Destiny Clock
15 Toda a ação tem uma reação
Notas iniciais
Mais tarde, naquele mesmo dia, Quinn deixou sua pequena em casa e seguiu em direção a sua perdida em pensamentos. Ao estacionar o carro na garagem, soltou suspiro frustrado e desanimado. Infelizmente, os dias de sossego estavam chegando ao fim, pois seu pai estaria de volta no dia seguinte.
A loira balançou a cabeça para os lados e espantou tais os pensamentos ruins, decidindo assim aproveitar o presente ao máximo e se preocupar com o futuro somente depois. Se for para viver de lembranças que sejam boas e se for para temer o futuro, que o presente seja aproveitado sem receios.
Porque águas passadas não movem moinhos.
Ao entrar em casa, como de costume sua mãe estava na cozinha. Judy estava distraída com algo, que deixou no forno e ao ver sua filha abre um lindo sorriso.
— Como foi seu dia, bebê? — Judy pergunta carinhosamente a sua filha, abraçando-a e plantou um beijo na testa dela.
— Foi produtivo mãe – Quinn murmura desanimada como resposta.
— O que houve? — Judy se afastou lançando um olhar preocupada a loira.
— Não foi nada – Deu de ombros — Só que me lembrei, que Russell volta amanhã para casa — Quinn forçou um pequeno sorriso, que mais saiu como careta.
— Quinn, você me escondendo algo. Não é só isso — Judy insisti, pois conhece sua filha e sabe que não é esse o motivo.
—Eu voltei para Glee — Quinn comenta mostrando animo e desviando a atenção da sua mãe daquela conversa indesejada.
— Fico feliz com isso, filha. Então, a verei no próximo campeonato? – Judy indaga feliz com a novidade e na expectativa de rever a filha brilhando enquanto canta sobre um palco novamente.
— Bem... – Começou a dizer sem realmente como explicar a situação — Para falar a verdade não – Quinn recebeu um olhar confuso e questionador da mãe — O pessoal do coral me aceitou, mas não passamos para Nacionais porque não competimos, por falta de alunos. Então, ofereceram uma oportunidade de competirmos se eu não participasse. Bom, eu aceitei isso – Explicou dando de ombros.
— Como assim aceitou? Por que fez isso? – Sua mãe perguntou perplexa e começando a se irritar.
— Isso faria bem a todos e tive culpa na situação toda, mãe. Porque eu sai na primeira vez em cima da hora e não podemos competir. Agora, recebemos uma oportunidade. Nada mais justo – Quinn declara determinada e firma na sua decisão, porém ainda triste.
— Eu entendo filha, mas por que essa carinha? — Judy se aproxima novamente e a puxa para outro abraço de urso.
— Porque fazer o que é certo nem sempre é fácil e eu não posso mostrar quão estou chateada. Pois, Rachel não aceitou bem o que eu fiz, mas falei que estava feliz com a decisão. Ela queria que eu recusasse, pois Shelby iria mudar — Quinn foi interrompida por sua mãe.
— Shelby Corcoran? – Judy questiona de olhos arregalados e surpresa.
— Sim – Afirmou- E ela é...- Quinn pensou se deveria contar.
— A mãe biológica de Rachel — Judy completou.
— Sim. E Rachel acha que ela me escolheu para afeta-la. E ter um confronto pessoalmente, assim elas conversariam — Quinn disse terminando de contar tudo ou quase tudo.
Pois dizer para a própria mãe, que quase perdeu a virgindade no banheiro não seria uma coisa legal.
— O que acha de subir e tomar um banho? Quando descer, tem bolo no forno — Judy sugeriu carinhosa.
A loira deixou um beijo em seu rosto e subiu correndo. Mas, uma coisa seja dita, uma mãe com raiva é perigo demais. Porque são nessas horas que chinelos criam GPS e acertam cabeças no alvo. E Judy Fabray estava com raiva, pois mexeram com sua filha.
Judy se arrumou e pegou seu carro, saindo o mais rápido possível.
O caminho já era conhecido, em uma cidade pequena em que todo mundo se conhecem e tudo fica perto, dificilmente se perderá. E o que não conhecem os vizinhos falam ou melhor dizendo, fofocam. A sorte parecia estar ao seu lado, pois o carro estava em casa. A bela loira desceu do carro a passos rápidos e determinados, bateu na porta com força exagerada. Alguém dentro da casa resmungava por sua porta estar sendo vítima de brutais batidas.
A porta se abriu abruptamente e as duas mulheres se encaravam, não havia surpresa no rosto moreno ao ver quem estava no lado de fora. Apenas, um sorriso de canto, que ela estava controlando pra não ser obvio.
Entretanto, a raiva estava saindo do olhar da loira mais velha, quando ela olhou o rosto que a tanto tempo não via, soube que Rachel estava enganada. Não foi pra provocar a filha, mas ela. E o sangue lhe subiu a cabeça e sem pensar muito deu um tapa no rosto de Shelby.
— Você tem que parar de me bater, toda vez que me vê — Shelby falou de modo brincalhão. Por mais, que o tapa tenha doido como inferno ela não ia mostrar isso para a mulher em sua frente.
— Você — Judy avançou querendo dar um outro tapa nela, mas Shelby foi mais rápida.
Segurou suas mão e a puxou para dentro, fechando a porta atrás de si com um chute.
— Sem violência Juh – Shelby pediu diminuindo para um tom rouco e baixo — Velhas amigas. Lembra? — Ela encostou a senhorita Fabray contra a porta.
— Não sou sua amiga. — Judy cuspiu as palavras com raiva e se debateu para sair do agarre firme, porém foi inútil sua ação.
— Eu te deixei uma carta. Você sabe que eu precisava ir — Shelby a solta e se afasta, para tentar se controlar.
— Você só pensa em si — Judy queria ferir a morena, se não fosse fisicamente seria emocional.
— Eu pensei em todos, menos em mim — Ela sussurra e as lágrimas já se acumulavam em seus olhos.
— Tem certeza? — Judy sorrir irônica — Não foi o que achei.
— Você não sabe o que aconteceu – Shelby se defende e tenta argumentar.
— E nem quero saber — Judy a corta friamente e com os olhos duros — Quero apenas que pare, com que pensa está fazendo. Deixe minha família em paz e isso inclui sua filha também.
— Irônico isso, né? — Shelby recompôs inabalada sua máscara de antes e se sentou no sofá — Nossas filhas predestinadas a ficar juntas. O destino é mesmo maldoso. Não acha? – Pergunta retoricamente e amargura em sua voz era forte.
— Não me importa o destino. Apenas, quero a felicidade delas e irei lutar para que isso aconteça — Judy retrucou ríspida — Você sabe o que tem que fazer.
— Desculpe desapontar senhora Fabray, mas não basta tapa e umas palavras que fará eu mudar de ideia – Corcoran lhe respondeu determinada — Se aceitar minha proposta. Eu coloco sua filha na competição e vou apoiar elas. O que acha?
— Qual proposta? — Judy perguntou receosa.
Proposta com Shelby, não era uma coisa nada boa. Seria como vender a alma ao diabo e esperar que nenhuma consequência negativa nunca surgisse. O que obviamente jamais aconteceria. Toda ação tem uma reação. Ela sabia como manipular tudo e a todos ao seu redor. Um acordo e ela se veria em torno de vários acordos.
Era como um emaranhado de ações e consequências.
Longe dali certa morena estava fazendo planos. Ela não poderia deixar barato o que sua ‘’mãe’’ fez. Rachel sabia que tinha prometido para Quinn, que não iria confrontar sua mãe, então, ela iria apenas ter uma visita amigável. Às vezes, enganar a si mesmo faz, com que a própria consciência pare de alertar o quanto esta errado.
Ela jantou com seus pais como de costume e falou por cima como foi o dia. Subiu para o quarto dizendo que iria dormir mais cedo, porém saiu escondida pela porta dos fundos enquanto seus pais namoravam distraídos na sala.
O frio que estava no lado de fora a recebeu, encolhendo-se em suas roupas pensou que deveria ter vestido algo mais quente. Entretanto, não deixou que esses pensamentos a fizessem mudar de ideia. Caminhou até o final da rua aonde tinha um ponto de ônibus.
Quando, estava chegando perto um carro parou ao seu lado e o medo começou a fazer, com que a morena andasse mais rápido. As batidas do seu coração eram tão forte, que ela achou que poderiam ser facilmente ouvidas. No momento, que o vidro abaixou ela quase soltou um grito, mas quem iria escuta-la?
A rua estava vazia.
— O que faz uma hora dessas na rua Rachel? — O dono da voz ou melhor a dona da voz fez com que a judia respirasse aliviada — A oitava anã da Branca de Neve perdeu a voz?
— Nunca pensei em dizer isso, mas fico feliz em te ver – Rachel confessa colocando as mãos nos joelhos e respirou fundo – Mas, maldição Lopez não pode ficar assustando as pessoas assim — A Diva agora resmungava.
— Se não andasse na rua essa hora. Você não levaria susto – Santana retruca dando uma risadinha do mal.
— Não vou perder meu tempo com você — A Judia saiu brava e continuou andando.
— Entra no carro anã. Eu te levo aonde quer ir — Santana saiu do carro e ficou de frente a Rachel.
— Vou pegar um ônibus, não precisa. — Rachel falou relutante.
Santana nunca foi amigável com ela.
— Se Quinn souber que deixei você andar sozinha ela me mata e olha que não sei o que vocês tem. Mas eu sei que tem algo — Santana falou sincera.
Rachel não falou nada, apenas acenou a cabeça e entrou no carro. A latina suspirou. Nem entendia direito o que estava fazendo. Mas, sentia que deveria ajudar Rachel e não era por sua amiga apenas.
No carro permaneceu o silêncio, depois que a morena falou aonde iria. Isso estava se tornando um incomodo.
— Por que vai falar com ela? — A latina quebrou o silêncio.
— Por causa do absurdo da proposta, irei negociar — Rachel lhe respondeu incerta.
— Eu soube do que aconteceu e isso me admirou muito, por Quinn ter aceitado. Aprendemos a nos proteger, nos colocando a frente de todos — Santana falou numa voz nostálgica — Sei que isso possa soar egoísta, mas a vida nos ensinou muito cedo a ser assim.
E depois dessas palavras, o silêncio reinou no carro. Rachel sabia que era pessoal o que Santana falava e pela forma que isso afetou a latina sabia que deveria ficar quieta. Por mais, que a curiosidade roesse por dentro, ela teria que esperar o momento certo. Finalmente, o carro para e ela olha para casa, que tinha a luz acessa. Respira fundo e antes de sair do carro sussurra um obrigado.
Seu coração a acelerava a cada passo.
Ela se virou e acenou para Santana. Quando, o carro foi embora Rachel bateu na porta, que foi aberta rapidamente.
São nesses momentos que se enfrenta o medo e coloca uma máscara, mostrando o verdadeiro significado da palavra força. Pois, sabe-se que isso é preciso para proteger quem se ama.
Como fora tido por Deus sabe quem. Toda a ação tem uma reação.
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