Notas iniciais
E agora? :o mais um capítulo :)

Acordei com alguém a sentar-se na minha cama. Permaneci de olhos fechados, pensando ser o Pierre. Suspirei ao recordar-me do inesquecível fim de tarde e inicio de noite que tive. Amei cada segundo naquela praia, cada abraço, cada beijo, cada carícia. Senti um corpo deitar-se ao meu lado e abraçar-me. Enrosquei-me no seu abraço, encostando a cabeça no seu peito.

– Pie… Não me ralhes por ter chegado tarde a casa. – Pedi, sem abrir os olhos. Estava à espera de um sermão, porque não o avisei quando saí da faculdade e só apareci em casa já era de noite. Suspirei. – Até sinto o perfume dele.

Afastou-me o cabelo do rosto carinhosamente e senti que estava a sorrir. Provavelmente ia gozar comigo, por estar apaixonada ou então dizer que estou a confundir as coisas. Mas eu não estou. Eu sei bem o que sinto.

– E quem é ele?

– Seb?! – Perguntei, levantando a cabeça e encarando-o, ao reconhecer a voz.

– Desculpa ter entrado… – Pediu, sorrindo. – Mas eu bati à porta e chamei-te e… Não resisti.

– Não faz mal. – Respondi, sentindo as minhas bochechas corarem. – Não precisas de autorização para entrar.

– E não me respondeste… – Disse, aproximando-se o seu rosto do meu, encostando os nossos narizes. – Quem é ele?

– É quem faz o meu coração acelerar. – Respondi, fitando-o nos olhos.

– Ai sim? – Perguntou, fazendo um falso ar de admirado. – Estou com ciúmes.

– Não precisas.

A mesma sensação de quando nos beijamos pela primeira vez. Era como se cada vez fosse a primeira. Os seus lábios macios e quentes causam-me arrepios. Tombei para cima dele, sentindo as suas mãos nas minhas costas. Haveria melhor maneira de acordar e começar o dia? Não.

– Magda! – Gritou o Pierre do andar debaixo.

– Desmancha-prazeres! – Resmunguei, afastando-me do Seb, que se estava a rir. – Não te rias. Ele é um autêntico desmancha-prazeres!

– Estás a ouvir? – Gritou novamente o meu irmão. – Anda almoçar!

– Almoçar?! – Perguntei, olhando para o relógio que estava na mesinha de cabeceira e saltei da cama. – 13.20h?!

Tomei um banho rápido e vesti-me, enquanto o Seb fazia zapping, deitado de rabo para o ar na minha cama. Descemos as escadas e dirigimo-nos para a sala de jantar, onde já estava a mesa posta para sete pessoas. Fiquei a observar a mesa tentando pensar quem seria a sétima pessoa. O meu irmão entrou na sala, de avental posto e pano da cozinha na mão.

– Estava a ver que ias dormir o dia todo! – Resmungou, rindo-se. – E vamos falar sobre ontem, minha menina!

– Desculpa… – Pedi. Vai dar-me um sermão que nem vai ser bom… É melhor fazer alguma coisa antes.

– Tu não imaginas como fiquei preocupado! – Refilou, agora mais sério. – Não avisaste, não disseste nada! Até perguntei ao David se tinhas vindo com ele, mas ele não sabia de ti. Pensei que tinhas sido raptada!

– E até fui… – Disse baixinho, olhando o Seb que estava a sorrir.

– O quê? – Perguntou o Pierre, olhando-me de sobrancelha erguida. Não me ouviu. Ainda bem.

– Pierre! – Chamei e abracei-me a ele, encostando a cabeça ao seu peito e fazendo beicinho. Eu sei que ele não resiste! – Desculpa maninho…

– Para a próxima avisa-me! – Exigiu, abraçando-me. – E agora vamos almoçar que já se faz tarde!

Na sala, surgiu o Jeff, também de avental e segurando um tacho grande, que pousou no centro da mesa. Pelo que o meu irmão me disse, o Jeff cozinha muito bem e, como o Pierre também, acho que nenhum de nós corre o risco de apanhar uma intoxicação alimentar. Debrucei-me e senti o maravilhoso aroma da comida.

– Mas porquê sete pratos? – Perguntei.

– O Chuck convidou uma pessoa. – Respondeu o Jeff, ajeitando os guardanapos.

– E onde está ele e o convidado mistério? – Perguntei novamente.

– Ele foi buscar a pessoa. – Disse o Pierre, pondo os copos na mesa. – Vai chamar o David, se faz favor. Ele está no estúdio, de volta do baixo, para variar!

Encaminhei-me para o estúdio. Desci as escadas e ele estava de costas, sentado nos sofá, a tocar qualquer coisa no baixo. Do nada, senti-me triste. Senti um vazio que me consome aos poucos. Tento afastar todos os pensamentos negativos que envolvem a loira oxigenada. Eu tenho de recuperar a amizade dele. Eu não posso perder isso, não posso. Caminhei até ao sofá onde ele estava sentado e finalmente apercebeu-se da minha presença. Pousou o baixo e levantou-se.

– É para ir almoçar, não é? – Perguntou, um pouco frio.

– Sim. – Respondi. – David pr…

– Então vamos. – Interrompeu, subindo as escadas.

Voltamos à sala e já estavam todos sentados à mesa. Sentei-me entre o Seb e o meu irmão e o David entre o Jeff e o Seb. Fiquei admirada ao ver a Vanessa. Estava sentada ao lado do Chuck. Quem diria, o Chuck a convidar a Vanessa para almoçar connosco? Acho que perdi qualquer coisa.

O almoço foi agradável e estava delicioso. Depois de comermos e de arrumarmos toda a louça, fomos para a sala de estar, pois a Vanessa tinha algo para nos mostrar no computador.

– Vejam! – Disse ela.

A Vanessa virou o portátil para nós e todos nos inclinamos para observar. Era o vídeo da banda, que estava no Youtube para a votação do público.

– Um milhão de visualizações?! – Perguntou o Jeff, embasbacado.

– Sim. É o vídeo mais visto e a banda mais votada até agora! – Informou a Vanessa, sorrindo e batendo as mãos como uma criança.

– Oh meu Deus! – Exclamaram o Seb e o meu irmão, levantando-se e dando saltinhos, parecendo também duas crianças.

– Então, a probabilidade de irmos à final…

– É enorme! – Disse David, interrompendo o Chuck.

Estávamos realmente felizes. Finalmente, algo corria bem. Eles estão a um passo de realizar o seu grande sonho e começar uma carreira, como sempre quiseram. O Pierre foi buscar uma garrafa de champanhe à cozinha e fizemos um brinde. Enquanto os rapazes falavam animadamente sobre o seu futuro como músicos e quem teria mais fãs, eu puxei a Vanessa pelo braço, para falar com ela.

– Assim só por acaso, não tens nada para me contar, não? – Perguntei.

– Eu? Não, porquê? – Perguntou ela, com o seu ar característico de quando esconde algo.

– Não me enganas! – Disse eu, dando-lhe uma palmadinha no braço. – Vá, conta lá. O quê que se passa entre ti e o Chuck?

– Nada… Estamos a dar-nos bem… – Revelou, brincando com o copo e sorrindo timidamente. – Muito bem…

– E o quê que estavam a fazer no bar, da outra vez, para não se terem apercebido de nada do que aconteceu? – Instiguei eu.

– Ahm… Nós… Nós… – Gaguejou. – Olha lá, isto é algum interrogatório ou quê?

– Não acredito!! – Exclamei eu, admirada, percebendo o que tinha acontecido. Tapei a boca, pois achei que tinha falado alto demais. – Tu e o Chuck bei…

– Está calada, Magda Bouvier! – Ralhou ela, tapando-me a boca e olhando à volta, tentando perceber se eles tinham ouvido alguma coisa. – Faz de conta que não sabes de nada!

Sorri e fiz sinal de segredo. Fico contente por eles se entenderem e não entendo o porquê de fazerem segredo. São livres e fazem um casal tão querido. Espero realmente que tudo lhes corra bem.

Aproximamo-nos outra vez dos rapazes, que estavam na galhofa. O David estava sentado num dos sofás, não tão eufórico como os outros. Girava o copo enquanto o observava, como se estivesse com a cabeça noutro lugar. Será que está assim por minha causa? Eu não agi bem, eu não acreditei nele. Não consigo perdoar-me, não consigo esquecer isto. Mas como posso resolver as coisas, se ele evita falar comigo? Mas não posso nem vou desistir. Não sei porquê, não consigo explicar, mas não consigo estar bem, estando assim com ele. É como se me faltasse qualquer coisa. Tenho de falar com ele, dê para onde der. Nem que tenha que o trancar em qualquer lado!

Estava perdida nos meus pensamentos, quando senti alguém dar-me a mão. Olhei para o lado e era o Seb.

– Pessoal! – Exclamou o Seb, chamando a atenção de todos. – Há mais um motivo para comemorar.

A minha pulsação acelerou, o meu coração quase me saltava do peito. Olhei o Seb, que me fitava com um sorriso. Ficaram todos quietos a observar-nos, como se ainda não tivessem entendido o que estava a dar ao Seb. Parecia que tinham ficado em pausa, se estivessem num filme.

– Ui… – Disse o Jeff, apontando para as nossas mãos entrelaçadas, parecendo finalmente perceber. – Isso é o que eu estou a pensar?

– Sim! – Respondeu o Seb, roubando-me um beijo. – Nós estamos juntos!

O meu irmão fez uma expressão de surpresa, quase como se não acreditasse no que estava a ouvir. Continuo sem entender o porquê de tanta admiração. Ele e o Jeff pareceram-me os mais chocados com a notícia. O Pierre já sei porquê. A história de eu estar a confundir… Mas e o Jeff? Apesar disso, quase fomos sufocados pelos abraços deles.

– Finalmente! – Disse o Chuck, dando uma palmadinha nas costas do Seb, que corou imediatamente.

– É… – Gagueou o Seb. – Finalmente tive a coragem que precisava…

– Fico feliz por vocês. – Disse o Jeff, abraçando-me.

– Aleluia! Se vá que eu sempre pensei que ias ficar com o Da… – Começou a Vanessa, mas belisquei-lhe o braço para que se calasse e evitasse dizer disparates. – Da... Daniel!

– Quem é o Daniel? – Perguntou o Seb de sobrancelha erguida.

– Err… O Daniel… Era um amigo nosso, da Califórnia! – Desenrascou-se ela. Sempre arranjou saídas para tudo, mas estou capaz de a matar.

Todos nos felicitaram menos o David, que continuava sentado no sofá, mas desta vez estava sério, com uma expressão que eu nunca tinha visto. Estava a fitar-nos, a mim e ao Seb. Quando o seu olhar se cruzou com o meu, ele abanou negativamente com a cabeça, levantou-se e saiu disparado de casa.

– O quê que lhe deu? – Perguntou o Chuck, assustando-se com o bater da porta.

– Ciúmes… – Respondeu o Jeff em tom quase inaudível.

– O quê? – Perguntou de novo o Chuck.

– Então? É o David! – Disse o Jeff, tentando desviar a conversa. – Parece que não o conhecem.

– Sim, tens razão! – Concordou o Chuck.

O Pierre olhou para mim e eu podia jurar que ele me estava a culpar com o olhar. Mas que raio se está a passar? Porquê que o David saiu daqui daquela maneira? E porquê que me sinto culpada? É agora. Tenho de falar com ele.

– Eu vou ver o que se passa. – Avisei.

– Onde vais? – Perguntou o Seb, agarrando-me o braço.

– Vou ver o que se passa com o David. Ele pode precisar de alguma coisa…

O Seb franziu o sobrolho e pareceu-me contrariado, mas lá me largou e eu caminhei para a porta da rua. Dei alguns passos, atravessando o jardim, até chegar ao passeio e olhei para os lados. Não sei para onde ele foi. Caminhei pelo passeio e parei em frente a casa dele. Pode ter ido para casa. Bati à porta e o André abriu e, com um sorriso, pediu-me para entrar. Encaminhou-me para a sala e disse para eu me sentar.

– Então, o que te trás por aqui? – Perguntou, sentando-se no sofá da frente.

– Queria falar com o David…

– Com o David? – Perguntou. – Mas ele não foi almoçar a tua casa?

– Sim, mas saiu…

– Ele não está aqui. Saiu de manhã e disse que almoçava na vossa casa. – Informou. – Mas podes esperar aqui por ele, se quiseres.

– Sim, obrigado.

Fiquei ainda mais preocupada. Onde terá ido daquela maneira? E se lhe aconteceu alguma coisa? Tenho de parar de ser pessimista! Não vai acontecer nada e daqui a pouco ele está aqui.

Os minutos passavam e eu não conseguia parar de alternar o olhar entre o relógio e a janela. O André baixou o jornal e olhou-me. Deve estar a pensar que sou maluca ou algo do género. Ou então que sofro de DDA, como o filho. Bem, não estaria muito longe da verdade.

– És parecida com o teu pai, quando está nervoso.

– Como…? – Questionei, não entendendo o comentário.

– O teu pai também era muito irrequieto, quando estava nervoso com alguma coisa! – Riu e pousou o jornal. – Ainda me lembro…

– Vocês são muito amigos, não é? – Perguntei.

– Sim… Quer dizer, eramos.

– Eram?

– Sim. Eu e o teu pai crescemos juntos e tornámo-nos grandes amigos…

– Então o quê que se passou?

– Sabes… – Começou o André, ficando um pouco mais sério. – Uns tempos antes de decidirem mudar-se para a Califórnia, o Réal começou a afastar-se de mim. Parecia que eu lhe tinha feito algum mal… Mas até hoje, não sei o que aconteceu. Tentei falar vezes sem conta com ele, mas ele fugia sempre… E foi-se embora sem se ter despedido…

– Que estranho… – Disse eu. – Essa atitude não parece do meu pai!

– Pois não. Gostava muito de saber o que se passou. – Suspirou o André, levantando-se. – Anda cá.

Levantei-me e segui-o até a uma das estantes enormes da sala. Estava repleta de livros e adornos. De uma das prateleiras, o André tirou um álbum de capa vermelha e abriu, mostrando-me as fotografias, cuidadosamente guardadas.

– Estes aqui, somos eu e o teu pai, quando ainda andávamos na escola. – Disse ele, apontando para uma das fotos, onde estavam dois rapazes abraçados e a sorrir. Virou as páginas mostrando-me outras fotografias. – Esta aqui foi das últimas que tiramos.

– Aí ainda estava tudo bem?

– Sim, mas foi pouco depois que tudo começou a ficar estranho. – Revelou o André fechando e arrumando o álbum. – Mas já se passou tanto tempo, que já nem importa!

– O meu pai falava de ti e de como foram muito amigos… Mas por acaso, nunca deu a entender que tinham deixado de se falar.

– Deixa lá! Águas passadas. – Disse, fazendo um sorriso triste. – Tenho muita pena que tu e o David não tenham crescido juntos.

– Porquê? – Perguntei, curiosa.

– Porque vocês davam-se tão bem. Eu já te contei, que era um castigo, para vos separar. – Sorriu. Dirigiu-se novamente para estante e pegou noutro álbum. Desta vez, de capa azul-bebé. – Vou mostrar-te outra coisa.

Abriu o álbum e eram apenas fotos de bebés. Um menino e uma menina. Suponho que seja eu e o David. Sinto o meu rosto a ferver e aposto que tenho as bochechas tão vermelhas como um tomate.

– Esta és tu e este é o David. – Disse o André, apontando para os bebés. Estávamos sentados no jardim que parecia ser o da frente da casa dele. Folheou o álbum. Eu não fazia ideia que houvesse tantas fotos minhas e do David de quando eramos pequenos.

– Mas não te preocupes, André… Eu e o David crescemos juntos na mesma! – Confessei. – Falávamos todos os dias e era como se estivéssemos sempre juntos.

Ele sorriu. Acho-o uma pessoa tão dócil e simpática. Não é nada como a Charlotte. Histérica e pomposa, só se preocupando com as aparências. Não, o André é completamente o oposto. É calmo, querido, atencioso e simples. Como é que se foi casar com ela? Há coisas que não entendo.

Ouvimos a porta a abrir e a bater logo de seguida e olhei instintivamente para a entrada da sala. O David passou e dirigiu-se para as escadas, sem se aperceber da nossa presença.

– David! – Chamou o André.

– Diz, pai. – Disse o David, surgindo na sala.

– A Magda está há muito tempo aqui à tua espera. Onde andaste?

– Por aí… – Respondeu, desviando o olhar para o chão.

– Chega-te aqui. – Pediu o André, fazendo sinal com a mão. – Estava a mostrar a vossas fotos à Magda. Vejam a minha preferida.

Folheou novamente o álbum e quase no fim, encontrou finalmente a fotografia que procurava. Apontou para ela. Deixei o queixo cair.

– Estão tão queridos! – Sorriu. – Apanhei-vos em flagrante!

Eu e o David entreolhamo-nos, depois de ver a fotografia. O seu rosto estava rosado e eu sentia as minhas bochechas a ferver mais do que o costume. Na fotografia, eu e o David estávamos sentados no chão alcatifado, rodeados de brinquedos e peluches e estávamos inocentemente a beijar-nos.

– Com três anos e já eram frescos! – Riu o André, deixando-nos desconfortáveis.

– Pai! – Resmungou o David, chateado. – Porquê que andas agora a ver essas coisas?

– Apeteceu-me. Não demorasses tanto tempo a chegar. – Respondeu, arrumando o álbum. – Vá, ide lá falar.

– Anda… – Disse o David, em tom baixo e encaminhando-se para as escadas.

Subimos até ao quarto dele e ele fechou a porta. Não sei bem o que dizer, muito menos por onde começar. Sinto-me nervosa, o meu coração bate descompassadamente e sinto as mãos a começar a suar. Ele sentou-se na beira da cama.

– O quê que tens para me dizer? – Perguntou, ajeitando a franja.

– Tens-me evitado e temos de falar…

– Falar? Agora já queres falar? – Questionou, encarando-me.

– Sim, David. – Disse, aproximando-me dele. – Eu sei que errei. Desculpa, tinhas razão quanto ao Dean! Desculpa não ter acreditado em ti e desculpa a brincadeira com o rapaz, no bar…

– Eu não estou chateado com brincadeira do rapaz. Em situações normais, até tinha achado piada e ter-me-ia rido da situação. – Confessou, levantando-se. – O que mais me chateou... Pior, mais me magoou, foi não teres acreditado no que eu te disse! Teres acreditado antes numa pessoa que conheces há um mês e não em mim! Em mim é que devias ter acreditado! Porque eu sou incapaz de te mentir ou de fazer algo que te magoe!

As suas palavras martelaram na minha cabeça. Era como se fizessem eco. Ouvi-as repetidamente. Ainda assim, não consigo entender a sensação que tenho. Eu deveria saber que ele não faria nada que me prejudicasse, eu devia ter acreditado nele. Mas, idiota como sou, fiz asneira e agora tenho de remediar a situação, porque não estou disposta a perdê-lo.

– Eu sei. Eu fui parva… Perdoa-me! – Pedi, olhando-o nos olhos. Ficamos a olhar-nos durante algum tempo. Estávamos tão próximos que só me apetecia abraçá-lo e não o largar mais, pelo menos, até dizer que me perdoa e que está tudo bem. Porque neste momento, não consigo pensar em mais nada, senão nisso.

– Não consigo… – Disse, quebrando o silêncio e recuando dois passos. Foi como se uma faca se me atravessasse o coração. – Estou demasiado magoado… E… Confuso…

– Confuso com o quê?

– Com… Tudo! – Respondeu, mexendo no cabelo, acabando por se despentear, o que não era normal dele.

– David! Eu não consigo ficar assim…

– Magda, eu preciso de tempo… – Disse ele, virando-se para mim e encarando-me. Estávamos novamente próximos. – Preciso de pôr as ideias em ordem… Perceber o que se passa…

– Mas…

– Por favor… – Pediu, olhando-me nos olhos.

Continuo com a vontade de o abraçar, mas não seria o mais correcto. Observo cada pormenor do seu rosto, enquanto nos olhamos. Nunca tinha reparado como tem uns lábios perfeitos, como o seu rosto é cuidado, como os seus olhos são meigos. Respirei fundo, tentando controlar desejo de me agarrar a ele.


Notas finais
mais confusos... será possível? :o