Deus Salve A Todos
7 Um homem sem nome
Notas iniciais

O chefe do exército de Artena ao ver o rei em perigo ordena o ataque. Um grupo de soldados protegem os nobres em um canto do salão, estão todos perplexos com a situação. Demétrio protege o rei Augusto e a princesa Catarina, enquanto os restantes dos soldados lutam contra os rebeldes. Augusto preocupado com a situação pede para Demétrio tirar Catarina dali.
— Demétrio, tire Catarina daqui imediatamente. A proteção de Catarina é a prioridade.
— Mas e vossa majestade?
— Não é hora para questionamentos Demétrio, isso é uma ordem!!!
Demétrio obedece, mas antes pega uma espada de um dos guardas e joga para o rei.
— Princesa venha comigo. Irei tira-la daqui. – Estendendo a mão a Catarina
— Mas e meu pai? – Diz Catarina preocupada.
— Não se preocupe princesa, assim que vossa alteza estiver segura, voltarei para buscar o rei.
Demétrio continua com a mão estendida, Catarina olha para o caos ao seu redor e sabe que sua presença ali, só iria atrapalhar, então, ela pega na mão de Demétrio e o segue até o outro lado do salão, onde dois soldados tentam abri uma das portas. Os rebeldes tentam agir rápido, pois sabem que os reforços do exército não demorarão a chegar.
Thiago, então, vai até o rei Augusto e começa a lutar, a intenção do grupo não é matar o rei e sim captura-lo. Thiago e Augusto duelam com suas espadas, o rei por ser mais experiente acaba levando certa vantagem sobre o jovem que se desequilibra e cai no chão, Augusto já estava preparado para dar o último golpe em seu oponente, quando Amália percebe o irmão em perigo, prepara seu arco, Augusto na mira, ela precisa tomar uma decisão importante: Matar o rei de uma vez por todas, ou apenas salvar a vida de Thiago.
Demétrio dá cobertura aos soldados que estão tentando abrir a porta, quando Catarina grita por ele.
— DEMÉTRIOO!!! O ARQUEIRO. — Diz ela apontando para que ele possa ver.
Demétrio pega uma adaga e joga no braço em que Amália está segurando a flecha. Amália solta a flecha imediatamente, seu braço está sangrando e doendo muito. A flecha passa em frente ao rei Augusto, tirando sua concentração, o que dá tempo de Thiago se recompor e voltar a luta.
Os dois soldados finalmente conseguem abrir a porta e um grupo de soldados entram no salão, deixando os rebeldes em menor número. Virgílio vendo o número de soldados e Amália ferida, resolver abortar o plano. Para que consigam sair em segurança ele faz a rainha de Abadom de refém.
— Ninguém se mexe. Ninguém dá mais nenhum passo, senão eu mato ela. – Diz ele ao colocar uma faca no pescoço da rainha, que grita descontroladamente.
O rei de Abadom olha para Augusto.
— Dê a ordem para que parem imediatamente Augusto.
Augusto contra a própria vontade olha para os soldados e faz um sinal para que obedeçam. Os rebeldes vão saindo pelo corredor que está livre, Thiago pega o arco de Amália e ao ver o braço da irmã se preocupa.
— Precisamos sair daqui!
Ela apenas concorda com a cabeça, e Virgílio diz para o rei Augusto.
— Nós nos veremos em breve majestade. Foi um prazer...
Ele sai levando consigo a rainha, enquanto todos olham de longe. Os rebeldes chegam até uma saída do castelo onde carroças esperam por eles. Ao chegar nesse ponto Virgílio solta a rainha e eles fogem nas carroças.
Catarina vai até seu pai e o abraça.
— Meu pai, o senhor está bem?
— Sim, minha filha. – Ele retribui o abraço. – Demétrio vá atrás deles, eu não admito falhas desta vez, eu quero o pescoço desses rebeldes enforcados pela manhã.
Demétrio e o outros homens vão atrás dos rebeldes.
A rainha de Abadom chega até o salão horrorizada e é amparada por seu marido que diz ao rei Augusto:
— Que vergonha Augusto, olha o perigo que você expôs todos nós...
Augusto fica furioso.
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No celeiro Afonso desperta com o barulho de carroça e vozes exaltadas, com bastante dificuldade ele se arrasta até a fresta da madeira, onde é possível ver um grupo de pessoas encapuzadas conversando, porém ele não consegue entender o que eles falam.
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Eles entram em casa, Amália com o antebraço encharcado de sangue. Constância se assusta ao ver a filha naquele estado.
— O que aconteceu Amália?
— Ela foi ferida. Precisamos estancar o sangue. – Diz Martinho sentando a filha na cadeira. – Deixe me ver como está isso? – Ele levanta a manga do capuz e Amália geme de dor.
Virgílio se aproxima e agacha até Amália.
— É por isso que eu não queria que você fosse hoje.
Thiago irritado responde.
— Isso é culpa sua Virgílio, por que você simplesmente não consegue seguir com o plano? Tem que subir na mesa e ficar dizendo baboseiras...
Virgílio se levanta e tentando controlar o tom de sua voz diz olhando para Thiago:
— Eu entendo que você esteja nervoso pelo o que aconteceu a Amália e somente por isso eu não vou discutir com você Thiago.
Thiago está prestes a partir para cima de Virgílio, mas é impedido pelo pai.
— Parem vocês dois... A última coisa que precisamos agora é de uma briga. – Ele se volta para Virgílio. – Você precisa ir embora, não demora muito e terão guardas aqui a procura do homem ferido e se nos encontrarem aqui assim, amanhã estaremos todos sendo enforcados em praça pública.
Virgílio obedece a Martinho, vai até Amália e acaricia seu rosto.
— Eu vou embora agora, mas amanhã virei te ver, tenho certeza de que ficará tudo bem.
Amália apenas sorri. Virgílio vai embora. Martinho leva Amália para o seu quarto, constância ajuda a filha a tirar o capuz e começa a cuidar do ferimento. Amália olha para Thiago que está parado, encostado na porta.
— Thiago... Você precisa ir verificar se está tudo certo... Em breve os guardas estarão aqui atrás de um... De um homem ferido. – Ela olha para o irmão de um jeito que faz com que Thiago entenda do que ela está falando.
— Ah, claro. Pode deixar eu cuidarei de tudo.
Thiago sai apressado.
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Afonso ao ver Thiago saindo da casa, volta para seu lugar e fingi estar dormindo. Thiago entra no celeiro e faz uma parede falsa de fardo de palha em frente a Afonso, o deixando escondido.
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No castelo Augusto está na sala de reuniões junto a Demétrio e o chefe do exército.
— É inadmissível o que aconteceu aqui essa noite. Qual imagem os reis de Abadom terão de Artena após o vexame de nossa guarda?
O chefe do exército abaixa a cabeça.
— Eu sinto muito majestade!!!
— Você sente muito? – Pergunta Augusto ao se aproximar do homem.
Demétrio apenas observa.
— Ao que tudo indica o grupo que protegia uma das entradas do castelo foram dopados, por isso os rebeldes conseguiram entrar...
Augusto respira fundo e dá um tapa na cara do homem.
— Essa é a última vez que o vejo falhar. Eu quero os rebeldes e quero o traidor que está agindo de dentro do castelo.
O homem consenti com a cabeça e sai.
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Os soldados chegam até a casa de Amália. Constância abre a porta e boceja levando uma das mãos a boca, fingimento estar com sono.
— Pois não, o que aconteceu?
Os guardas vão entrando na casa. O líder faz um sinal para que os outros dois vá olhar a casa.
— A senhora está sozinha?
Martinho parece com roupa de dormir.
— Estou aqui com o meu marido e com meus dois filhos.
Martinho se aproxima da esposa e pergunta ao soldado:
— O que está acontecendo? Tem algo de errado aqui?
— Houve um ataque ao castelo. – Martinho e Constância fingem surpresa. – Estamos à procura dos bandidos, um deles está ferido.
O homem permanece conversando com Martinho e Constância, enquanto os outros dois vão até o quarto de Amália que fingi estar dormindo. Eles olham para ela coberta, revistam o quarto e saem. Eles jamais desconfiariam que um dos rebeldes seria na verdade uma mulher, por isso não a acordam para verificar seu braço. Já no quarto de Thiago, eles o acordam e o levam até a cozinha.
— Encontramos esse aqui. – Empurrando Thiago.
— Meu filho!! – Constância vai até ele e o abraça.
— Esse é Thiago, nosso filho mais novo. Ele é um bom menino, me ajuda a vender moringas e ajuda a mãe e a irmã na barraca de caldos na feira.
— Onde você estava moleque? – Pergunta o soldado ao puxar o braço de Thiago e levantar a manga de sua camisa para ver seu braço.
— Eu estava dormindo. – Responde Thiago de cabeça baixa.
O soldado olha em seu redor e pela janela vê o celeiro.
— O que é aquilo ali?
— É um celeiro antigo, da época em que criávamos galinhas, agora com essa crise que assola Artena, faz anos que não mexemos nele para nada. – Diz Martinho tranquilamente. – Se quiser posso leva-los até lá para dar uma olhada.
Thiago preocupado diz:
— Não meu pai, está muito frio lá fora deixa que eu os levo.
Martinho concorda com a cabeça, Thiago sai com os soldados.
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Thiago abre a porta do celeiro, os soldados entram, o ambiente está muito sujo e parece realmente abandonado. Um dos guardas olhando para a pilha de fardos de palha no fundo do celeiro, pergunta:
— O que é aquilo?
Thiago tentando manter a calma para não chamar a atenção diz:
— São fardos de palha, tem bastante deles.
Os soldados parecem querer ir olhar mais de perto, então, Thiago chama a atenção deles para si.
— Como que faz para entrar no exército de Artena? Eu sempre quis ser um de vocês.
Os soldados olham para Thiago com desdém. Um deles se aproxima e golpeia Thiago na barriga.
— Um frangote desses querendo ser um de nós? – Diz rindo. – Melhor você continua ajudando a mamãe a fazer sopa...
Os soldados riem, Thiago cerra os punhos de ódio, mas sorri quando percebe que conseguiu o que queria, os soldados deixam o celeiro.
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Thiago volta para casa. Constância e Martinho estão no quarto cuidado de Amália.
— Eles já foram embora. – Ele olha para a irmã. – Tudo certo no celeiro.
Amália respira aliviada.
— Ainda bem que não foi um corte muito profundo, você ficará bem. – Diz Constância ao terminar de fazer um curativo no antebraço de Amália.
— Obrigada minha mãe!!
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No dia seguinte em Montemor.
A rainha Crisélia vai até a cozinha, Selena a jovem recém contratada a recebe.
— Majestade!!! Em que posso ajuda-la?
Crisélia olha para aquela mocinha em sua frente, magra, de cabelo trançado.
— Eu quero fazer um bolo para meu neto Afonso. – Diz a rainha dirigindo-se até a banca com diversos ingredientes.
Betânia uma das cozinheiras se aproxima assustada.
— Majestade. Me diga qual bolo a senhora quer e eu faço?
— Eu preciso de ovos, farinha e..... Talvez, manteiga? – Diz a rainha confusa.
Betânia e Selena se entre olham sem saber o que fazer. Brumela a chefe da cozinha do castelo chega e estranha ver todas as cozinheiras paralisadas sem trabalhar.
— O que está acontecendo aqui? Nós temos um castelo inteiro pra aliment—
Ela para de falar ao ver a cena da rainha com as mãos sujas de farinha de trigo. Rebeca a dama de companhia se aproxima de Crisélia e a leva de lá. Por toda Montemor o povo comenta sobre a saúde mental da rainha.
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No celeiro.
Afondo acorda e se assusta ao ver Thiago parado em sua frente.
— Até que fim você acordou... – Diz Thiago ao pegar um caneco de água para Afonso.
— Onde está a mulher? Tinha uma mulher aqui ontem...
— Amália. Ela é minha irmã, sei que não é agradável acordar e ver um homem barbudo, mas minha irmã não poderá cuidar de você hoje, ela tem outros afazeres. – Thiago se senta em um caixote de madeira.
— Como eu vim parar aqui?
— Minha irmã e eu o encontramos na floresta e decidimos traze-lo para cá.
— Eu agradeço muito, mas preciso voltar... – Afonso tenta se levantar
— Calma guerreiro... – Thiago o ajuda a se sentar. – Eu nem sei o seu nome ainda e você já quer ir embora?
Afonso fica em silêncio por alguns segundos antes de responder... Ele poderia dizer a verdade, mas não estava em condições de se defender se precisasse, falar que era o futuro rei de Montemor poderia ser muito arriscado, e algo estava acontecendo naquele lugar, então, ele resolveu mentir sobre sua verdadeira identidade.
— Meu nome é Valentim.
— E que lugar é esse que você precisa voltar Valentim? – Thiago pega uma cesta com algumas frutas e oferece a Afonso.
— Montemor... Eu sou de Montemor. – Diz Afonso ao pegar uma maça.
— O que você faz em Montemor? – Pergunta Thiago ao sentar novamente no caixote de madeira e pegar uma laranja.
— Eu sou ferreiro.
— Montemor é um lugar distante... O que um ferreiro de Montemor fazia no meio da floresta?
— Eu estava com alguns amigos caçando, quando apareceu um grupo de bandidos, acabei me afastando do grupo e sendo atingido covardemente. – Afonso se irrita ao lembrar do que tinha acontecido.
— Você deu sorte que Amália e eu o encontramos. – Thiago descasca a laranja.
— O que você e sua irmã fazia naquele lugar?
Thiago sabe que ninguém pode saber que Amália e ele estiveram naquela região. Então, ele aproveita da aparente confusão de Valentim (Afonso) para mentir.
— Que lugar? Na floresta de Artena? Nós estávamos colhendo laranjas... – Ele aponta a laranja para Afonso.
— Eu andei até a floresta de Artena? Engraçado não me lembro de andar tanto assim... – Diz Afonso desconfiado.
— Mas andou.... Você tem delirado desde que chegou, deve estar confuso.... Depois tenho certeza de que irá se lembrar. – Thiago se levanta. – Eu preciso ir agora, mais tarde eu volto. Aqui tem algumas frutas caso sinta fome e já troquei seu curativo também...
Thiago já estava saindo quando se lembra de algo e volta para falar com Afonso.
— Nossos pais não sabem que você está aqui.... Então, se você puder não fazer muito barulho, ficarei eternamente agradecido.
Afonso sorri e enquanto morde a maça.
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Thiago vai até o quarto de Amália.
— O homem ferido já tem um nome. – Diz ao se sentar na cama ao lado da irmã.
— Ele acordou? – Pergunta ela animada. – E qual é o nome?
— Valentim. Ele é de Montemor, um ferreiro de Montemor.
Constância grita pelo filho que ignora.
— O que mais ele disse? – Amália aparenta estar muito interessada.
— Segundo ele, estava na floresta caçando com uns amigos quando foram abordados por bandidos.
— Você acha que ele disse a verdade?
— Não sei.... É muito cedo para dizer qualquer coisa. Eu disse para ele que o encontramos na floresta perto de Artena, que estávamos colhendo laranjas.
— Ele acreditou?
— Me parece que sim...
— Ele disse mais alguma coisa?
Thiago percebendo o interesse da irmã, brinca.
— Falou da esposa e dos cinco filhos...
— CINCO FILHOS? – Diz Amália em voz alta.
Thiago coloca a mão na boca da irmã e olha para ver se Constância percebeu algo.
— Estou brincando... Ele não disse mais nada. – Ele tira a mão da boca da irmã. — Minto, ele perguntou de você.
Constância entra no quarto.
— O que vocês dois, tanto cochicham?
— Nada minha mãe.... Nada! – Diz Thiago se levantando da cama.
— Então, venha comigo, já preparei os caldos para vender na feira.
— Thiago irá para feira hoje? – Pergunta Amália.
— Sim, porque eu irei ficar para cuida de você minha filha. – Constância vai até a Amália e a beija.
— E sempre sobra para mim... – Reclama Thiago que é empurrado pela mãe para fora do quarto.
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Augusto está na sala de reuniões conversando com Demétrio.
— Como é possível que até agora não acharam nada? – O rei está exaltado.
— Majestade, o grupo de rebeldes planejou tudo com muito cuidado. Temos uma lista de suspeitos, mas não há nada que comprove de fato que estes homens estejam envolvidos no ataque de ontem.
— E o povo? Ninguém em Artena viu nada ontem à noite? – Fala o rei incrédulo.
Demétrio demora a responder.
— O que foi Demétrio? Diga logo de uma vez...
— Mesmo que alguém tenha visto algo, acredito que seja muito difícil o povo entregar os rebeldes...
— E por que isso? Todos devem lealdade a mim, o rei de Artena.
— Há rumores de que os rebeldes distribuíram o ouro de vossa majestade entre o povo de Artena.
— Malditos sejam, MEU OURO! Meu ouro sendo distribuído para esse bando de mortos de fome...
— Com isso, grande parte do povo está apoiando a rebelião.
Augusto fica em silêncio e então diz.
— Demétrio encontre quem trabalha a mais tempo aqui no castelo e que seja querido pelo povo.
— Sim Majestade, mas para que isso?
— Nós daremos ao povo motivos para odiar e reprovar as atitudes dos rebeldes...
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Em Montemor, Rodolfo está sentado almoçando sozinho. A mesa está farta de comida, ele pega um pouco de cogumelos selvagens empanados, mas cospe assim que coloca-os na boca.
— Maldita seja!!! Maldita seja quem fez essa comida. – Ele bebe um pouco de água. – Tragam imediatamente a assassina que fez essa comida.
Selena e Brumela se aproximam da mesa.
— Brumela quem foi a responsável por fazer esses cogumelos selvagens? – Pergunta Rodolfo sem olhar para a cara das criadas.
— Foi Selena, alteza. – Responde Brumela sem graça. Selena encolhe ainda mais perante a resposta.
Rodolfo vira para olhar na cara delas.
— Deixe-me ver a cara da ASSASSINA que planejava me matar. – Ele olha para Selena dos pés à cabeça. – Até que você não me parece tão mal... Digo, não me parece ser uma má pessoa. Diga por que queria me matar?
— Alteza, eu nunca tive a intenção de mata-lo.... Eu...
Brumela interfere.
— Alteza, me perdoe. Mas, talvez, a culpa tenha sido minha, Selena acabou de chegar ao castelo, eu não deveria ter deixado ela preparar o prato sozinha.
Rodolfo olha novamente para Selena e diz.
— Tudo bem, dessa vez deixarei passar. – Selena sorri para ele. – Mas da próxima vez Brumela. – Dizendo baixo só para Brumela. – Não deixe nunca mais essa menina perto de uma panela.
Brumela sorri confusa.
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Pela tarde Constância sai para colher plantas e ervas e deixa Amália sozinha. Assim que a mãe sai, Amália vai até o celeiro ver Afonso. Ele está dormindo, ela se aproxima cuidadosamente para não o acordar, se agacha no chão e quando ela vai colocar sua mão na testa dele para ver sua febre, ele segura sua mão com força a assustando. Eles permanecem paralisados por alguns segundos, apenas se olhando, o som da respiração ofegante de ambos quebrava o silêncio do ambiente. Afonso solta a mão dela.
— Me perdoe, eu não vi que era você.
— Tudo bem, eu só queria ver se está com febre.
Afonso inclina a cabeça para ela sorrindo. Ela coloca a mão na testa dele.
— Graças a Deus, não está. Eu trouxe um pouco de caldo que minha mãe preparou. – Ela entrega para ele um pote com o caldo.
— Obrigado. – Ele agradece ao pegar o pote. – Por que sua mãe não sabe que estou aqui?
— Digamos que meus pais são muito precavidos, abrigar um desconhecido ferido em tempos tão difíceis não é algo aconselhável.
— Vocês podiam ter me entregue ao rei Augusto, eu não queria dá trabalho e nem causar problemas a vocês. – Ele segura na mão dela.
Ela sorri e tira a mão da dele.
— Você só pode estar de brincadeira... – Ela se levanta. – Te entregar ao rei Augusto?
— E por que não? Eu sou um cidadão de Montemor, reino aliado de Artena, ele teria que que me abrigar e depois me enviar até Montemor.
— Pelo que vejo, você não conhece nada sobre Artena e muito menos sobre nosso rei... O rei Augusto jamais perderia o tempo dele abrigando um simples ferreiro de Montemor. Ele só se preocuparia com você se fosse um nobre e pudesse ganhar algo em troca.
Afonso se sente incomodado pelas palavras de Amália, aquela era a primeira vez que ele via alguém se referir a um rei daquela forma tão desrespeitosa. A moça se senta no caixote e com um dos dedos enrola os cabelos ruivos enquanto fala.
— O rei Augusto não se preocupa com o próprio povo, imagina com as pessoas de Montemor...
Afonso pensa em rebater o comentário de Amália. O rei Augusto era um rei muito respeitado por todos os outros reis da Cália e escutar a tudo aquilo calado para ele parecia covardia ou até mesmo traição á aquele com quem tinha acordos e em breve seria seu sogro. Mas antes que ele pudesse falar, escutaram uma voz forte chamar do lado de fora por Amália. Ela se levanta e vai até a fresta da madeira e vê Virgílio a chamando.
— Quem é? – Pergunta Afonso.
— Um amigo. Melhor eu ir, ele não irá desistir.
Ela sai e Afonso se arrasta até a fresta para espiar.
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Amália encontra Virgílio, ela está nervosa, mas tenta não demonstrar.
— Virgílio, estou aqui.
— O que você estava fazendo no celeiro? – Pergunta ele desconfiado.
— Nada... O que faz aqui. – Ela olha para trás em direção ao celeiro, pega no braço de Virgílio e o vira em direção a sua casa.
— Estava preocupado com você... como está o braço? – Ele para e vira-se novamente em direção ao celeiro.
— Está tudo bem.... Não precisa se preocupar.
— Sobre ontem, eu gostaria de me desculpar, eu fui um tolo, devia ter seguido o plano.
— Fale baixo Virgílio. Não queremos que ninguém nos escute.
— Quem poderia nos escutar? Só tem você e eu aqui não? – Ele sorri se aproximando dela que recua. – Por que está tão nervosa Amália?
— Não estou nervosa é impressão sua... – Ela olha para o celeiro involuntariamente.
— O que tem no celeiro? – Diz Virgílio já se dirigindo ao local.
— Não há nada aí Virgílio.
Amália tenta impedir Virgílio de entrar, porém ele é um homem forte e ela está com o braço machucado. Ele entra no celeiro e vê a parede feita de fardos de palha que parece esconder algo. Ele vai até lá e encontra Afonso encostado na parede de madeira olhando para ele.
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