Deus Deve Odiar-me! - 1 Temporada
23 Festival III: Juntos somos fortes
Notas iniciais
- Mas porquê que sobra sempre para mim decidir? – Perguntou o Jared, rindo e pousando as placas.
- Porque és o mais sensato e tomas sempre a decisão certa! – Respondeu o Alex, sorrindo. – Força!
O David e o Seb fizeram uma cara de sofrimento, pois o meu irmão estava a apertar-lhes demasiado as mãos. No plasma apareciam os 6 pontos a piscar, debaixo do nome da banda. O Jared tinha de dar um três, para eles vencerem. Caso empatem, será o público a decidir. Finalmente, depois de pensar bem, o Jared levantou a placa. O meu coração estava acelerado e fiquei petrificada ao olhar o número da placa.
- Senhores e senhoras, com a oportunidade de gravar um CD com a Editora Lava Records, como vencedores do concurso “Stop Dreaming, Start Playing”… – Disse a Catherine, fazendo uma pausa e ouvindo-se o rufo dos tambores. – Simple Plan!
O público ficou ao rubro, gritando, saltando e aplaudindo. Nós saltamos das cadeiras e abraçamo-nos, dando pequenos saltinhos. Até a Natacha, que julguei que não entendia o que se passava, batia palmas e ria, chamando pelo nome da banda. Eles primeiramente ficaram parados, espantados e depois entreolharam-se acabando por se abraçar e saltar.
Os três jurados levantaram-se e cumprimentaram cada participante, dando os parabéns à banda do meu irmão. A multidão continuava aos gritos, chamando por eles e, algumas das fãs, gritavam pelos seus nomes. Olhei para duas raparigas que estavam na fila da frente. A ruiva fazia corações com as mãos e mandava beijos para o David, que sorriu e acenou com a mão, fazendo com que a rapariga ainda gritasse mais. Sempre odiei ruivas! A outra esticava os braços, tentando agarrar o Seb, que acabou por se chegar à beira da grade que separava a multidão do palco e apertar-lhe a mão. Será que isto vai ser sempre assim?
- Não faças essa cara. – Riu-se a Vanessa. – Começa a habituar-te porque isto vai ficar pior!
- Achas? – Perguntei.
- Tenho a certeza. Se já é isto e ainda agora estão a começar, quando ganharem mesmo fama vão ser rios de raparigas atrás deles! – Riu ela, mas depois lembrou-se de algo e ficou séria, encarando-me. – Isso quer dizer que…
- …Sim, o Chuck também vai ter fãs! – Ri. – Acho que vamos ter meio mundo como problema!
- Corro-as todas à vassourada!
- Claro que sim. – Ri.
Olhei para o palco, onde ainda estavam todos a agradecer os aplausos. Reparei que o Adam se aproximou do Jeff, que o olhava com ar de pânico. O Jeff batia palmas e lentamente chegava-se para a beira do David, que estava com aquele sorriso que parecia irradiar luz. Como é que ele consegue ser tão perfeito?
- Olha, olha! – Apontou a Vanessa, rindo-se e assustando-me, pois estava distraída. – A Catherine a fazer-se ao teu irmão! E ele não me parece estar a oferecer resistência.
- Oh minha vida… – Refilei. – Só cá me faltava ele apaixonar-se por aquilo!
- Ela até é bonita e jeitosa.
- E histérica, irritante e pomposa! – Acrescentei. – Eu não quero aquilo para namorada do meu irmão!
- Sim, nisso tens razão. – Disse a Vanessa, rindo.
O júri desceu do palco e os rapazes desceram a seguir, vindo ao nosso encontro, eufóricos. Não tão eufórico estava o Chuck, que se sentou e amuou mal chegou à nossa beira. Estavam todos empolgados e a falar ao mesmo tempo.
- Ei! – Gritei. – Ordem no galinheiro!
- Estás a chamar-nos barulhentos? – Perguntou o David, de sobrancelha erguida.
- Estou. Parecem um bando de raparigas histéricas! – Ri.
- Nem me fales em histéricas! – Queixou-se o Seb, abraçando-me. – Tenho os gritos daquelas duas raparigas que estavam na frente a entoar nos ouvidos!
- Realmente… – Concordou o David, tapando o ouvido.
- Estão a queixar-se? – Perguntei. – Não pareciam nada incomodados.
- Ui ui… – Riu-se o Pierre. – A minha irmãzinha é tão ciumenta!
- Deixa lá. Eu gosto! – Disse o Seb, dando-me um beijo na bochecha.
- E tu e ali a jeitosa? – Perguntou a Vanessa. – Ela estava a babar-se toda!
-Não era só ela, pois não, Pierre? – Perguntou o David.
- E eu acho que nos vamos afogar… – Riu-se o Seb, fazendo sinais com a cabeça.
A Catherine aproximou-se de nós, com o seu andar igualmente pomposo e o meu irmão começou a corar. Agora a sério, ele nunca ficou assim com rapariga nenhuma. Ele sempre teve montes delas atrás dele. Ele era muito popular na escola e na universidade e por onde quer que passasse, fazia as raparigas suspirar. Não é para me gabar, mas o meu irmão não é nada de se deitar fora! Se não fosse meu irmão, eu apaixonar-me-ia por ele! Ele tem tudo o que uma rapariga deseja. É querido, divertido, bem-disposto, sensível, atencioso e a juntar a isso tudo, Deus ainda lhe deu uma carinha laroca e um corpo de fazer inveja. Sempre as teve aos pés, contudo, nunca usou nenhuma para se divertir nem brincou com os sentimentos de ninguém e sempre criticou aqueles que o faziam. Quando gosta de alguém, gosta mesmo. Porém, nunca ficou assim tão atrapalhado. Conheci algumas das suas ex-namoradas e nenhuma o fazia ficar assim.
Quando a Catherine se aproximou, sorriu.
- Mais uma vez, muitos parabéns! – Disse ela.
- Obrigado. – Disseram eles.
- Vocês conseguiram matar dois coelhos duma só ameixadada! – Proferiu a Catherine.
- Ahn…? – Soou o Jeff, franzindo as sobrancelhas.
- Ela quis dizer machadada. – Sussurrei ao Jeff, que fez um ar cómico e de quem finalmente percebeu.
- Conseguiram lançar-se e ainda vão ter a oportunidade de gravar o CD.
- É, dizem que somos bons. – Pavoneou-se o David.
- E são. – Concordou ela. – Já agora, sou a Catherine.
- Eu sou o David. Estes são o Jeff, o Chuck, o Seb, a Vanessa, a Magda e o Pierre.
Quando o David apresentou o Pierre, ela fez um sorriso algo provocador e aproximou-se dele. Eu conseguia ver no olhar do meu irmão que ele se sentia nervoso, o que me estava a dar vontade de rir.
- Mas podes tratar-me por Cat. – Sugeriu ela, olhando para o meu irmão.
- É gata é… – Soou o Jeff, olhando-a de alto a baixo, de sobrancelha erguida.
O Seb deu uma cotovelada ao Jeff, que fez ar de inocente e encolheu os ombros, sorrindo. A Natacha começou a ficar ensonada e esticou os braços para que lhe dessem colo. O Seb pegou nela e fez-lhes festas no cabelo.
- Natacha? – Chamou a Catherine. – O quê que estás aqui a fazer?
- Tu conhece-la? – Perguntei.
- Conheço. E não acredito que aquela desnaturada a deixou novamente aqui sozinha!
- Quem? – Perguntou o Seb, embalando a Natacha.
- A mãe dela. – Revelou a Catherine. – A mãe da Natacha é muito conhecida por aqui, mas por maus motivos. Está sempre bêbeda e esquece-se sempre da criança.
- Que tristeza de mãe! – Resmungou o David. – Há mesmo pessoas que não deviam ter filhos!
Eu e o meu irmão entreolhamo-nos e eu olhei o chão. O David tinha razão. Realmente há pessoas que não nasceram para ser pais. Não têm qualquer instinto maternal, vocação para criarem uma criança. Não são capazes de lhe dar o amor e atenção de que ela necessita.
- Venham. A irmã costuma andar por aqui e é sempre ela que fica com a Natacha.
Seguimos a Catherine até ao Centro. Quando lá chegamos ela dirigiu-se a um dos organizadores e perguntou-lhe pela Janice, mas este não sabia de nada. Ainda não a tinha visto hoje.
- Não te preocupes, nós ficamos com ela. – Avisou o Seb, ainda com a menina ao colo.
- Sim, de qualquer maneira nós também só vamos embora amanhã. – Disse o Pierre. Finalmente conseguiu dizer qualquer coisa sem se engasgar todo.
- Vão embora já amanhã? – Perguntou a Catherine, fazendo ar triste.
- Infelizmente… – Respondeu o meu irmão, calmamente e fitando-a.
- Bem, eu tenho de ir organizar umas coisas mas… – Começou ela, tirando uma caneta do bolso e agarrando a mão do meu irmão. – Dou-te o meu número. Liga-me.
A Catherine foi-se embora e começaram todos com as típicas boquinhas, fazendo as bochechas do meu irmão parecer que iam explodir. Contudo, logo a seguir a Catherine voltou para trás, acompanhada de uma outra rapariga. Uma rapariga um pouco estranha que me causou um arrepio, ao vê-la. Não sei explicar bem porquê. Tinha cabelo preto, pelos ombros, liso e usava um batom alaranjado. Veste-se de uma forma estranha e faz-me lembrar aquelas bruxas malvadas.
- Esta é a Janice, a irmã mais velha da Natacha. – Revelou a Catherine.
- Eu não acredito que aquela mulher a deixou sozinha outra vez! – Resmungou a Janice, que se aproximou do Seb e fez festas na cabeça da menina. – Obrigado por terem tomado conta dela!
— Não tens de agradecer. – Disse o Seb, entregando-lhe a Natacha, que não o queria largar. – Mas a mãe devia ter mais cuidado…
- Eu sei. É desta que eu levo a Natacha para casa do meu pai. Que era de onde ela nunca devia ter saído!
A Janice agradeceu uma vez mais e colocou a Natacha no chão. Quando se ia a afastar, a Natacha largou-lhe a mão e voltou para trás, ao nosso encontro. Parou entre mim e o Seb e esticou os braços. Tanto eu como o Seb, baixamo-nos e abraçamo-la. Ela apertava-nos de tal forma que me estava a custar deixá-la ir. Ainda por cima, com uma irmã tão esquisita. Acho que me afeiçoei a ela. Ela afastou-se e agarrou-se ao David. O David fez um enorme sorriso e abraçou-a, levantando-a e voltado a colocá-la no chão.
- Vamos, Natacha! – Chamou a Janice, estendendo a mão.
A menina afastou-se, dando-nos um sorriso e saiu com a irmã. Olhei para o Seb e para o David e estavam ambos com um sorriso estampado no rosto. Acho que não fui a única que se afeiçoou.
- Credo… Aquela deve ser uma família de loucos! – Comentou a Vanessa. – Que rapariga mais estranha!
- Por acaso, concordo contigo. – Respondi. – Ela arrepiou-me!
- Não digam isso. – Disse o David. – Até porque eu acho que o Jeff gostou dela!
- Quem…? Eu? – Soou o Jeff, olhando para nós e saindo do transe.
- Está tudo a apaixonar-se? Mas isto são os ares do Brasil? – Perguntou o Seb, puxando-me para ele. O Jeff corou e nem respondeu. Acho que ficou sem palavras.
- Mas podias ter uns gostos melhores! – Brincou a Vanessa.
- Oh! Vocês implicam com tudo! – Resmungou o Jeff. – O quê que a rapariga tem de mal? Tem uma maneira diferente de se vestir e de se arranjar… E que tem? Eu achei-a gira e... Interessante!
- Pois, isso percebemos nós, não é, carequinha apaixonado? – Gozou o Pierre, fazendo-nos rir.
Não sei se é dos ares do Brasil, mas que anda qualquer coisa no ar, isso é certo. Se vá que, nem para todos é bom. O Chuck continua chateado e sem falar. Apenas fica de braços cruzados e com cara de que todo o mundo lhe deve e ninguém lhe paga. Fiz sinal com a cabeça à Vanessa para que fosse falar com ele. Ela percebeu e puxou-o por um braço, para uma sala. O David levantou-se e foi até à porta e espreitou.
- David! Isso não se faz! – Resmunguei e aproximei-me dele.
- Shiu. – Sussurrou ele, colocando o dedo indicador à frente dos lábios e voltando a espreitar.
Atrás de nós vieram o Pierre, o Seb e o Jeff e ficamos atrás da porta a espreitar pela frincha. Eu sei que não se faz, mas estávamos demasiado curiosos para saber o que se passa com aqueles dois.
- Estás assim por eu ter estado a falar com o Zayn? – Perguntou a Vanessa.
- Falar? – Retorquiu o Chuck, abanando os braços. – Mas que conversa tão animada que foi!
- Eu não acredito que estás com ciúmes dele! – Disse a Vanessa, aproximando-se do Chuck. – Por favor, não tens motivos nenhuns! Tu sabes que só tenho olhos para ti!
- E para ele… – Refilou, amuando.
- Não sejas parvo! – Pediu ela, colocando os seus braços à volta do pescoço dele. – O que eu mais quero é estar contigo.
- Ai é? – Perguntou ele, sorrindo e encarando-a, colocando as mãos na cintura dela. – Eu acho que está na hora…
- De quê? – Perguntou.
- Oh não, eles não vão… Aqui, pois não? – Perguntou o David, escandalizado.
- Está calado! – Dissemos eu e o Seb ao mesmo tempo, em tom baixo.
- De assumirmos. – Respondeu o Chuck, aproximando o seu rosto do dela.
- Mas…
- Sem mas. – Interrompeu ele, beijando-a.
- Finalmente, assumem! Arre! – Disse o Pierre, levantando as mãos.
Como era o que estava mais perto do chão, ao levantar as mãos desequilibrou-se e caiu, fazendo-nos todos desequilibrar e cair por cima dele.
- Ai, ai… – Queixei-me. Caiu o meu irmão, caiu o Jeff por cima dele, depois o Seb, eu por cima do Seb e, como não sou uma pessoa que tenha muita sorte, levei com o David em cima. – O meu joelho!
- Desculpa, desculpa! – Pediu o David, levantando-se e ajudando-me a levantar, mas colocando depois uma das suas mãos sobre o abdómen. Acho que ainda tem dores, mas não admite.
- Estás bem? – Perguntou o Seb, aninhado ao meu lado e observando-me o joelho.
- Mas o quê que vocês estão aqui a fazer atrás da porta? – Perguntou a Vanessa, de mãos na cinta.
- Ups… – Soou o David, sorrindo e encolhendo os ombros.
- Ahm… Nós… Estávamos… – Atrapalhou-se o Seb, sacudindo a roupa.
- Estavam a espreitar atrás da porta, não é? – Perguntou o Chuck. – Eu conheço-vos!
- Ok, tens razão. – Disse o Jeff. – Desculpem.
- Vocês são impressionantes! – Refilou a Vanessa.
- A culpa é do David! – Dissemos eu e o Pierre, ao mesmo tempo e apontando para o David, que fez um falso ar de ofendido.
- A culpa é sempre do David! – Resmungou o David, acabando por se rir.
- Claro! – Soamos em uníssono.
- E se fôssemos festejar? – Perguntou o Pierre, esfregando as mãos.
- Mais cerveja? – Perguntou o Seb, olhando para a barriga.
- Não te preocupes. Estás em plena forma! – Disse eu, agarrando-o e beijando-o.
Fomos até ao bar do Centro e quase me chateava com o Seb, que me queria levar ao colo, por causa do joelho. Tudo bem que me ficou a doer um pouco, mas não é preciso ir ao colo! Quando chegamos, o meu irmão pediu uma garrafa de champanhe e logo a abriu.
- Um brinde à nossa vitória! – Sugeriu o Jeff, elevando o copo, sendo seguido de todos nós.
- E ao casalinho, que finalmente assumiu a relação! – Completou o meu irmão, olhando para a Vanessa.
Brindamos e logo a seguir entrou um rapaz da organização apressado que caminhou na nossa direcção.
- Vanessa, estão à tua procura! – Informou ele. – Precisam de falar contigo e querem que faças uma entrevista aos One Direction.
- Está bem. Eu já vou. – Respondeu ela e o rapaz saiu. – Bem, parece que o trabalho me chama.
- O Zaynzinho também. – Refilou o Chuck, cruzando os braços.
- Não vais começar, pois não? – Perguntou ela. – Já falamos disso!
- Está bem, está bem. – Disse ele.
A Vanessa deu um beijo ao Chuck e saiu. Ele não me pareceu ficar muito agradado, ainda assim. Deixámos o bar e dirigimo-nos para a nossa casa. Fomos todos tomar um banho e depois voltamos para a sala. O Chuck refastelou-se no sofá, juntamente com o meu irmão e com o Jeff. Eu e o Seb sentámo-nos no outro sofá, abraçados e o David acabou por se deixar cair também num dos sofás, cabisbaixo. Fitei-o e ele olhou-me, mas logo baixou o olhar novamente. Ainda deve estar a pensar no drama amoroso do amigo. Mas porquê que ele se deixa afectar tanto? Ao ficar assim, não ajuda o amigo nem a mim, que fico deprimida por o ver assim. Parece que o meu coração me pesa e ao mesmo tempo se amarfanha. Não consigo explicar. É uma sensação estranha. A única coisa que eu sei, é que não consigo vê-lo assim.
Passou meia hora e a Vanessa voltou. Mas não veio sozinha, o Jared Leto veio com ela.
- Meninos, o Jared tem uma coisa para vos dizer. – Comunicou a Vanessa.
- Na verdade, é mais um convite. – Corrigiu ele. – Eu queria propor-vos uma coisa.
- Sim, diz! – Incentivou o meu irmão.
- Eu adorei a vossa actuação e acho que vocês têm um enorme talento e que merecem singrar, por isso, quero propor-vos que façam a abertura de um concerto que a minha banda vai dar, daqui a uns tempos.
- Estás a falar a sério? – Perguntou o Seb, incrédulo.
- Sim. Aceitam? – Perguntou o Jared, sorrindo.
- Mas é claro que sim!! – Responderam todos, como se tivessem combinado.
- Óptimo! – Disse o Jared. – Eu depois contacto-vos!
- Obrigado! – Agradeceu o Jeff.
O Jared sorriu e acenou com a mão, saindo. Ficamos todos a olhar-nos, ainda incrédulos. Quando caímos em nós, começámos a saltar e a festejar, uma vez mais, até que reparei que a Vanessa parou e ficou com uma expressão mais séria. Sentou-se à beira do Chuck e agarrou-lhe a mão, como se fosse dar uma má notícia.
- O que foi? – Perguntou o Chuck. – O quê que aquele marmanjo fez?!
- O quê…? – Soou ela, olhando-o. – Nada! Não tem nada a ver com o Zayn.
- Então? Porquê que estás com essa cara? – Perguntei.
- Amanhã não vou convosco.
- Tu o quê?!
- Tem calma, Chuck. – Pediu ela. – Disseram-me que querem que eu vá fazer as entrevistas às bandas que participaram e chegaram às semi-finais do concurso.
- Só podes estar a brincar!
- Chuck, por amor de Deus. É só um dia!
- Mas tu dizias que não! – Respondeu ele, amuado.
- Não posso! Faz parte do meu trabalho!
- E onde é? – Perguntou o Pierre.
- É em Miami.
- Só podem estar a brincar… – Refilou o Seb, em tom baixo e passando a mão pelo rosto.
Eu ouvi, mas parece que eu e o David fomos os únicos a ouvir. Sei perfeitamente o que pensou, o que lhe passou pela cabeça. Olhei para o David, que fechou os olhos por segundos e voltou a abrir. É algo que dói cá dentro. Ainda sinto a culpa, o remorso. Não consigo esquecer que aconteceu, não consigo parar de pensar naquela noite e no que ela causou. Como posso querer que o Seb o faça, quando foi ele quem mais sofreu? Não posso, simplesmente. Podemos tentar esquecer, mas não vamos conseguir. Existem coisas que fazemos das quais nos arrependemos para o resto da vida. É confuso e não consigo exprimir, mas apesar de me sentir culpada e até arrependida, no fundo, não sinto assim tanto arrependimento quanto devia, o que me faz sentir ainda pior. Não entendo. A confusão continua instalada na minha cabeça. E leva tanto tempo para se confiar em alguém, mas apenas bastam uns segundos para a destruir. E o perdão? Perdoar é a entrega total. E ajuda. Ajuda a minimizar os danos mas jamais os apagará. Ele perdoou e não é qualquer pessoa que tem esse dom.
Dei a mão ao Seb e entrelacei os meus dedos nos dele e ele olhou-me. Sorri-lhe e acariciei-lhe o rosto. Os seus olhos meigos espelham o seu amor. Por vezes sinto que não sou alguém que ele mereça. Sinto que lhe causo mais dor do que outra coisa. Ele sorriu de volta e deu-me um beijo.
- Eu vou dormir! – Disse o David, levantando-se parecendo um foguete e subindo as escadas rapidamente.
- Ui, o quê que lhe deu? – Perguntou a Vanessa, pasmada.
- Mas o que será…? – Soou o meu irmão, olhando-me sério. Não entendi o porquê daquele olhar. Que fiz eu?
Como estavam cansados, decidimos ir descansar. É compreensível, ao que saltaram, cantaram, gritaram, é impossível não estarem cansados! Além disso, aguarda-nos a viagem de volta a casa. Outra vez, fechada num avião durante horas! Que emoção. Subimos para os quartos e despedimo-nos no corredor, indo cada um para o seu quarto. O Chuck mal se despediu, apenas virou costas e entrou para o quarto. A Vanessa seguiu-o, com ar chateado. Ela não é muito fã de cenas de ciúmes e de birras, por isso, acho que seria boa ideia o Chuck mudar de comportamento, antes que ela se passe. Sim, porque se ela se passa, não será nada, nada bom! O Seb agarrou-me e fechou a porta, fazendo-me recuar até à cama.
- Ficarmos no mesmo quarto foi a melhor coisa. – Disse ele, com um sorriso malicioso.
- Ai foi? – Perguntei.
- Foi. – Respondeu, deitando-me na cama e deitando-se ele também.
- Não estás cansado? – Perguntei, acariciando-lhe o cabelo.
- Não. – Respondeu, colando os nossos lábios. – Energia é o que não me falta.
- Estou a ver… – Sorri, agarrando-o. – Mas cuidado com o joelho!
- Eu prometo ter todo o cuidado do mundo! – Respondeu, sorrindo e beijando-me de seguida.
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