Destinos Traçados

2 Um dia normal de trabalho... ou não


Notas iniciais
***************************************************************************** * Yay * Tudo bem com vocês? * Cá estou para postar mais um capítulo dessa Fanfic * Espero que gostem * Obrigada por ler * Boa leitura ****************************************************************************

60 anos atrás...

Me olhei no espelho, para aqueles cabelos cacheados louros, para meus lábios finos, minhas bochechas rosadas e para meus olhos azuis. Eu era muito parecida com a Marilyn Monroe, muitos até brincavam dizendo que eu era uma irmã perdida dela.

Peguei minha pasta de cima da cama e abri a porta do meu quarto. Senti um forte cheiro e café moído e segui para a cozinha onde encontrei minha mãe. Felicia era o nome dela.

– Bom dia filha.

– Bom dia mãe.

Me servi de uma xícara de café.

– Trabalha até tarde hoje?- minha mãe perguntou se sentando na minha frente.

– Talvez a Dona Rosie vá precisar de mim sim até mais tarde.

– Ok. Tome cuidado quando voltar, estão dizendo que tem um novo assaltante pelas ruas.

– Pode deixar mãe.

Ouvimos o choro da minha irmã menor vindo do quarto da minha mãe.

– Eu vejo ela- falei me levantando.

– Nada disso Molly. Eu vejo a Mindy e você trate de ir para a escola. Não quero mais nenhum aviso de atraso.

Vi minha mãe limpar as mãos no avental e sair em disparada para o quarto dela.

Minha mãe sempre foi uma mulher forte. Mesmo depois do meu pai ter sido recrutado para a Guerra e sempre estava em missão. Nós o viamos um, talvez dois meses ao ano. Mas eu já tinha me acostumado com isso e pelo visto minha mãe também.

Peguei minha pasta e me dirigi até a porta da frente.

Assim que pisei o pé na rua senti um raio de sol atingir meu rosto, coloquei a mão sobre a minha testa na tentativa de fazer um pouco de sombra para meus olhos claros.

Começei a caminhar para a escola. Dobrei a esquina ao mesmo tempo que uma scuter preta que vinha a toda velocidade passou por cima da lama no canto do meio fio da calçada, jogando lama na barra da minha saia rosa e dos meus sapatos.

– Seu idiota!- gritei para o garota da Scuter.

– Desculpa ai gatinha- o garoto de jaqueta de couro que dirigia a Scuter preta se "desculpu" com um sorriso maroto no rosto.

Era o Cameron. O garoto mais popular da escola. Todas as garotas sonhavam com ele.Menos eu. Eu o conhecia muito bem, quero dizer, o conhecia até os seis anos dele que foi então que a familia dele se mudou para outra cidade. Mas agora eles tinham voltado já ia fazer três anos.

O Cameron havia mudado. Havia se tornado um galinha. Um galinha de jaqueta de couro e óculos escuros. Apesar de ele ser um galinha eu adorava os irmãos menor dele: Ted e Johnny os quais eu cuidava ás vezes quando a mãe do Cameron saia a noite e ele estava ocupado demais em discotecas.

Pelo o que eu sabia o pai dele também havia sido recrutado, alguns anos antes do meu pai.

Passei pelo portão da escola furiosa com o que ele tinha acabado de fazer.Entrei na minha sala e me sentei na classe ao lado da porta.

A Rosa e a Luisa, minhas amigas entraram logo em seguida. A Rosa sentou ao meu lado e a Luisa atrás.

– O que aconteceu com você? — A Rosa perguntou boquiaberta olhando o estado da minha roupa.

Olhei para a Rosa.Não sei porque ela andava comigo. Ela seria perfeita para a lista da Sra.Dall, uma perfeita candidata de sorriso feroz e olhos sonhadores. Rosa era daquelas garotas de tirar o folego , cabelos lisos e louros, olhos verdes mas tão verdes quanto a grama do verão, seus lábios carnudos pintados levemente de rosa e uma moça de uma família de dinheiro.

– O idiota do Cameron passou com aquela scuter na lama e me sujou. — Falei passando a mão pela barra da minha saia.

– Vai trabalhar hoje? — A Luisa perguntou mexendo a ponta do cabelo com um lápis.

– Vou, até tarde. — Falei me virando pra ela.

– Pena, vamos ir na discoteca hoje.

– Em plena terça-feira? — Perguntei olhando para os olhos castanhos claros dela.

– Sim. Iamos te convidar, mas pelo visto não vai dar.

– Talvez na próxima.

– Molly, você está falando isso já faz duas semanas. — A Rosa falou abrindo a pasta dela.

– Eu sei, só que tenho que ajudar a minha família.

As duas se entreolharam.

– Me desculpe — A Luisa falou.

Fingi não me importar. Mas na verdade eu me importava. E muito. Todos iam para a discoteca enquanto eu ficava em casa cuidando da Mindy, trabalhando até tarde ou cuidando do Ted e do Johnny.

Eu ia perder minha juventude, não teria histórias para contar parar meus netos e nem aventuras.

– Vocês tiveram noticias do seu pai? — A Luisa perguntou.

– Não. Já faz três semanas que não recebemos nem uma carta.

A professora entrou na sala.

– Depois a gente conversa. — Falei

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Depois da aula segui para a lanchonete da Dona Rosie. Entrei na lanchonete e percebi que estava atrasada.

– Atrasada de novo senhorita West? — A Dona Rosie perguntou assi m que passei pela cozinha para a área dos funcionários para pegar meus patins e meu avental.

– Desculpa Dona Rosie — Falei vestindo o avental de cintura.

– Vai ficar até mais tarde não é?

– Sim.

Calçei os patins e entrei na cozinha.

– Oi Bob! — Cumprimentei o cozinheiro.

– Oi Molly!

Peguei duas fresias no vaso de flores do balcão e coloquei no bolso da camisa como sempre fazia. Peguei meu bloco de pedidos e minha caneta no bolso do avental e comecei meu trabalho.

Duas horas depois troquei de lugar com a Meredith: ela ia cuidar das mesas e eu do balcão.

Vi o Cameron entrar pela porta e vir na minha direção. Ele se sentou no banco bem na minha frente.

– Boa tarde! — Falei de má vontade

– Quero Chicken Enchilados.

– Isso não está no nosso cardápio.

– Como não? — ele perguntou mostrando o cardápio para mim.

Olhei e vi: o último item "Chiken enchilados". Ok eu achei que não tinha porque era algo que quase ninguem pedia. Anotei o pedido dele.

– Algo mais?

– Um milkshake de chocolate.

Anotei o milkshake.

– Somente.

Passei o pedido para o Bob.

– Adorei os detalhes marrons na sua saia — Ele falou sorrindo

– Acho que o cara que fez os detalhes adorou mais ainda.

– Valeu. — Ele riu

Eu estava prestes a chamar ele de idiota quando me lembrei que eu poderia ser demitida por isso.

Eu o encarei. Nossa, nunca tinha percebido como ele tinha ficado bonito. Tinha cabelos bagunçados, o que não era muito comum na época dos topetes, bochechas rosadas, olhos grandes e um sorriso generoso com dentes branquinhos, uma boca carnuda, e isso tudo se tornava um conjunto de beleza de perder a cabeça.

– Molly, um milkshake de chocolate e chicken enchilhados — Ouvi o Bob falar tirando-me dos meus pensamentos.

Peguei o pedido e servi ao Cameron.

– Obrigada.

– De nada.

– Ah Molly. Me desculpe pela lama.

– Estranho. Você sabe meu nome.

– Claro que sei, o Bob acabou de falar — Ele riu e continuou — To brincando. Apesar de você não ser uma das garotas apaixonadas por mim, você tem algo que qualquer outra garota não tem. Não sei se é seu sorriso, seus fios louros soltos encaracolados ou seu jeito de manter a calma. Você parece uma garota legal Molly.

Sorri.

– Obrigada, eu acho.

– Você não gosta muito de mim né?

– Posso ser sincera?

– É. Realmente não gosto.

Vi duas garotas se sentarem no balção uns três bancos longe do Cameron. Fui atendelas.

– Boa tarde! O que gostariam?

– Um pedaço de torta de amendoim e uma coca-cola — A garota ruiva falou.

– E eu quero milkshake de baunilha com morango e batatinhas — A morena pediu.

Anotei os pedidos delas e avisei ao Bob. Voltei com a coca-cola da ruiva. Elas cochichavam e olhavam para o Cameron, este porém nem pareceu se importar com a presença das moças. Ele comia e olhava para mim.

– Tira uma foto que dura mais- falei para ele ao perceber que ele não tirava os olhos de mim.

– Se minha polaroid estivesse com filme eu até tirava- ele falou tirando uma câmera do bolso.

Eu ri. Ele apotou a câmera para mim e capturou minha imagem.

– Opa. Parece que ainda tem filme sim- ele falou pegando a foto que tinha acabado de tirar.

– Uma fatia de torta de amendoim, batatas fritas e um milkshake de baunilha- o Bob anunciou.

Peguei os pedidos das garotas e as servi.

– Ei- ouvi a ruiva me chamar assim que ia atender um cliente que tinha acabado de chegar.

– Sim?- perguntei.

– Você pode entregar isso para aquele garoto?- a morena perguntou me entregando um bilhete.

– Claro- falei pegando o papel dobrado cuidadosamente.

– Obrigada- ela agradeceu.

Entreguei o bilhete o Cameron que estava entretido com o canudo do milkshake.

– O que é isso?

– Aquelas garotas pediram para te entregar- falei olhando para elas.

Ele abriu o bilhete.

– Tem uma caneta?- ele perguntou.

– Sim- falei entregando minha caneta para ele.

Ele escreveu alguma coisa, dobrou o bilhete e me devolveu a caneta e o bilhete.

– Pronto. Pode devolver para elas.

Entreguei o bilhete para elas. As duas leram, aregalaram os olhos, colocaram dinheiro em cima do balcão e se levantaram indo em direção ao Cameron. A ruiva levantou a bolsa e acertou o braço dele, ele ignorou e as duas sairam da lanchonete enfurecidas.

Ele se levantou e colocou o dinheiro em cima do balcão. Peguei o dinheiro. Tinha muito troco para dar, mas o Cameron já estava na porta.

– Ei, Cameron! — eu o chamei e ele olhou para mim- Tem troco — avisei.

– Pode ficar pra você Molly!- ele falou abrindo a porta e saindo em seguida.

Coloquei o troco no bolso do meu avental e intrigada com o que dizia o bilhete das garotas e a resposta do Cameron fui atender o outro cliente.

Notas finais
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