Deus Salve A Todos
9 A Morte Do Príncipe
Notas iniciais
Mentira tem perna curta
Naquela noite Afonso voltou a apresentar febre, deixando Constância preocupada. Ela e Amália cuidam dele.
— Ele não deveria ter se levantado hoje – Diz Constância ao colocar um pano molhado em sua testa.
— Eu não tenho culpa, ele é mais teimoso que uma mula. – Diz Amália se aproximando de Afonso.
A febre está tão alta, que ele delira e acaba falando de Montemor e dos soldados que estavam com ele durante o conflito com os bandidos na floresta.
— Cássio, eu preciso ir... Cássio... Montemor... os guardas, Cássio. Precisamos ir, precisamos voltar.
— Ele está delirando. – Diz Constância preocupada.
Amália olha para Afonso e fica apreensiva.
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Em Montemor, Crisélia ainda acamada chama por Rodolfo. Ele se aproxima da cama da avó e pega em sua mão, ela está pálida e com semblante triste.
— Rodolfo me escute. Você deverá assumir o trono de Montemor.
Rodolfo se espanta, sua avó parecia estar realmente ciente do que estava falando.
— Minha vó não é hora de falarmos sobre isso... A senhora precisa descansar, Montemor já tem uma rainha e ela é a melhor que poderíamos ter. – Seus olhos estão lacrimejando.
Crisélia olha para os serviçais no quarto.
— Saiam todos, eu preciso falar a sós com o meu neto. – Os serviçais saíram e então ela continuou. – Me perdoe Rodolfo.
Rodolfo meio confuso pergunta: — Perdoa-la de quê?
— Eu preparei Afonso para ser rei, acreditando que o destino se cumpriria, enquanto, descuidei de sua formação.... Eu tive medo de que se criasse você da mesma forma que seu irmão, você pudesse invejá-lo, almejar o trono.
— Eu nunca quis ser rei minha vó. – Diz ele ressentido.
— Eu sei..., mas agora você não tem escolhas, quis Deus que fosse você subindo naquele trono e não Afonso e assim será.
— Mas não é justo. – Fala ele com a voz trêmula. – Eu não faço a menor ideia do que fazer com a coroa. A senhora precisa se recuperar e continuar sendo a rainha de Montemor. – Ele enxuga as lágrimas.
— Meu neto, você e eu sabemos que não estou bem.... Que é apenas questão de tempo até que eu me vá.
— Não diga isso minha vó. – Rodolfo se levanta.
— Mas fique tranquilo, que o tempo que me resta vou ensiná-lo tudo o que sei. Você será um grande rei como Afonso teria sido.
Rodolfo anda pelo quarto cabisbaixo.
— O tempo que resta a senhora? Então não teremos muito tempo, meu Deus!!! – Ele olha para a avó assustada. – Quero dizer que não temos muito tempo, mas seria o tempo relativo? Então, o pouco tempo que temos seria o suficiente? – Ele sorrir constrangido.
— Quero que prepare tudo para amanhã, bem cedo quero falar com o povo de Montemor e dizer sobre Afonso.
Rodolfo que até então estava assustado com a ideia de assumir o trono, sentia uma leve adrenalina correr seu corpo, pela primeira vez ele seria o Monferrato mais importante.
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Amanhece em Artena. Amália está debruçada sobre a cama de Afonso. Ela passou a noite toda cuidando dele, a febre só veio diminuir pela madrugada. Thiago entra no quarto e acorda a irmã.
— Amália? Amália? Acorde!! – Ele balança devagar o ombro dela.
Amália acorda assustada.
— O que aconteceu? Valentim piorou?
— Não, fique tranquila, ele está dormindo.
Amália olha para Afonso que dorme profundamente. Ela se levanta e puxa Thiago pelo braço até a janela.
— Ontem ele chamou por um homem de nome Cássio. Falou de Montemor e sobre guardas.
— Pode ter sido por causa da febre não?
— Não sei Thiago, você viu ontem como ele se comportou na mesa?
— Sim, parecia que era a primeira vez que ele comia sopa com pão daquela forma.
— Tenho medo que Virgílio esteja certo. Se Valentim não for quem diz ser, quem realmente ele é?
Amália e Thiago olham para Afonso deitado.
— Por enquanto, a única coisa que podemos fazer é tomar cuidado, cuidado com o que falamos, com o que fazemos... Nada de ficar falando mal do rei e da monarquia a estranhos minha irmã. – Aconselha Thiago.
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Em Montemor, a rainha mesmo ainda estando doente, se levanta para falar com o povo. Uma multidão de súditos aguardava no pátio do castelo o seu pronunciamento. Crisélia era uma senhora, baixa, cabelos vermelhos, pele branca, ela caminhava devagar enquanto todos se encurvavam para reverenciá-la. Rodolfo caminhava logo atrás de sua vó.
— Povo de Montemor!! Eu a rainha Crisélia tenho um comunicado muito importante para fazer. Como todos sabem, meu neto o príncipe Afonso saiu há alguns dias em busca de água para nosso reino. – Ela faz uma pausa, respira fundo e continua. – A verdade é que eu não venho aqui hoje para falar com vós apenas como rainha, mas também como avó. É com muita dor que anuncio que o príncipe Afonso, herdeiro do trono de Montemor está morto.
A multidão fica horrorizada com a notícia, todos comentam entre si e antes que tudo vire um grande alvoroço, Crisélia volta a falar.
— Peço para que todos se acalmem. – A multidão volta a ficar em silêncio. – Eu perco hoje um pedaço do meu coração, eu depositei em Afonso todas as minhas esperanças, toda a minha dedicação, o melhor de mim. – Rodolfo derrama algumas lágrimas. – Eu não tenho mais nenhuma condição de vos liderar e por isso passarei a coroa para o meu outro neto... – Ela estende a mão em direção a Rodolfo e fica o olhando. — Meu outro neto...
Rodolfo percebendo que a avó esqueceu seu nome diz.
— Rodolfo, Rodolfo minha vó.
— Meu neto Rodolfo. – Diz ela enquanto Rodolfo dá um passo à frente. – Sei o que todos estão pensando, Rodolfo não foi criado para receber a coroa, mas prometo a cada um de vós que usarei cada dia que me resta para ensiná-lo tudo o que sei, tenho certeza de que ele junto com a ajuda de cada um de vocês, será um rei justo e honrado e que seu nome será lembrado para sempre na história de Montemor.
A multidão começa a gritar “Deus Salve a Rainha”, duas camponesas comentam entre si.
— Montemor está nas mãos do Monferrato mais novo que nunca foi preparado para assumir o trono.
— E será ensinado pela Rainha que está caducando... Que Deus Salve a Rainha, o príncipe e a todos nós!!!
Crisélia coloca uma das mãos na cabeça, ela havia feito muito esforço. Rodolfo então pede para que Cássio a leve de lá. Rodolfo encara a multidão e não sabe o que dizer, afinal não conseguiu decorar o discurso feito por Petrônio e Orlando. Então, resolve improvisar.
— Meu querido povo de Montemor!!! Eu prometo que quando subir ao trono, não, quero dizer, sentar, não sentar no sentido literal, porque, o que é trono? O que é um rei? – Rodolfo se perde completamente nas palavras e é possível ver no rosto das pessoas a decepção, então, após uma pausa ele resolve abrir o coração. Tira a coroa e diz com os olhos cheios de lágrimas. – Eu nunca quis ser rei.... Desde a infância Afonso foi preparado para estar aqui, nesse lugar. Esse lugar nunca foi meu e eu nunca o quis.... Entendo o medo de vós, porque é o mesmo medo que eu estou sentido. Afonso não era apenas o futuro rei, ele era o meu irmão, um grande homem que eu tenho certeza que seria o melhor rei que Montemor já tivera. Mas quis Deus que as coisas não fossem como esperávamos, e agora eu não tenho outra alternativa que se não aprender a lidar com a responsabilidade que cai sobre meus ombros e eu poderia mentir para vós, dizer palavras bonitas, mas prefiro ser honesto com vocês. Eu estou assustado, mas sou um Monferrato e sei que posso aprender, talvez, eu nunca chegue a ser o rei que meu irmão seria, mas prometo que serei o melhor que eu puder.
A multidão aplaude e grita “Deus Salve o Rei”, para surpresa de todos e até mesmo de Rodolfo, suas palavras haviam conseguido tocar o povo de Montemor.
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Afonso acorda e Amália está sentada próxima a sua cama quase dormindo. Ela desperta e o impede de se levantar.
— Não.... Hoje você não sai dessa cama, precisa descansar. Passou a noite toda delirando, ardendo em febre.
Afonso desisti de se levantar e sente uma dor ao pé da barriga.
— Eu disse algo enquanto delirava?
— Disse algumas coisas, mas nada que fizesse sentido. Você chamou por um tal de Cássio.
Afonso sorri.
— Cássio é meu melhor amigo, ele estava comigo na floresta quando os bandidos chegaram, eu precisava saber se ele conseguiu escapar.
— Se quiser posso mandar o mensageiro, só me dizer o que quer falar e para quem mandar.
Afonso fica pensativo.
— Não, melhor não. Você acha que irá demorar muito para que eu possa retornar a Montemor?
Ela olha para a ferida dele.
— Se você se comportar, eu diria que mais alguns dias e veremos se terá condições de montar a cavalo.
Ele sorri, mas no fundo está preocupado com Montemor e sua família.
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No castelo de Artena.
Catarina está em seu quarto, Lucíola termina de abotoar seu vestido. A princesa percebe que ela está triste e calada, coisa muito rara se tratando de Lucíola. Catarina pega em sua mão e traz para a frente.
— O que você tem Lucíola, por que está tão calada? – Catarina a olha com carinho.
— Não é nada Alteza. – Lucíola desvia o olhar.
Catarina pega em seu queixo com delicadeza e a encara.
— Eu te conheço, me diga o que está acontecendo?
— É vosso pai... – A mulher abaixa a cabeça e lágrimas escorrem por seu rosto.
— O que ele fez? Por Deus Lucíola diga de uma vez.
— Ele... Ele vai mandar enforcar Cristóvão amanhã. – Lucíola soluça de tanto chorar.
— Cristóvão? O jardineiro? – Catarina sorri incrédula. – Por quais motivos?
— Ele é acusado de ter ajudado os rebeldes a entrar no castelo.
— Isso não é possível, deve haver algum erro. Meu pai não pode acreditar que aquele senhor possa estar envolvido nisso.
— Menina, interceda por Cristóvão. Toda Artena o conhece, todos sabem que ele é um bom homem.
Catarina segura em seu braço carinhosamente.
— Eu farei isso..., mas me prometa que irá parar de chorar. – A mulher tenta segurar o choro, Catarina olha para a janela aberta e vê uma carruagem chegar ao castelo.
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O rei Augusto está recebendo o Marquês de Córdona, chamado Istvan, no salão principal junto a Demétrio. O Marquês acaba de descobrir em suas terras uma pequena mina de ouro e foi convidado ao castelo pelo rei para discutir sobre negócios. O rei conversa com o Marquês quando Catarina entra no salão vestindo um lindo vestido cinza. Istvan fica completamente encantado pela beleza da princesa.
— Catarina!! – Diz o rei Augusto ao ver a filha entrando. – Venha, quero lhe apresentar o Marques de Córdona. – Catarina se aproxima com um leve sorriso nos lábios. – Este é Istvan.
Istvan faz a reverência e logo depois pega na mão de Catarina e deposita um singelo beijo enquanto diz:
— Estou completamente encantado Alteza.
Catarina constrangida com o olhar dele apenas diz.
— Seja bem-vindo Marquês. – Ela desvia o olhar
— Vossa filha é muita linda Majestade, com todo respeito.
Augusto percebendo o interesse do Marquês, responde:
— Ela é o meu maior tesouro, mas logo estará casada com o futuro rei de Montemor. – Ele sorri para filha que retribui.
— Ah, o príncipe Afonso? – O semblante do Marquês entrega a decepção em saber desse compromisso.
— Sim, você o conhece? – Pergunta Catarina.
— Certa vez eu tive o prazer de o encontrar em uma taverna, na cidade de Évora.
— Em uma taverna em Évora? – Pergunta Catarina seguido de uma risadinha de deboche, Évora era uma cidade conhecida por proporcionar estadia e prazer para os viajantes.
— Sim, um lugar um tanto..., mas não se preocupe alteza, Afonso era o único homem naquele estabelecimento que não estava acompanhado de nenhuma donzela. – Ele continua olhando fixamente para Catarina.
— Afonso é um homem muito integro, por isso eu o escolhi para ser o marido de minha preciosa filha. – Diz Augusto na intenção de encerrar o assunto.
— Integro e de muita sorte. – Istvan olha para Catarina dos pés à cabeça.
Catarina força um sorriso.
— Mas o que traz o Marquês a Artena... – Ela se vira para Augusto. – Meu pai?!
— Istvan descobriu recentemente uma pequena mina de ouro em suas terras, então, eu o convidei para conversamos, e como sei que ele não possui muita experiência nesse tipo de negócio, quero ajudá-lo a explorar esse pequeno tesouro. – Augusto olha para Demétrio que sorri.
Catarina consegue entender tudo imediatamente, conhece seu pai e sabe que ele não faz nada sem receber algo em troca, e nesse caso, julgando pela inocência do Marquês, Augusto irá receber um alto valor em troca.
— Eu gostaria de lhe falar mais tarde. – Diz ela ao tocar no braço do pai.
— Sim, eu irei mostrar uns documentos ao Marquês e logo depois irei até seus aposentos. – Augusto pega no braço de Istvan e o vira em direção a sala de reuniões.
O Marquês olha para trás onde está Catarina e Demétrio.
— Parece que vossa Alteza, acaba de ganhar um novo pretendente. – Demétrio sorri.
Catarina revira os olhos e sai.
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Em Montemor, Crisélia assisti Rodolfo em um treinamento com espadas. Rodolfo é péssimo em qualquer tipo de luta, constatando que seu neto não está preparado para assumir o trono a rainha diz a Cássio.
— As coisas são piores do que eu imaginava, nem se eu tivesse mais 100 anos, conseguiria preparar Rodolfo a tempo.
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Em Artena, Augusto entra no quarto de Catarina, Lucíola sai do quarto assim que o rei entra.
— O que você queria falar comigo minha filha?
— Fiquei sabendo que o senhor pretende mandar enforcar o jardineiro amanhã... Gostaria de lhe pedir para poupar a vida desse pobre homem.
Augusto olha surpreso para a filha. Catarina não era do tipo de pessoa redundante, ela era objetiva, ia direto ao assunto sem rodeios, ele admirava isso nela, mas não entendia, por que ela pedia pela vida daquele homem miserável?
— E por que isso Catarina? Desde quando você se preocupa com os condenados a forca?
Ela hesita em falar, porque sabe que seu pai irá criticá-la. Mas resolve dizer a verdade, porque ele iria descobrir de qualquer forma.
— Lucíola, Cristóvão e ela são amigos a muito tempo e a pobrezinha está arrasada com a condenação.
Augusto dá de ombros.
— Eu já disse para você escolher uma dama de companhia, uma mais jovem, que não fique enchendo suas cabeças com bobagens.
— O senhor sabe o quanto considero Lucíola. – Ela vai até ele. – Por deus meu pai, já viu Cristóvão? Como aquele miserável pode conspirar com rebeldes? O pobre homem mal se aguenta em pé, nem o jardim ele tem conseguido cuidar sozinho, imagine dopar os guardas desse castelo.
Augusto olha bem para a filha.
— Não me subestime minha filha, você acha mesmo que eu não sei que esse velho é inocente?
Catarina se dá conta de que tudo não passa de um plano de Augusto, então, ela fala a mesma língua de seu pai, ou pelo menos o que ele gostaria de escutar naquele momento.
— Eu jamais o subestimei... A morte de Cristóvão pode dar ao senhor o que deseja, mas salvar um pobre homem... – Ela anda em volta do pai, falando com a voz mansa. – Condenado a forca por um crime contra o rei, pode trazer de volta ao senhor toda a gratidão do povo de Artena.
Augusto sorri satisfeito, ele criara Catarina para ser uma líder nata, diferente das outras princesas, Catarina não havia sido criada para agir apenas como uma boa mulher e sim para se tornar a maior rainha de toda Cália.
— Eu prometo que irei pensar em vossas palavras. Mas é bom que aprenda que mostrar benevolência pode soar como fraqueza e se há algo que você não quer parecer, esse algo é ser fraca.
Augusto sai do quarto e Catarina dá um sorriso de canto de boca.
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De tarde Amália está cozinhando enquanto Afonso permanece deitado. Ela é surpreendida por dois bandidos que invadem a casa. Amália grita e Afonso escuta do quarto, ele se levanta e espia pela porta.
— Vão embora, não há nada aqui para vocês.
Os dois homens dão risada. Um está parado em frente a porta olhando para ver se não chega alguém. O outro caminha devagar, derrubando as coisas que estão sob a mesa.
— E se a gente não quiser ir? – Ele para em frente a Amália. – Acho que você tem algo que nós dois queremos.
— Eu não vou repetir novamente, é melhor você irem agora.
Ele vai em direção a Amália para atacá-la, ela se afasta, Afonso aparece e parte para cima do homem e lhe dá um soco, o dois homens puxam suas espadas. Afonso se vê em desvantagem, além de estar ferido, tinha que lutar contra dois homens armados. Amália se vê sem saída, ela vai até o quarto de seus pais e pega duas espadas.
— VALENTIM PEGUE. – Joga uma das espadas para ele.
Os dois lutam contra os homens e conseguem coloca-los para correr. Afonso sente a dor no pé da barriga e quase cai, se segura na cadeira.
— Valentim!!! Senta aqui. – Ela o ajuda a se sentar. — Eu preciso ver se não abriu sua ferida. – Fala ela preocupada, Afonso sente muita dor. – Eu vou precisar trocar o curativo.
Ele sorri enquanto ela mexe em seu ferimento.
— Até que você se defende muito bem para uma mulher. – Afonso não podia deixar de perceber a habilidade de Amália com a espada.
Ela sorri com um pouco de orgulho, olha para Afonso e diz:
— E você se defende muito bem para um simples ferreiro.
Ambos riem.
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Está uma tarde linda, Constância está varrendo o quintal, Amália está ajudando a mãe quando Thiago joga pedrinhas em direção a irmã que corre atrás dele. O vento bate nos cabelos ruivos de Amália e o movimento de seu corpo parece estar em câmera lenta, Amália sorri e olha para Afonso para em frente à janela olhando para ela. Ele não sabe explicar o que sente, mas há algo em Amália que o atrai loucamente.
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No dia seguinte em Artena.
O rei Augusto está tomando café da manhã acompanhado de sua filha e do Marquês de Córdona.
— A Arte é o alimento da alma, como pode o homem viver sem música, sem poesia, sem amor? – Diz o Marquês olhando para Catarina que visivelmente não suporta mais a conversa.
Antes que o Marquês possa continuar a falar sobre arte, Demétrio entra espantado.
— Majestade!!! Alteza!! Duque!!!
— O que houve Demétrio? Por que está com essa cara de quem viu um demônio?
— Pergunta o rei.
— Acabo de receber notícias nada boas Montemor, majestade!
Catarina olha para Demétrio atenta.
— Diga de uma vez o que aconteceu? – Augusto está impaciente, tudo o que tem a ver com Montemor o interessa.
— O príncipe Afonso... – Demétrio nem precisa terminar de falar para Catarina sentir os músculos do seu corpo se contrair involuntariamente. — Ele está morto!!!
Todos ficam perplexos com a notícia.
— Como isso aconteceu? — Pergunta o rei ainda perplexo.
— Parece que o príncipe saiu com um pequeno grupo atrás de água na região de Óbidos e acabou caindo em uma emboscada feita por bandidos.
— A região de Óbidos é uma região perigosíssima Afonso não deveria ter se arriscado dessa forma. – Augusto parece irritado, ele afasta o prato e faz um sinal para que os serviçais retirem a comida.
— O que eu não entendo meu pai, é por que o príncipe estaria atrás de água se temos um acordo com Montemor? – Indaga Catarina.
— O casamento entre vocês era uma aliança entre os reinos, fortificava o acordo de minério em troca de água, feito entre Crisélia e eu, porém, nenhum reino quer depender de outro em uma questão tão séria como a água, por mais que Artena e Montemor virassem um só reino com o casamento.
— Um homem corajoso de fato. — Diz Istvan ao pegar na mão de Catarina, — É uma grande tragédia. Sinto que a princesa tenha que passar por isso. Perder o noivo dessa forma, imagino que esteja arrasada...
— Marquês. – Ela retira a mão aos poucos. – Claro, que essa notícia pegou a todos nós de surpresa. Afonso era muito jovem, sinto por sua perda e principalmente pelo povo de Montemor que perde seu príncipe herdeiro. – Ela olha para seu pai. — E agora o que acontece a Montemor?
— Provavelmente a rainha Crisélia irá preparar Rodolfo para assumir o trono. O que mais me preocupa no momento é nosso acordo. Agora que o casamento não irá mais ocorrer, preciso pensar no que fazer. – Ele se levanta. — Com licença, minha filha, marques, mas preciso falar a sós com meu conselheiro... esse é um caso de extrema urgência.
O rei Augusto sai acompanho de Demétrio até a sala de reuniões. O marquês então se vira para falar com a princesa que o corta antes mesmo de proferir a primeira palavra.
— Peço vossa licença Marquês. Mas tal notícia me deixou sem fome. — Catarina se levanta e deixa Istvan só.
Ele sem ter com quem falar. Olha para o serviçal em pé próximo a mesa e diz:
— Ah... as mulheres.... Se fazem de forte. Mas no fundo são todas românticas.
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Amália volta a trabalhar na feira acompanhada de Thiago. Diana vai até a barraca falar com ela.
— Amália fico feliz que esteja de volta. – Ela abraça a amiga.
— Obrigada Diana... eu já estava ficando com saudade da rotina pacata dessa feira. – Amália sorri e começa a cortar alguns legumes sobre a banca.
— Hoje não tão pacata. – Diz Diana observando o movimento da feira.
— É mesmo... – Observa Thiago. – O que tanto comenta esse povo? – As pessoas estão agitadas e falando entre si.
— Vocês não sabem da nova? – Pergunta Diana, Thiago balança a cabeça negativamente, Amália permanece cortando os legumes sem olhar para a amiga que continua. – O príncipe Afonso, de Montemor, futuro marido da princesa Catarina, ele está morto.
— E como foi isso? – Se interessa Thiago.
— Parece que ele saiu com uns soldados em busca de água e foram surpreendidos por bandidos, ali pela região próxima ao monte de Óbidos.
Amália para de cortar os legumes.
— E quando foi que isso aconteceu? – Pergunta Amália apreensiva.
— Há alguns dias.... Dizem que foi no mesmo dia em roubaram o ouro do rei Augusto.
Amália e Thiago se entre olham. Na cabeça deles “Valentim” pode ser um soldado do reino de Montemor.
— Mas alguém morreu ou desapareceu? – Pergunta Thiago.
— Morreram alguns soldados, mas o único que desapareceu foi o príncipe. Tiveram que voltar a região para procura-lo. Dizem que acharam o corpo dele todo destroçado, parece que foi atacado por algum animal, só foi possível saber que era ele por causa do casaco dele que estava no local.
Amália e Thiago permanecem calados.
Está tudo bem? – Pergunta Diana. – Vocês parecem estranhos...
Amália fingi um sorriso.
— Impressão sua.... Que coisa horrível o que aconteceu com o Príncipe. – Diz ela ao tentar disfarçar a situação.
— Sim, uma pena.... Mas deixa eu voltar para a minha barraca, porque o príncipe Afonso é problema de Montemor e não nosso...
Diana vai para a sua barraca. Thiago fala baixo para a irmã.
— Você está pensando o mesmo que eu?
— Que o príncipe de Montemor não só está vivo como está em nossa casa atendendo pelo nome de Valentim? – Amália olha preocupada para o irmão.
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