Desventuras de meio-sangues.
6 Uma garota mais doce que o mel.
Notas iniciais
Luke passou correndo pelo corredor. Por incrível que pareça, a área estava limpa. Aproveitando a chance, ele resolveu abrir todas as janelas, para o caso de uma fuga rápida. Depois, suspirou e esgueirou-se até alcançar a escada que levava ao último andar. Como ela era camuflada (Luke é muito bom com portas escondidas) Luke poderia observar tudo, sem ser visto. Ali, bem acomodado, ele apurou bem os ouvidos.
– E então? – Perguntou uma voz feminina, ácida. O filho de Hermes concluiu que só podia ser Lili. – Achou a pirralha?
Um monstro grunhiu.
– Não senhora. – Aquela voz já era um pouco mais grossa e masculina.
Descendo mais um degrau da escada, Luke pode ver com clareza o que estava acontecendo. O cheiro de parede recém-pintada tomava conta da casa toda, o que deveria esconder seu cheiro. Quando viu os monstros seu coração gelou: Uma “coisa” que só poderia ser parente de dragões, olhava fixamente para o chão. Era vermelho. Parecia espinhento e áspero, como as placas de um corpo de crocodilo. Seus olhos pareciam em chamas Mais não qualquer chama; Um incêndio. Então, o filho de Hermes notou o que deveria ser Lili.
Era horrenda: Usava uniforme de líder de torcida. Seus cabelos eram de fogo. O rosto era belo e claro, com as feições bonitas, o que contrastava com as pernas. Uma era completamente peluda e a outra parecia ser de algum metal valioso.
Luke viu vários outros monstros. Uns tinham apenas um olho e eram gigantescos. Eram aproximadamente sete monstros, de espécies diversas.
Então, o loiro se assustou. Então viu que Thalia estava do outro lado da sala, na entrada de ventilação de ar. Se Lili se virasse, a filha de Zeus teria sérios problemas.
Thalia fazia sinais com as mãos. Apontava para o bolso do casaco. E depois para a orelha. Só então, ela tirou um telefone celular de lá.
***
Ou Thalia era completamente ruim em mímica, ou Luke era terrivelmente burro. Eu havia feito uma pequena chantagem contra Hefesto. Sabe, acho que Afrodite não pode ter tudo o quê quer. Apesar de ser a mais bela, eu sou a mais inteligente. Íris me contou que Hefesto não ama a esposa. Com certeza, a beleza não é tão importante quando a pessoa enxerga o quê há por dentro e não a aparência.
Acho que estou meio sentimental hoje.
Voltando ao quê interessa...
Cada um dos telefones estava conectado com o número do outro. Se você não entendeu ainda, eu pedi ao deus Ferreiro fabricar aqueles celulares, com uma tecnologia que não atraísse os monstros.
• Um fato muito agradável •
O celular de Luke tinha um telefone de um lugar especial... Um correio pra ser devidamente específica.
O de Thalia tinha o telefone da antiga casa. Eu sabia que, mesmo não tendo um bom relacionamento com sua mãe , ela á amava. Nunca entendi muito bem esse relacionamento entre mortais. Não importa o quanto achem repugnante, o quanto odeiem. Eles sempre tem um pontinho de amor lá no fundo.
No começo é apenas um pontinho. Um inseto não muito querido, mordiscando a raiva. E com o tempo, vão começando a se suportar. Até começarem a se amar. É uma coisa realmente diferente que ninguém percebe. Só com o tempo.
O fato, era quê, Thalia, com um raciocínio maior que o de Luke, sacou de cara o objetivo do presente. Apertou o botão e começou uma chamada.
– Alô? – Luke atendeu, após ter o celular vibrando por alguns poucos segundos. Estava confuso, mais sabia que não era hora pra perguntas. – Olha, eu...
– Castellan, Ande logo. Precisamos de um plano.
Silêncio.
– Há. Você quis dizer... Eu bolo o plano e você exerce.- Resmungou ele, tentando a desligar na cara da garota.
– Bom, o plano é o seguinte...
***
– Luke, eu vou te matar. – Thalia disse, enquanto encarava os cabos elétricos.
– Vai dar tudo certo, Thata. – O filho de Hermes disse, com a voz distorcida pelo telefone.
Ela pensou.
Aproximou se do fio de eletricidade.
O choque mordiscou os dedos dela. Thalia concentrou-se o máximo que pode nas coisas ao seu redor. O celular de última geração. Janelas. A entrada de ar. Um pequeno cubículo, onde a eletricidade era gerada. Mordiscou violentamente o próprio lábio, tentando não arrancar a pele fora.
E então aconteceu.
• Um pequeno espetáculo protagonizado por Thalia Grace •
Uma explosão com grandes proporções. O pequeno quarto onde Thalia se escondeu foi chamuscado. As mãos dela estalavam de energia. O sorriso que se seguiu a isso foi quase maníaco.
A garota deu um pontapé na porta e encarou a sala repleta de monstros. A tal Lili, líder de torcida a olhou maliciosamente, como se Thalia fosse um prêmio que ela quisesse arrancar a cabeça e exibir como um troféu. Uma coisa que eu não duvido.
– Thalia! – Luke parou ao lado dela e lhe deu uma cotovelada amistosa.
A garota o empurrou para trás, erguendo as mãos e fazendo eletricidade jorrar pra cima dos monstros. Se Luke não estivesse no chão, teria sido eletrocutado. Depois de alguns minutos, só havia poeira sobre o chão.
– Bem – Luke pousou a mão alegremente sobre o ombro da garota. – Meus planos nunca falham.
***
Depois de terem trocado de roupas, os dois se deixaram cair de joelhos, devido ao cansaço.
– Lia? – Luke sussurrou, ainda ofegante.
–Oi? – Ela olhava para as próprias mãos.
• Uma conversa •
–Tenho um presente pra você.
–Sério? O quê seria?
–Feche os olhos.
Thalia fechou as íris azuis. Luke tirou uma lata de spray do bolso e a depositou na pala da mão da garota.
– Pode abrir. – Sussurrou Luke no ouvido dela, tentando conter um sorriso.
A garota sorriu ao olhar o conteúdo em sua mão. Quando isso aconteceu, Luke observou uma coisa nova surgir entre os cabelos de Thalia.
• A surpresa dupla •
Uma mecha azul surgiu entre as mechas da franja de Thalia.
Não muito satisfeito com aquilo, Luke a puxou pela cintura, e uniu os lábios dos dois.
Depois que se separaram, Thalia apertou o Spray. Uma lança elétrica se expandiu diante de seus olhos.
– Achei lá em cima. – Luke confidenciou.
***
Enquanto Luke explorava a casa, Thalia espichou-se no sofá. Então, seus olhos viram uma escrivaninha cheia de papéis e com alguns lápis e canetas.
Caminhou até lá em passos largos. Seus dedos agarram o lápis e os papel.
Pra passar o tempo, ela resolveu que o melhor seria desenhar. Acabou com dois autorretratos e um desenho de um jardim de flores negras. Eu até te mostraria, mas coisas mais importantes aconteceram depois.
Luke apareceu. Tinha a expressão aborrecida.
E segurava uma garota.
– Olá – Thalia sorriu para a menina de cabelos cor de mel que Luke empurrara para o chão.
– Não fale com ela – Luke resmungou. – Estava nos espionando.
A garotinha se levantou e o empurrou para trás, exalando um ar sarcástico.
– Oi, senhorita Grace. – A menina sorriu para Thalia. – Eu sou Mel Witner, mas você pode me chamar de Melanie.
– Seu apelido não deveria ser Mel? E o nome Melanie?
– A não. – Melanie sentou-se no sofá ao lado de Thalia. – Acho muito interessante falar assim.
Quando a pequena garota sentou-se ao seu lado, Thalia pode perceber alguns detalhes sobre ela.
•Alguns Dados sobre Melanie Witner •
Ela aparentava ter oito anos, mas exalava uma aura de inteligência natural. Seus olhos tinham uma estranha cor: Eram Verdes e ao mesmo tempo cinzentas. Não posso falar tudo que sei sobre ela, pois creio que você saberá mais nos próximos capítulos. O fato é que ela é uma garota extremamente inteligente.
– Luke – Thalia o encarou severamente. – Você encontrou a garota e ainda não ofereceu nada há ela?
– Não. – Luke respondeu sorrindo. – Fiz mal? – Sorriso desapareceu.
– Não sei dizer – A filha de Zeus deu de ombros. – Gosta de coxinhas? – Perguntou a Melanie.
– Eu raramente como comida mortal. Mais eu tenho ambrósia. Isso serve para os senhores? Aliais, vocês ainda não se apresentaram. Luke e Thalia, não é? Creio que sim. Vocês parecem famintos? Eu só tenho um pouco de ambrósia e néctar que tio Apolo deixou aqui... Hm... Creio que vai servir para todos nós. Andem, venham comigo!
Ela falava muito e muito rapidamente. Os dois só poderiam segui-la, de qualquer forma.
– Ela tem alguma relação com os deuses – Cochichou Luke
– Também acho – Thalia disse, mantendo o olhar em Mel. – E provavelmente com dois deuses. Olhe aqueles olhos! Cinza com verde... Ela me lembra de alguém.
– Concordo. O verde... O nome daquele verde me lembra de algo. Será verde abacate?
– Um deus chamado abacate?
– Pode ser limão – Luke deu de ombros. – De qualquer forma, vamos segui-la. Falante do jeito que aparenta ser... Vai acabar nos contando.
Thalia concordou e os dois caminharam corredor adentro. Coitados... Nem sabiam que estavam indo ver seu primeiro deus em pessoa.
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