Deus Salve A Todos

8 O Ferreiro e a Plebeia.


Notas iniciais
Eu sei que demorei dessa vez, porém eu fiquei com um ranço tão grande da Amália e do Afonso nessa ultima semana, que não estava conseguindo se quer escrever cenas Afonsalia na fanfic. Apesar da minha Amália ser diferente da novela, o ranço é tão grande que quase que passou pra essa. kkk Dito isso espero que gostem. Tem momentos Afonsália, infelizmente. Quero correr logo com isso pra começar a desenvolver meu Afonsarinaaa.

Virgílio pergunta para Amália, porém não tira seus olhos de Afonso que o enfrenta com o olhar também.

— Quem é esse homem Amália?

Antes que Amália pudesse responder, Afonso diz:

— Eu sou Valen-

Mas é interrompido por Virgílio:

— Eu perguntei para Amália e não para você...

Amália percebendo a tensão entre os dois, tenta amenizar a situação.

— Virgílio esse é Valentim, ele é um ferreiro de Montemor. Thiago e eu o encontramos na floresta ontem e decidimos trazê-lo para cá.

— Você e Thiago decidiram trazer um estranho para casa e acomoda-lo no celeiro sem a permissão de seus pais? Por quê imagino que Martinho não saiba disso, pois duvido que ele concordasse com tal sandice...

Afonso olha para Amália preocupado, pois percebe que aquele homem parado em sua frente irá causar problemas a ela.

— Eu não sou nenhum bandido, Amália e Thiago foram ótimos cristãos acolhendo um desconhecido em sua casa, serei eternamente grato pelo o que fizeram, mas não quero causar problemas. – Afonso tenta se levantar.

Amália vai até ele.

— Valentim, não se esforce!

Com bastante dificuldade e com a ajuda de Amália, Afonso consegue se levantar. Virgílio percebe a preocupação e o cuidado com o qual Amália trata aquele estranho, e isso o deixa ainda mais irritado.

— Me desculpe Valentim, eu não quis ofende-lo. Você é de Montemor? Certa vez estive em sua cidade e conheci um ferreiro, um homem muito generoso chamado Pedro, ele era baixo e tinha pouco cabelo, ele ainda está vivo?

Afonso ainda apoiado em Amália sorri sarcasticamente.

— Não há em toda Montemor nenhum ferreiro chamado Pedro, acredito que você tenha se enganado.

Amália sorri ao perceber que Afonso não havia caído no teste ridículo de Virgílio.

— É... Devo ter me enganado mesmo... Amália será que podemos conversar em particular?

Amália concorda com a cabeça e ajuda a Afonso a se sentar no chão, perto dos fardos de palha. Afonso segura na mão dela e diz olhando em seus olhos.

— Eu não quero causar problemas, talvez, seja melhor eu partir.

Amália sem graça responde.

— Você fica. Eu irei resolver isso.... Depois eu volto.

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Virgílio e Amália entram em casa.

— Você e Thiago enlouqueceram? Trazer um estranho para cá? Vocês colocaram em risco não só a família de vocês, mas como todo o grupo de rebeldes. – Ele segura no braço machucado de Amália com força, ela geme de dor e ele à solta. – Me perdoe, te machuquei?

Ela se afasta, Virgílio vai atrás dela, mas antes que ele pudesse tocá-la, ela o impede.

— Não toque em mim Virgílio. Você é a última pessoa que pode reclamar sobre colocar o grupo em risco.

— Todos vocês falam de mim..., mas e vocês? E se esse homem escuta alguma coisa? Ele sabe quem vocês são...

— Virgílio, ele é apenas um ferreiro....

— Como você pode ter tanta certeza de que ele é quem diz ser?

— Você está desconfiado por que ele não caiu naquele seu teste ridículo? Você nunca esteve em Montemor Virgílio.

— Eu nunca vi um ferreiro tão jovem.... É óbvio que ele está mentindo.

Amália balança a cabeça negativamente, demonstrando não se importar com as palavras dele, Virgílio se aproxima cautelosamente dela e com cuidado pega em sua mão.

— Eu não gostei da maneira como ele te olhou...

Amália olha dentro dos olhos dele.

— Então, o maior problema é o seu ciúme, não é? – Ela solta a mão de Virgílio.

— Não! Eu coloco nossos propósitos acima de tudo, mas também não posso negar que não gostei da maneira como você tratou esse cara.

Constância entra e estranha ver Virgílio e Amália exaltados.

— Virgílio que bom que você está aqui. Amália está tudo bem? – Ambos permaneceram em silêncio. – O que está acontecendo aqui? – Insistiu Constância.

Amália e Virgílio se olharam. Ele, então, resolve dizer a verdade.

— Está acontecendo dona Constância que Amália e Thiago... – Amália tenta interromper Virgílio, porém não adianta. – Amália e Thiago, estão abrigando um estranho no celeiro.

Amália olha furiosa para Virgílio. Constância olha para a filha e diz:

— Isso é verdade Amália?

Amália sem encarar a mãe apenas concorda com a cabeça.

— Virgílio poderia nos dar licença? Preciso falar a sós com a minha filha.

Virgílio se retira e Constância e Amália se sentam para conversar. Amália conta como tudo aconteceu para a mãe que diz:

— Por que vocês não nos contaram?

— Tivemos medo que não concordassem e era para ser temporário minha mãe, nós íamos contar...

— Uma coisa Virgílio tem razão, vocês colocaram todos nós em perigo. Mas o que mais me magoa é você não ter confiado em mim...

Amália segura nas mãos da mãe e diz com os olhos cheios de lágrimas.

— Me perdoe minha mãe!!!

Constância aperta as mãos da filha.

— Vamos, quero conhecer o tal de Valentim.

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Afonso estava muito preocupado com sua permanência naquele lugar e de como estariam as coisas em Montemor... O que pensaria Rodolfo e sua vó Crisélia de seu sumiço? Ele sabia que precisava voltar imediatamente para casa, porém ainda não conseguia nem permanecer em pé sozinho, imagina cavalgar a cavalo. Afonso foi tirado de seus pensamentos quando Amália e uma senhora entraram no celeiro.

— Valentim, essa é minha mãe Constância!!! – Dizia Amália sorridente.

Afonso como cavalheiro que era, tentou se levantar para cumprimentar a senhora, porém foi impedido pela mesma.

— Não, por favor não se levante. Deixa me ver o que Amália fez aqui. – Ela se agachou para ver a ferida de Afonso. – É não é nada que se possa dizer que trabalho mais bem feito, mas também não está de todo ruim assim. – Diz ela piscando o olho para Afonso que ri.

— Eu fiz o que pude com o que tinha. – Responde Amália tentando se defender.

— Seus filhos salvaram a minha vida... não brigue com eles. – Afonso troca olhares com Amália e Constância percebe.

— Pode ficar tranquilo, eu jamais brigaria com eles.... Mas irei brigar por terem deixado você aqui nesse lugar, deitado nesse chão duro e frio. — Todos riem. – Amália me ajude, vamos leva-lo para casa.

Amália olha surpresa para a mãe.

— Mas e o pai? Ele não vai concordar...

— Deixa que do seu pai cuido eu.

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Em Montemor.

Rodolfo está se divertindo com algumas mulheres em seu quarto, quando Orlando e Petrônio o chamam na porta.

— Maldição!! O que querem? Estou ocupado... – Falar ao beber uma taça de vinho, enquanto uma das mulheres dança para ele.

Petrônio responde do outro lado da porta.

— É urgente Alteza, é sobre seu irmão, Cássio acaba de chegar ao castelo.

Rodolfo cospe o vinho e diz:

— Afonso!!! Diga a Cássio que já estou indo...

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Afonso está no quarto de Amália deitado na cama dela. Ela está arrumando os travesseiros para que ele fique mais confortável.

— Não precisa disso.... Eu não quero causar mais problemas. – Diz ele ao se acomodar melhor na cama.

— Você não está nos causando problemas, por favor, pare de dizer isso.

Ela está quase saindo de perto dele, quando ele a puxa pela mão.

— Aquele homem, foi ele quem contou para sua mãe?

Amália olha para Afonso segurando em sua mão, mas desta vez, ela não recua.

— Sim, foi Virgílio, ele sabe ser invasivo quando quer...

— Ele é seu namorado? – Pergunta Afonso olhando nos olhos dela.

— Virgílio meu namorado? Não... Ele é só um amigo da família como eu já havia dito... – Ela fica extremamente sem graça. – Eu preciso...

Antes que ela pudesse terminar de falar. Thiago entra descomedido no quarto.

— Amália, Amália, Valentim não está no.... – Ele olha para Valentim segurando as mãos da irmã.

Amália solta as mãos de Afonso rapidamente.

— Claro que ele não está lá... porque ele está aqui. – Ela aponta para Afonso e sorri.

Thiago fica sem entender, mas Amália o leva para fora do quarto.

— Venha comigo que eu explico, Valentim precisa descansar.

Afonso sorri sozinho naquele quarto pequeno e tão simples, Afonso nunca estivera em um ambiente tão modesto e carente de móveis, mas havia algo leve e verdadeiro ali que ele jamais havia encontrado em nenhum cômodo de um castelo.

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Rodolfo entra no salão principal onde estão Cássio, Orlado e Petrônio.

— Onde está Afonso, Cássio? – Pergunta ele procurando pelo irmão.

Cássio abaixa a cabeça.

— Eu sinto muito Alteza, mas sinto em dizer que vosso irmão.

— Pare Cássio... fazer piadinhas a uma hora dessas é de péssimo gosto. Cadê Afonso? – Rodolfo procura pelo irmão atrás de Cássio. – Onde ele se escondeu?

Orlado se intromete:

— Alteza, sinto que Cássio está tentando dizer é que vosso irmão...

— Eu sei o que ele está tentando dizer.... Eu não sou burro, mas isso não pode ser possível. – Rodolfo se senta sem perceber no trono de sua vó Crisélia.

— Alteza, nós procuramos por todos os lugares, até que encontramos um corpo destroçado por algum animal. E tudo leva a crer que era o príncipe Afonso.

Rodolfo arrasado, não consegue acreditar no que acabara de escutar.

— Isso não é possível, Deus não permitiria que algo assim acontecesse a Afonso. Um homem como ele, morrer atacado por um bicho?

Cássio pega com outro guarda o casado de Afonso e entrega a Rodolfo.

— Encontramos isso próximo ao corpo.

Rodolfo pega a roupa nas mãos e chora.

— SAIAM!!! SAIAM TODOS!!!! Eu preciso ficar sozinho. – Todos saem. – O que será de Montemor sem você meu irmão? O que será de todos nós? Que Deus salve a todos!!!

Rodolfo permanece sentado no trono chorando.

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Martinho chega em casa e Constância conta tudo a ele. Eles discutem, Afonso escuta tudo do quarto. Mais tarde Amália vai levar a janta para Afonso.

— Eu trouxe a sua janta.

— Seu pai não gostou de me ter aqui, não é?

— Ah, você escutou... – Amália se senta na beira da cama. – Meu pai é um bom homem, ele irá mudar de ideia.

Afonso pega no braço machucado de Amália. Ela faz uma careta de dor, enquanto tenta puxar o braço, mas Afonso percebendo a expressão dela, descobre o braço de Amália e vê o curativo.

— Seu braço está machucado. – Diz ele preocupado.

Ela puxa seu braço e arruma a manga de seu vestido às pressas.

— Não é nada, não se preocupe. – Ela se levanta e para na porta. – Eu preciso ir, boa noite. – Amália sai sem olhar para Afonso que desconfia.

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No dia seguinte em Montemor.

Rodolfo está tomando café com Orlando e Petrônio.

— Não quero que ninguém mais saiba de Afonso ainda. Primeiro preciso pensar em como falar isso com minha avó.

— Claro Alteza!!! – Concordam ambos.

— Preciso prepara-la, não posso simplesmente dizer: Minha querida avó, sabe o seu neto aquele que você preparou a vida inteira para ser rei? – Orlado e Petrônio tentam avisar Rodolfo que a rainha está atrás dele, porém ele ignora e continua. – Aquele seu neto preferido.... Aquele que a senhora sempre achou o mais bonito, mais inteligente, mais forte.

Crisélia diz:

— Afonso!!!

Rodolfo sem perceber que era a avó, continua:

— Esse mesmo, Afonso, ele está morto.

Crisélia desmaia e Rodolfo ao escutar o barulho da avó no chão se dá conta do que fez.

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Na feira em Artena, Thiago ajuda a mãe na barraca de caldos. Ele vai até a barraca de Diana, melhor amida de Amália.

— Olá, Diana! Precisa de ajuda? – Diz ele ao ver ela carregando alguns caixotes de madeira.

— Oi Thiago, obrigada, mas eu sei me virar sozinha. – Ela retira as verduras do caixote e vai organizando na barraca.

Thiago passa para o lado de dentro da barraca e começa ajuda-la.

— Amália ainda está doente?

— Ela está melhor, acho que volta ainda essa semana para a feira, já está com saudades da amiguinha? – Ele se encosta nela a empurrando para o lado.

Diana sorri e diz.

— Eu nem tive tempo de ir vê-la... Cuidar de Levi sozinha não tem sido fácil, nunca pensei que ter um filho fosse tão difícil, e ele também ficou doente esses dias.

— Ele está melhor?

— Sim, assim como o movimento na feira. – Ela olha para os guardas que estão circulando pela feira e fala baixinho para que só Thiago a escute. – Parece que o ouro real que os rebeldes roubaram e distribuíram pelo povoado, está sendo bem utilizado.

Ambos riem. E Diana continua.

— Você ficou sabendo o que rei pretende fazer? – Thiago balança a cabeça negativamente. – O rei irá enforcar o jardineiro, sob acusação de traição. Ele diz ter provas de que foi Cristóvão que ajudou os rebeldes a entrar no castelo.

Thiago se espanta.

— Cristóvão é um senhor, nem se ele quisesse poderia participar de algo assim.

— As pessoas estão horrorizadas, Cristóvão é conhecido e querido por todos em Artena, mas o que nós podemos fazer, não é? Parece que os únicos que podem salva-los são os rebeldes.

Thiago fica pensativo e ambos continuam arrumando as verduras sobre a bancada.

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Todos saíram para trabalhar. Amália estava limpando a cozinha quando Afonso aparece e se segura em uma cadeira quase caindo. Amália corre para ajudá-lo, ela tenta segura-lo, mas Afonso é bem mais alto e forte do que ela.

Eles quase caem um sobre o outro, mas Amália se segura na cadeira. Seus olhares se cruzam, Afonso sente a respiração ofegante de Amália, seu coração disparado, suas bocas próximas, era impossível negar a atração de ambos naquele momento.

E por um instante Afonso quase a beijou, ele nunca estivera tão perto de uma mulher assim antes, todas as mulheres com as quais Afonso teve contato, foram da realeza, e com nenhuma ele havia tido um contato tão próximo. Prometido da princesa Aurora e logo depois da princesa Catarina desde a infância, Afonso nunca foi como o irmão, o tipo de homem que se diverte com criadas ou com plebeias. E por ser um homem justo e integro, ele não poderia se aproveitar de Amália e nem trair sua futura esposa a princesa de Artena, então, ele logo desviou o olhar de Amália e tentou cessar todos os desejos que surgiam dentro dele.

— Você não devia se levantar, ainda está fraco. – Diz Amália ao ajudá-lo a se sentar.

— Eu estou bem... não aguento mais ficar parado.

— Ih, já vi tudo... você é teimoso. – Diz ela ao voltar a organizar a cozinha.

Afonso sorri e não rebate a afirmação.

— Aonde estão os outros? – Ele fala enquanto mexe em umas sementes que estão sob a mesa.

— Foram trabalhar... meu pai é artesão, vende moringas, Thiago e minha mãe estão na feira vendendo caldos.

— E você o que faz?

— Eu costumo cuidar da barraca na feira, mas como me machuquei na cozinha, não pude ir esses dias.

Afonso olha para ela, e por mais convincente que Amália pudesse ser, ele sabia que ela estava mentindo.

— A noite no celeiro, eu escutei um barulho e logo depois a voz de uns guardas, o que eles queriam aqui? – Pergunta ele seriamente.

Amália sem parar o que está fazendo e sem olhar para ele responde:

— Parece que houve uma confusão no castelo, eles estavam atrás dos responsáveis.

— Que tipo de confusão. – Pergunta ele interessado.

— Um grupo de rebeldes invadiu o castelo. – Ela derruba uma panela.

— Um grupo de rebeldes em Artena? Por que alguém iria atacar um rei como Augusto? — Fala ele incrédulo.

Amália para o que está fazendo e ri alto.

— Logo se vê que você desconhece a realidade de nosso povo. Faz anos que Artena está em crise, o povo está morrendo de fome e cansado de tantos impostos cobrados pela corte.

Afonso fica surpreso com que escuta de Amália, o rei Augusto nunca levou para o conselho da Cália tais questões, de que Artena estivesse em crise. Muito pelo contrário, todos sabiam o quanto Artena era um reino próspero e muito poderoso.

— Isso não é possível... nunca chegou até Montemor a notícia de que Artena estava em crise.

— E você acha que o rei Augusto deixaria outros reinos saberem da situação de Artena? Ele está mais preocupado em cobrar impostos e prender aqueles que ele chama de “ladrão”. – Fala ela ironicamente.

— E você não acha que ladrões deveriam ser presos? – Provoca Afonso.

— Se o rei submete seu povo a nenhuma educação e depois os castiga por aqueles crimes onde a educação faltou o que mais podemos concluir além do fato de que o rei cria ladrões para depois puni-los?

Afonso fica surpreso com a resposta de Amália.

— Como posso ver você não gosta muito da monarquia.

— Eu sei que eu nem deveria dizer isso, por que já vi pessoas sendo enforcadas por muito menos... – Ela fala baixo. – Mas um rei deveria ser bom para seu povo, coloca-los em primeiro lugar. Imagine, quantas coisas boas um rei como Augusto poderia fazer? Mas não, ele é um tirano e nós estamos condenados ao seu reinado.

— Mas nem todos reis são como Augusto. – Diz Afonso pensando em sua vó Crisélia, que sempre foi considerada uma excelente rainha.

— Sim, eu sei disso. Mas por melhor que seja um reinado, sempre se tratará sobre poder, sobre dinheiro, sobre ambição. Veja os castelos, a grandiosidade com que vivem os nobres, para que tanto luxo? Tanta comida e bebida, tantas festas.... Para que as guerras? Enquanto a maioria do povo que trabalha para manter todo esse luxo, vive com tão pouco. – Amália se emociona ao dizer tais palavras.

Afonso fica calado, ele nunca pensou em escutar aquelas coisas, se Amália soubesse que estava em frente ao futuro rei de Montemor, jamais diria tais palavras, visto que isso a levaria a forca. Percebendo que Afonso ficou pensativo, ela pergunta.

— E como são as coisas em Montemor?

Ele desperta de seus pensamentos.

— A rainha Crisélia é uma excelente rainha, é uma mulher justa e muito sábia. – Ele falava com orgulho da avó.

— Já ouvimos falar dela por aqui..., mas e o príncipe Afonso, como ele é? – Ela se senta em uma cadeira próxima a ele.

Afonso sorriu, era a primeira vez que ele tinha que falar sobre si mesmo com alguém que não sabia quem ele era. E por um instante, ele não sabia o que dizer, não sabia se era realmente aquilo que acreditava ser.

— O príncipe Afonso parece ser um bom homem, acredito que ele irá tentar ser um bom rei para todos em Montemor... – Ele fica sem graça e não encara Amália.

— Perguntei por que ele irá se casar com a princesa Catarina.

— E da princesa o que você acha? – Afonso tem interesse em saber qual imagem Catarina tinha para seu povo.

Amália diz se levantando e indo até o fogão mexer em uma panela que está no fogo.

— Não tenho muito o que dizer.... Nós mal vemos a princesa, mas julgando pelo comportamento do rei Augusto, acredito que a princesa não tenha muita voz nas decisões sobre reino. Cata---

Thiago chega e interrompe Amália.

— O que vocês estão falando da minha musa inspiradora?

Amália rir.

— Chegou o Thiago, fã número um da princesa.

Afonso também sorri e Thiago diz em tom apaixonado, enquanto se senta na cadeira onde Amália estava sentada antes.

— A princesa Catarina é a mulher mais linda de toda a Cália.

Afonso fala sem pensar.

— Mas bonita que sua irmã?

Thiago fica surpreso e olha para Amália que fingi não escutar o que Afonso disse.

— Thiago aonde está nossa mãe?

Afonso fica extremamente sem graça e Thiago acha graça da situação.

— Ela ficou um pouco mais na feira.... As vendas hoje estão um pouco melhores, parece que dinheiro distribuído pelos rebeldes está ajudando o povo. – Ele pisca para a irmã.

Amália sorri sem que Afonso perceba, no fundo eles tinham orgulho de seus atos, o povo sofria muito em Artena e aquele dinheiro distribuído significava um alívio para todos, por pelo menos algum tempo.

— Que dinheiro? – Pergunta Afonso.

— Os rebeldes roubaram o ouro do rei Augusto e distribuíram para o povo. – Diz Thiago se espreguiçando na cadeira.

Amália coloca uma panela em cima da mesa.

— A comida está pronta.

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Em Montemor a rainha fica muito mal após saber que seu neto preferido e futuro herdeiro do trono havia morrido. Rodolfo também sofria pela morte do irmão e por ter que assumir o trono.

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Enquanto comiam, Thiago se lembra de contar a Amália o que escutou de Diana.

— Você não sabe qual a última do rei Augusto... – Fala ao mergulhar um pedaço de pão no prato de sopa.

Afonso observava o jeito como eles comiam, de forma simples e sem modos. Ele sabia que teria que comer com eles ou se não poderia ser descoberto. Então, ele fez o mesmo que Thiago, afundou um pedaço de pão no prato de sopa e depois o levou até a boca, ele se divertia sozinho fazendo aquilo.

— Qual? – Pergunta Amália olhando para o jeito como Afonso sorria para a comida.

— Sabe o senhor Cristóvão? Que trabalha a anos no castelo como jardineiro? – Diz Thiago terminando o prato de sopa.

— Sei, o que tem ele? – Amália não consegue parar de observar Afonso.

Thiago também volta sua atenção para Afonso.

— O rei o acusou de traição, de ter ajudado o grupo de rebeldes e parece que irá enforca-lo dentre de alguns dias.

Amália para de olhar para Afonso e volta se para o irmão.

— O rei Augusto enlouqueceu? Cristóvão não tem nada a ver com os rebeldes... – Ela fala firmemente.

Afonso olha para ela e diz:

— Como você pode ter tanta certeza?

— Cristóvão é um senhor, conhecido e querido no povoado.... Todos sabem que ele jamais se envolveria em algo assim. – Responde Thiago.

— O que o rei Augusto quer com isso? Ele sabe que Cristóvão é inocente. – Amália segue indignada.

— Não sei.... Talvez, ele queira colocar medo nas pessoas já que grande parte do povo apoia os rebeldes, ou esse enforcamento é uma armadilha para pega-los... – Supõe Thiago

Afonso fica pensativo e diz:

Você disse que o povo apoia os rebeldes certo? – Thiago confirmou com a cabeça. – Matar alguém querido pelo povo pode aumentar a rejeição de um rei ou fazer com que povo comece a rejeitar os rebeldes.

— Sim, faz sentido.... Todos esperam que os rebeldes salvem o pobre homem, se eles aparecerem correm o risco de serem pegos – Thiago olha para a irmã enquanto fala. – E se eles não aparecem...

— Perdem o apoio popular... – Diz Amália pensativa.

Thiago olha para Afonso que está terminando de tomar sua sopa.

— Até que para um ferreiro você entende bem de estratégias políticas... – Ele bate no ombro de Afonso e se levanta.

— Assim como vocês, que são simples camponeses e entendem sobre monarquia.

Thiago o olha sem entender, Amália, então, o responde.

— Quando éramos crianças, nossos pais nos deixavam com o ferreiro de Montemor, ele trabalhou durante anos no castelo, escutou e aprendeu muitas coisas, ele nos contava histórias sobre o rei, sobre a vida na corte...

Afonso olhava para Amália intensamente enquanto ela falava, ela não sabia se ele estava prestando atenção em suas palavras. Então, Afonso sorriu, e ela admitiu para si mesma, pela primeira vez, o quanto aquele homem a sua frente era lindo e mexia com ela.

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Longe dali, Virgílio conversa com um mensageiro.

— Quero que você procure em Montemor, um ferreiro chamado Valentim.

— E o que eu devo dizer a ele. – Pergunta o jovem rapaz.

— Se você o achar, entregue esse papel. Se ele não estiver em Montemor, quero que descubra quanto tempo ele está fora cidade. – Virgílio entrega algumas moedas ao rapaz que sai.

Notas finais
Essa parte em negrito é uma adaptação de uma fala do filme "Para sempre Cinderela" de 1998. A personagem cita um trecho do livro Utopia de Thomas More. E como eu gosto muito desse filme, resolvi colocar aqui. Coisas que eu preciso dizer que não disse antes. Aqui Afonso mente o nome, pq eu acho um absurdo na novela ele dizer Afonso e ninguém se tocar que é ele. Ele fica bem impressionado com Amália por ela ir contra a tudo que ele um dia foi criado... É isso, espero no próximo já ter mais momentos da Catarina...