Deusa das estrelas
5 Black em ofensas, ameaças e duelo
Notas iniciais
Capitulo 5
— Mansão Malfoy.
Sumi nas chamas verdes tendo como última visão de Severus com olhos um pouco assustado, não deve ter viajado muito por lareiras. Assim que pus os pés fora da lareira, observei com nostalgia o luxuoso salão de festas dos Malfoy. Quando pequena, costumava fugir das festas e caminhar pela suntuosa mansão, admirando cada pequeno detalhe entalhado no mármore branco. Os Malfoy sempre foram muito ostensivos na maneira de demonstrar sua riqueza.
Fui despertada das minhas lembranças, quando Severus saiu da lareira e tocou o meu ombro. Ducky, o elfo doméstico dos Malfoy, apareceu na minha frente e curvou-se.
— Senhorita Black, que honra vê-la novamente. Ducky sentiu sua falta.
— Fico feliz em te ver também, Ducky. Ajude-me com esse pó.
Ele estalou os dedos e em segundos, toda a sujeira tinha ido embora. Ducky curvou-se e estendeu a mão para nos levar até a escadaria que nos levaria até a festa. O salão estava cheio, com crianças e adultos vestidos elegantemente. Havia muitos rostos familiares. Lucius veio até nós e fomos cumprimentar seus pais. Apresentamos os donos da festa para Severus e nos encaminhamos para um canto onde os jovens estavam reunidos em volta de uma mesa.
Lucius sentou ao lado de Narcisa, que eu duvido que fosse por coincidência que estava vazia. Cumprimentamos a todos e sentamos nas duas cadeiras vazias entre Andrômeda e Dolohov.
Estava quase morrendo de tédio quando Augusto Rookwood perguntou-me se queria dançar. Apesar de ser apenas um ano mais velho que eu, era alguns centímetros mais alto. Sendo preciso erguer um pouco minha cabeça para podermos conversar adequadamente.
Nunca tínhamos tido muito contato antes em Hogwarts, mas no tempo que dançamos fez o meu sono desaparecer. Era muito agradável de conversar com ele, porém tive que pedir licença para ir ao banheiro.
Quando estava saindo do salão olhei para trás e vi que Severus estava se entrosando bem com os outros na mesa. Principalmente com Noot, que parecia ter falado algo realmente engraçado, que conseguiu fazer Severus sorrir um pouco.
Depois de ir ao banheiro, resolvi ir até a biblioteca dos Malfoy, dar uma lida nos livros, aproveitando que Severus não precisava de minha ajuda, e por ela ser reconhecida por ter uma invejosa quantidade de livros raros e de assuntos questionáveis.
Caminhando entre as prateleiras repletas de livro, escolhi um que se intitulava Magia Muy Maligna. Tinha uma encadernação preta e algumas runas em alto relevo, que apesar do meu pouco conhecimento no assunto, sabia que significavam as palavras poder e escuridão.
Joguei-me numa poltrona de couro preto, que era incrivelmente confortável. Estava tão mergulhada na leitura que dei um salto fechando o livro quando alguém pulou na poltrona vazia ao meu lado.
— Fugindo de algo, priminha?
Olhei para o lado e tentei recuperar a postura, abrindo o livro novamente e dando um suspiro cansado.
— Não Bellatrix. Apenas cansei da festa e decide relaxar com um bom livro. E você por que esta aqui? Por que não esta com seu marido?
— Às vezes Rodolfo sabe ser cansativo. Vim pegar um livro para ler, mas parece que você está com o mesmo livro que eu pretendia ler.
— Parece que temos o mesmo gosto literário, Bellinha. Creio que vai ter que escolher outro para você. Este comecei agora e duvido muito que terminarei a tempo de te dar ele.
Nesse momento Bellatrix levantou-se rapidamente e se pôs atrás da minha poltrona. Enquanto ela aproximava sua boca do meu ouvido, sentia a sua varinha no meu pescoço.
— Será que o querido primo Sirius iria gostar saber que sua amiguinha do peito e protetora, esta lendo sobre magia negra? Rabastan comentou com Rodolfo que você se encontra com o leãozinho traidor.
— Não é do interesse do Sirius o que eu leio ou deixo de ler. Ele ainda é muito jovem. Um verdadeiro leão rebelde, ele terá a chance de mostrar sua lealdade a família.
— Sempre o protegendo. Soube que ele fez amizade com o traidor do sangue Potter e de uma sangue-ruim. Você não estaria fazendo amizade com eles também?
— Não me julgue pelas escolhas de amizade do Sirius. As escolhas são dele e não minhas. E ele sempre pode mudar de escolha.
Assim que termino de falar, Bellatrix solta uma gargalhada.
— Cuidado para ele não te transformar em uma traidora. E tu sabes que traidores não terminam bem.
— Bella, está insinuando que minha filha irá se tornar uma traidora do sangue e desonrar nossa casa?
Neste momento, Bellatrix afasta-se da minha poltrona. Levanto-me, virando em direção ao meu pai, que tinha acabado de chegar, a tempo de ouvir a sutil ameaça.
— Tio Alphard. Apenas estou alertando Hidra do perigo de andar com traidores como Sirius. Que nunca respeitou nossas tradições e ainda zomba delas.
— Fique tranqüila Bella. Por que da minha filha cuido eu. Tenho certeza que ela permanecerá sempre fiel a família. Agora nos deixe, pois tenho que ter uma conversa com minha filha.
Bellatrix guardou a varinha que ainda segurava e saiu da biblioteca. Após sua saída, meu pai lançou um feitiço de privacidade e sentou-se na poltrona que Bellatrix tinha sentado, fazendo um sinal para sentar-me também.
— Como anda a sua oclumência?
— Sempre ativa e forte.
— Que bom. É importante sempre fechar a nossa mente e deixar nossos pensamentos apenas para nós.
— Eu sei. Pensei que não iria vir mais hoje.
— Vim somente para te ver um pouco. Vou ir viajar amanhã cedo para uma reunião. Estava com saudade de você minha estrela.
— Eu também estava com saudades, pai.
—Trouxe um presente para ti.
Ele retirou do bolso uma caixinha de veludo preta e abriu, me oferecendo. Era uma corrente prateada com um pingente de prata em forma de estrela com detalhes entalhados em auto-relevo. Simples e belo.
— Obrigada.
Ele me deu um beijo na testa e levantou-se caminhando em direção da porta. Botou a mão na maçaneta, mas antes de abrir a porta, olhou para mim.
— Você sempre será meu orgulho, independente de suas escolhas.
Saiu da biblioteca, deixando-me sozinha com meus pensamentos e com lágrimas nos meus olhos. Dei um sorriso e chamei por Ducky.
— Leve esse livro e esta caixinha para o quarto que sempre fico.
Voltei para a festa e sentei ao lado de Andrômeda que parecia muito entediada. Narcisa e Lucius não estavam em lugar nenhum do salão. Já Severus encontrava-se em outra mesa conversando com o Régulo e outro garoto pequeno que eu não conhecia.
Voltamos para a escola e para a normalidade. As aulas recomeçaram e a rotina também. Depois desse feriado, tinha conversas rápidas com Severus, Andrômeda, Lucius e Brenda, ocorriam algumas vezes quando eu não estava estudando ou meditando. Com o passar dos meses comecei a relaxar um pouco com os meus estudos e a frequentar mais o salão comunal. E com isso veio mais conversas com Augusto Rookwood.
Em uma noite de abril estava na torre de astronomia, junto com a Brenda, fumando um cigarro quando ela o trouxe para a conversa.
— O que esta rolando entre você e aquele gato do Rookwood? Andam agora pelos cantos sorrindo e conversando.
— Somos apenas amigos. Ele é um sujeito interessante.
— Interessante é? Cuidado para a Hopkirk não ficar com ciúmes.
— Quem é essa?
— Mafalda Hopkirk. A ex-namorada do Rookwood. Ela esta no mesmo ano que ele. E terminaram no final do ano passado. Parece que ela ficou arrasada.
— Como é que tu sabes disso tudo? E bem parece que vou ter medo de uma louca apaixonada.
— Faço parte do time de quadribol, oras. As fofocas correm soltas. Eu percebi que ela anda te encarando com uma cara nada boa.
– A deixe vir. Agora, é bem capaz de eu ficar com o Augusto bem na frente dela.
— Você não presta.
Caímos na gargalhada e deixamos o assunto morrer. Terminamos o cigarro e voltamos para o salão comunal. Durante o resto da semana fazia questão de que Mafalda nos visse juntos conversando. Não consegui conter o sorriso perverso que pintou no meu rosto, quando estava apenas dando um abraço de boa noite em Augusto e ela tinha acabado de entrar no salão.
Assim que ela nos viu, mandou-me um olhar repleto de ódio, que retribuí apenas piscando para ela. Fervendo de raiva passou correndo por nós em direção dos quartos. Quando cheguei ao meu quarto, minhas colegas do dormitório me olharam como se eu fosse louca por não conseguir para de rir e ficar murmurando como ela era idiota.
No dia seguinte após o jantar, tinha acabado de entrar distraída no salão comunal, quando alguém esbarra em mim, fazendo-me tropeçar. Quando vi quem era, lancei meu sorriso debochado para ela.
— Não olha por onde anda Hopkirk?
— Estava olhando sim. Queria mesmo passar por cima de ti, vadiazinha Black.
— Acho que você ta enlouquecendo, querendo arrumar uma briga comigo.
— Você esta tentando roubar meu namorado.
— Como eu disse, esta pirando. Você está me caluniando. Espero que saiba onde isso vai dar.
— Vai me levar partindo a sua cara ao meio.
— Desculpe querida. Não sou muito amante dos trouxas e suas lutas corporais. Temos magia lembra? Ficou burra e enlouqueceu de vez?
Pergunto com uma voz preocupada, mas sempre mantendo um sorriso no rosto. Enquanto isso o salão comunal ficou cheio de alunos olhando nossa discussão.
— Sua vadia metida a besta. Acha que é melhor do que eu só porque é uma Black. Parece que isso não protegeu sua mãe de se explodir. Você é apenas uma vagabunda com sobrenome.
— Eu sei que sou melhor que você. Não apenas pela minha família, mas por que sou melhor bruxa que você. E para mostrar isso, eu apelo para um duelo oficial sonserino.
Neste momento o salão inteiro ficou em silêncio, não era normal que pedissem esse tipo de duelo. Hopkirk deu um passo para trás com espanto, ela não esperava por isso e ficou com medo. E esse era um tipo de duelo que não se recusava.
— Rabastan. Como monitor chefe, chame o diretor da sonserina para oficializarmos o duelo.
Cinco minutos muito tensos se passaram. Ninguém quis sair da sala. Quando Rabastan chegou com o professor Slughorn, eu estava ao lado da lareira junto com a Brenda.
— Alguém pode explicar-me o que está acontecendo aqui?
— Eu posso explicar professor. Eu convoquei o duelo oficial sonserino contra a senhorita Hopkirk.
— Senhorita Black, eu espero que saiba como é extremo esse duelo. Tem certeza disso?
— Sim, tenho certeza que quero. A senhorita Hopkirk ofendeu-me demais. Ofendeu minha família e meu nome. E creio que essa é a melhor forma de resolvermos isso.
O professor largou um suspiro resignado depois que falei. Chamou a minha ofensora que estava do outro lado do salão abraçada a uma amiga.
— Senhorita Hopkirk, a senhorita Black chamou o duelo oficial sonserino, por ter tido a sua honra manchada por calúnias feitas por você. Este duelo não pode ser recusado.
— Sim senhor.
— Marcarei para amanhã, sábado, às 16 horas para esse duelo acontecer.
Falando isso foi embora. Lentamente os alunos se retiraram para seus aposentos. Eu estava completamente sem sono então me sentei em uma das poltronas. Meus amigos mais próximos sentaram em minha volta.
— Tem certeza que quer isso Hidra? É muito sério.
— Eu sei Narcisa. Agora não tem como voltar atrás. O que está feito, está feito.
— Você sabe que tem que avisar seu pai sobre isso. E aposto que ele não vai ficar feliz.
— Eu sei Andrômeda. Amanhã mando a carta para ele.
— Lucius, o que acontece para quem perder esse duelo? Por que o pai da Hidra ficará bravo apenas por causa de um duelo?
— Severus, entenda que este não é um duelo normal. Quando alunos da casa da sonserina chamam por esse duelo, não atinge apenas ele, mas a suas famílias também. Quem perder esse duelo virará um pária na sonserina, perdendo toda a influência durante a escola e fora dela. Isso também afetará o padrinho e o afilhado levando-os juntos para baixo. A família de quem perder também perderá influência, pois será retirado do conselho das famílias bruxas sonserinas.
— Tanto eu como a minha família poderíamos cair em desgraça. E o nome Black não significaria muita coisa. Seria tão pior quanto casar com trouxa. Seria queimada da tapeçaria da família.
— Você não irá perder Hidra. Você é mais poderosa que ela.
— Obrigada Brenda. Eu realmente espero isso.
— Se quiser podemos treinar agora. Podemos ajudar de alguma forma.
— Obrigada Rabastan. Isso não será necessário. Quero apenas ir me deitar agora.
Subi para ao quarto enquanto eles ficaram conversando no salão comunal. Um tempo depois, a Brenda aparece no quarto e sobe na minha cama.
— Passei pelo quarto da Hopkirk. Ela estava num choro só. Esta morrendo de medo.
—Isso é para aprender a respeitar a família dos outros.
— Ela esta verta em estar com medo. Você vai detonar com ela. Boa noite.
— Boa noite e obrigada.
Quando acordei já passava das dez horas da manhã. O final da manha passou rápido. Escrevi para meu pai lhe contando sobre o ocorrido, que mandou nosso elfo doméstico Luli trazer sua resposta e um pacote cheio de biscoitos que segundo a carta era para comemorar minha vitória. Apesar que também dizia que eu não deveria agir por impulso com coisas tão perigosas como essa, que envolvem toda a família, apesar de ter certeza que eu iria vencer.
Pedi o almoço no meu quarto e passei meditando e reunindo minha magia para o duelo. Perto do horário marcado, meus amigos foram até meu quarto para me acompanhar até o salão comunal.
As poltronas da sala tinham sido retiradas e uma plataforma grande circular estava no meio da sala. Nas extremidades da plataforma havia uma proteção que impedia que os feitiços lançados atingissem os espectadores.
Encaminhei-me até o professor que estava no centro do palanque junto com minha adversária. No salão era palpável a tensão de todos.
— Senhoras e senhores estamos aqui para presenciar e oficializar o duelo entre a senhorita Black, a solicitante e a senhorita Hopkirk, a desafiada.
— Senhoritas, neste duelo os únicos feitiços proibidos sãos as imperdoáveis. Só interromperei o duelo quando uma de vocês desfalecer ou estiver em uma condição que impossibilite a continuação do duelo.
— Posicionem-se e comecem o duelo.
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