Destiny Clock
16 Verdade
Notas iniciais
A porta foi aberta.
Rachel encarava sua imagem mais velha parada na sua frente com uma expressão neutra. Shelby se afastou e deixou a pequena entrar. Elas não quebraram o silêncio até estarem sentadas no sofá e encarando-se.
— Só peça. — A voz de Shelby transmitia o quanto estava cansada, mas intimamente feliz por sua filha estar na sua casa.
— Quero que você volte atrás da sua proposta. — Rachel exigiu séria.
— Você não quer que eu coloque vocês na competição, é isso? – Shelby questiona fingindo que não entendera o que sua filha exigira, pois queria que Rachel falasse.
— A sua proposta para competirmos. Quero que a Quinn participe, porque isso não é justo — Rachel murmurou firmemente e sem medo de enfrentar, Shelby.
— Está bem. — Corcoran concordou como fosse algo simples e deu um sorriso indecifrável.
— Só isso? — Rachel perguntou surpresa e arqueou uma sobrancelha descrente.
Afinal, aquela mulher já provou várias vezes que nunca foi confiável.
— Você esperava o que exatamente? — Shelby perguntou fingindo-se de confusa e tentando controlar, que seu sorriso torna-se mais largo.
— Não sei. – Deu de ombro — Uma outra proposta? — Rachel perguntou mais para si própria do que para sua mãe.
— Quer que eu te faça outra proposta, Rachel? — Shelby pergunta com um sorriso misterioso.
— Não! — Rachel responde rapidamente.
— Acho que você me deu uma ótima ideia — Rachel a olha assustada — Não é nada demais.
Sem dizer mais nada, Shelby liga para alguém e sussurra poucas palavras, desligando o celular em seguida com um sorriso no rosto bonito. Se levanta e volta pra sala com dois casacos.
— Vamos? — Entrega um casaco para a filha.
Rachel franzi a testa.
— Aonde vamos? — A morena pergunta confusa e fitando a mãe com um olhar desconfiado.
— Sair – Shelby responde sem dar mais pistas e pega as chaves do carro em cima da mesa, segue para entrada — Coloque o casaco porque está muito frio para andar só com essa blusa – Mandou apontando para a blusa da morena ainda estática no meio da sala.
Rachel pensou em dizer que não ia a lugar algum com ela, entretanto, sua curiosidade venceu e seguiu a mais velha.
[...]
Nas mansões Fabray, Judy chegou transtornada e depois de muitos anos, ela se dirigiu ao escritório para beber algo. Sentada na poltrona com um copo de Whisky na mão e olhando para o nada, sua mente traiçoeira voltou para o passado.
Frannie tinha 7 para 8 anos, quando Russell entrou em casa todo feliz. Era rara ás vezes que o via assim, pois se casaram tão jovens. Ela era uma jovem boba, que acreditava em amor à primeira vista, e foi assim que aquele rapaz de 18 anos a encantou com apenas 14 anos. Por Deus, como era ingênua. Aos quinze se casou, pois estava grávida de Frannie e com pais conservadores foi a única solução aceitável.
Depois que teve Frannie e Russell assumiu as financias da família dela, tudo mudou. O rapaz carinhoso e cortejador, tornou-se ausente e frio. Foi tarde, quando percebeu as reais intenções dele. O maldito queria apenas o dinheiro fácil da família e um sobrenome conhecido no grande mundo financeiro.
— Por que a alegria papai? — Frannie perguntou inocente e feliz com sua nova boneca.
— Um novo sócio! E para agradarmos eles, você e mamãe terão novas atividades filha! — Russel respondeu olhando para a esposa, com um sorriso sarcástico nos lábios.
— Que tipo de atividades? – Judy indaga receosa.
— Você sabe tocar piano e pode dar aula no centro comunitário para aquelas pessoas faveladas. E tem uma jovem, que meu cliente acredita ser talentosa e ter futuro promissor. Você vai ajudá-la — Russell falou com olhos brilhantes de malicia — E Frannie pode fazer balé e outras aulas.
— Vai ser legal, papai — Frannie pulava de alegria e totalmente alheia as verdadeiras intenções do pai.
— Vocês começam amanhã — Ele comunicou no tom de que não haveria mais nada a discutir ou algum tipo de recusa de ambas.
E foi nesse momento que a vida dela mudou completamente.
Com quase 23 anos, conheceu Shelby Corcoran uma adolescente de 16 anos. O talento que ela demonstrava de uma grande atriz era impressionante mesmo com tampouco idade. Ela se destacaria não só pela beleza, mas assim como a voz perfeita e a postura de menina mulher sempre chamava a atenção por onde passava.
Shelby se apegou a pequena Frannie em pouco tempo. Russell e seu sócio amavam ela, então, tornou-se comum ela visitar a casa de Judy com o passar do tempo. Sempre dedicada aos estudos e aulas.
As visitas eram frequentes, agora com 17 anos Shelby chamava mais atenção, Judy se sentia orgulhosa de sua aluna, mas o que estava a irritando, era ver o olhar do seu marido para a mais nova. No decorrer do tempo, ela notou o olhar estranho de sua aluna ao ver a maneira que Russell tratava ela, transmitia ciúmes em seus olhos.
Foi nessa época, que começou a infidelidade de Russell. Os trabalhos extras até mais tarde, marcas de batons nos colarinhos das camisas e cheiro de perfumes baratos femininos. E um dia Judy reconheceu o cheiro de uma fragrância cara. A sua fúria foi associar o perfume a pessoa, que era de sua extrema confiança, a mesma que estava se deitando com seu marido como uma qualquer.
Era ela.
Pegou o carro e foi rumo aonde a encontraria. Bateu na porta irritada e pronta para colocar meio mundo ao chão. E quem a procurava a olhou com espanto ao ver la em sua porta.
— Juh? — Shelby abriu um sorriso alegre, que durou até poucos segundos, pois Judy acertara seu rosto com um tapa violento.
— Nunca mais me chame assim, você me traiu – Gritou exasperada e já em prantos...
— Mãe?! — Quinn interrompeu seus pensamentos, aparecendo repentinamente e a assustando — A senhora está bem?
— Sim filha. Só estava lembrando de algumas coisas – Desconversou — Pode subir e dormir, que daqui a pouco eu vou também — Disse carinhosa para ela.
— Que tal dormi comigo hoje? – Quinn pediu fazendo manha e biquinho fofo.
Sua mãe riu e concordou sem pensar duas vezes.
Ela faria qualquer coisa por sua pequena menina.
[...]
Entretanto, algumas quadras dali uma morena não dormia tão bem porque seu dia fora agitado demais. Eram muitas informações, que recebeu em uma única noite.
O que ela faria? Deveria acreditar no que escutou?
Eram perguntas sem respostas naquele momento.
Deixando essas preocupações de lado por um curto espaço de tempo, ela se permitiu ir para os braços de Morfeu.
Foi a primeira vez depois de anos, que a pequena judia não acordou cedo. Seu sono foi agitado e seu humor foi afetado drasticamente. A pequena se arrastou para se arrumar, colocou uma calça preta justa, uma blusa cinza larga por cima, um All Star preto e uma touca cinza.
Saiu de casa determinada.
Seus pais a olharam e ficaram surpresos. Mas eles sabiam, que tinham que dar espaço para sua estrelinha.
Ao chegar na escola, foi a grande sensação. As pessoas tinham a audácia de perguntarem quem era ela. Rachel evitou a todos, até esbarrar numa certa loira, que a olhava alegremente.
— Você está diferente — A loira comentou e abriu um largo sorriso.
— Isso é bom Britt? — Não era possível ficar brava perto de Brittany.
— Sim. Você está linda assim também — Ela falou inocente e isso fez Rachel olhar para os lados — Fugindo de alguém?
— Não. Eu tenho que ir. Até Britty – Se despediu e continuou andando pelo o corredor.
Ferrou, pensou ao ouvir uma voz conhecida.
— Rachel — Finn a chamou e correu para parar na frente dela.
— Oi Finn — Ela tentou sorrir, mas pareceu mais uma careta de desagrado.
— Eu queria saber se quer ir ao beadrix hoje? — Finn perguntou coçando a nunca e seu sorriso charmoso.
Antigamente, esse convite faria bem ao ego da judia e ela aceitaria, mas hoje não era algo que agradava.
— Desculpe Finn. Tenho compromisso — Ao ver o rosto triste do garoto — Quem sabe outro dia.
Ela saiu andando. Quem ela procurava estava distraída em seu armário.
— Precisamos conversar — Rachel murmura séria para Quinn.
— Logico — A loira olha surpresa para a pequena, mas fica preocupada pela postura dela — Aconteceu algo?
A judia, apenas a puxa pela a mão até chegarem ao um lugar calmo, sem ninguém para atrapalhar elas. Fica de frente a Quinn e a encara nos olhos.
— Você sabe que odeio mentiras — Rachel fala calmamente e Quinn apenas confirma com a cabeça — Sei que falei que iria esperar seu tempo, mas eu preciso saber — Rachel enfatiza a importância do assunto.
— Saber o que Rachel? Esta me preocupando — Quinn começa a ficar ansiosa.
— Quem te machucou? Ou aonde se machucou? — Rachel perguntou analisando a postura da loira, a tensão que seu corpo transmitiu e o medo em seus olhos Rachel sabia que estava entrando no assunto delicado.
— Não posso — A voz de Quinn falha, lágrimas se acumulam em seus olhos, ela não conseguiria mentir.
— Me diga aonde — Rachel transmitiu carinho em suas palavras, segurou a mão da mais alta — Confie em mim, Quinn.
— Foi quando cheguei em casa, eu fui pega de surpresa. Acordei com minha mãe me cuidando – Quinn revela se sentindo vergonhada e frágil ao falar do assunto.
— Foi seu pai, não foi?! — Era para ter soado como pergunta, mas era mais uma afirmação.
E pelo medo nos olhos de Quinn, Rachel já não precisava de uma resposta. Ela abraçou a loira fortemente, como se naquele abraço pudesse curar todas as feridas que existiam.
Nesses momentos podemos pensar, um abraço pode fazer realmente a diferença? Pode curar as feridas? Ou é algo desnecessário? Deveria usar palavras ao invés de um abraço?
O celular da morena tocou, sinalizando uma mensagem. A morena apenas leu e respondeu rapidamente.
" É verdade."
Poucas palavras, mas com um grande significado. Esse era apenas o começo do que viria pela frente.
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