Deus Salve A Todos

4 O Pedido de Cecília


Notas iniciais
GENTEEE!! Não rolou nesse capítulo Amália e a turma toda adulta, mas rola no próximo. Achei que precisava desse capítulo explicando de fato o que aconteceu para Martinho e Constância ficarem com Aurora. Espero que gostem

Duas semanas depois...

As buscas pela Princesa Aurora continuavam, mas conforme o tempo passava a esperança diminuía. Otávio estava obstinado a encontrar a filha custe o que custar, perder sua única filha estava o tornando um homem frio e sem limites, Cecília continuava fora de si, devido ao feitiço que Eleanor colocava em seu chá todas as noites. Até que um dia Cecília atordoada derrama o chá enfeitiçado e não o toma, no dia seguinte ela acorda um pouco melhor e resolve procurar a criada que cuidava de Aurora no dia de seu desaparecimento.

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Em Artena

Martinho e Constância decidem entregar a pequena Aurora. Eles partem em uma carroça em direção ao Reino de Lastrilha.

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Cecília está sentada em sua cama, enquanto, uma das criadas penteia seus longos cabelos ruivos, a outra prepara seu banho quente. Alguém bate à porta.

— Entre!! _ Diz Cecília com o olhar perdido.

Um soldado entra anunciando:

— Majestade! (Faz a reverência) _ Isis a babá da Princesa Aurora está aqui.

Cecília faz sinal para que a criada que está penteando seu cabelo pare.

—Deixe-a entrar... (Olhando para as duas criadas) _ Saiam, me deixem a sós com ela, por favor!!

As duas mulheres saem assim que Isis entra.

— Majestade!! (Faz a reverência e mantém a cabeça baixa).

—Isis? O que foi? _ Pergunta Cecília.

— Me perdoe, mas não tenho coragem de encara-la depois do que aconteceu.

Cecília se aproxima dela e com delicadeza pega em seu queixo e levanta calmamente seu rosto.

— Você é apenas uma menina... Não tem culpa do que aconteceu, foi enfeitiçada.

Isis esboçou um leve sorriso em agradecimento as palavras da rainha.

— O que posso fazer pela senhora?

— Quero que me diga tudo o que aconteceu naquela noite.

— Mas eu já disse tudo ao rei...

— Eu sei... Mas dessa vez eu lhe peço... _Pega na mão da menina. _ Eu lhe suplico que busque no fundo da sua mente por um detalhe ou qualquer coisa que possa ter esquecido de dizer ao meu marido. _ Cecília olha para os lados várias vezes, como se tivesse medo que alguém entrasse a qualquer momento.

Isis concorda com a cabeça. Ela sabe que a Rainha não anda muito bem, por todo o povoado corre o boato de que a Rainha está enlouquecendo desde o desaparecimento da filha. Isis, então, começa a contar tudo o que ocorrerá naquele dia, enquanto, Cecília a escuta com atenção. A menina termina de contar a mesma história que disse ao Rei.

— E foi isso Majestade, eu tomei meu copo de leite e fui dormir...

Cecília anda pelo quarto pensativa.

— E você dormiu por dias seguidos... Alguém te enfeitiçou naquela noite, tente se lembrar Isis. Alguém diferente falou com você? Te deu algo? Por favor, eu estou desesperada. _ Ela agarra Isis pelos braços com os olhos cheios de lágrimas.

— Eu sinto muito! Mas isso é tudo. (Com voz de choro).

Cecília a solta. Caminha até a penteadeira próxima a cama e em um ataque de fúria derruba tudo o que está em cima.

— Pode se retirar... Isso era tudo.

Isis já estava para sair do quarto quando se arrepende e volta a dirigir a palavra a Rainha.

— Majestade! Há algo que não disse nem para a senhora e nem para vosso marido.

Cecília olha para ela atenta e Isis continua.

— A vossa cunhada, a princesa Eleanor... (Voz trêmula).

Cecília se aproxima de Isis.

— O que tem ela? Diga logo Isis, pelo amor de Deus.

— Eu não sei se isso significa algo, mas ela se comportou muito diferente comigo naquele dia, primeiro ela foi até a cozinha me dizer que a Princesa Aurora estava chorando. Eu corri para o quarto e esqueci o copo de leite em cima da mesa. Mas a Princesa Eleanor me trouxe o copo de leite e ficou conversando comigo até que eu bebesse até a última gota. Deus me perdoe pelo o que vou dizer... Mas a senhorita Eleanor nunca se comportou tão generosamente comigo ou com qualquer outro criado desse castelo.

Cecília olha para Isis incrédula.

— Por que você não disse isso ao meu marido, vosso Rei?

— Olhe para mim senhora. Eu sou apenas uma criada, o rei mandou me despedir assim que eu acordei, imagina o que aconteceria comigo se eu dissesse algo sobre a Princesa Eleanor? Ela é irmã do rei e todos sabem o apreço que ele sente por ela. E além do mais isso não prova nada, não estou dizendo que a Princesa Eleanor tenha algo a haver com o que aconteceu, mas apenas que seu comportamento foi estranho.

Cecília se lembra de Eleanor lhe trazendo chá todas as noites. Ela caminha pelo quarto, suas mãos tremem, sua respiração está ofegante. Ela se dirigir até Isis.

— Isis escute bem! Você não vai dizer isso a mais ninguém, esse fica sendo o nosso segredo. _Ela abraça a menina. _ Eu lhe prometo que quando tudo isso acabar você terá novamente o seu lugar perto de Aurora.

Isis agradece e sai do quarto. Tudo começa a fazer sentido na cabeça de Cecília.

— Eu não estou ficando louca... Foi ela! Foi ela!!

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Otávio e Eleanor estão no salão principal do castelo conversando com Ernesto, Henry também está no local, ele é um menino de uns cinco ou seis anos, Henry escuta com atenção tudo o que os adultos falam sobre ele.

— A educação de Henry volta a ser sua prioridade, mas agora você não estará apenas educando um nobre do reino, um príncipe, e sim possivelmente o futuro Rei de Lastrilha. _ Diz Otávio com certo pesar na voz.

Eleanor sorrir ao olhar para o filho que arruma sua postura assim que sente o olhar da mãe sobre ele. Ernesto concorda com a cabeça e sai levando o menino. Ao sair do salão principal, eles encontram com a Rainha Cecília.

— Tia!!! _ Henry abraça Cecília que retribui.

— Henry!!! Me diga como você está? De onde estão vindo? _ Pergunta ela fazendo cócegas na barriga do menino.

— Do salão... (Em meio a gargalhadas) Meu tio e minha mãe estavam falando sobre o meu futuro.

Cecília para as cócegas e olha para Ernesto que abaixa a cabeça.

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Cecília entra no salão.

— Cecília!! Que bom vê-la em pé, disposta. _ Eleanor fingi um sorriso.

Otávio se levanta do trono.

— Meu amor!! Venha sente-se.

— Encontrei com Henry no corredor, ele me disse que estavam conversando sobre seu futuro... (Otávio e Eleanor ficam em silêncio) Sobre o que estavam falando? _ Pergunta Cecília intrigada.

Eleanor permanece calada, deixando que Otávio fale com sua esposa.

— Ernesto agora não só está responsável pela instrução do Príncipe Henry, mas pela formação... Do futuro Rei de Lastrilha.

— Como assim Otávio? E nossa filha? Você já desistiu de encontrá-la?

— Mas é claro que não... Como você pode dizer algo assim??

Eleanor interrompe os dois.

— Acho melhor eu me retirar... Essa é uma conversa que vocês dois precisam ter em particular. _ Eleanor se retira.

— Nós precisamos ser práticos e racionais. Eu jamais desistirei de encontrar Aurora, mas Lastrilha não pode ficar sem um herdeiro, sem um sucessor.

— Era isso... Era isso o que ela queria... _ Cecília comenta com ela mesma.

— Do que você está falando? _ Pergunta Otávio sem entender.

— Nada querido... Eu não me importo com o trono e muito menos com Henry assumindo seu lugar... Mas acho que é muito cedo para essa atitude, pois eu tenho fé que minha filha vai retornar e assumir o lugar que dela por direito. _ Cecília segura no rosto de Otávio e lhe deposita um beijo singelo.

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Martinho e Constância chegam a Lastrilha. O plano inicial era deixar Aurora em um local seguro e de fácil acesso para que alguém a encontrasse logo, mas sem ser pegos, pois eles sabiam que seriam julgados como sequestradores, ninguém iria acreditar na história deles. Porém, o plano mudou quando ao deixar a menina em uma árvore próxima ao povoado, uma menina percebeu o que eles estavam fazendo.

— Esperem!! Vocês deixaram algo aqui. _ Isis se aproxima da árvore e vê Aurora em um cesto. _ Parem agora mesmo ou eu grito!!

Martinho e Constância param e olham para aquela menina assustada em frente a eles.

— Calma, nós não iremos fugir... Mas não é o que você está pensando. Nós não sequestramos essa criança.

Isis escuta toda a história que Martinho e Constância contam. Então, decide leva-los até sua casa.

— Fiquem aqui com a Princesa. Eu irei trazer alguém que vai gostar de falar com vocês.

Isis sai e quando retorna traz a Rainha Cecília consigo. Cecília mal pode acreditar quando entra naquela casa de aspecto tão simples, e vê sua pequena Aurora no colo daquela camponesa.

— Minha filha... (Emocionada).

Cecília pega a menina e abraça enquanto chora copiosamente.

Martilho e Constância explicam novamente toda a história para a Rainha.

— Eu acredito em tudo que vocês me disseram... Podem ficar tranquilos!!! Porque eu sei quem fez isso com a minha família.

— Eu sinto muito Majestade. Nós tínhamos muito medo, mas não podiam deixar que a senhora ficasse sem sua filha, eu perdi minha menina no dia que encontramos a sua, sei exatamente que tipo de dor é essa.

Cecília pega na mão de Constância.

— Eu serei eternamente grata pelo o que fizeram. Mas eu preciso de mais um favor, fiquem com Aurora aqui, eu não posso leva-la até o castelo, enquanto aquela que lhe fez mal estiver lá dentro. Eu irei até o castelo desmascarar a cobra que envenena meu marido, e depois Isis virá buscar vocês. Tenho certeza que meu Marido será generoso com vocês.

Constância e Martinho não entendem muito sobre o que a Rainha se referia, mas naquela época era um pecado muito grande questionar as palavras de uma realeza, então, eles concordaram com o pedido. Cecília e Isis foram até o castelo.

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Já no castelo, Cecília pede para Isis encontrar o rei, enquanto, ela vai atrás de Eleanor.

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Eleanor está na varanda do quarto de Henry, quando Cecília chega transtornada.

— Por que você fez isso? _ Puxando o cabelo de Eleanor com toda sua força.

— Ahhhh, o que é isso? Estas louca CECÍLIA!!! _ Ela consegue se soltar.

— Louca? Talvez, já que você me envenena toda noite, sua cobra maldita.

— Do que você está falando Cecília, eu não estou entendendo. _ Eleanor se afasta do sacada, enquanto Cecília fica bem a frente.

— Como você pode? Sua própria sobrinha... Tudo para levar Henry ao trono? Otávio vai saber de tudo.

— Ele não vai acreditar em nada... Você está louca.

— Eu tenho provas, dessa vez não vou deixar que o amor que o Otávio sente por você, o deixe cego, você irá conhecer a ira do teu próprio irmão...

— NÃO FALE DO MEU IRMÃO!!! _ Eleanor empurra a Rainha Cecília que cai no meio do jardim real.

Eleanor se recompõe rapidamente e grita para alguns criados que estão passando pelo local.

— Ajudem!!! Ajudem a Rainha!!! Busquem ajuda!!

Os criados aterrorizados com a cena saem em busca de ajuda.

Eleanor vira em direção a porta e dá de cara com Henry olhando assustado para ela.

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Isis está a procura do Rei quando vê os criados passando correndo.

— O que aconteceu? Por que estão assim?

Uma das criadas responde:

— A rainha... A rainha... Meu deus, quanta desgraça nesse reino.

— O que aconteceu? Onde está a Rainha?

— Ela caiu da sacada, está no jardim...

Isis sai correndo e chega até a rainha que lhe diz com dificuldade:

— Diga a eles, diga a eles para cuidarem de Aurora, como... Como se fosse a filha deles... Por favor Isis.

— Sim Majestade!! Mas não se esforce, já foram buscar ajudar, não demora muito o Rei estará aqui.

— Otávio e nem ninguém deve saber... Isis... Que Aurora está viva. Aurora corre perigo aqui. (sangue escorre por sua boca), Aurora precisa viver para que um dia possa voltar forte o suficiente para vencê-la. Isis diga que eu a amo.

Essas foram as ultimas palavras da Rainha, Otávio chega e se aproxima da esposa e grita abraçado ao seu corpo. Isis se afasta e olha para Eleanor que está com Henry muito assustado. Ela, então, sai correndo.

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Enquanto isso na casa de Isis Martinho quer ir embora.

— Vamos embora Constância!!!

— Não homem... Não ouviu a rainha? Precisamos esperar até que a menina volte para levar a princesa.

— Não sei não... Aquela mulher falou coisa com coisa, nada do que ela disse fez sentido. Por mim, deixamos a princesa aí e vamos embora antes que isso tudo sobre para nós.

Constância dá de ombros, enquanto balança Aurora em seu colo. Isis entra extremamente nervosa e com a roupa suja de sangue.

— Vocês precisam ir, precisam ir agora. _ Ela pega o cesto de Aurora e dá para Martinho.

— O que foi que aconteceu menina? _ Pergunta ele assustado.

— A Rainha está morta. Vocês precisam ir agora.

Constância coloca Aurora dentro do cesto e se aproxima de Isis tentando acalmá-la.

— O que aconteceu? Como pode a Rainha estar morta?

— O mal... O mal está naquele castelo. Ela matou a Rainha e irá matar a Princesa também... Por isso vocês precisam leva-la.

Martinho coloca o cesto com Aurora em cima de uma mesa.

— Todo mundo nesse lugar está louco, não podemos voltar com essa criança.

Isis olha para Constância e diz:

— Ela pediu para que eu lhes dissesse... Que ficassem com a menina, Aurora não está segura aqui. Ela pediu para que você a crie como se fosse a filha que perdeu. Aurora precisa viver, crescer, ficar forte e depois voltar para ocupar seu lugar no trono de Lastrilha.

Constância entende que Aurora não pode ficar ali, então, olha para Martinho e diz:

— Amália volta com a gente!!!

Notas finais
Não sei se ficou muito confuso... Mas eu tirei alguns diálogos, tipo eles explicando como encontraram a menina, pq achei que não era necessário.