Notas iniciais
mais um capítulo (:

Passaram-se dias e eu e o David não falamos mais, depois da conversa no quarto dele. Eu saí de lá rapidamente, pois os meus olhos começaram a arder, do nada. Não sei bem porquê, mas foi algo mais forte do que eu. Os dias passaram e embora ele fosse lá a casa para ensaiar, não nos falávamos. Havia apenas a inevitável troca de olhares, o que me fazia sentir ainda mais em baixo. Era como se estivesse algo por dizer. Eu ainda tenho tantas perguntas para as quais não tenho resposta… Mas que importa? Ele não me perdoa.

Estávamos em altura de exames finais e poderíamos ter estudado juntos, mas nem isso. Era cada um em seu canto. O Seb perguntava-me constantemente o que se estava a passar comigo. Mas nem eu sei bem a resposta. Naquele dia, voltei para casa abatida e com os olhos a lacrimejar. Tentei evitar falar do que se tinha passado, quando todos me questionaram. Fui para o quarto e sem entender porquê, as lágrimas escorreram-me finalmente pelo rosto. Sinto-me incompleta.

No corredor, vejo dois funcionários a afixarem finalmente os resultados dos exames. Não consigo controlar o nervosismo. Depois de toda a gente se ter afastado e uns terem desatado a gritar de alegria e outros começado a chorar, aproximei-me dos placards. Percorri o vidro com o dedo indicador, procurando o meu nome.

- Tiveste mais sorte do que eu. – Disse uma voz conhecida, atrás de mim. Virei-me.

- Sim, parece que sim, Dean. – Respondi, afastando-me.

- Vou ter de repetir o exame de História da Música. – Riu.

- Boa sorte. – Desejei, caminhando pelo corredor.

- Espera! Magda!

- Que queres, Dean? – Perguntei, parando e suspirando.

- Quero falar contigo… – Disse ele. – Podemos ir para outro sítio, por favor?

Revirei os olhos. O quê que ele quer falar? Não temos nada para falar e, na verdade, a minha vontade de falar com ele é zero. Contudo, aceito. Mais vale despachar e ver o quê que ele quer de uma vez. Entramos para uma das salas de aula, que estava aberta.

- Desculpa… – Pediu, aproximando-se de mim. – Não devia ter ameaçado o David nem ter gozado com ele.

- Pois não, não devias! Foste muito parvo! – Resmunguei, recuando um passo.

- Eu sei. Desculpa. – Pediu novamente, voltando a aproximar-se. – Mas eu e ele temos os nossos problemas. Tu sabes o que ele me fez!

- Eu não sei de nada! – Respondi. Eu já não sei o que pensar, tão pouco se tudo o que ele me contou sobre o David é verdade. – Vocês entendam-se.

- Eu não me posso entender com ele. – Declarou o Dean, aproximando-se ainda mais de mim e colocando os seus braços à volta da minha cintura. – Ele tem sempre de me roubar aquilo que eu quero, mas desta vez é diferente!

- Do quê que estás a falar?! – Perguntei, tentando afastá-lo. – Larga-me!

- Estou a falar de ti! Eu sei que ele gosta de ti, mas não te vai roubar de mim porque eu não vou permitir! – Disse, puxando-me para si e aproximando o seu rosto do meu.

- Estás louco?! – Questionei, afastando-me o mais que podia, mas os seus braços fortes mantinham-nos colados. – Larga-me!

- Não largo! Vais ser minha!

Tentou novamente aproximar o seu rosto para me beijar, mas eu fiz o que conseguia para impedir, colocando as minhas mãos nos seus ombros e afastando-o. Porém, por mais que estrebuchasse e me tentasse libertar dos seus braços, era inútil. Não tenho força para ele. Empurrou-me contra a parede e fazia um sorriso malicioso, encarando-me.

Na entrada da sala surgiu o David, para minha alegria. Ficou parado à entrada da porta, observando-nos, de sobrancelha erguida. Acho que não percebeu o que se está a passar. Fez uma cara de incrédulo ao ver a cena. Bem, eu também faria, se visse a namorada de um dos meus melhores amigos encostada à parede e com alguém a agarrá-la.

- Ups… Desculpem interromper. – Disse o David, ainda com ar confuso.

- Estás parvo?! – Gritei, voltando a tentar liberta-me. Bati com as mãos nos ombros do Dean, para que me largasse, mas foi novamente inútil. – Ajuda-me, David!

Finalmente o David percebeu o que estava a acontecer e correu em meu auxílio. Agarrou o Dean, puxando-o pelo casaco. O Dean largou-me e encarou o David, furioso, que não se controlou, fechou o punho, puxou o braço atrás e aterrou o mesmo na cara do Dean. O Dean levou a mão à cara e olhou para a mão, constatando que estava a sangrar.

- Eu avisei-te que te punha o outro lado da cara igual! – Disse o David.

- Vais pagá-las!

O Dean atirou-se para cima do David e os dois iniciaram uma luta. Gritei, pedindo-lhes que parassem ou ainda se aleijariam a sério, mas eles ignoraram-me completamente e continuaram ao soco. Derrubaram mesas e cadeiras, nem assim parando de se agredir. O David agarrava-o pelo colarinho, embatendo com o seu punho no rosto do Dean. Este, por sua vez, tentava defender-se, afastando os braços do David. Aproximei-me deles, já que não me estavam a ligar nenhuma e tentei separá-los. Percebi que era inútil, quando fui agressivamente afastada e cai no chão, tal a força com que me empurrou. O David parou e olhou para mim.

- Tu és parvo?! – Gritou. – Como te atreves a magoá-la?!

Nunca tinha visto o David assim e nunca pensei ver. Ele é uma pessoa calma e nunca julguei vê-lo tão fora de si. O seu punho aterrou novamente no rosto do Dean, que se desequilibrou e caiu por cima duma das mesas, agarrado ao rosto. Este, até a mim me doeu. O David está descontrolado. Consigo ver a raiva nos seus olhos. Ficam os dois a olhar-se e, antes que recomecem à pancada, levanto-me e agarro o David, que já estava preparado para recomeçar o round seguinte.

- Chega! Parem com isso! – Pedi, metendo-me à frente do David e afastando-o.

- Ele é que começou! – Queixou-se o Dean, levantando-se.

- Eu?! – Resmungou o David, inclinando-se para a frente, tentando que eu saísse da frente. – Tu é que és um anormal!

- Anda cá então, que eu dou-te o anormal! – Incitou o Dean, mas sem se mover.

- Eu desfaço-te! – Resmungou o David, cerrando o punho. – Se lhe voltas a tocar, faço-te em carne picada!

- Parem os dois! – Exigi, agora segurando o Dean também, que se tinha aproximado. – Isto não vos leva a lado nenhum!

- Diz isso aí ao teu amiguinho, que entrou aqui feito rambo!

- E tu está calado e desaparece-me da frente ou quem te desfaz sou eu! – Gritei, apontando para a porta da sala.

- Ele fez-me isto à cara e tu ainda o defendes?! – Perguntou o Dean, apontando para o rosto que ainda tinha marcas do soco no bar.

- Não ouviste o que ela disse? – Questionou o David, irritado. – É preciso pôr-te lá fora?!

- Dean, sai, por favor! – Pedi.

- Isto não fica assim! – Ameaçou o Dean, fitando-nos com ar feroz e acabando por sair, finalmente.

- Obrigado… – Agradeci e suspirei, encostando-me a uma das mesas, ainda atordoada com o que tinha acontecido.

- Não tens de agradecer. – Disse o David, aproximando-se de mim. Parecia mais calmo. – E desculpa, não ter percebido logo o que se estava a passar.

- Deixa lá isso… – Forcei um sorriso. Gostei do facto de ele me ter defendido. Olhei-o nos olhos e senti o que sentia. Que estava tudo bem, mas na verdade não estava. Ele continuava sem me perdoar.

- Este gajo não muda. – Resmungou o David. – É besta e vai morrer besta!

- Esquece-o. Pessoas como ele não merecem que percamos o nosso tempo com elas.

- Tens razão. – Sorriu e afastou-se.

- David…

- Sim? – Perguntou, olhando-me.

- Perdoa-me. – Pedi. Estou capaz de dizer algo que me venha a arrepender mais tarde, mas não quero saber. Já não aguento mais estar assim. Preciso dele ao meu lado, preciso de estar bem com ele. Explodi. – Eu não consigo mais estar assim contigo! Eu sei, eu errei! Mas perdoa-me! Eu não posso estar sem ti ao meu lado! Parece que não sou eu, falta-me qualquer coisa… Como se me faltasse uma parte de mim!

Ele apenas sorriu e abraçou-me. Encostei a cabeça ao seu peito e fechei os olhos, ficando apenas a sentir a sua mão acariciar-me os cabelos. É tão bom estar assim, nos seus braços. Tudo o que me atormentava, desapareceu magicamente.

- Isto quer dizer…

- Que também não consigo estar chateado contigo. – Disse, sorrindo.

- Mas o quê que se passa aqui?! – Disse uma voz irritante. Afastamo-nos e olhámos para a porta. Era a Nicole, que entrou na sala com ar muito chateado e que parou ao nosso lado, de mão na cintura, olhando-nos como se estivéssemos a cometer um crime. – O quê que pensam que estão a fazer?!

- A abraçar-nos? – Perguntei ironicamente, não lhe dando muita importância.

- Isso estou eu a ver! – Barafustou. – E posso saber o que fazes agarrada ao meu namorado?

- Ao teu nam… – Gaguejei, não entendendo o que ela estava a dizer. Olhei o David, que revirou os olhos, bufou e passou a mão pela cara.

- Teu quê? – Perguntou o David, perdendo a paciência. – Oh Nicole, por favor, poupa-me, está bem?

- Mas Di…

- E pára de me chamar isso! – Resmungou o David, subindo o tom de voz. – Não sou Di e muito menos sou teu namorado! Deixa-me em paz! Estou farto de te aturar!

- Mas porquê que estás a falar assim comigo? – Perguntou ela, aflita. – É por causa dela?

- Não. – Respondeu, irritado. – É porque já não te suporto mais! Esquece que eu existo! Foste um erro. O que aconteceu entre nós foi um erro!

- Mas tu sabes que eu te amo… – Disse ela, agarrando-se ao pescoço do David. Olhei-a, de sobrancelha erguida.

- Ai, larga-me! – Exigiu o David, agarrando-lhe os braços e afastando-a. – Quantas mais vezes vou ter de dizer que eu não te amo e não quero nada contigo?! Pára de te humilhar!

- Isto não fica assim, David!

Saiu disparada da sala, como se tivesse fogo no rabo. Estou confusa e não estou a entender nada do que se está a passar. Pensava que ela e o David tinham alguma coisa… E, pelo menos, pelo que ele disse, tiveram. Sem querer, deixei transparecer as minhas dúvidas e o David percebeu.

- Ela é louca. – Disse ele, respirando fundo.

- Eu pensei que vocês fossem namorados ou algo do género…

- Deus me livre! – Respondeu, benzendo-se. – Eu não tenho nada com ela!

- Mas eu vi-vos a beijarem-se…

- Ela é que me beijou! Ela não entende que não quero nada com ela. – Suspirou, dando uns passos pela sala, acabando por se virar e encarar-me. – O que aconteceu entre mim e ela foi um erro!

- E… O quê que aconteceu?

- Aconteceu que, numa festa… Eu bebi demais e acabamos por nos envolver… – Revelou ele, com ar incomodado. – E sim, o Dean em parte até tinha razão. Eles namoravam ou tinham qualquer coisa… Não sei, nem me interessa o que era! Sei que amaldiçoo essa noite para toda a vida! A partir dali ela nunca mais me largou, mesmo comigo a dizer-lhe que o que tinha acontecido foi um erro. Eu estava bêbedo, mas ela não. Ela sabia perfeitamente o que estava a fazer!

- Oh meu Deus… – Soei. Ainda estou estupefacta com o que ouvi. Mas não posso esconder que estou aliviada por saber que eles não têm nada um com um outro. Respirei fundo e encarei o David.

- Estás a sorrir? – Perguntou. Não me apercebi e fiquei atrapalhada. – Isto não tem gracinha nenhuma! Ela é completamente obcecada e só me dá cabo da vida!

- Esquece-a. Acho que ela já entendeu!

- Achas mesmo? – Perguntou, aproximando-se.

- Sim. – Sorri e abracei-o. – Vamos parar de pensar nestes dois!

- Isso é uma óptima ideia! – Concordou. Ainda abraçados, caminhamos para fora da sala e encaminhamo-nos para a saída. – Já viste os resultados?

- Já! Parece que até nos safamos bem a História da Música! – Ri.

- Sim. Mas podíamos ter tido mais… 18 é para fraquinhos! – Rezingou, rindo.

- Não sejas assim, já é muito bom! Além disso, foi a nota mais baixa que tivemos! – Disse eu, dando-lhe uma palmadinha no braço. – E a Michelle e os outros? Viste as deles?

- Não, mas podemos ver!

Aproximamo-nos dos placards e procuramos pelos nossos amigos. Constatamos que todos passaram com excelentes notas também. Atrás de nós apareceram o Brandon e o Nick, que estava felicíssimos com os resultados que obtiveram.

- Já viram? – Perguntou o Nick, fazendo um ar de convencido. – Aqui o Nick passou com distinção nos tramados exames!

- Oh, pronto, vai começar… – Resmungou o Brandon, batendo levemente com a mão no rosto.

- O que foi? – Perguntou o Nick. – Não é para qualquer um!

- Nick, deixa de ser convencido! – Rezingou o Brandon. – Aprende com a Magda e com o David. Tiveram não sei quantos 20’s e não se estão a gabar!

- Viva a modéstia! – Disse o Nick, pondo um braço pelos ombros do David e o outro pelos meus.

Abanei a cabeça e rimos. Estávamos a dirigir-nos para a saída quando o meu telemóvel tocou. Era o meu irmão. Impaciente como é, ligou-me para saber os resultados. Não conseguia esperar que eu chegasse a casa! Após eu lhe dar as boas notícias e de ele me dar os parabéns, avisou que iriamos jantar fora e para que eu e o David fôssemos ter ao restaurante.

- Bem, parece que vamos jantar fora! – Avisei, guardando o telemóvel.

- Vamos? – Perguntou o David. – Vais finalmente jantar comigo, por te ter levado ao director, no primeiro dia?

- Vou, vou. – Ri, por ele ainda se lembrar disso. – Nós, mais os rapazes!

- Ah… – Soou ele, parecendo amuado.

- Ei, vocês os dois não querem vir também? – Perguntei, dirigindo-me ao Nick e ao Brandon.

- Eu adorava, mas não posso. – Disse o Brandon, com ar desiludido. – Prometi ao meu pai ir ajudá-lo.

- Não vais tu, mas vou eu! – Respondeu o Nick, animado.

Saímos da faculdade e fomos no carro do David até ao restaurante que o Pierre me tinha dito. Era um estabelecimento enorme e requintado, todo decorado em tons de bege e mesas todas alinhadas e bem-postas. O meu irmão e mania das chiquices! Ele por vezes exagera! Só faltava querer que viéssemos todos de smoking e vestido de gala! Encontrámo-nos todos no hall da entrada, esperando pelo empregado, para nos dizer qual seria a nossa mesa. Apercebi-me de que o Seb estava estranho.

- Oh não! – Queixou-se o Jeff, batendo com a mão na cara. – Lá vou eu passar fome!

- Porquê? – Perguntou o Pierre.

- Parece que não sabes! Nestes restaurantes só te põem uma migalhinha no prato!

- Não, Jeff. Não quando és amigo dos filhos do Réal Bouvier! – Gabou-se o meu irmão. Sim, só com o nome do nosso pai, podíamos mover montanhas. Ele é tão influente e conhece tanta gente que podemos quase tudo!

- Já podias ter dito! – Disse o Jeff, mais descansado.

- Mas onde está o Chuck? – Perguntei.

- O Chuck foi…

- Deixa-me adivinhar, Jeff! – Interrompi. – Foi buscar a Vanessa!

- Exacto. – Riu-se.

- Esses dois… – Comentou o David, com ar de quem estava a ter uma ideia.

- Não, diz-me que não estás a ter uma ideia… – Pediu o Pierre, quase implorando.

- Por acaso estou! Querem ouvir?

- Estamos tramados… – Refilou o Nick.

- Mas querem ouvir ou não? – Perguntou o David, aborrecido.

- Diz lá! – Soamos em coro.

- E se nós fôssemos a outro restaurante e os deixássemos a jantar neste? – Sugeriu o David, levantando as sobrancelhas. – Só os dois e tal…

- Epá… Tu às vezes até pensas! – Riu-se o meu irmão, dando-lhe uma palmadinha nas costas.

- Eu tenho sempre boas ideias! Eu sou um génio! – Gabou-se.

- Sim, claro… – Rezingou o Jeff, rindo-se.

Como decidimos ir embora, dissemos ao empregado para reservar uma mesa para dois em nome de Chuck Comeau e Vanessa Torres. Saímos do restaurante e dirigimo-nos a outro, desta vez menos chique e mais simples, para minha alegria e do Jeff, que já não tinha de passar fome. Fomos encaminhados para uma mesa onde coubéssemos todos e escolhemos o que desejávamos jantar.

- Vocês estão muito bem-dispostos… – Comentou o Jeff, olhando para mim e para o David.

- Sim. Não temos motivos para não estar! – Esclareceu o David.

- Ficou feliz por vos ver assim, finalmente. – Disse o Jeff sorrindo.

O Pierre fez um sorriso que não entendi. Deve estar contente por eu e o David termos feito as pazes e já não ter de aturar o meu mau humor dos últimos dias. Eu sei que fui um bocadinho insuportável, mas eu estava desolada.

- E David… O quê que te aconteceu ao lábio? – Perguntou o Pierre.

- Ah, isto? – Interrogou o David, apontando para um pequeno lanho no seu lábio inferior. – Fui contra uma porta!

O Jeff, o meu irmão e o Nick riram-se. Era a típica desculpa usada. Controlei o riso. O Seb permanecia calado, sentado ao meu lado. Dei-lhe um beijo no rosto, o que o fez tirar os olhos do prato e encarar-me.

- O que se passa? – Perguntei, em tom mais baixo, enquanto os outros discutiam o maravilhoso sabor da comida. – Estás estranho.

- Não se passa nada. – Respondeu-me, forçando um sorriso. Sei que há qualquer coisa que não está bem e parece que ele não me vai dizer o que é.

- Passa sim. Diz-me!

- Não se passa nada, Magda! – Repetiu e recomeçou a comer.

Não vou insistir. Ele sabe que pode contar-me tudo. Além disso, não gostei do tom em que me respondeu. Estava tudo tão bem entre nós, não entendo o que possa ter acontecido para ele ficar assim. Ainda dizem que eu é que sou bipolar! Voltei a saborear o jantar.

- É verdade… – Disse o Nick. – Vocês os dois vão à viagem de finalistas?

- É claro! Eu lá ia perder uma viagem dessas!

- Acho bem! – Riu-se o Nick. – E tu, Magda?

- Sim, eu também vou! – Respondi, sorrindo.

Eu não ia perder uma viagem a Miami, por nada deste mundo. Costumava passar lá as férias com o meu irmão. Aquilo é simplesmente lindo e não existem praias melhores do que as de Miami! Estou desejosa por voltar lá.

- Tu vais à viagem? – Sussurrou-me o Seb, com ar sério.

- Vou. Porque não?

- Tu não podes ir…

- Não posso porquê? – Perguntei, erguendo a sobrancelha.

- Porque… Porque…

- Porquê, Seb?

- Porque… Nessas viagens… – Limpou a garganta, pigarreando. – Acontecem coisas…

- Que coisas? – Perguntei. Não estou a perceber nada do que ele está a dizer. – Explica-te.

- Coisas… – Disse, não sabendo explicar. – Não vás…

- Ah! – Soei. Deve estar com medo que me aconteça alguma coisa, como sermos raptados ou o avião cair. Ri. – Não te preocupes! Não me vai acontecer nada! Vou voltar inteirinha, para ti!

Ele deu um suspiro pesaroso e ficou um pouco emburrado. Ele preocupa-se demais, pensa demais. Tem uma grande imaginação. Mas não tem razão para tal. Não vamos ser raptados por psicopatas nem o avião se vai despenhar. Nada que se assemelhe. Apenas diversão.

Notas finais
Finalmente fizeram as pazes, hum?Mas será para durar? :o Pobre Seb :o