Notas iniciais
I´m Back.

A porta bateu, denunciando a saída do escritor e de sua filha.

Agora o desconforto na pequena sala era maior. Enquanto Arthur guardava o mapa com a planta do hospital a detetive trocava mensagens com Esposito.

Pronta? – o menino olhava levemente intimidado para a detetive.

Por mais que ele soubesse que Nyck era igual a mãe nunca imaginou tamanha semelhança. Os cabelos castanhos lisos e volumosos que teimavam cair sobre o rosto, os olhos castanhos instigantes que pareciam gravar tudo a volta, a postura ereta e fechada digna de uma heroína misteriosa de um dos quadrinhos do menino e acima de tudo o que mais lhe intrigava era linda mania de mãe e filha de morder o lábio inferior, Arthur observou a detetive estático por mais alguns segundos e se arrependeu do mesmo depois de ouvir as próximas citações da detetive.

Sabe, sei que a semelhança é assustadora, mas Castle vai ficar com ciúme se você continuar me encarando deste jeito. – a detetive se permitiu brincar com o garoto.

O menino respondeu com um sorriso tímido seguido de um resmungo inaudível á detetive.

Por mais que eu adore seu senso de humor detetive, sinto lhe dizer que você não é a menina dos meus olhos. – Arthur percebeu que a mulher não ouvira seu desabafo e por um longo momento sentiu-se bem por isso.

Beckett agora verificava a arma e aguardava para ter uma distância segura entre as duas duplas, naquele momento ela tinha um único objetivo em mente.

Manter todos vivos.

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Pai e filha andavam calmamente pelo hospital seguindo as orientações de Arthur, porém sempre se mantendo atentos a tudo, os sons, os lugares, as pessoas.

O escritor estava levemente tenso e tentava disfarçar toda sua preocupação a cada passo em falso que a filha dava, a menina mancava levemente e arrastava a perna cada vez que a dor se alastrava, a cada novo passo a garota se xingava lentamente por não ter pego as muletas ao sair do quarto.

Por mais que no mapa o trajeto parecesse curto, para a menina os corredores pintados de branco pareciam não ter fim. Naquele momento sua mente era invadida por um turbilhão de pensamentos, ela sabia que a chance de serem pegos era grande e também sabia que um passo em falso poderia custar a vida de todos, mas o que mais a perturbava era saber que por outro lado eles poderiam conseguir sair do hospital salvos e isso significaria encarar sua família, seus pais, amigos, encarar Arthur e consequentemente ser forçada pelas circunstancias a dizer a verdade que tanto a atormentava.

A garota sempre apelara para o lado racional e tomou todas as decisões de sua vida baseadas na lógica, mas ali, diante de toda aquela confusão uma parte de si quis ouvir o que seu coração falava a tanto. Ver Arthur mais cedo e sentir o calor dos braços do garoto quando o mesmo a carregou até o hospital fez com que ela se sentisse segura e saber que ele estava lá quando a mesma acordou mostrou a ela que ele sempre esteve ali para ela e agora era a hora da mesma devolver o favor e salvar a vida do amigo.

Amigo. A esta altura do campeonato Arthur poderia considerar Nyck qualquer coisa menos uma amiga, ela mentiu, fingiu, escondeu e negou um milhão de coisas ao garoto sem nenhum aparente remorso e ela sabia que talvez no final de tudo aquilo ele não a perdoasse.

Ao chegar a porta do pronto socorro a menina gelou, parado bem próximo a grande porta de vidro estava uma figura a muito conhecida. Os cabelos curtos e negros aparentavam sujeira e oleosidade, a camiseta regata preta evidenciava os músculos ressaltados e a calça camuflada apenas completava o tão característico look de Jonhy.

A menina percebeu que Jonhy estava um tanto quanto distraído criando a oportunidade perfeita para escapar sem ser vista.

Pai. – A menina sentiu os olhos azuis cansados de seu pai recaírem em sua pessoa.

Perto da porta, com a calça camuflada. – Castle olhou rapidamente para onde a filha discretamente apontava.

Temos que passar por ele de qualquer modo, é a única saída. – a menina foi categórica quanto a isso.

Eu vou primeiro. Sei exatamente o que fazer. Conte até trinta depois que eu sair e saia também, não importa o que você ouça ou veja, não pare e muito menos olhe diretamente para mim. – Os pedidos da filha assustavam cada vez mais Castle.

Hm.... ok. – Foi tudo o que o escritor conseguiu proferir.

A menina deu uma última checada nos arredores e finalmente saiu andando em direção a porta de vidro.

Castle observou a garota se afastar. Ela era tão parecida com a mãe, tudo era exatamente igual, o balançar do cabelo, o olhar instigante, o levantar de sobrancelhas, a mania de morder os lábios e até mesmo a teimosia genérica que vinha no DNA de todo Beckett, porém o que mais assustava o escritor era a determinação que ambas compartilhavam, fator que em demasiada quantidade ele sabia que poderia mata-las.

O escritor começou a contar os segundos assim que a menina transpassou a porta de vidro, quando alcançou os combinados 30 ele seguiu na mesma direção passando de cabeça baixa e mente alerta pelo pronto socorro.

Castle desferiu alguns passos e facilmente localizou uma placa que indicava a saída, o escritor escorou- se na parede próxima a saída e observou escondido a filha.

A menina logo entrou no recinto e para surpresa de Castle ela aparecera agarrada a um homem alto e gordo como se ajudasse o mesmo a andar.

A menina passou despercebida por Jonhy já que o homem corpulento a cobria deixando-a fora da percepção assassina do traficante. Nyck falou algo para o homem a quem ajudara e depois caminhou rapidamente em minha direção.

Caminhamos até o pátio de ambulâncias, Nyck J estava alguns passos a minha frente, eu podia ver a determinação em seu caminhar, naquele momento tudo o que eu queria era voltar no tempo quando ela era um bebê indefeso e inocente, voltar no tempo e não permitir que ela conhecesse aquelas pessoas.

Senhorita Beckett? – Uma voz carregada de um sotaque forte saiu de dentro de uma da cabine de uma ambulância.

Olhei em volta à procura do dono da voz e me deparei com a imagem de um homem alto e magro de pele bronzeada e cabelos castanhos encaracolados.

Você deve ser o Dante. Como me reconheceu? – Nyck parecia particularmente interessada no espécime a sua frente.

Arthur me contou estórias sobre você menina, ele disse que era a menina mais extraordinariamente bela que eu jamais vira, não foi difícil te identificar. Entre na van, me diga o destino. Qualquer amiga de Arthur é minha amiga. – O homem completou abrindo a porta da van.

O escritor e a jovem subiram no veículo sem nenhum receio aparente.

Nós vamos para o 12º Distrito. – o escritor foi claro.

Mas combinamos que iriamos para a casa de Arthur. – a menina ressaltou deixando o motorista confuso.

Nem pensar! Eu e sua mãe combinamos que iriamos direto para a delegacia sem vocês verem, nós somos os adultos e nós damos as ordens, não daremos mais nenhuma chance de vocês armarem seus planos juvenis mirabolantes. – o escritor completou fazendo uma cara de repulsa.

Então... até o 12º Distrito. – Foram as últimas palavras proferidas pelo Brasileiro, aliás foram as únicas palavras proferidas em toda aquela viagem.

Notas finais
Como dizem: Say what you wanna say.