, você está convidado para festejar conosco o ano novo na mansão Malfoy. Pode ir junto da Hidra para a festa pelo pó de flu. E posarem lá voltando a tarde para a escola.
Severus agradeceu, lançando um leve sorriso no rosto. Era algo que me deixava muito feliz por Lucius ter estendido sua proteção a Severus. Os dias de dezembro gastei lendo livros e meditando, e aproveitando que a escola estava com poucos alunos, caminhava pelos corredores, mesmo após o horário limite.
Finalmente chegou o último dia do ano. Papai havia me mandado um vestido azul que ia até pouco antes do joelho e atrás tinha uma cauda que ia até o tornozelo. No entanto, o que mais gostei era um colar de safiras e diamantes que acompanhava o vestido. Encontrei com Severus a frente da lareira, me esperando com o smoking e utilizando uma faixa preta na cabeça prendendo os cabelos para trás. Peguei um pouco de pó de flu e falei para ele me imitar.
— Mansão Malfoy.
Sumi nas chamas verdes tendo como última visão de Severus com olhos um pouco assustado, não deve ter viajado muito por lareiras.
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