Deus Deve Odiar-me! - 1 Temporada

22 Festival II: Basta acreditar para tudo mudar


Notas iniciais
mais um... :)

- Têm a certeza de que mesmo estão bem? – Perguntou o Pierre, pela milésima vez.

- Sim! – Respondemos eu e o David em coro, novamente.

- Consegues tocar? – Perguntou a Vanessa. – Se quiserem posso tentar adiar a final…

- Não é preciso! – Disse o David. – Eu estou bem! Não têm com que se preocupar.

Saímos de casa para irmos almoçar no restaurante do Centro. Depois do almoço os rapazes tinham de ir fazer o soundcheck, pois o concurso começaria ao final da tarde. Almoçamos e dirigimo-nos para o palco, onde já estava tudo preparado. Havia uma escada ao lado do palco por onde iriam subir os participantes e um género de corredor, onde, ao fundo, ficava a mesa dos júris. Quando lá chegamos estava a equipa da organização a dar indicações à outra banda. Eram cinco rapazes.

- Estes são os vossos adversários, os One Direction. – Apresentou a Vanessa, dando uma risada. – Liam Payne, Harry Styles, Louis Tomlinson, Niall Horan e Zayn Malik.

- Olá malta! – Soaram eles.

- E estes são os Simple Plan. – Continuou ela. – Pierre Bouvier, o vocalista, Jeff Stinco e Sebastien Lefebvre, os guitarristas, Chuck Comeau, o baterista e David Desrosiers, o baixista.

- Então, como é que é? – Cumprimentou o David.

Um dos rapazes, julgo que é o Liam, ficou a olhar para mim e a Vanessa riu-se.

- E ela é a Magda Bouvier, irmã do Pierre. – Disse a Vanessa. – E namorada do Sebastien.

Sorri. Acho que eles devem ser da nossa idade. Até simpatizei com eles. Ele sorriu e acenou com a cabeça. Eu e a Vanessa sentamo-nos onde ficarão os júris e observamos os ensaios. Não acho que a banda do meu irmão tenha uma tarefa fácil. Os miúdos parecem ser bons. Acho que vamos assistir a uma fantástica final.

O ensaio acabou e ainda sobrava algum tempo, assim, decidimos ir dar uma volta, pois aquilo era enorme. Estávamos na zona das casas e do Centro, por trás tinha o bosque, mas mais à frente havia um género de cidade. Quando íamos a passar pelo Centro para ir para a cidade, passou uma rapariga à nossa frente, que acabou indo contra o meu irmão.

- Ai, desculpa! – Pediu ela, atrapalhada e rindo de forma desajeitada. – Sou uma distraída!

- Nã…Não tem mal. – Respondeu o meu irmão, para meu espanto, também atrapalhado. Fitei-o e reparei que estava a ficar com as bochechas rosadas ao olhar a rapariga. Não pude evitar rir-me disfarçadamente.

Ela tinha o cabelo castanho e bastante maquilhagem. Vestia uns calções curtos e um top e calçava uns sapatos de salto alto. Parece uma daquelas dondocas, histéricas e fúteis. Aquelas que me irritam só com o facto de respirarem. Sorriu para o meu irmão e afastou-se, sempre olhando para trás e sorrindo. O Pierre ficou parado, especado a observá-la.

- Love is in the air… – Cantarolou o Jeff.

- Ahn…? – Soou o Pierre, olhando para o Jeff. – O quê?

- Ui, parece que alguém ficou apanhadinho… – Brincou o Chuck.

- Mas o quê que vocês estão para aí a dizer? – Resmungou o meu irmão. – Pierre Bouvier não fica apanhadinho!

- Está bem. Então se não a apanhas tu, apanho eu! – Avisou o Jeff, esfregando as mãos.

- Tem lá calma, carequinha, que foi contra mim que ela veio! – Disse o Pierre, pavoneando-se.

- Mas se não estás interessado, eu estou!

- Esquece. Eu vi-a primeiro! – Relembrou o Pierre, dando uma palmadinha no ombro do Jeff, que ficou emburrado a olhá-lo.

Dirigimo-nos finalmente para a cidade. Havia gente por todos os lados. O meu joelho já está melhor e já me permite caminhar melhor, mas apesar disso, o Seb continua a agarrar-me como se eu não fosse capaz de caminhar sozinha e como se fosse cair ou desmontar-me a qualquer momento.

- Ei, olhem ali aquela cervejaria! – Disse o Jeff, apontando. – Vamos?

- Se continuarmos a beber cerveja assim, vamos ficar com uma barriga dos diabos e as fãs vão fugir! – Riu-se o Seb.

- Não fazia mal nenhum… – Rezinguei, em tom baixo. Ainda não me habituei à ideia de poder haver um bando de raparigas atrás deles.

- Não precisas de ficar com ciúmes! – Disse o Seb, sorrindo e dando-me um beijo na bochecha.

- Ide lá. Eu fico aqui a descansar o joelho. – Disse eu, sentando-me num banco que estava à beira. Estou melhor, mas não quero abusar da sorte. – Já sabem que só o cheiro da cerveja me enjoa!

- Podem ir, eu fico com ela. – Ofereceu-se o David, sentando-se ao meu lado.

O Seb, por momentos ficou sério, encarando-nos. Acho que ainda é complicado para ele ver-me perto do David, apesar de nos ter perdoado. Não sei o que possa dizer para o fazer ficar descansado. Na verdade, nada do que eu possa dizer vai apagar o que aconteceu. Não posso fazê-lo esquecer, apenas lhe posso dar motivos para voltar a confiar. Atiro-lhe um beijo e ele sorri, para meu alívio. Ele está a fazer um esforço para voltar a confiar e não farei nada para estragar isso. Lentamente afastam-se, conversando animadamente e o David permanece calado, ainda sentado ao meu lado. Ele tem estado estranho, desde que nos aconteceu aquilo com o psicopata. Estará traumatizado? Não me parece. Ele não é pessoa de ficar traumatizada. Olho para ele e ele desvia o olhar para as sapatilhas, brincando com os pés.

- Queres dizer-me alguma coisa? – Perguntei. – Estás estranho.

- Eu? Não…

- David, eu conheço-te! O quê que se passa?

- Estou preocupado… – Disse ele, olhando-me finalmente.

- Com o quê?

- Ahm… Eu… Quer dizer… Eu tenho um amigo que… – Soou ele, atrapalhado. – Ele está apaixonado por uma amiga… Uma grande amiga dele…

- E o que tem? – Perguntei, não percebendo qual era o problema.

- O problema é que ele percebeu isso tarde demais.

- Nunca é tarde, David. – Respondi. – Se o teu amigo gosta realmente dela, que lhe diga, que lute por ela.

- Não pode! Ela namora com outro… Que por acaso é também um grande amigo dele. – Revelou o David com voz triste.

- Ah, estou a ver… É complicado. E ela? O quê que ela sente por ele? Ela sabe o que ele sente?

- Não, ela não sabe. Ela acha que ele é daqueles que se mete com todas e que nunca teria nada sério com ela. Mas ela está enganada! Ele não é assim e ele gosta mesmo dela, apenas demorou a perceber isso… – Disse ele. – Houve um tempo em que ele até chegou a pensar que ela gostava dele e que podiam ficar juntos.

- Se calhar ela tem razão. Se é teu amigo, só pode ser playboy! – Brinquei.

- Magda! – Resmungou. – Eu não sou playboy, porra! Por favor, pára de pensar isso!

- Certo… – Ri-me. – Olha, ele que fale com ela e que lhe diga que está enganada, que lhe diga o que sente. Pode ser que ela realmente sinta o mesmo…

- Ele já tentou falar com ela. Não adiantou. Ele acha que ela quer mesmo ficar com o namorado e que é dele que gosta, por isso não tem coragem para lhe dizer o que sente. – Desabafou, com ar abatido. – E eu sinto-me tão em baixo… Por ele, claro!

- Não te preocupes tanto! – Disse eu, abraçando-o mas afastando-me de seguida, com receio que o Seb visse e começasse a pensar outras coisas. – Quem sabe se ela não percebe que também gosta dele, deixa o namorado e fica com ele… Tem calma. Tudo se vai resolver!

- Espero que sim.

Sorri-lhe. Gostava de o poder ajudar, mas neste caso não se pode fazer muito. Se a rapariga tem namorado, é melhor o amigo do David não arranjar problemas. Nós bem sabemos, como pode ser complicado e difícil! Não desejo o que passei a ninguém!

Ao pé de nós surgiu uma criança que devia ter os seus 3 anos. Era uma menina loirinha, que vestia um vestido cor-de-rosa com folhos e chorava bastante, esfregando os olhos. O David levantou-se e aninhou-se ao lado dela. Ela parecia assustada.

- O que se passa, pequenina? – Perguntou o David. – Onde está a tua mamã?

- Não sei. – Respondeu a menina, chorando.

- Nós vamos procurá-la, está bem? – Disse eu, levantando-me também. – Como te chamas?

- Natacha.

Eu e o David demos as mãos à Natacha e fomos ao encontro dos nossos amigos, olhando para todos os lados para ver se víamos alguma mãe desesperada à procura da menina, mas estava tudo calmo. Havia muitas pessoas, mas nenhuma parecia em pânico. Quer dizer, se eu tivesse perdido uma criança aqui no meio desta confusão, estaria no mínimo em desespero à procura dela. Quando chegamos à cervejaria, encaminhamo-nos na direcção deles, que estavam encostados ao balcão a rir. Olharam para nós e começaram a rir-se.

- Deixamo-los sozinhos um bocado e aparecem com uma criança? – Perguntou o Jeff, rindo, mas logo pareceu arrepender-se e calou-se, olhando o chão.

- Sem piadinhas! – Resmunguei. – A miúda está perdida.

- Mas quem será a mãe da criança? – Perguntou o Pierre, sorrindo para a Natacha que, para nossa surpresa, sorriu-lhe de volta. O meu irmão tem mesmo jeito para crianças. Aninhou-se à beira dela e disse-lhe olá, esticando-lhe a mão, deixando-a um pouco tímida, mas que ainda assim, lhe deu um sorriso e bateu a sua mão na dele.

- Mas quem será, mas quem será… – Cantarolou a Vanessa.

- Vocês importam-se de parar de brincar? – Perguntou o Seb, parecendo-me um pouco mal-humorado. – Vamos procurar a mãe, antes que pensem que fomos nós que a raptamos.

O Seb aproximou-se de nós, pegou na Natacha ao colo com cuidado e caminhou para fora da cervejaria. Apressei o passo o mais que o meu joelho permitia e caminhei ao lado dele, ficando os outros um pouco mais atrás.

- Que se passa? – Perguntei.

- Nada. – Respondeu ele, mas logo olhou para mim, que o fitava de sobrancelha erguida. – Pronto, não gostei das boquinhas nem de vocês os dois terem chegado com a miúda pela mão…

- E a ciumenta sou eu? – Perguntei, sorrindo.

- É diferente… Não achas? – Questionou, sério.

- Sim, mas esquece isso. Eles estavam só a brincar e não tivemos culpa de encontrar a criança. – Disse eu, brincando com a mão da Natacha, que ainda estava ao colo do Seb e que se agarrava à sua camisola. – É tão querida, não é?

- É… – Respondeu o Seb sorrindo e com um brilho no olhar. – Sabes, eu sempre quis ter uma menina…

O meu irmão, que vinha atrás de nós, ouviu e aproximou-se, colocando as mãos pelos nossos ombros e rindo-se. Assustou-me. Eu já devia estar habituada!

- Então é melhor arranjares outra namorada… – Aconselhou, batendo-me no ombro de seguida. – Porque aqui a minha maninha não me quer dar sobrinhos!

- Não? – Perguntou o Seb, espantado, soando triste e desiludido.

- Pierre, está calado! – Resmunguei, afastando-lhe a mão.

- Porquê? Mudaste de ideias?

O meu irmão e a sua impertinência. Eu nunca quis ter filhos, é verdade, mas o Seb não precisava de saber disso assim, desta maneira. Ainda por cima ele quer ter filhos! Mas para mim, não dá. Os bebés só choram e isso irrita-me. Os seus gritinhos dão-me cabo da paciência. E mudar fraldas, aturar birras? Não! Ficaria maluca em dois dias!

- Não…

O Seb olhou-me e deu-me a sensação que ficou triste. Bolas! A última coisa que quero é destruir-lhe um sonho. Continuamos a caminhar e eu olhava o chão, permanecendo calada. Procuramos durante algum tempo o paradeiro da mãe da Natacha mas não a encontrámos e tínhamos de voltar para o Centro, pois o concurso ia começar dentro de poucas horas.

Sentei-me numa das mesas dos júris, tomando conta da Natacha, enquanto eles acabavam de fazer os últimos preparativos. O meu irmão andava a fazer palhaçadas e a dançar com o microfone, fazendo as vozes mais estranhas que alguém possa imaginar. O Seb e o Jeff estavam a discutir sobre que guitarras iam usar, pois havia um vasto arsenal delas. O David está sentado na beira do palco, afinando o baixo. Continua cabisbaixo. Ele não pode deixar-se afectar tanto com os problemas dos outros! Nem parece o mesmo. Está há horas sem dizer ou fazer disparates. Quem me dera poder ajudá-lo! Não consigo vê-lo assim…

Procuro o Chuck com o olhar e finalmente encontro-o. Está de braços cruzados e com uma expressão séria e algo desagradada. Olhei na direcção do seu olhar e logo me apercebi do que se passava. A Vanessa estava a falar animadamente com um dos rapazes da outra banda. Se não me engano, aquele é o Zayn. Ele está bastante sorridente e a conversa parece estar alegre, para desespero do Chuck, que começou a andar às voltas, de mãos na cinta.

Finalmente subiu para o palco, dando passos largos, claramente chateado. Ri-me sozinha. Aqueles dois adoram-se e não têm juízo. Não entendo porque não assumem a relação que têm! Já toda a gente percebeu que eles se adoram e que há coisa! Observo a Natacha, que adormeceu no meu colo. Faço-lhe festas na cabeça. Ela é realmente querida e parece ser um amor de criança. No fundo, mas muito lá no fundo, até gostava de ter filhos. Um casal, talvez. Deve ser algo inexplicável, a sensação de ser pai e mãe. E, decerto que eu lhe daria todo o amor que podia. Nunca seria uma Louise Bouvier, nem o Seb seria um Réal Bouvier.

Assustei-me com o Seb, que chegou à minha beira e me deu um beijo carinhoso, sem eu me aperceber. Olhou a menina, que dormia calmamente e sorriu.

- Eu vou fazer-te mudar de ideias. – Disse ele, fazendo uma festa no cabelo da Natacha, fitando-me depois.

O tempo foi passando e apenas faltava uma hora para o festival começar. O meu irmão estava a fazer ginástica para se acalmar, com umas posições um tanto ao quanto esquisitas, mas que diz ele que dão resultado. O David parece estar um pouco mais animado e está a brincar com a Natacha. Nunca pensei, mas ele fica bem à beira de crianças e parece ter paciência para elas. O Jeff está sentado, a beber um redbull, ao lado do Chuck, que está de braços cruzados e parece ainda estar chateado. Ele e a Vanessa ainda não falaram, pois ela tem andado de um lado para o outro, ocupada.

O Seb está sentado ao meu lado e passa a mão levemente pelo curativo que ainda tenho no pescoço e dá-me um beijo na bochecha, abraçando-me depois. O golpe não era fundo e nem precisei de levar pontos, mas a verdade é que era um lanho feio. Espero não ficar com uma marca muito grande.

O barulho da chegada e da euforia das pessoas começa a notar-se cada vez mais, fazendo o meu irmão andar às voltas.

- Pierre, pára quieto! – Pediu o Chuck, num tom chateado.

- Não consigo! Já viram a quantidade de gente que está lá fora? – Perguntou ele, espreitando pela janela. – E cada vez chegam mais! De onde vem tanta gente?!

- Olha… Pirou de vez! – Riu-se o Jeff. – Tem calma! Quando mais pessoas melhor!

- Vai dar-me um ataque, vou ficar sem voz!

- Oh Pierre, pára de dizer disparates! – Gozou o Seb. – Vais ficar assim em todos os concertos que dermos?

- Não. É só uma questão de hábito! – Respondeu o meu irmão, inspirando e expirando lentamente, acompanhando o movimento com as mãos.

- Agora temos uma grávida a ter contrações… – Riu-se o David, gozando com o Pierre, que ficou amuado.

A Vanessa entrou esbaforida no Centro e dirigiu-se a nós, respirando fundo. Na mão, trazia uns papéis, entre os quais alternava o olhar.

- Meninos, estão preparados?

- Nós nascemos preparados! – Disse o David. – Bem, tirando ali o Pierre, que lhe está a dar o abafa…

- O quê…? – Perguntou ela, assustada, mas ao ver que estavam a brincar, riu-se. Tirou cinco folhas, começando a entregá-las aos rapazes. – Está aí a vossa Set List. Cada banda tocará apenas três músicas. Começam com a I’d Do Anything, seguem para a I’m Just a Kid e terminam com a Perfect, entendido?

- Sim! – Responderam em coro.

- É verdade malta. Eu… Quando aconteceu aquilo… – Disse o Seb, olhando para mim e depois para o David, pigarreando depois. – Eu escrevi uma música. Depois vêem se gostam?

- Claro! Mas só agora é que avisas? Podíamos tocá-la aqui! – Resmungou o meu irmão. – Como se chama?

- Your Love Is a Lie. – Respondeu ele.

- Hm… Entendi! – Disse o Jeff, tossindo.

- Odeio ser desmancha-prazeres… – Despachou a Vanessa. – Mas tratam disso depois! Vocês são os últimos a actuar, mas vamos a despachar que os júris não gostam de esperar!

- É verdade… Já nos podes dizer quem são? – Perguntou o David, levantando-se.

- Já vão ver. Agora andor! – Despachou ela.

Todos se levantaram e eu peguei na Natacha ao colo, que estava ensonada, agarrou-se a mim e deitou a cabeça no meu ombro. A Vanessa agarrou o braço do Chuck, sorridente e aproximou-se dele para lhe dar um beijo. Acho que é a primeira vez que o fazem à nossa frente. Mas o Chuck virou a cara e afastou-se, ainda com ar de chateado. A Vanessa ficou a olhar para ele e depois olhou para mim, com cara de quem não entendeu o que aconteceu.

Saímos do Centro e encaminhamo-nos para o palco. Havia lugares reservados para nós, ao lado do mesmo, de onde se conseguiam ver as actuações, o público e os júris. O público estava louco. Ouviam-se gritos, assobios e palmas. Uma rapariga com um vestido preto, curto, subiu ao palco, com uns cartões na mão. Por trás dos cartões, dizia o nome do Concurso. “Stop Dreaming, Start Playing!”

- E convosco, a apresentadora deste Festival, Catherine Spencer! – Soou uma voz nos altifalantes.

- Obrigado! – Agradeceu ela ao público, pelas palmas.

- Oh meu Deus! – Disse o Jeff. – Pierre, aquela é a rapariga que foi contra ti! Ela é a apresentadora!

- Pois é… – Disse ele, fitando-a com ar de parvo. Eu nem quero crer que o meu irmão está apaixonado por aquela… rapariga. Ela é tão… pomposa e… irritante!

- E eles são vossos conhecidos e dispensam grandes apresentações. – Soou ela, com a sua voz estridente. – Convosco, os nossos três jurados… Alex Gaskarth, Adam Lambert e Jared Leto!!

Os três rapazes subiram ao palco, acenando para o público e fazendo vénias, o que levou a multidão ao histerismo. Os três sentaram-se nas respectivas mesas, ainda sob fortes aplausos.

- Cada um tem três placas com pontuações de 1 a 3 que irão atribuir a cada banda no final de cada actuação. – Informou a Catherine. – E estão prontos?

A plateia gritou que sim efusivamente e a Catherine sorriu, caminhando desajeitadamente e com tiques típicos de raparigas pomposas. Ajeitou o cabelo e olhou os cartões, fitando depois o público.

- E a primeira banda… One Direction, com One Thing!

Os One Direction subiram ao palco, sob uma salva de palmas e logo começaram a cantar. Como a Natacha tinha acordado e estava um pouco irrequieta, peguei-lhe nas mãos e começamos a dançar ao som da música. Ela ria e mostrava que sabia dançar. Quando me apercebi, estavam todos com ar sério observando-nos.

- O que foi? – Perguntei.

- Mas tu estás a dançar a música dos nossos adversários? – Resmungou o meu irmão.

- Também acho! – Concordou o Jeff. – E ainda pões a criança a dançar também! Não tens vergonha?

- Sinceramente! – Soou o Seb. – Nunca pensei…

Fiquei parada a olhá-los, de sobrancelha erguida até que eles se começaram todos a rir.

- Devias ter visto a tua cara! – Riu-se o Pierre.

- Que engraçadinhos… – Refilei, fazendo-lhe uma careta.

O Chuck continuava amuado, sem falar e a Vanessa continuava sem saber o que tinha acontecido para ele estar assim. A banda já estava na última música, o que fazia o meu irmão voltar a andar às voltas. Olhei o júri e não pude deixar de reparar que havia algo de estranho. Dava-me a impressão de que o Adam Lambert não parava de olhar na nossa direcção. Tentei perceber para qual de nós olhava, observando-os.

- O que se passa? – Perguntou o Seb, pondo o seu braço pelos meus ombros.

- O Adam… Está farto de olhar para nós.

- Eu sei! – Disse o Jeff, escondendo-se atrás do Pierre, que fez uma cara estranha, sem perceber o que o Jeff estava a fazer. – Já me sorriu e acenou duas vezes!

- Eu acho que ele está interessado! – Disse o Pierre, às gargalhadas.

- Não digas isso nem a brincar! – Refilou o Jeff, espreitando por cima do ombro do meu irmão.

A música terminou e a Catherine pediu que os elementos da banda se juntassem para que os júris lhes atribuíssem a pontuação. Neste momento, ficamos todos atentos, inclusive, a pequena Natacha, que estava no meu colo, agarrada à minha blusa.

Havia um grande plasma, por baixo da enorme facha com o nome do concurso, onde aparecia o nome das duas bandas, as pontuações atribuídas por cada jurado e o total. O primeiro a dar a pontuação foi o Alex Gaskarth, que levantou a placa com o número três. Seguiu-se o Jared Leto, que ergueu também a placa com o número três e, por fim, o Adam Lambert, que mostrou a placa com o número dois.

- Um aplauso para os One Direction! – Pediu a Catherine.

Estes acenaram e desceram do palco, cruzando-se connosco. Cumprimentaram-se e desejaram boa sorte, afastando-se depois. No quadro, aparecia um total de 8 pontos para os One Direction.

- E outro aplauso para os Simple Plan! – Disse Catherine, quase furando-me os tímpanos.

- Ahn…? – Soou o Pierre, atrapalhado, sendo empurrado pelo David. – Somos nós?!

- Não, achas? – Ironizou o David. – Anda lá!

Ri-me. O Seb deu-me um beijo e outro na bochecha da Natacha, que batia palmas e ria. Subiram para o palco e por momentos assustei-me. O público gritava mais do que tinham gritado até agora e chamava pela banda. O meu irmão estava completamente atarantado, mas logo se recompôs. Posicionaram-se nos seus lugares e deram início à música. Conseguia ouvir-se o público a cantar. Sabiam perfeitamente as letras, para meu grande espanto. As músicas que foram escolhidas para tocarem aqui, na final, foram escolhidas dos vídeos que obtiveram mais votações, por isso é normal que saibam as letras.

Estava sentada ao lado da Vanessa e observávamos a actuação. Estavam os cinco com uma energia brutal, saltando e andando de um lado para o outro. O David estava eléctrico, passeando o baixo pelo palco. Subia para as colunas e fazia saltos artísticos. Ninguém diria que está todo dorido e pisado. Como é que ele consegue ter aquela energia toda depois da tareia que levou? É um mistério. Mas ele é um mistério, de qualquer maneira.

Assistíamos ao concerto com um sorriso mas quando a Vanessa olhava para o Chuck, o sorriso desaparecia e ela suspirava. Olhou para mim, como se me quisesse dizer algo.

- Diz lá de uma vez. – Rezinguei.

- O Chuck está estranho e eu não sei porquê. Não viste como ele me tratou?

- Vi. E eu sei porquê que ele está assim. – Ri.

- E porque é? – Perguntou ela, soando preocupada e virando-se para mim.

- Ele viu-te a falar com o marroquino e ficou com ciúmes.

- O marroquino? – Perguntou, confusa. – Que marroquino?!

- Epah, o Zayn! – Respondi. Sim, ele parece um marroquino! Nada contra, claro.

- Ah! – Riu-se. – Mas ele ficou assim por eu estar a falar com ele?! Que idiota!

— É normal, ficou com ciúmes e ele não me parece ser uma pessoa fácil, no que toca a isso…

- Está é parvo! Deixa-o descer dali que eu já lhe digo! – Resmungou ela, apontando para o palco.

- Porquê que não assumem? – Perguntei, segurando a Natacha pela mão, que dançava alegremente ao som da música.

- O quê?

- A vossa relação! O quê que havia de ser? – Respondi, impaciente.

- Ah, isso…

- “Ah, isso…”? – Repeti. – O quê que tem de mal?

- O Chuck saiu há pouco tempo de uma relação e eu não queria estar a apressar as coisas. – Revelou ela. – Até porque parece que aquilo acabou mal. A rapariga não ficou lá muito contente com o final da relação.

- Paciência! Tu não tens nada a ver com isso. Não tens de te esconder nem o Chuck tem de ter receio.

- Ela é lutadora de Wrestling… – Sussurrou-me ela ao meu ouvido. – Estás a ver o problema?

- Não…? – Ri-me e ela bufou, batendo-me no braço.

A actuação deles terminou e novamente ouvimos aquela vozinha esganiçada a pedir que os elementos da banda se juntassem, para a atribuição de pontos e pediu aos One Direction que subissem ao palco novamente. O meu irmão afastava a camisola do pescoço, como se ela o estivesse a sufocar. Não o julgava tão nervoso. Mas é normal. Todos eles estão nervosos, mas conseguem controlar-se melhor.

Desta vez, o primeiro a elevar a placa que mostrava o número três foi o Adam. Este fez um sorriso algo malicioso para o Jeff, que ficou desconfortável. Notava-se no seu olhar rápido e nervoso. Seguiu-se o Alex, que ergueu a placa também com o número três. O David dava saltinhos discretos e impacientes. Estavam os cinco de mãos dadas e eu, a Vanessa e a Natacha fizemos o mesmo. Sinto-me nervosa. Eles têm mesmo de ganhar. Isto é apenas o inicio para a carreira deles. Eles precisam desta rampa de lançamento para o estrelato!

Apenas faltava o Jared dar a sua pontuação. Este sorriu e olhou para os colegas jurados e depois para os elementos das bandas. Pegou nas três placas, viradas para ele e alternou o olhar entre elas e os participantes.