Determinação

26 4° Temp. - O encontro mais aguardado


Antes...

— Enfim, eu cheguei a Uzushio.

A luz daquele local ofuscou os seus olhos, seus ouvidos capitaram um chiado ensurdecedor, o olfato não pode destituir nada. Em meio a forte luz ele viu uma silhueta.

— Quem é você? – Indagou surpreso por ver um sobrevivente numa vila massacrada por algo desconhecido, mas em seu íntimo ele desejava saber o motivo daquela erradicação do clã Uzumaki.

“Não pode ser...”.— Kurama dissera pasma.

Agora...

Konoha, uma vila banhada pelo mar branco chamado neve. O frio proporcionado pelo inverno afugentava as pessoas das ruas. As poucas pessoas que ainda transitavam pela cidade, tinham assuntos importantes a tratar, pois convenhamos há poucas fulanos que gostam de sair de casa num frio maçante.

Em sua mansão, sentada em seu sofá, Tsunade fitava o crepitar da madeira sendo transformada em cinzas pelo fogo que aquecia o local. Mesmo sendo início da noite, Setsuko estava dormindo, pois o principal passatempo do garoto era dormir.

— Será que está tudo bem em deixar as coisas assim, eu odeio usar uma mentira de proporções gigantescas. – Ela parecia refletir. – Desde que o Naruto se foi, os seus amigos andam abatidos. Eles não conseguem aceitar a perda de alguém próximo. – Proferia num baixo murmúrio, apenas para ela ouvir.

A frente da Hokage uma pequena explosão de fumaça aconteceu, dela Gamakichi surgiu, com um pergaminho enrolado em sua língua.

— Hokage de Konoha? – O pequeno sapo indagou recebendo uma confirmação imediata por parte da loira. Suas palavras se embaralharam, pois o pergaminho atrapalhava a propagação do som. – O Naruto me pediu para lhe entregar essa mensagem. – Ele estendeu a língua, deixando o pergaminho ao alcance dela. – Vamos pegue. – Gamakichi incentivou ao ver a hesitação da Senju, pois havia saliva em torno do pergaminho.

— Parece que as coisas foram como o planejado. – Ela pegou o pergaminho e sem demora o abriu. Gamakichi conferindo que o seu serviço estava pronto, resolveu partir e muito urgentemente cobraria a sua dívida com o Uzumaki.

“Querida baa-chan”.— Ela começou a leitura da carta e logo de início se irritou. – “Venho por meio desta carta, dizer-lhe que tudo está ocorrendo bem, provavelmente assim que este pergaminho estiver em sua posse eu já estarei em Uzushio”.— Ela sorriu com a boa notícia. – “Espero que a minha falsa morte não seja descoberta, pois isso me colocaria em apuros, então assim que a senhora acabar de ler o conteúdo deste pergaminho, quero que o queime. Não sei ao certo quanto tempo ficarei aqui na antiga vila, mas pela minha predição eu permanecerei no máximo um ano. Deixo avisado desde já, que não enviarei mensagens regularmente, pois isso levantaria a atenção de alguém. Então se houverem mudanças eu lhe aviso. Espero que os meus amigos estejam bem, principalmente o Neji e o Gaara que tiveram ferimentos graves. Um até logo do seu netinho do coração”.— A Hokage sorriu ainda mais, em descobrir que o plano deles havia dado certo. Ela se dirigiu a lareira e jogou o pergaminho no fogo. Lembranças passadas vinham a sua mente.

... Memórias 3° Ato ...

Cinco de novembro de sete mil e dez. (N/A: Vou colocar os anos agora na fic, assim fica mais fácil. Reparem que o ano é bem mais afrente do que o nosso, adoro o número sete).

A equipe sete havia chegado de uma missão de escolta num país distante. Naruto deixou os seus pertences em seu apartamento e se dirigiu ao prédio do Fogo. Nessa missão não ouve nenhum imprevisto, somente bandidos.

Adentrou o local sem nenhum impedimento e se deslocou ao escritório da Godaime. Dando leves batidas na porta de madeira, ele escutou a permissão para adentrar no lugar e assim o fez.

— Boa tarde baa-chan. – Tsunade que lia alguns documentos voltou-se para o garoto, lhe direcionando um olhar ameaçador. – Tenho um pedido a lhe fazer.

— Então desembuche garoto, não ando tendo muito tempo a perder. – Apesar da frase parecer ríspida e intimidadora, o seu tom de voz não condizia com as suas palavras. – Estou muito ocupada com os assuntos da compra de terras que o clã Hashshashin quer. Anos atrás eles eram somente duas famílias em nossa vila, mas agora eles estão se transferindo definitivamente para cá. Essas famílias serviram como cobaias, para relatar as outras se a vila serviria como moradia para o restante.

— Tudo bem, então eu vou embora. – Ela estranhou aquelas palavras e já estava se levantando para espanca-lo, por que ele havia feito ela perder tempo. Porém desistiu dessa ideia, ao ver o garoto escrever algo em uma folha de papel e se aproximar dela.

“Haja normalmente. Não se esqueça de que as paredes tem ouvidos, essa conversa pode estar sendo observada”.— Ela leu a frase inicial e olhou para ambas as extremidades daquela sala. Deduzindo que havia um espião infiltrado em seu escritório. – “O Ero-sennin me pediu para vir aqui e lhe dizer para nos encontrarmos mais tarde nas fontes termais. Por volta da meia noite”.— A Hokage já pensava besteiras e já queria espancar o velho safado. – “Ele voltou antes do previsto, já que descobriu novas informações a respeito da Akatsuki”.

No teto da sala um ser humanoide de corpo metade branco e a outra preto ouvia a conversa.

Ao término da leitura o garoto rasgou o papel e se dirigiu a porta daquele recinto.

— Tenha uma boa tarde Baa-chan. – Acenando ele deixou o escritório.

“Agora eu tenho mais problemas”.— Ela se queixou coçando as têmporas.

Mais tarde naquele mesmo dia...

Era por volta da meia noite, Tsunade entrou na fonte termal feminina que tinha por divisória uma parede de madeira, que a separava da ala masculina.

Do outro lado Naruto e Jiraiya aproveitavam a sensação aliviam-te da água quente.

— O pássaro já chegou? – Jiraiya indagou. Em confirmação ele ouviu um assobio, seguido do som de alguém adentrando na água. – Eu descobri que essa organização está atrás do Naruto, não sei ao certo o porquê, mas eles querem a Kyuubi.

— Então por isso eu lhe pedi para vir aqui. – Comentou o Uzumaki. – Eu pretendo ir para Uzushio dentro de poucos dias. Mas eu não posso sair da vila sozinho, mesmo tendo o consentimento da Hokage, pois eu sou um mero genin. E o Ero-sennin não pode me levar consigo.

— Além do mais se o Naruto sair sozinho essa informação chegara aos ouvidos da Akatsuki. – Dissera o Sannin. – E eles aproveitariam essa chance para captura-lo, por isso nós desenvolvemos um plano B. Onde o Naruto se passará por morto, ele utilizará um cadáver recente no seu lugar.

— Mas isso não funcionará Jiraiya! – Dissera a Senju. Jiraiya levantou-se da piscina termal e se dirigiu a parede de madeira, onde passou a fitar Tsunade por uma fissura. – Quando os legistas verificarem a arcada dentaria, eles descobriram que não é o Naruto.

— É nessa parte que você entra Baa-chan. – Naruto iniciou. Jiraiya cobriu a boca, pois da mesma um grande volume de saliva saia. Tsunade estava com os braços abertos na borda da piscina, deixando exposto o seu busto avantajado. – A melhor iryounin do mundo ninja pode facilmente criar uma arcada dentaria falsa, que se pareça com a original, não é? – Indagou sugestivamente.

— É claro que eu posso! Porém para o plano funcionar você deve queimar o corpo, então o prédio onde você mora deve ser incendiado. Além do mais eu preciso de um molde da sua arcada dentaria para implantar no corpo falso. – Ela disse. – Jiraiya! Eu vou te matar. – A Hokage se levantou, correu até a parede de madeira e desferiu um potente golpe, onde atingiu o Sannin, lançando-o metros afrente. As lascas de madeira espalharam-se pelo local.

— Baa-chan. – Proferira o Uzumaki pasmo. Fitando-a de cima abaixo, ele viu o seu corpo completamente desnudo.

— Não olhe. – Ela pediu com as bochechas rosadas. Utilizando as mãos ela se cobriu e saiu de fininho dali. – Naruto, espere até o festival para queimar o seu apartamento, assim ninguém sairá ferido! – Ela gritou já adentrando na pousada.

— Agora eu entendo o porquê do Ero-sennin sempre a espiona. – Ele disse maliciosamente.

“Ser safado deve estar no sangue”.— Proferira a Kyuubi. – “Kushina era do mesmo jeito”.

...XXXXXXXXX...

— Quem é você? – O Uzumaki indagou. A luz extinguia-se aos poucos. Conforme ela sumia, a silhueta ganhava forma. E logo ele pode confirmar que se tratava de uma mulher, que era bela por sinal.

— Você finalmente veio. – A mulher era ruiva de cabelos longos e brilhantes, tinha o cabelo amarrado em um rabo de cavalo, aparentava ter vinte anos. Possuidora de olhos azuis cativantes com as pupilas em fenda, semelhante aos felinos. Trajava uma blusa kimono de mangas curtas, na cor negra com uma faixa vermelha na cintura que mantinha fechado o kimono, em suas costas jazia o símbolo Uzumaki. – Eu esperei tanto pela sua chegada, não aguentava mais essa ansiedade que me consumia em não poder lhe conhecer... – Ela disse emocionada, pequenas lagrimas banhavam o seu rosto. A parte inferior constituía-se de uma saia curta na cor negra. Acoplado do lado esquerdo do quadril estava uma katana. A bainha era inteiramente branca com apenas um redemoinho vermelho em seu epicentro. O cabo da katana era trançado a mão por uma linha branca, tendo a extremidade negra. A lamina reluzente aparentava ser muito afiada. – Meu filho. – No pés ela utilizava uma sapatilha de grande mobilidade em cor negra.

Este fato abalou o emocional do garoto. Ele não sabia o que dizer, pois não esperava um dia encontrar a sua mãe. Já que a partir da história relatada pela Kyuubi, ele pode concluir que ela encontrava-se morta.

“Kurama-chan o que isso quer dizer? Me explique o que a okaa-chan faz aqui?”.— Disse o loiro autoritariamente.

“Não me venha com essa, estou tão surpresa quanto você, mas ela parece estar jovem demais”.

“Mas como você não sabe! Tu eras a Bijuu dela, vivia dentro dela! Como não tem conhecimento disto?!”.— A raiva lhe consumia.

“Eu simplesmente não sei. Não fico vendo o que os meus Jinchuuriki’s fazem o tempo inteiro, por que em sua maioria são coisas chatas”. ­– Dissera a raposa dando de ombros.

— Eu posso lhe abraçar? Eu sei que não mereço, mas pelo menos me deixe lhe abraçar? – De mãos unidas próximas ao coração ela suplicou, tendo o rosto lavado pelas lagrimas.

O garoto nada disse, apenas concordou. Os olhos verdes de Nogi captaram a ação possível que ocorreria a seguir, portanto decidiu sair dali. Estando na abertura da jaqueta do loiro, ele saltou em direção ao solo, para dar mais espaço aos dois.

A mulher evolveu-lhe com os seus braços, num abraço caloroso. O loiro jazia estático, não se mexia, nem retribuía ao afeto que tanto almejara. A ruiva pensou em finalizar o abraço, porém o garoto contornou a sua cintura com os seus braços. Afim de se deleitar dessa sensação de carinho entre mãe e filho. Ambos choravam de felicidade, por um momento idealizado pelos dois.

— Eu não entendo okaa-chan. – Eles finalizaram o braço e separaram-se. – Como você pode estar viva? E tão nova? – Utilizando a manga da jaqueta o garoto limpou as lágrimas. A raposinha encontrava-se sentada no solo fitando o seu dono, a cabeça levemente inclinada para a direita lhe dava um aspecto muito bonito. Em sua mente, ele tentava entender o que estava acontecendo com o Uzumaki, pois os humanos ainda eram uma incógnita para si. Já que o mesmo nunca obteve contato com esta espécie.

— Eu responderei a todas as suas perguntas, mas primeiro siga-me. – Ela disse estendendo-lhe a mão, pela qual o garoto segurou firme. Ambos passaram a caminhar.

(N/A: Pessoal quero deixar claro uma mudança, antes que vocês me corrijam. A localização original da vila do redemoinho é a leste de Konoha só que eu mudei).

A vila do Redemoinho encontrava-se destruída, como era de se esperar. Porém a maioria dos prédios mantinha-se em pé, somente haviam defeitos em sua estrutura, como rachaduras ou buracos.

Pelas ruelas da vila, era possível observar os esqueletos dos antigos moradores.

Eles andaram por um bom tempo, enfim estavam afrente de um templo de grandes extensões. Ao adentrarem-no o Uzumaki teve conhecimento da luxuosidade do local. Haviam dezenas de estatuas enfileiradas lado a lado, com uma placa embaixo, onde jazia o nome da respectiva pessoa retratada na escultura. A todo o momento Nogi os seguia.

Eles penetraram numa sala circular, aonde sentaram-se no acento mais próximo.

— Vejamos por qual história eu devo começar?! – Ela disse levantando-se e passando a caminhar pelo local. – Mas é claro que com o tempo você saberá de tudo.

— Do início seria melhor, pois eu não estou entendendo nada. – Em sua face, a dúvida habitava insistentemente. – Como a senhora está viva? E não era para você estar tão nova assim. – Ele disse realmente desnorteado.

— Ah sim, eu me esqueci disso. – Dando um leve tapa na testa coberta pela franja, ela riu. – Bem vejamos... Alguns dias depois de eu descobrir que estava gravida, eu decidi fazer uma viajem a Uzushio. É claro sem o consentimento do Minato, pois se ele soubesse da minha gravidez, ele não me daria permissão para viajar. – Caminhando pelo local, ela esforçava-se para lembrar dos acontecimentos. – Ele havia se tornado Hokage há pouco mais de um mês. A minha viajem foi tranquila, pois eu já havia estado aqui muitas vezes desde que me tornei uma chuunin. Quando cheguei a vila, eu utilizei uma variante do Kage Bunshin, onde acrescento em sua maioria o chakra da Kyuubi para gerar um clone que dure mais tempo. Este clone resistente foi selado na entrada da vila, para que ele ressurgisse assim que alguém adentra-se nos domínios do clã Uzumaki. – Kurama no interior do Naruto começou a ter lembranças desse dia. – Essa clonagem seria o meu plano de escape. Caso a original morresse, o meu filho deveria vir aqui na vila para descobrir as suas origens, mas isso precisaria acontecer somente quando você se torna-se um jounin. – Novamente as lagrimas manifestavam-se a partir dos seus olhos. – Infelizmente se eu morresse, você viria a ser o próximo Jinchuuriki da Kyuubi. Eu não mereço o seu perdão Naruto-kun, eu não queria que você passa-se pela mesma solidão que eu vivi. Eu idealizava uma vida normal de criança para você, onde você pudesse brincar com os seus amigos, sem ter de se preocupar com um Bijuu convivendo com você. – Sua voz estava embargada pelas lagrimas.

— Não se preocupe okaa-chan. Eu já lhe perdoei a muito tempo. – Seu sorriso reconfortou a jovem mãe. – E me desculpe por isso, mas eu tive de vir. Aquela mulher ruiva não parava de aparecer nos meus sonhos, dizendo-me que eu deveria encontrar as minhas linhagem e hoje eu pude descobrir que ela é você. – O garoto estava muito feliz com esse encontro.

— A partir do momento de minha criação e selamento eu não lembro de mais nada, deste modo não sei como eu morri e pretendo não saber. – Rindo ainda mais ela sentou-se ao lado do Naruto, passando um braço entorno do seu filho ela proferiu. – Este clone tem chakra o suficiente para durar um ano, portanto nesse meio tempo de trezentos e sessenta e cinco dias e seis horas, eu pretendo lhe ensinar todo o meu conhecimento em relação as minha técnicas, ou seja, a mamãe aqui vai ser a sua sensei. – Proferira Kushina esboçando um sorriso contente, apontando o polegar para si mesma.

— Isso é sério? – Indagou risonho. De imediato ele recebeu um aceno positivo de cabeça por parte da Kushina. – Isto é demais, dattebayo.

— Pelo que eu pude compreender, você herdou uma das minhas manias esquisitas, dattebane. – Ela levantou-se e caminhou até a estante mais próxima. – Antes que eu me esqueça, me desculpe por aparecer nos teus sonhos.

“Ah droga! Ela vai me denunciar mesmo, o gaki vai me infernizar”.— Proferira a Kyuubi.

— Eu pedi para que a Kyuubi implanta-se memórias falsas nos teus sonhos, assim você teria um motivo para vir há Uzushio, porém o critério do tempo seria estabelecido por ela. – Realizando uma sequência de selos, ela tocou a estante. A mesma logo se abriu.

“Que história é essa Kurama-chan?”.— Questionara o garoto. A raposa jazia dormindo. – “Não pense que está me enganando, fingindo que dorme”.— A Kyuubi para passar a ideia de que estava dormindo, até mesmo iniciou um ronco auto e deixou que a saliva escorresse pela sua boca. Desistindo de conversar com a raposa, o Uzumaki voltou toda a sua atenção para a sua mãe.

— Eu espero que você já tenha conhecimento do seu Hyouton. – A sua frente uma escadaria abriu-se. Ela chamou-o com a mão, e ambos desceram as escadas. O garoto afirmou que já havia despertado a hereditariedade sanguínea. Nogi os seguiu.

“Kukuku, alguns jutsu de Hyouton do Naruto já existem, eu implantei as memórias da execução deles nos sonhos do Gaki, haha”.— Rindo alto, ela percebeu que havia pensado sobre este fato e por sua mente também ser compartilhada com a do Uzumaki, o garoto pode ter conhecimento deste evento desconhecido. Isso somente ocorria entre eles, pois a ligação entre Jinchuuriki e Bijuu deveria ser grande, no entanto para se bloquear um pensamento ela deveria se concentrar, porém a preguiça era grande.

— “Kurama-chan! O que mais você esconde de mim?”.— Esbravejara o garoto, querendo saber todos os segredos que a Kyuubi escondia em relação a ele.

“Ainda não é a hora para isso Naruto, aliás toda a trilogia dos jutsus defensivos espaciais de Platão foram criados pela Kushina”.— Ela passou a ignora-lo e voltou a dormir. Esse acontecimento arrasou o garoto, pois ele tinha elevado o seu ego para enormes proporções, por pensar ter desenvolvido o tetraedro e o hexaedro de gelo.

— Muitos podem pensar que não, mas eu tive bons momentos com a Kyuubi. Em sua maioria o meu convívio com ela era pacifico. – Ambos caminhavam pelo corredor estreito daquele calabouço.

“E também o momento das chacinas”.— Resmungara a raposa.

Em certo ponto do caminho, ele se dividia em três, porém eles continuaram a seguir em frente. O corredor os levou ao centro da montanha nevada, seu interior era oco. Tendo uma cachoeira de água cristalina que cortava a caverna ao meio. A temperatura do local era agradável.

— Qual o nome dele? – Kushina fitou a raposinha e indagou.

— Nogi. – Disse simplesmente.

— Por sinal ele é muito bonito. – Ela se aproximou da raposa e o pegou no colo. Acariciando a sua pelugem branca, proferiu. – As técnicas que eu quero lhe ensinar, necessitam de um vasto controle de chakra e volume, pois não basta apenas ter muito chakra, você deve saber controla-lo e utilizar a quantidade mínima possível, para que posso aproveita-lo por mais tempo. – Aproximando-se da cachoeira ela disse com seriedade. – Algo oculto na história ninja não foi relatado, o nosso clã além de ter um vasto conhecimento nas artes mirabolantes de Kekkaijutsus e Fuuinjutsu, também utilizava a perícia no kendo como meio de luta. – Ela passou a andar sobre a água. – Veja o que você poderá fazer ao obter controle sobre o seu chakra. – Cerrando os olhos, ela se concentrou. O Chakra liberado pelos seus pés, se direcionou para a cachoeira, cortando o fluxo de água ao meio.

— Incrível! Sem nenhum selo de mão, a senhora foi capaz de interromper a queda d’água.

— Não quero demonstrar mais coisas do meu conhecimento agora, pois isso atrapalharia o andamento do seu treinamento. – Ela caminhou até a margem. – Agora eu quero que você faça o mesmo que eu fiz, mas é claro sem utilizar as mãos. Você tem até a minha volta para me mostrar um melhora significativa. – Kushina se dirigiu a saída daquele local.

— Aonde você vai okaa-chan? – O garoto caminhou sobre a água, introduziu o corpo no meio da queda d’água.

— Eu irei há vila mais próxima daqui, não se preocupe, em pouco tempo terei retornado. – Assim Kushina partiu, levando Nogi como acompanhante consigo.

...XXXXXXXXX...

A lua havia alçado voo no céu, as estrelas a acompanhavam, deixando a atmosfera escura num aspecto celestial.

O frio persistia em Konoha, assim como no continente ninja inteiro. De um lado para o outro ela movia o corpo, Hinata remexia-se inquieta em sua cama. Não conseguia dormir, os dias se tornaram mais longos e tortuosos para ela. A dor da perda afugentava o descanso diário que o seu corpo e mente necessitavam.

Cansada de tanto tentar dormir, ela levantou-se, fortemente agasalhada saiu de casa. Não sabia para onde iria e nem se importava, somente queria que aquela dor passa-se, apesar de saber que ela nunca sessaria, somente aprenderia a conviver com ela.

Após a morte de Naruto, a sua vida havia perdido o brilho. Neji e Hanabi preocupavam-se em demasia com a Hyuuga, tentaram ajuda-la diversas vezes, porém aquele que não quer auxílio, não pode ser ajudado.

Sua mente vazia, permeava o caminho de suas lembranças. Seus pés lhe trouxeram a floresta que rodeava Konoha. Subiu a pequena colina a sua frente, encontrando uma grande arvore em seu epicentro. Nesta arvore jaziam escritas de uma caligrafia horrível.

... Memórias 4° Ato ...

Quando criança, ela sempre ouvia rumores do garoto rejeitado por todos. O garoto cuja a índole não coincidia com a sua aparência, pois o mesmo segundo boatos era um demônio, no entanto as suas ações não condiziam com este fato, que era guardado a sete chaves pelos adultos.

Cerca de um mês atrás, o seu pai Hiashi sofreu uma grande transformação. Passou de um pai exemplar a um carrasco, sem mais nem menos, tornou-se um tirano.

Recentemente havia acabado de descobrir sobre a morte de sua mãe. Correu, correu o máximo que o seu corpo frágil de criança permitia. Todos a sua volta sentiam pena dela, a mesma não gostava daquilo, isso lhe trazia ainda mais sofrimento.

Caminhou muito, para enfim sair da vila. Andando pela floresta os seus ouvidos capitaram uma conversa. Pela distância as palavras chegavam indecifráveis a suas orelhas. A curiosidade aflorou os seus sentidos, então decidiu se aproximar. Afim de não perceberem a sua presença ela se escondeu atrás de uma arvore aleatória.

— Ei você! Eu quero que volte agora e peça desculpas para a minha okaa-sama! — Ordenara um garoto de cabelos castanhos, aparentava ter dez anos. – Por sua causa ela está chorando! – Enraivecido o garoto esbravejava. Ao centro de onde estavam existia uma árvore afastada de todas as outras.

— Eu não vou, não fiz nada de errado. – Pronunciara o pequeno Uzumaki de aproximadamente seis anos de idade. Nesta arvore jazia uma kunai cravada, onde o garoto a utilizava para treinar arremesso.

— Mas é claro que fez. Você derrubou o jarro onde as cinzas do meu Oji-san estavam. Isso é imperdoável! – O punho direito estava próximo a sua boca, as unhas cravadas em sua pele.

— Ninguém mandou ela deixar esse vazo na janela. Eu estava brincando de ninja quando passei e o derrubei sem querer, não tive a intenção. – Explicara o loiro. – Por isso eu não vou me desculpar. – Decidido ele finalizou.

— Eu já me cansei de você. – Seu punho se moveu em direção ao Uzumaki, lhe acertando uma direita em sua face. Ao cair no solo, o garoto de cabelos castanhos subiu em cima do loiro, passando a desferir golpes contra o seu rosto.

Naruto moveu o corpo para a direita, saindo do aprisionamento, se levantou rapidamente e golpeou o seu atacante com um chute no rosto, porém o mesmo desviou e voltou a soca-lo.

Hinata que presenciava a cena, não sabia o que fazer. Sentia-se fraca, uma inútil, então decidiu não interferir, pois pensava que apenas atrapalharia.

Cansado de tanto espancar o loiro, o garoto foi embora. Convencido de que havia vingado os restos mortais profanados de seu avô.

Vendo o agressor de Naruto longe, Hinata decidiu se revelar para ajudar o garoto, no entanto parou, ao ver que o Uzumaki se levantava.

— Um perdedor só serve para ser saco de pancadas, dattebayo. – Resmungara o garoto, limpando o sangue que escorria pela sua boca, assim como a sujeira em sua camisa branca. – A minha camisa nova está toda suja agora, maldito! Agora eu terei que lava-la, odeio isso. – Se dirigiu a arvore central, pegando a kunai ele gravou algo na arvore. – Serei forte, custe o que custar. – Em seguida partiu.

Hinata esperou o loiro se afastar o suficiente, então se aproximou daquela arvore. Olhando-a ela leu a escrita do Uzumaki. “
Um dia eu serei Hokage. Não importam os desafios, eu me tornarei Hokage, pois Uzumaki Naruto nunca desiste”. Aquelas simples palavras incentivaram-na a continuar. A superar os seus medos, a se tornar alguém forte. Aquelas palavras deram um novo sentido a sua vida. A partir daquele dia a pequena morena passou a observar os atos do loiro, espelhando-se nele, ela resolveu melhorar a si mesma.

...XXXXXXXXX...

— Nunca desistir! Seria isso o que você me diria, Naruto-kun? – Tocando a arvore, ela disse. As memórias agora se tornaram frescas em sua mente. – Certamente sim. – Em tom baixo, a Hyuuga proferia. – Então eu não desistirei! Serei forte, pois esse também é o meu caminho ninja!